segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Preso por ter cão ...

Não falta por aí quem, acintosa e oportunisticamente, critique o primeiro-ministro António Costa pelo facto de ter decidido não interromper a visita de Estado à Índia para poder prestar a última homenagem a Mário Soares, entretanto falecido. É, porém, certo que se a decisão tivesse outra e em sentido contrário também não teriam faltado vozes a censurá-lo por antepor as suas amizades ao interesse do país. Sabe-se, com efeito, que em circunstâncias como esta, é-se, com frequência, "preso por ter cão e preso por não ter".
Estou certo que o facto de não poder estar presente no funeral de Mário Soares é  motivo de grande desgosto pessoal para António Costa, tendo em conta a mútua relação de amizade e a admiração que António Costa nutria por Mário Soares. Ao decidir como decidiu, dando prevalência aos interesses do país, António Costa procedeu bem, porque em conformidade com as suas obrigações como primeiro-ministro. 
Parece-me óbvio.
(imagem daqui)

sábado, 7 de janeiro de 2017

Até os que se vão "da lei da morte libertando" se cansam, um dia, desta vida

É um facto: até os "imortais"se despedem um dia da nossa convivência. A partida de Mário Soares, que hoje choramos, aí está a lembrar-nos esta cruel verdade.
O homem - um lutador incondicional pela liberdade e um homem de coragem, até física - partiu, mas a obra fica. A democracia em que vivemos é, reconhecidamente, obra dele, em grande medida. Que a sua memória perdure e que descanse em paz! Uma e outra coisa ele mereceu e a ambas tem jus.
(Imagem daqui)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A prenda dos reis magos para Passos Coelho

"O PS continua a ampliar a sua vantagem face ao PSD, amealhando 40,1% das intenções de voto, contra 27,4% dos social-democratas."
"Entre os líderes dos cinco maiores partidos, António Costa é o que recebe melhor pontuação (13,7 numa escala de 0 a 20) contra 5,2 de Passos Coelho, o mais mal pontuado."(Fonte)
Passos Coelho invocou os reis magos e estes responderam de pronto à chamada. Hoje mesmo chegaram com a prenda.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

António Guterres

Já tudo foi dito sobre António Guterres. Limito-me, por isso, a documentar com a foto supra o momento do seu juramento como Secretário-Geral das Nações Unidas.
Que, para bem de todos nós, tenha os maiores sucessos na tarefa a que vai lançar mãos, tarefa que, não se antevendo nada fácil, tem em António Guterres a pessoa mais capacitada para a levar a bom termo. afirmação que, a meu ver, não sofre contestação tendo em conta todo o procedimento que culminou na sua escolha para desempenhar o cargo maior da diplomacia mundial.
(Imagem daqui)

Trabalhos de campo # 38: Perna-verde-comum (Tringa nebularia)




Perna-verde-comum (Tringa nebularia Gunnerus)
Família: Scolopacidae;
Estatuto de conservação da espécie: "pouco preocupante"
[Local e data: Estuário do Tejo (Baía do Seixal); 12 - Dezembro - 2016]
(Clicando nas imagens, amplia)

domingo, 11 de dezembro de 2016

Fala a experiência

O autor da afirmação pode não ter outras qualidades, mas é forçoso reconhecer-lhe a autoridade derivada da sua experiência como ministro da Educação do governo anterior para se pronunciar com tamanha assertividade. É o mínimo que se pode fazer, acho eu.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O matemático que não sabe fazer contas

Exactamente: o matemático que não sabe fazer contas é mesmo Nuno Crato, o ex-ministro da Educação do governo Coelho/Portas, de infausta memória. 
Indo ao que interessa, peço ao leitor que passe a vista sobre este post que não me deixa em mentira sobre a afirmação em título, post de que respigo os seguintes excertos:
«O ex-ministro da educação, Nuno Crato, não perdeu tempo a reivindicar os louros [dos "resultados do PISA 2015"] para si, apontando a introdução de «novas metas curriculares» e de «exames finais» no 4º e 6º ano como contributos relevantes da sua governação. (...)
O problema é que há um problema: os alunos portugueses que integraram a amostra do PISA, ao frequentarem em 2014/15 entre o 7º e o 11º ano de escolaridade, não poderiam ter «beneficiado» dos «exames finais» do 4º e 6º ano nem das «novas metas curriculares» de Nuno Crato. De facto, o exame do 4º ano foi introduzido em 2012/13 (quando os alunos, na melhor das hipóteses, frequentaram este ano de escolaridade em 2007/08) e o exame do 6º ano foi introduzido em 2011/12 (quando os alunos abrangidos pela amostra, na melhor das hipóteses, frequentaram o 6º ano em 2009/10). Ou seja, os «muitíssimo bons» resultados do PISA podem refletir muita coisa, mas seguramente não refletem - nem poderiam refletir - o impacto pretensamente positivo dos exames precoces instituídos pelo anterior Governo.»
Para mim chega, mas o leitor pode encontrar, no post acima indicado, outros dados que confirmam a afirmação.
(Imagem daqui)

Era uma vez na América, ou a estória da raposa no galinheiro

Dizem as notícias que Donald Trump, escolheu para dirigir a Agência de Proteção Ambiental o procurador-geral Scott Pruitt, um indivíduo que "passou a maior parte do tempo como procurador-geral de Oklahoma a lutar contra a Agência". 
Há que reconhecer que a decisão faz todo o sentido do ponto de vista de Trump, um adversário das leis de protecção ambiental e dos tratados internacionais contra o aquecimento global, fenómeno em que Trump, pelos vistos,  não acredita.
Não podendo o próprio, por razões óbvias, encarregar-se de neutralizar a acção da Agência de Proteção Ambiental, Trump teria naturalmente que procurar alguém a quem pudesse confiar o papel de raposa encarregada de destroçar o galinheiro. É claro que, para Trump,  Pruitt, pelo seu passado, é a escolha perfeita. 
Tão perfeita do ponto de vista de Trump, quão perigosa para o resto do mundo. Tão perigosa que é mesmo caso para, parafraseando os romanos, deixar o aviso: Cavete Trump!
(notícia e imagem daqui)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O pluralismo na RTP

É o que se vê. 
Para comentar a entrevista do primeiro-ministro António Costa difundida momentos antes na RTP 1 e RTP 3, a operadora pública de televisão não encontrou mais ninguém a não ser  José Manuel Fernandes, Helena Garrido, David Dinis e João Garcia. 
Não se pode negar que a televisão pública tem imenso cuidado em assegurar o pluralismo à direita. A esquerda é que, pelos vistos, não tem direito a ter voz na televisão pública, apesar de ser maioritária no país.
Quousque tandem?

domingo, 4 de dezembro de 2016

Primeira prova superada

Eleições presidenciais na Áustria: "Segundo as primeiras projeções da empresa SORA para a televisão pública ORF, o candidato independente ligado aos Verdes, Alexander Van der Bellen, consegue 53,6% dos votos, derrotando o candidato da extrema-direita, Norbert Hofer, que surge com 46,4%. As urnas fecharam às 16.00 de Lisboa."
Superada que foi a primeira prova, falta saber qual o resultado do referendo em Itália para se poder cantar vitória. Aguardemos, pois. 
(Citação e imagem daqui)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

"Pés de vento"







Legenda:
Escultura intitulada: "Pés de Vento"
Autor: José Aurélio
Ano: 1998
Materiais: alumínio e aços
Local: jardins da Casa da Cerca - Almada

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A perder de vista!

A "caranguejola" desconjuntada (PSD/CDS), com 36%, já nem com binóculos consegue avistar a "geringonça"  (PS/BE/PCP/PEV) que já conta com 57% das intenções de voto.
É o diabo! Para Passos Coelho. 
(Gráfico daqui)

"Um ano depois"

«Passou um ano. Todos nos lembramos da cara patibular do presidente de então, da raiva incontida dos que se sentiram desapossados, das dúvidas nacionais e internacionais suscitadas pelo regresso à esfera parlamentar do poder, quatro décadas e um "muro" a menos depois, dos derrotados no 25 de novembro. O país nunca vira nada igual, o conceito de "frente popular" passeou-se pelas colunas dos jornais, os socialistas foram olhados como a "quinta coluna" de um golpe institucional de Esquerda. António Costa, o construtor da "gerinçonça", foi acusado de tudo, desde irresponsabilidade a oportunismo.

A Direita, sem um candidato presidencial que desse garantias cumulativas de poder ganhar e proceder, logo que possível, à dissolução de um Parlamento que gerara tão estranha solução, entrou em estado de negação. Nem no debate orçamental de 2015 quis participar. A sua aposta, confessada ou não, tinha duas componentes. Uma interna, que tinha a ver com a difícil compatibilidade entre as ambições dos parceiros do PS e o grau de abertura deste à acomodação dessa agenda. Outra externa, que se prendia com o previsto incumprimento pelo novo Governo das metas macroeconómicas exigidas por uma Europa de sobrolho carregado perante uma fórmula política que contrastava, de forma quase provocatória, com os equilíbrios no Eurogrupo. A nossa Direita pode dizer tudo o que quiser, mas não conseguirá nunca convencer o país de que não estava à espera de que aquela "quadratura do círculo" fosse impossível.

Mas não foi. As forças que estiveram no Governo entre 2011 e 2015 mediram muito mal o receio que o PCP e o Bloco de Esquerda - que os tinham praticamente colocado no poder, ao ajudarem a derrubar José Sócrates - tinham de vir a confrontar-se com o respetivo regresso. António Costa pressentiu isso e soube desenhar um caminho muito estreito, onde investiu todas suas indiscutíveis credenciais democráticas e europeias, para além da transparência negocial que demonstrou junto dos seus parceiros internos (...)
(...)
É sustentável, a "geringonça"? Não sei, ninguém sabe. Se as taxas de juro dispararem, como pode vir facilmente a acontecer por virtude de efeitos externos, a questão coloca-se. Mas, nesse caso, talvez valha a pena lembrar que isso afetaria qualquer outro Governo que estivesse em funções.»
(Francisco Seixas da Costa. Na íntegra: aqui)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Uma "desgraça" nunca vem só...

Perante estas notícias Pedro P. Coelho dirá com toda propriedade: - é bem certo que "uma 'desgraça' nunca vem só".
Estas notícias são excelentes para Portugal, mas para P. Coelho são mesmo autênticas desgraças. De facto, à medida que se vão acumulando os bons resultados da actual governação, vão-se também encurtando os dias que lhe restam até ter que largar a pose de "primeiro-ministro no exílio". A pose e a "pele".
(Imagem daqui)

Não há quem tenha mão nele...

Nem Passos Coelho, que o mandou vir, nem a Albuquerque que, dia sim, dia sim, o invoca, têm mão nele. Falo-vos do diabo que, pelos vistos, continua a fazer das suas. 
Por estes dias, a façanha mais notável do mafarrico tem a ver com o crescimento da economia que "no terceiro trimestre [acelera] e consegue o crescimento em cadeia maior da zona euro. O PIB cresceu 0,8% em cadeia e 1,6% em termos homólogos. Meta do Governo de 1,2% para final do ano mais perto de ser ultrapassada." (fonte)
E quem diz a meta do Governo, diz todas as previsões, que são, todas elas, muito mais pessimistas.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Já só com binóculos...

... é que a dupla da "caranguejola" pafiosa consegue avistar a "geringonça". Pelo menos, a crer na última sondagem do Expresso. Diga-se que, em boa verdade, nem custa muito a acreditar, atendendo a que a "caranguejola" está desconjuntada e a "geringonça" tem vindo a trabalhar afincadamente desde a sua formação e a avançar em bom ritmo.
Confirme-se, através do gráfico infra, a distância que as separa e que não cessa de aumentar!

(gráfico daqui)

Frei Tomás, em versão americana


"Trump condenou lobistas durante campanha. Agora fazem parte da sua equipa"
-Surpresa ? 
-Nem por isso. Surpreendente seria ver Donald Trump disposto a deixar os seus créditos bem firmados de pinóquio fanfarrão por mãos alheias.
(imagem e notícia daqui)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Passos Coelho, contador de patranhas


Eu não era o PM da austeridade, mas o da recuperação económica
Dizem que o autor da afirmação supra é um tal Passos Coelho, ex-primeiro ministro deste pais, assumido defensor da austeridade "custe o que custar", para a qual não concebia alternativa, o tal que garantiu que os portugueses viviam acima das suas possibilidades e que era imperioso empobrecer Portugal e os portugueses,  objectivos que, há que reconhecê-lo, foram por ele alcançados com inegável sucesso. 
Já se sabe, desde há muito, que Passos Coelho é um profissional contador de patranhas. Se o não fosse nunca teria chegado aonde chegou. Supunha eu, no entanto, que mesmo para ele houvesse um limite. Parece que assim não é, porque, neste caso, a patranha roça a obscenidade.
(Citação e imagem daqui)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O novo e desagradável retrato da América

A vitória de Donald Trump tem certamente muitas explicações que não tenho a pretensão de dilucidar. Olhando, no entanto, para o mapa com os resultados eleitorais, ainda que não definitivo, é dificil não concluir que há uma América que está para lá das belas fachadas da Costa Leste e da Costa Oeste. Uma América que é reacionária, racista, xenófoba, inculta e, direi mesmo, alarve e grosseira. Uma América que, se elegeu Donald Trump, é porque nele se revê. Sendo essa América maioritária, Trump é, por muito que desagradável que ela seja, a nova cara da América. E por muito que nos custe admiti-lo.
Hélas!
(imagem do Público)

O mundo enlouqueceu ?

Provavelmente, não . A eleição de Donald (Pinóquio) Trump como Presidente dos Estados Unidos da América prova sim que o mundo é louco. Pelos vistos, os dois mandatos do Presidente Barack Obama é que não passaram de lampejos de lucidez.
Hélas!
(Notícia e imagem daqui)

domingo, 6 de novembro de 2016

Trabalhos de campo #37: Limícolas do dia

Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus L.)

Pilrito das-praias (Calidris alba Pallas)

Rola-do-mar ou Vira-pedras (Arenaria interpres L.)

[Local e data: Cova do Vapor - Trafaria (Almada); 6 de Novembro - 2016]

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Isto é que é o diabo!


«A Aximage revela que o PSD sofreu neste último mês a sua segunda maior queda desta legislatura. As intenções de voto passaram de 30,6% para 28,7%, ao passo que o PS reforçou a sua posição, com uma subida de 0,6 pontos para 38,3%. Resultado: o fosso que separa o PS do PSD é agora de quase 10 pontos (...).
Mas os dados relativos ao líder do PSD são também pouco animadores para as hostes laranjas: não só Passos Coelho caiu na avaliação feita pelos portugueses como foi o único a cair entre os líderes partidários. De uma avaliação de 6,6 (de zero a 20) caiu para 6,3 pontos, exactamente metade da nota que é dada ao primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, com 12,6, que subiu ligeiramente. Catarina Martins surge em segundo lugar com 11,5, Jerónimo de Sousa com 10,8 e finalmente Assunção Cristas com 10.
Também o indicador que mede a confiança dos portugueses em Passos Coelho como primeiro-ministro caiu. Passou de 32,8 para 30,8, enquanto o seu rival António Costa viu reforçada a sua posição em um ponto, para 55,4 pontos.»
(Fonte)
Para Passos Coelho, o diabo chegou mesmo...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Grande Centeno!

Se quiser falar de embustes na sobretaxa olhe para o lado, não olhe para mim” [Resposta do ministro das Finanças Mário Centeno ao deputado do PSD Leitão Amaro (que tinha a seu lado a antiga ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque) durante o debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2017]
Na mouche !
(imagem e citação daqui)

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Uma besta, com todas as letras!

O ministro da Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, tendo em conta a completa irresponsabilidade das afirmações que faz, porque, além do mais, não são minimamente conformes com a realidade, só pode ser uma besta. Com todas as letras!
Não se arranja ninguém capaz de lhe substituir a língua de trapos por uma língua de gente?

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Orçamento do Estado: um problema para a direita

«A direita está um pouco perdida, e não é para menos. Depois de todo o barulho pré-Orçamento, com uma mexida de impostos noticiada quase todos os dias, o argumentário estava preparado.

Dando de barato a legitimidade para o PSD e o CDS reclamarem contra o aumento de impostos, o problema foi outro. É que, mais uma vez, o Governo trocou as voltas a quase todos. E também à direita. 

É um exercício que consolida com pouca ou nenhuma "austeridade", que prevê um crescimento naturalmente incerto mas não extraordinariamente fantasioso, devolve rendimentos e faz um ajustamento estrutural. (...)

Tal como Centeno "escreveu direito por linhas tortas" - no feliz título de um trabalho publicado ontem pelo Negócios - ou seja, vai conseguir cumprir o défice por caminhos muito diferentes dos anunciados, em 2017 há também essa ausência de linearidade simplista. Resultado: a direita manteve os argumentos já preparados antes de conhecer os números, mesmo que o aumento da receita seja limitado. 

(...)

Surgem agora, naturalmente, os paladinos do crescimento. Que estiveram escondidos durante anos, vestidos de paladinos da consolidação e que agora criticam a rigidez de Mário Centeno no que toca às contas públicas, com efeitos nefastos sobre a economia. (...)

Agora, no Orçamento para 2017, mais de metade da consolidação prevista vem do crescimento da economia (PIB maior, logo menor défice em função do PIB). A provar que, quando se está a subir, todos os santos ajudam. 

Há alguns truques (o BPP e os dividendos do Banco de Portugal como ajuste estrutural, por exemplo) e muitas incógnitas no documento, que está dependente de factores externos que podem obrigar novamente a um maior aperto na despesa. Mas ninguém se atreveu a dizer que não existe uma possibilidade razoável de o exercício dar certo. E só esta possibilidade é uma enorme diferença face aos últimos anos, e um problema para a direita resolver

(Tiago Freire; "A subir todos os santos ajudam". Na íntegra: aqui)

Um não que é garantia de qualidade

Dizem as notícias que Pedro Passos Coelho, o (graças a Zeus) ainda lider do PSD, garantiu, em entrevista dada recentemente ao Público, que "o Orçamento do Estado para 2017 é mau".
Passos Coelho não será a pessoa mais indicada para se pronunciar sobre a qualidade do Orçamento do Estado, ou sobre qualquer  outra matéria relacionada com finanças públicas, sabendo-se que, enquanto primeiro-ministro, foi incapaz de elaborar um único Orçamento que não carecesse de ser objecto de um ou mais rectificativos. 
Não será, dizia eu e não é mesmo. Ainda assim, porque a credibidade que atribuo à palavra dele é tanta que um não pronunciado por ele tem para mim o valor de um sim, tomo a afirmação dele como garantia de qualidade do Orçamento do Estado para 2017. Se, para Passos Coelho, o Orçamento é mau, para mim é bom. Forçosamente, ainda que, por força dos muitos constrangimentos, alguns da responsabilidade do dito cujo, não se possa falar de um Orçamento excelente.
(Notícia e ilustração daqui)

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Passos: caricato e ridículo

«Por altura da campanha das últimas legislativas, o PSD, no seu programa eleitoral, definia como objetivo de "longo alcance" tornar Portugal numa das dez mais competitivas economias mundiais. (...)

Olhando para outro parágrafo do programa desse mesmo partido político, era definido outro objetivo que nos dava uma clarificação de parte da ideia: "que, no espaço da próxima legislatura, nos situemos no top 25 do WEF". Ora, considerando então o World Economic Forum (WEF) como o referencial para medir a competitividade e "longo alcance" como um período superior ao da atual legislatura, na altura em que a promessa foi feita, estaríamos a falar de uma subida de 26 posições no ranking da competitividade do WEF num prazo desconhecido, uma vez que a nossa posição era a 36.ª num contexto global.

Pois bem, uns dias antes das eleições de 2015, saíam os resultados da nova edição do ranking da competitividade do WEF. Portugal caía duas posições, situando-se na 38.ª posição. Mais recentemente, em setembro de 2016, saíram os mais atuais resultados desse mesmo ranking. Portugal registou nova queda, desta feita de oito posições. Estamos agora na 46.ª posição!

Claro que Passos Coelho e alguns acólitos, mesmo no contexto da Comunicação Social, vieram já a terreiro culpar a atual governação pelos resultados desta nova edição do ranking do WEF, o que não deixa de ser caricato e ridículo. Isto porque ambas as quedas refletem, precisamente, o período de governação que Passos liderou, bastando, para verificar isso mesmo, uma análise simples à metodologia utilizada na construção do ranking e aos principais indicadores utilizados.

Estes resultados mostram, portanto, que para que Portugal pudesse ter esperança em atingir melhorias na sua competitividade, tinha mesmo que abandonar o modelo de desenvolvimento que Passos implementou. Ideia reforçada por outro ranking de competitividade, World Competitiveness Yearbook, publicado em maio de 2016 pelo Institute for Management Development (IMD), onde caímos em 2016 da 36.ª para a 39.ª posição. Já para não falar do Innovation Union ScoreBoard da Comissão Europeia, publicado em julho de 2016, onde caímos de 17.º para 18.º. Ou no Networked Readiness Index, também do WEF, onde, na edição publicada em junho de 2016, caímos da 28.ª posição para a 30.ª. Todos estes rankings reportam indicadores referentes a 2015 ou anteriores, anos em que Passos governou.

Em campanha eleitoral, usar ideias vagas e fazer promessas pouco transparentes, é um exercício frequente. No entanto, o tempo acaba por testar muitas delas. As que Passos Coelho e o PSD fizeram mostram bem que os portugueses, ao quererem mudar de rumo, tinham razão! Por aquele caminho, nunca chegaríamos a ser "uma das dez mais competitivas economias mundiais". Passos já percebeu isso e, portanto, anda de cabeça perdida!»
(Luís Miguel Ferreira; "De cabeça perdida!". Na íntegra: aqui . Destaques meus.)

Trabalhos de campo #36: Borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula)



 Borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula L.)
Provavelmente juvenis.
(Local e data: Sapal de Corroios; 18- Outubro - 2016)
(Clicando sobre as imagens, amplia)