quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Entremos, pois ...

[Cravina-brava, Craveiro-de-portugal, ou Cravo de-maio (Dianthus lusitanus Brot.)]
Entrar em 2010 com um sorriso não se afigura nada fácil. Entremos, pois, com uma flor a desejar
Bom Ano a todos os visitantes!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Há petróleo em Alvalade ?

O Sporting continua à procura de reforços. O alvo seria, desta vez, o defesa central peruano Rodriguez , ao serviço do Sporting de Braga que, ao que parece, não estará pelos ajustes, pois só aceitará negociar o passe do jogador mediante a contrapartida do pagamento de quatro milhões de euros, ao passo que o Sporting pretenderia obter o empréstimo de Rodriguez “com uma opção de compra de quatro milhões de euros no final da época”.
No entanto, não me admiraria nada que, perante a recente vaga de contratações, a demonstrar disponibilidades financeiras de que não se suspeitava, o negócio acabe por se concretizar.
Terá o Sporting encontrado petróleo em Alvalade como, há dias, sugeria Pinto da Costa, ou terá recorrido a Scolari que encaixou nada mais nada menos que 13,9 milhões de euros de indemnização por despedimento do Chelsea?
Bela maquia, sem dúvida. Também por isso, pergunto: Está tudo doido, ou quê?

Avifauna portuguesa # 81: Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla)

[Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla Brehm)]
(Local e data: Sertã; 26-12-2009)
(Clicando na imagem, amplia)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Coisas de pasmar !

A repetida ocupação de instalações do BPP por parte dos clientes deste banco, titulares de aplicações de retorno absoluto, como forma de protesto é obviamente um acto ilegal. Não se compreende, por isso, a passividade com que as autoridades policiais têm vindo a lidar com o problema.
Será porque os "ocupas" usam fato e gravata (os cavalheiros) e casacos de peles (as damas) ?
Seja como for, tanta condescendência leva a que qualquer um se sinta no direito de fazer o que muito bem lhe apetece e de considerar como ilegítima a intervenção da polícia para repor a ordem, como foi agora o caso, mesmo se a actuação policial, como hoje aconteceu, não vai além da ameaça do uso da força.
Se a contemporização policial com estes "ocupas" já é de pasmar, que dizer então dos órgãos de comunicação social que passaram todo o dia a relatar, em directos e em prime time, mais esta ocupação, como se fosse o facto mais natural deste mundo, indo ao ponto de seguir as instruções de um qualquer "engravatado" para filmar a cena de dois "cavalheiros" e de uma "dama" forçando a entrada no portão de acesso às instalações?
Donde virá tanto amor para com estes "pobrezinhos" que vestem casacos de peles e fatos de bom corte, sobretudo quando se sabe que tais "damas" e "cavalheiros" não são simples depositantes, mas sim clientes de produtos de risco?
Fica a pergunta, pois resposta não tenho. Mas lá que é de pasmar, é.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Notícias de Alvalade

João Pereira, recentemente adquirido pelo Sporting ao S. C. de Braga, por 3 milhões de euros, participou pela primeira vez no treino no seu novo clube.
Anuncia-se também a contratação pelo Sporting, por três temporadas e meia, do avançado Sinama Pongolle, adquirido ao Atlético de Madrid por 6,5 milhões de euros.
Pergunto-me se estas contratações pelo Sporting serão de molde a inverter a actual situação depressiva em que vive o clube, que espero continue a figurar entre os grandes do nosso desporto (futebol e não só).
Duvido, porque os grandes clubes carecem de vultuosos meios financeiros de que o Sporting não dispõe, embora tenha despendido, nestas contratações, verbas que não era suposto estarem ao seu alcance. Oxalá me engane, pois bem gostaria de estar enganado!

Os números e a crise

Segundo os dados da SIBS, desde o início de Dezembro até ao dia 26 foram registadas compras no valor de 2577 milhões de euros e levantamentos no montante de 2131 milhões de euros, o que significa que, durante aquele período, foram realizadas transacções no valor total de 4708 milhões de euros, valor superior em 300 milhões de euros aos dados referentes ao ano de 2008, em que aquele valor se ficou pelos 4408 milhões de euros.
Estamos em crise, mas os números dão que pensar. Ou não ?
Para um leigo como eu, os números revelam que, com excepção dos desempregados (cujo número tem aumentado e cuja situação tem que continuar a merecer a atenção dos poderes públicos e terá que continuar a ser motivo de preocupação para o todo nacional) a grande maioria da população viu aumentar o seu rendimento disponível, graças, designadamente, à descida dos preços e, pouco sensível à crise, direccionou-o para o consumo. Os números não enganam.
O que significa que a crise não nos ensinou nada: em vez de poupar, como, julgo, aconselharia a prudência, proporcionando, por essa via, fundos para investir, eis que, pelo contrário, é a propensão para o consumo que dispara.
Depois, queixemo-nos da crise que tem costas largas. E o Pai Natal também!
(Reeditada)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Será que estou a ver mal ?

As razões aduzidas pelo Procurador-Geral da República para não divulgar os despachos lançados nas certidões com a transcrição das escutas telefónicas no âmbito do processo Face Oculta relativas a conversas entre Armando Vara e o primeiro-ministro são óbvias. Tendo o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça proferido, no uso de competência própria e exclusiva, a decisão de julgar nulos os despachos do juiz de instrução (que validaram a extracção de cópias das gravações) e de não validar as gravações e transcrições, ordenando, em consequência, a destruição de todos os suportes, é evidente que, por respeito a tal decisão, juridicamente vinculante, também o PGR não pode divulgar os despachos por ele proferidos, "uma vez que nos mesmos se encontram transcritas partes dos relatórios referentes às gravações em causa, já que não seria possível fundamentar os despachos sem referir o que foi escutado". É, como diria o outro, o "óbvio ululante".
Os despachos proferidos pelo PGR, não deixam, no entanto, de me causar alguma perplexidade, pois não entendo qual a sua utilidade e, logo, a sua necessidade. Não é verdade que, tendo sido declaradas nulas as escutas e ordenada a sua destruição, por quem de direito, elas, ainda que materialmente existam, juridicamente estão mortas e enterradas e, como tal, nunca poderiam justificar a abertura de qualquer inquérito? Os despachos serviram, nesse caso, para quê ? E que necessidade havia de transcrever fosse o que fosse do relatório das gravações, quando a nulidade decretada seria mais que suficiente para justificar a não abertura de qualquer inquérito e quando, em bom rigor, nem ele, PGR, pode fazer uso das gravações seja para que efeito for?
Mas, em matéria de perplexidades, aqui fica mais uma: o PSD não ignora que foi ordenada a destruição das escutas e que o seu valor jurídico é nulo. Ao insistir em conhecer os despachos e ao pretender, por essa via e graças à inabilidade do PGR, conhecer o teor (ainda que parcial) das escutas, o PSD mostra que tem em pouca conta as regras do Estado de direito, pois insiste na sua violação.
Será que sou eu que estou a ver mal, ou será, antes, o PSD a persistir no caminho que tem vindo a seguir no sentido de minar a confiança nas instituições da República, sem olhar a meios ? Ressalvada a Presidência, claro está.
(Também publicado em A Regra do Jogo)

Saudação aos visitantes...

[Ora-pro-nobis, Rosa-cacto, ou Cacto-de-árvore (Pereskia grandifolia Haw.)]

Em época de frio intenso e nuvens negras, uma flor de terras quentes para saudação aos visitantes. E bem a propósito, Ora-pro-nobis, se chama ela, no Brasil.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sobre a seriedade no debate político

O debate quinzenal que hoje teve lugar na Assembleia da República fornece-se-nos alguns bons exemplos da pouca seriedade com que o debate político vem sendo travado entre nós.
Nem sequer falo de Manuela Ferreira Leite cuja intervenção no plenário só veio demonstrar, mais uma vez, que a líder do PSD é portadora duma agressividade (que só pode ser fruto de muita frustração) duma ignorância confrangedora sobre qualquer assunto (de que dá provas ao recusar-se a responder às questões suscitadas no debate) e duma pobreza de discurso que não consegue ir além da questão do endividamento do país. Questão a que o primeiro-ministro respondeu (e bem) chamando-lhe a atenção para a incoerência entre o discurso e os actos. Não se compreende, na verdade, como é que alguém tão preocupado com o endividamento do Estado, contribui, com o seu recente voto e do partido que lidera, para diminuir as receitas do Estado em 800 milhões de euros.
Refiro-me antes às intervenções de Francisco Louçã (BE) e de Jerónimo de Sousa (PCP).
Além de outros temas, Francisco Louçã, abordou também o do relacionamento entre o PS e o Presidente da República, criticando algumas recentes tomadas de posição de dirigentes do PS, que considerou injustificadas, a propósito de declarações de Cavaco Silva relacionadas com a aprovação da proposta de lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se bem que esteja no seu direito de ter o julgamento que muito bem entenda sobre o caso, dificilmente se compreende, numa perspectiva de seriedade, que tenha trazido o incidente ao debate e insistir nele, porque, ao fazê-lo, contribuiu para agravar o clima de crispação que se vive entre os vários órgãos de soberania, o que, claramente, contraria a sua alegada preocupação com a situação. Preocupação (?) que vai ao ponto de tomar a defesa de Cavaco Silva, como se da parte deste nada houvesse a censurar e como se o PR não pudesse ser objecto de crítica política. Com a defesa da posição de Cavaco Silva até parece que este foi eleito para a Presidência da República com os votos do Bloco e que este se prepara para apoiar a sua eventual recandidatura! Tudo leva, pois, a concluir que o caso serviu apenas de pretexto para Louçã desferir mais um ataque ao seu inimigo de estimação, o PS. Isto, porém, de sério nada tem.
Como não é sério, por parte de Louçã e de Jerónimo de Sousa, aproveitar o recente conflito suscitado pela proposta apresentada pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), admitindo a hipótese de o período normal de trabalho poder ser aumentado até às 60 horas semanais, para, sob falsa argumentação, pôr em causa o actual Código do Trabalho. Digo falsa argumentação, porque se dá a entender que o aumento pode ser imposto pelas entidades patronais (o que, a ser verdadeiro, seria realmente intolerável) quando, de facto, assim não é, pois tal aumento só pode concretizar-se por acordo entre as entidades patronais e os trabalhadores. Escamotear a verdade, com a finalidade de enganar a opinião pública e atacar legislação aprovada no anterior Governo, não é sério. Admito que o Código do Trabalho contenha disposições merecedoras de crítica. O que não releva da seriedade política é criticá-lo, usando argumentos não verdadeiros.
Finalmente, a meu ver, também não dignifica o debate político a prática seguida pela Assembleia da República de transformar a agenda de cada debate em simples pretexto para discutir tudo e mais alguma coisa, como aconteceu mais uma vez, o que acaba por inviabilizar um debate sério sobre as matérias agendadas, transformando-se, muitas vezes, o debate em simples duelos verbais em que cada interveniente parece mais interessado em ouvir a própria voz do que em apresentar ideias e soluções para os problemas do país. O debate arrisca-se assim a tranformar-se num espectáculo. Ora, isto, salvo o devido respeito, também não é sério. Acho eu.
(Também publicado em A Regra do Jogo)

"A palavras loucas, ouvidos moucos"



Esta senhora, pelos vistos, não aprendeu nada com o que se passou nas últimas eleições legislativas.
Incapaz de apresentar uma qualquer solução para os problemas do país, o seu discurso, antes e depois das eleições legislativas, limita-se a pouco mais do que a proferir insultos contra o primeiro-ministro, o Governo e o PS, com uma sanha digna de uma alucinada de cuja boca só podem sair palavras loucas.
Como líder do maior partido da oposição devia ter algum sentido de Estado e não tem, pois porta-se como uma arruaceira.
Um nojo!
Para evitar males maiores, o melhor mesmo é dar "a palavras loucas, ouvidos moucos".
Até porque já não teremos que a aturar por muito tempo. Que parta de vez e depressa, que não deixa saudades. E, se não for pedir muito, que parta acompanhada.
(Imagem daqui)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O melhor jogador e o melhor golo !

(Messi)

(Cristiano Ronaldo)
Lionel Messi ganhou, merecidamente, o título de melhor jogador do ano, sucedendo a Cristiano Ronaldo (CR) que ficou em segundo lugar. O melhor golo, no entanto, é de CR, que arrecadou o prémio Puskas atribuído precisamente ao melhor golo do ano. Um grande golo, sem dúvida, o marcado por CR, a 15 de Abril deste ano, no Estádio do Dragão, em jogo contra o Futebol Clube do Porto e que deu a vitória ao Manchester United (1-0) garantindo o apuramento desta equipa para as meias-finais da Liga dos Campeões. Para ver aqui.
(Imagens daqui e daqui)

Observação dos dias (XXX): Tempo instável

As temperaturas andam mesmo num sobe e desce. Ontem frio de rachar, hoje, por um pouco, melhorou, mas foi sol de pouca dura: de manhã anunciou-se que a empresa brasileira Camargo Corrêa se preparava para lançar uma OPA alternativa sobre a Cimpor (entrada de ar quente vindo do Brasil); à tarde o desmentido ( e o ar quente lá se foi). Mas nunca se sabe, nos tempos que correm, se não poderemos ainda assistir a uma reviravolta no tempo e não só.
Seja como for, a instabilidade continua: se a desconvocação da greve nos hiper e supermercados anuncia melhoria, esta é logo contrariada pela baixa do "rating" de "B" para "BC", atribuído à Caixa Geral de Depósitos pela agência de notação financeira Fitch. Não se percebe bem porquê, pois, segundo a própria agência de notação, são de notar melhoras no controlo de custos e das operações financeiras realizadas pelo banco estatal. O julgamento da Fitch, digo eu, também deve estar afectado pelo frio que vai pelas agências de notação que estão fartas de "meter água". Fria, claro está.
Foi, pois, um dia de boas abertas (como o acordo entre Sonaecom e Vodafone para a rede de nova geração e a subida, em mais de 1,5 %, das bolsas europeias - Lisboa incluída - a reagirem em alta ao anúncio do fim da recessão decretado hoje pela Comissão Europeia) logo seguidas de fortes chuvadas, com o Euro a perder terreno face ao dólar e a melhoria dos indicadores económicos a sofrer uma interrupção, segundo o INE.
E estamos nisto. Será que nunca mais chega a Primavera ?

domingo, 20 de dezembro de 2009

O Porto a 4 pontos do Benfica !

É mesmo: prognósticos certos, só no final do jogo.
O resultado (1-0 a favor do Benfica) feito na 1ª parte, é justo (já o disse no post anterior e confirmo) e deixa o Porto a quatro pontos do Benfica. O que até nem é mau para animar o campeonato, pois o Porto pode sempre recuperar do atraso e, por isso, o Benfica não se pode descuidar. Contando sempre com o Braga que, embora empatado em pontos com o Benfica, continua à frente deste, graças à vitória sobre o Benfica, em Braga.
Adenda:
Diz este: "O Benfica voltou a ver melhor o FC Porto
no retrovisor". Não está mal visto, não senhor ! Para graça, meia graça: vamos lá ver se o Benfica não fica a ver o Braga por um canudo.

Benfica-Porto, ao intervalo: 1-0

No relvado da Luz, quase transformado em piscina, ao intervalo, o Benfica ganha vantagem face ao Porto, com um golo de Saviola (na imagem), aos 22 minutos. Resultado justo, a meu ver, pois foi o Benfica quem até agora mais dominou. Veremos se a troca de Guarin, por Varela, decidida por Jesualdo Ferreira, muda o sentido do jogo na segunda parte.
(Imagem daqui)

Observação dos dias (XXIX) (Frio e quente)

Está um frio de rachar e esta alvéola-branca (Motacilla alba L.), toda encolhida, que o diga.
Em contrapartida, o mundo dos negócios está a aquecer, com a Galp Energia a comprar em conjunto com a Morgan Stanley os activos de gás natural da espanhola Gas Natural, em Madrid, num investimento conjunto de 800 milhões de euros e, sobretudo com a OPA lançada na sexta-feira pela empresa brasileira, CSN, sobre a totalidade do capital da Cimpor, operação que ainda vai dar muito que falar. Para já, é o PCP a manifestar-se e a pedir a intervenção do Governo, para, através da Caixa Geral de Depósitos, assegurar a manutenção do controlo da Cimpor em mãos nacionais. Não se percebe bem é porquê. Fala-se, a propósito, em sector estratégico. Se a indústria cimenteira é estratégica, qual o sector que o não é? E não será contraditória esta posição do PCP com as repetidas reclamações pedindo mais transparência nos negócios por parte do Estado? Mais transparência do que a assegurada pelo mercado a funcionar é difícil, acho eu. E, já agora, quem sabe se, por esta via, não se alcança a estabilidade accionista que tem faltado na empresa, estabilidade que só pode ser vantajosa para o desenvolvimento dos negócios ?
Outro sinal de aquecimento é o negócio hoje anunciado da compra pela empresária angolana, Isabel dos Santos, de dez por cento do capital da Zon, por 160 milhões de euros. Mais um negócio, que, tendo em conta outros já realizados pela mesma empresária, também vai andar nas bocas do mundo. Aposto.
Morna é a situação da economia portuguesa que, tendo voltado a dar sinais de melhoria em Novembro, não convence, contudo, os especialistas, também eles, pelos vistos, tolhidos pelo frio do pessimismo, tão em voga, por estas bandas.
E finalmente, os consumidores, entre o quente e o frio: o consumo privado subiu, pelo sétimo mês consecutivo, para 1,7 por cento (quente) mas a confiança dos consumidores piorou face a Outubro, para os -30 por cento (frio) após oito meses consecutivos a melhorar.
Enfim, temperaturas para todos os gostos. O frio, porém, permanece e está mais para vir. Essa é que é essa.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Que saudades ...

... eu já tinha duma vitoriazinha do Sporting...
Vitória que foi alcançada frente à Naval 1º de Maio, em jogo disputado na Figueira da Foz, por 0-1 (golo de Saleiro, na imagem). É magro resultado, mas, depois da derrota em casa, frente ao União de Leiria, para o campeonato, e com o Herta de Berlim, para a Liga Europa, sempre é um progresso a assinalar. E, pelas minhas contas, neste caso, o resultado até foi justo, como aliás, reconheceu o treinador da Naval, Augusto Inácio, atitude que nem sempre vemos nos campos de futebol e, por isso, é de louvar. Enfim, consolações, porque é de simples consolação que se trata, pois a luta pelo título já foi...
Como diz o outro, melhores dias virão, ou antes, melhores épocas virão, que, nesta, outros galos cantam...
(Imagem daqui)

Uma flor de vem em quando # 13: Erva-pombinha

[Erva-pombinha, ou Aquilégia (Aquilegia vulgaris L.]

(Local e data: Troviscal - Sertã; 29-04-2009)
(Clicando na imagem, amplia)

CR7 faz muita falta...

Querem lá ver que o Manchester United acabou por fazer um mau negócio ao aceitar a transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid?
É o que os resultados deixam perceber: o CR7 faz muita falta.

Ressurreição, renascimento, ou confusão ?

Que a ressurreição não é um fenómeno tão invulgar quanto isso, aí está, para o demonstrar, o caso de Santana Lopes que acaba de surgir da sombra ao tomar a iniciativa de promover a realização de um congresso extraordinário do PSD.
Diga-se que, tendo em conta a época natalícia em que vivemos, talvez seja mais apropriado falar em renascimento, até porque, em boa verdade, a iniciativa de Santana Lopes, não parece constituir-se como anúncio de uma vida nova e gloriosa, antes se está a transformar numa gritaria que vai desde as reticências de Aguiar Branco, passa pela oposição dos apoiantes de Passos Coelho (pela voz de Ângelo Correia e de Miguel Relvas), pelo mutismo do Prof. Marcelo, pelo desacordo de P. Rangel e que, por paradoxal que possa parecer, atinge o tom mais elevado com a surpreendente concordância de Manuela Ferreira Leite.
Concordância que, diga-se, representa, de facto, uma transformação da "má moeda" em "boa moeda", na perspectiva do cavaquismo. Nesse sentido, pode mesmo voltar a falar-se em ressurreição. Fico, por isso, na dúvida: ressurreição, renascimento, ou nem uma coisa, nem outra ?
De certeza: mais confusão.
(Publicado também em "A Regra do Jogo")

Aos costumes disse nada...

Cavaco Silva escusou-se hoje a comentar o diploma que vai permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Para não fugir à regra, Cavaco Silva, "aos costumes disse nada", pois direitos e liberdades dos cidadãos, são coisa pouca. Para ele. Não é novidade.
(Publicado também em A Regra do Jogo)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Braga não cede...

Com mais esta vitória sobre o Paço de Ferreira, por 0-1, no campo do adversário, o Sporting de Braga soma e segue e seja qual for o resultado do jogo Benfica-Porto, nesta jornada para o campeonato nacional, o Sporting de Braga continuará em primeiro lugar. Só ou acompanhado, mais tarde se verá. O que para já está à vista é uma equipa sensação que não cede o lugar na primeira fila, o que não deixa de constituir motivo para admiração, tendo em conta os recursos de que dispõe, bem menores do que os dos senhores que vão atrás.
Não haverá por aqui algum milagre da Senhora do Sameiro ?
(Imagem daqui)

A cimeira de Copenhaga: uma decepção ?

Não obstante os esforços da União Europeia, as notícias que chegam de Copenhaga são pouco animadoras sobre a eventualidade de se chegar a um acordo sobre as alterações climáticas. As maiores dificuldades resultam, ao que transparece, das metas pouco ambiciosas que os Estados Unidos se propõem alcançar no que respeita à redução dos gases com efeito de estufa e da recusa por parte da China em aceitar os mecanismos de verificação sobre o efectivo cumprimento do acordo por todas as partes.
Dir-se-ia que temos, de um lado, egoísmo a mais e do outro, boa-fé a menos.
Neste caso, bem podiam olhar para a Europa e para o Brasil como exemplos do caminho a seguir. Na falta de acordo, é a Terra que paga. E nós todos.
Adenda I:
Anuncia-se, entretanto, que os Estados Unidos, a China, a Índia e a África do Sul acordaram "listar as suas acções e compromissos nacionais, um mecanismo de financiamento, definir uma meta de 2ºC para a mitigação e fornecer informação sobre a implementação das suas acções através de comunicados nacionais, com a possibilidade de consultas e análises internacionais de acordo com orientações definidas”. À primeira vista e na falta de outros desenvolvimentos, o acordo não parece merecedor de grandes aplausos.
Adenda II:
E sim, tudo ponderado, visto não se ter alcançado, para já, um acordo vinculativo, e considerando que o consenso sobre as metas a atingir é modesto, se, em rigor, não se pode falar em fracasso, bem se pode falar em decepção.

Animem-se !

Todavia, a confiança dos consumidores, que há oito meses vinha a crescer, sofreu uma quebra.
É caso para dizer: Animem-se!

Cautela e caldos de galinha ...

Depois de realizados os sorteios para as competições europeias em que se encontram envolvidos clubes portugueses (Porto, Benfica e Sporting) não tardaram as reacções dos seus representantes, todos eles a mostrarem-se cautelosos quanto ao desfecho dos encontros com os respectivos adversários.
Vítor Baía, representante do Futebol Clube do Porto, é ainda o mais optimista, ao afirmar que o Arsenal " é uma equipa de topo do futebol europeu" (e tem razão) mas a manifestar confiança sobre a possibilidade de ultrapassar o escolho.
Lourenço Coelho (Benfica) considerou que o Benfica "tem de ser cauteloso" em relação à equipa que lhe coube defrontar, o Herta de Berlim, embora não se compreenda tanta cautela relativamente a um clube que, na fase de grupos, só dificilmente se qualificou, ficando atrás do Sporting. Cautela a mais ou caldos de galinha ?
A meu ver, razão terá Sá Pinto (Sporting) ao considerar o Everton um adversário difícil. Difícil é, de facto, não porque o Everton seja uma grande equipa, mas sim dado o mau momento que o Sporting atravessa.
Seja como for, uma coisa é certa: cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.
Adenda:
Nem sim, nem sopas, diz Jesualdo Ferreira, treinador do Futebol Clube do Porto, em relação aos confrontos com o Arsenal. Já a equipa inglesa está "relativamente satisfeita com o sorteio”. Ora ainda bem !

Sortes várias ...

De acordo com os sorteios hoje realizados, caberá ao Futebol Clube do Porto defrontar o Arsenal , para a Liga dos Campeões. Ao Benfica cabe a tarefa de jogar com o Herta de Berlim para a Liga Europa e o Sporting terá de haver-se com o Everton, na mesma competição.
O FCP e sobretudo o Benfica, têm boas hipóteses de ultrapassarem os respectivos obstáculos. Ao Sporting saiu a fava, pois, na fase que atravessa, dificilmente conseguirá impor-se ao Everton.
Sortes várias, pois...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Uma vitória é sempre uma vitória !

Uma vitória como a do Benfica sobre o AEK de Atenas (por 2-1) mesmo tratando-se de um jogo quase a feijões, já que a situação dos dois clubes no grupo I da Liga Europa estava já traçada (1º lugar para o Benfica e afastamento do AEK da prova) serve sempre de motivação para os jogos que se seguem. No caso do Benfica, este suplemento de motivação é especialmente importante tendo em conta que no próximo jogo estará em confronto com o Futebol Clube do Porto e que estará em causa a liderança do campeonato nacional.
Temos duas equipas motivadas pelos excelentes resultados obtidos nas competições europeias e, pelos vistos, em boa forma. Esperemos que o jogo possa corresponder em qualidade à qualidade das equipas e que ganhe o melhor.
(Na imagem, copiada daqui, Di Maria, autor dos dois golos do Benfica e com culpas no golo marcado pelos gregos)

Preciosismo a mais, eficiência a menos

O Estado podia poupar mais de 800 milhões de euros nos próximos cinco anos recorrendo a uma central de compras para o Serviço Nacional de Saúde, segundo o economista Augusto Mateus, mas o Tribunal de Contas, com este argumento (a criação duma central de compras para a Saúde viola a autonomia de gestão das unidades de saúde) entendeu por bem chumbá-la.
Será que o argumento é procedente, sabendo-se, por um lado, que a central de compras é mais eficiente, permitindo poupanças daquele montante, e, por outro, que é suposto que a eficiência deve ser a regra duma boa gestão?
Não será esta decisão do TC um caso de preciosismo a mais e de eficiência a menos ?
(Publicado também em A Regra do Jogo)

Porquê união civil e não casamento?

Ainda estou para perceber a razão por que há pessoas que sentem tantos pruridos com o facto de se designar por casamento o contrato pelo qual duas pessoas do mesmo sexo formalizam a sua vontade de estabelecer uma união de vida em comum, num momento em que o Governo acaba de aprovar a proposta de lei que vem permitir, finalmente, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E também não se vê qual a vantagem em criar, em substituição do casamento, um instituto novo, com a designação de "união civil registada", se os direitos e deveres forem os mesmos, como se impõe, em nome da não discriminação em função do sexo.
Intolerável, no entanto, é que alguém com responsabilidades políticas (mesmo que se chame Alberto João Jardim) se permita fazer chalaça com um assunto desta importância, que tem a ver com os direitos e liberdades dos cidadãos e a igualdade de todos perante a lei.
Repito o que já disse algures: se o objecto do casamento civil não é outro que não seja o estabelecimento de uma vida em comum (art. 1577º do C. Civil) que sentido faria e faz, do ponto de vista de um estado laico, continuar a fazer discriminação entre pessoas de sexos diferentes e pessoas do mesmo sexo? A vida em comum não é possível e admissível, num caso e noutro ?
E, para terminar, uma perguntinha: o casamento civil é algo mais que uma união civil ?
(Também publicado em A Regra do Jogo)

O regatear à volta do salário mínimo

Na actual discussão sobre o valor a fixar para o salário mínimo no próximo ano, há um ponto em que as confederações patronais e as centrais sindicais parecem estar de acordo e que se traduz no reconhecimento de que o salário mínimo de 475 euros, em 2010, ou mesmo de 500 euros, em 2011, é baixo. Com efeito é a própria CIP, pela voz do seu vice-presidente, que reconhece não saber "como é que alguém, estando a vida como está, vive até com 500 euros, quanto mais com 475 euros.
Assim sendo, parece pouco lógica a recusa por parte das confederações patronais em aceitar o valor de 475 euros fixado pelo Governo para o próximo ano, tanto mais que a argumentação aduzida (a sobrevivência das empresas de menor dimensão) não assenta em qualquer estudo que entretanto tenha sido feito, sendo, por outro lado, certo que o valor da contraproposta apresentada (460 euros) carece igualmente de fundamentação.
Não havendo qualquer estudo a justificar todo este regatear, parece fazer todo o sentido falar a este propósito de "insensibilidade social dos empresários", mesmo admitindo que as confederações patronais acabem por vir a aceitar o valor apresentado pelo Governo, mediante eventuais contrapartidas. Contrapartidas que, por certo, se traduzirão em novos encargos para o erário público, já que não me parece que a pressão do Estado sobre o sector financeiro (sugerida como alternativa) alcance o pretendido resultado, que é o embaratecimento do crédito. O sector, já menos dependente das ajudas estatais, não vai estar disposto a aceitar tal pressão, pois já nem sequer vê com bons olhos uma supervisão mais apertada e eficiente.
Mas a ser assim, pergunto-me se não seria socialmente mais útil aplicar os recursos disponíveis na promoção do empreendorismo e no apoio aos desempregados para a criação de novas empresas viáveis, em substituição das empresas que, não conseguindo satisfazer o novo salário, serão sempre empresas condenadas a desaparecer, a mais ou menos curto prazo.
Fico-me pela pergunta, já que "o sapateiro não deve ir além da chinela".
(Publicado também em A Regra do Jogo)

A terra treme...

Sismo de magnitude 5,4 na escala de Richter, com epicentro a 100 quilómetros do cabo de S. Vicente e que ocorreu às 01.37 h, segundo as notícias. Sentiu-se com intensidade em Almada. Que susto!
Adenda:
Ao que parece, não há danos a registar, felizmente, embora a magnitude do sismo (a que se sucederam já 16 réplicas) tenha sido superior ao incialmente apontado (magnitude 6, segundo o Instituto Português de Meteorologia e 6,2, de acordo com o Instituto Geográfico Nacional de Espanha).
Assim sendo, o sismo não passou de um aviso: atenção que a terra treme!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Despedida em grande !

O Nacional da Madeira, com uma goleada (5-1) imposta ao Áustria de Viena, despediu-se em grande da Liga Europa. Má fortuna em jogos anteriores nesta competição ditaram o seu afastamento prematura da prova. Registe-se, em todo o caso, que com esta vitória, o Nacional também deu a sua contribuição para determinar o lugar de Portugal no ranking da UEFA, quando está em causa o nono lugar que Portugal disputa com a Holanda.
(Imagem daqui)

Graças a S. Paulo

Apesar de ter averbado mais uma derrota frente ao Herta Berlim, por 0-1, em jogo hoje disputado, o Sporting qualificou-se para os 16-avos-de-final da Liga Europa de futebol, garantindo até o primeiro lugar do grupo D, graças, convém recordá-lo, aos bons resultados alcançados ainda sob a liderança do treinador Paulo Bento. Bento, ou santo, vem a dar no mesmo.
Carlos Carvalhal, pelo que se vê, não é uma coisa, nem outra. E bom treinador será ?
Optimista é de certeza, pois, não obstante o desaire, considera que, em qualidade de jogo, o Sporting deu um passo em frente. O que seria, se tivesse dado um passo atrás? Ganhava ?
Por sua vez, o guarda-redes Rui Patrício ("o Sporting fez um excelente jogo e uma excelente exibição”) e João Moutinho alinham pelo mesmo diapasão. A ver vamos no que vai dar toda esta conversa mole no próximo jogo do campeonato com a Naval 1º de Maio. É que de "excelentes jogos" e de "excelentes exibições" traduzidas em derrotas estão os sportinguistas fartos. Acho eu.
(Imagem daqui)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Uma flor de vem em quando # 12: Nigela-dos-trigos

[Nigela-dos-trigos, Nigela-dos-trigais, ou simplesmente Nigela (Agrostemma githago L.)]

(Local e data: Rapoula-do-Côa - Sabugal; 03-06-2009)
(Clicando na imagem, amplia)

Na ara da Demagogia

O Bloco de Esquerda (BE) anunciou hoje que vai propor à Assembleia da República um conjunto de medidas relativas ao ensino superior, figurando entre elas a suspensão de propinas.
Que sentido fará uma tal medida, numa altura em que há numerosas pessoas que, por via do desemprego, se debatem com dificuldades e precisam de apoio, sendo que este já não chega a todos, porque o dinheiro não é elástico?
E que raio de prioridades são estas? Será que o BE não sabe que o país vai ter que reduzir o défice, senão a curto, pelo menos, a médio prazo e que não é com medidas destas, ainda por cima socialmente injustas, que se alcança tal resultado ? Sabe com certeza, mas está visto que o Bloco está mais interessado em sacrificar na ara da deusa da Demagogia, porque tal compensa, do que em resolver os problemas do país.
Este caminho pode ser fácil, porque é sempre a descer, mas de responsável nada tem.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Apelos caídos em saco roto

Pese embora o facto de o Presidente da República ser, nos termos constitucionais (art. 120º da Constituição da República Portuguesa) o garante do "regular funcionamento das instituições democráticas" os apelos dirigidos a Cavaco Silva no sentido de uma maior intervenção por forma a não ser posta em causa a governabilidade do país, tenderão a cair em saco roto.
À uma, parece manifesto que, provavelmente por estratégia pré-eleitoral, tendo em vista as próximas eleições presidenciais, Cavaco Silva não está interessado em ir por aí. O seu distanciamento face ao Governo é por demais evidente: basta ter em conta as suas recentes intervenções, quer quando afasta o cenário da ingovernabilidade, comparando a actual situação com a que ele viveu como primeiro-ministro de um governo minoritário, como se as situações fossem idênticas, não o sendo (revelando, neste caso, pelo menos indiferença); quer quando desvaloriza as iniciativas do Governo, como sucedeu agora com a decisão de adjudicação do primeiro troço do TGV (facto que lhe serviu não para proferir qualquer palavra de incentivo, mas sim de pretexto para mais um remoque) indicando, por esta forma, que a sorte do Governo não só lhe é indiferente, como faz do actual Governo objecto da sua velada hostilidade.
Esta constatação não constitui, aliás, qualquer novidade, se nos lembrarmos do que foi toda a sua actuação ao longo dos últimos meses da anterior legislatura, em especial nas vésperas do acto eleitoral. O famoso episódio das suspeitas de escutas em Belém e as sequelas posteriores e, em particular, o patético discurso pós-eleitoral revelam que Cavaco Silva, em vez de garante do regular funcionamento das instituições, se transformou, ele próprio, num factor de instabilidade política.
É verdade que o seu comportamento neste caso (a que há que acrescentar os episódios da suspensão de Fernando Lima e simultânea manutenção em funções e posterior promoção) embora seja revelador de pouca lisura, não mereceram das forças políticas a reacção que as circunstâncias exigiam, pois parece indiscutível que, conjugando todos factos, Cavaco Silva não agiu por forma a honrar o cargo que desempenha. Isto digo, para não ir mais longe.
Não obstante, os factos em causa não só afectaram a sua popularidade, como revelam as sondagens realizadas posteriormente, como diminuíram a sua influência sobre os demais agentes políticos, pelo que a sua intervenção também tenderia a revelar-se improfícua.
Bem pode, pois, José Sócrates tentar a dramatização e alegar, com razão, que não é possível governar com dois orçamentos (o do Governo, legitimado pelo voto popular e pela passagem do seu programa na Assembleia da República e o da maioria parlamentar da oposição) pois os seus esforços não comoverão, nem Cavaco Silva, nem as oposições, um e outros mais preocupados com as respectivas agendas. As oposições estão, à primeira vista, mais interessadas em desfazer as medidas tomadas pelo anterior executivo do que em construir novas soluções (a recusa de qualquer de forma de compromisso é claro sinal disso) e Cavaco Silva está mais interessado em promover desde já a sua reeleição, hipótese que, há uns tempos, se apresentava como pouco provável, mas que parece hoje muito possível, face à não emergência de um candidato capaz de mobilizar toda a esquerda.
(Também publicado em A Regra do Jogo)

No país das maravilhas

Alertado por este "post" do Porfírio Silva, fui ver e constatei que o "Público", na sua edição impressa de hoje e também on line, se indigna com o facto de um advogado do IEFP, ter sido transferido da barra dos tribunais para um centro de emprego para ali passar a prestar apoio e aconselhamento a desempregados, sob o pretexto de que o advogado em causa "insistia em manter uma postura de isenção e imparcialidade".
Pergunto-me, perante tanta estupefacção, sobre se o "Público" fará alguma ideia de qual é o papel do advogado e de qual é a estrutura do processo.
Este é configurado como uma lide (salvo quando estamos perante o processo penal, onde o que mais importa é a descoberta da verdade material, ainda que, para assegurar o contraditório, o Ministério Público assuma, formalmente, a posição de parte) cabendo a cada uma das partes, pela mão e pela voz do advogado que a patrocina, apresentar os factos e os argumentos a seu favor. Com esta configuração processual, não passa pela cabeça de ninguém que um advogado, em vez de esgrimir as razões do seu patrocinado, passe a invocar e a fundamentar a argumentação da contra-parte. Nenhum patrocinado, mesmo que seja o Estado, na posição de parte, pode aceitar que um seu advogado proceda como advogado da contra-parte. Seria sempre um advogado de causas perdidas e quem litiga, seja quem for, não o faz para perder, mas para ganhar.
Quem é que se disporia a aceitar ou manter um advogado que, em vez do seu patrocínio, insistisse em "manter uma postura de isenção e imparcialidade" perante a parte contrária? Ninguém, seguramente. Sendo assim, pergunta-se: em que mundo de fantasia vive o "Público"? Será no país das maravilhas?
Diga-se, em jeito de remate, que num mundo ideal, a atitude do advogado seria não só compreensível, mas até louvável, mas no mundo real e face ao ordenamento jurídico que nos rege, o seu comportamento não é aceitável. A sua transferência para um lugar onde pode exercitar, porque não há conflito de interesses, a sua atitude de isenção e imparcialidade parece-me, isso sim, uma excelente solução.
(Publicado também em A Regra do Jogo)

domingo, 13 de dezembro de 2009

A sobremesa...

Depois de vários "pratos" dedicados ao futebol, ficou para a sobremesa, a notícia desportiva mais importante do dia:
A selecção feminina portuguesa de corta-mato sagrou-se, hoje, em Dublin, na Irlanda, como campeã da Europa pela sétima vez, com o concurso das atletas Jéssica Augusto (na 4ª posição), Inês Monteiro (na 5ªquinta), Dulce Feliz (na 6ª) e Sara Moreira (na imagem, na 10ª).
(Imagem daqui)

Prognósticos, só no final...

Ao vencer o Vitória de Setúbal, por 2-0, com golos obtidos na 1ª parte, o Futebol Clube do Porto aproximou-se do primeiro lugar da Liga (nesta altura, partilhado pelo Benfica e Sporting de Braga). E nem foi preciso grande empenhamento, pois a sorte do jogo ficou definida logo na primeira parte.
A próxima jornada, com o jogo Benfica-Porto, apresenta-se assim como decisiva para definir quem passará a liderar a Liga: Benfica ou Porto, um ou outro eventualmente acompanhado pelo Braga.
Cá pelas minhas contas, o Porto é favorito, tendo em conta os bons resultados alcançados ultimamente, e designadamente a vitória frente ao Atlético de Madrid, clube que o Porto venceu por 0-3, em jogo disputado em Madrid, para a Liga dos Campeões. Resultados destes constituem sempre um tónico excelente.
Todavia, como a bola é redonda, nem sempre o favorito sai vencedor. E, como já dizia o outro: prognósticos certos só no final do jogo!
(Imagem daqui)

Mais um a abrir caminho...

O Sporting de Braga, ao empatar (0-0) em casa, com a Naval, perdeu hoje a oportunidade de se isolar no primeiro lugar.
Com o empate de ontem do Benfica em Olhão e o de hoje do Braga, quem fica com a vida facilitada é o Futebol Cube do Porto. Diria mesmo que se trata de uma compita para ver quem é o melhor a abrir caminho ao FCP... rumo ao título.
(Imagem daqui)

Mala suerte ...

Pepe, jogador do Real Madrid e titular da selecção portuguesa de futebol, lesionou-se, ontem, com gravidade, durante o jogo entre o Valência e o Real Madrid, pelo que terá de ser operado, estimando-se em seis meses o tempo necessário para a sua recuperação.
Mala suerte ... para o Real Madrid, sem dúvida, mas principalmente má sorte para o jogador e também para a selecção portuguesa que, por este facto, não poderá contar com ele para os jogos do Mundial a disputar na África do Sul, ele que é, sem dúvida, um dos jogadores mais empenhados da selecção e um dos pilares da defesa da equipa nacional.
Melhoras e rápidas é que se lhe deseja.
Adenda:
O médico da selecção nacional, Henrique Jones, alimenta a esperança de ver Pepe recuperar a tempo de representar Portugal no Mundial de futebol. Zeus te ouça !
(Imagem daqui)

Mau, mau, Maria...

Por expulsão, durante a partida com o Olhanense, o jogador do Benfica, Di Maria, não vai poder jogar com o Futebol Clube do Porto, na próxima jornada da Liga.
Mau, mau, Maria...
(Imagem daqui)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Também não está muito melhor...

Ao empatar com o Olhanense em casa deste, por 2-2, graças a um golo de Nuno Gomes, já em período de descontos, o Benfica parece não estar muito melhor que o Sporting. E o jogo, com tanta expulsão (3, incluindo Di Maria), mais parece ter sido uma batalha campal. Depois de uma entrada de rompante, com várias goleadas, o Benfica perdeu o fulgor e, por este caminho, também se arrisca a não chegar ao título. O próximo jogo, com o Futebol Clube do Porto, adivinha-se como crucial.
(Imagem daqui)

Em boa hora...


Foi hoje adjudicada a concessão do troço do TGV Poceirão-Caia, integrado na ligação ferroviária de Alta Velocidade entre Lisboa e Madrid.
Como assinalou o primeiro-ministro, José Sócrates, feitos os estudos que havia a fazer, o facto de se viver actualmente numa situação de crise mundial, é mais uma razão para avançar na concretização do projecto, pois o país precisa de mais investimento e de oportunidades de emprego, oportunidades que este projecto vai trazer, ao criar milhares de postos de trabalho.
E, contrariamente ao que proclamam os profetas da desgraça, pelo menos para este projecto, os fundos não faltam, dispondo-se o consórcio vencedor a investir 1359 milhões de euros.
(Imagem daqui)

De mal a pior...

(João Moutinho, capitão do Sporting, após a derrota sofrida em Alvalade frente ao União de Leiria, por 0-1)
A imagem diz tudo do desalento que vai por aquelas bandas. Quem apostava que a saída de Paulo Bento era a solução para crise que o Sporting atravessa, estava, pelos vistos, errado. Com o novo treinador, Carlos Carvalhal, a situação, infelizmente, não melhorou. Os resultados, não obstante o empate conseguido no encontro com o Benfica, aí estão para o confirmar.
(Imagem daqui)

Avifauna portuguesa # 80: Carriça (Troglodytes troglodytes)

[Carriça (Troglodytes troglodytes L.) ]
(Local e data: Sertã; 25-11-2009)
(Clicando na imagem, amplia)

Bofetada de luva branca

Esta tomada de posição por parte de Cavaco Silva, em relação a esta candidatura que, segundo esta análise, tem grandes hipóteses de sucesso, representa, só por si, uma bofetada de luva branca em quem tanto se esforçou para denegrir a imagem de competência associada à pessoa de Vítor Constâncio. Competência que lhe é reconhecida, não só cá dentro, mas também lá fora.
Não é assim, Nuno Melo ?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Da agressividade ao diálogo ?

A aprovação na generalidade do Orçamento rectificativo, com os votos favoráveis da bancada do PS, a abstenção do PSD, CDS e PCP e o voto contra do BE, parece significar que, passada a fase inicial de confronto, a guerrilha entre as oposições parlamentares e o Governo tende a acalmar. Terá imperado, desta feita, o sentido de responsabilidade, esperando-se que este resultado possa ser o início de uma nova fase de relacionamento entre os dois órgãos de soberania (Assembleia da República e Governo) que têm obrigação de, através do diálogo, encontrarem uma forma de entendimento que torne possível a governabilidade do país, entendimento para o qual não me parece possível, nem desejável, a intermediação do Presidente da República, como alguns sugerem. Sugestão que o destinatário claramente rejeita, no que, por uma vez, me parece uma atitude sensata, até porque reconheço que o pretendido intermediário não tem meios para intervir com eficácia.
As declarações do primeiro-ministro no sentido de que os estímulos orçamentais devem ser mantidos até ao fim da crise e a disposição de incluir no Orçamento para 2010 medidas contra prémios excessivos de gestores bancários, parecem-me ser de molde a merecerem acolhimento por parte da "nova maioria parlamentar" (da oposição) e a contribuir para a abertura de uma fase politicamente menos agressiva por parte das oposições. Cá estaremos para ver, contando, todavia e à partida, com a intransigência do Bloco de Esquerda, que, pelo exemplo dado agora, parece fazer gala da sua agressividade.

Arrebanhando lixo

Tomei conhecimento, via Perplexo, de que o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) transcreveu para o seu sítio oficial a crónica de Vasco Graça Moura publicada no DN, intitulada "A porcaria", um nojo como o nome indicia, conclusão a que qualquer um pode chegar, seguindo o link supra.
Até eu, que não me conto entre os admiradores da actuação do senhor Palma e companhia, consegui ficar surpreendido, pois não me passava pela cabeça que a actual direcção do SMMP se tivesse transformado numa equipa de arrebanhadores de lixo.
Digo "arrebanhadores de lixo" e não apanhadores de lixo, porque esta é uma profissão respeitável como qualquer outra e que, se o não é, deve ser bem paga.
Arrebanhadores de lixo, insisto, porque arrebanhador de lixo é quem apanha lixo na rua e gosta de o levar para casa. E é o caso.
(Também publicado em A Regra do Jogo)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Zézinha vai ao circo...

"Não sabia que tinham contratado um palhaço" e "Não devem existir em todos os parlamentos deputados como o senhor, um deputado inimputável" são dois mimos dirigidos pela deputada Maria José Nogueira Pinto, (PSD) na Comissão Parlamentar de Saúde, ao também deputado Ricardo Gonçalves (PS).
Querem lá ver que a Assembleia da República, com um "palhaço contratado", virou circo e, com um "deputado inimputável", se transformou em manicómio ?
E a deputada Maria José Nogueira Pinto será uma parlamentar ou antes uma par(a)lamentar ?

O "resmungo" do Vasco e a "falta de consenso" do "Público"

Tendo em conta as declarações de pessoas e entidades ligadas ao sector cinematográfico, parece ser lícito concluir que a nomeação de Maria João Seixas, como directora da Cinemateca Portuguesa, foi acolhida com geral agrado pelo mundo do cinema.
Bastou, no entanto, o habitual "resmungo" do cineasta de pantufas que é Vasco Pulido Valente (VPV) para o "Público" concluir que o nome de Maria João Seixas na Cinemateca não é consensual .
Que raio de objectividade é esta ? Pelos vistos, em matéria de objectividade, a "falta de consenso" do "Público" e o "resmungo" do Vasco vão de mãos dadas, pois estão bem um para o outro. Com efeito, que autoridade tem VPV, para se pronunciar sobre a questão ? O que é o VPV sabe de cinema ?
Mais sei eu de lagares de azeite.
(Também publicado em A Regra do Jogo)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pelourinhos: Mogadouro

O pelourinho de Mogadouro situado nas proximidades do castelo, embora seja constituído por base, coluna e capitel, como é regra geral, é muito simples, como se vê, pela imagem, pois não tem outros ornamentos que não seja a cruz no capitel. As referências conhecidas situam a sua construção durante o século XV.
(Clicando, amplia)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ad multos et bonos...

Mário Soares faz hoje 85 anos, aniversário que, segundo diz, não comemora, porque, na sua idade "os anos desfazem-se, não se fazem" mas que foi pretexto para uma entrevista dada ao jornal i onde nos surge um Mário Soares em grande forma.
Ad multos et bonos ... são os votos cá da casa.
(Imagem daqui)

"Blogueiros Unidos por um Mundo Melhor"

Obrigado, Miguel, pela atribuição ao "Terra dos Espantos" do selo "Blogueiros Unidos por um Mundo Melhor", facto que aproveito para também aqui registar o início da Cimeira de Copenhaga sobre as alterações climáticas, acontecimento no qual se espera que venham a ser tomadas decisões sobre a forma de pôr termo ao aquecimento global do planeta, fenómeno já hoje sentido um pouco por toda a parte (e de que é sinal mais evidente a progressiva diminuição do gelo no Árctico) e que, a não muito longo prazo, dará origem, segundo os numerosos estudos já realizados, a catástrofes de toda a ordem. Ao que dizem esses estudos, a humanidade ainda dispõe de tempo, embora curto, de evitar calamidades futuras. Espera-se, por isso, que da parte dos dirigentes mundiais, haja a necessária clarividência para tomarem as decisões correctas com vista à segurança e à sustentabilidade do planeta Terra. Porque Terra há só uma e tão especial que nela surgiu Vida. E porque a sobrevivência dos seres vivos também pode estar em causa.

Um dobre a finados

"A próxima liderança não pode falhar" (Aguiar Branco)
Subentende-se, sem grande esforço, que na opinião do vice-presidente do PSD e líder da sua bancada parlamentar, a actual direcção do seu partido, presidida por Manuela Ferreira Leite, falhou.
A constatação não é propriamente uma novidade, mas este "fugiu-lhe a boca para a verdade" de Aguiar Branco, pela autoridade que é suposto ter, atendendo aos cargos que exerce, constitui um autêntico dobre a finados.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A caminho do "suicídio"?

Ao que parece (ver aqui, aqui e aqui) a "misteriosa" Comissão de inquérito anunciada pelo PSD terá como finalidade levar a cabo uma investigação sobre o "Magalhães" e a Fundação das Comunicações Móveis encarregada de gerir o seu financiamento.
Sabendo-se que o Tribunal de Contas já tem em curso uma auditoria com idêntica finalidade, não se compreende muito bem a necessidade de mais esta comissão parlamentar de inquérito, embora seja evidente que o sucesso dos programas e-escola, e-escolinha, e-oportunidade, e-professor e do computador Magalhães (objecto dos maiores elogios por parte de peritos nacionais e estrangeiros) sempre causou incomodidade ao partido proponente, como se pode concluir de anteriores tomadas de posição de alguns dos seus dirigentes, incomodidade que é bem reveladora da sua própria incapacidade.
A actual liderança do PSD, de tão fraca que é, teima em dar prova de vida, entretendo-se a alimentar suspeitas sobre tudo quanto sejam iniciativas do Governo, em particular quando se trata de iniciativas bem sucedidas, como é o caso.
A última sondagem conhecida revela que o PSD segue por uma via descendente e até o militante número 1 do partido (Pinto Balsemão) vaticina que o PSD caminha para o suicídio. Aguarda-se que tal vaticínio não venha a confirmar-se e que uma nova liderança possa trazer de volta o PSD como partido responsável que já foi e que faz falta à democracia portuguesa.
(Também publicado em A Regra do Jogo)

A face do Outono (II)

[Vinha-virgem, ou Trepadeira-da-virgínia [Parthenocissus quinquefolia (L.) Planch.]

(Clicando na imagem, amplia)

Uma flor de vem em quando # 11

[Flor de Borragem-bastarda, ou Língua-de-vaca (Anchusa azurea Mill. e sin: Anchusa italica Retz.)]

(Clicando sobre a imagem, amplia)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Em defesa da escola pública ?

A dupla recusa da Fenprof em aceitar a fixação de quotas para as classificações de mérito e a dependência da progressão na carreira docente da existência de vagas, significa que a referida estrutura sindical pretende um estatuto exclusivo para o ensino básico e secundário e diferenciado em relação à restante administração pública, incluindo o ensino superior, onde existem, quer a fixação de quotas, quer a progressão em função das vagas. Nestes termos, qualquer que seja o modelo de avaliação, fica patente a pouca relevância atribuída ao mérito para efeitos de progressão na carreira, uma vez que, por inércia, por comodidade, ou por qualquer outra razão, todo corpo docente duma escola pode acabar por integrar o clube dos "melhores".É o que se verifica lá onde não há o regime de quotas.
Esta posição mostra, a meu ver, que a proclamada defesa da escola pública e da sua qualidade, por parte da Fenprof, não passa de uma mistificação. Não se vê, com efeito, como é que se pode prosseguir a qualidade da escola pública se não for premiado o mérito dos docentes. O "somos todos bons" pode ser vantajoso para os maus professores, ou para os medíocres. Seguramente que para os bons professores não é estimulante e, não o sendo, é óbvio que é prejudicial para os alunos e para o sistema de ensino. E, em última análise, para o país.
(Também publicado em A Regra do Jogo)

Pelourinhos: Bragança

(1)

(2)

Retomo a série "Pelourinhos", interrompida há largos meses, com a publicação destas imagens que reproduzem a base (2) e o capitel (1) do pelourinho de Bragança. A base é constituída por um "berrão" ou "porca" de que existem outros exemplares em Trás-os-Montes (Murça e Torre de D. Chama, p.ex.) e o capitel é encimado por uma figura humana. O conjunto é datado do século XIII, embora o "berrão" seja bem mais antigo, pois remonta aos tempos pré-históricos. A sua integração no pelourinho, constitui, por certo, um reaproveitamento, embora se desconheça o seu significado e a sua utilização original.
(Clicando nas imagens, amplia)

"Quem não deve não teme"

De acordo com o noticiado aqui e aqui, Armando Vara vai pedir o levantamento do segredo de justiça no âmbito do processo "Face Oculta", afirmando o seu advogado que também vai sugerir ao tribunal a verificação das suas contas bancárias.
É o corolário lógico da sua repetida afirmação de inocência e a confirmação (?) de que "quem não deve não teme". Não será assim?

Pelas ruas da amargura...

...anda a popularidade das magistraturas judicial e do Ministério Público, segundo esta sondagem:
Juízes:
Opinião positiva: 12,7%
Opinião negativa: 37,2%;
Nem boa nem má: 37,9%
Saldo negativo: -24,5%
Ministério Público:
Opinião positiva: 15,6%
Opinião negativa: 38,4%;
Nem boa nem má: 31,5%;
Saldo negativo: -22,8%.
_____
Segundo a mesma sondagem a popularidade das duas magistraturas diminuiu em relação ao mês anterior (-1,9% para os juízes e -3% para os magistrados do Ministério Público).
Não andaremos longe da verdade se admitirmos que estes resultados se ficam a dever à lentidão da justiça (por certo) mas também à sua politização e mediatização, uma e outra, em boa medida, da responsabilidade das estruturas sindicais de juízes e de magistrados do Ministério Público, cujos dirigentes, pelo que se pode ver na comunicação social, actuam mais como políticos do que como dirigentes sindicais.
Como se pode concluir, pela amostra, misturar justiça com política não dá bons resultados e estes demonstram também que tanto paga "o justo" (a maioria dos magistrados) como o "pecador".

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sondagem Expresso/SIC/Renascença

Estudo de Opinião realizado pela Eurosondagem para o Expresso, SIC e Rádio Renascença, de 25 de Novembro a 1 de Dezembro de 2009
Intenções de voto:
PS: 38,5% (36,5% nas Legislativas);
PSD: 26,9% (29% nas Legislativas);
CDS:12,7% ;
BE: 9,2%;
CDU: 7,7% .
Mais informação: aqui ("PS e PSD seguram intenções de voto" - em relação a anterior sondagem da mesma empresa) e aqui ("PS dilata vantagem sobre PSD" - em relação aos resultado das últimas legislativas).
Lição a tirar pelo PSD: a "coscuvilhice" não compensa.
(Também publicado em A Regra do Jogo)

Avifauna portuguesa # 79:Garajau-comum (Sterna sandvicensis)

[Garajau-comum (Sterna sandvicensis Latham)]
(Local e data: Estuário do Tejo - Almada; 24-10-2009)
(Clicando na imagem, amplia)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O mal e a caramunha

Fica-se a saber, lendo esta peça, que Manuela Ferreira Leite (MFL) quer que as escutas às conversas entre Sócrates e Armando Vara efectuadas no processo "Face Oculta" sejam tornadas públicas, sob o pretexto de que o seu desconhecimento coloca o primeiro-ministro sob suspeita.
"Fazer o mal e a caramunha" é uma expressão popular que se pode aplicar, neste caso e com inteira justiça, à ainda líder do PSD, pois sabe-se que ela própria se encarregou de levantar as suspeitas em plena sessão da Assembleia da República, dando, desse modo, azo a que alguns dirigentes do PS tenham, com toda a lógica, sustentado a hipótese de ela ter tido acesso ilegítimo a tais escutas. Tese que, sublinhe-se, ganha maior consistência se se tiver em conta que MFL nem sequer se tem dado ao trabalho de desmentir tal facto.
Para fazer tal exigência de divulgação, admito que MFL pode ter outras razões que não sejam a simples satisfação de uma curiosidade mórbida. Não tenho, porém, nenhuma dúvida de que a sua pretensão contende com as regras do Estado de direito em que vivemos, normas a que ela, pelos vistos, não vota grande afeição.
(Também publicado em "A Regra do Jogo")

"Uma modesta proposta"

Afadiga-se toda a oposição e boa parte da comunicação social na vã tentativa de demonstrar que o primeiro-ministro terá mentido na Assembleia da República ao afirmar que não tinha conhecimento do negócio que a PT se propunha realizar com vista à aquisição de uma participação na Media Capital detentora da TVI, com a pretensão de transformar o caso num facto político de extrema gravidade. Para o efeito, apela-se ao que alegadamente consta (?) das conversas mantidas pelo primeiro-ministro com Armando Vara e que foram objecto de escutas realizadas no âmbito do processo "Face Oculta".
Digo vã tentativa, porque já existe despacho de quem tem competência para tanto (o presidente do Supremo tribunal de Justiça) a declarar que tais escutas são nulas e, como tal, são ininvocáveis para qualquer efeito.
Parece, por isso, legítimo deduzir da declaração de nulidade das escutas que o esforço das forças políticas da oposição é improdutivo, pois, por esta via, nunca chegarão à pretendida demonstração.
Não obstante, surge agora, pela mão de Pedro Lomba (edição impressa do "Público" de hoje) a "modesta proposta" da criação de uma comissão parlamentar de inquérito que asseguraria a protecção dos interesses em causa, a saber: a fiscalização política e a privacidade do primeiro-ministro.
A proposta é, de facto, modesta, como reconhece o autor e, a meu ver, é também inexequível, pois é manifesto que a quebra da confidencialidade de uma conversa privada decorre do simples facto de ela chegar ao conhecimento de alguém que não sejam os seus intervenientes. Dito de outro modo: mesmo que a sugerida comissão proibisse a publicidade das suas reuniões e os seus membros respeitassem o dever de sigilo, a privacidade do primeiro-ministro seria posta em causa logo que qualquer documento relativo às escutas entrasse na posse da comissão, ficando ao dispor dos seus membros.
Suspeito, aliás, com boas razões, que a violação da confidencialidade da(s) conversa(s) é mesmo o que se pretende. Para continuação do enredo.
Não será ?
(Também publicado em "A Regra do Jogo")

Espionagem ou "espiolhagem" ?

Depois das explicações prestadas na Assembleia da República pelo ministro Vieira da Silva sobre a utilização da expressão "espionagem política" por ele usada a propósito das referências vindas a público sobre as conversas entre o primeiro-ministro e Armando Vara, objecto de escutas realizadas no âmbito do processo "Face Oculta", a insistência por parte do PSD e do BE em considerarem que Vieira da Silva fez pressão sobre a investigação criminal, parece indiciar, por falta de fundamento para tal insistência, que não estaremos tanto perante um caso de "espionagem política" mas antes perante uma atitude de "espiolhagem" política. O que é mais grave, porque à possível utilidade e legitimidade, em abstracto, daquela contrapõe-se, no concreto, a pura leviandade desta.
(Publicado também em "A Regra do Jogo")

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O "pântano" revisitado

A experiência com anteriores governos sem apoio maioritário na Assembleia da República não era de molde a suscitar grandes esperanças no que respeita à estabilidade governativa do país. Estamos ainda todos lembrados da figura do "pântano", porque dela somos com frequência recordados pelos interessados em denegrir o seu autor, António Guterres (para mim, o primeiro-ministro mais sábio e dialogante dos que já conheci). Tal expressão, no entanto e como é bom de ver, não passa da constatação, por parte de alguém que não pode ser acusado de autismo, nem de arrogância, da extrema dificuldade que é governar sem o apoio de uma maioria parlamentar.
A preocupação com a instabilidade governativa está de novo na ordem do dia, com a recente aprovação, na Assembleia da República, por parte dos partidos da oposição, de uma série de diplomas que, pelas contas do Governo, se traduzem num desequilíbrio das contas do Estado da ordem dos dois mil e trezentos milhões de euros.
Que tal preocupação tende a difundir-se na sociedade portuguesa, parece evidente para as várias personalidades (da vida política, económica e cultural) ouvidas pelo jornal i, que publica, na sua edição impressa de hoje, várias peças sobre o tema (algumas retomadas na edição on line do mesmo diário, aqui e aqui). Tais personalidades, umas mais pessimistas, outras nem tanto, dão-nos conta das suas perplexidades, mas avançam também com sugestões e ideias para ultrapassar as actuais dificuldades.
Não me vou pronunciar sobre a bondade das medidas sugeridas até porque considero que a sua concretização depende, antes de mais, do que venha a ser o comportamento futuro das forças políticas da oposição com representação parlamentar que, com a aprovação dos diplomas a que acima se fez referência, deram provas de pouca responsabilidade, de alguma incoerência e da falta de bom senso.
Falo de pouca responsabilidade porque não me parece muito curial que a oposição deixe passar, na Assembleia da República, por via da não apresentação de qualquer moção de rejeição, o Programa que o Governo apresentou, para, passados poucos dias, vir forçar o Governo a executar, não o seu programa, mas as medidas avulsas da coligação negativa formada pelas oposições, coligação que, sendo negativa, bem pode também ser qualificada como "Desgoverno", pois se limita a desfazer aquilo que o Governo já fez ou se propõe fazer.
Não parece, por outro lado, que se possa questionar a alegação de incoerência quando é certo que as propostas agora aprovadas pelas oposições se traduzem num agravamento do défice das contas públicas, défice que, no entanto, tem sido severamente criticado pelas mesmas forças políticas, esquecidas, ao que parece, que tal se deve, antes de mais, à crise económica mundial que também nos atingiu e à qual se ficam a dever, ao mesmo tempo, o decréscimo nas receitas arrecadadas, dado o arrefecimento da economia e o aumento das despesas sociais, originado sobretudo pelo agravamento do desemprego, consequência inevitável da diminuição da actividade económica.
Não me reclamo de original ao mencionar a falta de bom senso, pois já outros fizeram notar que não faz nenhum sentido a aprovação de diplomas com reflexo nas contas públicas, fora do âmbito da discussão do Orçamento de Estado, por falta do devido enquadramento. Tal é bem evidente para quem tenha alguma ideia do que seja um Orçamento. A discussão deste diploma é, com efeito, o momento oportuno para apresentar propostas, quer relativas à receita, quer à despesa, porque só nessa altura é possível ter uma visão de conjunto capaz de permitir uma avaliação sobre a compatibilidade da proposta apresentada pelo Governo com as das oposições e é também a altura adequada para entabular negociações entre o Governo e a bancada parlamentar que o apoia, por um lado e as várias oposições, por outro.
Como essa discussão não tarda, aproxima-se a hora de tirar conclusões sobre qual irá ser a atitude das oposições e, consequentemente, sobre a viabilidade da actual solução governativa.
A aprovação ou rejeição do Orçamento será a prova dos nove quanto à possibilidade de ultrapassar o actual clima de impasse, clima que não é favorável, nem ao investimento, nem à superação das dificuldades da economia, ponto sobre o qual parece não haver divergências entre economistas e gestores. Até para o vulgar cidadão é evidente que ninguém consegue viver durante muito tempo no "pântano". O país, digo eu, também não.
(Post também publicado em "A Regra do Jogo", blogue onde, a partir desta data, passo a colaborar)