A "política" de atribuir casas pertencentes ao património municipal, aos "amigos", que a Câmara Municipal de Lisboa tem seguido ao longo dos anos e no maior sigilo, tem sido objecto de crítica (mais que justa) por parte da comunicação social, sendo certo que o assunto também não tem sido descurado pela "blogosfera". A este propósito, O Jumento e o Der Terrorist, blogues amigos (é assim que são considerados aqui no "Terra dos Espantos") têm-se referido à existência em Lisboa (se tem extensões noutros municípios, como é provável, mais tarde se verá) de uma nova nobreza (republicana, por certo) onde se incluem os beneficiários de favor das casas camarárias. Desta vez e por paradoxal que possa parecer (porque concordo as suas razões) vejo-me forçado a discordar de um e de outro no que respeita ao qualificativo "nobreza". Em boa verdade, o que essas pessoas são, é "pedintes". Podem andar engravatados ou de laço ao pescoço, mas nem por isso deixam de o ser, pois, como é evidente, não foi a Câmara quem andou a distribuir as casas, sponte sua, mas sim a pedido dos interessados. E (acrescente-se) o que é mais grave, é que alguns nem vergonha têm. Não incluo toda a gente porque ainda há quem a tenha, designadamente, os que já entregaram as chaves.Ser pedinte, em caso de necessidade, não é vergonha nenhuma, embora essa situação seja socialmente pouco dignificante. Mas, tratando-se de "pedintes" que não vivem na miséria e se sujeitam a andar de mão estendida (e, pelo que se tem visto, há uma multidão de gente nessa situação) o caso muda de figura.
Como é bom de ver, só não vê quem não quer!
(Mensagem reeditada)