quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Se não flutua, ou encalha, ou se afunda

"O barco é lindo, mas não flutua", um escrito de Nicolau Santos, cuja leitura se recomenda.
 Para abrir o apetite, aqui fica um extracto: "A chanceler alemã, Angela Merkel, não se coibiu nos elogios à receita que o Governo está a aplicar, resumida na fórmula, primeiro austeridade, depois crescimento. E o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Junker, disse estar muito impressionado pelo nosso enorme ajustamento orçamental.
Acontece que, no mesmo dia, a agência Fitch manteve com a classificação de "lixo" os títulos de divida pública nacional, devido à incerteza sobre a execução do Orçamento do Estado para 2013, que se encontra "fortemente dependente das receitas".
Ainda no dia 12, a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa a cinco anos subiu para o quinto lugar no clube dos dez países principais candidatos a uma bancarrota, ultrapassando a Venezuela.
E sabe-se agora que o Governo vai assumir perante a troika que falhará a meta do défice para este ano, que já tinha sido corrigida de 4,5% para 5%. Para poupar no latim, podia acrescentar desde já que vai falhar também os défices de 2013 e 2014".

Se o barco não flutua, digo eu, das duas, uma: ou encalha, ou se afunda. E, perante os números relativos ao aumento do números de desempregados e ao agravamento da queda da economia portuguesa, disponibilizados pelo INE (v. aqui e aqui) é mais que certo que o barco se está já a afundar.

Dois fura-greves

Este :













e este:














Não questiono que assiste a qualquer deles o direito de trabalharem em dia de greve geral. No entanto, não restando dúvidas de que o trabalho de um e de outro, mais que improdutivo, é negativo, como o atestam  estes dados sobre o aumento do desemprego e sobre a queda da economia, o país (por mim, falo) agradecia que largassem os actuais locais de trabalho e que fossem trabalhar para outras bandas. Ou que fossem descansar, que a mim tanto me faz, desde que desapareçam do palco.
(Imagens daqui e daqui)

De mal a pior (II)



"De acordo com os dados publicados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de desempregados em Portugal (seguindo os critérios adoptados pelo INE) ascendeu, durante o período de Julho a Setembro deste ano, a 871 mil pessoas. Houve uma subida de 181 mil face a igual período do ano passado e de 44 mil face ao segundo trimestre do ano.

A taxa de desemprego passou de 15% no segundo trimestre para 15,8% agora. No terceiro trimestre de 2011 este indicador estava em 12,4%."

(Imagem e citação daqui)

De mal a pior (I)


Os dados do INE não deixam dúvidas:
"O Produto Interno Bruto (PIB) português caiu 3,4% no terceiro trimestre de 2012 em relação ao mesmo período do ano passado. É a maior quebra homóloga desde o início da recessão na economia portuguesa.
Nos meses de Julho, Agosto e Setembro a recessão agravou-se ainda mais, superando a quebra homóloga de 3,2% que se tinha registado no segundo trimestre deste ano e que já era a maior desde o início da crise."
(Imagem e citação  daqui)

Que não faltem pedras aos alicerces!

Destaque: "Portugal é terceiro com mais polícias na Zona Euro".
 Isto a propósito disto.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Estão à vista os alicerces da "refundação"



Está à vista o início da "refundação" do Estado prometida por Passos Coelho. 
Como qualquer outra "refundação", também a promovida por este governo passa pela destruição do que existe (neste caso, o Estado social) e pela construção de algo de novo que, tendo em conta os primeiros alicerces (o reforço em 10,8% das verbas destinadas às forças de segurança, tendo como contrapartida, cortes em todas as restantes áreas da governação) só pode ser a construção dum Estado policial.
Os números são tão expressivos que não dá para enganar. Aliás, se dúvidas houvesse, temos a palavra do ministro que tutela as forças de segurança (o da Administração Interna) a confirmar que esse é o caminho. Legal ou não, que disso não cura um ministro da Administração Interna, num Estado policial, "as forças de segurança vão continuar a utilizar câmaras de vídeo portáteis para monitorizar as manifestações sempre que necessário" dispensando-se de "fundamentar essa utilização junto da Comissão Nacional de Protecção de Dados".
Num Estado "refundado" à moda deste governo, o respeito pela Constituição e pela lei não passa dum dispensável preciosismo. Como, aliás, se tem visto.
(Imagem daqui)

Com este governo, é de contar sempre com o pior

O Banco de Portugal (BdP) acaba de anunciar, através do Boletim Económico de Outono, que prevê, para 2013,  uma queda do PIB de 1,6%, previsão que representa um grande salto em profundidade em relação à anterior previsão de Verão que apontava para uma situação de estagnação, que o mesmo é dizer de crescimento nulo da economia.
Ainda assim, trata-se, a meu ver, dum salto que peca pela modéstia, tendo em conta, por um lado, a dimensão das quedas, quer no consumo (3,6% contra 1,3% no Verão), quer no investimento (10% face à previsão de Verão de 2,6%) e, considerando por outro lado o recuo no crescimento das exportações, a sofrer, também ele, uma quebra de 2,3%.
Ainda estou para saber como é que estes números são compatíveis com a previsão sobre a contracção da economia portuguesa em 2013 prevista pelo BdP, razão por que não me admiraria muito, se no Boletim de Inverno, o BdP viesse a ver-se forçado a dar um salto em profundidade ainda com maior magnitude.
Isto antecipo eu antes de estar confirmado mais um revés no que respeita à consolidação das contas públicas
Perante os sucessivos falhanços no controlo do défice, é de contar sempre com o pior, enquanto  este governo não for borda fora. É a simples prudência a recomendá-lo.

PSP, significa o quê?

Polícia de Segurança Pública, ou Polícia de Segurança de Políticos?
A interrogação justifica-se, porque, ontem, havia agentes policiais, às dezenas e centenas, quer nos percursos por onde transitaram a comitiva da senhora Merkel e os membros do actual governo, quer nos locais para onde tais personalidades se dirigiam. Factos que, aliás, vêm na sequência do reforço das medidas de segurança em torno dos membros do actual governo. No comum dos dias, porém, a  polícia não é vista pela generalidade da população a cujo serviço devia estar. 
A sigla permanece a mesma mas, ao que parece, as funções mudaram. De Segurança Pública ao serviço da comunidade, a PSP está,  à medida que a crise alastra, a transformar-se numa simples guarda às ordens e ao serviço deste governo que, rejeitado pela população, se arrisca, por sua vez, a ficar refém das forças policiais. O reforço de verbas para as forças de segurança previsto no Orçamento do Estado não será já, dessa realidade, um sinal?

(imagem daqui)

Sobre o efeito Merkel

Tinha decidido pôr um ponto final nos comentários sobre a visita da senhora Merkel, mas eis que surge uma notícia que me faz arrepiar caminho. A notícia é esta: coincidindo com a visita da chanceler alemã, Portugal sobe para o 5º lugar no "clube" da bancarrota, ultrapassando a Venezuela, com a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa a subir  para 41,59%  e com os juros a sete e dez anos a subirem para muito próximo de 9%.
Não digo, obviamente, que este agravamento do risco de incumprimento seja efeito da visita da referida senhora, mas o que é facto é que a visita e os elogios por ela deixados ao "excelente" cumprimento do programa de ajustamento, não passam de um fait divers, irrelevante para os mercados financeiros. Ou seja, até deste ponto de vista, a visita da chanceler foi completamente inútil.
A respeito dos efeitos da visita, há ainda que sublinhar um outro ponto não encarado em comentários anteriores. O ponto é este: o aspecto mais saliente em todo o "discurso" do primeiro-ministro foi a sua postura de subserviência e de submissão perante as teses da visitante. Não é, pois, nada difícil concluir que a visita, em vez de servir de algum apoio ao fraco e debilitado governo de Passos, Gaspar, Portas & Cª,  acabou por ser-lhe prejudicial, pois acentuou a imagem de um primeiro-ministro cada vez mais vergado às exigências da troika e, em particular, às ordens da senhora Merkel. 
O menosprezo votado pelo povo português a este governo, se já era grande, saiu, com a visita, reforçado. A justo título, diga-se.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A visita. Ponto final

A visita em resumo: uma perda de tempo e uma oportunidade falhada, pois nem Merkel, nem Passos mudaram uma vírgula no discurso da austeridade a todo o custo, com a agravante de Passos negar, com os seus procedimentos, os apelos ao consenso social e político
Acho que nem vale a pena abrir aqui um parágrafo dedicado ao Encontro Empresarial Luso-Alemão, no CCB. Não dei conta de ter de lá saído nenhum resultado concreto e menos ainda algo que mereça notícia.
De forma que, o melhor é plantar, já aqui, um ponto final.

Auf Wiedersehen, Merkel!

"Merkel quis fazer de Portugal e da Grécia cobaias para o seu experimentalismo económico. E conseguiu. Portugal, sem moeda para desvalorizar e com políticas pró-cíclicas, é hoje um autêntico Frankenstein da economia que continua a rejeitar o implante da austeridade pela austeridade. Auf Wiedersehen Merkel."
(Pedro Sousa Carvalho; "Merkel fez de Portugal o Frankenstein da economia"; na íntegra: aqui)

Erro grave em geografia

"A Alemanha está ao lado de Portugal". 
Erro grave, em matéria de geografia. Passos Coelho terá, ao menos, oferecido à senhora Merkel um mapa da Europa? 
Muito improvável, pois não creio que Passos, um simples vassalo da senhora se atrevesse a apontar o erro.
(Citação e imagem daqui)

A "fé" de Rosas tem razões que a razão desconhece.

Não o supunha tão "crente".
Aprendi em miúdo que "a fé move montanhas", mas, apesar do decorrer dos anos, nunca me foi dado assistir a tal fenómeno.
Será  que a "fé" de Rosas vai ter força suficiente para derrubar o governo de Passos, Gaspar, Portas & Cª e conseguir o "milagre" dum "governo de esquerda, queira ou não quer o PS". 
Estou ansioso por ver o milagre acontecer. Sinceramente.
(reeditada)

A visita: outro ponto de vista

"Eu não vou manifestar-me contra a visita de Merkel. Porquê? Por concordar com as políticas que ela conduz como chefe de governo de um Estado-Membro da União Europeia? Decerto que não é por isso, porque discordo muitíssimo das suas políticas, julgo que elas rasgam de forma profunda a ideia de interesse comum europeu e são uma má resposta à solidariedade que a Europa deu anteriormente à Alemanha. Então, porque, mesmo assim, não vou manifestar-me contra a sua visita?"
(Um outro ponto de vista com que concordo. As razões do Porfírio Silva, aqui)

A visita - um ponto de vista

" Infelizmente, Merkel só virá cá falar com quem já concorda com ela e fugirá ao contraditório. Não lhe fica bem, mas o problema é dela. O nosso problema é que quem concorda com ela se porte com dignidade; não com pose, mas com verdadeira dignidade. Não deixando de dizer nada só porque acha que do outro lado está a mão que assina o cheque. Não deixando de agir na Europa com uma estratégia própria. Temos o direito e o dever de exigir ao nosso Governo que se comporte assim.
E cá fora, cada protesto, cada editorial, cada carta aberta, cada graffiti, cada panfleto deveria ser norteado pela mesma ideia. A mesma magnífica sensação que tivemos no dia 15 de setembro: estamos indignados, cada qual à sua maneira, mas não perdemos a dignidade."
(Extracto de "Dignos", a crónica de Rui Tavares, hoje no "Público", sem link)


domingo, 11 de novembro de 2012

Namoros, convenção e ciúmes

"De súbito, toda a gente quer o PS", da direita à esquerda, escreve Leonel Moura, em excelente crónica, onde explica porquê:
"O PS tornou-se no centro da vida política nacional. É o partido da classe média, da iniciativa, da modernização e o único capaz de empreender reformas significativas na sociedade portuguesa. Muitos dos grandes saltos qualitativos das últimas décadas, na saúde, no ensino, na Administração Pública, na ciência, na tecnologia, na energia, devem-se ao PS. É o partido identificado com a mudança e com a inovação. O único que tem gente e capacidade para elaborar visões estratégicas e não se fica pela simples gestão de receitas criadas por outros."
Leonel Moura não só tem razão no que escreve, como parece que adivinhava o que se iria passar, este fim de semana.
De facto, durante a Convenção do Bloco de Esquerda que hoje terminou, várias foram as vozes a propor ao PS uma espécie de "casamento" para a formação dum "governo de esquerda", mas condicionado à condição de o PS aceitar "rasgar o memorando", implicando, pois, a celebração duma espécie de "convenção antenupcial" com cláusulas que o PS dificilmente poderá aceitar, tendo em conta a versão proposta pela maioria saída do conclave bloquista.
Isto foi o bastante para logo aparecer (olha que peça!) o deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Carlos Abreu Amorim a fazer uma cena de ciúmes, denunciando "o jogo de sedução que o Bloco de Esquerda lhe [ao PS] está a fazer neste momento e que nos parece ser uma solução completamente enviesada, contrária ao caminho da liberdade, da democracia, do euro, da responsabilidade e da credibilidade, que é aquilo que Portugal precisa" e desafiando o PS para aceitar o "convite sério, patriótico que o Governo e a maioria lhe fizeram ".
Suponho que o PS já disse o suficiente sobre o que pensa da seriedade e do patriotismo do "convite do governo e da maioria", mas o deputado Amorim, pelos vistos, é, além do mais, duro de ouvido e não percebeu que a resposta ao convite foi uma recusa. Passemos, pois, adiante.
Requisitado à esquerda e à direita, está o PS, por isso mesmo, nas melhores condições para ser ele a decidir sobre o que é mais conveniente para o país, em termos de posicionamento político. Dar a mão a esta direita para fazer o que ela pretende parece impensável. Um entendimento à esquerda, se bem que desejável, passará certamente por uma negociação. Se o BE se mantiver irredutível na suas posições não me parece que se chegue ao "noivado" quanto mais ao "casamento".

sábado, 10 de novembro de 2012

Não um, mas quatro*


"Quando se pensava que já tínhamos visto tudo, eis que a dupla Passos/Gaspar aparece no Parlamento não com um, nem com dois, mas com 4 orçamentos diferentes: I) o segundo Orçamento Rectificativo de 2012 (para minimizar os efeitos do fracasso do Governo nas metas do défice deste ano); II) o Orçamento para 2013 (com o seu "enorme aumento de impostos", para compensar a derrapagem nas metas do défice real de 2012); III) o pré-anúncio de um Orçamento Rectificativo para 2013 (com medidas adicionais de corte na despesa, porque ninguém acredita no Orçamento apresentado) e iv) o anúncio das linhas gerais do Orçamento para 2014, em que a redução do défice, para 2,5% do PIB, implicará um corte estrutural na despesa pública da ordem dos 4 mil milhões de euros. Foi a propósito da "concretização" desta tarefa - nada mais do que isso - que o primeiro-ministro falou da famosa "refundação do Memorando".

A "mixórdia de temáticas" imposta por esta caótica "avalanche" orçamental, agravada pelo desorientado debate sobre uma enigmática "refundação" do Memorando, tem prejudicado um debate lúcido sobre o que está em causa. Pela minha parte, creio que há dois pontos cruciais a sublinhar.

O primeiro, é para notar que esta "avalanche" orçamental evidencia, de forma clara, o falhanço rotundo da estratégia do Governo, assente numa lógica de austeridade além da "troika" que, arrasando a economia, acabou por falhar nas próprias metas de redução do défice. Por consequência, aí temos o Governo, desconjuntado, com orçamentos em catadupa, a correr atrás do prejuízo que causou: o Rectificitativo de 2012 só consegue colmatar uma pequena parte do desvio na execução orçamental deste ano e mesmo o Orçamento para 2013, que ainda nem sequer está aprovado, já não dispensa "medidas adicionais". Por incrível que pareça, é por este rumo que o Governo pretende prosseguir, deixando pelo caminho um rastro de destruição. No horizonte, porém, apenas desesperança: a certeza de que isto não nos leva a lado nenhum.

Perante este fracasso, faria sentido - e é este o segundo ponto crucial - um debate sério sobre as alternativas a uma receita que provou não dar bons resultados. Uma tal alternativa, sim, poderia merecer o justo título de "refundação". Mas não é isso o que o Governo quer. Cego de si mesmo, indiferente aos resultados, o Governo não reconhece nenhum erro, nem pretende corrigir coisa alguma. Por isso, não pôs à discussão nenhuma estratégia, nenhum calendário, nenhuma agenda fora da cartilha.
Deixemo-nos, pois, de ilusões: a verdade é que a "refundação" já foi. Foi-se fazendo, primeiro, ao longo das sucessivas revisões unilaterais do Memorando, que adulteraram e subverteram os equilíbrios do Memorando inicial negociado pelo Governo do PS, em que se procurou proteger, na medida do possível, a economia e as famílias. A cada revisão, porém, o Governo somou mais austeridade à austeridade e retirou mais economia à economia. Foi essa "refundação" do Memorando que se consumou agora, também unilateralmente, na 5ª revisão, onde ficaram fixadas as novas metas para os próximos anos e se definiu o corte de 4 mil milhões de euros na despesa até 2014.
(...)"
(Pedro Silva Pereira; A refundação já foi; na íntegra: aqui)

(* E pelos vistos, nem à quarta tentativa, acertam.)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Visita de médica


Anuncia-se para o próximo dia 12, uma visita da senhora Angela Merkel, a chancelar alemã. Uma visita breve, ao que parece, pois a sua duração não ultrapassará o tempo gasto nas viagens de ida e volta. Poderá, por isso, dizer-se, com toda a propriedade, que se trata de uma "visita de médico". No caso, mais propriamente, de médica.
Não se conhecendo o propósito da visita, oportuna não é, seguramente, atentas as actuais circunstâncias, e, pelo menos, para alguns, a senhora é, nesta altura, "mal-vinda".
Não obstante a não divulgação oficial do objectivo da visita (se existiu, ainda a não vi) alguma imprensa avança com a hipótese de se tratar de uma visita de apoio a Passos Coelho, o governador de Portugal, país   entretanto transformado por ele numa espécie de nova colónia alemã. Tendo em conta a natureza da visita, trata-se, sem dúvida, de apoio "médico", de que o governo de Passos Coelho bem precisa, pois, manifestamente, está doente e muito fraco.
Dada a brevidade da visita, o apoio "médico" trazido pela senhora Merkel é de supor (tendo em conta o receituário por ela seguido com efeitos contraproducentes) que não possa ir além do fornecimento de algum balão de oxigénio, o que não augura nada de bom. De facto, com frequência, o fornecimento de oxigénio a quem está doente, é sinal de que este está a "dar as últimas". Tudo o indica que é o caso.
(imagem daqui)

Em pé de guerra!


Mas, afinal, para Passos Coelho, a senhora Merkel não é bem-vinda?
Para quê, pois, tamanha exibição de poder de fogo?

Por maus caminhos

Não faltam os alertas chamando a atenção do actual (des)governo de que anda a trilhar maus caminhos. Hoje, a comunicação social dá conta de mais alguns de que aqui se deixa registo:
Se as exportações, o único "motor" da economia que ainda permitia ao governo alimentar alguma esperança, começou já a falhar e se os demais alertas partem dos próprios membros da troika, seria de elementar bom senso que o governo os tivesse em devida conta e arrepiasse caminho. Não é, no entanto, previsível, nem expectável, que tal venha a acontecer. Para a Comissão Liquidatária constituída por Passos, Gaspar, Portas & Cª, os caminhos até agora seguidos não são maus. Pelo contrário, são bons. Não conduzem eles o país ao almejado empobrecimento?

Sem palavras

Perante a situação dramática em que o país já vive; o desastre que o Orçamento do Estado para 2013 anuncia, confirmado por pareceres de todas as autoridades independentes com competência na matéria (Conselho Económico Social  - CES - e Conselho das Finanças Públicas - CFP); a conduta errática do actual (des)governo; o vazio que mora em Belém; o nojo causado por "discursos" como o de Isabel Jonet; estou a ficar sem palavras.
Hoje, sobra-me uma: DESESPERANÇA.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Destruir para salvar

O deputado Basílio Horta (PS), em mais uma excelente intervenção crítica da  política de "empobrecimento" deste governo, servindo-se, para o efeito, da expressão "destruir uma aldeia para a salvar" atribuída a um major do Exército americano no Vietname. É só substituir "uma aldeia" por "um país" e quanto a mim, fica tudo dito. E bem.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"O exterminador implacável do emprego"*


 Álvaro Santos Pereira, ou, mais simplesmente, o "Álvaro", que é como ele mais gosta de ser tratado, não se bastando com ser detentor de inúmeras pastas ministeriais [Economia, (des)Emprego, Obras Públicas e Transportes, Energia e sei lá que mais], assumiu no actual governo, desde cedo, suponho que  oficiosamente,  a "pasta da Traulitada".
Tão bem se tem havido no exercício das funções de "trauliteiro" deste governo que é de supor que, numa eventual remodelação ministerial, cada vez menos provável, é certo, dado que uma remodelação do governo com o mesmo primeiro-ministro (que é não só, alegadamente, o primeiro, mas também o mais remodelável) o "Álvaro", perdendo embora, com grande grau de probabilidade, as pastas oficiais, venha a manter a "pasta oficiosa". De facto, o "Álvaro", embora não tenha, até agora, dado mostras de possuir grande competência para gerir aquelas pastas, tem, em contrapartida, revelado notáveis qualidades para "cascar" nos partidos da oposição e, muito em particular, no PS. Só não dou como certa a manutenção da "pasta", porque, até nesta área, o "Álvaro" tem vindo a fraquejar no que respeita à originalidade e, como é bem sabido, a repetição do mesmos temas também cansa.
(* Desta vez, porém, o "Álvaro" não se pode queixar da falta de "resposta". Condigna e, há muito, merecida.)
(citação e imagem daqui)

O caso não é para menos!

"De cada vez que o sr. ministro vai à televisão, os portugueses têm medo!" ( Basílio Horta, deputado do PS, dirigindo-se a Vítor Gaspar na comissão parlamentar de acompanhamento ao programa de assistência a Portugal)
O caso não é para menos, dado que  as "aparições" de Gaspar são, em geral, coincidentes com novos anúncios de assaltos ao bolso do cidadão contribuinte.

Obama visto por um português, professor nos EUA e a viver em Marte

"Obama seria um presidente do PSD"  (Ricardo Reis, Professor de Economia da Universidade de Columbia, em Nova Iorque)
Atenta a original (e absurda) afirmação deste "marciano", é de supor que, para tal hipótese se concretizar, só faltará mesmo que Barack Obama termine o mandato presidencial para que acaba de ser reeleito e que o "gémeo" Passos Coelho lhe ceda o lugar!

Obama's Presidential Victory Speech

Barack Obama reeleito

Juntemo-nos, pois, à festa!

O homem, afinal, fala...


...mas para não dizer coisa com coisa.
E o facto de aproveitar "a inauguração de um novo hotel de luxo à beira Tejo, na Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações, em Lisboa", para falar, torna ainda mais legitimas as dúvidas expressas por José Vítor Malheiros em crónica a que me refiro no "post" anterior. Cavaco pode não estar incapacitado para exercer as suas funções, mas bom senso é coisa que não abunda em tal cabeça. É que falar em tal local,  um hotel de luxo, numa altura destas, não lembraria ao diabo. Mas lembrou a Cavaco.
(Imagem e notícia daqui)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Diria antes: igual a si próprio

José Vítor Malheiros interroga-se hoje, nas páginas do "Público", em crónica intitulada E se Cavaco Silva estivesse incapacitado? (sem link), sobre "se o Presidente é, ou não, capaz de assumir responsabilidades pesadas como poderão ser a demissão do Governo e as negociações para a formação de um novo executivo" atendendo a que "numa situação de extrema gravidade como a actual, só comparável a uma situação de guerra, onde à crise financeira e ao brutal empobrecimento de toda a população se somam uma crise política e uma crise de desconfiança sem paralelo nas instituições democráticas", "Cavaco não aparece, não fala, não se reúne (…)"
Não estou, como é óbvio, em condições de me pronunciar sobre a dúvida levantada pelo José Vítor Malheiros. Noto, contudo, que Cavaco Silva sempre soube gerir os seus silêncios, de forma calculista, e sempre que tal se mostrou conveniente aos seus interesses políticos pessoais.
É o que me parece que se passa agora. 
Perante a situação dramática a que o país chegou, Cavaco tem todo o interesse em guardar de Conrado o prudente silêncio, por forma a fazer esquecer as suas próprias responsabilidades na situação a que se chegou, dada a sua mais que evidente cumplicidade no derrube do anterior Governo e o indisfarçável apoio activo por ele proporcionado ao actual executivo.
Diria, pois, que o Cavaco Silva actual se comporta como sempre se comportou. Dito de outra forma: Cavaco mantém-se igual a si próprio: um político egoísta, calculista e frio, mas não ao ponto de não ser capaz de se vingar de ofensas (reais ou imaginárias). Igual a si próprio, dizia eu, embora mais velho e a carecer de reforma. Esta deveria ter-lhe sido dada aquando das últimas eleições presidenciais. Para desgraça nossa, a maioria dos eleitores assim não quis.
Estamos e, pelos vistos, continuaremos, a pagar por isso.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

SOS !

Sucedem-se os apelos dirigidos ao PS para que colabore na "refundação" à moda de Passos Coelho ou "na redefinição das funções do Estado", para utilizar a expressão do rapaz da JSD. 
Tanto apelo só pode significar que estamos perante um naufrágio iminente. Mesmo assim, não deixa de ser surpreendente que tais apelos partam precisamente de um partido que recusou  o PEC IV, com a alegação de que bastaria afastar José Sócrates do Governo para que todos os problemas do país se resolvessem.  Mais que preparados para realizar tal feito, estavam eles. Com eles no governo, diziam, Portugal seria  uma terra onde correria o leite e o mal.
Não respondeu, na altura, o PSD aos apelos do Governo do PS, pelo que não se compreende a insistência nos apelos à colaboração deste partido, insistência tanto mais incompreensível quando é certo que, ao longo de toda a actual legislatura, o governo e os partidos da maioria, tudo têm feito para isolar e hostilizar o PS.
Acontece, por outro lado, que as circunstâncias actuais são muito diferentes das existentes em 2011, pois o governo dispõe de uma maioria parlamentar que o sustenta no Parlamento e, consequentemente, não carece do apoio do PS para adoptar as políticas que bem entenda. Aliás, é isso mesmo o que tem acontecido e o que acaba de suceder com a aprovação, na generalidade, do Orçamento do Estado. Assim sendo, estes urgentes apelos só podem ser vistos como tentativas de comprometer o PS com políticas que não são as suas.O PS tem não só o direito, mas também a obrigação assumida, perante os seus eleitores, de não aceitar tal compromisso. 
Será que o naufrágio da actual equipa governativa é de tal forma iminente que nem sequer lhes permite discernir que o PS tem, de facto, o direito de não assumir compromissos com os partidos da direita sobre tais matérias?