quinta-feira, 17 de março de 2016

E se metessem a viola no saco?

Já tinha lido que o Orçamento de Estado para 2016, ao contrário dos elaborados pela defunta comissão liquidatária formada pelo PSD e CDS, não padece de qualquer inconstitucionalidade, o que, para dizer a verdade, não chega a ser surpreendente, visto que os partidos que o aprovaram não têm pela Constituição da República o desamor que é apanágio dos partidos da direita que, há que reconhecê-lo, têm feito o favor de não o disfarçar.
Surpreendente sim é o facto de um grupo de 17 economistas terem avaliado "o rigor, a transparência e a responsabilidade orçamental do Orçamento", concluindo que, no que respeita aos citados itens, o Orçamento ora aprovado "é o melhor dos últimos anos". (fonte)
Como o PSD e o CDS têm dito cobras e lagartos do Orçamento para 2016, acusando o diploma de tudo e do seu contrário, pergunto-me perante a conclusão tirada por tão ilustres economistas se não terá também chegado a altura de os partidos da direita meterem a viola no saco.

"Um lugar indigno"

«(...)A crítica mais venenosa à posição do PSD relativamente ao Orçamento e à atual conjuntura política não chegou das bancadas da Esquerda. A crítica mais contundente chegou do CDS, quer pelos termos em que foi feita quer porque foi o "partido irmão" que a fez. Basta recordar as palavras do guru centrista António Lobo Xavier, no Congresso do fim de semana passado. Não tem dúvidas, como o PSD não parece ter, de que o Governo de Esquerda levará o país à "degradação económica e das finanças", e classifica essa previsão como uma "profecia trágica". No entanto, o CDS não pretende ficar agarrado a uma profecia e à crença de que ela se autorrealizará. "Nenhum partido pode sublinhar apenas essa profecia. Se é para isso, é um lugar miserável. Se a nossa satisfação é comprovar a profecia isso é um lugar indigno". Lobo Xavier não ficou a falar sozinho. Mas percebeu-se que o CDS ficou sozinho a falar à Direita. O PSD, pela voz do líder da bancada, Luís Montenegro, limitou-se, ontem, a sublinhar a profecia e a anunciar um lugar na primeira fila à espera que ela se autorrealize. António Costa, como José Sócrates em 2009, "dá o que tem e o que não tem para, a seguir, cobrar em dobro o que deu antes", foi repetindo Montenegro em diversas cambiantes discursivas. Profecias e pouco mais. Um "lugar indigno". Segundo o CDS
(Rafael Barbosa."Soube a pouco... e a tanto". Na íntegra: aqui)

Trabalhos de campo # 24: Sedum mucizonia




Sedum mucizonia (Ortega) Raym.-Hamet
(Clicando nas imagens, amplia)

quarta-feira, 16 de março de 2016

As opções da "garotada"*

(* Outro nome não merece um partido que se comporta da forma que aqui se comenta.)

A ler, a ler: "Passos infantiliza deputados do PSD"

«No início do debate orçamental, o PSD não se limitou a anunciar que votaria contra o Orçamento de Estado. Isso é natural, tratando-se de uma estratégia que reverte algumas das mais importantes medidas do governo de Passos Coelho. Medidas que não eram apenas uma forma de ganhar folga orçamental, faziam parte de uma estratégia falhada de tornar a nossa economia mais forte e competitiva. Decidiu que não apresentaria qualquer proposta de alteração e chumbaria todas as que fossem apresentadas.
O PSD justificou esta sua decisão com uma ideia simples: este é o orçamento da geringonça, a geringonça que se amanhe.
É aqui que reside a profunda irresponsabilidade política do PSD: este não é o orçamento da geringonça, é o Orçamento de Estado. Do Estado português. Ao decidir não apresentar propostas de alteração e chumbar tudo o que venha, independentemente do seu conteúdo, o PSD deixou parte dos portugueses sem representação parlamentar.
A coisa é mais ridícula do que isto: o PSD vota contra o cumprimento de compromissos internacionais firmados por Pedro Passos Coelho, explicando ao país e ao mundo que a sua palavra apenas tem valor se continuar no Governo. Reprovar o que se defende porque se discorda de quem o aplica ultrapassa a infantilidade política. É puro niilismo político.
A posição dos deputados do PSD, que aceitaram fazer de jarras no debate do Orçamento, não cumprindo sequer os seus deveres de oposição (apresentar propostas que consideram justas), é a consequência lógica da estratégia da birra: quem, estando contra um Governo, não aceita que é oposição, fica com muito pouco para fazer. A estratégia é infantil mas não é absurda. É a única que permite a Pedro Passos Coelho, agarrado que está a um estatuto que perdeu, sobreviver na liderança do PSD. Mas para o partido é suicida. Ainda mais quando o CDS começará, com a nova liderança, a fazer uma oposição que não ficou presa no ressentimento do passado.»
(Daniel Oliveira, in Expresso Diário de 15 / Março /2016. Fonte)

domingo, 13 de março de 2016

A ler, a ler: "A pele de Cavaco e os milagres de Marcelo"


«1. Portugal largou Cavaco como se mudasse de pele. Nenhuma transição desde o fim da ditadura gerou este alívio, quase uma libertação nacional. Marcelo tomou posse do momento, impaciente de optimismo e ecumenismo: apaziguar, unir, sorrir, curar. Descendo a minha rua, vi lágrimas no meio do povo, aos pés da Assembleia. No item empatia, foi a passagem do zero para a maioria absoluta. E aí vai Portugal para a Primavera de 2016, cheio de fé renovada.

2. Fé em cima de amnésia, toda uma tendência. Portugal erra entre aquilo que larga e aquilo a que se agarra, de qualquer das formas sem pensar muito. Um exemplo daquilo a que se agarra é a aventura épica dos séculos XV-XVI. Um exemplo do que larga é a violência ainda encoberta do Império. As navegações não deixam de ser épicas porque o Império foi violento e vice-versa, os prismas têm várias faces, mas Portugal teme que um ângulo anule o outro, então tapa um e mitifica o outro, em glorificações não apenas ultrapassadas, tendo em conta o que é hoje o conhecimento histórico, como sobretudo sem coragem. Celebrar os Descobrimentos será um suplemento de ânimo sempre à mão; já ir ao fundo do que foi o Império implica enfrentar o que os portugueses também foram/são, ou afinal não. Eis o que o discurso oficial continua a falhar, nas escolas, na política, perante os países de língua portuguesa e a vocação universal de que falou Marcelo.

3. O presente faz e refaz a História, para a frente, para trás. Seremos fontes da história futura, que resultará da forma como Cavaco for pensado agora, do que estes 10, aliás, 20, aliás, 36 anos dizem sobre Portugal. Cavaco foi ministro, primeiro-ministro e presidente com milhões de votos em múltiplas eleições. Não é uma breve pele do acaso que a história há-de ler nas calendas. Os milhões que votaram nele constituem uma grande parte deste país. Várias vezes escolheram um homem baço, sério, rígido, desconfiado, conservador, autoritário, espécie de âncora, o contrário da aventura. Na cronologia, e por feitio, Cavaco estabelece o grande arco entre a figura de Salazar e a era democrática, com a inserção na União Europeia. E, desde o 25 de Abril, simbolizará como nenhum outro governante uma limitação portuguesa. Nas fabulosas oportunidades de contacto com outros, os portugueses tentaram muito mais transformá-los ou buscar rendimento do que transformarem-se, aproveitarem para ser outros: mais. A proverbial acomodação emigrante reforça isto. Saudosa e idealmente temporária, a diáspora molda-se mais do que muda. Mas Cavaco tinha pouco de maleável e essa resistência à transformação encontrou nele um expoente, foi-se sedimentando ao longo de 36 anos. Não tanto uma pele do país, Cavaco será um fóssil, a petrificação daquilo que limita os portugueses, os impede de mudar, e portanto é preciso ler.

4. Dos manuais escolares à política, o Portugal passado cobre-se de glória. Entretanto, quem encara os buracos negros tende a ser comido pelas formigas. Depois de se doutorar em Direito Canónico, estudar Letras, traduzir, editar, intervir, ser leitor em Madrid e ter escrito alguns dos mais lancinantes poemas do século XX, Ruy Belo morreu desempregado, sem lugar numa universidade. No recente documentário, Ruy Belo, era uma vez, José Tolentino Mendonça diz que Portugal precisa de uma refundação, ecoando um apelo que vem da própria obra de Ruy Belo, e mais do que nunca me parece urgente. Portugal, que não é um fado, continua a viver com a ilusão dos eleitos, seja o Quinto Império, o Mundial de Futebol, ou o Michelin do Turismo. Não mais brando do que os violentos, matou, escravizou milhões, extraiu riquezas, e isso também tem de ser integrado na narrativa oficial. Caberá a cada um rodar o prisma o bastante para não continuarmos a ver apenas uma imagem que nos repete, e repete, e repete.

5. Apurado intérprete do momento, Marcelo viu a que ponto Cavaco, o país e o mundo deixaram de coincidir. E sendo o cristão hiperactivo que é, ao mesmo tempo empático e solitário, parece haver nele certa vocação refundadora, começando pela imagem da figura paterna de todos os portugueses. Um pater saltarico, risonho, maleável, que vai a pé para a posse, e reza ao lado de evangélicos, ortodoxos, judeus, baha’is, hindus, ismaelitas, xiitas, sunitas, sikhs, mórmones. Idealmente, a religião deveria ficar fora dos rituais de estado, mas a relevância política da cerimónia ecuménica sobrepôs-se a isso. Se, desta forma, mais gente sentiu que é parte de Portugal, e tanta gente viu que Marcelo incentiva isso, fica marcada a diferença. Não será demais sublinhar este gesto inaugural, com tanta gente à porta da Europa.

6. Mas o discurso da posse integrou os lugares comuns habituais, uns para a direita, outros para a esquerda, com a novidade de um tom caloroso, e o recuo a um saudosismo messiânico. Por exemplo, Marcelo enumerar as singularidades nacionais, e à pobre da saudade, que mal se aguenta nas canetas, suceder a “crença em milagres de Ourique”. Imagino resmas de portugueses sub-40 a pesquisarem milagres de Ourique no telemóvel. Entretanto, o orador citava já aquele “Herói Português do século XIX” segundo o qual “este Reino é obra de soldados”. Mais resmas de portugueses não estariam a ver quem seria esse herói, mas com certeza o presidente de Moçambique, saudado no parágrafo anterior, percebeu: porque o tal herói é nada menos do que Mouzinho de Albuquerque, que no século XIX capturou e desterrou Gungunhana, futuro mito da resistência para os moçambicanos. Em resumo, perante o ex-colonizado, Marcelo citou o colonizador vencedor, não aludindo ao vencido, e Portugal apareceu como reino e obra de soldados. Tudo isto, rematado pela frase “converter o Império Colonial em Comunidade de Povos e Estados independentes, prometendo a paz, o desenvolvimento e a justiça para todos”, sem uma palavra sobre a violência desse império, cujas consequências se mantêm vivas até hoje, como sabe quem conhece países da CPLP. O império passa suavemente a CPLP, nenhum sub-40 terá nada para googlar, em breve ninguém saberá do que aconteceu a não ser em calhamaços, que em breve ninguém lerá. O irónico é que, a seguir, abrindo uma longa citação de Miguel Torga, vinha a chave do problema de Portugal e deste discurso: “Nunca soubemos olhar-nos a frio.” Mas a parte que Marcelo pretendia acentuar era a sequência disso, a do povo-eleito em versão Torga: “Somos a própria inquietação encarnada. Foi ela que nos fez transpor todos os limites espaciais e conhecer todas as longitudes humanas… Temos ainda um grande papel a desempenhar no seio das nações, como a mais ecuménica de todas.” Comentário-síntese de Marcelo: “Valemos muito mais do que pensamos ou dizemos.” É mesmo? Eu tanto diria isso como o contrário, porque os portugueses oscilam entre a falta e o excesso de auto-estima. Talvez o verdadeiro desafio seja pensar essa perpétua descoincidência. Determinado a apostar todas as fichas na auto-estima, Marcelo concluiu: “O essencial, é que o nosso génio – o que nos distingue dos demais – é a indomável inquietação criadora que preside à nossa vocação ecuménica. Abraçando o mundo todo. Ela nos fez como somos. Grandes no passado. Grandes no futuro.” Não acredito nisto, não me parece caminho justo e não aplaudiria.

7. Grande não seria Portugal romper o ufanismo? De que adianta suturar, unir e rir, se por baixo a coisa continuar preta? Enquanto alguém quiser o pastiche de uma nau ou um museu para “celebrar os Descobrimentos” não teremos avançado. Portugal continuará a repetir os velhos mitos que o confortam e adiam, ora desconfiado, ora ufano, nunca mudando o ponto de vista. Não se trata de celebrar ou largar o passado, mas de o encarar a partir do que investigadores têm feito e, espera-se, continuarão a fazer (veio, aliás de um historiador, Diogo Ramada Curto, o comentário mais interessante que li ao discurso de Marcelo, incluindo mencionar a ausência de um Jaime Cortesão, ele que, exilado político no Brasil, tanto pensou a relação com o ex-Império). Incorporar esse refazer da história nas escolas, na política, na diplomacia, sem saudade e sem lamento, seria a coragem que ainda não houve.»
(ALEXANDRA LUCAS COELHO)
(imagem e texto: aqui)

sexta-feira, 4 de março de 2016

Ajustamento ? Qual ajustamento?

«O anúncio de que o Novo Banco registou prejuízos de €980,6 milhões em 2015 e que provavelmente só terá lucros em 2017 é estarrecedor. Se um banco, que nasceu com o conta-quilómetros a zero, como anunciou o governador do Banco de Portugal; se um banco que viu o seu passivo expurgado dos ativos tóxicos; se um banco que arrancou com um capital inicial de €4900 milhões, dos quais 3900 milhões garantidos pelos contribuintes; se um banco que no final de 2015 viu retirados das suas responsabilidades mais €1900 milhões de cinco emissões de dívida sénior, que passaram para o BES “mau”; se um banco que tem um presidente emprestado por uma das maiores instituições financeiras europeias, o Lloyds Bank; pois se um banco com todas estas condições, estes apoios e estas redes de proteção mesmo assim consegue apresentar prejuízos de quase mil milhões de euros, anunciados quase com desfastio e como se fosse normal pelo presidente Stock da Cunha, então o problema é muito mais fundo do que se pensava.

E o problema não é apenas o Novo Banco mas, como começa a ser ululantemente óbvio, o sistema financeiro português, onde quatro dos cinco maiores bancos estão a viver situações muito difíceis. (...)

O descalabro da banca portuguesa é o reflexo do descalabro da economia nacional após quatro anos de austeridade e sequelas profundas sobre o tecido produtivo. Perante este quadro, qualquer cidadão se interroga como foi possível os bancos portugueses terem passado por sucessivos testes de stresse conduzidos pelas autoridades europeias, saindo sempre aprovados; e como foi possível o Banco de Portugal garantir sucessivamente que o nosso sistema financeiro era sólido e seguro.

Perante este quadro, qualquer cidadão, que já paga mais de €2500 milhões pelo caso de polícia que foi o BPN, que já encaixou perdas de 2100 milhões com o Banif e que vai pagar provavelmente esses dois valores somados pela resolução do BES e pela venda do Novo Banco, qualquer cidadão, dizia, se interroga sobre quando chegará ao fim este filme de terror. E se ninguém — Juncker, Draghi, Constâncio, Carlos Costa, Passos, Maria Luís — cora de vergonha.

Uma coisa é certa: o descalabro da banca portuguesa é o reflexo do descalabro da economia nacional após quatro anos de austeridade e sequelas profundas sobre o tecido produtivo. E a prova, mais uma, de como o ajustamento foi errado tecnicamente e mal conduzido politicamente.»

(Nicolau Santos: "Banca Nacional: e ninguém cora de vergonha?" in Expresso de 27/02/2016. Fonte, onde o texto pode ser lido na íntegra. Destaque meu.)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Um estágio na Irlanda para Passos Coelho e Paulo Portas e/ou Assunção Cristas

Dado que, após o apuramento dos resultados das eleições legislativas que tiveram lugar em Portugal em Outubro do ano findo, os líderes dos partidos da direita portuguesa (Passos Coelho, pelo lado do PSD, e Paulo Portas e/ou Assunção Cristas, pelo CDS) têm dado abundantes provas de não saberem bem as regras da democracia, parece altamente recomendável para eles, e não menos vantajoso para o país, que tais líderes efectuem um, ainda que breve, estágio na Irlanda para se inteirarem sobre o modo como funciona um regime democrático.
Sugere-se a Irlanda, porque podem optar por um orientador com o qual terão, por certo, alguma afinidade política. Refiro-me a Enda Kenny, actual primeiro-ministro da Irlanda e líder do Fine Gael, que acaba de reconhecer ter sofrido uma derrota, não obstante o seu partido ter sido o mais votado nas eleições que tiveram lugar na passada sexta-feira. Afirmou ele:  "Claramente o Fine Gael e o Labour [partido que juntamente com o Fine Gael  integrava a coligação governamental] não devem ser reconduzidos", afirmação justificada porque, muito simplesmente, os dois partidos da coligação governamental não obtiveram a maioria dos deputados no parlamento irlandês. 
Uma afirmação que os estagiários podem ir mastigando durante a viagem para não fazerem figura de completos ignorantes na matéria. É que a afirmação mais não é que a expressão da regra basilar da democracia: governa quem tiver o apoio da maioria parlamentar
É uma regra simples, mas que, de facto,  não é ainda conhecida por nenhum dos futuros estagiários, ponto que até nem sofre contestação, visto que qualquer deles tem feito questão de, por palavras e actos, não permitir que haja dúvidas sobre esse particular.
(Na imagem, Enda Kenny. Imagem e notícia no Negócios)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

"Abstenção burra"

«O PSD votou contra o Orçamento do Estado de 2016 na generalidade. Na votação final fará o mesmo. Mas entretanto para a especialidade, quando o OE se discute artigo a artigo, decidiu duas coisas: primeira, não apresentará nenhuma proposta de alteração; segunda, abster-se-á face a todas as propostas de alteração que forem apresentadas venham da esquerda ou da direita.

Argumento do PSD para se abster sempre: assim o PS, se quiser que propostas à sua esquerda sejam chumbadas, terá mesmo de votar contra essas propostas. Não poderá apenas abster-se contando com um voto contra do PSD para as chumbar. Isto supostamente criará problemas dentro da "geringonça", acha o PSD.

(...)[ Só que] abstendo-se o PSD ou não se abstendo, isso nunca irá retirar ao PS o ónus de ser ele a chumbar propostas vindas da sua esquerda. O resultado final será sempre o mesmo. O PS, porque está no meio da balança, é que decide para que lado esta se inclina. E isto não é só política. É aritmética também - e da mais simples. E sendo também aritmética menos se percebe esta decisão do PSD. Parece que não sabe somar 2+2.

Já conhecíamos a "abstenção violenta" do PS de António José Seguro no primeiro Orçamento de Passos Coelho, em 2011.(...)

Agora, porém, temos outra abstenção, que é a abstenção burra: a abstenção de quem não sabe aritmética simples; a abstenção de quem não consegue propor uma agenda política alternativa apresentando alterações ao Orçamento do Estado; a abstenção de quem é muito contra o OE mas depois não tem posição quando os artigos se vão discutindo.»
(João Pedro Henriques: "Da abstenção violenta à abstenção burra" Na íntegra: aqui. Destaque meu)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Novo Banco: um "BES bom"...

...a perder dinheiro. 
Restam hoje poucas dúvidas de que fazer pior do que o trio responsável pela resolução do caso BES, formado pelo (felizmente) ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, pela (graças a zeus) ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque e pelo (lamentavelmente ainda) governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, não teria sido tarefa fácil. Para não dizer que teria sido impossível.
De dois primeiro já nos vimos livres. O terceiro, se fosse capaz de ter um lampejo de lucidez, já, há muito, que teria embalado a troixa.

(Notícia e imagem daqui)

Coisas & loisas #4


(pelourinho)

(igreja matriz)

(rua pedonal no centro da cidade)

(conjunto escultórico numa praça no centro da cidade)

(reprodução de uma gravura rupestre do Vale do Côa)

O genuflexório com sinais de uso

«Podem acusar o Orçamento do Estado (OE) para 2016 de fazer figas para que tudo corra bem, como se revelasse uma fé inquebrantável em Deus (sendo que o Senhor nem voltou à terra, nem consta que frequente os mercados). Mas há algo que este OE faz e faz bem: deixou de fazer mal às pessoas por antecipação. Incorpora fé, sim, mas também opções orçamentais que visam a progressiva reposição de direitos que, durante anos, foram retirados enquanto alguns comemoravam com champanhe: cada vez que a troika simulava a saída, ia-se cravando mais fundo nos bolsos dos mais desfavorecidos, pela porta dos fundos das opções de Passos e Portas. Fruto dos acordos parlamentares com o BE e o PCP, a histórica aprovação deste plano orçamental é o primeiro capítulo de uma não capitulação ou rendição total a Bruxelas, saindo do pensamento da inevitabilidade do empobrecimento dos mesmos, dos cortes de salários e das pensões, cumprindo a Constituição. Pela primeira vez em muitos anos, a sensação de nos termos levantado do banquinho com encosto sobre o qual as pessoas se ajoelham para rezar. Esse mesmo, o genuflexório.(...)»

(Miguel Guedes:"A voz maviosa e o genuflexório"

(Vale mesmo a pena ler. Na íntegra. Aqui. Destaques meus)
(Imagem da web)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Boa pergunta e melhor resposta

:
A pergunta:
Este não é o nosso Orçamento. (...)Mas que Orçamento estaríamos aqui a debater neste momento se a maioria do nosso povo não tivesse lutado durante quatro anos e com o seu voto não tivesse decidido alterar a composição da Assembleia da República ?
 A resposta: 
Um novo orçamento da responsabilidade da coligação de direita “Só ia aumentar o sofrimento da maioria dos portugueses, como fizeram todos os orçamentos do Governo PSD/CDS”.
(Autor da pergunta e da resposta: Jerónimo de Sousa)
(citações e imagem do Expresso)

"Homo genuflexus"

«Pedro Passos Coelho, depois de ter sido durante quatro anos no governo um exemplar Homo genuflexus, apresenta-se agora na oposição como modelo do Homo firmus e erectus na relação com Bruxelas. É verdade que para usar na lapela o verbo "social-democracia sempre" tem de apagar do cadastro as máculas neoliberais - não vale a pena negar o óbvio, aquilo que se fez no Portugal do ajustamento foi privatizar a eito, cortar despesa pública para reforço do setor privado, aumentar impostos à bruta e desregulamentar o mercado de trabalho para facilitar o capitalismo selvagem - que lhe iluminaram o caminho da governação. Mas, mesmo na retórica de campanha eleitoral, exige-se decoro. Se António Costa "ajoelhou" perante a Comissão Europeia veremos mais adiante. É verdade que a austeridade não acabou e, como diz Passos Coelho com razão, foi rebatizada, com o Orçamento a passar de austeritário a restritivo. Como já aqui disse, a austeridade de direita foi substituída pela da esquerda. De uma a outra, venha o diabo, mas esta é seguramente mais equitativa e, por isso, mais justa do ponto de vista social já que não recai sobre os rendimentos do trabalho e, pelo menos, impõe aos habituais isentos de esforço a obrigação de contribuírem para a comunidade. Mas, pelas almas, que autoridade tem o anterior primeiro-ministro para encher a boca com tais denúncias? Seguramente que nem os seus acólitos mais entusiastas se esquecem das idas regulares à chancelaria alemã para fazer provas de diligência e promessas de ir além da troika à senhora Merkel. Ou das imagens recorrentes da subserviência de Vítor Gaspar em Bruxelas perante o poderoso senhor Schäuble. Ou mesmo da exibição de Maria Luís Albuquerque em Berlim, em vésperas de eleições, como modelo de aluna bem-comportada. Ajoelhar é isto. Aceitar tudo sem questionar ou sequer tentar negociar. Aquilo que o atual governo fez foi, apesar de tudo, diferente. Negociou, cedeu como é próprio destes processos, e, como escrevia Freitas do Amaral nesta semana na Visão, conseguiu na Comissão Europeia e no Eurogrupo a aprovação de um Orçamento social e não neoliberal, o primeiro desde a criação do euro. De Passos Coelho aquilo que temos para recordar são anos a fio a genufletir e a resignar, por opção ideológica, em nome de uma saída limpa que, confirmamos hoje, está crivada de nódoas.»
(Nuno Saraiva:"E por falar em ajoelhar"

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Mas o que vem a ser isto?

"Cavaco Silva irá presidir a uma reunião do Conselho de Ministros a convite de António Costa. (...) O chefe de Estado marcará presença na última reunião antes cessar o seu mandato, a 3 de março, ou seja, seis dias antes de Marcelo Rebelo de Sousa assumir as funções como Presidente da República."

Ou Costa, ou Cavaco, um deles está com a memória fraca. Ou,  porventura, os dois.
(Citação e imagem do Expresso)