quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Sem passado e sem futuro

Se Seguro rejeita o passado do seu partido, passado de que se deveria orgulhar, certamente que também não terá grande futuro. Pelo menos, com o meu voto em eleições legislativas, deixou de contar. Digo isto para que conste e para não ter que gastar mais latim com semelhante figura.
Atrás de Passos, outro Passos? Não!!!!
(Imagem daqui)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Varredela

Consta que Passos Coelho está a preparar uma remodelação no governo. A bem dizer não se trata duma  remodelação. É mais propriamente uma varredela de pessoal menor. Os "cancros", pelos vistos, só serão erradicados aquando da varredela geral. Que já tarda.

Será que o Palácio de São Bento ainda está de pé?

Será que o Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República, símbolo máximo da democracia  portuguesa, depois de tão "violento ataque" ainda permanecerá de pé?
Se o PSD considera a recusa de todos os partidos da oposição em integrar a dita comissão como um caso de extrema gravidade é, porque, para o maior partido do governo, a democracia  é um regime próprio de ovelhas e carneiros onde nem à oposição é permitido dizer não. 
Nem toda a gente, pelos vistos, aceita fazer parte do redil. Felizmente.

Regressos e outros "sucessos"

Portugal "regressou aos mercados", um "sucesso", no dizer de banqueiros, governantes, jornalistas, comentadores, farsantes e outros meliantes. Cumpre, no entanto, salientar que há, entre jornalistas e comentadores, honrosas  excepções, pois nem todos se vendem por lentilhas feijões.
No que respeita a "sucessos" há, porém, outros "regressos"  que convém lembrar.
Pois não é verdade que centenas de milhares de portugueses estão de regresso aos caminhos da emigração, porque na terra onde nasceram falta o pão?
E não haverá quem esteja a regressar à "sopa dos pobres", não faltando até quem, pela primeira vez, nela se veja forçado a ingressar?
E que dizer das pessoas idosas albergadas em lares e noutras instituições de acolhimento forçadas a regressar as suas casas ou a casas de familiares, porque as suas magras pensões são indispensáveis ao equilíbrio da débil economia  dos respectivos agregados familiares?
E também não é verdade que milhares de emigrantes que pensavam ter encontrado em Portugal a terra prometida, estão de regresso às  origens, porque em Portugal se acabou o "leite e o mel?

Mas se há "regressos" também há "não-regressos" a ter em conta como bons indicadores de "sucesso".
Há, por exemplo, centenas de milhares de desempregados que não conseguem regressar ao trabalho;
Há (outro exemplo) milhares de portugueses que são despejados na rua, impedidos de regressar a casa, porque esta deixou de ser sua. 
Entre regressos e não-regressos não faltam motivos para que este governo possa reivindicar "sucessos" e mais "sucessos".

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

No melhor (?) pano cai a nódoa

Arménio Carlos, líder da CGTP, durante o discurso proferido na manifestação dos professores, no sábado passado, usou a expressão "o mais escurinho, o do FMI" para se referir a  Abebe Selassie, chefe da missão do FMI.
Até onde e quando menos se espera, o racismo, ainda que larvar, ousa levantar a cabeça. No mínimo, lamentável. 
(Notícia e imagem daqui)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Vitória de Pirro

"A abertura dos mercados trará mais facilidade de financiamento a bancos e empresas. Mas a austeridade este ano será brutal, a punção sobre os rendimentos familiares draconiana e o desemprego continuará a crescer de forma galopante. Gaspar está a recuperar a nossa soberania financeira sobre a devastação da economia. A vitória de Pirro também foi assim."
(Nicolau Santos; "Para não dizer que não falei de flores"; in Caderno de Economia do "Expresso" de ontem - extracto)

"E o que é eu ganho com a emissão de dívida?"

Alguém faz a pergunta em título, no Caderno de Economia do "Expresso" de ontem (pág.3) e encarrega-se, ao mesmo tempo, de dar a resposta: "Para as famílias segue tudo como dantes".
Nada, é a resposta.

Um desenho também vale por mil palavras


(Autoria: Rodrigo de Matos, in Caderno de Economia  do "Expresso" de ontem)
(Clicando na imagem, amplia)

sábado, 26 de janeiro de 2013

Sem tirar, nem pôr (2)

A encenação

"Nem tudo o que luz é oiro"

E lendo o escrito de João Pinto e Castro (v. infra) fico com a ideia de que, no caso em apreço, nem pechisbeque chega a ser.

"O quase simultâneo "regresso aos mercados" (designação ambígua servida à opinião pública) de Espanha, Irlanda e Portugal marcou uma nova viragem na zona euro com consequências vastas, duradouras e difíceis de entender. Convém por isso que tentemos compreeender o que de facto mudou.


A primeira transformação é da ordem do simbólico, com imediatas repercussões no contexto político. Como uma parte substancial dos opositores e dos comentadores cépticos apostou abertamente na impossibilidade de Portugal "regressar aos mercados" em Setembro de 2013, é inevitável que o governo disfrute deste momento de glória para argumentar a favor das escolhas que fez nos últimos 18 meses.

Há, por conseguinte, uma vitória clara do governo, faltando saber-se quanto tempo ela resistirá à inevitável constatação de que vêm aí mais desemprego, mais recessão e mais penalizações para os pobres e para a classe média. Há também uma vitória para Durão e para a Comissão Europeia, que não se têm cansado de anunciar que a crise do euro está "ultrapassada". Finalmente, também Merkel reforça a sua imagem interna de chanceler que evitou uma pesada factura a pagar pelos contribuintes alemães. O maior vencedor, porém, foi o Banco Central Europeu.

Para Portugal, Espanha, Irlanda e Itália nada de substancial mudou. Na verdade, até piorou um nadinha, quando substituiram dívida mais barata por dívida mais cara só para se gabarem de poderem financiar-se directamente nos mercados.

Mas a questão fulcral, como o Ministério das Finanças prontamente fez notar, é que a austeridade não será de forma alguma aliviada. Convém perceber porquê.

A melhoria da situação na zona euro, anunciada pela drástica e rápida descida dos juros das dívidas soberanas nos mercados secundários, em nada se deve a um progresso nos países mais fragilizados no que toca aos seus défices, às suas dívidas e às suas perspectivas de solvabilidade - bem pelo contrário.

Qualquer observador isento reconhece que o que fundamentalmente mudou foi a atitude do BCE (mais precisamente desde o Verão passado), ao anunciar que não hesitaria em intervir directamente em socorro dos países em dificuldades para assegurar a salvação e a integridade da zona euro. Espanta um bocadinho como essa promessa foi considerável credível, mas a verdade é que foi mesmo.

A contrapartida desta mudança de política, assumida por Draghi contra a inepta herança de Trichet, é que o apoio do BCE está agora directamente dependente da avaliação que o banco central faz da bondade das políticas orçamentais anuncidas pelos estados, sem necessidade da presença directa de troikas ou da assinatura de memorandos de entendimento.

Este novo método foi experimentado com êxito na Itália e na Espanha. Tem, para os respectivos governos, a grande vantagem de evitar a entrada de um corpo expedionário de ocupação financeira (vulgo troika) e a explicitação de condições humilhantes e ofensivas para o patriotismo dos indígenas.

Mas tem também o grandíssimo inconveniente de ser menos transparente, mais discricionário e virtualmente perpétuo. A submissão temporária aos ditames da troika que calhava em sorte a cada país e que era reduzida a escrito num documento minimamente fundamentado e negociado foi desde agora substituída por outra permanente e ilimitada, de tal modo que cada país fica à mercê das declarações públicas de Draghi favoráveis ou desfavoráveis ou mesmo, quando isso lhe der mais jeito, de um mero telefone ao respectivo ministro das finanças.

Ademais, estamos perante uma transferência de poder e soberania da Comissão Europeia para o BCE. Não era bem deste tipo federalismo comandado por banqueiros que estavam à espera, pois não?"

(João Pinto e Castro; Troika forever; daqui; negrito meu)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Uma pena...

... ter saído só e desacompanhado.

Não se vende ? Estrangula-se.


Frustrada a privatização da RTP e o mirabolante negócio da venda de 49%, com entrega da gestão à Newshold, nem por isso o ministro Relvas ficou desempregado e muito menos se pode considerar um derrotado. Pelo contrário, o ministro tem já entre mãos o "processo ambicioso, muito exigente e doloroso” de proceder à “reestruturação profunda” da RTP, reestruturação que, a confirmarem-se as notícias, passa pelo despedimento de 600 trabalhadores, numa operação que representa, nem mais nem menos, que o estrangulamento da empresa pública de televisão e de radiodifusão.
Um processo que pode ser visto como uma espécie de "vingança do chinês", ou melhor, uma vingança do Relvas, o único ministro que é capaz de levar a cabo o "doloroso" processo com todo o gosto e que, através desta manobra, consegue transformar a aparente derrota, às mãos de Portas, em mais uma vitória.
As notícias que davam o Relvas de saída do governo, após após a resolução do imbróglio da privatização, eram, não só manifestamente exageradas, como completamente erradas. Relvas, de ministro indescartável pela sua nunca explicada ligação a Coelho, passou também a ser imprescindível. Não só pela razão supra, mas também porque o governo, sem Relvas, podia ainda ser uma espécie de governo, mas não era a mesma coisa. Relvas e o governo, até nas equivalências, se conjugam: se Relvas é equivalente a um licenciado, o governo é equivalente a uma comissão liquidatária.

Votar com o calcanhar

"200 mil portugueses saíram do país nos dois últimos anos."
(Notícia e imagem: daqui)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O "regresso" de uns e o "sucesso" de outros

Ao contrário do que se poderia supor, por ser assunto na ordem do dia, não estou a falar do badalado "regresso aos mercados", um sucesso, no dizer de governantes, de banqueiros e de outros beneficiários  da árvore das patacas, como Catroga,  embora, pessoalmente, não tenha ainda conseguido descortinar em que se traduz tal sucesso a não ser que se considere que o sucesso reside num maior endividamento a uma taxa de juro que é superior à média que o país já está a pagar.
Deixemos, entretanto, esse assunto de parte para tratar do tema que aqui me traz e que tem também a ver com um regresso que mostra até que ponto vai a falácia do apregoado sucesso. 
Precisando: refiro-me ao regresso às suas casas ou às casas dos seus familiares por parte das pessoas mais idosas entretanto recolhidas em lares e noutras instituições de acolhimento, regresso que é motivado pela necessidade de as famílias se socorrerem das pensões dos seus membros mais idosos, normalmente magras, mas ainda assim necessárias para minorar as dificuldades enfrentadas por um cada vez maior número de agregados familiares.
Não estou a inventar uma história. A descrição desta situação ouvi-a, num canal de televisão, da boca de duas personalidades ligadas à Igreja Católica, sendo  uma delas o presidente da Cáritas Portuguesa, entidade que julgo ser insuspeita de parcialidade em relação às forças políticas no poder.
Será que quem fala de "sucesso" a propósito do dito "regresso aos mercados" consegue pôr os olhos  nestas realidades e noutras semelhantes que são tantas que  seria fastidioso referi-las aqui? Por certo que não,  pois que se o fizessem, numa altura em que a multidão dos que estão desempregados e dos que auferem salários de miséria não pára de aumentar, dar-se-iam conta de que falar em sucesso, soa quase a insulto dirigido a quem passa por enormes  dificuldades.
Compreende-se, no entanto, que assim seja, pois tal gente vive num mundo bem diferente. Um mundo em que palavras como pobreza, desemprego e miséria não fazem sequer sentido. No "mundo" deles, a economia não decresce. Pelo contrário, a economia medida pelos seus rendimentos que, por sinal, têm vindo a aumentar, até se pode dizer que é pujante e, claro, no "mundo" deles, o empobrecimento forçado a que a generalidade da população tem vindo a ser sujeita é, naturalmente, um sucesso. Mas deles e só deles.
(Título reeditado)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

"Qual é a pressa?"

Por três vezes ouvi António José Seguro fazer a pergunta em título, respondendo desta forma às perguntas feitas pelos jornalistas sobre a data da realização do próximo congresso do PS, pergunta que faziam e que  faz todo o sentido sabendo-se que o actual deputado do PS, Pedro Silva Pereira, defendeu publicamente que o próximo congresso do PS se deveria realizar o mais depressa possível, logo, antes das eleições autárquicas, posição que é semelhante à de outras personalidades e dirigentes do partido e à de milhares de votantes, ainda que não militantes, do PS, grupo onde me incluo.
Como Seguro ainda não percebeu qual é a pressa, aqui vai o meu modesto contributo: pessoalmente tenho pressa na realização do Congresso, na esperança de que surja, na liderança do partido, alguém a quem possa entregar, com confiança, o meu voto, quando os portugueses forem chamados de novo às urnas. 
Será que Seguro, para compreender a pressa, precisa que lhe façam um desenho? 

De vitória em vitória até ao descalabro total

Pagar uma taxa juro à volta de 5% (entre 4.85% e 4,95%, segundo avançam os jornais) não parece que possa levar a que se considere como um êxito o antecipado regresso aos "mercados" para colocação de dívida pública, a 5 anos, por parte do Estado português.A afirmação parece-me tanto mais óbvia quanto é certo que a taxa de juro dos fundos concedidos pela troika e ainda não integralmente utilizados é considerada muito elevada, não obstante ser bastante inferior à agora exigida pelos "mercados".
Face ao diferencial entre as duas taxas de juro (a da troika e a exigida pelos mercados) parece-me mesmo evidente que este apressado "regresso aos mercados" só pode ter uma explicação: o governo antecipa que, lá mais para a Primavera e para o Verão, as condições do "mercado" vão ser bem menos favoráveis. E tem boas razões para assim julgar. De facto, todas as previsões, mesmo as do governo apontam no sentido de que a economia continuará a derrapar e o desemprego a aumentar.
Aliás, hoje mesmo ficou a saber-se que a dívida pública portuguesa superou, em Setembro, os 120% do PIB e que é agora a terceira maior dentro União Europeia, ultrapassando, pois, o nível a partir do qual a dívida pública é geralmente considerada como insustentável.
Este antecipado "regresso aos mercados" tal como o pedido de alargamento do prazo dos empréstimos concedidos pela troika apresentado pelo ministro Gaspar em Bruxelas, contrariando frontalmente o anterior discurso do governo (nem mais dinheiro, nem mais prazo), têm sido apresentados pelo governo e pelos partidos da maioria como sucessos atribuíveis à Comissão Liquidatária "Passos, Gaspar Portas & Cª".
Quanto a mim, trata-se, pelo contrário, de demonstrações de que a política do governo falhou redondamente, mas, provavelmente, sou eu, que não percebo nada de economia, que estou enganado. Mesmo assim temo que, com "vitórias" destas, Portugal se encaminhe, velozmente para o descalabro total.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pavão que as suas penas despe e alheias veste...

O Pedro, o tal que é uma espécie de primeiro-ministro, tem vindo a reclamar para si próprio e para o governo de caricatura que alegadamente lidera, o mérito da descida nas taxas de juro incidentes sobre a dívida pública portuguesa, descida que ultimamente tem vindo, de facto, a ocorrer.
Para se constatar que tal não corresponde à realidade, basta atentar nos gráficos infra, onde é bem visível que a baixa das taxas de juro tem ocorrido, simultaneamente, em todos os países da zona euro com problemas de sustentabilidade da sua dívida pública.

Tem sido assim na Grécia;
na Espanha;

em Itália;

tal como em Portugal:

Como é óbvio, a simultaneidade da descida das taxas de juro em relação à divida pública de todos estes países só pode ser explicado pelo aumento da confiança dos "mercados" no que respeita à solvabilidade da dívida pública dos países em questão, graças às medidas entretanto adoptadas pelo BCE. 
Sobre isso ninguém de boa fé tem dúvidas, tanto mais que a absoluta irrelevância, a nível europeu, do Pedro nem sequer consente que a dúvida se instale.
O Pedro até pode armar-se em pavão, mas está à vista que as penas com que se enfeita não são as dele.
Cuida-te, pois, Pedro: pavão que as suas penas despe e alheias veste, o mais certo é ficar nu. 
(Os gráficos foram retirados daqui)

"Nunca tão poucos fizeram tanto mal a tantos, em tão pouco tempo"

"O enorme aumento de impostos que, com as primeiras simulações de salários liquídos para este ano, começou a ser real na vida dos portugueses, nasce de um logro, que foi tendo diferentes versões ao sabor dos impulsos comunicacionais do Governo.

Primeira versão ... Este aumento de impostos foi a alternativa às alterações na TSU. É mentira. O efeito da alteração na TSU corresponderia, na melhor das hipóteses, a cerca de 25% da receita do Estado agora prevista com o colossal aumento de impostos.

Três quartos do aumento de impostos que estamos a sofrer teriam sempre de acontecer, para tapar o buraco criado em 2012.  Segunda versão ... Este aumento de impostos decorreu da decisão do Tribunal Constitucional. É mentira.

O que se passou foi que a execução orçamental derrapou de tal forma que só o alargamento da medida de retirada, por via directa ou por aumento de impostos, dos subsídios a todos os trabalhadores permite aumentar a receita nos valores necessários.

Terceira versão ... Este sacrificio vai permitir, finalmente, equilibrar as contas. É mentira. E já a ouvimos em 2012. O resultado está à vista. E vai-se repetir. Porque hoje já sabemos que os pressupostos do OE para 2013 estão errados. Confirmado pelo Banco de Portugal: A queda do PIB não vai ser só de 1%, o desemprego não vai ser só de 16,4% e a procura externa não se vai manter forte. Pior, com a quebra de PIB e de investimento, estamos a criar condições para não voltarmos a ter crescimento nem tão cedo.

Preto no branco: se o Governo tivesse levado a sua avante os trabalhadores teriam perdido 7% do seu vencimento para o aumento da TSU e mais qualquer coisa como outros 7% para o aumento de impostos (valores médios). Ao todo, 14%. Assim vão perder (em média) 9 ou 10%, entre redução de escalões, taxa extraordinária e redução das deduções.

É menos mau, mas ainda assim é terrível. Por onde vai o Governo? Dúvido que alguém consiga, com seriedade, explicar qual será o racional por detrás das opções. A não ser que o racional seja mesmo o de levar o país a um retrocesso de 20 anos, condenando da mesma penada os próximos 30.

Se não é, parece. Certeza, só esta: desde 1974 nunca tão poucos fizeram tanto tanto mal a tantos, em tão pouco tempo."
(Marco Capitão Ferreira; Preto no branco; aqui)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Cuida-te, Pedro!

Passos Coelho mente com tanta facilidade que suponho que a mentira lhe é tão natural como o respirar.
O Jornal de Negócios ("link" supra) faz o favor de lembrar ao Pedro as várias declarações de incentivo à emigração proferidas por membros do seu governo, incluindo o próprio Pedro Passos Coelho.
Ei-las:
- "se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras" (secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Alexandre Mestre)
- "Quem entende que tem condições para encontrar [oportunidades] fora do seu país, num prazo mais ou menos curto, sempre com a perspectiva de poder voltar, mas que pode fortalecer a sua formação, pode conhecer outras realidades culturais, [isso] é extraordinariamente positivo" (ministro Relvas)
"Nós temos hoje uma geração extraordinariamente bem preparada, na qual Portugal investiu muito. A nossa economia e a situação em que estamos não permitem a esses activos fantásticos terem em Portugal hoje solução para a sua vida activa. Procurar e desafiar a ambição é sempre extraordinariamente importante" (Relvas em dose dupla)
- "Angola, mas não só Angola, o Brasil também, tem uma grande necessidade ao nível do ensino básico e do ensino secundário de mão de obra qualificada e de professores.Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou querendo-se manter, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa". (Passos Coelho).

Mentir tão descaradamente, já não é defeito, é feitio. Ou melhor dito: é doença. Cuida-te, Pedro!

Gente fina é outra loiça

O banqueiro Ricardo Salgado "esqueceu-se", diz o i, de declarar ao fisco 8,5 milhões de euros. Um "esquecimento" de todo o tamanho, é verdade, mas, pelos vistos, compreensível, na perspectiva do jornal, para quem nada em tanto dinheiro.
Outro que fosse o autor da proeza e um não frequentador da alta roda, e por certo que o jornal teria  encontrado um termo mais adequado para caracterizar a situação. No mínimo: fuga ao fisco. E fraude, por que não? 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"Turbatio sanguinis"

Quem é, afinal, o pai do "aborto"? O governo diz que o pai é o FMI. Este, por sua vez afirma que o governo português não só tomou a iniciativa, como meteu a "mão na elaboração do (...) relatório, apresentando sugestões para o corte de quatro mil milhões de euros na despesa pública". 
São, pois, dois (o governo e o FMI) os intervenientes simultâneos na geração, caso que configura um exemplo perfeito de turbatio sanguinis". Num caso destes, em que nenhum dos possíveis ou potenciais progenitores quer assumir a paternidade, recusa que, neste caso, até se compreende, visto tratar-se dum "aborto", não é  fácil a atribuição da paternidade. Ou antes, não era, porque, nos dias de hoje, já é felizmente possível recorrer à genética para determinar, com elevado grau de probabilidade, quem é o pai da "criança". 
E a prova aí está. Na verdade, os genes já descobertos durante a investigação mostram, com suficiente clareza, que o governo de PPC é o verdadeiro pai do "aborto". O facto de este vir embrulhado em roupagens pertencentes ao FMI, foi a forma encontrada para disfarçar a verdadeira paternidade. Os genes, porém, não enganam.

Uma resposta à altura da ofensa: cortar-lhes o pio

A proibição imposta à comunicação social pela organização da conferência sobre a reforma do Estado patrocinada por PPC, proibição traduzida na impossibilidade de relatar o que viria a ser dito pelos diversos intervenientes, com ressalva, no entanto, dos momentos de propaganda a cargo do secretário de Estado Moedas, no discurso de abertura, e do próprio PPC, no discurso de encerramento, revela, com meridiana clareza, que o governo PPC considera a comunicação social não como um meio de informação ao serviço dos cidadãos, mas apenas e só como um instrumento de propaganda ao serviço do poder.
É evidente que o comportamento da organização da conferência, merecia uma resposta à altura da afronta, resposta que, a meu ver, deveria passar pelo boicote de toda a conferência, recusando a comunicação social a transmissão dos discursos de Moedas e de PPC, e o deste muito em particular, porque ele é, afinal,  o responsável último pela decisão de limitar o exercício da liberdade de informação.
Não sei, nesta altura, qual a atitude que a comunicação social terá tomado ou virá a tomar, se é que alguma. Sei sim que se a comunicação social não reagir a este claro acto de censura, cortando o pio aos dois governantes, em missão de propaganda, é porque aceita de bom grado toda e qualquer limitação à liberdade de informação, sujeitando-se, sem protesto, a ser tratada como um mero veículo de propaganda.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Pela calada

Depois de um relatório encomendado, pela calada, pelo governo, elaborado, também pela calada, por técnicos do FMI, temos agora uma conferência sobre a reforma do Estado, organizada por iniciativa da espécie de primeiro-ministro que nos coube em desgraça, igualmente pela calada.
Não é desta forma (pela calada) que actua a ladroagem?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"Comissão de cortes"

Que sentido faz a criação duma comissão eventual para a reforma do Estado, se nem o governo, nem a maioria par(a)lamentar que a pretende criar,  apresentaram ainda qualquer documento ou qualquer proposta sobre a matéria?
A menos que a ideia seja a de debater os cortes propostos no relatório dito do FMI, mas encomendado pelo governo. Se assim for, à comissão deveria ser atribuída a designação de "comissão de cortes", como diz o líder da bancada parlamentar do PS, Carlos Zorrinho e, nesse caso, faz todo o sentido que os partidos da oposição se recusem a participar na palhaçada.
O dito não significa que os partidos da oposição se devam abster de participar num debate sério sobre a reforma do Estado ou que, inclusive, não possam e não devam as forças da oposição, tomar elas próprias a iniciativa de o promover, no Parlamento e fora dele, se entenderem que esse debate faz sentido. Se entenderem o contrário, que o digam claramente para ver se a gente se entende.

Pontos nos is

"Foi a rejeição do PEC 4 que precipitou a crise de financiamento" [Teixeira dos Santos, ouvido na comissão parlamentar de inquérito às parcerias público-privados (PPP) onde adiantou que "houve um programa, chamado PEC 4, que teria permitido ao país enfrentar as dificuldades que tinha na altura", pois o Governo tinha "um acordo com o Banco Central Europeu (BCE) que garantia condições de financiamento semelhantes às que neste momento estão a ser concedidas à Espanha."]

Graças a Zeus, ainda há alguém com memória e com capacidade para pôr os pontos nos is!

"Aldrabice"*

"Há semanas, os media portugueses juravam que nunca mais um acrónimo internacional sonante e cartões de visita de "consultor" os fariam propagar balelas. Assim, quando por exemplo o diretor do Jornal de Negócios divulga um relatório do FMI e o qualifica de "análise correta", em sintonia com as direções de outros jornais económicos, é de acreditar.
Pena que o documento esteja cheio de propostas inconstitucionais - desde quando é que é "correto" infringir a lei? -, de falsificações grosseiras da realidade (diz que o atual governo "melhorou a avaliação dos professores"), de afirmações risíveis pela sua total descontextualização (como a de que Portugal apresenta nos últimos 30 anos um dos mais elevados incrementos de despesa na saúde das economias avançadas - o Serviço Nacional de Saúde foi criado em 1979, estúpidos), assim como de contradições e conclusões abusivas e infundamentadas.
O DN de ontem iniciou o levantamento de erros e distorções, sobretudo na área da educação; no i demonstrou-se o ridículo de dizer que o sistema de pensões deve ser alterado para incrementar o envelhecimento ativo - somos o país da UE com mais idosos acima dos 65 que trabalham, 14,4% contra 4,8% de média -; o próprio Negócios desmontou a ideia de que as prestações sociais beneficiam sobretudo os mais abonados. Mas há muito mais: o FMI reconhece estar o gasto em subsídio de desemprego abaixo do da generalidade da UE e que não se deve, num momento de crise severa, mexer nos apoios sociais no fito exclusivo da poupança; a seguir propõe passar o subsídio, ao fim de 10 meses de desemprego, para 400 e poucos euros. Objetivo? Cortar "de 300 a 600 milhões".
Pior: na página 62, calcula-se a poupança resultante da preconizada generalização dos contratos de associação (baseada na asserção, "justificada" com resultados do PISA de há uma década e a não consubstanciada melhor performance das escolas privadas com contrato de associação, de que o sistema público é ineficiente) em 580 milhões de euros. Como? Citando o relatório do Tribunal de Contas que estima ser cada aluno em escolas com contratos de associação mais barato 400 euros que nos estabelecimentos públicos, e multiplicando esse valor pelo 1,5 milhão de estudantes portugueses de todos os graus de ensino abaixo da universidade. Num tocante acesso de honestidade, o FMI reconhece em rodapé que um outro estudo - encomendado por este governo - calcula a diferença em apenas 50 euros; mas escusa-se a justificar a escolha da verba mais alta, como a reparar que o TC reconhece estarem as suas conclusões desatualizadas (devido aos cortes efetuados desde 2010). Quanto ao facto de o outro estudo dizer que cada turma dos 2º e 3º ciclos no público custa menos 15 mil euros que em contrato de associação, nem vê-lo.
Ideologia travestida de parecer técnico, diz-se. Também, claro. Mas sobretudo incompetência e desonestidade. De quem o fez, de quem o avaliza e de quem o não denuncia."
(Fernanda Câncio; "No fundo do fundo"; in DN)
(*Dou a este "post", em que transcrevo o excelente texto de Fernanda Câncio, o título "Aldrabice", termo empregue pelo António Costa para classificar o relatório, na "Quadratura do Círculo", juntando assim o útil ao agradável. Confirme aqui e aproveite para também ver o que Pacheco Pereira diz, em resumo, sobre o assunto.)