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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Interessantes dias

Não vejo como classificar de modo diferente os dias que passam, se se vier a concretizar um entendimento entre todos os partidos de esquerda (PS, PCP e Bloco de Esquerda) que viabilize um governo de maioria formado, ou apoiado, pelos mesmos partidos.
Se tal se concretizar, teremos, finalmente, em Portugal uma democracia plena, em que deixará de haver filhos e enteados. 
Não é coisa de pequena monta. Diria mesmo que, se tal objectivo se atingir, ter-se-á, finalmente, cumprido o 25 de Abril. Na íntegra.

(Na imagem: Cynara algarbiensis. Eu não garanto que não possam ser dias difíceis, mas, mesmo admitindo que possam vir a sê-lo, não deixam de ser interessantes. Direi mesmo: empolgantes!)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ó Jerónimo, desculpa lá!

Eu até que gostava que o PS votasse, contra este governo, todas as moções de censura, as que há e as por haver, mas tenho de reconhecer que o teu cinismo, ao manifestar "preocupação" com o facto de o PS ficar "numa posição muito fragilizada" se não apoiar a moção de censura apresentada pelo PCP, ultrapassa os limites do admissível, quando é evidente que bem te esforçaste para que tal não aconteça.
De facto, ao mesmo tempo que manifestas a tal "preocupação" não te ensaias nada para afirmar que "quando apresentamos esta moção de censura não branqueamos o PS, as suas responsabilidades durante 36 anos e as suas responsabilidades recentes, a sua assinatura no memorando da "troika".
Achas que é à cotovelada no parceiro do lado que o convences a votar uma moção que é, porventura e antes de mais, uma censura a si próprio?
Desculpa lá, Jerónimo, o desabafo, mas, por esta via, não chegamos a lado nenhum. E o mais certo é que também tu vais ficar pelo caminho.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Manobras de Outono

No pé em que as coisas estão do lado da oposição, sem um mínimo de concertação  entre os partidos de esquerda e com o PCP acantonado na sua "quinta" e sempre às cotoveladas no PS,* as moções de censura anunciadas pelo PCP e pelo BE não passam de manobras de diversão. Ou de Outono, se preferirem. O governo, nestas condições, há-de cair sim, mas de podre.
(*Se houvesse alguma seriedade por parte do PCP ao anunciar a sua moção de censura, é óbvio que  Jerónimo de Sousa em caso algum se poderia permitir fazer uma afirmação como esta: Não contem com o PS para travar este Governo”.)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Subscrevo...


"A maior parte dos "partidos irmãos" que sobraram da família ideológica do PCP depois do desmoronamento da URSS e do Bloco de Leste é daquele tipo de parentes que as famílias comuns se recusam a receber em casa e de quem nem querem ouvir falar.
O Partido Comunista da China era, em vida da URSS, um parente de quem o PCP activamente se envergonhava. Mas família é família e os laços de sangue acabam por falar mais forte, sobretudo em situações de orfandade. O PCP tem feito tudo para preservar as relações "fraternais" com o PCC, esticando além dos limites do tolerável o conceito de "assuntos internos" (para não falar do de "construção do socialismo") e apoiando acriticamente na China o capitalismo selvagem e sem regras que condena em Portugal.
Pensar-se-ia que os rasgados elogios agora feitos pelo vice-primeiro-ministro, Li Keqiang e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Yang Jiechi, à política de austeridade em Portugal e ao "exemplar cumprimento" pelo governo português daquilo que o PCP justificadamente chama "pacto de agressão" merecessem algum comentário, mesmo que tímido, do PCP.
Não mereceram. Nem isso nem as relações bilaterais recentemente formalizadas entre PCC e CDS/PP. Trata-se de relações mais saudáveis e transparentes do que as fundadas numa oportunística consanguinidade ideológica. Ao menos CDS e PCC defendem a mesma coisa, independentemente das latitudes."
(Manuel António Pina; Parentes pouco recomendáveis; in JN.)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Da arte de bem desfazer um nó górdio

Coube ao deputado Pedro Silva Pereira defender a posição do PS durante a discussão na Assembleia da República da "moção de censura" apresentada pela bancada parlamentar do PCP, tendo o seu discurso (reproduzido no vídeo supra) sido "aplaudido com um entusiasmo nunca visto na actual bancada socialista", pelo menos, a crer no que escreve Fernando Madrinha na última edição do "Expresso", entusiasmo para o qual Madrinha não encontra outra explicação que não seja  a "nostalgia socratista". 
Não viria daí grande mal ao mundo, acho eu,  se esse fosse o caso, mas o que é estranho é que não passe pela cabeça de Fernando Madrinha que a explicação possa muito simplesmente residir no facto de Silva Pereira ter proferido um discurso muito bem estruturado e melhor conseguido. E tanto mais estranha é a posição de Madrinha quando é o próprio a reconhecer, no mesmo passo, que o orador tem "talento oratório e segurança argumentativa" quanto baste.
Discurso bem estruturado e melhor conseguido, insisto eu,  porque Silva Pereira, que tinha pela frente a tarefa nada fácil de justificar a abstenção do PS em relação à moção de censura, alcançou claramente esse objectivo ao demonstrar que a "moção de censura" não passava de uma manobra pensada pelo PCP com outros objectivos que não o de derrubar o governo, objectivo este inatingível, através da moção de censura, com a actual composição da Assembleia da República. Note-se que, neste particular, o discurso de Silva Pereira coincide, no essencial, com a opinião maioritária dos comentadores políticos da nossa praça que, logo após o anúncio da moção, consideraram que ela não tinha outra finalidade que não fosse criar dificuldades ao PS, ou seja, "entalar o PS" (expressão frequentemente usada), dificuldades que Silva Pereira, no seu discurso, ultrapassou ao chamar à colação as inegáveis responsabilidades do PCP no acesso da direita ao poder, desatando assim o nó górdio armadilhado pelo partido alegadamente censurante que acabou de sair do debate na posição de "censurado". 
Desatado o nó, Silva Pereira, aproveitou então a corda livre  para zurzir no governo, pondo a claro que a  austeridade, nos aspectos mais gravosos para a vida dos portugueses, é o resultado de opções do governo  PSD/CDS que nada têm a ver com o memorando acordado com a troika, na sua versão inicial, abrindo caminho, por essa forma, para distanciar o PS da política governamental. 
Tenho de admitir, porque me parece evidente, que ao entregar a Silva Pereira a tarefa de apresentar a posição do PS na discussão da moção de censura e ao aceitar os seus termos, António José Seguro quis certamente significar que acabou o tempo do consenso e do discurso mole e que, a partir de agora, o PS vai fazer oposição a sério.
Que assim seja, porque já não era sem tempo.

domingo, 16 de outubro de 2011

Tudo isso é verdade, Jerónimo, mas não é a verdade toda

Cito:

Tudo isso é verdade, Jerónimo, mas não é a verdade toda, uma vez que estás a  escamotear o facto de o PCP ser responsável pela existência deste Governo. Na verdade, não sobra dúvida de que o actual Governo só existe porque o PCP (e o BE) se aliaram, vergonhosamente, aos partidos da direita, ora no poder, para derrubar o Governo do PS. Essa aliança com a direita é imperdoável, Jerónimo e eu não me vou esquecer disso tão cedo. No entanto, na semana de luta convocada pela CGTP-IN entre 20 e 27 de Outubro, lá estarei. Mas só porque é urgente dar todos os passos para pôr o Passos a andar. Quanto mais depressa, melhor.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Ensaio sobre a cegueira"


Se José Saramago fosse vivo, teria no comportamento revelado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda e nas atitudes que têm tomado, nos últimos tempos, uma rara oportunidade para escrever um segundo "Ensaio sobre a cegueira".
De facto, participar no derrube do Governo do PS, ao lado dos partidos da direita (PSD e CDS) (correndo o sério risco de estarem a abrir a porta a um Governo da direita) e passar a vida a atacar o PS, afirmando que este é igual ao PSD e ao CDS, mesmo sabendo que só o PS pode travar a fúria privatizadora e liberalizadora da direita que se propõe dar cabo do Serviço Nacional de Saúde, estrangular a Escola Pública e liberalizar os despedimentos, indo muito além das medidas acordadas com a "troyka", só pode ser levado à conta de cegueira.
Talvez a recente tomada posição de Passos Coelho sobre a realização de um novo referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez sirva para lhes abrir os olhos.
Dado o sectarismo que os dois têm manifestado (mais ainda o Bloco do que o PCP) leva-me a crer que nem isso é certo. E, sobretudo, temo que, mesmo que abram os olhos, seja já tarde.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cálculo de probabilidades

Calculo eu que esta afirmação não tem qualquer base de sustentação, dado o facto conhecido de Sócrates ter procurado obter, ainda antes de formar Governo, uma qualquer forma de entendimento com os outros partidos com representação parlamentar, com vista a assegurar a estabilidade governativa. Muitíssimo mais provável é que a Sócrates não tivesse sequer passado pela cabeça que o PCP e o BE estariam tão disponíveis para fazer fretes à direita como, ao longo da legislatura ora interrompida, se veio a verificar, tantas vezes.
E o mesmo pensaria muito boa gente.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Não vá o diabo tecê-las...

-"No 4º trimestre de 2010, as saídas de bens [exportações] registaram um aumento de 15,8% e as entradas [importações] de 10,3% face ao período homólogo do ano anterior. A taxa de cobertura foi de 64,5%, determinando uma melhoria de 3,1 p.p. face à taxa registada no período homólogo do ano anterior." (Dados do INE). "Só em Dezembro, as saídas de mercadorias aumentaram 24,3%, a segunda maior subida mensal homóloga, depois do crescimento de 25,8% verificado em Março." (fonte)

Os números continuam a trazer boas novas.  Não admira, pois, que o PCP comece a falar em moção de censura, o que, note-se, revela alto sentido de oportunidade. De facto,  há que aproveitar enquanto é tempo, pois, não vá o diabo tecê-las, sempre se pode dar o caso de a economia continuar a recuperar e lá se vai a margem de manobra.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

De vez em quando cai-lhe a máscara

Pelos vistos, de vez em quando, o PCP deixa cair a máscara de defensor "das mais amplas liberdades" e revela o verdadeiro rosto dum apoiante de ditaduras desde que elas se intitulem de comunistas.
(Imagem daqui)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Quando o discurso não cola

Só de raspão me referi à mais recente "maior manifestação de sempre" promovida pela CGTP e animada pelo PCP e pelo BE. Alegadamente em defesa dos trabalhadores. Trata-se, como é óbvio, do exercício legítimo e incontestável de um direito constitucionalmente garantido e que importa respeitar, o que não significa, no entanto, que não se possa questionar a oportunidade da manifestação e a coerência de alguns participantes e promotores. Refiro-me em particular ao PCP, cujo discurso, a meu ver, não cola com a sua praxis no relacionamento com outros partidos ditos comunistas. Não se pode, na verdade, ter um discurso em defesa dos trabalhadores, para português ouvir, e manter ao mesmo tempo relações de amizade com regimes, como o regime "comunista" chinês, que, nos dias de hoje, é o símbolo máximo da exploração de quem trabalha. O PCP não ignora, por certo, que os trabalhadores chineses estão sujeitos a uma sobre-exploração que passa por salários miseráveis e por condições de trabalho quase inimagináveis, onde não cabem, nem o direito a férias, nem o direito à greve, nem o direito de manifestação. Se o PCP (que até se considera internacionalista) estivesse genuinamente interessado na defesa dos trabalhadores portugueses teria, antes de mais, que defender os mesmos direitos para os todos os trabalhadores em qualquer parte do mundo e independentemente do regime. Não o fazendo, legitima pelo menos a dúvida sobre a genuinidade das suas intenções.
Digo isto, porque, curiosamente e a meu ver, a melhor forma de garantir melhores condições para os trabalhadores portugueses, como, de resto, para os trabalhadores dos demais países em geral, passa, sem qualquer dúvida, pelo fim da sobre-exploração dos trabalhadores chineses. Não se ignora, com efeito, que é graças a essa sobre-exploração que a China inunda o mercado internacional com produtos a preços que os demais países não conseguem combater devido, em boa medida, aos custos do factor trabalho muito superiores aos verificados na China "comunista". E não conseguindo competir, não vendem. Para terminar este impasse, não parece haver senão estas saídas: ou aumentam os níveis salariais e os direitos laborais dos trabalhadores chineses, ou  diminuem os salários e regalias sociais dos trabalhadores do resto do mundo e em particular do mundo ocidental, ou, em alternativa, os produtores não chineses conseguem ultrapassar o problema por via da inovação, sendo evidente que, nesta hipótese, é inevitável o sucessivo aumento do desemprego, com todo o seu cortejo de miséria e pobreza.
Trata-se nestes dois casos, como é evidente, de alternativas indesejáveis e que importa afastar. Evitá-las passa, sem sombra de dúvida, pela primeira alternativa. Mas, sendo assim, bem se pode dizer que, nos dias de hoje, a defesa dos interesses dos trabalhadores portugueses (e não só) está mais nas mãos dos trabalhadores chineses e na sua capacidade de rejeitarem o trabalho quase escravo a que estão sujeitos do que nas mãos dos promotores de qualquer manifestação, por muito bem intencionados que sejam.
Se não é assim, digam-me porquê. Estou sempre disposto a aprender.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A nave dos "loucos"

Já se sabia que o destino da moção de censura apresentada pelo PCP e hoje debatida no Parlamento, era a sua rejeição, pois contava à partida com a oposição do PS e com a abstenção do PSD e do CDS.
Em boa verdade, também não era intenção do PCP vê-la aprovada, nem derrubar o Governo, por essa via. Tal resulta claro se se atender ao facto (bem original) de o texto da moção conter críticas dirigidas ao PSD, partido de cujos votos dependia a aprovação. Este é, pois, ponto assente.
O que o PCP pretendia, com a sua iniciativa, seria, no curto prazo, mobilizar as suas gentes para a próxima manifestação da CGTP e, a longo prazo, capitalizar o descontentamento. O discurso do líder parlamentar do PCP  "a luta continua lá fora, nas empresas e locais de trabalho, nas praças e avenidas" não deixa margem para dúvidas.
Dúvidas tenho eu, e grandes, sobre se esta iniciativa teve ou terá alguma utilidade, mesmo do ponto de vista do partido autor da moção. Na verdade, uma sondagem hoje vinda a público revela ( ver quadro ao lado) que, mesmo em época de crise e com novas medidas de austeridade em marcha, as intenções de voto no PCP decrescem.
Não é caso para admirar. Para além da retórica que não lhe falta, pergunta-se: que credibilidade tem hoje um partido que se revia num "Sol da Terra" que já se extinguiu (URSS); que é incapaz de avançar com qualquer programa com um mínimo de viabilidade, face às forças políticas e económicas em presença no mundo de hoje e aos movimentos sociais;  e que não tem outro modelo para oferecer que não seja o de uma Cuba onde está proscrita a palavra liberdade, o de uma China dominada por um capitalismo de estado com níveis de exploração que envergonhariam o mais retrógrado capitalista, ou o de uma Coreia do Norte governada por um louco que deixa morrer a sua população à fome?
Quem é que, no seu perfeito juízo, se dispõe a embarcar numa tal nave de "loucos"?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Animar a malta

Jerónimo de Sousa e o PCP não podem ignorar que a moção de censura ao Governo que o PCP vai apresentar na Assembleia da República está, à partida, condenada ao fracasso, pois toda agente o sabe.
E de facto, nem é a queda do Governo que está em causa, na mente dos dirigentes comunistas, pois a sua intenção, numa altura em que está anunciada, para breve, a manifestação da CGTP contra as medidas de austeridade decididas pelo Governo, é tão só a de "animar a malta".
Sobra, no entanto, uma dúvida que é a de saber quem é correia de transmissão e de quem: a CGTP do PCP, ou o PCP da CGTP ? Ou é tudo a mesma coisa ?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O dia em que nem tudo são vitórias

O PS foi não só o partido mais votado (37,67% dos votos) como o que recolheu maior número de mandatos e recuperou, em relação às anteriores eleições autárquicas, 21 presidências de Câmaras Municipais. Tem, pois, razões para festejar, embora os festejos tenham que ser comedidos, pois o PSD continua a ter o maior número de presidências (140 contra 131 do PS) . O registo da moderação foi, aliás, o utilizado por José Sócrates ao pronunciar-se sobre as eleições, pese embora o especial sabor da vitória alcançada em Lisboa, onde a lista do PS, liderada por António Costa, bateu toda a direita coligada com Santana Lopes.

O PSD, apesar de continuar a ter o maior número de presidências, não tem, a meu ver, grandes motivos para se regozijar, não só porque perde para o PS, algumas dezenas de Câmaras, como perde algumas apostas pessoais da sua líder, casos de Lisboa e Leiria. O que prova que, ao contrário do que esta afirmou, "a escolha dos candidatos [não] foi criteriosa e [não]respondeu aos anseios das populações locais". Isto, para além de outras razões, como é óbvio. E convém ainda lembrar que os resultados alcançados pelo PSD se ficam a dever ao facto de os seus candidatos se apresentarem ao eleitorado em coligação com o CDS em dezenas de casos (mais de sessenta, se não estou em erro). Sem essas coligações, o PSD, a estas horas, não estaria a reivindicar a maioria das presidências de Câmaras, algumas das quais assegurou por pouco mais do que 100 votos 100. Foi o caso da Câmara de Faro.

Quem, por esta altura, deve estar bem arrependido da opção pelas coligações é Paulo Portas, embora, publicamente, se declare satisfeito com “subida moderada” da presença autárquica. E, de facto, tem razão para estar arrependido. Com estas eleições, o CDS, ao prestar-se a servir de muleta para o PSD nas coligações, transferiu para este uma boa parte dos ganhos recentemente adquiridos nas eleições legislativas. Ao fazê-lo "por três réis de mel coado" sai destas eleições como um perdedor, sem apelo nem agravo. Reconheço, no entanto, que Paulo Portas tem desculpa, pois nunca lhe deve ter passado pela cabeça, nem nos momentos de maior optimismo, que o CDS viesse a alcançar, nas legislativas, o resultado que obteve. Nem ele, nem ninguém. Nem as sondagens, como é sabido.

Louçã, a meu ver e já o disse no "post" anterior, saiu, destas eleições, atropelado e aos trambolhões. E o Bloco também, como é claro.
O PCP que, do meu ponto de vista, até teria alguma razão para estar satisfeito com os resultados, pois, em termos de poder autárquico, continua a manter-se como a terceira força política (que já era) depois de ter descido para a quinta posição nas legislativas, parece estar a digerir mal a derrota sofrida em Aljustrel, em Beja e na Marinha Grande. A derrota em Beja, a primeira depois do 25 de Abril e logo com a obtenção de uma maioria absoluta por parte do PS deve, de facto, ser dura de roer. Jerónimo de Sousa confirma.
Para compor o ramo deste dia em que nem tudo são (foram) vitórias, ainda temos as eleições de de Isaltino Morais e Valentim Loureiro para prova de que há vitórias que, envergonhando-nos, são derrotas.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Almada não é do PCP...

... nem da CDU, bem entendido.
Perguntar-se-á o leitor sobre o porquê da publicação destas placas toponímicas e eu explico-me: Quando, no início dos anos 80, fixei a residência em Almada, um dos factos que me chamou a atenção, pelo insólito, foi a existência de placas toponímicas (por definição, pertença do Município) com o símbolo do PCP. Volvidos que são 35 anos após o 25 de Abril, as placas toponímicas reproduzidas nas imagens, (placas que, durante anos pude observar todos os dias porque situadas no próprio edifício do meu local de trabalho) permanecem no mesmo sítio e continuam a ostentar o símbolo do PCP. Não sei se ainda haverá outras nas mesmas condições, mas estas, pelo menos, continuam a existir.
Ora bem, do meu ponto de vista, a utilização de meios pertencentes ao Município para servirem de suporte a propaganda partidária (e é disso que se trata) é, antes de mais, revelador de uma concepção política apenas própria de um regime de partido único que, pela sua natureza, tende a identificar o poder (neste caso, local) com o partido que o exerce e a colocar os bens pertencentes à comunidade ao serviço do mesmo partido. Tal constitui, a meu ver, um abuso intolerável numa democracia, regime onde o poder reside na comunidade (e comunidade somos todos) e não no partido que temporariamente o exerce e onde os bens da comunidade (Estado, ou autarquias) são pertença de todos e não apenas de alguns.
Deixo, pois, aqui um apelo ao futuro executivo municipal (qualquer que ele venha a ser) no sentido de pôr termo a tal situação que, a meu ver, não dignifica o Município de Almada e, menos, ainda o respectivo executivo camarário.
(Fique claro que não se contesta aqui o direito de a Câmara de Almada homenagear os militantes do PCP que deram o seu melhor e, nalguns casos, a vida, na luta contra a ditadura. Não é isso que esta mensagem põe em causa, até porque considero que tal homenagem é, antes de mais, um dever.)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Estória do fogo e do "bombeiro" queimado

Os fogos, qualquer bombeiro experiente o sabe, só se conseguem apagar, se se actuar logo que são ateados. Se se deixam alastrar as labaredas, até o bombeiro se arrisca a sair queimado. No caso do fogo ateado pela notícia do PÚBLICO sobre o caso das alegadas escutas, o bombeiro permaneceu demasiado tempo no "Pulo do Lobo" e deixou, propositadamente, que o fogo se propagasse. A decisão, ora tomada pelo inquilino de Belém de afastar Fernando Lima do cargo de responsável pela assessoria para a Comunicação Social chega muito tarde. Não só não apaga o fogo, como é certo que o "bombeiro" se não está completamente queimado, está, pelo menos, bem chamuscado. E acabou, acho eu.

Adenda:

Reacções à notícia:

(Nem eu, que bem que agradecia que o inquilino de Belém renunciasse ao "arrendamento". Que mais não seja, por uma questão de decoro.)

(Pois é, Jerónimo de Sousa. E isso significa o quê ? Significa talvez que o PCP anda nas nuvens, pois, quando as notícias sobre o caso vieram a lume, em vez de tomar posição sobre o assunto e condenar os envolvidos na tramóia, entreteve-se a "disparar" sobre os Serviços de Informação baseado apenas nas declarações de um "jornalista", hoje completamente desacreditado.)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A disputa do PBX

Depois de Louçã ter afirmado "Nós somos os socialistas", chegou agora a vez de Jerónimo de Sousa desautorizar José Sócrates a falar em nome da esquerda ou mesmo a dizer-se de esquerda. Desta vez é Jerónimo de Sousa quem se sente no direito de reivindicar para o seu partido a "marca" da esquerda. Pelos vistos, vai acesa a disputa entre o Bloco e o PCP pela sigla do PBX (Partido Berdadeiramente Xuxialista).
Estranhamente, nem o Bloco, nem o PCP, usam a palavra "Socialismo" nas suas designações. E mais, o PCP vai a votos sob a sigla CDU.
"Socialismo" soa melhor que "Comunismo". Será ?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

É possível a convergência à esquerda?

Pode ser mera estratégia eleitoral para aproveitar, em benefício próprio, o eleitorado que, não estando disposto a votar PS nas próximas eleições legislativas, terá ficado apreensivo com o radicalismo ultimamente manifestado pelo Bloco de Esquerda (e, em particular, por Louçã) mas, a meu ver, a entrevista de Jerónimo de Sousa dada ao "Público" (aqui, aqui, aqui e aqui) mostra que existe alguma abertura para uma convergência à esquerda, incluindo o PS, para impedir uma governação de direita.
Jerónimo de Sousa demonstra, nesta entrevista, ter uma serenidade e uma segurança que, de todo, faltam a Louçã. Será porque, ao contrário do Bloco, o PCP não tem que fazer prova de vida, pois a sua já longa história fala por si?