domingo, 1 de abril de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

Que alívio !

Dez dias sem ouvir o Passos/Coelho, o Gaspar, o Portas e o Álvaro e sem ouvir falar de...
Que alívio!
É que estou farto de tanta pulhice e depois do último congresso do psd, nem queiram saber. De forma que,  para aliviar, lembrei-me de ir ver se o Vesúvio continua adormecido e se, pelo contrário, o Etna ainda está acordado. 
Valete!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Não está mal visto

Segundo o "Público", a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Aiveca considerou que se as novas regras do despedimento por inadaptação já estivessem em vigor o primeiro a ser despedido seria Álvaro Santos Pereira.
Não está mal visto, não senhora.

Banha da cobra

Entre o número de pessoas que beneficiariam de isenção de taxas moderadoras na área da saúde, segundo o que foi inicialmente anunciado (entre 5,2 e 7 milhões de portugueses) e a realidade (que aponta para um número de beneficiários não superior a 1 milhão de pessoas) vai uma distância tal (no mínimo, como se revela aqui, de 4 milhões de pessoas) que, percorrê-la, só foi possível graças à colaboração duma multidão de vendedores da banha da cobra.
Já tinha dado conta que estes profissionais tinham desaparecido dos mercados e feiras, mas só agora compreendi onde tinham ido parar. Ao governo de Passos/Coelho, nem mais.

Orquídeas #3

Ophrys tenthredinifera Willd.
(Local e data: Serra da Arrábida: 27 - março - 2012)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Imagem quase perfeita...


Quase perfeita, digo eu, porque para atingir a perfeição bastaria substituir as cenouras por "nabos".
Não há nabos cor de laranja ? Pintem-se!
(Imagem via Alda Magalhães Teles, no facebook)

domingo, 25 de março de 2012

Um imenso bocejo

Ouvi-lo, nem pensar. Vê-lo, só de raspão, antes de mudar de canal. Não é por nada, só que ouvi-lo e vê-lo  provoca-me náuseas. Mas para me manter informado, estou atento às "pérolas", como esta do "sai-nos do lombo" (melhor dito: "sai-vos do lombo"), "pérolas" que vai debitando e que a imprensa faz o favor de reproduzir.
Se o que li aqui, aqui, aqui e  aqui, traduzem com algum rigor o discurso proferido por Passos/Coelho no encerramento do congresso do PSD, então posso garantir que a sua narrativa não justifica mais que um imenso bocejo. A única resposta possível a um discurso que mais não foi que um imenso vazio.

Hipocrisia em dose dupla

Se não me faltam motivos para maldizer a acção dos actuais governantes, a começar na insensibilidade perante o sofrimento dos mais pobres e a acabar no servilismo perante os ricos e economicamente poderosos, a verdade é que o que neles mais abomino é  a hipocrisia de que dão provas. Sirva de exemplo o ministro topa-a-tudo que dá pelo nome de Miguel Relvas, ministro que é aqui chamado tão só porque é exemplo mais recente. Com efeito, a  Relvas é atribuída a afirmação de que os desempregados "Estão todos os dias nas nossas preocupações e nós não arranjamos desculpas, ao contrário de outros. Se há circunstância que nos tira o sono verdadeiramente, são os números alarmantes do desemprego".
Relvas,  num só fôlego, consegue a proeza de fazer um duplo exercício de hipocrisia.
É hipócrita quando diz que o desemprego lhes tira o sono, porque, se fosse esse o caso, é evidente que o governo não teria seguido a política de austeridade do tipo "custe o que custar", porque era (e é) sabido que tal política não podia ter como resultado outro que não fosse o do aumento galopante do desemprego. Como está provado. Relvas por sinal, não tem cara de mal dormido. Bem pelo contrário.
E não é menos hipócrita quando afirma que "nós não arranjamos desculpas, ao contrário de outros", porque se há aspecto em que este governo se distingue dos anteriores é precisamente porque não assume as próprias responsabilidades e gasta boa parte das suas (fracas) energias em arranjar e alimentar o bode expiatório. 
Têm, aliás, reconheço, boas razões para isso, porque o bode expiatório é sua única tábua de salvação. No dia em que os portugueses conseguirem abrir os olhos, por entre a  poeira lançada na e pela comunicação social, muito cuidado devem ter com a própria pele.

sábado, 24 de março de 2012

Só vilões

Passos/Coelho recusou-se a comentar o "romance" à volta da eventual nomeação de Teixeira dos Santos para administrador não executivo  da Portugal Telecom, por indicação da accionista Caixa Geral de Depósitos, sob proposta do ministro Gaspar, este certamente alinhado com o próprio Passos/Coelho, como não podia deixar de ser. 
Andou mal Passos/Coelho, porque o romance, ainda que a nomeação tenha sido ou venha a ser abortada, por oposição de Portas e travessas, tinha (e tem) todos os ingredientes para ser um sucesso. Trata-se, com efeito, dum "romance" bem original, desde logo, porque não tem heróis. Só vilões. 
A começar em Passos/Coelho e em Gaspar que, com a sua proposta, acabam, eles próprios, por "reabilitar" a gestão do anterior ministro das Finanças, confirmando assim que o discurso governamental sobre a "bancarrota" não passa dum exercício de retórica para enganar eleitor.
(Não que ainda houvesse alguma dúvida sobre isso, mas a confirmação, vinda de quem vem, sempre dá mais consistência à tese.)
Teixeira dos Santos que, supostamente, aceitou o convite, também encarna bem o papel de vilão, facto que confesso, me desagrada particularmente. É que não o supunha capaz de se vender por um prato de lentilhas.
Mas, como diz o outro, muito se engana quem cuida. Neste caso, é o meu caso.

Novas sobre os abutres

Não serei eu, um declarado amante da natureza, a negar a importância da construção de 12 ninhos para facilitar o regresso do Abutre-preto (Aegypius monachus) ao Alentejo, dada a relevância ecológica da presença da ave de rapina em questão.
No entanto, como cidadão, tenho pena que a notícia não traga também dados sobre o número de ninhos construídos pelo governo de Passos/Coelho para albergar os abutres do género Catroga. Até porque, ao que parece, as espécies deste género são muito mais eficientes, quer na ocupação dos ninhos, quer como predadores. Quanto a este particular, julgo não haver dúvidas e dúvidas também não subsistem quanto  à ocupação dos ninhos. Enquanto os  preparados para o Abutre-preto continuam por utilizar, os ninhos construídos por Passos/Coelho têm, de antemão, ocupação garantida.

Felizmente, o ridículo não mata...




Se matasse, era uma razia. Com tanto governante e tanto autarca (da direita) a partir desta para melhor, o país nunca mais se endireitava.
Que sorte, hein!

Violência em grande estilo...

 
...Como se pode confirmar pela fotografia supra que documenta uma das agressões policiais ocorridas durante uma manifestação, na quinta feira. 
Estilo, de facto, é o que não falta ao agente em acção.
Do que também não há dúvida é de que as forças policiais, depois da entrada em funções do actual governo, ganharam toda uma outra desenvoltura, a ponto de já não pouparem jornalistas, no exercício da sua profissão,   quando elas se exercitam na arte de bem malhar em manifestantes.  
É uma vergonha? É, mas as forças policiais sabem muito bem à ordem de quem actuam. Olá se sabem. A prova é que, já em anterior manifestação, com o ministro Miguel Macedo em funções,  tinham começado os ensaios, sem que até agora, que se saiba, alguém tenha sido responsabilizado. 

Com um ministro tão compreensivo e condescendente era (é) de esperar o quê?
(imagem daqui)

Segredos de Estado

Para este (des)governo até os dados sobre a adesão à greve, constituem autênticos segredos de Estado. Sobre tal assunto, nem as empresas públicas de transporte podem abrir o bico.
É o que se pode chamar um governo transparente(mente) opaco. 

sexta-feira, 23 de março de 2012

O AVOAR

 "Arrumado" por Passos/Coelho o projecto do TGV, este já tem um sucessor que dá pelo nome de  AVOAR. Este projecto que já está em execução não é, certamente, o mais vantajoso para o país,  porque ficámos sem a ligação à rede europeia de alta velocidade, mas é, seguramente, muito mais rápido na delapidação dos dinheiros públicos.
Logo à partida foram AVOAR 1200 milhões euros de fundos comunitários (pelas contas de Ana Paula Vitorino que ainda não vi contestadas) e AVOAR irão mais cerca de 300 de milhões de euros a que a concessionária  se julga com direito para ser ressarcida das despesas e gastos  já efectuados.
É muito milhão AVOAR, em troca de nada.
Isto digo eu, embora admita que o ponto de vista do governo possa ser muito diferente. Quem sabe, na verdade, se nas contas de Passos/Coelho, que tão apostado está no empobrecimento do país, não entraram também as centenas de trabalhadores que, na sequência da paragem das obras, correm o risco de ser despedidos? Se faço a pergunta é porque o desemprego é a forma mais eficaz de empobrecer rapidamente. Alguma dúvida?  
Para quem se escandalize com as interrogações que antecedem, devo dizer que até admito que Passos/Coelho, como pessoa,  pode não se sentir muito confortável com o aumento galopante do número de desempregados, mas certo é que tal resultado é fruto das suas políticas e, também neste caso, da suas decisões. Alguma dúvida?

Mais uma razão para "comemorar"

Não faltam motivos, além dos enunciados por Pedro Silva Pereira no artigo transcrito no "post" anterior, para "comemorar" o nefasto dia 23 de Março de 2011. Cá temos mais uma boa razão para assinalar a data: "o número de casais com ambos os cônjuges desempregados disparou 73,2% em Fevereiro face a igual mês de 2011". 

Um dia para "comemorar"

"Faz hoje precisamente um ano que uma estranha coligação PSD/CDS e PCP/BE se uniu no Parlamento para rejeitar o PEC IV (apoiado formalmente pela Comissão Europeia e pelo BCE), mesmo sabendo que isso iria arrastar o País para uma perigosa crise política em plena crise das dívidas soberanas. 

Afirmei então, na Assembleia da República: "O Governo quer deixar registado um facto para memória futura dos portugueses: até esta data, o dia 23 de Março de 2011, dia em que a oposição decide precipitar uma crise política, Portugal foi sempre capaz - com maior ou menos dificuldade, mas foi sempre capaz - de assegurar o financiamento da sua economia e de evitar o recurso a uma ajuda externa. Mas, daqui para a frente, um agravamento da situação do País em resultado da decisão que hoje aqui será votada, será da inteira responsabilidade de quem, no pior dos momentos, decidiu, de livre e espontânea vontade, acrescentar à crise financeira esta evitável e irresponsável crise política". E disse ainda: "a extrema-esquerda parlamentar (...) não pode ignorar que quando a direita precipita esta crise e vem falar de uma "coligação alargada", do que está a falar, realmente, é de uma coligação alargada ao FMI, porque é para aí que esta irresponsável crise ameaça levar o País! E se os senhores acham que é já o FMI que governa, então desenganem-se, porque é caso para dizer que ainda não viram nada!". O tempo, infelizmente, veio dar-me razão.

É sabido o que se passou a seguir ao chumbo do PEC IV: descida abrupta dos ‘ratings' da República, dos bancos e das principais empresas (com custos financeiros elevadíssimos); subida inusitada dos juros da dívida pública; fechamento total dos mercados de financiamento do Estado e da economia. Por consequência, em menos de quinze dias, a 6 de Abril, Portugal foi forçado a pedir ajuda externa. A luta do Governo socialista de conquistar o apoio do BCE para que Portugal se mantivesse fora dos constrangimentos de um programa de assistência financeira, no grupo da Espanha e da Itália, foi derrotada por uma coligação partidária que não se importou de atirar Portugal para a companhia da Grécia e da Irlanda na ânsia de satisfazer, de uma assentada, o protesto da extrema-esquerda parlamentar e a impaciência pelo poder dos partidos da direita.

Não deixa de ser irónico recordar, à distância de apenas um ano, que a opção de rejeitar o PEC IV foi feita em nome da recusa do aumento dos impostos, bandeira que depois deu lugar à fabulosa promessa de uma austeridade contra "as gorduras do Estado" e não mais "contra as pessoas". A verdade é que foi com este engodo fraudulento que o País trocou um programa exigente, mas moderado, de rigor orçamental por um muito mais penoso programa de austeridade, depois agravado pela absurda opção governamental de ir "além da ‘troika'". Um ano depois, os factos são estes: os impostos - os tais que não podiam aumentar - afinal, subiram todos e muito; as famílias sofreram cortes violentos nos salários, nos subsídios e nas prestações sociais; a recessão na economia agravou-se muito seriamente e o desemprego disparou, de 12,1 para 14,8%. Perante isto, o anunciado ponto final na ajuda externa, com o regresso aos mercados em 2013, parece cada vez mais uma miragem. Uma coisa é certa: desde as eleições que não se vê nenhum membro deste Governo voltar a repetir a promessa eleitoral de que acabou a austeridade "contra as pessoas".

Pedro Silva Pereira; Um ano depois

(Sem dúvida um dia para "comemorar", hoje e no futuro, porque lições a tirar não faltam.) 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Orquídeas #2

Salepeira-grande [Himantoglossum robertianum (Loisel.) P. Delforge; sin.:Orchis robertiana Loisel. (basónimo); Barlia robertiana (Loisel.) Greuter]
(Local e data: Serra da Arrábida; 29 - fevereiro - 2012)

terça-feira, 20 de março de 2012

Orquídeas #1

Ophrys incubacea Bianca
(Local e data: Serra da Arrábida; 18 - março - 2012)
(Clicando, amplia)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Falhas: por cá, é coisa que não há

Falhas é coisa que não faltou no primeiro plano de resgate da Grécia, reconhecem agora Jean-Claude Juncker,  presidente do Eurogrupo e o nosso bem conhecido Poul Thomsen, presentemente, chefe de missão do FMI, em Atenas.
Mas, vendo bem, falhas continuam a não faltar no segundo plano de resgate, pois o FMI alerta, à partida, para o perigo de  “o resultado mais provável [vir a ser] uma recessão mais profunda e uma dívida muito mais elevada”, "se a implementação do programa não decorrer como o previsto ou se a economia demorar mais tempo do que o estimado a responder às reformas estruturais".
É muito "se" junto. 
Entretanto, por cá, vítimas da mesma receita que tão nefastos resultados produziu na Grécia, continuamos a suportar um grupo de fanáticos da austeridade que acham que o futuro do país está no empobrecer e que não recuam perante os custos do "custe o que custar",  mesmo quando estes estão já bem à vista. O país já não está só a empobrecer. Está a transformar-se, como diz o António Correia de Campos, na crónica citada no "post" anterior, num país de "zombies". E não sei se o mais grave é sermos um país pobre, se um pais de gente sem vontade.

Um país de "zombies"

"(...) Conquistado o poder, a racionalidade alterou-se. Já não seria necessário elaborar qualquer estudo [custo-benefício] porque tudo iria pelo cano de esgoto. Suspendeu-se o novo aeroporto, anulou-se a alta velocidade, encravou-se o túnel do Marão, as estradas ficaram nos toscos, cancelou-se o apoio às renováveis, suspendeu-se a renovação do parque escolar, congelou-se o hospital de Todos os Santos (Lisboa), suspendeu-se o regadio do Alqueva, congelou-se a construção de unidades para cuidados continuados, anulou-se a formação profissional das Novas Oportunidades: toda a energia governativa se concentrou no furor destrutivo, cada ministro ou secretário a desafiar os outros em capacidade punitiva. A sanha destruidora ainda não terminou, com a ajuda simpática de alguma imprensa tablóide orquestrada pelos comunicacionais da nova coligação.
O simplismo argumentativo do "não há dinheiro" substitui-se à anterior exigência de racionalidade na decisão; em vão se perguntará pelos estudos que levam à destruição de projectos, ao auto-de-fé de ideias, à negação da esperança. A resposta é sempre a mesma: "Não há dinheiro". E todos sabemos que ela é não só falsa como errada. Falsa porque há fundos externos por utilizar e já em pousio perigoso. Errada porque a negação representa perdas: em parte directamente monetarizáveis, como as indemnizações compensatórias por danos emergentes, as perdas de receita esperada como lucros cessantes, o desemprego, o tempo perdido, a retracção do investimento, a redução do crescimento das exportações, a redução da receita fiscal; bem como alguns intangíveis: a perda de iniciativa, a credibilidade atingida, a depressão dos agentes, a doença e a morte prematuras. Onde estão, então, esses estudos, os que levaram à anulação de projectos? Se não existem, quais os argumentos pelos quais forma dispensados? Quem responde, daqui a anos, pelo País de sombras e de zombies que se está a promover?
(...)"
António Correia de Campos; O custo-benefício (extracto) (in  "Público", edição impressa  de hoje)