Mostrar mensagens com a etiqueta estado policial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta estado policial. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O reforço com efeitos imediatos






O ministro da Administração Interna veio louvar a actuação da polícia, logo pouco depois dos incidentes ocorridos, ontem, frente à Assembleia da República. O louvor não surpreende, pois corresponde ao habitual em idênticas situações. Acresce que, no caso, o ministro tem uma razão suplementar para estar satisfeito, pois teve oportunidade de constatar que o anunciado reforço de verbas para as forças de segurança teve o efeito de se repercutir de imediato no vigor das bastonadas.
Vistas as coisas pelo lado do cidadão comum, já a história é outra. De facto, a actuação da polícia foi tudo menos louvável. Ao invés, é duplamente criticável: excedeu-se, por um lado, na paciência com que suportou o activismo e as provocações de duas ou três dezenas de arruaceiros que, tendo em conta o números de agentes policiais no local, poderiam ter sido facilmente neutralizados e, por outro, excedeu-se na brutalidade da carga sobre a maioria dos que se manifestavam no local de forma absolutamente pacífica.
As imagens supra ( pescadas aqui) e as que foram vistas, transmitidas pelas televisões, assim o atestam e são corroboradas pelo testemunho a seguir publicado (repescado daqui)

"AQUILO QUE HOJE SE PASSOU, DO PONTO DE VISTA DE UM MANIFESTANTE PACÍFICO:
Para que não vinguem as mentiras da Administração Internas aqui têm o meu relato do que realmente se passou em frente à assembleia.
Sim, é verdade que cerca de 20 a 30 pessoas passaram mais de uma hora a atirar petardos, pedras e garrafas à polícia. Por essa razão, os outros 99% de CIDADÃOS PACÍFICOS mantiveram a devida distância, para nem serem confundidos nem fazerem parte da acção de alguns animais. A certa altura, as pessoas perceberam que algo se estava a passar. Demasiadas movimentações de polícia na Assembleia demasiado organizadas.
Cá em baixo, numa das laterais um grupo de polícia à paisana abandona rapidamente a manifestação. Mais tarde, as televisões diriam que as pessoas foram avisadas para dispersar. Cá de baixo, posso-vos dar uma certeza, nenhuma pessoa com uma audição normal ouviu um único aviso.
A polícia disparou cerca de 4 a 6 petardos pela manifestação e carregou. Como estávamos todos bem afastados, os CIDADÃOS PACÍFICOS não fugiram. Mas quando vi um pai a fugir com o filho no colo e a levar bastonadas percebi que quem estava atrás das viseiras já não eram pessoas.
Fugimos, mas por mais rápidos que tentássemos ser, eram pessoas a mais para conseguirem ser mais rápidas que a polícia. Felizmente não recebi carga, infelizmente porque atrás de mim tinha um escudo humano a tentar fugir. Ao meu lado, um senhor tentava fugir com a mulher de cerca de 50 anos, que chorava com a cara cheia de sangue. Não, esta senhora não levou com pedras dos manifestantes. Esta senhora estava cá atrás. Esta senhora levou com um cassetete.
Fugimos para uma rua afastada, onde pensávamos estar todos seguros e mostrar à polícia que não queríamos estar na confusão, nós os CIDADÃOS PACÍFICOS. Nada nos valeu, pois a polícia perseguiu as pessoas pelas várias ruas em redor da Assembleia, carregando em todos. O que me safou foi uma porta aberta de um prédio, onde me refugiei com mais 8 CIDADÃOS, incluindo jornalistas da Lusa. O que lá fora se passava era incrível. Uma senhora de idade que chegava a casa tentava entrar no seu prédio mas a polícia gritava-lhe para que descesse a rua.
Só mais de 30 minutos depois conseguimos sair e o que mais me impressionou foi a quantidade de sangue que havia pelos passeios, bem longe da Assembleia.
NÃO ACREDITEM EM MENTIRAS. ERA POSSÍVEL NÃO TER PERSEGUIDOS CIDADÃOS PACÍFICOS QUE FUGIAM POR RUAS AFASTADAS MAIS DE 200 METROS DA ASSEMBLEIA.
Mesmo quando estava “barricado” no prédio, mesmo com a porta fechada tive, pela primeira vez, muito medo da polícia.
O que sinto agora não é nem raiva, nem revolta. É um vergonha enorme e uma imensa e profunda TRISTEZA.
É assim que se tira a vontade ao povo civilizado de se manifestar. Tira-se-lhe a esperança.
"

Diria, em jeito de conclusão, que, com esta actuação da polícia, os alicerces da "refundação" ficaram ainda mais à vista. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Estão à vista os alicerces da "refundação"



Está à vista o início da "refundação" do Estado prometida por Passos Coelho. 
Como qualquer outra "refundação", também a promovida por este governo passa pela destruição do que existe (neste caso, o Estado social) e pela construção de algo de novo que, tendo em conta os primeiros alicerces (o reforço em 10,8% das verbas destinadas às forças de segurança, tendo como contrapartida, cortes em todas as restantes áreas da governação) só pode ser a construção dum Estado policial.
Os números são tão expressivos que não dá para enganar. Aliás, se dúvidas houvesse, temos a palavra do ministro que tutela as forças de segurança (o da Administração Interna) a confirmar que esse é o caminho. Legal ou não, que disso não cura um ministro da Administração Interna, num Estado policial, "as forças de segurança vão continuar a utilizar câmaras de vídeo portáteis para monitorizar as manifestações sempre que necessário" dispensando-se de "fundamentar essa utilização junto da Comissão Nacional de Protecção de Dados".
Num Estado "refundado" à moda deste governo, o respeito pela Constituição e pela lei não passa dum dispensável preciosismo. Como, aliás, se tem visto.
(Imagem daqui)

domingo, 4 de dezembro de 2011

A caminho do Estado policial?

"Esta foto foi tirada esta terça-feira à tarde em São Bento pelo deputado do PCP, António Filipe, que a publicou no seu facebook. Em frente ao Parlamento manifestavam-se umas largas centenas, talvez mil estudantes do ensino superior. E para tamanha multidão a PSP deslocou o que se vê na imagem: 20 viaturas estacionadas defronte do edifício, mais umas quantas visíveis na rua em frente, sabe-se lá quantos escondidos no jardim de São Bento." 
(A reprodução da fotografia e o texto supra é do Miguel Marujo. O texto completo pode encontrá-lo no Cibertúlia)
Perante os indícios que se vão acumulando, em relação à pergunta em título, que cada um tire as suas conclusões. A resposta, em todo o caso, parece-me óbvia: se se desmantela o Estado social, é evidente  a necessidade de criar um Estado policial.