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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Uma decisão salomónica

É óbvio que a decisão do Tribunal Constitucional (TC), referida nesta notícia, ao declarar como inconstitucionais algumas normas da Lei do Orçamento do Estado não facilita a vida ao governo de Passos Coelho, mas esperar o contrário seria pura estultícia, tão evidente era a enfermidade de que algumas dessas normas padeciam.
Em todo o caso, parece-me também evidente que o TC não foi tão longe quanto seria de esperar, o que, do meu ponto de vista, só pode ter uma explicação: o TC não se limitou a fundamentar a sua decisão em argumentos puramente jurídico-constitucionais, mas deu, sem dúvida, acolhimento a alguma argumentação de outra natureza. De base política, designadamente. 
Explico-me:
Se, por um lado, considerou como inconstitucional a suspensão dos subsídios de férias dos funcionários públicos, trabalhadores do sector público e reformados, fê-lo, porque, em boa verdade, não podia, em coerência, tomar outra decisão, face à doutrina já firmada no acórdão sobre a mesma matéria em relação ao Orçamento de Estado para 2012. E bem se compreende que, desta feita, o TC não tenha limitado os efeitos da decisão, ao abrigo do nº 4 da Constituição, atento o desrespeito do governo pela doutrina anteriormente assente, desrespeito bem evidenciado pela reincidência governamental sobre a matéria.
Mas, por outro lado, é surpreendente que o TC tenha considerado como conformes à Constituição outras normas que os constitucionalistas consideraram, quase unanimemente, com feridas de inconstitucionalidade,  como é, por exemplo, o caso da norma relativa à contribuição extraordinária de solidariedade (CES) incidente sobre as reformas acima de 1.350 €, norma que, a crer nas teses defendidas pela generalidade dos constitucionalistas, fere frontalmente o princípio da igualdade. E, assim sendo, não se vê, de facto, como é que, neste caso, a decisão pode ser explicada com base em argumentação puramente jurídica. Ainda que, naturalmente, não venham a ser explicitadas como tal, a decisão só pode compreender-se, cabalmente, à luz de considerações de outra natureza. 
Recordo, a propósito, que, aquando da conferência de imprensa dada por Filipe Pinhal como representante de um grupo de ricos reformados (ou reformados ricos) a contestar a referida medida, não faltou quem tivesse afirmado que Pinhal, titular de uma reforma verdadeiramente milionária, estava a prestar um mau serviço à grande maioria dos reformados. Suponho que a decisão do TC sobre a matéria acaba de razão a quem fazia tal vaticínio. O risco de o TC poder ser visto como defensor dos interesses de reformados como Pinhal, pesou, sem dúvida, na decisão sobre a matéria. 
É mais um caso em que paga o justo pelo pecador. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

"À contre-coeur"

Cavaco Silva, depois de ter deixado passar o prazo para requer a fiscalização preventiva da constitucionalidade do Orçamento do Estado, acabou por requerer, como se sabe, a fiscalização sucessiva de algumas normas do diploma, após a sua promulgação, em conformidade com o que era, em geral, antecipado. 
Quanto a mim, fê-lo, não porque essa fosse a sua vontade real, mas sim e apenas porque foi forçado pela circunstância de se saber, de antemão, que fiscalização sucessiva sempre haveria por iniciativa de deputados de toda a oposição. O requerimento de Cavaco Silva serviu assim, a meu ver, apenas e só para ele salvar, uma vez mais, a face. Essa tem sido, aliás, a maior das suas preocupações, ao longo da sua já longa vida pública. 
Se faltava a prova, ela aí está: Cavaco podendo pedir urgência na deliberação ao Tribunal Constitucional não o fez. Para prova, a mim me basta.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Ainda não foi desta que o "morto" ressuscitou


"A secretaria do Tribunal Constitucional encerrou sem que o Presidente da República tenha ali entregue hoje, último dia do prazo, um pedido de fiscalização preventiva da constitucionalidade do OE 2013."


A verdade é esta: estavam reunidas todas as condições para que o "morto" regressasse à vida. Pode mesmo afirmar-se que dificilmente poderá ocorrer uma oportunidade tão, ou mais, favorável. O certo é que, mesmo assim, o "morto" não ressuscitou. Assim sendo, é de afastar definitivamente a possibilidade de ressurreição. Pelo menos no que diz respeito ao "peso morto" instalado em Belém.
(Notícia e imagem daqui)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Um governo e uma maioria à margem da lei e da moral

"Aprovado o OE 2013, Portugal arrisca-se a entrar no "Guinness Fiscal" por força de um muito provavelmente caso único no planeta: a partir de um certo valor (1350 euros mensais), os pensionistas vão passar a pagar mais impostos do que outro qualquer tipo de rendimento, incluindo o de um salário de igual montante! Um atropelo fiscal inconstitucional, pois que o imposto pessoal é progressivo em função dos rendimentos do agregado familiar [art.º 104.º da CRP], mas não em função da situação activa ou inactiva do sujeito passivo e uma grosseira violação do princípio da igualdade [art.º 13.º da CRP].

Por exemplo, um reformado com uma pensão mensal de 2200 euros pagará mais 1045 € de impostos do que se estivesse a trabalhar com igual salário (já agora, em termos comparativos com 2009, este pensionista viu aumentado em 90% o montante dos seus impostos e taxas!).

Tudo isto por causa de uma falaciosamente denominada "contribuição extraordinária de solidariedade" (CES), que começa em 3,5% e pode chegar aos 50%. Um tributo que incidirá exclusivamente sobre as pensões. Da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações. Públicas e privadas. Obrigatórias ou resultantes de poupanças voluntárias. De base contributiva ou não, tratando-se por igual as que resultam de muitos e longos descontos e as que, sem esse esforço contributivo, advêm de bónus ou remunerações indirectas e diferidas.

Nas pensões, o Governo resolveu que tudo o que mexe leva! Indiscriminadamente. Mesmo - como é o caso - que não esteja previsto no memorando da troika.

Esta obsessão pelos reformados assume, nalguns casos, situações grotescas, para não lhes chamar outra coisa. Por exemplo, há poucos anos, a Segurança Social disponibilizou a oferta dos chamados "certificados de reforma" que dão origem a pensões complementares públicas para quem livremente tenha optado por descontar mais 2% ou 4% do seu salário. Com a CES, o Governo decide fazer incidir mais impostos sobre esta poupança do que sobre outra qualquer opção de aforro que as pessoas pudessem fazer com o mesmo valor... Ou seja, o Estado incentiva a procura de um regime público de capitalização (sublinho, público) e logo a seguir dá-lhe o golpe mortal. Noutros casos, trata-se - não há outra maneira de o dizer - de um desvio de fundos através de uma lei: refiro-me às prestações que resultam de planos de pensões contributivos em que já estão actuarialmente assegurados os activos que caucionam as responsabilidades com os beneficiários. Neste caso, o que se está a tributar é um valor que já pertence ao beneficiário, embora este o esteja a receber diferidamente ao longo da sua vida restante. Ora, o que vai acontecer é o desplante legal de parte desses valores serem transferidos (desviados), através da dita CES, para a Caixa Geral de Aposentações ou para o Instituto de Gestão Financeira da S. Social! O curioso é que, nos planos de pensões com a opção pelo pagamento da totalidade do montante capitalizado em vez de uma renda ou pensão ao longo do tempo, quem resolveu confiar recebendo prudente e mensalmente o valor a que tem direito verá a sua escolha ser penalizada. Um castigo acrescido para quem poupa.

Haverá casos em que a soma de todos os tributos numa cascata sem decoro (IRS com novos escalões, sobretaxa de 3,5%, taxa adicional de solidariedade de 2,5% em IRS, contribuição extraordinária de solidariedade (CES), suspensão de 9/10 de um dos subsídios que começa gradualmente por ser aplicado a partir de 600 euros de pensão mensal!) poderá representar uma taxa marginal de impostos de cerca de 80%! Um cataclismo tributário que só atinge reformados e não rendimentos de trabalho, de capital ou de outra qualquer natureza! Sendo confiscatório, é também claramente inconstitucional.

Aliás, a própria CES não é uma contribuição. É pura e simplesmente um imposto. Chamar-lhe contribuição é um ardil mentiroso. Uma contribuição ou taxa pressupõe uma contrapartida, tem uma natureza sinalagmática ou comutativa. Por isso, está ferida de uma outra inconstitucionalidade. É que o já citado art.º 104.º da CRP diz que o imposto sobre o rendimento pessoal é único.

Estranhamente, os partidos e as forças sindicais secundarizaram ou omitiram esta situação de flagrante iniquidade. Por um lado, porque acham que lhes fica mal defender reformados ou pensionistas desde que as suas pensões (ainda que contributivas) ultrapassem o limiar da pobreza. Por outro, porque tem a ver com pessoas que já não fazem greves, não agitam os media, não têm lobbies organizados.

Pela mesma lógica, quando se fala em redução da despesa pública há uma concentração da discussão sempre em torno da sustentabilidade do Estado social (como se tudo o resto fosse auto-sustentável...). Porque, afinal, os seus beneficiários são os velhos, os desempregados, os doentes, os pobres, os inválidos, os deficientes... os que não têm voz nem fazem grandiosas manifestações. E porque aqui não há embaraços ou condicionantes como há com parcerias público-privadas, escritórios de advogados, banqueiros, grupos de pressão, estivadores. É fácil ser corajoso com quem não se pode defender.

Foi lamentável que os deputados da maioria (na qual votei) tenham deixado passar normas fiscais deste jaez mais próprias de um socialismo fiscal absoluto e produto de obsessão fundamentalista, insensibilidade, descontextualização social e estrita visão de curto prazo do ministro das Finanças. E pena é que também o ministro da Segurança Social não tenha dito uma palavra sobre tudo isto, permitindo a consagração de uma medida que prejudica seriamente uma visão estratégica para o futuro da Segurança Social. Quem vai a partir de agora acreditar na bondade de regimes complementares ou da introdução do "plafonamento", depois de ter sido ferida de morte a confiança como sua base indissociável? Confiança que agora é violada grosseiramente por ditames fiscais aos ziguezagues sem consistência, alterando pelo abuso do poder as regras de jogo e defraudando irreversivelmente expectativas legitimamente construídas com esforço e renúncia ao consumo.

Depois da abortada tentativa de destruir o contributivismo com o aumento da TSU em 7%, eis nova tentativa de o fazer por via desta nova avalanche fiscal. E logo agora, num tempo em que o Governo diz querer "refundar" o Estado Social, certamente pensando (?) numa cultura previdencial de partilha de riscos que complemente a protecção pública. Não há rumo, tudo é medido pela única bitola de mais e mais impostos de um Estado insaciável.

Há ainda outro efeito colateral que não pode ser ignorado, antes deve ser prevenido: é que foram oferecidos poderosos argumentos para "legitimar" a evasão contributiva no financiamento das pensões. "Afinal, contribuir para quê?", dirão os mais afoitos e atentos.

Este é mais um resultado de uma política de receitas "custe o que custar" e não de uma política fiscal com pés e cabeça. Um abuso de poder sobre pessoas quase tratadas como párias e que, na sua larga maioria, já não têm qualquer possibilidade de reverter a situação. Uma vergonha imprópria de um Estado de Direito. Um grosseiro conjunto de inconstitucionalidades que pode e deve ser endereçado ao Tribunal Constitucional.

PS1: Com a antecipação em "cima da hora" da passagem da idade de aposentação dos 64 para os 65 anos na função pública já em 2013 (até agora prevista para 2014), o Governo evidencia uma enorme falta de respeito pela vida das pessoas. Basta imaginar alguém que completa 64 anos em Janeiro do próximo ano e que preparou a sua vida pessoal e familiar para se aposentar nessa altura. No dia 31 de Dezembro, o Estado, através do OE, vai dizer-lhe que, afinal, não pode aposentar-se. Ou melhor, em alguns casos até poderá fazê-lo, só que com penalização, que é, de facto, o que cinicamente se pretende com a alteração da lei. Uma esperteza que fica mal a um Governo que se quer dar ao respeito.

PS2: Noutro ponto, não posso deixar de relevar uma anedota fiscal para 2013: uma larga maioria das famílias da classe média tornadas fiscalmente ricas pelos novos escalões do IRS não poderá deduzir um cêntimo que seja de despesas com saúde (que não escolhem, evidentemente). Mas, por estimada consideração fiscal, poderão deduzir uns míseros euros pelo IVA relativo à saúde... dos seus automóveis pago às oficinas e à saúde... capilar nos cabeleireiros. É comovente..."

(Bagão Félix"A grosseira inconstitucionalidade da tributação sobre pensões"; no "Público", hoje, sem link)

Mais palavras para quê?

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Constituição é papel de embrulho?

Depois de se ter pronunciado e votado contra o Orçamento de Estado (OE) hoje aprovado na Assembleia da República pela maioria (paralamentar) de direita, António José Seguro que, de seguro, pelos vistos só tem o nome, esquivou-se a pronunciar-se sobre uma possível iniciativa de deputados do PS tendente a requerer ao Tribunal Constitucional a apreciação da constitucionalidade do OE para 2013. 
Em vez de responder directamente à questão, desviou a conversa, limitando-se a dizer que "É no terreno político que continuarei a lutar contra este orçamento".
António José Seguro tem obrigação de saber que a luta contra este Orçamento, "no terreno político", terminou com a provação do OE na Assembleia da República pela maioria de direita. Resta-lhe, se quiser continuar a luta, o recurso ao Tribunal Constitucional. 
Se recusar a única forma de luta de que, nesta altura, pode dispor, é justo dizer que, tal como para a direita que desgoverna o país, também para António José Seguro, a Constituição da República não passa de papel de embrulho.
E a ser assim, lamento dizê-lo, mas sou forçado a dar razão a quem tem afirmado que Seguro, não é tanto o líder de que o maior partido da oposição precisa, porque é, antes de mais, o seguro de vida deste Governo.
Quem tiver olhos, que veja e quem tiver ouvidos, que ouça!
(citação e imagem daqui)

Comediantes, farsantes e outros tratantes

Nos últimos tempos foi-nos dado assistir à representação de uma comédia e de uma farsa que culminou, hoje, com a aprovação do Orçamento do Estado para 2013. Os "artistas" intervenientes nas peças são os identificados aqui (v. infra). A eles que se intitulam como deputados e, logo, como representantes do povo tem este o direito de pedir contas pela tragédia inscrita nas páginas do Orçamento. Deseja-se, por estas bandas, que o exercício de tal direito seja feito a breve trecho.


    Abel Baptista (Viana do Castelo, CDS-PP), Adão Silva(Bragança, PSD), Adolfo Mesquita Nunes (Lisboa, CDS-PP), Adriano Rafael Moreira (Porto, PSD), Afonso Oliveira (Porto, PSD), Altino Bessa (Braga, CDS-PP),Amadeu Soares Albergaria (Aveiro, PSD), Ana Oliveira(Coimbra, PSD), Ana Sofia Bettencourt (Lisboa, PSD),Andreia Neto (Porto, PSD), Ângela Guerra (Guarda, PSD), António Leitão Amaro (Lisboa, PSD), António Prôa (Lisboa, PSD), António Rodrigues (Lisboa, PSD),Arménio Santos (Viseu, PSD), Artur Rêgo (Faro, CDS-PP), Assunção Esteves (Lisboa, PSD), Bruno Coimbra(Aveiro, PSD), Bruno Vitorino (Setúbal, PSD), Carina Oliveira (Santarém, PSD),Carla Rodrigues (Aveiro, PSD), Carlos Abreu Amorim (Viana do Castelo, PSD),Carlos Alberto Gonçalves (Europa, PSD), Carlos Costa Neves (Castelo Branco, PSD), Carlos Páscoa Gonçalves (Fora da Europa, PSD), Carlos Peixoto (Guarda, PSD), Carlos Santos Silva (Lisboa, PSD), Carlos São Martinho (Castelo Branco, PSD), Clara Marques Mendes (Braga, PSD), Cláudia Monteiro de Aguiar (Madeira, PSD), Conceição Bessa Ruão (Porto, PSD), Correia de Jesus (Madeira, PSD),Couto dos Santos (Aveiro, PSD), Cristóvão Crespo (Portalegre, PSD), Cristóvão Norte (Faro, PSD), Cristóvão Simão Ribeiro (Porto, PSD), Duarte Marques(Santarém, PSD), Duarte Pacheco (Lisboa, PSD), Eduardo Teixeira (Viana do Castelo, PSD), Elsa Cordeiro (Faro, PSD), Emídio Guerreiro (Braga, PSD), Emília Santos (Porto, PSD), Fernando Marques (Leiria, PSD), Fernando Negrão (Braga, PSD), Fernando Virgílio Macedo (Porto, PSD), Francisca Almeida (Braga, PSD),Graça Mota (Braga, PSD), Guilherme Silva (Madeira, PSD), Hélder Amaral (Viseu, CDS-PP), Hélder Sousa Silva (Lisboa, PSD), Hugo Lopes Soares (Braga, PSD),Hugo Velosa (Madeira, PSD), Inês Teotónio Pereira (Lisboa, CDS-PP), Isabel Galriça Neto (Lisboa, CDS-PP), Isilda Aguincha (Santarém, PSD), Joana Barata Lopes (Lisboa, PSD), João Figueiredo (Viseu, PSD), João Gonçalves Pereira(Lisboa, CDS-PP), João Lobo (Braga, PSD), João Paulo Viegas (Setúbal, CDS-PP),João Pinho de Almeida (Porto, CDS-PP), João Prata (Guarda, PSD), João Rebelo(Lisboa, CDS-PP), João Serpa Oliva (Coimbra, CDS-PP), Joaquim Ponte (Açores, PSD), Jorge Paulo Oliveira (Braga, PSD), José de Matos Correia (Lisboa, PSD),José de Matos Rosa (Lisboa, PSD), José Lino Ramos (Lisboa, CDS-PP), José Manuel Canavarro (Coimbra, PSD), José Ribeiro e Castro (Porto, CDS-PP), Laura Esperança (Leiria, PSD), Lídia Bulcão (Açores, PSD), Luís Campos Ferreira (Porto, PSD), Luís Leite Ramos (Vila Real, PSD), Luís Menezes (Porto, PSD), Luís Montenegro (Aveiro, PSD), Luís Pedro Pimentel (Vila Real, PSD), Luís Vales (Porto, PSD), Manuel Isaac (Leiria, CDS-PP), Margarida Almeida (Porto, PSD), Margarida Neto (Santarém, CDS-PP), Maria Conceição Pereira (Leiria, PSD), Maria da Conceição Caldeira (Lisboa, PSD), Maria das Mercês Borges (Setúbal, PSD), Maria João Ávila (Fora da Europa, PSD), Maria José Castelo Branco (Porto, PSD), Maria José Moreno (Bragança, PSD), Maria Manuela Tender (Vila Real, PSD), Maria Paula Cardoso (Aveiro, PSD), Mário Magalhães (Porto, PSD), Mário Simões (Beja, PSD),Maurício Marques (Coimbra, PSD), Mendes Bota (Faro, PSD), Michael Seufert(Porto, CDS-PP), Miguel Frasquilho (Porto, PSD), Miguel Santos (Porto, PSD),Mónica Ferro (Lisboa, PSD), Mota Amaral (Açores, PSD), Nilza de Sena (Coimbra, PSD), Nuno Encarnação (Coimbra, PSD), Nuno Filipe Matias (Setúbal, PSD), Nuno Magalhães (Setúbal, CDS-PP), Nuno Reis (Braga, PSD), Nuno Serra (Santarém, PSD), Odete Silva (Lisboa, PSD), Paulo Batista Santos (Leiria, PSD), Paulo Cavaleiro (Aveiro, PSD), Paulo Mota Pinto (Lisboa, PSD), Paulo Rios de Oliveira(Porto, PSD), Paulo Simões Ribeiro (Setúbal, PSD), Pedro Alves (Viseu, PSD),Pedro do ó Ramos (Setúbal, PSD), Pedro Lynce (Évora, PSD), Pedro Pimpão(Leiria, PSD), Pedro Pinto (Lisboa, PSD), Pedro Roque (Faro, PSD), Raúl de Almeida (Aveiro, CDS-PP), Ricardo Baptista Leite (Lisboa, PSD), Rosa Arezes(Viana do Castelo, PSD), Rui Barreto (Madeira, CDS-PP)Sérgio Azevedo (Lisboa, PSD), Telmo Correia (Braga, CDS-PP), Teresa Anjinho (Aveiro, CDS-PP), Teresa Caeiro (Lisboa, CDS-PP), Teresa Costa Santos (Viseu, PSD), Teresa Leal Coelho(Porto, PSD), Ulisses Pereira (Aveiro, PSD), Valter Ribeiro (Leiria, PSD), Vasco Cunha (Santarém, PSD) e Vera Rodrigues (Porto, CDS-PP).

A representação da última peça - a tragédia - fica a cargo doutros tratantes:
Este; estes; e mais estes.

(A lista dos deputados que aprovaram o Orçamento da tragédia e a composição fotográfica foram pescadas aqui)

A comédia e a farsa, seguidas da tragédia

Ontem assistimos a uma comédia em dois actos. Hoje, com a aprovação da Lei do Orçamento do Estado, pelos autores da comédia e seus comparsas, foi representada, na Assembleia da República, uma farsa. Com a execução do Orçamento aprovado por esta maioria paralamentar, vamos ter uma tragédia. Os que  lhe sobreviverem conhecerão, então, o significado de "abismo".

Da declaração de voto ao balbuciar


1º acto: um grupo de 18 deputados do PSD decide a apresentar uma declaração de voto sobre a matéria fiscal da proposta de Orçamento do Estado para 2013, onde se criticam várias opções do governo na referida matéria, como pode ler-se aqui.
2º acto: horas depois, os mesmos 18 "valentes" deputados desistem dessa declaração de voto, em favor de um documento conjunto da bancada social-democrata onde toda a carneirada se limita a balbuciar um apelo ao Governo para que reveja as funções do Estado de forma ser possível uma "reversão das medidas fiscais que, em geral, foram concretizadas nos anos anteriores e durante a vigência" do memorando"
Uma comédia em dois actos não é, Frasquilho!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sapatos do defunto

Ao que parece, ainda há por cá quem esteja à espera que Cavaco Silva vete a Lei do Orçamento do Estado, ou, pelo menos, que requeira ao Tribunal Constitucional a apreciação preventiva das suas normas.
É caso para dizer a quem assim pensa que, tendo em conta os antecedentes, tal esperança é mais ou menos a mesma de quem espera por sapatos de defunto.

sábado, 17 de novembro de 2012

Tanto barulho para obter uma migalha


Fomos metralhados durante todo o santo dia de ontem pela comunicação social dando conta dos  "enormes esforços" desenvolvidos pelos deputados dos partidos da maioria parlamentar, junto do ministro Gaspar, com vista a aliviar a carga fiscal decorrente da versão do Orçamento do Estado para 2013 apresentada pelo Governo. 
Vi-os todos satisfeitos, prontos para votarem um Orçamento que "é, do ponto de vista fiscal, o precipício em que vão morrer milhões de contribuintes". Para tal contentamento, bastou-lhes a obtenção duma migalha que outra coisa não é o desagravamento fiscal correspondente a menos de 0,1% do PIB (manchete do "Público" supra e também aqui). Tanta satisfação e tamanha prontidão levam-me a concluir que os deputados da maioria, ou são inconscientes, ou dóceis ovelhas e mansos carneiros. Caro leitor, a escolha é sua.

sábado, 10 de novembro de 2012

Não um, mas quatro*


"Quando se pensava que já tínhamos visto tudo, eis que a dupla Passos/Gaspar aparece no Parlamento não com um, nem com dois, mas com 4 orçamentos diferentes: I) o segundo Orçamento Rectificativo de 2012 (para minimizar os efeitos do fracasso do Governo nas metas do défice deste ano); II) o Orçamento para 2013 (com o seu "enorme aumento de impostos", para compensar a derrapagem nas metas do défice real de 2012); III) o pré-anúncio de um Orçamento Rectificativo para 2013 (com medidas adicionais de corte na despesa, porque ninguém acredita no Orçamento apresentado) e iv) o anúncio das linhas gerais do Orçamento para 2014, em que a redução do défice, para 2,5% do PIB, implicará um corte estrutural na despesa pública da ordem dos 4 mil milhões de euros. Foi a propósito da "concretização" desta tarefa - nada mais do que isso - que o primeiro-ministro falou da famosa "refundação do Memorando".

A "mixórdia de temáticas" imposta por esta caótica "avalanche" orçamental, agravada pelo desorientado debate sobre uma enigmática "refundação" do Memorando, tem prejudicado um debate lúcido sobre o que está em causa. Pela minha parte, creio que há dois pontos cruciais a sublinhar.

O primeiro, é para notar que esta "avalanche" orçamental evidencia, de forma clara, o falhanço rotundo da estratégia do Governo, assente numa lógica de austeridade além da "troika" que, arrasando a economia, acabou por falhar nas próprias metas de redução do défice. Por consequência, aí temos o Governo, desconjuntado, com orçamentos em catadupa, a correr atrás do prejuízo que causou: o Rectificitativo de 2012 só consegue colmatar uma pequena parte do desvio na execução orçamental deste ano e mesmo o Orçamento para 2013, que ainda nem sequer está aprovado, já não dispensa "medidas adicionais". Por incrível que pareça, é por este rumo que o Governo pretende prosseguir, deixando pelo caminho um rastro de destruição. No horizonte, porém, apenas desesperança: a certeza de que isto não nos leva a lado nenhum.

Perante este fracasso, faria sentido - e é este o segundo ponto crucial - um debate sério sobre as alternativas a uma receita que provou não dar bons resultados. Uma tal alternativa, sim, poderia merecer o justo título de "refundação". Mas não é isso o que o Governo quer. Cego de si mesmo, indiferente aos resultados, o Governo não reconhece nenhum erro, nem pretende corrigir coisa alguma. Por isso, não pôs à discussão nenhuma estratégia, nenhum calendário, nenhuma agenda fora da cartilha.
Deixemo-nos, pois, de ilusões: a verdade é que a "refundação" já foi. Foi-se fazendo, primeiro, ao longo das sucessivas revisões unilaterais do Memorando, que adulteraram e subverteram os equilíbrios do Memorando inicial negociado pelo Governo do PS, em que se procurou proteger, na medida do possível, a economia e as famílias. A cada revisão, porém, o Governo somou mais austeridade à austeridade e retirou mais economia à economia. Foi essa "refundação" do Memorando que se consumou agora, também unilateralmente, na 5ª revisão, onde ficaram fixadas as novas metas para os próximos anos e se definiu o corte de 4 mil milhões de euros na despesa até 2014.
(...)"
(Pedro Silva Pereira; A refundação já foi; na íntegra: aqui)

(* E pelos vistos, nem à quarta tentativa, acertam.)

domingo, 4 de novembro de 2012

AD perpetuam ac exsecrandam rei memoriam

Rol dos deputados que aprovaram, na generalidade, o maior roubo dos anais da história portuguesa, vulgo, Orçamento do Estado para 2013:

"Abel Baptista (Viana do Castelo, CDS-PP), Adão Silva (Bragança, PSD), Adolfo Mesquita Nunes (Lisboa, CDS-PP), Adriano Rafael Moreira (Porto, PSD), Afonso Oliveira (Porto, PSD), Altino Bessa (Braga, CDS-PP), Amadeu Soares Albergaria (Aveiro, PSD), Ana Oliveira (Coimbra, PSD), Ana Sofia Bettencourt (Lisboa, PSD), Andreia Neto (Porto, PSD), Ângela Guerra (Guarda, PSD), António Leitão Amaro (Lisboa, PSD), António Prôa (Lisboa, PSD), António Rodrigues (Lisboa, PSD), Arménio Santos (Viseu, PSD), Artur Rêgo (Faro, CDS-PP), Assunção Esteves (Lisboa, PSD), Bruno Coimbra (Aveiro, PSD), Bruno Vitorino (Setúbal, PSD), Carina Oliveira (Santarém, PSD), Carla Rodrigues (Aveiro, PSD), Carlos Abreu Amorim (Viana do Castelo, PSD), Carlos Alberto Gonçalves (Europa, PSD), Carlos Costa Neves (Castelo Branco, PSD), Carlos Páscoa Gonçalves (Fora da Europa, PSD), Carlos Peixoto (Guarda, PSD), Carlos Santos Silva (Lisboa, PSD), Carlos São Martinho (Castelo Branco, PSD), Clara Marques Mendes (Braga, PSD), Cláudia Monteiro de Aguiar (Madeira, PSD), Conceição Bessa Ruão (Porto, PSD), Correia de Jesus (Madeira, PSD), Couto dos Santos (Aveiro, PSD), Cristóvão Crespo (Portalegre, PSD), Cristóvão Norte (Faro, PSD), Cristóvão Simão Ribeiro (Porto, PSD), Duarte Marques (Santarém, PSD), Duarte Pacheco (Lisboa, PSD), Eduardo Teixeira (Viana do Castelo, PSD), Elsa Cordeiro (Faro, PSD), Emídio Guerreiro (Braga, PSD), Emília Santos (Porto, PSD), Fernando Marques (Leiria, PSD), Fernando Negrão (Braga, PSD), Fernando Virgílio Macedo (Porto, PSD), Francisca Almeida (Braga, PSD), Graça Mota (Braga, PSD), Guilherme Silva (Madeira, PSD), Hélder Amaral (Viseu, CDS-PP), Hélder Sousa Silva (Lisboa, PSD), Hugo Lopes Soares (Braga, PSD), Hugo Velosa (Madeira, PSD), Inês Teotónio Pereira (Lisboa, CDS-PP), Isabel Galriça Neto (Lisboa, CDS-PP), Isilda Aguincha (Santarém, PSD), Joana Barata Lopes (Lisboa, PSD), João Figueiredo (Viseu, PSD), João Gonçalves Pereira (Lisboa, CDS-PP), João Lobo (Braga, PSD), João Paulo Viegas (Setúbal, CDS-PP), João Pinho de Almeida (Porto, CDS-PP), João Prata (Guarda, PSD), João Rebelo (Lisboa, CDS-PP), João Serpa Oliva (Coimbra, CDS-PP), Joaquim Ponte (Açores, PSD), Jorge Paulo Oliveira (Braga, PSD), José de Matos Correia (Lisboa, PSD), José de Matos Rosa (Lisboa, PSD), José Lino Ramos (Lisboa, CDS-PP), José Manuel Canavarro (Coimbra, PSD), José Ribeiro e Castro (Porto, CDS-PP), Laura Esperança (Leiria, PSD), Lídia Bulcão (Açores, PSD), Luís Campos Ferreira (Porto, PSD), Luís Leite Ramos (Vila Real, PSD), Luís Menezes (Porto, PSD), Luís Montenegro (Aveiro, PSD), Luís Pedro Pimentel (Vila Real, PSD), Luís Vales (Porto, PSD), Manuel Isaac (Leiria, CDS-PP), Margarida Almeida (Porto, PSD), Margarida Neto (Santarém, CDS-PP), Maria Conceição Pereira (Leiria, PSD), Maria da Conceição Caldeira (Lisboa, PSD), Maria das Mercês Borges (Setúbal, PSD), Maria João Ávila (Fora da Europa, PSD), Maria José Castelo Branco (Porto, PSD), Maria José Moreno (Bragança, PSD), Maria Manuela Tender (Vila Real, PSD), Maria Paula Cardoso (Aveiro, PSD), Mário Magalhães (Porto, PSD), Mário Simões (Beja, PSD), Maurício Marques (Coimbra, PSD), Mendes Bota (Faro, PSD), Michael Seufert (Porto, CDS-PP), Miguel Frasquilho (Porto, PSD), Miguel Santos (Porto, PSD), Mónica Ferro (Lisboa, PSD), Mota Amaral (Açores, PSD), Nilza de Sena (Coimbra, PSD), Nuno Encarnação (Coimbra, PSD), Nuno Filipe Matias (Setúbal, PSD), Nuno Magalhães (Setúbal, CDS-PP), Nuno Reis (Braga, PSD), Nuno Serra (Santarém, PSD), Odete Silva (Lisboa, PSD), Paulo Batista Santos (Leiria, PSD), Paulo Cavaleiro (Aveiro, PSD), Paulo Mota Pinto (Lisboa, PSD), Paulo Rios de Oliveira (Porto, PSD), Paulo Simões Ribeiro (Setúbal, PSD), Pedro Alves (Viseu, PSD), Pedro do ó Ramos (Setúbal, PSD), Pedro Lynce (Évora, PSD), Pedro Pimpão (Leiria, PSD), Pedro Pinto (Lisboa, PSD), Pedro Roque (Faro, PSD), Raúl de Almeida (Aveiro, CDS-PP), Ricardo Baptista Leite (Lisboa, PSD), Rosa Arezes (Viana do Castelo, PSD), Rui Barreto (Madeira, CDS-PP), Sérgio Azevedo (Lisboa, PSD), Telmo Correia (Braga, CDS-PP), Teresa Anjinho (Aveiro, CDS-PP), Teresa Caeiro (Lisboa, CDS-PP), Teresa Costa Santos (Viseu, PSD), Teresa Leal Coelho (Porto, PSD), Ulisses Pereira (Aveiro, PSD), Valter Ribeiro (Leiria, PSD), Vasco Cunha (Santarém, PSD) e Vera Rodrigues (Porto, CDS-PP)."
(Pescado aqui)

sábado, 27 de outubro de 2012

As olheiras do Gaspar

São já bem visíveis as olheiras do ministro Gaspar, sinal evidente de que o homem anda a dormir mal. Um dos responsáveis por essa desagradável situação é o deputado João Galamba (PS) que tem no vídeo supra mais uma intervenção sobre o Orçamento do Estado para 2013 que é de molde a tirar o sono a Gaspar. Confirmem, s.f.f.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A "admirável" versatilidade do PSD

Quando se lê que o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, Miguel Frasquilho, declarou hoje, na Assembleia da República que o seu partido vai votar favoravelmente o Orçamento do Estado para o próximo ano que é, nem mais nem menos, o que consagra “o maior aumento de impostos de que há memória”, porque é uma questão de interesse nacional”, não sobra dúvida de que, para Frasquilho e para o PSD, o conceito de "interesse nacional" é muito versátil.
Tanto serve para recusar o relativamente modesto conjunto de medidas de austeridade do PEC IV, em Março de 2011, como, pelos vistos, justifica a aprovação do Orçamento portador do "maior aumento de impostos de que há memória".
Fazendo uso do conceito de "interesse nacional" com tal amplitude, que serve para justificar tudo e o seu contrário, quem é que ainda se afoita a levar a sério as palavras de tal gente?
(imagem e citações, daqui)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O seu a seu dono

O ministro da Economia, do Emprego e sei lá do que mais, Álvaro do Santos Pereira, na sua última intervenção na Assembleia da República, a que já me referi noutro local, afirmou, servindo-se do seu habitual estilo comicieiro, para não dizer de carroceiro, que "o Orçamento do Estado mais difícil dos últimos anos" "é a factura da festa da governação socialista", dando, com tal afirmação, dupla prova de que não é pessoa séria, pelo menos, politicamente,  uma vez que é economista e tem, por isso, obrigação de saber do que fala. Não pode, por isso mesmo, ser levado a sério. 
Na verdade, os factos mostram à evidência que o agravamento das medidas de austeridade contidas no Orçamento  apresentado pelo governo para o próximo ano, são, em primeira linha, resultado da acção deste governo que, não obstante o generalizado aumento dos impostos e do preço dos mais variados serviços e o corte de dois subsídios aos funcionários e reformado e pensionistas, foi incapaz de consolidar as contas públicas; de reduzir a dívida pública; e de conter o défice nos limites acordados com a troika.
Mas mais grave ainda é a falsificação a que procede em relação à história do aumento da dívida pública que ele atribui à festa socialista. É que, como o demonstra, com gráfico e números, este artigo de Manuel Caldeira Cabral, se "festa" houve, ela é, antes de qualquer outra coisa, uma "festa" cor de laranja.

Cito:
 "Nos últimos 30 anos, a despesa pública aumentou de 29% para 45% do PIB. Um aumento do peso do Estado na economia de 16,3 pontos percentuais, dos quais 12,1 p.p. (75%) aconteceram em governos liderados pelo PSD e apenas 4,2 em governos PS."

Volto a citar:
"Observa-se que os três períodos com maiores contributos para o aumento do peso da despesa pública no PIB foram os da Aliança Democrática (+4,4), os governos de Cavaco Silva (+4,3) e os governos PSD-CDS (+3,4).
Em conjunto, estes três períodos governativos deram um contributo acumulado de crescimento de 12,1 pontos percentuais do total de 16,3 p.p. de aumento do peso da despesa pública verificado nas últimas três décadas. O contributo líquido dado pelos governos liderados pelo PS foi muito menor - apenas 4,2 pontos percentuais (2,2 +3,0 +0,8 -1,8 = 4,2), cerca de ¼ do total.
Façam-se as contas como se fizerem, o contributo dos governos PSD representou entre 74% e 76% do aumento total, um valor três vezes superior ao acumulado pelos governos PS."

E, para surpresa das surpresas, importa citar: 
O governo de Sócrates destaca-se com uma descida do peso da despesa pública até 2008.

O gráfico, para confirmar:


O que ainda não percebi, culpa minha, por certo, é a razão por que, sempre que algum tonto vem com a história da "herança" recebida, não leva da parte do PS a devida e merecida resposta. Não digo que lhe enfiem aqueles números e o gráfico pela cabeça abaixo, mas, ao menos, que lhos plantem à frente dos olhos. E, já agora, que façam divulgar a verdade a toda a hora e em tudo o que é sitio. Doutra forma, as pessoas  são levadas a crer que são verdadeiras as aldrabices ditas pelo "Álvaro" e por mais uns quantos tontos. 
Será pedir muito?

domingo, 21 de outubro de 2012

O governo-que-está

Quase toda a gente*, da direita e da esquerda, incluindo economistas proeminentes e  até recentes ex-fanáticos deste governo garantem que o Orçamento para 2013 apresentado pelo governo de Passos, Gaspar & Portas não passa duma ilusão  e que é inexequível. Se assim é, obviamente que tal significa que um governo que não é capaz de fazer previsões correctas, nem de executar o Orçamento por ele apresentado, em rigor, já não governa. Quando muito, vegeta, o que já não é propriamente uma novidade, pois, durante o exercício em curso, o governo também não foi capaz de executar o Orçamento, não conseguindo sequer que fossem atingidas as metas de redução do défice e de consolidação das contas públicas nele previstas (e revistas), motivo, aliás, do agravamento das medidas de austeridades consagradas no Orçamento para 2013.
Se a incapacidade de  atingir os objectivos que se propõe é hoje tão evidente, não há, aparentemente, razão para que se mantenha em funções. É um governo que, para além de dilacerado pelas divisões no seio da coligação que pretensamente ainda o sustenta, já não existe e não conta. Muito simplesmente, limita-se a estar.
Enquanto está, constitui o mais grave obstáculo à resolução da crise que o país atravessa e se ainda se lhe pode atribuir alguma utilidade é a de servir de objecto de irrisão pública e de saco de pancadas.
Não me parece que tal utilidade justifique politicamente que Cavaco Silva o mantenha em funções.
Politicamente, seguramente, não, mas, se calhar, vistas as coisas do ponto de vista pessoal de Cavaco, o facto de o governo, enquanto está, também lhe poder servir de anteparo, justifique tudo e ainda mais alguma coisa.
.
(*Digo quase toda a gente, porque, pelos cálculos de Pedro Adão e Silva (no "Expresso" de ontem) ainda haverá umas sete pessoas que acreditam na bondade da estratégia deste governo. Pelas minhas contas ainda serão menos. Talvez umas duas: Gaspar e Passos. E mesmo assim tenho as minhas dúvidas: em relação a Gaspar, porque dizem que é "muito inteligente" e em relação a Passos, porque, não lhe sendo reconhecida publicamente tal qualidade, é suposto ter ouvidos, já que orelhas, pelo menos, tem.) 

sábado, 20 de outubro de 2012

O equívoco de Portas

Sua Excelência, o ministro de Estado e dos "Negócios no Estrangeiro", Paulo Portas acabou com o amuo e com o prolongado silêncio para declarar ao país que o CDS vai votar a favor do Orçamento do Estado, porque se Portugal tivesse uma crise política agora ficaria muito perto da situação da Grécia”. 
Manifestamente, Paulo Portas está muito equivocado. É que, de facto, embora estejamos fartos de ouvir dizer a Portas e a Passos que Portugal não é a Grécia,  os portugueses, ou antes, a sua grande maioria já se está a ver "grega" há muito e, com a execução deste Orçamento, vamos ficar completamente "gregos".
Tão "gregos" que não sei mesmo se na Grécia não se vai dizer que a Grécia não é Portugal, no caso de este Orçamento chegar a ser posto em execução. 

Onde é que o bastonário anda com a cabeça?


Quando uma figura pública com as responsabilidades de Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, se atreve a defender que não cabe aos tribunais pronunciarem-se sobre medidas de austeridade do Governo e designadamente sobre as constantes da proposta de Lei do Orçamento, dada a sua natureza política, é caso para perguntar se a Constituição levou súbito sumiço e, com ela, todas as normas nela insertas atinentes à competência dos tribunais, maxime do Tribunal Constitucional e, outrossim, se os tribunais ainda são órgãos de soberania.
Curiosamente, o bastonário justifica a sua tese com base no princípio da separação de poderes. Curiosamente e, digo eu, contraditoriamente, porque, na leitura que ele faz de tal princípio, nem sequer tem sentido falar em separação de poderes, pois que o poder, se os actos do Governo não forem controlados pelos tribunais e designadamente, pelo Tribunal Constitucional, tenderia a ficar concentrado apenas e só no Executivo que, embora dela emane, acaba, na prática, por controlar a própria Assembleia da República, quando nela dispõe de apoio maioritário.
É, pois, também caso para perguntar: onde é que bastonário anda com a cabeça?
(imagem daqui)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"Inevitável?"


"O principal argumento do ministro das Finanças em defesa do Orçamento que o Governo apresentou para 2013 é o tradicional argumento da inevitabilidade: sem este “enorme aumento de impostos”, alega o ministro, Portugal não será capaz de cumprir no próximo ano a meta do défice fixada na 5ª avaliação do Programa de Assistência Financeira: 4,5% do PIB.
Daí que Vítor Gaspar tenha até tirado uma conclusão simples - e simplista: estar contra este Orçamento, disse ele, é estar contra o cumprimento do Programa acordado com a ‘troika'.
Conviria, antes do mais, assumir a realidade: o argumento do ministro das Finanças já não convence ninguém, mesmo entre os mais fervorosos apoiantes da actual maioria, por uma única razão: o Governo falhou a meta do défice prevista para este ano. Apesar dos muitos sacrifícios pedidos aos portugueses, a opção do Governo por uma austeridade "além da ‘troika'" conduziu a um falhanço colossal, cuja verdadeira dimensão está ainda por apurar (o défice previsto de 4,5% do PIB ficará este ano, certamente, acima dos 6% ou até talvez dos 7%...). E é este o problema: não há quem acredite que reincidir no erro, agora em dose redobrada de austeridade, vá permitir alcançar em 2013 os resultados que o Governo não conseguiu obter em 2012. A prova está feita: assim não vamos lá.
Acresce que a via proposta tem um preço absolutamente insuportável para a economia (onde a recessão será certamente mais profunda do que o previsto pelo Governo), pagando-se em falências, em desemprego e em empobrecimento das famílias. E se é verdade que os portugueses se revelaram dispostos a fazer sacrifícios para alcançar resultados, verdade é também que ninguém está disponível para fazer sacrifícios brutais que não levam a lado nenhum. E essa é a razão da desesperança do País.
A resposta do ministro das Finanças, sabemos qual é: a margem de manobra é "inexistente". De facto, armadilhada entre as metas orçamentais fixadas na 5ª avaliação do Programa de Assistência Financeira e este brutal programa de austeridade, absolutamente inviável, mas também já unilateralmente negociado pelo Governo com a ‘troika', a discussão do Orçamento para 2013 corre o sério risco de se tornar esquizofrénica. E só há uma forma de quebrar este círculo vicioso: recusar a discussão enganadora de medidas pontuais alternativas para colocar no centro da discussão, de uma vez por todas, a estratégia orçamental que está subjacente às sucessivas revisões do Memorando e ao Orçamento para 2013.
Bem o sabemos, tanto o Governo como a ‘troika' têm procurado branquear todos os falhanços na execução do Programa, para salvaguardar, a todo o custo, a imagem de um país que cumpre, capaz de se transformar na desejada "história de sucesso". Mas a realidade, infelizmente, é outra: a dimensão do falhanço do Governo na execução orçamental de 2012, com as implicações que tem na factura brutal de austeridade em 2013, deveria forçosamente ter conduzido a uma outra negociação com a ‘troika', que desse a Portugal mais tempo para cumprir as metas orçamentais.
Pondo as coisas como elas são: se é verdade, como pretende o Governo, que as metas orçamentais definidas na 5ª avaliação do Programa de Assistência Financeira implicam "inevitavelmente" este Orçamento arrasador para a economia, para o emprego e para as famílias, então era estrita obrigação do Governo, no momento certo, negociar outras metas com a ‘troika', envolvendo se necessário os parceiros sociais e os partidos da oposição. O Governo, porém, fez a sua escolha de sempre e preferiu seguir sozinho. Não pode surpreender-se agora por estar isolado com o seu Orçamento."
(Pedro Silva Pereira; "Inevitável?"; daqui)
Bem se justifica a interrogação do autor. Inevitável só a morte. E, porventura, também este Orçamento,  mas tão só porque ou foi essa a escolha do governo.