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terça-feira, 7 de outubro de 2008

As "casas" da Câmara...


Mais importante do que pedir a divulgação das listas dos beneficiários da atribuição das casas pela Câmara Municipal de Lisboa, que tem sido reclamada por muita gente, incluindo agora o PSD e O BE (pela voz de representantes seus na Assembleia Municipal ) é exigir que a Câmara passe a reger-se, na matéria, por critérios límpidos e transparentes, de acordo com regras a que todos tenham acesso (em suma, que acabe com a discricionaridade até agora vigente) e que se apure se, nas atribuições já feitas, existem ilegalidades, por forma a pôr-lhes termo, no caso de se confirmarem.
De caminho, bem pode a Câmara de Lisboa pôr à venda o património imobiliário disponível que até aqui tem servido para a prática do compadrio e aproveitar os fundos daí provenientes para pagar as dívidas que, como é sabido, não são poucas.
Tal procedimento é capaz de ser mais avisado do que a ideia de António Costa de fixar a taxa máxima para liquidação do IMI, a menos que a ideia dele seja mesmo a de levar uma banhada nas mas eleições municipais do próximo ano.
Quanto às listas, também se agradece a sua divulgação, logo que ultrapassados os escrúpulos de António Costa, escrúpulos que se espera venham a ser removidos com o parecer da Comissão Nacional da Protecção de Dados. A ver vamos !
(Imagem daqui)

sábado, 4 de outubro de 2008

"Pedintes" é que são ...

A "política" de atribuir casas pertencentes ao património municipal, aos "amigos", que a Câmara Municipal de Lisboa tem seguido ao longo dos anos e no maior sigilo, tem sido objecto de crítica (mais que justa) por parte da comunicação social, sendo certo que o assunto também não tem sido descurado pela "blogosfera". A este propósito, O Jumento e o Der Terrorist, blogues amigos (é assim que são considerados aqui no "Terra dos Espantos") têm-se referido à existência em Lisboa (se tem extensões noutros municípios, como é provável, mais tarde se verá) de uma nova nobreza (republicana, por certo) onde se incluem os beneficiários de favor das casas camarárias. Desta vez e por paradoxal que possa parecer (porque concordo as suas razões) vejo-me forçado a discordar de um e de outro no que respeita ao qualificativo "nobreza". Em boa verdade, o que essas pessoas são, é "pedintes". Podem andar engravatados ou de laço ao pescoço, mas nem por isso deixam de o ser, pois, como é evidente, não foi a Câmara quem andou a distribuir as casas, sponte sua, mas sim a pedido dos interessados. E (acrescente-se) o que é mais grave, é que alguns nem vergonha têm. Não incluo toda a gente porque ainda há quem a tenha, designadamente, os que já entregaram as chaves.
Ser pedinte, em caso de necessidade, não é vergonha nenhuma, embora essa situação seja socialmente pouco dignificante. Mas, tratando-se de "pedintes" que não vivem na miséria e se sujeitam a andar de mão estendida (e, pelo que se tem visto, há uma multidão de gente nessa situação) o caso muda de figura.
Como é bom de ver, só não vê quem não quer!
(Imagem daqui)
(Mensagem reeditada)