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domingo, 2 de dezembro de 2012

Nihil novi sub sole

Ite, missa est. Acabou a "missa", que o mesmo é dizer que terminou o XIX Congresso do PCP.
Que mais não seja, terá servido, à semelhança do que acontece com as "missas" dos demais partidos, para dar novo alento e renovar a fé nas teses e nas orientações da "congregação". E para pouco mais, suponho, sendo que também, neste particular, o XIX Congresso do PCP não fará grande diferença em relação às reuniões magnas levadas a efeito por outras forças políticas.
Num primeiro momento, ao ouvir Jerónimo de Sousa falar, no discurso de encerramento, no reforço da "disponibilidade do partido para o diálogo e para a convergência" ainda se poderia ter tido, por segundos, a esperança de que estaríamos perante uma inflexão na orientação do PCP, no sentido duma maior abertura ao diálogo com outras forças de esquerda. A esperança porém, depressa se transformou em frustração, ao constatar-se que, no essencial, o discurso não mudou. Convergir, sim, desde que: "ninguém peça ou exija ao PCP que deixe de ser o que é". Supostamente, ninguém pediria tanto, mas não parece que convergir seja sinónimo de continuar a repetir que “O PS não dá resposta à contradição fundamental que é a de saber se é possível uma alternativa verdadeiramente de esquerda, mantendo-se comprometido e identificado com a política de direita em questões fundamentais”. 
Se não me engano, "discursos" desta natureza não só não contribuem para a convergência, antes são mais uma forma de continuar a cavar divergências.
Nada de novo, portanto. Tudo como dantes. Não me parece, por isso, que seja caso para dizer: Amen!


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Construir castelos no ar é fácil


Não assisti ao discurso de Jerónimo de Sousa na abertura  do XIX Congresso do PCP, tendo apenas lido os relatos publicados nos órgãos de informação, on line. Não ouso, por isso, dizer que Jerónimo de Sousa se limitou a repetir a "cassete", até porque, segundo creio, a "cassete" já caiu em desuso. Certo, no entanto, é que, tendo em conta os citados relatos, não se descortina no discurso do secretário-geral do PCP o mínimo resquício de alguma novidade.
Se não me engano na leitura, diria que o discurso de Jerónimo de Sousa se caracteriza, antes de mais, por um evidente irrealismo das soluções propostas e pela completa ausência de auto-crítica.
Não existe no discurso, a menor referência ao facto de o PCP ter contribuído para a ascensão do governo de direita ao poder. O escamotear das responsabilidades do PCP em tal matéria tem como efeito contribuir para retirar credibilidade às soluções que propõe para o momento que o país vive, credibilidade que o irrealismo das soluções, em boa verdade, só por si, já não consente.
Defende o PCP, pela voz de Jerónimo de Sousa, a demissão do governo, a realização de novas eleições e a formação de um novo governo (de esquerda, presumo), mas sem a participação do PS. Construir castelos no ar é fácil e a proclamação de tal intenção até pode servir para entusiasmar fiéis, mas, como é evidente, construções no ar levam mais tempo a construir do que a desfazer-se.
Hostilizando, uma vez mais, o PS, desvalorizando a contribuição do Bloco de Esquerda e desconfiando dos movimentos sociais, como de novo ficou claro, com que votos contará o PCP para construir um Governo de esquerda? Só com os votos dos fiéis? Manifestamente, são muito poucos para tamanha ambição.
Não, por este caminho, nem o PCP, nem a esquerda chegam lá. É pena, porque, desta forma, vamos ter que assistir, impávidos, ainda que não serenos, à destruição do país às mãos duma direita que já revelou até onde pode levar a insânia e o fundamentalismo de que se sustenta. Repito: é pena.
(imagem daqui)