quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Observação dos dias

Coincidência ou não, certo é que depois de o ministro das Finanças da Comissão Liquidatária (liderada por Passos Coelho) ter uma vez mais metido água (anunciando mais impostos, em vez dos prometidos cortes da despesa) começou a chover. E bem.
Enquanto isso, o liquidador mor, temendo a chuva, andou por Espanha a convidar empresas e capitais  espanhóis a participarem no "processo de liquidação" previsto pelo Governo. E se calhar não perdeu o seu tempo. O negócio da TAP é bem capaz de interessar aos espanhóis por via das ligações com o Brasil. E se o negócio for transacionado a pataco, como tem sido norma da CL (veja-se o caso das golden shares oferecidas de borla) tanto melhor.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um convite indecente

O convite  do ministro Miguel Relvas endereçado a Mário Crespo para ocupar o lugar de correspondente da RTP em Washington, mesmo que acabe por não redundar numa nomeação, é, só por si, um escândalo de todo o tamanho. Por um lado, porque o convite foi feito à margem de todas as normas vigentes na empresa, normas que Relvas, pelos vistos, não tem qualquer pejo em desrespeitar e violar, e por outro, porque o convite corre o sério risco de poder a ser visto como um pagamento dos fretes que o Crespo andou a fazer nos últimos anos à frente das câmaras da SIC, em benefício do PSD.
Compreendo o Porfírio quando pergunta onde é que está a surpresa do convite. De facto, para quem não tem vergonha, todo o mundo é seu. Ainda assim, eu, que continuo a estranhar se vir um porco a andar de bicicleta não posso negar a minha surpresa. É que para tudo há limites e, neste caso, todos os limites da decência foram ultrapassados.
(imagem daqui)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Lá mais para o outono falaremos

Os dados anunciados pelo INE sobre a evolução da economia portuguesa, com o produto interno bruto (PIB) a recuar 0,9% em relação a idêntico período do ano anterior (menos que os previstos 1,1%) e a taxa de desemprego a fixar-se em 12,1, recuando 3 décimas face à taxa apurada no 1º trimestre (12,4%) acabam por ser melhores do que os esperados, ainda que não sejam, de facto, particularmente brilhantes. No entanto, o ministro Miguel Relvas gostou tanto que, segundo João Galamba, aquele viu nos números do PIB "um sinal de que o Governo está no bom caminho". 
A pressa em apropriar-se destes resultados por parte de Miguel Relvas (ministro dum Governo empossado no final de Junho) só pode ter uma destas explicações: ou ele não sabe quantos meses tem o ano e o trimestre, ou acha que a acção do actual Governo é de tal forma singular que até é capaz de produzir efeitos retroactivamente  (mais uma originalidade dum Governo já bem original a outros títulos) ou então está (o que é mais provável) a ganhar balanço para se aguentar com o anúncio dos números do PIB e do desemprego relativos ao 3º trimestre, estes sim da responsabilidade do Governo PSD/CDS. E bem vai precisar de balanço porque, com as medidas já tomadas pelo actual Governo, não é preciso ser adivinho para chegar à conclusão de que vamos ter uma recessão bem mais acentuada e de que o desemprego vai aumentar para números nunca vistos. 
Se alguém tem dúvidas, para o próximo outono voltaremos a falar.

O Governo também é isto

"(...) O ministro das Finanças também precisa de uma lição que o esclareça sobre o que é uma conferência de imprensa. Convocada uma, que se supunha para anunciar os cortes na despesa, proibiu as perguntas e prendou-nos com mais aumentos, agora na electricidade e no gás. A subserviência à troika deixou à dita a missão soberana de, finalmente, esclarecer os indígenas sobre o desvio colossal, a solver com mais confiscos colossais. Aproveitando a inércia, Passos Coelho foi lesto no Pontal: preparem-se que vem aí muito mais e, por favor, não estrebuchem, porque o Inferno espreita. Quanto ao corte na despesa, é esperar até Outubro. Antes, Passos tem de ultimar a oferta do BPN a Isabel dos Santos e companhia, resolver o bónus da TSU e escolher quem vai abocanhar a TAP, a RTP, os CTT, as Águas de Portugal e um naco da CGD, tudo a preço de saldo e em nome do Inferno que espreita."

(Extracto do artigo Um neoliberal é isto, Álvaro de Santana Castilho na edição de hoje do Público)

Não há quem tenha mão nele ?

A receita usada por AJJ para se manter indefinidamente no poder na Região Autónoma da Madeira é conhecida: o dinheiro sugado aos contribuintes do continente tem-lhe permitido criar e sustentar uma vasta clientela que dele depende. Ainda assim não deixa de ser surpreendente que a maioria dos madeirenses continue a permitir que um indivíduo tão boçal como AJJ continue a representá-los. É que a permanência de AJJ no poder em nada favorece a imagem da Região. Muito pelo contrário. 
E o pior é que, pelos vistos, não há, na República, quem tenha mão nele.

O Governo é isto

"(...) O Álvaro, que veio do Canadá para pôr a economia do país na ordem, disse na Assembleia da República que não sabia o que era um neoliberal. Agostinho Lopes ensinou-o assim: ' É alguém que tem três axiomas com que justifica tudo: globalização, revolução científica e técnica e competitividade. É alguém que tem três mandamentos sagrados: privatizações, liberalização dos mercados e desregulação dos mecanismos de orientação económica. E tem um único instrumento como variável de ajustamento dos desequilíbrios: o preço do trabalho...' A lição dada ao Álvaro, se complementada com a compulsão para aumentar impostos e taxas, faz uma bela síntese da actividade do Governo até agora."

(Extracto do artigo Um neoliberal é isto, Álvaro ! de Santana Castilho, na edição de hoje do Público)

Continuem a mimá-los !...

Nos primeiros cinco meses do ano voaram cerca de nove milhões de euros por dia para paraísos fiscais o que significa que, em números redondos, a sangria, ao fim de cinco meses, já vai em 1,3 mil milhões de euros.
Mais uma razão para o Governo de Passos Coelho continuar a "mimar" os ricos. A redução da TSU é uma boa medida nesse sentido, pois quase aposto que uma grande parte dos milhões poupados através desta medida  vão seguir para idêntico destino. 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Para lavar e durar ?

Estará o casamento de conveniência entre o PSD e o CDS para lavar e durar ?
A pergunta não é de fácil resposta, mas a confiança entre os parceiros vai de mal a pior, com o CDS a contabilizar fortes  razões de queixa. Por enquanto, Paulo Portas come e cala. Até quando?

Enquanto diz que corta e não corta ...

... na despesa, o Governo vai "engordando" o Estado. Veja onde e como, aqui.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Conselhos dum "pobrezinho"

Conselho do multimilionário norte-americano Warren Buffett, muito apropriado para Passos Coelho, se este quiser evitar o "caminho da conflitualidade". Não é, seguramente, através da política de "mimar" o capital que Passos Coelho tem vindo a seguir e que, pelo que tem sido anunciado, é para continuar, que o Governo vai conseguir tal objectivo, por muito grande que seja a sua "capacidade de diálogo". Se Passos Coelho julga o contrário é porque  o seu autismo e a sua ingenuidade são muito superiores a tal capacidade.

Coitados dos ricos!

Quem nos dá a novidade é o director do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro: "metade dos ricos está pobre".
De facto, sendo assim, compreende-se, perfeitamente, que o Governo de Passos Coelho tenha excluído os dividendos e os depósitos da sobretaxa extraordinária e que os sacrifícios que continuem a ser suportados pela classe média, em particular. Bem tem andado, pois, o Governo: quem é que quer mais  "pobres"?

Passado presente

Em Idanha-a-Velha


mapa da povoação
legenda

breve informação
Idanha-a-Velha é uma pequena povoação com cerca de oito dezenas de habitantes (segundo informação recolhida localmente) integrada no concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco. Faz parte das Aldeias Históricas de Portugal. Ergue-se na área outrora ocupada por uma cidade de fundação romana (séc. I a.C.) integrada na Civitas Igaeditanorum. Teve o seu apogeu no período visigótico durante o qual foi criada a diocese de Egitânia com sede na povoação, sede que ali permaneceu  até a sua transferência para a cidade da Guarda em 1199. Esteve sob ocupação árabe, altura em que a  Catedral da Idanha-a-Velha (agora Igreja de Santa Maria, embora a população local continue a designá-la por Sé - imagens abaixo) foi transformada em mesquita. A povoação foi tomada aos árabes durante a época da Reconquista por D. Afonso III, rei de Leão e mais tarde doada por D. Afonso Henriques aos Templários, doação confirmada por D. Sancho I. Datará desse período a construção da torre designada por Torre dos Templários ou Castelo de Idanha-a-Velha, (imagem infra) erigida sobre o podium dum antigo templo, na zona do forum romano.
D. Sancho II concedeu-lhe  foral em 1229, e um novo foral foi-lhe atribuído por D. Manuel I, em 1510.
A povoação conserva importantes vestígios do passado. Daí que não seja surpreendente que o conjunto arquitectónico e arqueológico de Idanha-a-Velha esteja classificado como monumento nacional. Particularmente importantes são os vestígios da época romana, designadamente os panos da muralha onde se integra a porta norte (imagem em baixo), a ponte sobre o rio Pônsul e o podium já acima mencionado. Verdadeiramente excepcional é, no entanto, a meu ver, o conjunto de lápides funerárias e votivas de que se reproduzem (em baixo) quatro exemplares, acompanhadas das respectivas transcrições e traduções que, importa referi-lo, foram por mim copiadas no local da exposição.
(Nota: para obter informação mais detalhada, o leitor pode consultar os sítios para que remetem os  links supra)

imagens












porta norte da muralha romana


(igreja de Santa Maria, ou Sé)

(porta lateral da igreja de Santa Maria)
(torre dos Templários) 

(igreja matriz)

(pelourinho)

lápides

C(aio) CVRIO PVLLI F(ilio) / QVIR(ina tribu) . FIRMANO /  ANN(orum) LXIII. CVRIA / VITALIS MARITO / OPTIMO ET SIBI . F(aciendum) C(uravit)
(A Gaio Cúrio Firmano, filho de Pulo, da tribo quirina, de 63 anos. Cúria Vital mandou fazer para si e para o marido óptimo)


MARTI / FLAVIVS/ IGAEDIT(anorum) / LIB(ertus) / ARISTON
(A Marte, Flávio Ariston, liberto dos igeditanos)


VICTORIAE 
MAVRO MARCI
 F(ilius) V(otum) L(ibens) S(olvit)
(A Vitória, Maurião, filho de Marco,  cumpriu a sua promessa de livre vontade)

C(aio). CAESARI AVGVSTI . F(ilio) PONTIF(ici) CO(n)S(uli) IMP(eratori) PRINCIPI . IVVENTVTIS CIVITAS IGAEDIT(anorum
(A Gaio César, filho de Augusto, pontífice, cônsul, imperator, príncipe da juventude, a Cidade dos Igeditanos)
(Clicando nas imagens, amplia)

sábado, 13 de agosto de 2011

Dá para acreditar ?

Nem pensar!
A quem é que Gaspar ainda consegue enganar ?

O "resistente" Jardim pode continuar a gozar com o pagode

E impunemente, porque o ministro Gaspar, a quem supostamente competiria acabar com o regabofe, nem sequer comenta o descalabro orçamental da Região Autónoma da Madeira de que, aliás, só tivemos conhecimento graças à troika que fez o favor de o anunciar, porque o Governo de Passos Coelho (o tal da transparência) teve o extremo cuidado de, sobre o assunto, guardar, de Conrado, o prudente silêncio.
O soba da Madeira pode, pois, continuar a "resistir" com toda a tranquilidade. 

Dias de verão

O pôr do sol, na Costa da Caparica.
(Clicando na imagem, amplia)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um caso de dupla personalidade

Passos Coelho, enquanto líder do maior partido da oposição recusou viabilizar o PEC IV, com a justificação de que não era aceitável impor mais sacrifícios aos portugueses.  A consolidação das contas públicas, dizia então Passos Coelho, tinha que passar pelos cortes na despesa do Estado, para ele, demasiado "gordo".
Empossado como primeiro-ministro, o mesmo Passos Coelho descobriu um "desvio colossal" nas contas públicas, desvio que, garantiu, seria colmatado com medidas pelo lado da receita (1/3) e com cortes na despesa (2/3).
Ficámos hoje a saber, durante a entrevista dada pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, à TVI que, afinal, não vai haver corte nas "gorduras" do Estado. Todo o esforço para se atingir o défice acordado com a troika para o corrente exercício (5,9%) vai ser feito pelo lado receita, com aumentos "colossais" nos impostos (sobretaxa extraordinária que leva 50% do subsídio de Natal, IVA, para já, sobre a electricidade e sobre o gás, a saltar de 6% para 23%) com aumentos brutais nos transportes públicos e o mais que adiante se verá. Gaspar, apresentado como um "geniozinho", foi hoje incapaz de enunciar uma única medida com algum significado pelo lado da despesa.
Ou seja, o que ontem era intolerável para Passos Coelho (mais sacrifícios) é, com ele a governar, o pão nosso de cada dia. 
Quer isto dizer o quê ? Que Passos Coelho,  ao dizer uma coisa e ao fazer o seu contrário, não passa de um aldrabão ?
Não creio. Antes me parece que estamos perante um caso sério de dupla personalidade: Passos diz, Coelho faz, ou vice-versa e, pelos vistos, não dão cavaco um ao outro.  

Bons alunos

Fica-se a saber através da troika (a transparência de Passos Coelho não chega para tanto) que há despesas não previstas de quase 600 milhões de euros, imputáveis a custos do BPN (320 milhões de euros) e  a despesas (277 milhões de euros) da responsabilidade do governo madeirense liderado pelo inimitável Alberto João que, com a sua habitual "lata", já fez saber que o desequilíbrio poderia ser menor (?) se fosse mais ampla a autonomia política.
Num caso e noutro, é tudo boa gente (laranja) como se sabe. 
A troika tem também o cuidado de nos esclarecer sobre a forma como o Governo de Passos Coelho vai resolver o problema. Seguindo a lição e o exemplo de Manuela Ferreira Leite, vai transferir do fundo de pensões dos bancários o necessário para cobrir a dupla roubalheira. 
Passos e Gaspar podem não ter grande imaginação, mas não há dúvida que são bons alunos!

Forte e feio

O IVA na electricidade e no gás vai passar já no último trimestre da taxa reduzida de seis por cento para a taxa normal de 23 por cento.
O Governo de Passos Coelho continua a cortar forte e feio nas "gorduras". É verdade que o homem disse e repetiu até à exaustão que ia cortar nas "gorduras" do Estado. Ora, se o Estado somos todos nós, bem pode ele dizer que se Passos prometeu, Coelho limita-se a cumprir.
Pese embora toda a boa vontade demonstrada até agora pelos "tansos", espera-se que Passos não leve a sua promessa tão longe, a ponto de Coelho começar a cortar-lhes no osso.
Esse é que é o meu receio, porque chegados a esse ponto, até os "tansos" são capazes de dizer: Basta!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

Instalam-se tripés


"Vamos promover uma alteração que aproveite ao máximo a capacidade instalada nas creches, em condições de segurança, permitindo que se estabeleçam condições de funcionamento e instalação, por forma a que se possam acolher mais crianças e aumentar o número de vagas.
Proporemos aumentar de 8 para 10 o número de vagas para crianças nas salas até à aquisição de marcha; de 10 para 14 nas crianças entre a aquisição de marcha e os 24 meses e de 15 para 18 nas crianças entre os 24 e os 36 meses." (in Apresentação do Programa de Emergência Social (PES)".
Acha que, com tanta criança, passa a haver falta de espaço nas creches? Está muito enganado. O PES resolve o problema com toda a facilidade: não cabem lá bancos, cadeiras, ou sofás ? Instalam-se tripés. É simples, ou não é ?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

À atenção de Pedro e Paulo

Há quem faça e há quem diga que vai fazer. Eu estou cá para ver.

Omeleta sem ovos

Há quem diga que não é possível fazer uma omeleta sem ovos. Nada mais errado. O ministro da Solidariedade e da Segurança Social dá a receita: misturam-se umas quantas "boas intenções" com umas tantas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), outras tantas Misericórdias e umas raspas de Mutualidades e já está.
Simples, como se vê. 
Quem queira conhecer a receita completa é só seguir as instruções deixadas pelo ministro aqui.

Uma salmonelazinha nunca fez mal a ninguém

Graças ao Programa de Emergência Social (PES)
Quem o garante é o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, na apresentação do PES : "Não faz sentido que a distribuição gratuita de alimentos fora da rede de estabelecimentos de restauração seja muitas vezes travada por restrições legais ou burocráticas."

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Locais aprazíveis...


... para quem gosta do contacto com a natureza.
(Imagens da Mata Nacional dos Medos)
(Clicando nas imagens, amplia)

Barata tonta


Basta dar uma olhadela ao curriculum (supra) da deputada Joana Barata  Lopes  já baptizada de  "deputada do 112" (26 anos, frequência de licenciatura em Direito e assistente notarial) para concluir que a verdadeira "barata tonta" é a pessoa responsável pela sua escolha como candidata a deputada pelo PSD.

Baratas tontas

Para o grupo parlamentar do PSD, uma chamada falsa para o 112, feita por uma deputada da sua bancada, Joana Barata Lopes, não é, "nem verdadeira, nem falsa". Foi só um teste. No entanto, Vítor Almeida, da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência, não vai por aí e, pelo contrário,  entende que  “Um deputado deve ser exemplo para a nação e não pode ter atitudes destas que, por mim, roçam aquilo que é legalmente aceitável para além das questões éticas”.
Já a meu ver, a posição do grupo parlamentar do PSD revela que na respectiva bancada o que não falta são  Baratas tontas !

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Um namoro que deu para o torto

Como toda a gente se lembra, a Fenprof do comissário Mário Nogueira e a FNE andaram de namoro com o PSD, durante as duas últimas legislaturas. Agora o namoro deu nisto: os senhores professores vão ter que "gramar" as quotas,  segundo o ministro da Educação, Nuno Crato e o que é mais grave é que, ainda de acordo com o ministro, " haverá bastantes professores não contratados e é possível que haja muitos com horário zero". 
Lição a tirar: quando os parceiros não são de fiar, não é de admirar que o namoro dê para o torto. 

O cheiro adensa-se

O cheiro a esturro proveniente da venda do BPN ao BIC persiste e para o Bloco de Esquerda, o cheiro nem é propriamente a esturro. O negócio cheira-lhes mais a "cambalacho".
Bom, seja a esturro, ou seja a cambalacho, certo é que o cheiro é tão intenso que já chegou às bancadas parlamentares dos partidos da coligação governamental que anunciaram que vão pedir uma audição parlamentar urgente da secretária de Estado do Tesouro sobre o negócio.
Fica-lhes bem essa atitude, mas, ou muito me engano, ou o cheiro não desaparecerá, enquanto não forem divulgadas todas as propostas concorrentes.

À procura de soluções mágicas

O Álvaro também conhecido por "ministro das bandeirinhas" teve hoje uma prestação pouco feliz, (para não ir mais longe) na Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas.
Muito feliz também não parece ter sido a opção de Passos Coelho em ir buscar este homem ao Canadá para dirigir um super-ministério (da Economia, Transportes and so on) porque todas as declarações públicas que ele tem proferido, tanto quanto é do meu conhecimento, se têm revelado desastres completos. A última de que tenho notícia foi proferida, há dias,  durante a visita a uma fábrica em Portalegre. O ministro mostrou-se, na altura, empenhado em "travar" a desertificação do interior, mas foi adiantando não ter "soluções mágicas". Em abono da verdade, deve dizer-se que nem mágicas, nem doutra natureza, pois não apresentou solução de qualquer espécie. 
Ora, se na perspectiva do ministro, os problemas do país e, designadamente, os que dizem respeito às áreas que tutela, só se resolvem com "soluções mágicas", não teria sido mais assisado entregar a liderança do super-ministério ao "mágico" Luís de Matos

  

Transparências...

O ministro da Defesa, Aguiar Branco não esclarece a situação financeira das Forças armadas. É o costume. O mesmo ministro também ainda não foi capaz de esclarecer coisa alguma sobre a situação que se vive nos estaleiros de Viana do Castelo. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cheira a esturro

Pese embora o pouco que sabe, certo é que o negócio da venda do BPN ao BIC, banco de capitais angolanos*, cheira a esturro. Admito que tal seja devido apenas ao facto de que pouco se sabe.
Ora o que se sabe, de acordo com o  comunicado do ministério das Finanças é que a  proposta  apresentada pelo BIC, prevê  "a integração de um mínimo de 750 dos actuais 1.580 colaboradores do BPN", sendo "suportados pelo Estado os custos com a eventual cessação dos vínculos laborais dos trabalhadores das agências e/ou centros de empresa que venham a ser encerrados ou reestruturados num prazo máximo de 120 dias após a data de transmissão das acções." 
Sobre o preço diz o comunicado que a "aquisição de 100% das acções do BPN pelo Banco BIC é de 40 milhões de euros, a realizar na data de transmissão das acções. Adicionalmente, caso o banco apresente um resultado acumulado líquido de impostos superior a EUR 60 milhões ao final de 5 anos após a data da transacção, será pago ao vendedor uma percentagem de 20% sobre o respectivo excedente, a título de acréscimo de preço". Mas, previamente à transmissão das acções, o Estado terá ainda de proceder à  recapitalização do BPN, com uma entrada de "cerca de 550 milhões de euros".
Perante estes números dir-se-ia que para o BIC este é um autêntico "negócio da China", como já vi escrito por aí. Não subscrevo, com tanta pressa, a afirmação, porque desconheço as contas do BPN. Não posso, no entanto, deixar de notar que no comunicado não se adianta nenhuma explicação plausível para a escolha da proposta do BIC, e é daí que vem o "cheiro a esturro". De facto, para justificar a escolha diz-se apenas que se trata  duma "proposta feita por uma instituição de crédito devidamente autorizada e a exercer a sua actividade em Portugal, [que]  assegura a continuidade da actividade do BPN e tem em consideração a defesa dos interesses dos depositantes".
Como justificação, a explicação é curta, uma vez que se sabe que, para além da proposta do  BIC, havia outras três, figurando entre os proponentes o Montepio Geral que é uma instituição de crédito autorizada e de muito maior dimensão do que o BIC, pelo que o argumento da credibilidade e da confiança que parece transparecer do comunicado do ministério e que tem sido retomado até à exaustão pelo Eng. Mira Amaral em tudo o que é órgão de comunicação social, cai pela base. O argumento da credibilidade  pode eventualmente ser válido em relação ao Núcleo Estratégico de Investidores (NEI) outro dos interessados, porque se desconhece a identidade dos proponentes. A sua proposta era, no entanto, bem mais favorável em termos de preço e no concernente à manutenção dos postos de trabalho (que eram assegurados, na íntegra), segundo se lê na comunicação social. Ora, sendo esta proposta bem melhor para o Estado, a ser válido aquele argumento, havia que que demonstrá-lo. E tal demonstração não foi feita.
Pelo que, enquanto não foram dadas a conhecer, em pormenor, todas as propostas, e enquanto não for feita a demonstração de que estamos perante um negócio completamente transparente, o "cheiro a esturro" não passa.
(* Para que não restem dúvidas, devo dizer que a nacionalidade dos capitais do BIC "não me aquenta, nem me arrefenta".)

Aforismo

Não há ninguém que, querendo ir mais além, não fique aquém.