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quinta-feira, 12 de maio de 2016

"Um preâmbulo penoso"

"A SIC inaugurou a sua nova fórmula de entrevistas. Recebe longamente o futuro entrevistado e, depois, leva-o para um corredor, para a entrevista. Ontem, entrevistador, José Manuel Mestre, um experimentado jornalista, com microfone na mão; entrevistado, António Costa, primeiro-ministro. Ambos de pé. Ao fundo do corredor, uma acompanhante do primeiro-ministro espreitava, saía e regressava ao cenário. Interessante o elemento inovador: o entrevistado traz um acompanhante e, pela impaciência deste, sabe-se que a entrevista está, ou não, prestes a acabar. Poupa-se em relógios. A conversa, entretanto, flui entre o entrevistador e o entrevistado, o Mestre e o Costa. Aí, a coisa já decorre de forma ortodoxa - um pergunta, o outro responde, como acontece nas entrevistas. O ambiente era de tal modo de conversa que António Costa até se permitiu dizer para o entrevistador, no início da entrevista: "Não quero estimular a concorrência entre si e o José Gomes Ferreira." O entrevistado lembrou, assim, outro insólito nesta variante inovadora da SIC: momentos antes, o tal Ferreira serviu para fazer a transição entre a chegada do entrevistado e a entrevista propriamente dita. Ambos sentados, Ferreira dizia coisas, sorria, com subentendidos que ele lá sabe, e, quando o Costa ia a responder, dizia que não havia tempo e punha nova pergunta. Se a SIC tirar essa parte inicial, penosa e sentada, a nova fórmula de entrevistas de pé até pode ser interessante.
(Ferreira Fernandes: "SIC, um preâmbulo penoso")

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Uma história (nada) edificante

A ler :" Estado não cumpre e assobia para o lado", por Afonso Camões.
Ler para crer até que extremos vai o jornalismo de sarjeta e até que ponto a honra dum cidadão pode ser manchada por um tablóide, sem a mínima justificação, perante a indiferença da procuradora-geral da República. 
Por esta e por outras não é difícil concluir que a Justiça em Portugal já conheceu bem melhores dias. E, por sinal, o país também.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A doença e a consequência

"Agora, devagarinho. Esta crónica não é sobre Sócrates. Aliás, a de ontem também não. Esta crónica é sobre uma doença mental. E a de ontem também. Esta semana, Sócrates falou, como tanta gente, sobre Eusébio e "eu". Não disse nada de empolgante: que foi na escola que ele comemorou, tinha 8 anos, o jogo Portugal-Coreia do Norte. Sobre o âmago do assunto, Eusébio, li muito melhor. Na caixa de comentários do Guardian, um leitor lembrou a história que o seu pai sempre contara: que, em miúdo, vira o Eusébio no estádio de St. James" Park, em Newcastle, jogar de luvas, "era a primeira vez que via neve", e marcar um belo golo de livre. No domingo, o filho disse ao pai que o "grande homem" morrera. Então, o pai repetiu a história e os por-menores. Ora, no ano passado, o Benfica jogou com o Newcastle e o filho soube que o Benfica e Eusébio nunca tinham estado em St. James" Park. No domingo, o filho rematou: "Não tive a coragem de dizer ao meu pai a verdade." Ele escreveu heart, que em inglês quer dizer, além de coragem, coração. Reparem, ele não cobrava ao pai a inverdade, o pai baralhara memórias, como tantas vezes fazemos às antigas e por vezes às mais queridas. José Sócrates não baralhou a memória, o essencial do que disse já se confirmou - alguns garotos da Covilhã iam para o pátio da escola mesmo aos sábados e nas férias. O problema aqui não é Sócrates e o seu testemunho vulgar. O problema foi o alarido sobre esse nada. Esse nada, nada. Cometeram-no um diretor de jornal, um eurodeputado, blogues e o jornal mais vendido, patrulhando uma memória velha de 47 anos do que aconteceu a um miúdo de 8. Mesmo se ele se tivesse enganado merecia só um sorriso. A sanha persecutória, essa, sim, é doentia. Aliás, ela é a doença. Uma obsessão. Há três anos, ela diabolizou um lado a ponto de ter impedido o que era então necessário e o Presidente diz, só agora, ser necessário: um esforço conjunto para combater a crise. A doença já nos cegou uma vez. E a minha memória é exata."
(Ferreira Fernandes; "Sobre a doença"; in DN. Sublinhado meu)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

"Rola-bosta"

A propósito da notícia do CM sobre os cartões milionários na Defesa, e do subsequente Esclarecimento do ex-ministro Augusto Santos Silva, já ontem publicado neste blogue, Ferreira Fernandes, escreve hoje, no DN  mais um texto, a vários títulos, notável e que bem merece divulgação. Este:

"Um político com crédito

Há um Santos Silva banqueiro (Artur) e um Santos Silva ex-ministro (Augusto), e foi naturalmente a este que se passou cartão porque o assunto era achincalhar: "Cartões milionários na Defesa", titulou o Correio da Manhã. O Santos Silva não milionário, afinal, era-o... O ministro da Defesa do último Governo tinha dez mil euros de plafond!, gritou o jornal, tão alto quanto o teto do cartão bancário. O CM tem a mais apurada pituitária dos jornais, se fosse escaravelho haveria de se chamar rola-bosta, quem gosta fica bem servido. E assim lá houve mais um episódio de indignação esganiçada. Tudo normal, não fosse o tal Santos Silva não ser dos políticos que quando há suspeitas sobre as suas contas se negam a divulgá-las. A contracorrente do que é norma, o Silva do teto alto, em vez de deixar a suspeita assentar e esquecer, espevitou-a. É certo que começou por dizer, o que podia ser mero truque para protelar a explicação, que do cartão de serviço só gastara em serviço. Oh filho, os fãs do rola-bosta querem é saber se bebeste Petrus à custa do povo... Mas não, o Silva do cartão não estava a protelar coisa nenhuma, tirou a coisa a limpo e exigiu que o Ministério da Defesa tornasse público o que gastara. E ontem soube-se: nos 20 meses em que foi ministro, do seu cartão super-hiper de dez mil euros, Augusto Santos Silva gastou uma média de 147,72 euros mensais. Deixa-me fazer contas: dez mil, manchete; 147 euros, deve dar duas linhas."

(O CM fez hoje questão, como faz diariamente, de não deixar os seus créditos de "rola-bosta" por mãos alheias. É verdade que a "bosta" de hoje já está mais do que ressequida, tantas são as voltas que o CM já deu nela e com ela, mas não deixa de ser "bosta" e de continuar a exalar o fedor próprio da espelunca.)
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(À cautela, não vá dar-se o caso de o fedor também se difundir por via electrónica, vou já tomar banho)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quantos banhos ?


Perante este esclarecimento do ex-ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, por ele publicado no Facebook e a seguir reproduzido na íntegra ...

‘Já disponho da informação relevante relativamente ao assunto de que o "Correio da Manhã" fez manchete na passada terça-feira, dia 21 de fevereiro de 2012, sob o título "Cartões milionários na Defesa" e com a minha fotografia.

    Tenho dois factos para divulgar e três comentários a fazer.

    Os factos:

    1. O total de pagamentos efetuados com o cartão de crédito que utilizei como ministro da Defesa foi de 2.954,39 euros (dois mil, novecentos e cinquenta e quatro euros, e trinta e nove cêntimos). Considerando que estive 20 meses nesse lugar, isto dá uma média mensal de 147,72 euros (cento e quarenta e sete euros, e setenta e dois cêntimos).

    2. Os esclarecimentos que entretanto obtive tornaram firme no meu espírito a convicção de que na origem da "notícia" do CM está apenas a agenda político-mediática deste jornal. Na sequência do recente trânsito em julgado de um processo movido pela Associação Sindical dos Juízes ao anterior governo, os ministérios encontram-se obrigados a fornecer este tipo de informações.

    Agora os comentários:

    3. Agradeço ao Ministério da Defesa, na pessoa dos seus mais altos responsáveis, a celeridade com que me facultou a informação que solicitei, compreendendo a sua relevância para a defesa da minha honra pessoal e, na minha modesta opinião, também para a defesa da dignidade institucional das funções que tive o privilégio de exercer.

    4. Acredito que os dados que agora divulgo serão suficientes para esclarecer a dúvida que vi ainda persistir, naturalmente, na mente de pessoas que de boa fé comentaram este caso: perceberão melhor que, tendo eu consciência, não do valor exato, mas da ordem de grandeza dos pagamentos que fazia com o cartão de crédito, não me preocupasse minimamente em averiguar qual o valor do seu "plafond".

    5. É possível debater estas questões fora do círculo da demagogia populista. O que interessa é o valor global das despesas dos gabinetes dos membros do Governo, qualquer que seja o meio de pagamento usado (numerário, cartão, cheque, transferência, etc.). Este valor é documentado, despesa a despesa, por quem a faz. É certificado, despesa a despesa, pela secretaria-geral do ministério respetivo. É escrutinado politicamente pelo Parlamento e financeiramente pelo Tribunal de Contas. O seu valor anual consta das leis do Orçamento e dos relatórios de execução orçamental. É conhecido publicamente e regularmente objeto de notícias da imprensa.’

...não posso deixar de plantar aqui uma pergunta dirigida aos membros da direcção e da redacção do "Correio da Manha": quantos banhos tomam antes de regressarem às vossas casas até conseguirem libertar-se do fedor que se respira na espelunca?

(o bold e o link deixados supra são da minha responsabilidade.)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Com os óculos do "Correio da Manha"

Quem ler, no "Correio da Manha", esta parangona - IRS dá bónus à Função Pública -  que serve de título à notícia sobre as novas tabelas de retenção do IRS, há-de julgar que o Gaspar está a usar dalguma espécie de "generosidade" em benefício dos funcionários públicos (e dos pensionistas, acrescento eu) pelo facto de não incluir no cálculo das retenções os subsídios de férias e de Natal que, efectivamente, não vão receber.
Grande favor! 
Melhor fora, digo eu, que para além de serem esbulhados dos subsídios, os funcionários públicos e os pensionistas ainda tivessem que pagar pelo que não recebem. Pelos vistos, para o "Correio da Manha", isso seria normal.
Já o facto de as tabelas de retenção representarem realmente um agravamento, quer para o sector privado, quer para o sector público e pensionistas não merece mais que um subtítulo, só visível à lupa - Impostos: Sector privado penalizado com subidas de 2% nos escalões - e ainda assim incorrecto.
A forma como o "Correio da Manha" trata a questão mostra bem, qualquer que seja o ângulo de análise, que o "jornal do crime" é um caso jornalismo lambe-botas difícil de bater. Com os óculos da direcção do "Correio da Manha", até o rapace Gaspar passa por "generoso".
(reeditada)