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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Aldrabões e piratas

«1 Quando está em causa empatar num banco mais de cinco mil milhões de euros dos contribuintes, toda a cautela é pouca, todas as dúvidas são legítimas, todas as perguntas são pertinentes. Venham elas dos especialistas, dos analistas, dos partidos ou dos cidadãos anónimos. (...) No entanto, e como em todas as regras, é aconselhável prever exceções.(...) Resulta incompreensível, por exemplo, que o PSD delegue em Maria Luís Albuquerque lições sobre a CGD, seja no púlpito da Universidade de Verão, seja à mesa do café.

A ex-ministra das Finanças classifica o processo conduzido pelo atual Governo como uma "sucessão de trapalhadas" e conclui, sem se engasgar, que, se ainda fosse ela a mandar, faria "praticamente tudo diferente". Ora, o problema de Albuquerque, quando era ela a mandar, não foi ter feito diferente. Foi não ter feito nada. Nem na CGD, nem no Banif. Empurrou os problemas com a barriga e com isso deu o seu contributo para que se somassem milhões à fatura a pagar pelos contribuintes. Com as devidas diferenças, perder tempo com as cautelas, dúvidas e perguntas de Maria Luís Albuquerque sobre o processo de recapitalização da CGD faz tanta falta como ir pedir ao ladrão de bancos conselhos sobre as falhas de segurança depois de consumado o assalto.

2 É uma das notícias do ano, pelo número e pelo sinal de que o poder económico ainda não subjugou por completo o poder político. A Comissão Europeia impôs à Apple (a empresa mais valiosa do Mundo em bolsa) o pagamento de 13 mil milhões de euros, por conta de uma massiva fuga aos impostos. Não se trata de uma vulgar fraude fiscal, antes um esquema criminoso com a cumplicidade do Estado irlandês que, tal como outros estados da União Europeia (Holanda, Luxemburgo), sustenta os seus êxitos económicos no "dumping" fiscal, ou seja, taxas pornograficamente baixas sobre os lucros das empresas. No caso da Apple, deu-lhe ainda cobertura para transferir os lucros com as vendas de toda a Europa para empresas sediadas na Irlanda, mas que só existem no papel. E, dessa forma, milhares de milhões de euros foram sujeitos a uma taxa de imposto que variou entre 1% (em 2003) e 0,005% (em 2014). Faltam no entanto duas etapas para que a premissa inicial faça sentido: a execução da sentença; e que, por pressão dos cidadãos, a União Europeia ponha fim à pirataria fiscal praticada em alguns dos seus estados. É impossível? Também o parecia ser a decisão sobre a Apple.»

(Rafael Barbosa; Os ladrões de bancos. Na íntegra: aqui)

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Atenção aos alertas da Comissão Europeia !

«Estava-se mesmo a ver que esta história de aumentar o salário mínimo para os 530 euros ia acabar mal.
(...)
Porque é sabido que aumentar os rendimentos aos desqualificados do calçado, têxtil, supermercados, lojas, ou da construção civil tem um efeito dominó. A seguir, os patrões têm de aumentar os salários aos que ganham um bocadinho mais. Ora, num país em que 42% dos trabalhadores ganham menos de 600 euros, é muita gente a reclamar aumentos. Mais, o efeito dominó vai por aí acima, até chegar aos CEO. E é assim que chegamos à EDP e a António Mexia, que, este ano, vai ganhar mais 600 mil euros do que no ano passado, ou seja, qualquer coisa como 2,6 milhões de euros. O equivalente ao salário mínimo de 4905 operárias do calçado analfabetas e meninas do shopping com cursos de Psicologia ou Gestão.

Não se prendam, no entanto, com contas simplórias. Atentem antes na justificação da comissão de vencimentos da EDP para justificar o justo aumento de Mexia: é necessário alinhar o salário com o mercado. Ora aí está, a confirmação do efeito dominó e a prova de que os alertas da Comissão foram certeiros. Aumentam o salário mínimo aos tipos do fundo da pirâmide e a coisa vai por aí acima, acompanhando a evolução macroeconómica. Concluindo, quando, por estes dias, se indignarem no Facebook com o salário milionário de Mexia, tenham pelo menos a decência de acrescentar que a culpa é do António Costa e da "geringonça" que o acompanha.»
(Rafael Barbosa: "O salário de Mexia". Na íntegra: aqui)


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Sob as vestes dum pretenso "bom aluno"

Não se trata propriamente duma revelação, pois, na verdade, já se sabe, de há muito, que o governo passista/portista/cavaquista, que gasta boa parte das suas poucas energias em esconder-se sob a capa de bom aluno, não passa, afinal de um governo de "delinquentes". Pelo menos, aos olhos da Comissão Europeia, que acaba de o sujeitar a uma vigilância reforçada. Com bons motivos. Ora ouçam!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Como um peixe a nadar em seco


Diria que é como se deve sentir Carlos Moedas na pele de "novo comissário da Investigação, Ciência e Inovação". Nem a pasta que lhe foi atribuída tem a relevância de que Passos Coelho chegou a falar, nem Moedas tem aptidão para a gerir. Não fez ele parte de um governo que liquidou a Investigação, a Ciência e a Inovação em Portugal?  Um peixe fora de água é o que é.
(imagem daqui)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Valha-lhes a Letónia!

Um bom exemplo, considera Olli Rehn, comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros,  segundo o qual, "a experiência da Letónia mostra que um país pode ultrapassar de forma bem sucedida os desequilíbrios macroeconómicos, mesmo severos, e emergir mais forte".
Portugal, o bom aluno de outrora, ainda vai ser uma grande Letónia. Haja fé, quer dizer o Rehn. E é preciso mesmo muita, porque, por cá, com os números a desmentir a propaganda, se a fé é pouca, a esperança é  já nenhuma.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O facto (in)consumado

Em editorial, o "Público", na sua edição de hoje considera que, por pressão da Comissão Europeia, o governo já não pode recuar na aplicação das anunciadas alterações da Taxa Social Única através das quais se opera uma brutal transferência de rendimentos dos trabalhadores para os detentores do capital. Essas alterações seriam, na perspectiva do "Público" um "facto consumado".
Como assim?
Pressão por pressão, ainda estou para ver qual das pressões é mais "pressionante" (passe a redundância): se a pressão da Comissão Europeia, se a pressão do povo.
Além do mais, é bom não esquecer que foi este governo quem sugeriu à troika a adopção dessa e doutras medidas para remediar o fracasso da sua própria política, inclusive no que respeita à consolidação das contas públicas. 
Se agiu impensada e estupidamente e colocou o país numa situação absurda, cabe-lhe a ele resolver o problema, com a apresentação de outras medidas que não firam o sentimento de justiça dos portugueses. E, depois disso, ficar-lhe-ia bem demitir-se para dar o lugar a alguém que tenha a prudência e a competência que este governo comprovadamente não tem.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cocorocó!

Felizmente o ridículo não mata, porque caso contrário, lá ia, desta para melhor, toda a Comissão Europeia.
Preocupada com bem-estar das galinhas poedeiras, a Comissão abriu um processo contra Portugal por infracção ao direito comunitário, por não ter adoptado as novas normas de produção das ditas cujas.
De facto, neste momento, não se vê que haja assunto mais premente para resolver. 
Normas europeias exigem gaiolas melhoradas