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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Pobreza: palavras para quê?

Sim, para quê as palavras, se os gráficos do INE (surripiados aqui)  são perfeitamente esclarecedores sobre o aumento dos níveis de pobreza, como consequência das políticas ditas de "ajustamento" levadas a cabo pelo governo Passos/Portas, com a cumplicidade e conivência de Cavaco?
(Clicando na imagem, amplia)

terça-feira, 12 de maio de 2015

A dimensão do desastre

«(...)
Em quatro anos, entre 2011 e 2014, uma enraivecida contra-revolução social abateu-se sobre pobres e desmunidos. Menos 50 mil beneficiários de abono de família, menos 64 mil do complemento solidário para idosos, menos 112 mil inscritos no rendimento social de inserção. Mais 31 mil desempregados no sentido restrito do termo, mais 113 mil desencorajados de procurar emprego, mais 80 mil desempregados de longa duração. De todos os desempregados, apenas 30% têm qualquer forma de cobertura social. Mais 146 mil cidadãos em risco de pobreza, 60 mil dos quais são crianças.

Chegam-nos agora os números de 2014 relativos às estatísticas vitais. Quando, em 2011, haviam nascido quase 97 mil crianças, em 2014, nasceram pouco mais de 82 mil. A perda acumulada de nados-vivos em quatro anos atingiu 19 mil nascimentos. Como é possível convencer os casais jovens a ter filhos, se um terço deles está desempregado e outro terço emigrado? Medida em termos de saldo fisiológico, ou seja, a diferença entre nascimentos e óbitos, nesses quatro anos o saldo negativo acumulado atingiu quase 70 mil portugueses. Se lhes acrescentarmos os 350 mil emigrantes que, entre 2011 e 2013, nos deixaram, na maioria jovens, activos e com formação média e superior, ficamos em condições de avaliar a dimensão do desastre.
(...)»
(António Correia de Campos: Contra-revolução enraivecida)

terça-feira, 3 de março de 2015

Com um governo "miserável", como é o actual, era de esperar o quê?

"Bloomberg põe Portugal como o 10.º país mais miserável."
Mais um "sucesso" de que Passos Coelho, Portas e Cavaco se podem ufanar. Entretanto, limpem-se ao guardanapo.
(Notícia e imagem daqui

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A auto-regulação é uma treta, mas há quem dela se aproveita

"A ideia de que o mercado é capaz de se autorregular é uma treta", como bem disse Silva Peneda.
De facto, a auto-regulação do mercado, tal como é vendida por ultra-liberais como Passos Coelho, não passa de um logro posto a circular por quem colhe benefícios dessa tese, em prejuízo da grande maioria da população mundial. A dimensão desse logro ficou agora bem à vista com a revelação feita pela Oxfam: "A riqueza dos 1% mais ricos vai superar a do resto do mundo em 2016"
Um resultado que é uma vergonha. Para todos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

E a maioria que fique com as sobras

Um estudo recente dado a conhecer pelo "Público", hoje, revela que a concentração da riqueza em Portugal é ainda maior do que o suposto. Com efeito, de acordo com o estudo, 1% da população portuguesa é detentora de mais de uma quarta parte da riqueza, e os 5% mais ricos detêm entre 44% e 45% da riqueza do país, ou seja, praticamente metade. Portugal, ainda de acordo com o citado estudo, ocupa o terceiro lugar no que respeita à maior concentração da riqueza, apenas perdendo no cotejo com a Alemanha e a Áustria. (Portugal, de facto, neste particular, não é a Grécia)
Estes dados significam indiscutivelmente que a grande maioria da população do nosso país tem muito simplesmente que se contentar com as sobras, pois o grosso da riqueza está nas mãos de uma escassa minoria e provam que estamos perante uma realidade que deveria cobrir-nos a todos de vergonha, a começar por Passos Coelho o descarado primeiro-ministro que ainda há dias se exibia como campeão da diminuição da pobreza em Portugal, usando louros alheios, pois os números citados diziam (e dizem) respeito aos anos entre 2007 e 2011, correspondentes ao período da governação de José Sócrates. E a acabar em Cavaco Silva que, para além de se presumir ser o mais alto magistrado da Nação, logo o mais responsável, é também o político há mais tempo em funções.
Algum destes personagens deu já sinais de algum incómodo perante a revelação de tamanho escândalo?
Eu não dei conta.

domingo, 30 de março de 2014

Sucesso alcançado!

Admira que quem, como Passos Coelho, secundado por Paulo Portas, adoptou como objectivo central da sua política levar a cabo o empobrecimento do país (ele assim o afirmou  repetidamente), não proclame, perante os dados sobre a pobreza em Portugal recentemente revelados pelo INE, ter o seu governo alcançado um rotundo sucesso. 
O espanto perante o silêncio governamental sobre a matéria justifica-se plenamente, porque não há dúvida de que, embora os números da pobreza sejam de molde a envergonhar-nos, do ponto de vista destes governantes, é mesmo de um sucesso que se trata: o objectivo proclamado foi plenamente atingido. Se isto não é um sucesso, vamos chamar sucesso a quê? À redução de umas décimas no desemprego ou ao crescimento anémico previsto para o corrente ano, depois de três anos seguidos de recessão, tantos quantos os que este governo leva de empenho na destruição do país?

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Regressos e outros "sucessos"

Portugal "regressou aos mercados", um "sucesso", no dizer de banqueiros, governantes, jornalistas, comentadores, farsantes e outros meliantes. Cumpre, no entanto, salientar que há, entre jornalistas e comentadores, honrosas  excepções, pois nem todos se vendem por lentilhas feijões.
No que respeita a "sucessos" há, porém, outros "regressos"  que convém lembrar.
Pois não é verdade que centenas de milhares de portugueses estão de regresso aos caminhos da emigração, porque na terra onde nasceram falta o pão?
E não haverá quem esteja a regressar à "sopa dos pobres", não faltando até quem, pela primeira vez, nela se veja forçado a ingressar?
E que dizer das pessoas idosas albergadas em lares e noutras instituições de acolhimento forçadas a regressar as suas casas ou a casas de familiares, porque as suas magras pensões são indispensáveis ao equilíbrio da débil economia  dos respectivos agregados familiares?
E também não é verdade que milhares de emigrantes que pensavam ter encontrado em Portugal a terra prometida, estão de regresso às  origens, porque em Portugal se acabou o "leite e o mel?

Mas se há "regressos" também há "não-regressos" a ter em conta como bons indicadores de "sucesso".
Há, por exemplo, centenas de milhares de desempregados que não conseguem regressar ao trabalho;
Há (outro exemplo) milhares de portugueses que são despejados na rua, impedidos de regressar a casa, porque esta deixou de ser sua. 
Entre regressos e não-regressos não faltam motivos para que este governo possa reivindicar "sucessos" e mais "sucessos".

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Passos/Coelho e a sua Comissão Liquidatária estão de parabéns

Se ainda alguém tinha dúvidas sobre a capacidade de Passos/Coelho em conseguir levar a bom termo a sua política de empobrecimento do país, bem pode afastá-las de vez.  Na verdade, se, ao fim de um ano de exercício, a Comissão Liquidatária por ele presidida já conseguiu que mais de 50% da população portuguesa esteja em risco de pobreza ou vulnerável, não é muito difícil imaginar qual será a situação no final da legislatura. 
A avaliação é avançada pelo presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza na Europa, Sérgio Aires que, suponho, será  a pessoa melhor colocada para a fazer. E não devem faltar-lhe dados para chegar a uma tal conclusão até porque a sua avaliação é coincidente com o alerta deixado recentemente pelo comissário do Conselho da Europa para os direitos humanos, segundo o qual, existem crianças portuguesas a emigrar para trabalhar por causa da crise e famílias a retirar idosos das instituições para beneficiar das suas reformas.
O "êxito" é indesmentível: ter, ao fim dum ano, mais de metade da tarefa realizada, numa empreitada prevista para durar quatro anos, é obra! E continuando no "bom caminho", como a direita nos garante, não será coisa de admirar se dentro de mais um ano a "obra" ficar completa.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Cenas dum país "resgatado" e mal governado


"(...)
A fila que escolhi hoje é pequena. À minha frente, está uma mulher de uns 30 ou 40 anos, elegante, com um olhar vivaz e um sorriso inteligente (...) que leva meia dúzia de compras na mão (...). Está vestida com um tailleur saia-e-casaco e sapatos pretos de salto, formais, certamente por necessidade profissional. Pousa as compras no tapete e murmura qualquer coisa à empregada. Percebo que lhe pede para ir fazendo subtotais, à medida que vai registando as compras. Há vários iogurtes mas estão separados, em vez de estarem num conjunto de quatro, como na prateleira. A caixa passa várias compras e quando o subtotal atinge 3 euros e 73 cêntimos a cliente diz "está bem assim". No tapete fica um iogurte natural e um pacote de bolachas da marca do supermercado que a caixa põe de lado num gesto rápido, numa pilha heteróclita onde há outros restos de compras. A mulher elegante paga os 3,73 euros com Multibanco.
Esta história é sobre uma mulher elegante de 30 ou 40 anos, com um sorriso inteligente, que trabalha num sítio onde lhe exigem que se vista com alguma formalidade e que só tem quatro euros no banco."
(Extracto de "Na fila do supermercado", por José Vítor Malheirosin edição impressa do "Público" de hoje)

sábado, 3 de março de 2012

A gripe P

Enquanto especialistas em saúde pública e os serviços oficiais se digladiam com argumentos sobre as causas que estão na origem do anormal (por elevado) número de mortes, nas últimas semanas, defendendo aqueles que entre elas figuram a "perda de rendimento das famílias e o aumento brutal das taxas moderadoras", ao passo que os serviços oficiais entendem que não senhor, que a culpa é do  vírus A (H3N2), que entretanto sofreu umas pequenas alterações, certo é que a gripe P (de pobreza*) está em franca expansão. Quem o afirma é a Caritas: os pedidos de ajuda aumentaram 40% desde novembro, a um tal ritmo que que já existem "listas de espera" no atendimento.
(*Desculpa, Carlos, mais esta apropriação.) 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Por falar em pobreza...

... e a propósito de exibicionismos, talvez não seja despropositado recordar ao "católico" Cavaco Silva a lição do Evangelho:
"Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita"(Mt. 6.3)

domingo, 12 de dezembro de 2010

O homem capaz de todos os milagres

Ausentes do país, como se sabe, desde os tempos de Cavaco primeiro-ministro, a fome e a pobreza acabam de regressar. Autor da descoberta: o recandidato à Presidência da República, Cavaco Silva, homem de fraca memória, mas capaz de todos os milagres, incluindo o de acabar com a miséria e a fome,  com as sobras da AHRESP.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A pobreza é um caso sério que merece ser tratado com seriedade

Há várias maneiras de tratar um tema com a importância da pobreza em Portugal: umas sérias e outras nem tanto.
O texto que a seguir se transcreve é, a meu ver, o melhor e o mais sério que já vi escrito sobre a matéria. Reproduzi-lo neste blogue é também a minha maneira de felicitar a autora.
Parabéns!

POBRE PORTUGAL
Fernanda Cânciojornalistafernanda.m.cancio@dn.pt

Um relatório sobre 25 Estados membros da UE refere Portugal como tendo, no período de 2000 a 2004, um dos mais baixos rendimentos per capita - com 960 mil pessoas a viver com menos de 10 euros por dia - e maior desigualdade na distribuição de riqueza; um estudo de Alfredo Bruto da Costa, reputado especialista na matéria, certifica que pouco ou nada se tem evoluído no combate à pobreza, calculando que 46% da população passaram por esse estado entre 1995 e 2000. Parece pois lícito concluir que a democracia portuguesa falhou dois dos seus objectivos essenciais: promover a coesão social e melhorar o nível de vida.
Sucede que, estudando o tal relatório europeu que tanto alarme - justamente - desencadeou, a situação se complexifica. Desde logo, este admite que é difícil comparar países só com base em indicadores quantitativos do rendimento de cada agregado, já que os mesmos 10 euros compram na Polónia o dobro do que na Dinamarca (os dois extremos da escala, na qual Portugal está em 11.º), evidenciando surpresas na caracterização qualitativa da pobreza. Assim, menos de 5% da população portuguesa não têm acesso a uma refeição "decente" (com carne, peixe ou equivalente) cada dois dias. O mesmo sucede na Bélgica, enquanto no Reino Unido, Alemanha, França e Itália a percentagem ultrapassa os 6%. Serão 5% os portugueses que não conseguem pagar as contas básicas - contra 6/7% de belgas, finlandeses e franceses, e 10% de italianos -, e menos de 20% os que afirmam não estar em condições de assumir uma despesa inesperada, uma percentagem só ao nível da sueca, já que todos os outros membros apresentam valores superiores. E são 17%, ao nível da Alemanha e da Finlândia (dois dos países com mais alto rendimento per capita), os agregados que não conseguem ter carro, TV a cores, telefone, ou máquina de lavar, ou têm contas em atraso ou não acedem à tal refeição cada dois dias.
Dados europeus mais recentes acrescentam perplexidades: se Portugal tem, em 2006, uma taxa de pobreza (correspondendo ao número de agregados com cerca de 400 euros/mês/pessoa) de 18%, dois pontos acima da média da UE, está ao nível da Irlanda, três pontos abaixo da Grécia, dois pontos abaixo da Espanha e da Itália e um ponto abaixo do Reino Unido. Longe da Noruega, da Dinamarca, da Suécia e da Holanda (entre os 10 e os 13%), é certo. Mas sendo estes valores respeitantes aos rendimentos dos agregados após "prestações sociais" - ou seja, após pensões e subsídios -, há uma extraordinária constatação a fazer: antes dessas prestações, Portugal tem uma taxa de pobreza de 25%, igual à da França e inferior à da média da UE (26%), assim como da Irlanda (33%), da Noruega (30%) e da Finlândia e Suécia (29%). Por outro lado, se esta taxa desceu apenas dois pontos desde 1995, a outra desceu cinco pontos, de 23% para 18%, no mesmo período. Parece que a democracia, afinal, serve para alguma coisa - e que um país é tanto mais pobre quanto o quisermos pobre. Nada de novo, mas é sempre bom lembrar.
O texto encontra-se publicado no "Diário de Notícias" aqui