quarta-feira, 12 de maio de 2010

As boas e as más novas

Surpreendam-se, ou antes, surpreendamo-nos que o caso não é para menos. E também não é para menos, desconfiar de todas as previsões, venham elas de onde vierem. Aliás, depois de tantos erros de previsão, o que mais admira é que ainda se lhes dê algum crédito. E já nem sequer falo dos apocalípticos como Medina Carreira e quejandos. Para tolos, como estes, o único remédio é ouvidos moucos.
Não é menos verdade que este bom desempenho da economia portuguesa não dispensa a tomada de medidas no que respeita à consolidação orçamental, como salienta o ministro Teixeira dos Santos,  tendo em conta as pressões dos mercados financeiros e os compromissos assumidos com Bruxelas. O que se espera é que os males que se anunciam se repartam pelas aldeias e que não seja preciso ir tão longe quanto a Espanha que acaba de anunciar uma redução, a partir de Junho, de cinco por cento dos salários dos funcionários públicos e o congelamento salarial em 2011 e a redução em 15 % dos salários dos membros do Governo, para além de outras medidas draconianas. E aqui entram as más novas, pois está visto, pelo exemplo de Espanha, que os défices das contas públicas não se resolvem com paninhos quentes. Resta-nos, por isso, prepararmo-nos para o que aí vem e que, de certeza, não será muito agradável..
Pela minha parte, já estou pronto para tudo. Agradeço é que se acabe com o chinfrim, que pode ser de alguma utilidade para quem aposta no quanto pior, melhor, mas do qual não resulta nada de positivo para o país. Como se tem visto.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ao menos, tapem-lhes as caras

Pouco haveria a acrescentar ao excelente comentário de Porfírio Silva sobre as palavras do deputado Pedro Duarte, coordenador do PSD na comissão parlamentar de inquérito ao negócio PT/TVI, que, ao ser confrontado com o facto de o PSD estar, para já, isolado na intenção de consultar as escutas remetidas à comissão de inquérito pelo Tribunal de Aveiro, disparou estas duas belas sentenças:
1 - os deputados sociais-democratas "não estão preocupados com o facto de os outros partidos não acederem aos documentos, nem se deixarão condicionar por isso";
2 - ao PSD "só lhe interessa  apurar a verdade e, por isso, vai naturalmente consultar os documentos que foram enviados" (in DN, de 9 de Maio de 2010)
Até diria que nada mais haveria a acrescentar se não se desse o caso de a posição do deputado Pedro Duarte estar em linha com a orientação seguida pelo seu partido no que respeita à violação do sigilo dos meios de comunicação privada (onde se incluem, como é óbvio, as conversas telefónicas) orientação que já vem desde os tempos de Manuela Ferreira Leite e que, pelos vistos, ainda continua, agora sob a liderança de Pedro Passos Coelho. Para comprovar tal linha de orientação, basta recordar as variadíssimas tentativas levadas a cabo pelo PSD com vista a ter acesso às escutas das conversas entre o primeiro-ministro e Armando  Vara, mesmo já depois de consideradas nulas pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ou as insistências junto do procurador-geral da República para obter cópia dos seus despachos de arquivamento onde aquelas escutas foram transcritas parcialmente.
Ora, ainda que sustentada na doutrina defendida por penalistas lá da casa (autores de alguns escritos tão disparatados que são de molde a pôr os cabelos em pé) certo é que as pretensões do PSD e a orientação seguida pela sua liderança violam claramente normas constitucionais como a que determina que "o sigilo da correspondência e de outros meios de comunicação privada são invioláveis" (art 34º, nº1) ou como a que estatui que  "É proibida toda a ingerência das autoridades públicas na correspondência, nas telecomunicações e nos demais meios de comunicação, salvo os casos previstos na lei em matéria de processo criminal" (art. 34º, nº4).
Se bem entendo os dispositivos constitucionais, se é proibida a ingerência nas telecomunicações, salvo nos casos previstos na lei "em matéria de processo criminal", é óbvio que proibido é também o uso, fora do âmbito do processo criminal, dos resultados obtidos por via da ingerência quando legalmente permitida. Como é bom de ver, entender o contrário seria permitir que entrasse pela janela o que não se deixou entrar pela porta.
Os deputados do PSD têm, pois e ao contrário do que alegam, razão para estarem preocupados, pois embora admita, sem conceder, que possam não incorrer nas penas previstas no art. 194º do C. Penal, do que eles não se livram, seguramente, é do labéu associado à indignidade de usarem, para fins políticos, de conversas privadas obtidas no âmbito de investigações criminais. Procedimentos desta natureza não causariam qualquer surpresa se praticados por um qualquer agente do antigo regime, mas ver militantes de um partido (que já teve como líderes um Francisco Sá Carneiro e um Mota Pinto) lançar mão de expedientes deste tipo, isso sim, é motivo de espanto. Para mim, pelo menos, que estou convencido que nem um, nem o outro dos referidos dirigentes pactuaria com tais métodos.
Como ambos continuam presentes, em efígie, na sede do PSD, ao menos que lhes tapem as caras. Para não verem e não se sentirem envergonhados.
______
Adenda:
O deputado Agostinho Branquinho repete aqui,  quase ipsis verbis, as palavras de Pedro Duarte. São precisas mais explicações ?
(Reeditada)

"Olho vivo", mas com palas.

O "Olho vivo" ("Público" de 7 de Maio) de Eduardo Cintra Torres, sempre atento aos desvios da ortodoxia que cultiva, detectou num artigo de Frei Bento Domingues (a que já aqui fiz referência) vindo a lume no "Público" de 2 Maio, uma coincidência entre o autor do escrito e as posições do "Governo socratista no que à (des)informação diz respeito". Coisa grave que o nosso "Olho vivo" não podia deixar passar em claro, como é bem de ver, para quem conheça a peça.
 Mas em que consistiu, afinal. o "crime" de Frei Bento Domingues? No essencial, Frei Bento limitou-se a verberar algum jornalismo e em particular "os infindáveis telejornais, tecidos do princípio ao fim quase só por desgraças" para, na sequência, estabelecer uma comparação entre tais jornalistas e os pregadores que centravam a pregação no medo do inferno e que no Norte eram designados por "padres da vinagreira".
O "Olho vivo" não gostou da comparação e vai daí toca a dar uma lição a Frei Bento sobre o que é e não é a verdade, e sobre o que é e não é a liberdade de informação, tirando, aliás, ilações que não têm cabimento no texto, como quando conclui que Frei Bento Domingues entende que a liberdade de informação é mostrar notícias "positivas". Cintra Torres pode ter "Olho vivo" mas treslê, pois Frei Bento Domingues (pessoa que conheço desde os idos da minha juventude em Coimbra e que, pelo que dele sei, não precisa de lições em matéria de liberdades e/ou de verdades e menos ainda das vindas de um qualquer Cintra Torres) o que censura é apenas que "mesmo quando há sinais de que é possível enfrentar as enormes dificuldades com que o país se debate" se insista "em mostrar que não há saída".
Mas Cintra Torres até vai mais longe e não hesita em estranhar que "Frei Bento condene as notícias "depressivas" quanto a religião cristã se fundamenta numa tragédia que, em cada eucaristia, os fiéis recordam e vivem". Até eu, que não sou Frei, nem Bento, sei que a religião cristã se fundamenta não na tragédia do Calvário, mas sim na alegria da Ressurreição (Se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é vã - alguém disse e escreveu e eu cito de cor).
Como diz o outro, quem te manda a ti, sapateiro (Cintra Torres) tocar rabecão?
Mas, como um azar nunca vem só, não é que o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, no discurso de aceitação do Prémio Pessoa retoma a lição de Frei Bento Domingues ? Lê-se, com efeito, no "Expresso" do último sábado, que, a este respeito, D. Manuel Clemente escreveu: "O melhor de Portugal pouco aparece e não abre geralmente os noticiários. Mas existe" .
É muito azar de Cintra Torres, ou a explicação é bem mais simples ?
Vou por aqui. Cintra Torres pode ter "Olho vivo", mas com palas.  Ou será "burka", que limita ainda mais o campo de visão ?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

...de volta com esta

Pintassilgo (Carduelis carduelis L.)
Depois do Fiquem-se com esta ... estou de volta com esta. Eu não disse que ia à procura de mais ?
(Clicando na imagem, amplia)

Remédios contra a depressão

A decisão dos países da União Europeia (UE) de criar um mecanismo num valor até 750 mil milhões de euros para proteger a moeda única dos ataques especulativos dos mercados financeiros, teve, desta vez, um impacto imediato, com as bolsas europeias a abrir em forte alta, com valorizações a atingir mais de 10 %,  em Madrid, 7,88% em Lisboa, 7,84% em Atenas  e 7,64% em Milão, assistindo-se ao mesmo tempo à queda acentuada das taxas dos juros implícitos das Obrigações do Tesouro portuguesas que estavam na sexta-feira nos 6,418%, estando agora abaixo dos 5%, fenómeno que teve ainda maior amplitude relativamente às taxas das Obrigações gregas que desceram para quase metade (6,6% hoje, para 12% na sexta feira).
Pelos vistos, foi necessário que os movimentos especulativos se tivessem dirigido contra a Espanha para a UE se dar conta que era necessário tomar decisões firmes em defesa da moeda única e para a senhora Merkel se deixar de calculismos que, afinal, de nada lhe serviram, pois acabou por perder as eleições na Renânia do Norte-Vestefália, resultado que lhe acarretou também a perda de maioria na câmara alta do Parlamento Federal.
Ter vistas curtas raramente compensa e as tergiversações sobre o que é importante têm regra geral como tiveram, neste caso, consequências funestas: para a Grécia, para Portugal, para a Espanha e, ao fim e ao cabo, para toda a zona Euro, consequências que poderiam ter sido evitadas se a UE tivesse tomado uma decisão desta natureza, atempadamente, pois teria acalmado os mercados financeiros, como está à vista.
Mas os remédios contra a depressão, não vêm só do exterior. O anúncio do ministro das Finanças de que em Fevereiro e Março houve uma evolução “muito positiva” da receita fiscal” e que “dados preliminares de Abril mostram que isso se continua a fazer sentir”, constitui também um excelente tónico contra a depressão. Tónico que surge num momento particularmente importante, pois ocorre precisamente na data em que vai ter lugar a procissão dos profetas da desgraça a caminho de Belém. Que vão e por lá fiquem!

Actualização:
- A romagem a Belém traduziu-se numa declaração dando conta que os romeiros foram manifestar a  sua "profunda preocupação mas também a convicção de que os portugueses apoiarão medidas que se impõem face à situação actual para restabelecer a confiança na economia portuguesa desde que sejam apresentadas com transparência". Para tão pobre peça, para quê tamanha encenação?
- A Bolsa de Lisboa fechou a sessão com a maior valorização de sempre, num só dia, registando ganhos superiores a 10%.

domingo, 9 de maio de 2010

Benfica Campeão (Benfica: 2 - Rio Ave: 1) (Golos -Vídeos)

Com a derrota sofrida na penúltima jornada frente ao FCPorto e a perseguição persitente de um Sporting de Braga de excepção, o Benfica só nesta jornada (que também é última) conseguiu confirmar o favoritismo de que já gozava, desde há muito,  alcançando, com a vitória sobre o Rio Ave, por 2-1,  o título de campeão nacional de futebol.
Diga-se que a vitória sobre o Rio Ave foi, de alguma maneira, facilitada com a expulsão de Wires (Rio Ave) aos 11', mas não sofre dúvidas a justiça da vitória, ainda que escassa. Como também não há duvidas sobre a justiça do título conquistado. O Benfica, foi, sem dúvida, a melhor equipa do campeonato. Só o Sporting de Braga lhe deu boa réplica. O FCPorto ficou-se pôr um 3º lugar a que já não estava habituado e o Sporting, embora colocado no 4º lugar, foi uma sombra da equipa de outros tempos: por ali anda bruxa, ou falta dinheiro.
Parabéns, pois ao Benfica, pelo título e ao Sporting de Braga, pela façanha de alcançar o 2º lugar, ainda que cedendo um empate (1-1)no último jogo, frente ao Nacional.
Parabéns também, Francisco Tiago.
Para reveres, aqui te ficam os golos:

Golo de Cardozo (Benfica)



Golo de Ricardo Chaves (Rio Ave)



Golo de Cardozo (Benfica)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

... e, antes de ir, ainda mais esta ...

citação:

"Portugal vive uma crise gravíssima, sendo agora claro que os credores querem garantias explícitas de que vamos mesmo mudar de vida. Não é apenas o Estado que tem de viver com muito mais parcimónia de meios. Somos todos nós que temos de ser mais produtivos, poupar mais e ganhar em linha com aquilo que efectivamente produzimos.
Em Portugal não há apenas um responsável, nem a situação tem origem recente. Seria muito fácil e até, no meu caso, conveniente, apontar José Sócrates e o seu governo como únicos responsáveis. Têm uma importante dose de responsabilidade que os portugueses e a história um dia lhes cobrarão. Mas não serão os únicos: o insustentável modelo português tem muitos progenitores e até alguns padrinhos, estes no sector privado. Trata-se de todo um modo de vida que é insustentável e que, para sermos justos, temos conceder que resulta de mais de 20 anos de acções e de inacções."
António Nogueira Leite (aqui)

(Deixo o julgamento sobre a responsabilidade de José Sócrates e dos seus governos para os eleitores, conquanto me pareça conveniente lembrar que o anterior Governo liderado por José Sócrates conseguiu, em dois anos, reduzir o défice das contas públicas de 6,8% para 2,6%. Depois, convém também recordar que surgiu a crise económica internacional que afectou,  não apenas Portugal, mas todos os países e  muitos de forma bem mais aguda, incluindo alguns com economias bem mais fortes e que apresentam défices ainda mais graves. Quanto ao resto, passim).

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fiquem-se com esta ...


Toutinegra-carrasqueira, ou Toutinegra-de-bigodes (Sylvia cantillans L.)
Caros visitantes, por dois ou três dias, fiquem-se com esta, que eu vou à procura de mais.
(Clicando na iamgem, amplia)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

"A Brigada do Reumático"


A história repete-se? Há 36 anos, foi assim.
(Fonte)

Querem que chore ?

O Bloco de Esquerda, o CDS-PP  o PCP e o PSD criticaram hoje os comentários do primeiro-ministro relativamente às previsões da Comissão Europeia que revêm em alta (de 0,4% para 0,5%) o crescimento da economia portuguesa, por se ter declarado “muito confiante relativamente à evolução da economia portuguesa”, considerando que as referidas previsões são um bom sinal.
E, de facto, não são um bom sinal? Perante um dado positivo, queriam que José Sócrates se lavasse em lágrimas ?
No mínimo, os partidos da oposição bem fariam se "de Conrado guardassem o prudente silêncio", porque toda a gente sabe o que eles diriam se as previsões fossem de sinal contrário.
Ou não sabe ?

Petição Cidadãos pela Laicidade

O texto:

"Senhor Presidente da República Portuguesa,

Nós, cidadãs e cidadãos da República Portuguesa, motivados pelos valores da liberdade, da igualdade, da justiça e da laicidade, manifestamos, através da presente carta, o nosso veemente protesto contra as condições – oficialmente anunciadas – de que se revestirá a viagem a Portugal de Joseph Ratzinger, Papa da Igreja Católica.

Embora reconhecendo que o Estado português mantém relações diplomáticas com o Vaticano e que a religião católica é a mais expressiva entre a população nacional, não podemos deixar de sublinhar que ao receber Joseph Ratzinger com honras de chefe de Estado ao mesmo tempo que como dirigente religioso, o Presidente da República Portuguesa fomenta a confusão entre a legítima existência de uma comunidade religiosa organizada, e o discutível reconhecimento oficial a essa confissão religiosa de prerrogativas estatais, confusão que é por princípio contrária à laicidade.

Importa ter presente que o Vaticano é um regime teocrático arcaico que visa a defesa, propaganda e extensão dos privilégios temporais de uma religião, e que não reúne, de resto, os requisitos habituais de população própria e território para ser reconhecido como um Estado, e que a Santa Sé, governo da Igreja Católica e do «Estado» do Vaticano, não ratificou a Declaração Universal dos Direitos do Homem – não podendo portanto ser um membro de pleno direito da ONU – e não aceita nem a jurisdição do Tribunal Penal Internacional nem do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, antes utilizando o seu estatuto de Observador Permanente na ONU para alinhar, frequentemente, ao lado de ditaduras e regimes fundamentalistas.

Desejamos deixar claro que, se em Portugal há católicos dos quais uma fracção, mais ou menos importante, se regozijará com a visita de Joseph Ratzinger, há também católicos e não católicos para quem o carácter oficial da visita papal, o seu financiamento público e a tolerância de ponto concedida pelo Governo, são agressões perpetradas contra os princípios de laicidade do poder político que a própria Constituição da República Portuguesa institui.

Esta infracção da laicidade a que estão constitucionalmente vinculadas as autoridades republicanas torna-se ainda mais gritante e deletéria quando consideramos que se celebra este ano o Centenário da Implantação da República, de cujo legado faz parte o princípio de clara separação entre Estado e Igreja, contra o qual atentará qualquer confusão entre homenagens a um chefe de Estado e participação oficial dos titulares de órgãos de soberania em cerimoniais religiosos.

Declaramos também o nosso repúdio pelas posições veiculadas pelo Papa em matéria de liberdade de consciência, igualdade entre homens e mulheres, auto-determinação sexual de adultos, e outras matérias políticas.

Porque nos contamos entre esses cidadãos que entendem que a laicidade da política é condição fundamental das liberdades e direitos democráticos em cuja defesa e extensão estão apostados, aqui deixamos o nosso protesto e declaramos a Vossa Excelência o nosso propósito de o mantermos e alargarmos através de todos os meios de expressão e acção ao nosso alcance enquanto cidadãos activos da República Portuguesa."

Subscritores iniciais:

Alexandre Andrade, Andrea Peniche, António Serzedelo, Carlos Esperança, Eugénio de Oliveira, Francisco Carromeu, João Pedro Cachopo, João Tunes, Joana Amaral Dias, Joana Lopes, José Rebelo, Ludwig Krippahl, Luís Grave Rodrigues, Luís Mateus, Luis Sousa, Maria Augusta Babo, Miguel Cardina, Miguel Duarte, Miguel Madeira, Miguel Serras Pereira, Onofre Varela, Palmira Silva, Pedro Viana, Porfírio Silva, Ricardo Gaio Alves, Rui Tavares, J. Xavier de Basto.

Querendo, o leitor pode assinar a petição indo aqui. Eu já assinei.

Um Semedo de triste figura

A inquirição do ministro da Presidência, Silva Pereira que hoje teve lugar na comissão parlamentar de inquérito ao negócio PT/TVI justifica um regresso ao tema.
Recordo que a inquirição deste membro do Governo foi requerida pelo deputado João Semedo do Bloco de Esquerda, com fundamento em alegadas declarações daquele, declarações que, no entender deste, provavam que o Governo tinha informação confidencial e privilegiada do negócio e que tais declarações eram a prova que faltava.
Pois bem, logo na declaração inicial, o ministro provou, com documentação nas mãos, dois factos:
1 - que as declarações que o deputado João Semedo lhe atribuía, não correspondiam à verdade;
2 - que as suas declarações remetiam, expressamente, para documentação do domínio público emitida pelos intervenientes do negócio, estando pois fora de causa a existência de informação confidencial.
Não obstante, o deputado João Semedo foi incapaz de reconhecer o seu erro, menos ainda de pedir desculpa pelo erro cometido e pela acusação infundada e, pelo contrário, insistiu à outrance, na sua versão.
Como contra factos não há argumentos, só há duas explicações para as tristes figuras que João Semedo fez hoje, como, aliás, tem feito desde o início dos trabalhos da comissão: ou o deputado é bronco ou não é sério. Como não creio na alternativa bronco, concluo que  João Semedo não é sério. Politicamente falando, claro está. A conclusão é, quanto a mim, ponto assente. Pese embora a severidade do julgamento, a verdade é que o episódio da inquirição de hoje foi suficientemente elucidativo para dissipar e remover as eventuais dúvidas que pudesse ter a tal respeito.
Tendo em conta a anterior conclusão e o facto de João Semedo ser o relator escolhido pela comissão de inquérito, passo também a ter por seguro que qualquer conclusão que saia da comissão também não é para levar a sério, pois sério não pode ser o relatório que ele tem a responsabilidade de elaborar.
Outras conclusões se poderiam extrair, sem grande esforço interpretativo, dos trabalhos da comissão e, designadamente, da inquirição de hoje, mas porque não quero especular, fico, para já, por aqui. A seu tempo veremos.
(Reeditada)

terça-feira, 4 de maio de 2010

De surpresa em surpresa

Temos, pois, de volta e em força, o discurso de Manuela Ferreira Leite. Mas, sendo assim, por que razão puseram a "Nossa Senhora das Certezas" e da "Verdade" a andar?
Será que esta gente já fez as contas ao reflexo e ao peso nas contas públicas derivado do aumento do desemprego que uma tal decisão inevitavelmente geraria? Ou um tal resultado não é para ter em conta?
Se calhar, não, como porventura também lhes é indiferente que, por estas e por outras, o país entre em depressão, quando até já indícios de alguma recuperação (v. aqui, aqui e aqui; a fonte aqui).

"Mea culpa, mea maxima culpa"

Parece confirmar-se a realização, no próximo dia 10, de um encontro entre Cavaco Silva e um grupo de ex-ministros da Finanças, já qualificado, bem apropriadamente, como a "brigada do reumático". Não obstante concordar com a designação, prefiro, contudo, incluir os referidos ex-ministros no rol dos "padres da vinagreira" de que fala Frei Bento Domingues. Pois não é verdade que aqueles, à semelhança destes, mais não fazem do que meter medo e contribuir para criar um clima de depressão colectiva?
Dizem por aí que o encontro se destina a debater o tema dos grandes investimentos públicos. Ora, não creio que tal vá ser o objecto da reunião e por duas razões. À uma, porque a questão dos investimentos públicos (grandes ou pequenos) é do foro e da competência do Governo (que, por isso, terá de responder por eles) e não da Presidência da República. Não tem, pois, Cavaco Silva legitimidade para meter o bedelho no assunto, nos termos da Constituição que ele tantas vezes invoca. É verdade que muitas vezes, em vão. Mesmo assim, sobra-me, em todo o caso, uma outra razão e com muito maior peso: tratando-se de uma reunião entre o "pai do monstro" (Cavaco Silva, segundo Cadilhe) e ex-ministros das Finanças, todos, em maior ou menor grau, responsáveis pelo descontrolo das contas públicas, o mais natural e, logo, o mais provável é que aproveitem o ensejo para fazer um "mea culpa" colectivo.
Dito isto, só espero que não batam com a mão no peito com tanta força, nem façam tanta penitência quanto a requerida pela gravidade das faltas, pois não desejo que saiam da sessão penitencial a necessitar de tantos cuidados médicos que ponham em causa o Serviço Nacional de Saúde. Que, por essa forma, ou por outra, lá capazes disso são eles!
E de muito mais.

A Espanha no olho do furacão

Os rumores sobre a necessidade de a Espanha recorrer ao FMI  para fazer face à dívida, embora já formalmente desmentidos, revelam que a especulação contra o Euro (hoje a cair abaixo do limiar dos 1,3 dólares) está para durar e que pode ter graves consequências para toda a Zona Euro, uma vez que agora é já a Espanha a estar no olho do furacão. As consequências das hesitações da Alemanha em apoiar a Grécia estão à vista. Espera-se, por isso, que a todos tenha servido de lição. Como os predadores, pelos vistos, não desarmam, bom será que a lição seja levada a sério.

A brincar com a justiça

Não ponho em causa a bondade da decisão tomada pelo colectivo da 5ª vara criminal de Lisboa  de ilibar Carmona Rodrigues, ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa  e os ex-vereadores Fontão de Carvalho e Eduarda Napoleão do crime de prevaricação por titular de cargo público no caso da permuta dos terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer feita com o grupo Bragaparques, com o fundamento na falta de "relevância criminal dos actos cometidos”, até porque não disponho de elementos para a questionar. Todavia, sendo a irrelevância criminal dos actos tão evidente, a ponto de o colectivo de juízes decidir liminarmente não realizar o julgamento, já me parece de todo inaceitável que o caso tenha sido investigado durante anos, que tenha sido deduzida acusação pelo Ministério Público e que esta tenha sido aceite por um juiz para ser levada a julgamento, sem que nenhum magistrado se tenha apercebido de tal irrelevância.
Por isso, entendo que, quer seja acertada a decisão ora tomada pelo colectivo de juízes, quer o não seja, certo é que esta decisão  põe em causa seriedade da justiça. Até parece, com efeito, que os senhores magistrados judiciais e do Ministério Público andam a brincar com a justiça e com os cidadãos deste país. Sim, porque, entretanto, neste processo, que não é caso virgem, não só foi posta em causa injustificadamente, segundo a decisão,  a honorabilidade das pessoas envolvidas, como se gastou com ele, pelos vistos, também inutilmente, o dinheiro dos contribuintes.
São processos como este que justificam que os cidadãos tenham perdido a confiança na justiça e que o descrédito atinja hoje duramente as magistraturas. Por muito que  o senhor António Martins (presidente dessa aberração que se chama Associação Sindical dos Juízes) e o senhor João Palma (presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público) digam o contrário.
A circunstância, aqui anunciada, de o Ministério Público poder vir a recorrer, em nada afecta as precedentes considerações. Como é óbvio.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"Padres da vinagreira"

(...) "É um conto exemplar. Muito breve. Chamar-lhe conto até pode ser excessivo, mas merece ser reencaminhado. Começa assim: Jesus Cristo, cansado do tédio do Paraíso, onde pouco tem que fazer, resolveu voltar à Terra. Optou pelo Hospital de S. Francisco Xavier, onde viu um médico a trabalhar há muitas horas e a morrer de cansaço. Para não atrair as atenções, decidiu ir vestido de médico. Entrou de bata, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o gabinete do médico. Os pacientes viram e comentaram: "Olha, vai mudar o turno..."
Jesus Cristo entrou na sala e disse ao médico que podia sair, dado que ele mesmo iria assegurar o serviço. E, muito decidido, gritou: "O próximo!" Entrou no gabinete um homem paraplégico que se deslocava numa cadeira de rodas. Jesus levantou-se, olhou bem para o homem e, com a palma da mão direita sobre a sua cabeça, disse: "Levanta-te e anda!"
O paraplégico levantou-se, andou e saiu do gabinete empurrando a cadeira de rodas. Quando chegou ao corredor, o primeiro da fila perguntou: "Que tal é o médico novo ?" Ele respondeu: "Igualzinho aos outros... nem exames, nem análises, nem medicamentos... Nada! Só querem despachar..."
(...)
O que mais desejo encontrar nos meios de comunicação - talvez como toda a gente - são revelações do que está a acontecer, em todos os aspectos, no país e no mundo. Devem saber ver e dar a ver, trazendo alguma luz ao quotidiano. Como, neste aspecto, era muito raro ter sorte, tornei-me absentista, procurando outros meios de informação. Julgo que os infindáveis telejornais, tecidos do princípio ao fim quase só por desgraças, ao não servirem com competência a verdade e a liberdade de informação, acabam por se tornar  em agentes de depressão colectiva. Matam de tal modo a sensibilidade dos telespectadores que, como diz o Evangelho, já nada os consegue espantar, nem mesmo "a ressurreição de um morto" (Lc 16, 19-31).
A primeira religião que conheci era uma mistura de catolicismo azedo e de superstições locais. Existia para meter medo. Toda a gente sabia histórias terríveis de aparições medonhas de figuras do mal. Tinha de ir mais gente para o inferno do que para o céu. No Norte, chamavam aos pregadores dessa religião os "padres da vinagreira". Hoje, de certo modo, a "religião" dos telejornais e dos seus sacerdotes também parece que só está interessada em mandar o país para o inferno. Mesmo quando há sinais de que é possível enfrentar as enormes dificuldades com que o país se debate, insiste-se em mostrar que não há saída.
Em sentido muito próximo, mas num panorama mais vasto e englobante, Mário Soares (DN, 27.04.2010) publicou um notável artigo, onde também achou fastidiosas e inúteis as comissões parlamentares de inquérito que têm sido transmitidas em directo pela televisão. Em vez de  prestigiarem o Parlamento como é importante que aconteça - como centro da vida democrática que deve ser -, estão a desprestigiá-lo. A sanha persecutória  dos deputados-inquisidores não é diferente da guerrilha partidária desbocada e interminável. Revestindo aspectos pessoais desagradáveis, cria enfado nos que a seguem, não permite que se debatam os problemas que afligem os portugueses e só desvia as atenções."
(...)"
(Frei Bento Domingues O.P., in  "Público" de 2 Maio 2010, sem link. Os  sublinhados são meus. Idem quanto ao título, formado com a utilização duma expressão transcrita do texto)

domingo, 2 de maio de 2010

Porto: 3 - Benfica: 1 - Festa adiada com a derrota do Benfica no Dragão (Golos em vídeo)

Com a derrota de hoje, frente ao Futebol Clube do Porto no estádio do Dragão, por 3-1, e a vitória do Braga frente ao Paços de Ferreira, por 1-0, o Benfica terá que aguardar pelo próximo jogo para poder festejar o título, há tanto tempo anunciado. Quanto ao jogo, este teve demasiados incidentes para o meu gosto, mas convenho que o FCPorto mereceu a vitória, pois o Benfica, com a tremideira, nem sequer foi capaz de aproveitar o facto de, em quase todo o segundo tempo, ter jogado em superioridade numérica.
Fiquemo-nos pelos golos.

Golo de Bruno Alves:


Golo de Luisão (Benfica)


Golo de Farias (Porto)


Golo de Belucchi (Porto)

Lições de canto ?

Mentiria se dissesse que não fiquei surpreendido com os resultados da recente sondagem feita pela Marktest que atribui ao PSD  39,8% das intenções de voto, ao PS 34%, ao BE 8,3%; à CDU 7,2% e ao CDS: 4,5%.
É verdade que boa parte da subida se fica a dever ao trambolhão do CDS. Paulo Portas que se cuide, pois o eleitorado à direita parece ter feito uma nova opção.
Ainda assim, a surpresa mantém-se, porque Passos Coelho não promete nenhuma terra por onde corra leite e mel. Muito pelo contrário, se bem julgo, tendo em conta as suas repetidas inflexões nesta  matéria.
De facto, a consolidação orçamental, na última versão conhecida de Passos Coelho, passa, não pelo aumento dos impostos sobre os rendimentos mais elevados, mas sim pela diminuição das despesas sociais e na área da saúde (com o consequente aumento dos níveis de pobreza e regressão em termos de bem estar social) e  pela redução do investimento público, com reflexo, designadamente, nas obras que requerem mais abundância de mão de obra, pelo que é previsível o aumento do desemprego, não sendo também de afastar a hipótese do regresso da recessão, se o investimento privado não recuperar.
Mas sendo assim, aonde ir para encontrar uma explicação ? Às lições de canto do novo líder do PSD? Ou, o que é mais provável,  estaremos apenas perante um caso de masoquismo dos eleitores, ainda que  passageiro, tendo em conta que 61 por cento dos inquiridos não quer eleições antecipadas ?

No Dia da Mãe


{Linária-de-cor-de-ametista [Linaria amethystea (Lam.) Hoffmanns. et Link]}
Só uma flor. E as recordações.
(Clicando, amplia)