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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Chocante, para não dizer absurdo

É chocante, para não dizer absurdo, que o governo dum Estado laico se submeta aos ditames duma qualquer religião, neste caso, a católica.
É chocante, para não dizer absurdo, que o governo duma República elimine o feriado que comemora a implantação dessa mesma República.
É chocante, para não dizer absurdo, que o governo dum país independente não respeite a data da restauração da sua independência
Há limites para tudo? Para este governo, pelos vistos, não há.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Discurso às ovelhinhas

Depois do discurso sobre o sorriso das vaquinhas proferido durante a passeata pelos Açores, Sua Excelência presenteou-nos hoje, a propósito das comemorações do 101º aniversário da Implantação da República, com um discurso dirigido às ovelhinhas. Resumindo: "Vivemos tempos muito difíceis".  "Acabaram os tempos de ilusões."
Resumindo ainda mais, agora por minha inteira conta, quer isto dizer: comam e calem.
Confesso que gostei mais do arroubo lírico de Cavaco sobre o sorriso das vaquinhas, enquanto andou lá pelos Açores, acompanhado por farta comitiva. E, por mim, até podia continuar por lá a fazer discursos às vaquinhas, desde que dispensasse a larga companhia. Isto para que não se possa acusar Sua Excelência de hipocrisia quando fala em "justa repartição dos sacrifícios".
Veja-se até que ponto vai a minha preocupação com a imagem de Sua Excelência!
Nem eu imaginava !

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Implantação da República: o sim e o não


Cavaco Silva entendeu por bem comemorar o 99º aniversário da República, com uma alocução proferida no Jardim da Cascata, no Palácio de Belém e justificou o facto de este ano não ter havido a tradicional cerimónia na Praça do Município com a sua presença, com a proximidade da realização das eleições autárquicas.

Ao invés, o primeiro-ministro, José Sócrates, compareceu nas cerimónias comemorativas da implantação da República realizadas na Câmara Municipal de Lisboa porque, segundo afirmou ,"gosta de comemorar a República “no sítio tradicional”.

A meu ver, não é só uma questão de "gostar" ou não "gostar", pois as comemorações devem realizar-se no local próprio e, goste-se, ou não, a proclamação da República teve lugar na Câmara Municipal de Lisboa. Não é o facto de estarmos em vésperas de eleições autárquicas que justifica a opção de Cavaco Silva, porque não se vê de que modo a comemoração da proclamação da República, na Praça do Município de Lisboa, poderia ter interferido na campanha eleitoral, tanto mais que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa tomou, ele próprio, a iniciativa de não usar da palavra durante a cerimónia comemorativa, ficando a cargo da presidente da Assembleia Municipal, Paula Teixeira da Cruz, por sinal, militante de um dos partidos da oposição na Câmara (o PSD) o único discurso proferido na ocasião. Querem melhor prova de isenção ?
Perante os factos, temos de concluir que um tem razão (José Sócrates) e outro, ao optar por uma comemoração doméstica e intra muros, não (Cavaco Silva). Ultimamente, o inquilino de Belém não acerta uma, em matéria de isenção, pois privilegia o formal e despreza o essencial. O importante não é parecer. É ser.
(Imagem daqui)
(Reeditada)

domingo, 5 de outubro de 2008

Será que o 5 de Outubro existiu ?

Por impossibilidade de agenda (gente com agenda é outra loiça !) não assisti em directo ao discurso do Presidente da República comemorativo do Cinco de Outubro. Reporto-me, por isso, nesta fase do comentário às referências feitas nos jornais on line, designadamente no PUBLICO.PT e nos telejornais. Perante as transcrições a que tive acesso, o discurso do Presidente foi um discurso sem novidades. Redondo diria eu, e de tal forma que agradou a gregos e a troianos: Para Sócrates existe "consonância perfeita" entre o Presidente da República e o Governo ; para o presidente do grupo parlamentar do PSD o seu partido "identifica-se plenamente com a perspectiva" assumida pelo chefe de Estado; os partidos da esquerda aplaudiram, embora tenham defendido que o Presidente devia ter sido mais crítico da actuação do Governo.
Lido o texto do discurso na íntegra no sítio oficial da Presidência confirmo a minha primeira impressão. Devo, no entanto, acrescentar que tenho as minhas dúvidas sobre se o Presidente da República pode ir mais longe do que foi, pela razão simples de que se pretender ir além da constatação das dificuldades que o país atravessa (seja por culpa do governo, seja devido à crise internacional) terá que apresentar soluções e isso significaria invadir território da competência do Governo. Ora, cioso como é das suas competências (veja-se o recente episódio sobre o Estatuto dos Açores) não se espere que o PR tenha comportamento diverso em relação aos restantes órgãos de soberania. O PR está, por isso, condenado aos discursos "redondos" a menos que queira usar a "bomba atómica" da dissolução da Assembleia da República.
Mesmo que se entenda que não é necessário que vá tão longe, a verdade é que o PR não pode dar-se ao luxo de criticar directamente o Governo, como pretendem os partidos da esquerda (e os da direita também, certamente) porque, a fazê-lo, teria de tirar daí as devidas consequências constitucionais e iríamos parar ao mesmo ponto.
O título deste comentário "Será que o 5 de Outubro existiu mesmo ?" não tem, no entanto, a ver com o discurso do PR, mas sim com as transcrições que dele foram feitas. Não encontrei nas referências ao discurso uma palavra sobre o que o PR disse a propósito da comemoração do 5 de Outubro, pelo que, num primeiro momento, até julguei que o PR não tinha dito uma palavra sobre o assunto. Verifico, lido o discurso, que o PR não só se referiu à comemoração da data, ainda que brevemente, como, inclusive, não se saiu mal a tal respeito.
Para os órgãos de comunicação social a que acedi é que parece que a comemoração da implantação da República é assunto inexistente. Critérios !
(Ilustração daqui)