quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ninguém põe ordem no circo ?

Pergunta-se: Não há ninguém que ponha ordem no circo que é a Assembleia Legislativa da Madeira ?
Actualização:
Os atropelos cometidos pela Assembleia Legislativa Madeira, a começar pelo desrespeito do próprio regimento (nº 3 do artigo 25º) que prevê a eleição de um vice-presidente do segundo maior grupo parlamentar e a acabar na pouca-vergonha (retratada supra) de impedir o acesso às suas instalações de um deputado eleito, já há muito pedem a intervenção do Presidente da República, tal como é agora reclamado pela maioria dos partidos representados na Assembleia Legislativa da Madeira. Julgo também que o Ministério Público tem a obrigação de tomar alguma iniciativa relativamente aos casos supra referenciados.

Um discurso para a história

Como documento histórico, aqui fica registado o discurso de vitória de Barack Obama, em tradução copiada aqui (PUBLICO.PT)

"Boa noite, Chicago.
Se ainda houver alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que ainda duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta.
É a resposta dada pelas filas de voto que se estendiam em torno de escolas e igrejas em números que esta nação jamais vira, por pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas pela primeira vez na sua vida, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes poderiam fazer essa diferença.
É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, homossexuais, heterossexuais, pessoas com deficiências e pessoas saudáveis. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo, a de que nunca fomos apenas um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e azuis.
Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.
É a resposta que levou aqueles, a quem foi dito durante tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e hesitantes quanto àquilo que podemos alcançar, a porem as suas mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais em direcção à esperança num novo dia.
Há muito que isto se anunciava mas esta noite, devido àquilo que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança chegou à América.
Há pouco recebi um telefonema extraordinariamente amável do Senador McCain.
O Senador McCain lutou longa e arduamente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e arduamente pelo país que ama. Fez sacrifícios pela América que muitos de nós não conseguimos sequer imaginar. Estamos hoje melhor devido aos serviços prestados por este líder corajoso e altruísta.
Felicito-o e felicito a governadora Palin por tudo aquilo que alcançaram. Espero vir a trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.
Quero agradecer ao meu parceiro neste percurso, um homem que fez campanha com o seu coração e falou pelos homens e mulheres que cresceram com ele nas ruas de Scranton e viajaram com ele no comboio para Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.
E eu não estaria aqui hoje sem o inabalável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a pedra angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima Primeira Dama do país, Michelle Obama.
Sasha e Malia, amo-vos mais do que poderão imaginar. E merecem o novo cachorro que virá connosco para a nova Casa Branca.
E embora ela já não esteja entre nós, sei que a minha avó está a observar-me, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou. Tenho saudades deles esta noite. Reconheço que a minha dívida para com eles não tem limites.
Para a minha irmã Maya, a minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, desejo agradecer-vos todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.
E ao meu director de campanha, David Plouffe, o discreto herói desta campanha, que, na minha opinião, concebeu a melhor campanha política da história dos Estados Unidos da América.
E ao meu director de estratégia, David Axelrod, que me tem acompanhado em todas as fases do meu percurso.
Para a melhor equipa alguma vez reunida na história da política: tornaram isto possível e estou-vos eternamente gratos por aquilo que sacrificaram para o conseguir.


Mas acima de tudo nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela pertence-vos a vós. Pertence-vos a vós.
Nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começámos com muito dinheiro nem muitos apoios. A nossa campanha não foi delineada nos salões de Washington. Começou nos pátios de Des Moines, em salas de estar de Concord e nos alpendres de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que, das suas magras economias, retiraram 5 e 10 e 20 dólares para a causa.
Foi sendo fortalecida pelos jovens que rejeitavam o mito da apatia da sua geração e deixaram as suas casas e famílias em troca de empregos que ofereciam pouco dinheiro e ainda menos sono.
Foi sendo fortalecida por pessoas menos jovens, que enfrentaram um frio terrível e um calor sufocante para irem bater às portas de perfeitos estranhos, e pelos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários, se organizaram e provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecera da Terra.
Esta vitória é vossa.
E sei que não fizeram isto apenas para vencer uma eleição. E sei que não o fizeram por mim.
Fizeram-no porque compreendem a enormidade da tarefa que nos espera. Porque enquanto estamos aqui a comemorar, sabemos que os desafios que o amanhã trará são os maiores da nossa vida – duas guerras, uma planeta ameaçado, a pior crise financeira desde há um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos a acordarem nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós.
Há mães e pais que se mantêm acordados depois de os seus filhos adormecerem a interrogarem-se sobre como irão amortizar a hipoteca, pagar as contas do médico ou poupar o suficiente para pagar os estudos universitários dos filhos.
Há novas energias para aproveitar, novos empregos para serem criados, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.
O caminho à nossa frente vai ser longo. A subida vai ser íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou mesmo numa legislatura. Mas América, nunca estive tão esperançoso como nesta noite em como chegaremos lá.
Prometo-vos. Nós, enquanto povo, chegaremos lá.
Haverá reveses e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não consegue solucionar todos os problemas.
Mas serei sempre honesto para convosco sobre os desafios que enfrentarmos. Ouvir-vos-ei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que adiram à tarefa de refazer esta nação da única forma como tem sido feita na América desde há 221 anos – pedaço a pedaço, tijolo a tijolo, e com mãos calejadas.
Aquilo que começou há 21 meses no rigor do Inverno não pode acabar nesta noite de Outono.
Somente a vitória não constitui a mudança que pretendemos. É apenas a nossa oportunidade de efectuar essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos à forma como as coisas estavam.
Não poderá acontecer sem vós, sem um novo espírito de empenho, um novo espírito de sacrifício.
Convoquemos então um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve deitar as mãos à obra e trabalhar mais esforçadamente, cuidando não só de nós mas de todos.
Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street florescente quando as Main Street sofrem.
Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de retomar o partidarismo, a mesquinhez e a imaturidade que há tanto tempo envenenam a nossa política.
Recordemos que foi um homem deste Estado que, pela primeira vez, transportou o estandarte do Partido Republicano até à Casa Branca, um partido fundado em valores de independência, liberdade individual e unidade nacional.
São valores que todos nós partilhamos. E embora o Partido Democrata tenha alcançado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com humildade e determinação para sarar as divergências que têm atrasado o nosso progresso.
Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, nós não somos inimigos mas amigos. Embora as relações possam estar tensas, não devem quebrar os nossos laços afectivos.
E àqueles americanos cujo apoio ainda terei de merecer, posso não ter conquistado o vosso voto esta noite, mas ouço as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei igualmente o vosso Presidente.
E a todos os que nos observam esta noite para lá das nossas costas, em parlamentos e palácios, àqueles que estão reunidos em torno de rádios em cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são únicas mas o nosso destino é comum, e uma nova era de liderança americana está prestes a começar.
Aos que querem destruir o mundo: derrotar-vos-emos. Aos que procuram a paz e a segurança: apoiar-vos-emos. E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável.
É este o verdadeiro génio da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançámos dá-nos esperança para aquilo que podemos e devemos alcançar amanhã.
Esta eleição contou com muitas estreias e histórias de que se irá falar durante várias gerações. Mas aquela em que estou a pensar esta noite é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de pessoas que aguardaram a sua vez para fazer ouvir a sua voz nestas eleições à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões – porque era mulher e por causa da cor da sua pele.
E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida na América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: Sim, podemos.
Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos.
Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu uma nação vencer o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, e um novo sentimento de um objectivo em comum. Sim, podemos.
Quando as bombas caíam no nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela esteve ali para testemunhar uma geração que alcançou a grandeza e salvou uma democracia. Sim, podemos.
Ela viu os autocarros em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pregador de Atlanta que dizia às pessoas que elas conseguiriam triunfar. Sim, podemos.
Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos na América, tendo atravessado as horas mais felizes e as horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar.
Sim, podemos.
América, percorremos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós próprios – se os nossos filhos viverem até ao próximo século, se as minhas filhas tiverem a sorte de viver tantos anos como Ann Nixon Cooper, que mudança é que verão? Que progressos teremos nós feito?
Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento.
Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos.
Muito obrigado. Deus vos abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América"

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

"Até ao lavar dos cestos é vindima"

Já nos descontos, com um golo de Lucho, o Futebol Clube do Porto levou de vencida (por 2 golos contra 1) o Dínamo de Kiev. Como se costuma dizer "até ao lavar dos cestos é vindima" e é, com efeito, lutando até final que muitas vezes se alcançam vitórias.
Com este excelente resultado, renascem as esperanças do FCP em passar aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, esperanças que, oxalá, se venham a concretizar.
Parabéns ao Porto, da parte de um sportinguista!

Uma palavra de apreço para John McCain

Nunca apreciei a expressão Vae victis (Ai dos vencidos) pela razão simples de que há vencidos que não saem diminuídos da derrota, como é o caso particular do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain.
Que não era injustificada a fama de herói nacional e de político respeitado de que gozava, demonstrou-o John McCain com o discurso em que reconheceu a sua derrota na corrida à Casa Branca. John McCain é um senhor, há que reconhecê-lo.
E há também que dizer que uma boa parte dos seus apoiantes não o mereciam como candidato. É o que legitimamente se pode deduzir das vaias com que o seu discurso foi interrompido quando, com palavras dignas de um verdadeiro democrata, se referiu ao seu opositor, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.
John McCain sai ferido desta peleja eleitoral mas não derrubado, pois demonstrou que é um homem com grandeza. Honra lhe seja feita!
(Imagem daqui)

A tontice em forma de ameaça

Uma empresa que não tem condições para pagar aos seus empregados o salário mínimo de 450,00€ por mês não é uma empresa, é algo que "finge" ser uma empresa. Por isso, a ameaça de não renovar contratos a termo devido à subida do salário mínimo nacional para 450,00€, não passa de uma ameaça tonta. Porque de duas uma: Ou a "empresa" desaparece porque já não tinha viabilidade económica (e esse seria sempre o seu destino), ou vai ter de contratar novos empregados a quem terá de pagar o novo salário mínimo. Assim sendo, e bem vistas as coisas, quem, para além dos empregados despedidos, vai ficar prejudicado com tal procedimento irresponsável, será a própria empresa, que desperdiça a experiência dos despedidos e que terá de investir na formação dos novos empregados.
Ou não será?

A eleição de Obama e a reconciliação com a América

De candidato "improvável" a Presidente Eleito dos Estados Unidos vai um passo só ao alcance de um ser humano excepcional como é o caso de Barack Obama, facto que a sua história pessoal bem demonstra.
Convém aqui recordar que ele teve que vencer não só o "handicap" de não pertencer à maioria branca do Estados Unidos, como teve de ultrapassar o favoritismo de Hillary Clinton à nomeação pelo Partido Democrata e de concorrer com um candidato republicano com o prestígio de herói nacional e de político respeitado de John McCain.
A sua consigna "Change - Yes, we can" gerou, nos Estados Unidos e em todo o mundo, uma expectativa de mudança que o futuro pode vir a desmentir, até porque as mudanças não ocorrem apenas pela vontade de uma pessoa, por muito poder que ela tenha como tal e como instituição, que, no caso, também é. Em qualquer caso, é previsível que se assista a uma menor crispação no relacionamento entre as nações, ao abandono do unilateralismo cultivado pela administração Bush que tantos danos causou a todo o mundo e à adopção de uma nova política ambiental norteada por preocupações ecológicas.
E uma coisa é certa: A eleição de Barack Obama tem o significado pessoal de um reconciliação com a América, depois de oito anos de desilusão com a desgraçada administração Bush. Reconciliação, porque os Estados Unidos (de maioria branca) com a eleição para a presidência de um não-branco como Obama (facto histórico de dimensão planetária) demonstraram que continuam a ser capazes de liderar a invenção do futuro.

Hurrah for Barack Obama !

Barack Obama, the President Elect of United States of America



Thanks to people of USA, I say.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Já posso dormir descansado


Como sportinguista não praticante, mas doente, hoje já posso dormir descansado, graças ao golo do Derlei. O acesso aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões é, para o Sporting, um feito e tanto !
Graças !
Pensando melhor, devo confessar que, para dormir completamente descansado, falta-me receber boas notícias vindas da América, o que vai dar direito a serão prolongado.
(Imagem daqui)
(reeditada)

Não vá o sapateiro além da chinela ...

Henrique Neto considerou hoje "um absurdo" o projecto do terminal de contentores de Alcântara. Suponho que Henrique Neto perceberá tanto de portos quanto eu, pois não lhe conheço especiais qualificações na matéria. Assim sendo, a sua opinião pouco mais pode valer do que a minha.
Por pouco ou nada que a minha valha, tendo em conta a celeuma que por aí vai sobre o assunto, com petições contra e a favor, aqui ficam as minhas também desqualificadas considerações:
Ponto 1. Lisboa tem um porto que é gerador de trabalho e de receitas, porto que, provavelmente, como porto natural que é, terá sido a razão do nascimento da povoação que deu origem à própria cidade de Lisboa, em tempos históricos, senão antes;
Ponto 2. Ao que se afirma, as actuais condições de operação portuária são já insuficientes e carecem de reformulação (afirmação que será devidamente fundamentada pelas autoridades competentes, como se espera);
Ponto 3. A operação portuária, de acordo com o projecto do terminal de contentores de Alcântara, não é incompatível com o desenvolvimento de outras actividades na frente ribeirinha do Tejo, onde existem e continuarão a existir amplas zonas de acesso livre à linha de água.
Ponto 4. A legalidade da renovação sem concurso da concessão à Liscont está a ser analisada pelo Tribunal de Contas. Está, pois, entregue o assunto a quem de direito, pelo que não é aceitável qualquer julgamento apriorístico sobre a questão, julgamento que, por isso mesmo, é prematuro.
Ponto 5. A criação de movimentos populares para criticar ou apoiar decisões governamentais, como é o caso, parece-me altamente saudável e útil. Lançar suspeições, ainda por cima sem qualquer consistência e sem qualquer fundamento, parece-me também a todos os títulos lamentável.
Ponto final.
Era ponto final, mas com continuação: Veja-se aqui o que diz o ministro Mário Lino sobre o assunto. Si non é vero o que o ministro afirma, passa a ter direito à demissão.

Que perda de tempo !

Que aqui no blogue se perca tempo a comentar as inanidades proferidas por Manuela Ferreira Leite faz sentido até porque, à falta de melhor, tem que se ocupar o tempo. O que já não faz sentido é o ministro Santos Silva perder o seu a pronunciar-se sobre todo e qualquer dislate da estimável senhora, até porque é suposto ter mais que fazer.
Que importa que MFL diga que o primeiro-ministro não é confiável quando a opinião pública, segundo recente sondagem, aponta em sentido contrário e quando conclui (a mesma sondagem) que quem não é confiável é ela própria?
O governo, digo eu, só tem a lucrar se não embarcar "no diz tu, direi eu", que é a única coisa que a senhora, pelos vistos, sabe fazer.
Sinceramente, a política, a meu ver, não é isto !

As falhas do supervisor e a consequente responsabilidade

Os casos do BCP e do BPN tornam patente a ineficácia do Banco de Portugal enquanto entidade supervisora das instituições de crédito. Pela segunda vez, o BdP não vê, mesmo se alertado, e não apura o que de irregular se passa nas instituições que é suposto supervisionar.
Não sei se é caso para pedir a demissão de Vítor Constâncio, como faz Paulo Portas, até porque, em rigor, não sei se a falha é institucional, se é pessoal, mas alguma coisa tem que mudar no funcionamento do BdP, sob pena de termos de concluir que nada impedirá que, de futuro, o país se venha a confrontar com casos idênticos. Vítor Constâncio, melhor que ninguém está em condições para aquilatar da sua própria responsabilidade nos casos. Se, em consciência (como pessoa séria que é) a responsabilidade não lhe cabe, deve, no mínimo, dar uma explicação cabal ao país, o que até agora não fez, pelo menos, por forma a tirar todas as dúvidas. No caso contrário, ficar-lhe-ia bem pedir a demissão.

Por Zeus !

Nas jornadas parlamentares do PSD, a decorrer em Évora, Manuela Ferreira Leite exigiu que o Governo peça desculpas ao PSD por ter rejeitado a proposta de pagamento das dívidas do Estado feita pelo PSD, para vir depois a tomar essa mesma decisão.
Por Zeus ! Será que numas jornadas parlamentares a líder do PSD não encontra melhor tema para tratar ?
Se isto é fazer política vou ali e já volto.
E volto para reconhecer que, afinal, a senhora não se ficou pela exigência de desculpas. Descobriu, por exemplo, que o primeiro-ministro não é confiável e até sublinhou a importância de se confiar naqueles que exercem o poder, pois "nada será eficaz se não se confiar em quem decide".
Assim sendo, pergunto-me eu, que razões posso ter para confiar nela, se na sua palestra não se vislumbra uma palavra sobre o futuro, nem uma ideia que se aproveite ?

Bons augúrios !

Nas duas assembleias de voto em que já fecharam as urnas, Dixville Notch e Hart's Location, povoações do Estado de New Hampshire, Barack Obama, venceu o escrutínio, por 15 votos a seu favor contra 6 a favor McCain, na primeira daquelas localidades e por 17 contra 10 na segunda.
Os números em si nada significam, como é óbvio. No entanto, o facto de, em anteriores eleições, terem saído vencedores os candidatos republicanos já tem alguma relevância. Seja como for, são bons indícios que servem para alimentar a esperança dos que anseiam por uma vitória de Obama.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Pobre e mal agradecido

Miguel Cadilhe, presidente do BPN criticou hoje a nacionalização do banco, considerando a medida política e desproporcionada.
Não percebo como é que uma pessoa supostamente responsável pode fazer uma tal afirmação. Gostaria, com efeito, de saber como é que o BPN "se aguentava nas canetas", a partir do momento em que fossem tornadas públicas as dificuldades que o banco atravessava e as irregularidades cometidas. Pela certa, no próprio dia em que o público tomasse conhecimento dos problemas que afectavam o banco, a corrida aos levantamentos seria uma realidade e perante tal perspectiva, também gostaria de saber como é que Cadilhe "segurava as pontas". Dava, com toda a certeza, "com os burrinhos na água", mesmo que a sua proposta de aumento de capital viesse a ser aceite. No negócio bancário, (Miguel Cadilhe devia sabê-lo) perdida a confiança, a queda é imparável. Não fora a mão estendida pelo Estado, a estas horas, o BPN estava simplesmente "de pantanas".
"Pobre e mal agradecido" é o que é!

Um dia histórico ?

Enquanto Obama e McCain queimam os últimos cartuchos, visitando aquele a Florida, a Carolina do Norte e a Virgínia e deslocando-se John McCain a sete estados, indo da Florida até ao Arizona, os quadros na coluna da direita, com as últimas sondagens disponibilizadas pelo "Le Monde", apontam para uma vitória de Barack Obama nas eleições de amanhã, dia que, se se confirmarem as previsões, como espero, se tornará, por consabidas razões, um dia histórico. Cá estaremos para o celebrar! I hope!
Actualização: Anuncia-se, entretanto, que Obama amplia a vantagem sobre McCain nas últimas horas de campanha. Boas novas !

O nefelibata

Deve ser mal que se pega. Aos disparates proferidos por Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, quando resolve usar da palavra, somam-se agora os dislates de Paulo Rangel, líder do grupo parlamentar do mesmo partido que, hoje na abertura das jornadas parlamentares do PSD, em Évora, afirmou designadamente que "o projecto do PS é o "capitalismo de Estado" ou "neo-socialismo", que desqualifica progressivamente a democracia" e considerou que "o anúncio do Governo de que o Estado vai pagar a curto prazo dívidas às empresas no valor 2450 milhões de euros "é - independentemente dos resultados - uma grande vitória do PSD, das maiores vitórias nesta legislatura".
Qualquer político mediano deve saber que uma afirmação, para merecer alguma credibilidade e aceitação, precisa de ter alguma verosimilhança. Ora, qualquer das referidas afirmações é perfeitamente risível e não tem qualquer sentido.
Desça das nuvens, dr. Paulo Rangel, se quer que o levem a sério!

Os voluntaristas e as carpideiras

As previsões da Comissão Europeia, quer relativamente à Zona Euro, quer mais especificamente em relação à economia portuguesa, são pouco animadoras.
Quanto à Zona Euro, a previsão é de uma recessão técnica este ano, com contracção do PIB entre o segundo e o quarto trimestre deste ano e de um crescimento quase nulo (0,1 por cento) no próximo ano;
Em relação a Portugal, a previsão aponta, por um lado, para variações negativas nos dois últimos trimestres do ano, entrando a economia portuguesa em recessão técnica e, por outro lado, para um crescimento anual de 0,5 por cento este ano e de 0,1 por cento no próximo, valores bem inferiores aos previstos pelo Governo português para a elaboração do Orçamento do próximo ano, valores que segundo a previsão governamental se fixariam em 0,8 por cento e 0,6 por cento, respectivamente.
Previsões são previsões e pouco valem como o demonstram as sucessivas revisões em baixa a que temos assistido nos últimos tempos, quer por parte da Comissão Europeia, quer por parte de outras entidades. Há, em todo o caso, que reconhecer que as previsões pessimistas se afiguram como mais realistas tendo em conta o histórico dos últimos tempos, pelo que é possível que as previsões da Comissão Europeia sejam mais credíveis que as do Governo que, com o seu voluntarismo, tenderá a pintar as perspectivas futuras com cores menos sombrias que as da Comissão. É o que o ministro da Economia, Manuel Pinho, se apressou fazer, ao desvalorizar as previsões de Bruxelas, afirmando que Portugal tem conseguido ultrapassar sempre as previsões da Comissão.
Ao voluntarismo do Governo responde o PSD, pela voz do seu líder parlamentar, para quem as previsões da Comissão Europeia “demonstram o irrealismo das previsões em que assenta o Orçamento do Estado” para 2009, pelo que o Governo será obrigado a inverter a sua política económica, designadamente no respeitante ao investimento em obras públicas. Só que, digo eu, esta revisão parece ser contraditória com a preocupação com o aumento do desemprego, inevitável, se se confirmarem as previsões da Comissão Europeia, e de “consequências dramáticas”na vida dos portugueses, como alerta o Bloco de Esquerda, pela voz da deputada Alda Macedo.
Por estas diferentes tomadas de posição já se vê que os portugueses não terão vida fácil no próximo ano e que a margem de sucesso para a política do Governo é estreita. Em todo o caso, parece-me preferível a determinação (que não o voluntarismo irrealista) do Governo do que o carpir das oposições. O mais que se pode dizer, nesta altura, é que, no momento próprio, que já não tarda, cá estaremos, os portugueses, para julgar uns e outros.

domingo, 2 de novembro de 2008

O mal menor

Com a nacionalização do BPN já não é possível, nem à líder do PSD, ignorar a dimensão da crise financeira internacional, embora tudo indique, pelo que deduz das palavras do Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, que o BPN chegou ao estado a que chegou não apenas devido à crise internacional, mas também (e sobretudo?) por erros de gestão (ou se por algo mais grave do que isso, logo se verá, assim o espero). Como espero também que se peçam contas a quem de direito, pela situação que, primo conspectu, é tudo menos clara.
O que se sabe, para já, é que o Governo se viu obrigado a intervir para salvar os interesses dos depositantes e demais clientes do banco, pelo que tal intervenção tem de ser considerada, mesmo por quem não aprecie, por aí além, as nacionalizações, como um mal menor. A não intervenção levaria não só ao prejuízo directo de milhares pessoas, (depositantes, clientes e empregados) como afectaria também, indirectamente, a confiança em todo o sistema bancário, com consequências dificilmente previsíveis.
Espero, no entanto, que a bóia de salvação lançada pelo Governo não sirva simultaneamente para pôr a salvo os interesses dos accionistas e dos administradores do banco (em especial os anteriores) porque uns e outros, duma forma ou doutra, são os responsáveis pela situação, estes porque fizeram e aqueles porque deixaram correr o marfim.
Como mal menor que é a nacionalização do BPN, o 2 de Novembro não é, seguramente, o 11 de Março, pelo que, nem há razão para a direita se lamentar, nem para a esquerda festejar, acho eu.
Actualização: Conhecidas as reacções de vários partidos, incluindo PCP, BE, PS, PSD e CDS, parece que a nacionalização do BPN (o PSD prefere falar em compra, o que na boca de um jurista, como Aguiar Branco, não deixa de ser surpreendente) merece um amplo consenso, embora a posição de cada um dos partidos citados não seja exactamente a mesma, o que, aliás, não admira. Realce-se, no entanto, a posição do CDS, ao que parece mais preocupado com a regulação do Banco de Portugal do que com a situação do BPN e dos responsáveis por ela.

Precisa-se com urgência ...

Logo depois de terminada a entrevista dada ao "Diário de Notícias" e TSF em que Manuela Ferreira Leite "declarou que a aposta do Governo nas obras públicas pode ajudar a reduzir o desemprego em Cabo Verde ou na Ucrânia, mas duvida que tenha efeitos no emprego em Portugal" mão amiga devidamente não identificada fez-me chegar, com urgente pedido de publicação, o seguinte anúncio:
"Precisa-se, com urgência, senhora ou cavalheiro, com umas noções de política nacional, que já tenha ouvido falar da crise financeira internacional, com alguns conhecimentos em matéria de economia e finanças, de preferência, com alguma capacidade de empatia e facilidade de expressão, para dirigir um partido português, actualmente na oposição, mas com larga experiência de governo. Endereçar respostas para: PSD - Rua de S. Caetano, 9 - Lisboa"

Depois da "comida" requentada ...

... servida nos últimos dias aos visitantes da casa, espero poder nos próximos tempos presentear os ex.mos clientes com alimentação confeccionada na hora.
Entretanto, aqui ficam os meus agradecimentos aos frequentadores habituais!