sábado, 18 de março de 2017

Um governo pior do que o de Passos Coelho é possível ?

Respondendo honestamente à pergunta em título ter-se-á que responder que sim, pois tal é sempre possível. Tal não significa, porém, que seja tarefa fácil encontrar um que seja pior.
De facto, se é verdadeira, como tudo indica, a afirmação de Assunção Cristas, ministra de tal governo, segundo a qual "Nunca os temas da banca foram discutidos em profundidade em Conselho de Ministros", uma conclusão se impõe: o dito governo verdadeiramente nem Governo chegou a ser. Talvez um desgoverno diria eu, sobretudo sabendo-se que o sistema financeiro passava por dificuldades, sucessivamente confirmadas com a resolução do BES, (assunto sobre o qual, pasme-se, "não houve [sequer] discussão"); a resolução do BANIF; ou a necessidade de recapitalização da CGD, para só citar os casos mais alarmantes.
Cabe perguntar: como tal foi possível? O chefe de tal (des)governo, Passos Coelho, explica: "O Governo nunca se procurou substituir às entidades independente, em particular ao supervisor em matéria bancária".
O especialista em sacudir a água do capote falou e está tudo dito.
(Citações e imagem daqui)

sexta-feira, 3 de março de 2017

"Amigos pródigos"

Constata-se que, ao contrário do que foi por ele afirmado em entrevista concedida à SIC, aqui há tempos, o juiz Carlos Alexandre (na imagem) também tem "amigos pródigos". Um, pelo menos.
O caso aqui relatado faz-me lembrar, irresistivelmente, o ditado: "Não cuspas para o ar, que te pode cair o cuspo no prato". Ou "na cara", segundo outra versão. Qualquer que seja a versão, assenta que nem uma luva ao sobredito juiz Carlos Alexandre. Só não sei onde é que o cuspo lhe caiu: se no prato, se na cara, mas nalgum dos lados foi.
(imagem daqui)

quarta-feira, 1 de março de 2017

No CDS, a "elevação" anda muito por baixo

No passado dia 20 de Fevereiro noticiava o Público que o Fisco deixou sair 10.000 milhões para offshores sem vigiar transferências, entre 2011 e 2014.
Na sequência da notícia, Paulo Núncio, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais durante o governo de Passos Coelho, ouvido sobre o assunto, veio endossar a responsabilidade pelo sucedido para a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), posição que, no entanto e a breve trecho, se viu forçado a abandonar, acabando por ter que assumir a responsabilidade política pelo caso, depois de confrontado com as afirmações de José Azevedo Pereira que, ao tempo, exercia ao tempo as funções de director-geral da Autoridade Tributária (AT), afirmações que, devidamente comprovadas, não lhe deram margem para tomar outra atitude.
Hoje, ouvido na Assembleia da República, o mesmo Paulo Núncio não só confirma ser o responsável político pela não publicação das estatísticas sobre transferências para offshorescomo revela que, afinal, tomou a decisão de não divulgação, de caso pensado. Diz ele:"Achei que a publicação podia dar algum tipo de vantagem ao infrator, que podia prejudicar o combate à fraude e evasão fiscal".
A explicação não tem, obviamente, ponta por onde se lhe pegue, pelo que não parece ousado afirmar que Paulo Núncio, além de mentiroso, é tolo. 
Porém, o mais interessante, nesta "história", nem são as "cambalhotas" de Paulo Núncio, reconhecido especialista na modalidade, pelo menos,  desde a polémica das listas VIP. Mais surpreendente diria eu, é o facto de  Assunção Cristas,  presidente do CDS-PP, ao comentar o assunto, ter afirmado que "Paulo Núncio mostrou [no caso] uma grande elevação de caráter", afirmação que não pode deixar de suscitar enorme perplexidade. Como é possível, de facto, considerar que revela "elevação de carácter" alguém que começa por endossar a outrem a sua própria responsabilidade e que só a assume porque, uma vez confrontado com a verdade, não tem outra alternativa? Só encontro duas explicações possíveis: ou Assunção Cristas não conhece o significado  de "elevação" ou então a "elevação" no CDS anda muito por baixo. 
(Imagem daqui)