terça-feira, 27 de novembro de 2012

Comediantes, farsantes e outros tratantes

Nos últimos tempos foi-nos dado assistir à representação de uma comédia e de uma farsa que culminou, hoje, com a aprovação do Orçamento do Estado para 2013. Os "artistas" intervenientes nas peças são os identificados aqui (v. infra). A eles que se intitulam como deputados e, logo, como representantes do povo tem este o direito de pedir contas pela tragédia inscrita nas páginas do Orçamento. Deseja-se, por estas bandas, que o exercício de tal direito seja feito a breve trecho.


    Abel Baptista (Viana do Castelo, CDS-PP), Adão Silva(Bragança, PSD), Adolfo Mesquita Nunes (Lisboa, CDS-PP), Adriano Rafael Moreira (Porto, PSD), Afonso Oliveira (Porto, PSD), Altino Bessa (Braga, CDS-PP),Amadeu Soares Albergaria (Aveiro, PSD), Ana Oliveira(Coimbra, PSD), Ana Sofia Bettencourt (Lisboa, PSD),Andreia Neto (Porto, PSD), Ângela Guerra (Guarda, PSD), António Leitão Amaro (Lisboa, PSD), António Prôa (Lisboa, PSD), António Rodrigues (Lisboa, PSD),Arménio Santos (Viseu, PSD), Artur Rêgo (Faro, CDS-PP), Assunção Esteves (Lisboa, PSD), Bruno Coimbra(Aveiro, PSD), Bruno Vitorino (Setúbal, PSD), Carina Oliveira (Santarém, PSD),Carla Rodrigues (Aveiro, PSD), Carlos Abreu Amorim (Viana do Castelo, PSD),Carlos Alberto Gonçalves (Europa, PSD), Carlos Costa Neves (Castelo Branco, PSD), Carlos Páscoa Gonçalves (Fora da Europa, PSD), Carlos Peixoto (Guarda, PSD), Carlos Santos Silva (Lisboa, PSD), Carlos São Martinho (Castelo Branco, PSD), Clara Marques Mendes (Braga, PSD), Cláudia Monteiro de Aguiar (Madeira, PSD), Conceição Bessa Ruão (Porto, PSD), Correia de Jesus (Madeira, PSD),Couto dos Santos (Aveiro, PSD), Cristóvão Crespo (Portalegre, PSD), Cristóvão Norte (Faro, PSD), Cristóvão Simão Ribeiro (Porto, PSD), Duarte Marques(Santarém, PSD), Duarte Pacheco (Lisboa, PSD), Eduardo Teixeira (Viana do Castelo, PSD), Elsa Cordeiro (Faro, PSD), Emídio Guerreiro (Braga, PSD), Emília Santos (Porto, PSD), Fernando Marques (Leiria, PSD), Fernando Negrão (Braga, PSD), Fernando Virgílio Macedo (Porto, PSD), Francisca Almeida (Braga, PSD),Graça Mota (Braga, PSD), Guilherme Silva (Madeira, PSD), Hélder Amaral (Viseu, CDS-PP), Hélder Sousa Silva (Lisboa, PSD), Hugo Lopes Soares (Braga, PSD),Hugo Velosa (Madeira, PSD), Inês Teotónio Pereira (Lisboa, CDS-PP), Isabel Galriça Neto (Lisboa, CDS-PP), Isilda Aguincha (Santarém, PSD), Joana Barata Lopes (Lisboa, PSD), João Figueiredo (Viseu, PSD), João Gonçalves Pereira(Lisboa, CDS-PP), João Lobo (Braga, PSD), João Paulo Viegas (Setúbal, CDS-PP),João Pinho de Almeida (Porto, CDS-PP), João Prata (Guarda, PSD), João Rebelo(Lisboa, CDS-PP), João Serpa Oliva (Coimbra, CDS-PP), Joaquim Ponte (Açores, PSD), Jorge Paulo Oliveira (Braga, PSD), José de Matos Correia (Lisboa, PSD),José de Matos Rosa (Lisboa, PSD), José Lino Ramos (Lisboa, CDS-PP), José Manuel Canavarro (Coimbra, PSD), José Ribeiro e Castro (Porto, CDS-PP), Laura Esperança (Leiria, PSD), Lídia Bulcão (Açores, PSD), Luís Campos Ferreira (Porto, PSD), Luís Leite Ramos (Vila Real, PSD), Luís Menezes (Porto, PSD), Luís Montenegro (Aveiro, PSD), Luís Pedro Pimentel (Vila Real, PSD), Luís Vales (Porto, PSD), Manuel Isaac (Leiria, CDS-PP), Margarida Almeida (Porto, PSD), Margarida Neto (Santarém, CDS-PP), Maria Conceição Pereira (Leiria, PSD), Maria da Conceição Caldeira (Lisboa, PSD), Maria das Mercês Borges (Setúbal, PSD), Maria João Ávila (Fora da Europa, PSD), Maria José Castelo Branco (Porto, PSD), Maria José Moreno (Bragança, PSD), Maria Manuela Tender (Vila Real, PSD), Maria Paula Cardoso (Aveiro, PSD), Mário Magalhães (Porto, PSD), Mário Simões (Beja, PSD),Maurício Marques (Coimbra, PSD), Mendes Bota (Faro, PSD), Michael Seufert(Porto, CDS-PP), Miguel Frasquilho (Porto, PSD), Miguel Santos (Porto, PSD),Mónica Ferro (Lisboa, PSD), Mota Amaral (Açores, PSD), Nilza de Sena (Coimbra, PSD), Nuno Encarnação (Coimbra, PSD), Nuno Filipe Matias (Setúbal, PSD), Nuno Magalhães (Setúbal, CDS-PP), Nuno Reis (Braga, PSD), Nuno Serra (Santarém, PSD), Odete Silva (Lisboa, PSD), Paulo Batista Santos (Leiria, PSD), Paulo Cavaleiro (Aveiro, PSD), Paulo Mota Pinto (Lisboa, PSD), Paulo Rios de Oliveira(Porto, PSD), Paulo Simões Ribeiro (Setúbal, PSD), Pedro Alves (Viseu, PSD),Pedro do ó Ramos (Setúbal, PSD), Pedro Lynce (Évora, PSD), Pedro Pimpão(Leiria, PSD), Pedro Pinto (Lisboa, PSD), Pedro Roque (Faro, PSD), Raúl de Almeida (Aveiro, CDS-PP), Ricardo Baptista Leite (Lisboa, PSD), Rosa Arezes(Viana do Castelo, PSD), Rui Barreto (Madeira, CDS-PP)Sérgio Azevedo (Lisboa, PSD), Telmo Correia (Braga, CDS-PP), Teresa Anjinho (Aveiro, CDS-PP), Teresa Caeiro (Lisboa, CDS-PP), Teresa Costa Santos (Viseu, PSD), Teresa Leal Coelho(Porto, PSD), Ulisses Pereira (Aveiro, PSD), Valter Ribeiro (Leiria, PSD), Vasco Cunha (Santarém, PSD) e Vera Rodrigues (Porto, CDS-PP).

A representação da última peça - a tragédia - fica a cargo doutros tratantes:
Este; estes; e mais estes.

(A lista dos deputados que aprovaram o Orçamento da tragédia e a composição fotográfica foram pescadas aqui)

A comédia e a farsa, seguidas da tragédia

Ontem assistimos a uma comédia em dois actos. Hoje, com a aprovação da Lei do Orçamento do Estado, pelos autores da comédia e seus comparsas, foi representada, na Assembleia da República, uma farsa. Com a execução do Orçamento aprovado por esta maioria paralamentar, vamos ter uma tragédia. Os que  lhe sobreviverem conhecerão, então, o significado de "abismo".

Da declaração de voto ao balbuciar


1º acto: um grupo de 18 deputados do PSD decide a apresentar uma declaração de voto sobre a matéria fiscal da proposta de Orçamento do Estado para 2013, onde se criticam várias opções do governo na referida matéria, como pode ler-se aqui.
2º acto: horas depois, os mesmos 18 "valentes" deputados desistem dessa declaração de voto, em favor de um documento conjunto da bancada social-democrata onde toda a carneirada se limita a balbuciar um apelo ao Governo para que reveja as funções do Estado de forma ser possível uma "reversão das medidas fiscais que, em geral, foram concretizadas nos anos anteriores e durante a vigência" do memorando"
Uma comédia em dois actos não é, Frasquilho!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

É muita gente junta




"Censos desvendam dado que já peca por defeito. Há cada vez mais pessoas a deixar o lar por falta de dinheiro. Em Portugal, há 450 mil famílias a viver em casas sobrelotadas, cem mil das quais com duas ou mais de três divisões em falta."

Como digo, em título, é muita gente junta e mais um sinal da miséria e da pobreza que não cessam de aumentar à medida que os dias passam com este (des)governo em funções.
(citação e imagem daqui)


Sapatos do defunto

Ao que parece, ainda há por cá quem esteja à espera que Cavaco Silva vete a Lei do Orçamento do Estado, ou, pelo menos, que requeira ao Tribunal Constitucional a apreciação preventiva das suas normas.
É caso para dizer a quem assim pensa que, tendo em conta os antecedentes, tal esperança é mais ou menos a mesma de quem espera por sapatos de defunto.

O devedor excelentíssimo

Com um primeiro-ministro a afirmar que não conhece nenhum caso em que o devedor tenha saído a ganhar duma renegociação com os seus credores (afirmação que é contrariada, todos os dias, por centenas ou milhares de renegociações levadas a cabo, só em Portugal) e com um membro do actual governo a garantir que os juros da dívida pública são baixos, bem se pode dizer que os detentores de dívida pública portuguesa têm neste governo um bom defensor dos seus interesses. 
De facto, Portugal, com este governo, é o que se pode chamar um devedor excelentíssimo. Tão excelente que nem dá para os credores acreditarem. A prova está no facto de que, no mercado secundário, os juros da dívida pública se mantêm a níveis altos e, hoje, por sinal, até estão a subir.

Mais um aviso caído em saco roto

"O Governo português pode estar a levar o rumo da austeridade demasiado longe e a puxar a economia portuguesa para uma espiral recessiva. Não vai conseguir curar o défice orçamental e reestruturar a dívida pública assim" (um aviso de Paul De Grauwe e um conselho: "Vítor Gaspar, não exagere").




domingo, 25 de novembro de 2012

A estupidez tem novo nome

De facto, quem tem engrossado as manifestações são os banqueiros, os Catrogas e outros que tais.
Que não se admire o autor, se, destruindo a classe média, vier a ter um lindo funeral.

  

Arte pública

Título: Titã-fragmento
Escultora: Beatriz Cunha
Local: Exposição de Escultura ao Ar Livre - Sintra Arte Pública IX - "Os Mitos e a Mitologia"

sábado, 24 de novembro de 2012

Observação dos dias

O pior não é termos um humorista falhado (Cavaco) e um humorista involuntário (Passos Coelho) como (ir)responsáveis máximos da República. O pior  mesmo é que fomos nós (salvo seja eu e mais uns tantos) a escolhê-los.
Desculpem lá o desabafo. A culpa é do dia baço.


O "Álvaro" na oposição?

Destaco das notícias chamadas à 1ª página do "Expresso" a afirmação atribuída ao ministro Álvaro Santos Pereira de que a "austeridade cega, ano após ano, vai dar mau resultado" . 
Para o ministro "Álvaro" fazer uma tal afirmação é porque, ou viu mesmo a luz e chegou à conclusão de que Gaspar é mesmo "um ministro muito impressionante"  a falhar os alvos e a não alcançar as metas, ou, na melhor das hipóteses, ter-se-á ficado pelo "sei-lá-se-é" em relação àquela afirmação. De qualquer forma, o ministro Álvaro, com uma tirada destas, passou-se para a oposição e, provavelmente, contrafeito ou por sua livre vontade, a estas horas está já a fazer as malas, o que é uma pena. Já tínhamos um dos partidos da coligação com um pé dentro e outro fora do governo. Não era bem interessante ter também um ministro, mesmo sendo o "Álvaro", na oposição? 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Emblema na lapela

"Num gesto mais próximo do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte do que do PSD nacional, Alberto João Jardim decretou que o próximo congresso do PSD-Madeira decorrerá à porta fechada.(...) O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho validará com a sua presença este atropelo às regras básicas da democracia. O facto de um partido se reunir às escondidas é por si só muito grave: trata-se, na verdade, da negação da democracia.(...)"
(Extracto do Editorial "A democracia fechada à chave" hoje, no "Público"

Face às constantes violações das regras democráticas, por parte do soba da Região, já se sabe, há muito, que a democracia na Região Autónoma da Madeira não passa de um emblema para usar na lapela durante as campanhas eleitorais e para deitar fora logo depois.
Alberto João Jardim contou sempre, senão com o aplauso, pelo menos, com a complacência do PSD nacional, o que só pode ter o significado de que o PSD nacional convive bem com o modelo de democracia do tipo "usa e deita fora". A presença do líder nacional do PSD e actual primeiro-ministro no congresso à porta fechada é só mais uma confirmação. Qual é, pois, o espanto?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Olha quem fala!

Julgava eu que Cavaco Silva tinha sido primeiro-ministro durante dez anos que foram, precisamente, os anos em que foram esquecidos, para além de abandonados, "o mar, a agricultura e a indústria".
Devo estar enganado: o primeiro-ministro Cavaco Silva deve ter sido outra pessoa que não Cavaco Silva, presidente da República, pois não me consta que este, alguma vez tenha assumido a quota (não pequena) de responsabilidade, que lhe caberia, enquanto primeiro-ministro, no abandono dos mencionados sectores da economia. De facto, nunca vi Cavaco Silva, presidente da República, dizer mea culpa

terça-feira, 20 de novembro de 2012

À 7ª, como vai ser?

Confesso que estou cheio de curiosidade.

Já só falta um niquinho!

Foi um feito e tanto ter conseguido aguentar mais de uma hora a assistir à conferência de imprensa  do ministro Gaspar, mas valeu a pena. Não por ter ficado a saber da nota positiva dada pela troika ao processo de ajustamento, facto que não tenho na conta de surpreendente, já que se trata duma auto-avaliação, mas por nos  ter sido revelado que a troika considera que está já "cumprido 95% do Memorando de Entendimento."
Deite-se ao lixo o resto da charla do ministro Gaspar, que outro destino não merecem as suas previsões, e fixemos este ponto que é, quanto a mim, o mais importante.
Se, de facto, já só faltam 5% para o memorando se cumprir integralmente, isto quer dizer que, dentro em pouco, este governo dará por acabado o serviço que tem entre mãos. A manter-se a actual velocidade,  mais um mês ou dois é quanto basta para que o governo dê a tarefa por cumprida e passe a jorrar por aí, com abundância, o leite e o mel. 
Animem-se, pois, os desalentados, os desconfiados, os esfomeados! Graças à acção deste governo, não é só a luz que já brilha ao fundo do túnel. É uma nova era de abundância que está a chegar. É só esperar mais um niquinho. Alguém duvida?
(Reeditada)

O fatídico mês de Setembro

"Todos os indicadores quantitativos recuaram em Setembro: consumo privado e investimento registaram reduções mais intensas; as exportações nominais desaceleraram e importações acentuaram diminuição. Também todos os sectores de actividade acentuaram perdas."(Fonte)
"Salários em atraso até Setembro são mais do dobro do que todo ano de 2011". (Fonte
O programa de ajustamento, como garante o governo, está a ser um êxito. Como se vê. 
Ao fatídico mês de Setembro, provavelmente, outros ainda se seguirão. Dezembro? Março? Ou este, tal como por aí tem sido previsto, será não só fatídico, mas fatal?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Feito e desfeito

Este resultado deve-se, sem margem para grandes dúvidas, ao forte investimento feito durante os governos de José Sócrates nessas áreas (um efeito Sócrates, chamar-lhe-ia eu)
aprendizagem nessas matérias, refere a peça "linkada", é uma das oito competências-chave que a União Europeia identificou como devendo ser desenvolvidas nos sistemas educativos.
Entre o dever e o fazer intrometeu-se, entretanto, este governo que, em matéria de educação, como noutras áreas, só conhece o desfazer. 
Não admira, por isso, que o que foi feito não tarde muito a ser completamente desfeito. Também é um efeito: o de Passos a caminhar para trás. 

domingo, 18 de novembro de 2012

Passos Coelho tem futuro...

... como "humorista".
Sorte a dele, porque, como político que até os seus ministros desconsidera publicamente, o "artista" já deu o que tinha a dar.

Tremoços

Há quem não passe sem tremoços,  como parece ser o caso do CDS, que (coitado!) continua incomodado e a digerir o desconforto de não ter conseguido nas negociações com o ministro das Finanças que a sobretaxa de IRS se ficasse pelos 3%, em vez dos 3,5% aceites pelo ministro Gaspar. Sabendo-se, pelas contas já feitas por especialistas, que a diferença entre os 4% previstos inicialmente na proposta do Orçamento apresentada pelo Governo e os 3,5% que o ministro acabou por aceitar, se traduz, para grande parte dos contribuintes, numa poupança anual à volta dos 27 euros, forçoso é concluir que o CDS, no que respeita ao alívio fiscal, se contentaria com bem pouco. Para se sentir confortável, ao CDS bastar-lhe-ia ter conseguido uma poupança fiscal que, em grande parte dos casos, não ultrapassaria 50 euros, em relação a um ano inteiro.
Dava, efectivamente, e só, para comprar tremoços! 

sábado, 17 de novembro de 2012

Acorda, Cavaco. Cavaco, acorda!


Com um governo de incompetentes, completamente desacreditado, divorciado dos interesses nacionais, apenas preocupado em mostrar-se "bom aluno" à Europa da senhora Merkel e, por via disso, cada vez mais detestado por amplas camadas da população, Portugal não vai lá.
(reeditada)

Cortar nas "gorduras"? Nas nossas? Está quieto!

Para o partido (PSD) que fez boa parte da sua campanha eleitoral com base na defesa da tese do corte das "gorduras do Estado", pelos vistos,  há "gorduras" e "gorduras". Se o corte se reflectir na qualidade de vida  dos cidadãos, tudo bem. Se, de algum modo, o corte afectar as suas receitas, aí, alto lá e pára o baile, que já cá não está falou!

Tanto barulho para obter uma migalha


Fomos metralhados durante todo o santo dia de ontem pela comunicação social dando conta dos  "enormes esforços" desenvolvidos pelos deputados dos partidos da maioria parlamentar, junto do ministro Gaspar, com vista a aliviar a carga fiscal decorrente da versão do Orçamento do Estado para 2013 apresentada pelo Governo. 
Vi-os todos satisfeitos, prontos para votarem um Orçamento que "é, do ponto de vista fiscal, o precipício em que vão morrer milhões de contribuintes". Para tal contentamento, bastou-lhes a obtenção duma migalha que outra coisa não é o desagravamento fiscal correspondente a menos de 0,1% do PIB (manchete do "Público" supra e também aqui). Tanta satisfação e tamanha prontidão levam-me a concluir que os deputados da maioria, ou são inconscientes, ou dóceis ovelhas e mansos carneiros. Caro leitor, a escolha é sua.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Esta semana aprendi muito

Como a Fernanda Câncio escreve muito melhor do que eu, aqui vai, pela pena dela, muito do que aprendi:

"Foi uma semana em cheio. Aquela em que o Governo assumiu o Estado de sítio ao receber Merkel num forte e não na sede do Governo, para em sua augusta presença jurar que queremos muito fazer do trabalhador português um alemão, e que, portanto, os insultos mentirosos que a chanceler disse na terra dela sobre os povos do Sul, e que a própria imprensa alemã desmentiu, para o Executivo português são verdade e inspiração. Aquela de uma greve geral em que o PM chamou cobardes aos grevistas, ao elogiar a coragem dos que trabalham, enquanto reconhecia ter ficado surpreendido com a brutalidade dos números do desemprego para logo nos sossegar com o facto de ter "corrigido" as previsões: espera que ele suba mais, porque é algo "por que temos de passar". Aquela em que Passos, ao discursar na inauguração de uma fábrica que ardeu, a comparou ao país para nos certificar de que não estamos enganados: temos um PM que sonha com uma reconstrução radical a partir de escombros fumegantes, um glorioso amanhã que cantará depois de todo o desemprego e pobreza todos por que temos de passar até que, milagre, dos portugueses nasçam alemães - ou lá o que é.
É a mesma semana na qual se noticia um défice de 9% até setembro; em que o desemprego avança mais uma décima, para 15,8%; em que o Banco de Portugal prediz para 2013 uma recessão de 1,6% (mais 0,6% que a inscrita no OE) e juros da dívida portuguesa voltam a subir. É a semana em que Cavaco quebra o silêncio, não para se manifestar preocupado com a catástrofe social em curso, não para declamar "chegámos a uma situação insustentável" e "estamos à beira de uma situação explosiva" (como, relembra-nos, disse em janeiro de 2010), mas para se demarcar de quem protesta de forma pacífica e constitucionalmente consagrada assegurando que ele, ao contrário dos calões, quiçá sabotadores e traidores à pátria, dos grevistas trabalha no duro, recebendo um colega no seu palácio.
É, tudo isto numa semana. Faz então sentido que tenhamos também nela ficado a saber que, enquanto se corta na saúde e na educação e nos apoios sociais e se propõe cortar ainda mais, para as polícias há um incremento de 10,8 por cento em 2013. E não, não venham dizer que é para fazer face a "um previsível aumento da criminalidade"; esta tem vindo a decrescer, notavelmente, nos últimos dois anos. Nem há de ser para enfrentar "a meia dúzia de profissionais da desordem" identificados pelo ministro Macedo na "manif" de quarta (e à conta dos quais centenas de cidadãos foram perseguidos e espancados pelo crime de estarem ali). É mesmo contra nós todos, contra o País que, como a fábrica da Sicasal, deve renascer das cinzas, que o Governo se aprovisiona. Quem nos condena a "passar pelo desemprego" como quem diz "o que arde cura" e "se morreres, morreste" não arrisca passar por nós sem boa proteção.
"Há tolerância mas também há uma linha vermelha", disse ontem Passos.(...)"

(Fernanda Câncio; Portugal já arde?; Na íntegra aqui)

"Isto não está a resultar"

"(...)
Tudo começou com as novas previsões do insuspeito Banco de Portugal: afinal, o desvio no défice de 2012 (que pagaremos com mais austeridade em 2013) será ainda pior do que admite o Governo e a recessão no próximo ano deverá atingir 1,6%, mais grave do que a previsão de 1% feita pelo ministro das Finanças (em que ninguém, de boa-fé, pode acreditar face ao enorme aumento de impostos que está previsto).
Vieram, depois, as notícias sobre mais derrapagens no défice real deste ano, que antecipam um agravamento da execução orçamental no 3º trimestre, a qual o Governo estaria já a reconhecer em privado embora continue a negar em público.
Seguiram-se os dados oficiais do INE: a recessão agravou-se no 3º trimestre para uns trágicos -3,4%, em termos homólogos; a "reindustrialização" de que tanto fala o Ministro da Economia deu em Setembro numa queda da produção industrial de 12%; as próprias exportações inverteram a tendência positiva, começando a cair em Setembro; e o desemprego subiu dramaticamente para 15,8% - um aumento nunca visto de 3,7 p.p. e de quase 200 mil desempregados em apenas cinco trimestres, desde que o actual Governo entrou em funções, com esta sua absurda estratégia de austeridade "além da troika". Veio, depois, o sucesso político da Greve Geral e os lamentáveis incidentes provocados diante do Parlamento, com imagens de confrontos que, queira-se ou não, correram Mundo, ameaçando o quadro de paz social que até aqui distinguia a situação portuguesa.
Finalmente, apesar da intervenção do BCE, da bênção de Merkel e do discurso oficial sobre a alegada "recuperação da credibilidade internacional", os juros da dívida portuguesa no mercado secundário voltaram a subir, situando-se em torno dos 9% a dez anos, bem acima dos 7,6% que se verificavam no célebre dia 11 de Março de 2011, dia em que o dr. Pedro Passos Coelho, então líder do maior partido da oposição, anunciou que ia "chumbar" o PEC IV (apoiado pelas instituições europeias) e atirar assim o País para a crise política - e, consequentemente, para o pedido de ajuda externa.
Mais défice, mais recessão, mais desemprego, mais contestação social, juros mais altos nos mercados financeiros - foi essa a resposta pronta da realidade à ficção encenada no início da semana. É certo que, ao contrário do que se diz, é sempre possível contra factos esgrimir argumentos. Mas não argumentos que resistam à força incontornável dos factos. E a realidade é só uma: isto não está a resultar."
(Pedro Silva Pereira; A força dos factos; na íntegra: aqui)

Competição

Na competição "aparato policial", Passos ganha a Cavaco.
Não admira, é mais novo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Eles não aprendem nada"

Cavaco confessou que não viu as imagens dos desacatos e da carga policial ocorridos, ontem, frente à Assembleia da República e Passos Coelho não sei se as chegou a ver. Facto é que nem um, nem o outro  se dispensaram de fazer comentários sobre os acontecimentos, elogiando, sem mais, a actuação policial. 
No caso de Cavaco Silva é simplesmente espantoso que alguém que não viu o que se passou possa, quando questionado sobre se não tinha havido excessos por parte das forças policiais, retorquir que "afirmações desse tipo só podem ser um insulto à polícia". Espantoso e preocupante, para não ir mais longe.
No caso de Passos Coelho, como digo acima, não sei se as chegou a ver. Em todo o caso, para fazer os comentários que fez, não deve ter tido tempo para as ver bem.
Em qualquer caso, pode em relação quer a um, quer ao outro, aplicar-se o que escreve Vítor Belanciano  num artigo de opinião com o título que serve de epígrafe a este "post", artigo que é, ao mesmo tempo um testemunho presencial dos factos e cuja leitura se recomenda, sobretudo a Cavaco Silva e a Passos Coelho. Isto, claro, partindo do pressuposto de que, embora não tenham aprendido nada, até agora, ainda queiram aprender para tirarem as devidas conclusões. Não sei é se, tal como conclui Vítor Belanciano, não é já tarde de mais.
Esperemos que não.

Quem precisa dum primeiro-ministro destes?


"Não são os Governos que criam emprego", diz Passos Coelho o que é inteiramente verdade quando reportada a afirmação à acção deste governo, porque, de facto, este não só não cria emprego, como o destrói, estando preparado para, no próximo ano, despedir, "de caras", mais 50.000 funcionários públicos, aumentando exponencialmente o número de desempregados.
Mesmo que, em tese geral, aquela afirmação fosse verdadeira, sempre teria que ser acompanhada duma outra consideração que passa pelo reconhecimento de que cabe aos Governos criar as condições para que o emprego aumente, consideração que, pelos vistos, nem sequer passa pela cabeça do actual primeiro-ministro.
Tanta imponderação e tamanha inacção na luta contra o desemprego justifica que se faça a pergunta: quem precisa dum tal primeiro-ministro?
Os patrões e os empresários? Duvido muito, porque, se a contracção da economia, fruto, em boa medida,  das opções deste governo, vai continuar a arrastar milhares e milhares de portugueses para a pobreza, a maioria dos patrões e dos empresários também sofrerão as consequências. Muito poucos, se é que alguns, ficarão incólumes.
(Imagem daqui)

Estamos feitos!

Basta dar uma vista de olhos ao gráfico (infra) para não restarem dúvidas que se está a perder em S. Bento um bom  contador de anedotas. O mesmo que já ontem tinha dado boas provas da massa de que é feito, ao pronunciar-se sobre os novos dados sobre o aumento do desemprego. Dantes, quando tais números eram anunciados ainda aparecia um ou outro ministro a declarar que os números eram "preocupantes". Agora, este contador de anedotas limita-se a dizer que o aumento do desemprego está "em linha" com as previsões do governo, afirmação que, para além de revelar uma assinalável falta de sensibilidade social, não deixa de ser uma outra boa anedota, pois, que se saiba, as previsões do governo não batem certo com o dados espelhados no gráfico.
Mas, a bem dizer, nem é necessário o gráfico para concluir que Passos Coelho passa a maior parte do seu tempo como primeiro-ministro a contar anedotas, para não dizer mentiras. Basta pensar no que é a vida das centenas de milhares de pessoas desempregadas e sem subsídio de desemprego que continuam a aumentar de forma galopante; atentar noutros dramas semelhantes de que são vítimas os idosos e outros carenciados; e olhar para que se passa na  vida do cidadão comum deste país e à sua volta. 
Com um primeiro-ministro desta estirpe, já estou como o outro que dizia: Estamos feitos!

(Clicando na imagem, amplia)

O reforço com efeitos imediatos






O ministro da Administração Interna veio louvar a actuação da polícia, logo pouco depois dos incidentes ocorridos, ontem, frente à Assembleia da República. O louvor não surpreende, pois corresponde ao habitual em idênticas situações. Acresce que, no caso, o ministro tem uma razão suplementar para estar satisfeito, pois teve oportunidade de constatar que o anunciado reforço de verbas para as forças de segurança teve o efeito de se repercutir de imediato no vigor das bastonadas.
Vistas as coisas pelo lado do cidadão comum, já a história é outra. De facto, a actuação da polícia foi tudo menos louvável. Ao invés, é duplamente criticável: excedeu-se, por um lado, na paciência com que suportou o activismo e as provocações de duas ou três dezenas de arruaceiros que, tendo em conta o números de agentes policiais no local, poderiam ter sido facilmente neutralizados e, por outro, excedeu-se na brutalidade da carga sobre a maioria dos que se manifestavam no local de forma absolutamente pacífica.
As imagens supra ( pescadas aqui) e as que foram vistas, transmitidas pelas televisões, assim o atestam e são corroboradas pelo testemunho a seguir publicado (repescado daqui)

"AQUILO QUE HOJE SE PASSOU, DO PONTO DE VISTA DE UM MANIFESTANTE PACÍFICO:
Para que não vinguem as mentiras da Administração Internas aqui têm o meu relato do que realmente se passou em frente à assembleia.
Sim, é verdade que cerca de 20 a 30 pessoas passaram mais de uma hora a atirar petardos, pedras e garrafas à polícia. Por essa razão, os outros 99% de CIDADÃOS PACÍFICOS mantiveram a devida distância, para nem serem confundidos nem fazerem parte da acção de alguns animais. A certa altura, as pessoas perceberam que algo se estava a passar. Demasiadas movimentações de polícia na Assembleia demasiado organizadas.
Cá em baixo, numa das laterais um grupo de polícia à paisana abandona rapidamente a manifestação. Mais tarde, as televisões diriam que as pessoas foram avisadas para dispersar. Cá de baixo, posso-vos dar uma certeza, nenhuma pessoa com uma audição normal ouviu um único aviso.
A polícia disparou cerca de 4 a 6 petardos pela manifestação e carregou. Como estávamos todos bem afastados, os CIDADÃOS PACÍFICOS não fugiram. Mas quando vi um pai a fugir com o filho no colo e a levar bastonadas percebi que quem estava atrás das viseiras já não eram pessoas.
Fugimos, mas por mais rápidos que tentássemos ser, eram pessoas a mais para conseguirem ser mais rápidas que a polícia. Felizmente não recebi carga, infelizmente porque atrás de mim tinha um escudo humano a tentar fugir. Ao meu lado, um senhor tentava fugir com a mulher de cerca de 50 anos, que chorava com a cara cheia de sangue. Não, esta senhora não levou com pedras dos manifestantes. Esta senhora estava cá atrás. Esta senhora levou com um cassetete.
Fugimos para uma rua afastada, onde pensávamos estar todos seguros e mostrar à polícia que não queríamos estar na confusão, nós os CIDADÃOS PACÍFICOS. Nada nos valeu, pois a polícia perseguiu as pessoas pelas várias ruas em redor da Assembleia, carregando em todos. O que me safou foi uma porta aberta de um prédio, onde me refugiei com mais 8 CIDADÃOS, incluindo jornalistas da Lusa. O que lá fora se passava era incrível. Uma senhora de idade que chegava a casa tentava entrar no seu prédio mas a polícia gritava-lhe para que descesse a rua.
Só mais de 30 minutos depois conseguimos sair e o que mais me impressionou foi a quantidade de sangue que havia pelos passeios, bem longe da Assembleia.
NÃO ACREDITEM EM MENTIRAS. ERA POSSÍVEL NÃO TER PERSEGUIDOS CIDADÃOS PACÍFICOS QUE FUGIAM POR RUAS AFASTADAS MAIS DE 200 METROS DA ASSEMBLEIA.
Mesmo quando estava “barricado” no prédio, mesmo com a porta fechada tive, pela primeira vez, muito medo da polícia.
O que sinto agora não é nem raiva, nem revolta. É um vergonha enorme e uma imensa e profunda TRISTEZA.
É assim que se tira a vontade ao povo civilizado de se manifestar. Tira-se-lhe a esperança.
"

Diria, em jeito de conclusão, que, com esta actuação da polícia, os alicerces da "refundação" ficaram ainda mais à vista. 

Um cábula de primeira


Os elogios de circunstância proferidos por Merkel durante a recente visita a Portugal são insuficientes para escamotear a realidade de que este governo, ao qual, estranhamente, tem sido atribuído o título de "bom aluno", não passa, efectivamente, dum cábula. Os sucessivos falhanços nas metas acordadas com a troika em relação ao défice,  não consentem outra leitura.
Porém, se se vierem a confirmar os rumores que circulam segundo os quais o défice este ano pode chegar perto dos 9% do PIB, então teremos que concluir que o governo de Passos, Gaspar, Portas & Cª é, não só um cábula, mas um cábula de primeira. E "teimoso que nem um burro". Isto digo eu, que faço acompanhar a comparação de um pedido de desculpas dirigido a tão simpáticos animais.