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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Demissão imediata: a opção mais fácil, mas a mais perigosa.

A demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa e a do ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes, aquela pedida logo no rescaldo dos incêndios que tiveram início no martirizado concelho de Pedrógão Grande e a do ministro reclamada na sequência do "roubo de armas de Tancos", continuam, pelos vistos, na ordem do dia.
Justifica-se, por isso, que também aqui se escrevam umas quantas linhas sobre o assunto.
Começo por salientar que tendo a concordar com a declaração da ministra da Administração Interna quando ela afirmou que pedir a demissão teria sido para ela a opção mais fácil, afirmação que, estou seguro, o ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes não teria qualquer dúvida em subscrever. Essa opção seria, sem sombra de dúvida, para qualquer deles, a forma mais expedita de se livrarem de todas preocupações relacionadas com os infaustos acontecimentos e ao mesmo tempo o melhor modo de fazer esquecer eventuais responsabilidades. Sabe-se como é: bodes expiatórios sacrificados, culpas expiadas.
Para o Estado e para o país, porém, a demissão imediata dos referidos ministros, tal como vem sendo insistemente reclamada pelos  estridentes líderes do PSD e do CDS, antes de apurados os factos e as correspondentes responsabilidades, seria um erro, visto que não há responsabilidade política sem culpa apurada, a menos que se entenda que a responsabilidade política dos ministros é objectiva, entendimento que não só não tem sustentação nem legal, nem constitucional, como é perigoso. De facto, alargue-se o conceito de responsabilidade política objectiva a todos os titulares dos órgãos de soberania (e, uma vez que se enverede por esse caminho, não haverá forma de parar) e extraiam-se as consequências. Duvido que se encontre melhor forma de decapitar o Estado.
Parece-me que os defensores da demissão imediata não perderiam nada se, por momentos, pensassem nisto.  O país era capaz de ganhar alguma coisa. 

sexta-feira, 6 de março de 2015

"Cidadão imperfeito" ou perfeito irresponsável?

Quando escrevi estas linhas, ainda não conhecia as declarações de Passos Coelho ao semanário  SOL, aproveitadas para apresentar uma nova justificação para as dívidas que andou a acumular perante Segurança Social e o Fisco, durante anos. Em resumo, segundo Passos Coelho, as falhas ficaram a dever-se, umas vezes, a distracção, outras, a falta de dinheiro.
Mesmo fazendo o excepcional favor* de acreditar que Passos Coelho, por uma vez, fala verdade, certo é que as explicações que ele adianta não abonam nada a seu favor, pois o que tais explicações revelam é que Passos Coelho é um cidadão completamente irresponsável. De facto, só alguém sem noção das suas responsabilidades é que, por distracção, teria permitido deixar passar mais de uma década sem ter saldado as suas dívidas para com a Segurança Social. Se o não fez, por falta de dinheiro, o nível de irresponsabilidade não é menor, pois a ser verdadeira a explicação, tal significa, inequivocamente, que Passos Coelho não está sequer à altura de gerir e administrar os seus bens, por forma a evitar chegar ao ponto de não poder solver as suas obrigações para com o Estado.
Se Passos Coelho é incapaz de gerir os seus bens, como poderá ele estar à altura de ser o primeiro responsável pela gestão da res publica? Não está, seguramente, mas não estou a ver a forma de pôr termo a esta situação que, além do mais, nos envergonha perante a comunidade das nações.
Irresponsável como é, Passos Coelho não se demitirá e Cavaco, sobre quem impende, em última instância, a obrigação de velar pelo regular funcionamento das instituições, é mais que certo, atendendo aos antecedentes, que também não tomará a iniciativa de o demitir. Por irresponsabilidade de um e por cumplicidade ou incapacidade de outro, Portugal está num verdadeiro impasse. Infelizmente, de longa duração, pois só daqui a alguns meses é que o povo será chamado a dizer a última palavra. 
Hélas!
(* É mesmo um favor excepcional, porque, por regra, já não acredito numa única palavra do que ele se lembra de dizer.)

quarta-feira, 4 de março de 2015

Rua!

"Passos seguiu o pior caminho", diz agora (e bem) este "artista", que ainda ontem (e mal) subscrevia um texto em que dava uma no cravo outra na ferradura.
Não sei se a mudança de opinião se fica a dever ao facto de a imprensa de referência não ter largado o assunto, se a outra razão qualquer. Seja como for, o "artista" está no bom caminho.
Passos é que, pelos vistos (e é verdade) anda por trilhos nada recomendáveis. Tal não obsta, porém que ainda esteja a tempo de enveredar por vias bem mais direitas. Haja, pois, quem que lhe aponte o melhor caminho que, no caso dele, pressupondo* que o sujeito ainda conserve alguma noção do que seja a decência, só pode ser este: Rua
(*Pressuposto altamente improvável, reconheço.)

Portugal também não é, seguramente, a Alemanha

"Na Alemanha, que Passos Coelho e o seu Governo gostam de apontar como modelo moral, o primeiro-ministro estaria agora a apresentar a sua demissão." (Fonte)

domingo, 16 de novembro de 2014

Avis rara

Concorde-se ou não com as opções e decisões de Miguel Macedo, enquanto ministro da Administração Interna, há que reconhecer, perante o pedido de demissão por ele apresentado, que, no seio deste governo, ele era, afinal, uma autêntica avis rara
De facto, até ao presente, é caso único neste governo. Não se conhece, na verdade, outro que tenha tido a dignidade de se demitir em função de responsabilidades políticas. Ao invés do que é habitual neste governo, Miguel Macedo assumiu as suas que, no caso, decorrem do facto de as relações de proximidade que mantinha com algumas das pessoas abrangidas pela investigação no alegado caso de corrupção na atribuição dos "vistos dourados" poderem afectar a sua autoridade como ministro numa pasta muito sensível a esse nível. Fez bem. A sua atitude, a meu ver, só o honra.
Sublinhe-se, entretanto para finalizar, que esta demissão não pode deixar de ser vista como uma lição para Passos Coelho e que pode, simultaneamente, ser apontada como exemplo a seguir, quer à ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, quer ao ministro da Educação, Nuno Crato, dois casos gritantes de irresponsabilidade política. Consentidos, é claro, pelo irresponsável mor.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Figura de corpo presente

Já vimos que por mais graves que sejam as acusações que recaiam sobre Rui Machete, nem ele se demite, nem o primeiro-ministro o demite, nem o força a demitir-se. Tratando-se de quem se trata, até são compreensíveis tais comportamentos, visto que, até agora, nem um nem o outro deram sinais de se preocuparem com ofensas à ética republicana, ou com a violação dos deveres que incumbem a um governante digno desse nome. Já me admira, no entanto, que, por simples razões pragmáticas, nem um, nem o outro tomem a decisão que há muito se impõe.
Se bem que seja verdade que, para salvaguarda da dignidade do Estado, a demissão já vem tarde, sempre essa demissão poderia ter a virtualidade de criar a aparência de que o governo funciona. Ora, até essa aparência se esfuma, caso Machete permaneça no governo, pois fica à vista de toda a gente que, sendo tantas e tão graves as encrencas em que o ministro Machete se envolveu, não lhe sobra tempo para tratar dos assuntos do ministério a seu cargo.
E sendo este o caso,  o que faz ele ainda no Ministério dos Negócios Estrangeiros?
Diria eu que figura de corpo presente, mas lendo esta peça, sou levado a concluir que é bem pior do que isso.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Trapaceiros

Toda a actuação do governo à volta do enredo dos swaps, a começar na ministra das Finanças, passando pelo secretário de Estado do Tesouro ora demissionário e a acabar no governo como um todo cheira mal, ou, para utilizar uma expressão agora entrada em moda pela mão do ministro Machete e também usada por Joaquim Pais Jorge, cheira a podre.
Vamos por partes:
Como é evidente desde a primeira hora, Maria Luís Albuquerque, então ainda na qualidade de secretária de Estado do Tesouro, ao trazer para a opinião pública o assunto dos swaps tentou, por mais de uma forma lançar o odioso da questão sobre o Governo anterior.  O tiro, porém, acabou por sair-lhe pela culatra, não só porque ela própria subscreveu contratos desse tipo, enquanto responsável financeira duma empresa pública, mas sobretudo porque, uma vez no governo, só tomou conta do assunto, tarde e a más horas,  apesar de avisada em devido tempo, permitindo com a sua inacção que as perdas potenciais associadas aos swaps tivessem duplicado. Daí a enrolar-se numa teia de mentiras e meias verdades foi um passo que a actual ministra das Finanças deu com o á-vontade de quem se julga a coberto de total impunidade. De que, aliás e inexplicavelmente, tem gozado.
(Inexplicavelmente não será bem o termo mais adequado, sabendo-se quem é o primeiro-ministro, mas enfim, passemos adiante.)
Uma vez arvorada em ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque escolheu para  a substituir na Secretaria de Estado do Tesouro a pessoa menos indicada para o cargo, por razões que só ela saberá, sendo, porém, certo que  a escolha Joaquim Pais Jorge, alguém que interveio na tentativa de levar o Governo de José Sócrates a subscrever swaps, com o intuito de mascarar a verdade das contas públicas, não tem explicação possível. E não tem, porque essa tentativa só pode ser qualificada como uma trapaça. E não é pelo facto de a tentativa não ter resultado que os seus autores (a começar pelo banco que a promoveu) deixam de poder ser considerados como trapaceiros. A trapaça só não teve um "final feliz", porque o Governo de José Sócrates não era composto por gente feita da mesma massa.
Não restam hoje dúvidas de que Joaquim Pais Jorge, enquanto director do Citigroup, participou nas reuniões em que o seu banco tentou vender os swaps. Ele próprio o reconheceu, depois de o ter negado durante um dos briefings do Lomba, mas só depois de divulgado pela SIC um documento que atestava a sua presença nas reuniões.
Não obstante não haver já a mínima dúvida sobre a participação de Joaquim Pais Jorge na tentativa de venda ao Governo anterior dos swaps fraudulentos, o actual governo, com a desvergonha que o caracteriza, ousou ainda mais uma manobra para manter Pais Jorge no governo, vindo a público alegar que o documento que comprometia o demissionário secretário de Estado tinha sido manipulado. Sabe-se hoje (a SIC tornou público o facto, há momentos) que não existe qualquer manipulação de documentos, pois o que acontece é que existem, pelo menos, dois documentos: um na presidência do Conselho de Ministros (aquele a que a SIC tinha tido acesso) e um outro no IGCP (o invocado pelo governo para justificar a pretensa mistificação).
Seja como for, a manobra que o governo tentou levar a cabo, sabendo a verdade dos factos, só pode ser vista como mais uma tentativa de trapaça que só não resultou, porque o próprio Pais Jorge, não tendo suportado durante mais tempo a pressão vinda de todos os lados, incluindo até da parte de militantes do PSD, acabou por se demitir, apesar de estar, no que respeita a trapaças, entre gente à sua altura.
Fê-lo, porém, em termos que não abonam  nada  a seu favor. Ao invocar como razão da demissão não o seu envolvimento e a sua responsabilidade na tentativa de venda dos swaps fraudulentos, mas a sua falta de "tolerância para a baixeza" com que o assunto foi tratado, revela que não aprendeu nada e continua a ser o que foi.
A baixeza (e a podridão de que também fala), não estão do lado de quem denuncia os factos, mas sim do lado de quem pratica os actos.
Estes, sim, dizem, claramente, onde mora  a podridão.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Acabou antes de começar...

... o "novo ciclo". 
A remodelação ainda não está completa e o governo "recauchutado" já tem um novo caso Relvas na pessoa da nova ministra das Finanças, cuja falta de credibilidade e de fiabilidade pede meças à do ex-ministro Miguel Relvas.
A gravidade do comportamento da ministra das Finanças, com as suas repetidas mentiras sobre a questão dos swaps não é menor. Antes pelo contrário. O paralelo entre os dois casos não se fica, porém, pela gravidade do caso. Também o comportamento de Passos Coelho é idêntico,  ao vir reafirmar a sua confiança na ministra. Provavelmente, o desfecho não será muito diferente. A Relvas de nada valeu a renovação da confiança por parte de Passos Coelho, pois acabou por ser removido do governo e a Maria Luís Albuquerque não está reservado outro destino, pois que não é só a oposição a exigir a sua demissão. Mesmo vozes conotadas com a direita entendem que  "A história é grave a ministra sai mal dela. E agora só tem mesmo uma saída: abandonar o Governo ou deixará ao primeiro-ministro o ónus de a afastar".
Diga-se que, ainda que este caso não tivesse surgido, nunca seria legítimo falar de um "novo ciclo". De facto, o primeiro-ministro é o mesmo e a remodelação não significa que ele tenha passado por uma qualquer "pia baptismal" para remoção dos seus pecados que, contando só os originais, são dois: Passos Coelho continua a ser a mesma pessoa que diz uma coisa e faz outra e que, de tão servil perante a troika, não hesitou em ir além do exigido pela mesma troika, com as consequências irreparáveis que até o ex-ministro Gaspar acabou por reconhecer na sua carta de demissão.
Visto isto e voltando à ministra das Finanças de que lhe pode servir a renovada confiança de Passos Coelho, se este pode ser tudo e mais alguma coisa (até primeiro-ministro, pelos vistos) mas digno de confiança é que ele não é?
Se ele a não tem, como é que a pode dar?

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Os dias contados

Quando um jornal como o "Público" escreve em editorial que "O Governo tornou-se uma vergonha ambulante" e que "se continuar será um factor de instabilidade", é sinal de que o governo de Passos & Portas tem os dias contados.
Se os líderes dos dois partidos da coligação governamental tivessem em alguma conta o interesse nacional e a credibilidade externa do país, Passos, em vez de se agarrar ao poder com os braços que já não tem, teria, de imediato, pedido a sua demissão de primeiro-ministro, seguindo o caminho deixado aberto pela demissão de Paulo Portas. De facto, é hoje evidente que, quaisquer que sejam os remendos deitados no pano roto, a credibilidade, a legitimidade e a autoridade deste governo estão definitivamente postos em causa.
Espera-se, por isso, em nome do interesse nacional e da credibilidade externa do país, que Cavaco não volte a dar a extrema-unção a este governo moribundo. Se insistir em manter o governo (remendado ou não) em funções, só estará a contribuir para lhe prolongar a agonia. Com consequências desastrosas para o país, consequências, que, de resto, estão já bem à vista.

terça-feira, 2 de julho de 2013

O pântano

Quem se tenha dado ao penoso trabalho de ouvir a declaração de Passos Coelho motivada pelo demissão de Paulo Portas não deve ter ficado com muitas dúvidas sobre a sanidade mental do ainda formalmente primeiro-ministro dum governo que, de facto, já não existe. O "rapazola" entrou definitivamente em estado de negação. 
Para Passos Coelho, pelos vistos, há já sinais de que o país vai no bom caminho e ele está pronto a tudo fazer para se manter em funções e para dar continuidade à política em que já ninguém acredita, nem os seus ministros, como resulta, com meridiana clareza, dos pedidos de demissão dos únicos ministros de Estado do governo, Gaspar e Portas.
Certo é que, não tendo Passos Coelho tirado as devidas consequências do pedido de demissão de Paulo Portas, o país vai entrar num período de turbulência com consequências gravíssimas.
Pesa sobre Cavaco a responsabilidade de pôr termo a esta situação pantanosa. Por muito que ele se escude sob a alegação de que o governo não depende politicamente da Presidência da República, certo é que é ao PR que cabe assegurar o regular funcionamento das instituições e este está manifestamente em causa. Não pode Cavaco continuar a lavar as mãos como Pilatos. A gravidade da situação não lho consente. Acho eu.

Coelho ou rato?

A carta de demissão que ex-ministro Gaspar, num gesto inédito, tornou pública, pode, sem necessidade de grande esforço interpretativo, ser vista como uma estocada no debilitado  e "impreparado" Coelho. e na sua liderança. Há quem estranhe que, perante  a virulência, ainda que camuflada, do ataque, se não tenha ouvido uma palavra de Passos Coelho e que este se mantenha calado que nem um rato.
Ainda haverá quem tenha dúvidas sobre a espécie a que pertence o (ainda) primeiro-ministro?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Em desespero de causa

Não vale a pena disfarçar o que é mais que evidente: a demissão de Gaspar representa, nem mais nem menos, do que o completo reconhecimento do seu próprio falhanço no cumprimento das metas acordadas com a troika e, bem entendido, o falhanço da política de austeridade prosseguida pelo governo, na medida em que era sob a sua batuta que se regia a orquestra desafinada, formalmente liderada pelo "impreparado"  Passos  Coelho.
Tendo em conta que o seu pedido de demissão já não é recente, tal significa que Gaspar há muito tinha consciência desse falhanço. Estranhamente, só Cavaco Silva, entretanto transformado em simples marioneta manipulada por Passos, (como se se viu recentemente com o caso da promulgação ultra-rápida da lei que protelou o pagamento do subsídio de férias dos funcionários públicos, dos reformados e pensionistas, para o mês de Novembro) é que ainda não se apercebeu disso. 
Que Cavaco vai continuar a esconder  a cabeça na areia para não ver o que se passa, tenho poucas dúvidas. Melhor dizendo, nenhumas.Será  que Portas vai continuar a fazer o mesmo?
É que se a saída de Gaspar do governo acaba por  ser reveladora da decomposição a que o actual executivo governo chegou, a escolha da pessoa encarregada de o substituir (Maria Luís Albuquerque) torna ainda mais claros os sinais da decomposição.
Como é evidente, a "ilustre" secretária de Estado do Tesouro, agora, estranhamente, promovida a ministra das Finanças, deveria, se neste governo existisse um réstia de decência, ter seguido o mesmo caminho que o trilhado por dois dos seus colegas de governo, responsáveis, tal como ela, pela contratação de swaps, caminho que só poderia ser o do olho da rua. A qualificação eufemística ("exóticos", por contraponto a "tóxicos") atribuída aos swaps em que ela interveio em nada modifica o julgamento, porque, substancialmente, não se consegue enxergar qualquer diferença.
Mas, o que torna esta nomeação ainda mais inverosímil, para não dizer inconcebível, é o facto de a "excelente senhora" ter acabado de ser desmentida pelo ex-ministro Gaspar em relação a firmações feitas por ela no Parlamento ao negar que o Governo anterior tivesse prestado a informação de que dispunha sobre swaps. Passos Coelho não escolheu seguramente a pessoa indicada para tomar conta do Ministério das Finanças, mas, ao que tudo indica, encontrou uma sucessora à altura de Miguel Relvas no que respeita ao tratamento da verdade a que o Parlamento tem direito.
Pelo que fica dito, a nomeação da nova ministra das Finanças tem todos os ingredientes de um verdadeiro escândalo, para o qual só vejo uma explicação: Coelho não encontrou, por certo, nenhuma personalidade com perfil e credibilidade que aceitasse ser ministro/a das Finanças de um governo em decomposição. Por isso, Maria Luís Albuquerque tem de ser vista como uma escolha em desespero de causa.

sábado, 6 de abril de 2013

Oxalá!

Acaba de ser anunciado, após a reunião do Conselho de Ministros em que foram analisadas as consequências do chumbo de algumas normas da Lei do Orçamento pelo Tribunal Constitucional, que Passos Coelho pediu uma reunião de urgência a Cavaco Silva.
Quem me diz a mim que ainda hoje vamos ter razões para comemorar o fim da Comissão Liquidatária (vulgo: governo) liderada pelo dito Coelho.
Oxalá!
Adenda:
Parece que ainda não é desta, mas não deve tardar. Por ora, o patrono não deixa. Pelos vistos, Cavaco ainda não se apercebeu de que quanto mais tarde pior.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A demissão de Relvas

Se a anunciada demissão do ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, só peca por tardia, por razões sobejamente conhecidas, não é menos verdade que, com a saída de Relvas, o governo de Passos Coelho não fica menos fragilizado do que já estava. Se, do ponto de vista ético, a manutenção de Miguel Relvas era, de há muito, insustentável, também era voz corrente que Relvas era o braço direito do  primeiro-ministro Passos Coelho que, se "impreparado" já era, mais desamparado fica. E, com ele, naturalmente todo o governo que, não tendo caído com a moção de censura, se vai, no entanto, esboroando cada vez mais aceleradamente.
Mais um abanão, e cai. Haja esperança.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Favor duplo

Não sei se é verdade ou mentira a notícia posta a circular pelo "Público", segundo a qual "o primeiro-ministro  admitiu, na passada terça-feira, perante o seu núcleo duro, na última reunião da Comissão Permanente do PSD, que tem receio de que o Governo não chegue ao fim da legislatura por não conseguir encontrar alternativas para as medidas que o TC  possa vir a chumbar".
A ser verdadeira, e caso se venha a concretizar-se a hipótese de demissão do governo passista, se o  Tribunal Constitucional (TC) vier efectivamente a declarar, não obstante as indecorosas pressões de Coelho, que todas ou algumas das normas do Orçamento do Estado submetidas à sua apreciação estão feridas de inconstitucionalidade, dois favores ficam os portugueses a dever ao TC: desde logo, como é do seu estrito dever, a reposição da legalidade constitucional que este (in)executivo tem vindo sistematicamente a violar. Mas, a verificar-se a hipótese de demissão, a decisão, neste caso, trar-nos-ia o bónus de nos vermos livres duma das "pragas" que está a destruir o país. Infelizmente, não será tão fácil desfazer-mo-nos  da "praga" que, em tal caso, restará.
Ao contrário de muita gente não receio, nem por um segundo que seja, as consequências da queda deste governo, porque, a meu ver, qualquer solução que o futuro possa trazer no bojo, nunca poderá ser pior do que a actual.

segunda-feira, 18 de março de 2013

O prolongamento da agonia

O Prof. Freitas do Amaral apareceu hoje a defender "que a melhor solução para Portugal, neste momento, era outro governo da atual maioria, sem eleições, mas com outro primeiro-ministro, escolhido, naturalmente, pelo PSD", declarações que, a meu ver, são mais um sinal de que este governo tem os dias contados.
Pese embora o muito respeito que às vezes me merecem as opiniões de Freitas do Amaral, em contraponto a muitas outras que não me merecem respeito nenhum, a verdade é que a solução por ele proposta mais não seria do que um prolongamento da actual agonia. 
Isto porque tal solução enfrenta uma dificuldade de tomo. Onde é que Freitas do Amaral encontra no PSD alguém com peso político que não esteja comprometido com as políticas de Passos Coelho, Gaspar & Portas e a quem o povo reconheça credibilidade e capacidade para iniciar uma nova política?
O soba madeirense, Dr. Alberto João Jardim, o primeiro a alvitrar aquela solução, ou Drª Manuela Ferreira Leite que, na verdade, tem mantido alguma distância em relação ao actual executivo? Rio-me.
Ou será Rio?

Com paninhos quentes não vamos a lado nenhum

A demissão do "impressionante" e "inconcebível" ministro "astrólogo" Vítor (Falhar) Gaspar, agora reclamada por pessoas de todos os quadrantes, é o mesmo que tratar uma doença grave com paninhos quentes. A verdade é que o responsável pela política de austeridade "custe o que custar" e do "empobrecimento" não é Gaspar, mas o primeiro-ministro Passos (Falhar) Coelho. A doença que afecta o país só se cura com a demissão deste governo. E ponto final.
Nem se diga que a queda do governo geraria uma grave crise política. Tomando as palavras de Pedro Marques Lopes (aqui) também eu pergunto: "Mas há maior crise política do que manter em funções um Governo que pelas suas próprias decisões políticas nos trouxe até aqui? Há maior crise política do que manter um Governo que ainda pensa que este caminho é o certo? "
E tal como Pedro Marques Lopes também concluo, usando de novo as suas palavras: "Manter tudo como está, essa, sim, será uma colossal crise política."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

"Cá se fazem, cá se pagam"


Também há quem lamente que o primeiro-ministro Coelho e o seu amigo Relvas ainda não tenham compreendido que este governo não tem condições para continuar em exercício, por falta de legitimidade. Que, do meu ponto de vista, nunca teve, pois acedeu ao poder com base numa campanha que, no mínimo, tem de ser considerada fraudulenta. Dito ainda de outro modo, a ver se Coelho e Relvas, o mais recente "pensador", são capazes de entender, supondo que têm razoável memória : "cá se fazem, cá se pagam."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Cavaco, escuta!

Se Cavaco Silva persistir em cobrir, com o seu silêncio e inacção, o desastre provocado pela governação da Comissão Liquidatária liderada pelo primeiro-ministro Coelho, desastre bem evidenciado pelos números ontem e hoje divulgados pelo INE (taxa de desemprego de 16,9%, no final do 4º trimestre de 2012 e recessão de 3,2% no ano transacto), suspeito que o ocupante do Palácio de Belém terá toda a vantagem em começar a levar a sério os apelos, em geral, bem humorados, surgidos nas redes sociais, pedindo-lhe para renunciar, seguindo o exemplo do Papa Bento XVI.
Seguindo-lhe o exemplo (a sério) Cavaco já nunca evitará ser tido na conta de um "pequeno" presidente da República, mas ainda pode evitar ficar para a história com não mais do que um presidente da clique que está a conduzir o país para a miséria. Ou, o que será pior, para uma tragédia, pela qual, um dia, também ele será responsabilizado, por não ter demitido este (des)governo. E começam a ser escassas as condições para o fazer em tempo útil. É o que eu acho. A sério.