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sábado, 24 de setembro de 2016

Casa de orates

Há algum exagero no título, mas que o FMI se assemelha bastante a uma casa de orates afigura-se-me fora de dúvida. Trata-se, na verdade, de uma instituição internacional onde as divergências e a descoordenação são realidades evidentes. Isto, pelo menos, no que respeita à apreciação que a própria instituição faz relativamente à intervenção da troika em Portugal, pois, de facto, os responsáveis do FMI tão depressa apontam para a existência de erros, quer na análise da situação económica de Portugal, antes da intervenção, quer em relação às medidas que vieram a ser implementadas com vista a ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelo país, como, com insistência, continuam a falar em sucesso do "ajustamento", apesar de tal sucesso se ter traduzido: numa enorme diminuição do PIB (que ainda não recuperou para os valores existentes anteriormente à vinda da troika, nem recuperará tão cedo); num significativo aumento do número dos pobres; no agravamento das situações de pobreza; no aumento das desigualdade entre pobres e ricos; na emigração de centenas de milhares de pessoas na força da vida; na destruição de milhares de empresas e até no enfraquecimento do sistema  financeiro. 
Perante resultados como estes, qualquer pessoa no seu perfeito juízo teria de concluir que a "receita" do FMI se traduziu num completo fracasso, bem como admitir que só numa casa de orates é que é possível continuar a existir gente como um tal Subir Lall que não se cansa de defender insistentemente a mesmíssima receita que levou ao desastre e que, no essencial, se resume a mais cortes nos salários, nas pensões e nas prestações sociais.
Felizmente, a receita do FMI tem cada vez menos defensores entre nós. Hoje já não falta quem faça uma apreciação negativa das propostas do FMI veiculadas pelo dito responsável, mesmo entre pessoas que, com maior ou menor entusiasmo, seguiam a doutrina da austeridade criadora que deu no que deu. Deixo dois exemplos em dois  textos, um da autoria do actual director do DN e outro da autoria do seu antecessor no cargo, publicados, por sinal, no mesmo jornal e  na mesma data. Aqui ficam os títulos e os links: FM o quê? (Paulo Baldaia); Já ninguém atura o FMI (André Macedo). Duas tomadas de posição bem elucidativas, acho eu.
Também é verdade, reconheço, que continua a haver por cá paladinos da TINA (There Is No Alternative ) como o Gomes Ferreira (da SIC) ou o Camilo Lourenço. Mas é uma pena, digo eu, continuarem por cá, porque, de facto, onde ficavam bem era lá. Na casa de orates.
(Ilustração daqui)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Que nunca a voz lhe doa...

Neste caso, a Pedro Silva Pereira, deputado do PS, aqui em intervenção proferida na Assembleia da República sobre o relatório do FMI. 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Um balde de água fria

Atendo-me apenas à leitura dos jornais (aqui, aqui, aqui e aqui, ), já que não encontrei em parte alguma o texto, diria eu que o relatório do FMI sobre as oitava e nona avaliações é antes de mais uma balde de água fria lançado sobre o alegado "milagre económico" do ministro Pires de Lima, os "sinais positivos" de Moedas e outras proclamações optimistas de Passos e Portas sobre o andamento da economia, visto que considera que “o caminho para voltar a ter acesso pleno ao mercado quando o programa terminar (...) é estreito" e aponta para a necessidade de Portugal ter de recorrer à ajuda dos "parceiros europeus" para assegurar as necessidades de financiamento de médio prazo, considerações que têm o significado inequívoco de reconhecer que o governo falhou em alcançar todos os objectivos previstos no Memorando de Entendimento no que respeita à consolidação da contas públicas e à sustentabilidade da dívida pública. 
O que pode servir de alguma consolação ao governo é o facto de o FMI insistir, no seu relatório, na defesa de mais de austeridade, apontando, designadamente, para a continuação dos cortes nos salários no sector privado, a somar aos cortes nos salários dos funcionários públicos e nas pensões previstos no OE para 2014, caucionando assim a política que o governo tem vindo a seguir como forma (errada) de aumentar a competitividade. 
Fraca consolação, porque a caução dada pelo FMI é mais um erro a somar aos antecedentes. De facto, ao ignorar os efeitos perniciosos da receita até agora aplicada e ao persistir na defesa de mais austeridade, o FMI revela que é incapaz de aprender com os erros. Tal como este governo.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

"Portugal não é a Grécia".

O FMI acaba por dar razão ao (des)governo de Passos, Gaspar, Portas & Cª quando este proclama que "Portugal não é a Grécia". Erros grosseiros cometidos pelo FMI  na forma como lidou com a crise da dívida, só na Grécia.
O desastre causado em Portugal pela política de austeridade, é apenas devido à sobredose aplicada pela troika formada por Passos, Gaspar & Portas, com a bênção de Cavaco.
(Des)honra lhes seja feita!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um filme de terror

"Portugal continuará, até 2017 inclusive, a ser um dos países do mundo com menor crescimento, com mais desemprego e a economia continuará a perder posições no ranking do poder de compra per capita indica o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ou seja, cada português, continuará a descer (a empobrecer) quando se olha para a lista dos mais de 180 países analisados pela instituição.

De acordo com as projeções do Fundo, que é um dos elementos da troika no país que tem estado a desenhar, juntamente com o Governo, o programa de ajustamento económico e financeiro, Portugal chega a 2017 em pior situação económica relativa do que estava em 2011."

(Luís Reis Ribeiro; "Ajustamento falha e Portugal cai nos rankings do FMI até 2017". Na íntegra: aqui)

O que os dados do Relatório de Outono das Perspectivas Económicas Globais (World Economic Outlook) do FMI (a que o artigo, parcialmente reproduzido, se refere) revelam é um filme de terror, o que, para os portugueses, nem sequer é novidade, pois não só estão a ver o filme, estão a vivê-lo.
Mesmo assim, não deixa de causar calafrios constatar que, segundo as previsões do FMI, "Portugal chega a 2017 em pior situação económica relativa do que estava em 2011." 
A dimensão da traição ocorrida nos idos de Março de 2011 está para além da tragédia, é o que estas previsões anunciam com total limpidez. 
E, pelos vistos, Portugal, ao contrário de Roma,  até paga a traidores, se bem que só a alguns.  Eu não pago e não perdoo a nenhum: nem aos que agiram por oportunismo político, nem aos que actuaram por ânsia de poder, nem a quem apadrinhou e fomentou a traição. Pelo menos, enquanto não vir um qualquer sinal de arrependimento.