Diz-nos a "Revista do Expresso" que há um livro conhecido como "
Manuscrito Voynich", datado do início do século XV, que ninguém consegue ler, porque, até aos dias de hoje, "nem criptógrafos nem linguistas conseguiram decifrar" o texto.
O facto é deveras surpreendente, sabendo-se que foi possível decifrar outras formas de escrita tais como os hieróglifos egípcios ou a escrita cuneiforme, aparentemente com maior dificuldade de descodificação.
Mais surpreendente, no entanto, é o caso do político português que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho cujo discurso nem os seus declarados apoiantes conseguem decifrar e, menos ainda, compreender.
Sirva de exemplo o naco de prosa que a seguir se transcreve:
“Nós levamos a sério a política. Nós levamos a sério o país. Nós levamos a sério as pessoas. E é porque nos preocupamos com elas e com o seu futuro que faremos o que é difícil, que faremos o que é preciso, e esperamos que o que seja preciso e o que é difícil seja menos do que aquilo que nós podemos fazer, porque podemos fazer mais do que aquilo que é difícil, podemos também fazer aquilo que é necessário para que Portugal possa ser, como a Espanha tem vindo a mostrar, como a Irlanda mostrou também, um país em que no futuro todos querem apostar.”
O texto em itálico (que não passa de um simples amontoado de palavras) é retirado duma
crónica assinada por João Miguel Tavares (JMT) nas páginas do "Público". O autor, que é confessadamente um homem de direita e geralmente tido na conta de um empenhado defensor e intérprete do passismo, reconhece na crónica em questão que "Ninguém percebeu nada".
Se nem JMT, um especialista, consegue, como admite, discernir o sentido das palavras de Passos Coelho como esperar que alguém, leigo na matéria, consiga decifrar o discurso do líder do PSD?
O mal (da impossibilidade de decifração) é, em ambos os casos, sem remédio? No caso do livro não sei, mas, no caso do político. é óbvio que não. Basta que o substituam, o que, quando acontecer, já peca por ser tarde.
(Ilustração copiada daqui)