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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Há rapazes com sorte

Francisco Almeida Leite (FAL), "amigo" de Pedro Passos Coelho, jornalista ou ex-jornalista, nem sei bem, secretário de Estado de curta duração, títulos a que, no seu seu currículo, (disponível aqui) pode juntar o de ter sido "um dos membros da pandilha recrutada para levar Passos Coelho ao poder" é um rapaz cheio de sorte.
Digo isto, não pelo facto de ser "amigo" de Passos Coelho, amizade que não lhe invejo, mas sim pelo facto de ter sobrevivido a um "chumbo" e a uma "humilhação" às mãos da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP).
Apesar de "chumbada" pela Cresap, a proposta da sua nomeação como presidente da SOFID, "devido a falta de conhecimentos e experiência no sector financeiro", o governo do seu "amigo" Coelho não desistiu e acabou por propô-lo para vogal do conselho executivo da mesma entidade, sujeitando-o, depois do "chumbo", a uma nova "humilhação" bem expressa na avaliação da CRESAP que o considera com perfil "adequado, mas com limitações", visto não possuir "conhecimento do sector bancário ou financeiro, ou mesmo das reais exigências com que as empresas se defrontam no mundo real e das dificuldades para tornar sustentáveis projetos de longo prazo" e a quem recomenda, por isso "a frequência de formação complementar em gestão, de nível académico, com obtenção de um grau numa escola com reconhecida exigência formativa".
Pois, apesar do chumbo e da humilhação,  FAL, dizem as notícias, vai mesmo ocupar o cargo para que foi proposto.
Que FAL é um homem de sorte, deduz-se do que fica dito: sobreviveu. Porventura, também se alcança desta "estória" que, nos dias que correm, o compadrio é factor de sucesso e a pouca vergonha condição de sobrevivência.

terça-feira, 22 de maio de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ainda faltava mais este

Tínhamos esquecido esta personagem: Vasco Graça Moura, o cronista que trata Portugal como "um país de abjecta subsidio-dependência e de calaceiros profissionais, agora nomeado como presidente do Centro Cultural de Belém em substituição de António Mega Ferreira, afastado por ter exercido o cargo de ´"forma exemplar", onde deu "provas de brilho, criatividade e responsabilidade no cumprimento da missão que lhe foi incumbida", para usar as próprias palavras do responsável pela sua não recondução -  o secretário de Estado da Cultura, José Francisco Viegas.
A escolha de Graça Moura está amplamente justificada: tem o cartão certo, se não o de militante do PSD, seguramente o de seu apoiante, circunstância que não passa, obviamente, de mais uma coincidência, a crer nas palavras de Passos Coelho que ainda hoje garantiu na Assembleia da República, que "nenhuma das nomeações feitas pelo Governo teve um critério partidário". 
Coelho bem pode garantir o que quiser, mas a verdade é que já são coincidências a mais e o escândalo neste caso não podia ser mais flagrante, pois Graça Moura não tem a experiência de Mega Ferreira na área da gestão e, designadamente, na área da gestão cultural.
A justificação de Viegas é, aliás, ridícula, quando afirma pretender iniciar "um novo ciclo de desafios para o cumprimento do serviço público do CCB na área da Cultura" e vai logo escolher um homem de 70 anos em substituição dum homem na força da vida.
Grande lógica! 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

É fartar, vilanagem!

Segundo o "Público" on line, reportando-se a números do portal do governo, a Comissão Liquidatária presidida por Passos Coelho já vai em 1682 nomeações. É obra, tanto mais que a procissão ainda não saiu do adro. 
Aqueles números não contemplam ainda, certamente, a nomeação de Paulo Jorge Vale, vice-presidente da Distrital do PSD de Viana do Castelo, para o cargo de director do Centro Distrital de Segurança Social de Viana do Castelo, nomeação que a "vítima" encara como uma missão para "tentar resolver" as dificuldades. A começar pelas dele.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O homem julga que a gente ainda acredita no Pai Natal

Suponho que ainda ninguém questionou as nomeações para o Conselho de Administração da EDP, pelo que misturar essas nomeações com as nomeações para o Conselho Geral e de Supervisão (CGS) só pode ser visto como mais um expediente para ludibriar incautos.
Já quanto a estas, a probabilidade de os accionistas escolherem para o CGS da EDP  só pessoas relacionadas pessoalmente com o primeiro-ministro e/ou afectas ao seu partido ou ao CDS, sem interferência do governo e/ou de Passos, é mais ou menos igual à probabilidade de eu, que não jogo, ganhar o Euromilhões.
Julga Passos Coelho que a gente ainda acredita no Pai Natal, ou quê?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Na senda dos disparates

O nome de Eduardo Catroga veio de novo à baila a propósito da sua nomeação como presidente do  Conselho Geral e de Supervisão  da EDP, onde vai auferir anualmente mais de 600 mil euros.
Mas se veio à baila, não foi pelas melhores razões. Antes pelo contrário. De facto, depois da famosa tirada sobre os "pêlos púbicos" e duns quantos dislates proferidos antes das últimas legislativas, considerados tão prejudiciais aos interesses do PSD que alguma alma caridosa teve a bondade de o aconselhar a passar uma temporada no Brasil antes que os danos causados ao partido se tornassem irreversíveis, eis que o cavalheiro retoma a senda do disparate e logo em dose dupla. O homem, modestíssimo, não só não tem pejo em considerar-se como "um candidato natural" àquele lugar, como se não houvesse ninguém mais competente, como vai mais longe e termina com esta enormidade digna de figurar numa antologia do dislate: 50% do que eu ganho vai para impostos. Quanto mais ganhar, maior é a receita do Estado com o pagamento dos meus impostos, e isso tem um efeito redistributivo para as políticas sociais.
Não sei o que mais admirar: se a tolice da afirmação em si; se o facto de ela partir de alguém que é economista e já foi ministro das Finanças. Seguindo o pensamento do nosso homem não sei mesmo por que razão o governo de Passos não aumentou já o salário mínimo nacional para 600 mil euros anuais. A crer em Catroga, dinheiro não faltaria para "as políticas sociais". E não só, acho eu.
Ora, não obstante as muitas parvoíces que Catroga tem vindo a proferir, ainda há por aí uns quantos plumitivos que acham que o homem é competente. E a verdade é que eu até estou disposto a dar-lhes razão. De facto, não será fácil encontrar alguém mais competente do que ele a ponto de o conseguir bater em matéria de disparates.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

É fartar vilanagem!

Soma e segue. As nomeações de boys pelo actual governo são tantas que já lhe perdi a conta. E se trago aqui mais estas é porque um dos autarcas designados para a administração das Águas de Portugal (Manuel Frexes, presidente da Câmara Municipal do Fundão e militante do PSD) ainda há dias desmentia, agastado, os rumores que o davam como indigitado para ocupar o cargo para o qual, afinal, vai ser nomeado.
Ele lá saberá a razão do agastamento e do desmentido, mas admito que o autarca ainda possa ter alguma ponta de vergonha, o que não é o caso de Passos Coelho que garantia, antes das eleições, que as nomeações seriam feitas em função da competência das pessoas e não tendo em conta a filiação partidária. E, como é sabido, o contrário é, precisamente, o  que se tem visto.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

É fartar vilanagem

"As nomeações para a EDP são um mimo. Catroga, Cardona, Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo... isto não é uma lista de órgãos societários, é a lista de agradecimentos de Passos Coelho. O impudor é tão óbvio nas nomeações políticas que nem se repara que até o antigo patrão de Passos, Ilídio Pinho, foi contratado.
(...)
As nomeações da EDP, como antes as da Caixa, são um mau sinal dentro da EDP e da Caixa, e são um mau sinal do País. Já não é descaramento, é descarrilamento. A indignação durará uns dias, depois passa, cai o pano sobre a nódoa. A nódoa fica. Quem é mesmo o macaquinho do chinês?"
Pedro Santos Guerreiro - "Macaquinhos do chinês". Na íntegra, no Jornal de Negócios

domingo, 8 de janeiro de 2012

Seis duma assentada

E, a propósito, convém lembrar que o CEO (António Mexia) navega nas mesmas águas (PSD).
Pelos vistos, enquanto uns (Sócrates e o PS) têm a fama de promover os seus boys, outros (PSD e CDS) têm o proveito.
E para quem tenha dúvidas do rigor da asserção, recordo, recorrendo apenas a casos que são do domínio público, que, durante os Governos PS, a presidência das grandes empresas públicas ou com participação do Estado esteve entregue, na grande maioria delas, a gestores conotados com o PSD. Senão vejamos: Caixa Geral de Depósitos (António Sousa, Mira Amaral e Faria de Oliveira); EDP (António Mexia); PT (Henrique Granadeiro). 
Para compor o ramalhete, só falta referir que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, nomeado já no final do 2º Governo Sócrates, também é publicamente conotado como PSD.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

sábado, 12 de novembro de 2011

Coisas de espantar!

Face a este despacho, das duas, uma: ou secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo de Faria Lince Núncio, anda completamente a leste das decisões tomadas pelo governo e pelo ministério de que faz parte, ou então existe uma lei para filhos (ou boys, se preferirem) e outra para enteados. Num caso ou noutro, certo é que estamos perante coisas de espantar!
(imagem obtida aqui)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um convite indecente

O convite  do ministro Miguel Relvas endereçado a Mário Crespo para ocupar o lugar de correspondente da RTP em Washington, mesmo que acabe por não redundar numa nomeação, é, só por si, um escândalo de todo o tamanho. Por um lado, porque o convite foi feito à margem de todas as normas vigentes na empresa, normas que Relvas, pelos vistos, não tem qualquer pejo em desrespeitar e violar, e por outro, porque o convite corre o sério risco de poder a ser visto como um pagamento dos fretes que o Crespo andou a fazer nos últimos anos à frente das câmaras da SIC, em benefício do PSD.
Compreendo o Porfírio quando pergunta onde é que está a surpresa do convite. De facto, para quem não tem vergonha, todo o mundo é seu. Ainda assim, eu, que continuo a estranhar se vir um porco a andar de bicicleta não posso negar a minha surpresa. É que para tudo há limites e, neste caso, todos os limites da decência foram ultrapassados.
(imagem daqui)