sexta-feira, 5 de julho de 2013

Eleições já! (IV)

"(...)
Exigir eleições, nestas circunstâncias, é exigir o mínimo de decência. É combater o sequestro de um país inteiro por um pequeno grupo de experimentalistas delirantes ao serviço de uma pequena elite financeira com a cumplicidade chocante do Presidente da República. A coisa é simples: Portugal não tem governo, precisamos de eleições para preencher esse vazio indisfarçável. Tudo o resto é insulto para a democracia."
(José Manuel Pureza; "Réquiem"; Na íntegra: aqui)

Eleições já! (III)

"Convenhamos que não faz qualquer sentido um primeiro-ministro escolher a ministra das Finanças sem ter, previamente, merecido a concordância da liderança do parceiro da coligação. Não faz mesmo qualquer sentido...
E, muito embora tenha, desde sempre, sido dos que, na área do Partido Socialista ( que o mesmo é dizer, da social-democracia ), se mostraram a favor da manutenção do actual Executivo até ao final do mandato, não vejo como se apresenta possível, nas presentes circunstâncias, evitar eleições antecipadas.
Que as mesmas representam um custo elevado para o País, é verdade. Mas, quais são, neste momento, as alternativas? Um Governo de iniciativa presidencial? Se há alguma certeza sobre o que o Presidente pensa acerca do exercício das suas funções, é que entende que não deve substituir-se aos partidos e ao Poder Executivo.

(...)
O Governo caiu. O Governo PSD-CDS já não existe. E, por conseguinte, goste-se ou não da solução, não me parece que exista qualquer alternativa à realização de eleições. Mas, convirá, em primeiro lugar, sublinhar a actuação inaceitável do Primeiro Ministro. Jamais deveria ter proposto para o lugar de Ministra das Finanças alguém que não merecia o apoio do parceiro da coligação. É de uma irracionalidade total, completa e absoluta, para além de condenável ao nível dos valores. Em segundo lugar, convém sublinhar a actuação infeliz, para não dizer desastrosa, de sua excelência o Presidente da República.
(...)
(António Rebelo de Sousa; "Sem sentido". Na íntegra: aqui) (Destaque da minha conta)

Eleições já! (II)

"(...)
Este Governo está a implodir, e por culpas apenas próprias. Por muito que quem tem o poder a ele se queira agarrar é inevitável que, senão já, a muito breve trecho, o Governo se demita, ou que seja dissolvida a Assembleia da República. Vamos, mais dia menos dia, para eleições. Não acaba aí o Mundo. O fim da história não chegou. A ‘troika' esperará pelas eleições e falará com quem as ganhar. A Europa também. Os países em assistência ou perto dela já todos passaram por eleições e não houve nenhum dos cataclismos com que agora nos acenam.
Sabendo-se que teremos de ir para eleições, o melhor momento é já. Duas razões: os investidores gostam de tudo, menos de incerteza, e quanto mais cedo souberem com quem vão ter de lidar melhor e, neste momento, há liquidez para um ano e não vamos ter nenhuma ruptura de pagamentos. O Orçamento do Estado seria apresentado mais tarde e entraria só em final de Janeiro ou início de Fevereiro. Mas daí também não virá nenhum mal ao Mundo. Antes isso que este Governo apresentar um Orçamento para 2014 e depois haver eleições e só termos um orçamento de 2014 definitivo muito mais tarde.

(...)"
(Marco Capitão Ferreira; "A brigada do reumático". Na íntegra: aqui. Destaque meu)

Eleições já! (I)

"(...)
Com este cenário, ao fim de três dias e múltiplas reuniões, Passos Coelho e Paulo Portas continuam a brincar à política partidária e incapazes de apresentar uma solução. Hoje foi mais um dia sem Governo. E, se alguma surgir, será sempre fraca e má. A ruptura dentro da coligação é profunda e, mais importante, os portugueses perderam o respeito por este Governo. Mesmo que continue em funções, não terá força, nem apoio, para fazer as reformas necessárias para tirar Portugal da crise. Por tudo isto, só há uma solução para este imbróglio: eleições, o mais rapidamente possível."
(Bruno Proença; "Eleições já". Na íntegra: aqui)

O problema

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A "brincadeira" continua

Dizem que Paulo Portas (PP) é muito inteligente. Pode ser, embora as suas atitudes mais recentes indiquem  precisamente o contrário. Em qualquer caso, do que não restam dúvidas, é que PP não é consequente, ao dar o dito por não dito. 
O impossível, há dois dias, está a caminho de se tornar viável, visto que, ao que se anuncia, as negociações para manutenção da coligação governamental estão bem encaminhadas, tudo apontando para a hipótese de Portas vir a assumir a pasta da Economia.
Se as divergências entre Passos e Portas eram assim tão fáceis de resolver, muito  se estranha que não tenham sido resolvidas atempadamente. A remoção do "Álvaro" da pasta da economia, reclamada desde a primeira hora, nunca foi obstáculo de monta.
Os factos demonstram à saciedade que Passos e Portas não têm um mínimo de sentido de estado; que Passos não vê um palmo à frente do nariz; e que Portas não é de fiar. Remendado ou não, o governo perdeu de vez a credibilidade e a instabilidade veio para ficar. Se Cavaco persistir em apoiar esta solução governativa, é mais que certo que a "brincadeira" vai continuar.
(imagem daqui)

Os dias contados

Quando um jornal como o "Público" escreve em editorial que "O Governo tornou-se uma vergonha ambulante" e que "se continuar será um factor de instabilidade", é sinal de que o governo de Passos & Portas tem os dias contados.
Se os líderes dos dois partidos da coligação governamental tivessem em alguma conta o interesse nacional e a credibilidade externa do país, Passos, em vez de se agarrar ao poder com os braços que já não tem, teria, de imediato, pedido a sua demissão de primeiro-ministro, seguindo o caminho deixado aberto pela demissão de Paulo Portas. De facto, é hoje evidente que, quaisquer que sejam os remendos deitados no pano roto, a credibilidade, a legitimidade e a autoridade deste governo estão definitivamente postos em causa.
Espera-se, por isso, em nome do interesse nacional e da credibilidade externa do país, que Cavaco não volte a dar a extrema-unção a este governo moribundo. Se insistir em manter o governo (remendado ou não) em funções, só estará a contribuir para lhe prolongar a agonia. Com consequências desastrosas para o país, consequências, que, de resto, estão já bem à vista.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Giroflé, flé, flá!

Sobre Passos Coelho já ouvimos, da boca de dirigentes do CDS e em vários tons, que é um primeiro-ministro "impreparado" e "incompetente", ideia que, tendo em conta a carta de despedida do ex-ministro Gaspar e por ele tornada pública, parece também ser partilhada pelo "impressionante" ex-ministro das Finanças.
Mas o  que dizer de um partido como o CDS que depois Paulo Portas, o líder do partido, ter anunciado a sua demissão de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, afirmando tratar-se de uma decisão irrevogável, aceita renegociar a coligação, mandatando (imagine-se!) o mesmo líder que acaba de bater com a porta,  para se reunir com o "incompetente" Passos Coelho de forma a encontrar uma "solução viável do Governo"?
Esta gente, com Paulo Portas à cabeça, como é óbvio, anda por certo a brincar com a vida dos portugueses e a comissão executiva que tomou tal decisão só pode ser encarada como uma cambada de garotos reunidos num jardim infantil apostados em continuar com a brincadeira.
Haja quem ponha termo à brincadeira, porque a governação do país não não pode estar entregue a esta garotada. 
Haverá? Em circunstâncias como as actuais é que se nota a falta que faz um Presidente da República. Com Cavaco, pelo menos até agora, não houve.
(reeditada)

Sobre a destruição em curso

Há, ou não há, Presidente da República?

"Passos Coelho e Paulo Portas podem querer continuar a reclamar terem ganho a batalha da credibilidade externa do País. Mas aprestam-se para deixarem os juros da dívida pública nacional de novo bem acima dos 7%, acompanhada de um exército de desempregados, um défice ainda descontrolado, um endividamento crescente, uma espiral recessiva instalada, centrais sindicais na rua e confederações patronais unidas na recusa deste caminho para a economia.
Esta é a realidade - e ela desmente o discurso do primeiro-ministro, que tem da ação do seu Governo uma perspetiva delirante.
É obvio que esta crise é má para Portugal. Mas sendo Passos Coelho e Paulo Portas os únicos responsáveis pelo que se está a passar, um elementar sentido mínimo de bom senso deve aconselhá-los a saírem de cena muito rapidamente. Se lhes faltar isso, resta esperar que Cavaco Silva saiba sair do estado de hipnotismo em que entrou e acabar com a palhaçada. O pós-troika, agora, vai ter de esperar. E o País precisa de saber se tem ou não Presidente da República."
(João Marcelino; "Uma crise patética". Na íntegra: DN) (Os destaques são da minha responsabilidade)

O naufrágio

A Bolsa de valores a cair estrondosamente e os juros da dívida pública a subir de hora a hora, são sinais evidentes de que a situação do país já não é apenas pantanosa. Para os "mercados", pelos vistos,  a situação que o país enfrenta é já a emergência de um naufrágio.
Enquanto isto, o Coelho náufrago limita-se a esbracejar e Cavaco, a quem a Constituição impõe o dever de garantir o funcionamento das instituições da República, dando-lhe os meios e os poderes para o assegurar, limita-se a observar.
Haja alguém que explique o comportamento dos dirigentes políticos a quem o povo entregou a responsabilidade de dirigir o país, sem fazer apelo ao conceito de insanidade. Haverá?

terça-feira, 2 de julho de 2013

O pântano

Quem se tenha dado ao penoso trabalho de ouvir a declaração de Passos Coelho motivada pelo demissão de Paulo Portas não deve ter ficado com muitas dúvidas sobre a sanidade mental do ainda formalmente primeiro-ministro dum governo que, de facto, já não existe. O "rapazola" entrou definitivamente em estado de negação. 
Para Passos Coelho, pelos vistos, há já sinais de que o país vai no bom caminho e ele está pronto a tudo fazer para se manter em funções e para dar continuidade à política em que já ninguém acredita, nem os seus ministros, como resulta, com meridiana clareza, dos pedidos de demissão dos únicos ministros de Estado do governo, Gaspar e Portas.
Certo é que, não tendo Passos Coelho tirado as devidas consequências do pedido de demissão de Paulo Portas, o país vai entrar num período de turbulência com consequências gravíssimas.
Pesa sobre Cavaco a responsabilidade de pôr termo a esta situação pantanosa. Por muito que ele se escude sob a alegação de que o governo não depende politicamente da Presidência da República, certo é que é ao PR que cabe assegurar o regular funcionamento das instituições e este está manifestamente em causa. Não pode Cavaco continuar a lavar as mãos como Pilatos. A gravidade da situação não lho consente. Acho eu.

Pum!

Os estilhaços terão chegado até onde? É só o que falta saber, sendo certo que dificilmente o governo de Passos conseguirá sair ileso deste evento, tendo em conta que estamos perante a demissão do líder do segundo partido da coligação governamental.
A queda imediata do governo seria, a todas as luzes,  a consequência normal desta demissão, mas, como a política portuguesa com estes dirigentes (Cavaco, Passos e Portas) se transformou numa grande palhaçada não me atrevo, para já, a antecipar qual será o desenvolvimento do caso, tanto mais que, para Cavaco, aparentemente, tout va bien.

"Certidão de óbito"

"Vítor Gaspar sai do Governo como não se esperava, especialmente de quem assumiu todo o protagonismo, e nunca o recusou, zangado com a sua incapacidade para levar a efeito a reforma do Estado, zangado com o primeiro-ministro por ausência de uma liderança de suporte ao ajustamento, zangado com os seus colegas de Governo. E assinou (...) a certidão de óbito deste Governo. Só falta saber a data.
(...)
Quando são muitas as dúvidas sobre a capacidade do Governo de levar a cabo a reforma do Estado, Vítor Gaspar deixa claro que não tem dúvidas nenhumas. Não será mesmo para fazer, ou, então, muita coisa tem de mudar. A certidão de óbito está passada, é mais grave do que qualquer declaração de António José Seguro ou qualquer greve geral, e tem a assinatura do mais insuspeito dos subscritores, o próprio Gaspar."
(António Costa, director do "Diário Económico". Na íntegra: aqui)

Coelho ou rato?

A carta de demissão que ex-ministro Gaspar, num gesto inédito, tornou pública, pode, sem necessidade de grande esforço interpretativo, ser vista como uma estocada no debilitado  e "impreparado" Coelho. e na sua liderança. Há quem estranhe que, perante  a virulência, ainda que camuflada, do ataque, se não tenha ouvido uma palavra de Passos Coelho e que este se mantenha calado que nem um rato.
Ainda haverá quem tenha dúvidas sobre a espécie a que pertence o (ainda) primeiro-ministro?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Em desespero de causa

Não vale a pena disfarçar o que é mais que evidente: a demissão de Gaspar representa, nem mais nem menos, do que o completo reconhecimento do seu próprio falhanço no cumprimento das metas acordadas com a troika e, bem entendido, o falhanço da política de austeridade prosseguida pelo governo, na medida em que era sob a sua batuta que se regia a orquestra desafinada, formalmente liderada pelo "impreparado"  Passos  Coelho.
Tendo em conta que o seu pedido de demissão já não é recente, tal significa que Gaspar há muito tinha consciência desse falhanço. Estranhamente, só Cavaco Silva, entretanto transformado em simples marioneta manipulada por Passos, (como se se viu recentemente com o caso da promulgação ultra-rápida da lei que protelou o pagamento do subsídio de férias dos funcionários públicos, dos reformados e pensionistas, para o mês de Novembro) é que ainda não se apercebeu disso. 
Que Cavaco vai continuar a esconder  a cabeça na areia para não ver o que se passa, tenho poucas dúvidas. Melhor dizendo, nenhumas.Será  que Portas vai continuar a fazer o mesmo?
É que se a saída de Gaspar do governo acaba por  ser reveladora da decomposição a que o actual executivo governo chegou, a escolha da pessoa encarregada de o substituir (Maria Luís Albuquerque) torna ainda mais claros os sinais da decomposição.
Como é evidente, a "ilustre" secretária de Estado do Tesouro, agora, estranhamente, promovida a ministra das Finanças, deveria, se neste governo existisse um réstia de decência, ter seguido o mesmo caminho que o trilhado por dois dos seus colegas de governo, responsáveis, tal como ela, pela contratação de swaps, caminho que só poderia ser o do olho da rua. A qualificação eufemística ("exóticos", por contraponto a "tóxicos") atribuída aos swaps em que ela interveio em nada modifica o julgamento, porque, substancialmente, não se consegue enxergar qualquer diferença.
Mas, o que torna esta nomeação ainda mais inverosímil, para não dizer inconcebível, é o facto de a "excelente senhora" ter acabado de ser desmentida pelo ex-ministro Gaspar em relação a firmações feitas por ela no Parlamento ao negar que o Governo anterior tivesse prestado a informação de que dispunha sobre swaps. Passos Coelho não escolheu seguramente a pessoa indicada para tomar conta do Ministério das Finanças, mas, ao que tudo indica, encontrou uma sucessora à altura de Miguel Relvas no que respeita ao tratamento da verdade a que o Parlamento tem direito.
Pelo que fica dito, a nomeação da nova ministra das Finanças tem todos os ingredientes de um verdadeiro escândalo, para o qual só vejo uma explicação: Coelho não encontrou, por certo, nenhuma personalidade com perfil e credibilidade que aceitasse ser ministro/a das Finanças de um governo em decomposição. Por isso, Maria Luís Albuquerque tem de ser vista como uma escolha em desespero de causa.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Orgulhoso e sem medo

Apesar das muitas malfeitorias que diariamente lhe são creditadas, Passos Coelho está orgulhoso da obra feita como primeiro-ministro em (dis)funções. Com franqueza, não consigo descortinar uma só razão para tanto orgulho, mas Sérgio Lavos, muito mais arguto do que eu, encontrou nada mais, nada menos do que 19 motivos para justificar o "orgulho" do disfuncional primeiro-ministro, motivos que se deu ao trabalho de anotar neste texto, cuja leitura vivamente recomendo, pois, não tendo, porventura, esgotado o tema, é mais que suficiente para se poder formar uma opinião. O que eu poderia dizer sobre o tema não adianta nem atrasa, pelo que, quanto ao "orgulho" de Coelho, fico-me por aqui.
Não me dispenso, no entanto, de alinhar umas quantas palavras sobre os medos ou não medos do figurão.
E começo por dizer que compreendo perfeitamente que Coelho não tenha medo dos portugueses, embora a  sua afirmação pareça contrariar os factos, pois, se não tem medo, mal se compreende que ande rodeado de farta segurança, para qualquer sítio aonde vá. 
Em todo o caso, apesar das preocupações com a sua segurança, o facto é que Coelho não tem razões para ter medo dos portugueses. Estes, na verdade, já imenso tempo que não fazem mal a uma mosca e, logicamente, menos razões têm para fazer mal a um mosca-morta, pois não passa de um pau-mandado.
Pelo contrário, já me causa alguma perplexidade a afirmação de que não tem medo do julgamento dos portugueses. Na verdade, uma tal confiança, a meu ver, só pode ter duas possíveis explicações: ou Coelho é um perfeito inconsciente e como tal incapaz de se dar conta  de que a sua política só tem conduzido o país para uma situação de desastre, ou então, está convencido de  que lhe basta alegar que a sua acção se ficou a dever  ao fundamentalismo ideológico que o afecta (fundamentalismo que, como qualquer outro, causa  graves danos à lucidez de quem sofre de tal distúrbio) para garantir um veredicto de inimputabilidade.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

"Portugal não é a Grécia".

O FMI acaba por dar razão ao (des)governo de Passos, Gaspar, Portas & Cª quando este proclama que "Portugal não é a Grécia". Erros grosseiros cometidos pelo FMI  na forma como lidou com a crise da dívida, só na Grécia.
O desastre causado em Portugal pela política de austeridade, é apenas devido à sobredose aplicada pela troika formada por Passos, Gaspar & Portas, com a bênção de Cavaco.
(Des)honra lhes seja feita!

Haja circos!

Pois, segundo é voz corrente, palhaços sem emprego adequado é algo que, pelos vistos, cá não falta.

Valha-lhes a Letónia!

Um bom exemplo, considera Olli Rehn, comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros,  segundo o qual, "a experiência da Letónia mostra que um país pode ultrapassar de forma bem sucedida os desequilíbrios macroeconómicos, mesmo severos, e emergir mais forte".
Portugal, o bom aluno de outrora, ainda vai ser uma grande Letónia. Haja fé, quer dizer o Rehn. E é preciso mesmo muita, porque, por cá, com os números a desmentir a propaganda, se a fé é pouca, a esperança é  já nenhuma.

Megalomanias

Como se prova, com os resultados que, de resto, estão bem à vista: 
Com tais resultados, que mais será necessário para "desterrar" este napoleãozinho, com pretensões a passar por uma espécie de Thatcher com calças, levando consigo o resto da companhia?
É preciso topete e não ter noção do ridículo!
(reeditada)

terça-feira, 4 de junho de 2013

Por montes e vales (12)

Literalmente, por montes e vales, ao longo das arribas entre o Cabo Espichel e as proximidades de Sesimbra, não só para apreciar a beleza da paisagem,...





... mas também para encontrar algumas raridades da flora portuguesa, como a Convolvulus fernandesii (v. infra), espécie que como planta espontânea se não encontra em nenhum outro lugar do mundo, nem sequer noutro local do território português. É pois um endemismo nacional confinado a estas arribas entre o Cabo Espichel e Sesimbra,...

ou esta Withania frutescens (imagem infra) que não sendo um endemismo português, também só se encontra, em Portugal, por estas paragens,

Além de outras, como este Cardo-coroado  (Atractylis cancellata subsp. cancellata) (imagens infra) que não sendo uma raridade, também não é muito fácil encontrar.


***
Andar por montes e vales tem ainda uma outra vantagem não despicienda: dispensa-me de ouvir as lérias dum Passos ou dum Portas e os "avisos" de Cavaco, pois já não suporto, nem lérias nem avisos. Felizmente, Cavaco há já uns tempos que não abre a boca.
(Clicando nas imagens, amplia)

domingo, 2 de junho de 2013

Por montes e vales (11)

Passando por Arronches...

(Vista panorâmica)

Frontaria da igreja matriz (monumento nacional)

(Vista lateral)

(Igreja matriz - pórtico principal - estilo renascentista)

(Igreja matriz - pórtico lateral - estilo manuelino)

(Fontanário)

Com o Caia a banhar-lhe os pés...

Uma voz no deserto?

"(...)
Num tempo em que o País desespera por uma ideologia alternativa à austeridade cega e violenta, por um compromisso que nos devolva ao crescimento e à criação de emprego, por um programa que nos retire da espiral de empobrecimento, por um ideal que preserve o Estado social e a dignidade de quem trabalha ou trabalhou uma vida inteira, os partidos da esquerda persistem teimosamente na luta de coutada.
E foi também contra esta forma de intervenção política, hesitante e oportunista, que António Sampaio da Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, se insurgiu na derradeira intervenção do encontro promovido por Mário Soares. O apelo à renovação dos partidos e da política, o imperativo de criação de uma alternativa à austeridade que, "de ciência certa" não o é, a indignação contra a precariedade laboral, "cancro para o desenvolvimento económico", ou o combate ao desemprego jovem que é "a morte a prazo da sociedade", fazem parte de um manifesto de cidadania obrigatório.
Do que se trata, como bem disse Sampaio da Nóvoa, é de um novo combate pela liberdade, mas também pela soberania. Um combate que não é compatível com a prática da mão estendida perante uma Europa de que fazemos parte de pleno direito. Porque "não podemos perder a pátria nem por silêncio nem por renúncia". Porque, de facto, e como canta o Sérgio Godinho, "só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, habitação, saúde, educação". Tudo aquilo que, em nome da troika, está ameaçado.
António Sampaio da Nóvoa foi, na Aula Magna, pela lucidez e pela coragem, pela proposta e pela convicção, pelo desafio mas também pelo posicionamento ideológico face ao Estado, o denominador comum de tanta gente que não se resigna, que não baixa os braços, que está muito para além dos muros partidários. Basta, aliás, ouvir Pacheco Pereira e tantos outros que não se conformam com este talibanismo financeiro.
O que Sampaio da Nóvoa nos mostrou foi que ainda há esperança. Ao que Sampaio da Nóvoa nos desafiou foi a não desistir. O que Sampaio da Nóvoa nos impôs foi a obrigatoriedade de abrir caminhos que deem sentido ao cansaço de um povo exaurido pelo discurso obcecado e pela prática fanática dos que dizem que não há alternativa. Em democracia existe sempre alternativa. E foi isso, e é isso que o reitor da Universidade de Lisboa está a afirmar.
Não sei se a noite de quinta-feira dará algum fruto maior do que o mero propósito de dizer mal do Governo, da troika e da austeridade. Se for só isto, é só mais uma perda de tempo. Não sei sequer se a Aula Magna pode ter sido o embrião de um qualquer MANP (Movimento de Apoio Nóvoa à Presidência). De uma coisa, no entanto, estou absolutamente seguro. António Sampaio da Nóvoa tem perfil e categoria para ser mais do que o magnífico reitor da Universidade de Lisboa, mandato que, aliás, está prestes a concluir. E cumpre todos os requisitos para devolver credibilidade, confiança e prestígio à Presidência da República.
É certo que as eleições presidenciais ainda estão longe. Mas tenho confiança que, daqui até 2016, António Sampaio da Nóvoa nos continue a dar razões para acreditar e ter esperança no futuro."
(Nuno Saraiva; Manifesto da Esperança. Na íntegra: aqui)
Neste deserto de ideias e de soluções, será António Sampaio da Nóvoa a voz que falta?

Sacrifícios para quê?

Parabéns, Cavaco. Parabéns, Passos. Parabéns, Gaspar. Parabéns, Portas.

Pasmados...

...como "bois [neste caso, vacas] a olhar para um palácio".
Se não é, parece.
E como, em política, com frequência, o que parece, é, fica-se com a impressão de que o (des)governo tem caminho livre para continuar a destruir o país.
Conta, pelos vistos, não só com a cobertura de Cavaco, mas também com a indiferença da população. Cada vez se torna mais verdade que cada povo tem o que merece.  

sábado, 1 de junho de 2013

Negócios de amendoins

Na coluna "Altos e Baixos" na 2º página do caderno de Economia do "Expresso" de hoje um tal Vítor Andrade eleva Paulo Portas às alturas só porque, em resultado da concessão de vistos "gold" a quem se disponha a aplicar capitais em Portugal, (uma medida que o próprio "colunista" afirma ter sido encarada como "uma coisa com piada") já deram entrada 20 milhões de euros.
Estranha-se um tal entusiasmo, quando as necessidades de financiamento da economia portuguesa se cifram em muitos milhares de milhões de euros. Num tal universo, é óbvio que a referida quantia de 20 milhões de euros não passa de uma migalha que está longe de merecer qualquer destaque. A medida pode ser, de facto "uma coisa com piada", mas não mais do que isso. Nem é preciso sequer forçar a nota para se poder afirmar que se trata de um negócio de amendoins.
Ainda assim, ficamos sem saber se o "negócio" não é o equivalente àquele em que alguém oferece um chouriço,  em troca de um presunto.
Por falar nesta "coisa com piada", veio-me à lembrança um outro muito elogiado "negócio" patrocinado pelo mesmo Portas, aquando da sua visita ao Japão. Atribuiu-se, na altura, ao "ministro dos Negócios no Estrangeiro" o mérito de ter conseguido uma encomenda de carne de porco, tendo o feito merecido amplo destaque na comunicação social.
Suponho que tal "negócio" deve ir de vento em popa, embora  nunca mais se tenha falado no assunto e, pelo que se sabe, a  celebrada encomenda ainda não tenha tido reflexos no aumento das exportações.
Perante "estórias" como estas, não pode deixar de surgir a dúvida sobre se não estaremos perante casos de publicidade enganosa, com factura endossada aos contribuintes que, seguramente, não será paga com com sacos de amendoins.

Verdade e fábulas

"(...)
Uma parte crescente do declínio económico prende-se com a desconfiança generalizada entre os empresários face a um Governo - que confunde estratégia com improviso e coragem com imprudente submissão às fábulas da troika - transformado no principal obstáculo à possibilidade de uma recuperação nacional futura."
( VIRIATO SOROMENHO-MARQUES: "Fábula orçamental")
(Na íntegra, com as fábulas e o restante, aqui)