Tudo isso é verdade, mas a mesma alma não só não quer saber que os municípios de todo o país estão a conter as despesas com iluminações e afins, como parece ignorar que mesmo cidades como Lisboa e Porto, onde a indústria do turismo também tem grande relevância económica, vão reduzir as despesas de 850 mil euros para 150 mil, no caso de Lisboa, e para metade do gasto nos anos anteriores, no caso do Porto.
Isto, para além de, com aquele discurso, estar a passar em branco todo o escândalo que rodeou a adjudicação: por ajuste directo a uma empresa liderada por um ex-deputado do PSD e que vai receber mais meio milhão de euros em relação ao valor anual da sua própria proposta apresentada num concurso, entretanto, anulado. Muito edificante, como se vê.
O que tudo isto quer dizer muito simplesmente é que o senhor Jardim pode continuar a fazer o que muito bem entender e a gastar à tripa forra, quando toda gente é obrigada a conter despesas, situação que é tanto mais acintosa quando se sabe que a Madeira tem uma dívida pública acumulada (e durante anos dolosamente escamoteada) de milhares de milhões de euros que o senhor Jardim, por este andar, não pensa pagar.
E, pelos vistos, haverá sempre uma alma que ache bem.
Eu, por acaso, não acho, mas, à conta do senhor Jardim, cá vai mais um foguete.