quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Como se prova, uma vez mais, que Passos tem conseguido "acertar em cheio"


O ministro Crato e a ministra Teixeira da Cruz têm concentrado, ultimamente, as atenções pelo caos que instalaram nos sectores que lhes estão confiados, Educação e Justiça, respectivamente.
É verdade que um e outra são inteiramente merecedores da atenção que lhes tem sido dispensada, porque os desastres por que são responsáveis têm uma tal dimensão que não é fácil encontrar situação paralela ou que se lhe assemelhe. 
A incidência das luzes sobre aqueles dois ministros não foi, no entanto, isenta de consequências. Teve, pelo menos, o efeito de fazer cair no olvido uma outra autêntica nulidade ministerial, a que dá pelo nome de Rui Machete. Se calhar, já pouca gente se lembra da deterioração das relações com Angola, no seguimento de declarações de Machete, que  no mínimo, terão de se considerar infelizes e impróprias de um diplomata.
Rui Machete, porém, insiste em permanecer na ribalta. Desta vez, para alcançar tal objectivo, não esteve com meias medidas. À falta de boas razões, lembrou-se de revelar informações sensíveis de segurança.
Perante  a "performance" de Machete à frente do ministério dos Negócios Estrangeiros, que outra conclusão se pode tirar que não seja a de que também no caso de Machete, Passos Coelho "acertou em cheio"?
(Imagem daqui)

Reforma ? Qual reforma?

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Crato e o teste da ubiquidade

(imagem daqui)
O caso do professor que já vai nas 104 colocações tem servido para demonstrar até extremos chegou o caos no ministério da Educação entregue por Passos Coelho a Nuno Crato. Muito acertadamente, segundo o próprio Coelho.
Há dois modos de encarar o desastre na colocação dos professores e as declarações de Passos Coelho em defesa do ministro da Educação: a sério ou a brincar.
Se levados os casos a sério, temos de convir que Coelho e Crato são, pelo mínimo dos mínimos, incompetentes. E em grau nunca visto, nos cargos que um e outro, respectivamente, ocupam. Aliás, as declarações de Passos Coelho confirmando a bondade da escolha do ministro Crato são de tal forma insensatas e incongruentes que fica a dúvida sobre se o fulano "tem os 5 alqueires bem medidos".
Como recuso encarar a história pelo lado sério, atentas as consequências, resta ver o caso pelo lado jocoso, impondo-se a conclusão, vistas as coisas deste modo, de que o caso do professor das 104 colocações é a prova de que o ministro Crato está a efectuar um teste sobre o dom da ubiquidade.
O único caso de ubiquidade de que tenho conhecimento é o de Santo António que apareceu em dois lugares ao mesmo tempo: a  pregar em Pádua e a livrar o pai da forca em Lisboa.
Crato, por certo, conhecedor de um tal exemplo, está, tudo o indica, a testar os limites da ubiquidade, para averiguar em quantos lugares é que uma pessoa pode estar ao mesmo tempo. De facto, só assim se explica que o professor em causa tenha inicialmente obtido umas modestas 75 colocações, e já vá, nesta altura, nos 104 lugares, tudo apontando, aliás,  para a hipótese de o número não ficar por aqui.
Alguém é capaz de imaginar o que acontecerá se o teste de Crato acabar por ser bem sucedido ?
Eu não sou  capaz de antecipar todas as consequências, mas não há dúvida de que, em tal caso, ele terá conseguido levar a bom termo a, por ele, muito falada implosão do ministério da Educação. Realmente, para quê todo um enorme ministério, se Crato, com um professor por disciplina e com um mínimo de gastos, resolve o problema da educação no país e, simultaneamente, a consolidação das contas públicas ?
Se o teste resultar, quem é que ainda se atreve a afirmar que Coelho, ao escolher Crato, não "acertou em cheio"?

E ele não será um ET?


"Quantos de nós querem dizer obrigado?"*

«(...)
Não se esperava que Durão (...) fosse capaz de mudar sozinho o rumo da Europa. A pancada foi demasiado violenta. Dizer que outro no seu lugar teria feito melhor é apenas especular. Mas o pecado que o agora cessante líder da Comissão Europeia diz não ter cometido - a submissão incondicional à austeridade - depressa passou de original a terminal. Na realidade, a cura injetada no soro do doente acabou por matá-lo. O sacrossanto Pacto de Estabilidade e Crescimento ficou-se pela metade. A da estabilidade.
Durão tem razão quando afirma ter conseguido evitar a bancarrota de alguns países europeus, entre eles o nosso. Mas essa, diria eu, não é propriamente uma medalha que alguém goste de ostentar na lapela. Em especial porque essa "vitória" teve uma consequência nefasta: mais de 26 milhões de desempregados e uma profunda crise social, que transformou os europeus do Sul em bandidos e os do Norte em fidalgos. À reiterada pergunta "como sair da crise?", a Europa de Durão Barroso não encontrou uma resposta satisfatória. A Alemanha puxa para um lado, a França e a Itália, a acordar do coma induzido, tentam puxar para outro. É certo que o euro sobreviveu para contar a história. Mas à custa de quê? E de quem?
(...)»
(Pedro Ivo CarvalhoGoodbye, au revoir, adeusinho. Na íntegra: aqui)

(* Eu não.)

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

" O algodão não engana"


Se na sociedade portuguesa existe, nos dias que correm, algum consenso,  é o que vai no sentido da defesa da realização de eleições legislativas, no segundo trimestre do próximo ano, consenso que é partilhado não apenas por todos os partidos da oposição, mas também por variadíssimas personalidades e entidades conotadas com a direita e que se explica, antes de mais, por considerações de bom senso. Com efeito, sabe-se hoje que o país só disporá de um orçamento aprovado e em condições de entrar em vigor no início de 2016, se as eleições legislativas forem realizadas antecipadamente, não havendo qualquer dúvida de que o interesse nacional reclama que assim suceda.
Tal consenso só não é partilhado por Passos Coelho e pelos seus "rapazes", por razões mais que óbvias e é, por outro lado, certo que se desconhece qual a posição de Cavaco Silva que é, nem mais nem menos, a entidade que pode tomar a decisão sobre o assunto.
Embora se não conheça a opinião de Cavaco sobre o tema, sabe-se, todavia, que faz parte da retórica do seu discurso a invocação do "superior interesse nacional" para justificar a sua actuação como presidente da República.
Não havendo, neste caso, atento o consenso generalizado, dúvidas sobre qual a decisão conforme com o interesse nacional, que, já vimos, vai no sentido da realização antecipada das eleições, é óbvio que Cavaco tem à sua frente um teste que tirará qualquer dúvida sobre o que ele entende por "superior interesse nacional".
De facto, se Cavaco não tomar qualquer iniciativa no sentido da realização antecipada das eleições, ficaremos a saber, sem margem para dúvidas, que, para Cavaco, o "superior interesse nacional" se confunde, ou com o seu interesse pessoal, ou com o interesse do seus correligionários. Com o interesse nacional propriamente dito é que nada tem a ver. Em "abono" de Cavaco sempre se poderá dizer que "simples interesse nacional" não é exactamente a mesma coisa que "superior interesse nacional".
Ironia à parte, repito que margem para dúvidas é que não há, porque se trata de um teste do tipo "o algodão não engana".
Não antecipo qual virá a ser a decisão de Cavaco perante este teste, a que ele não tem maneira de escapar, mas atrevo-me a adiantar que o teste é também a última oportunidade ao seu dispor para evitar que a sua saída do palácio de Belém se faça pela porta dos fundos.

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Em decomposição


O secretário de estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho demitiu-se na sequência da publicação de notícias acusando-o da prática de plágio.
Quem não se demitiu, nem foi demitido, apesar do estado de decomposição do actual governo, foi o ministro da Educação, responsável politicamente pelo maior desastre de que há memória no iniciar do novo ano lectivo.
Repetindo o que já disse alhures, tal só é possível, porque a espécie de primeiro-ministro que preside ao governo em decomposição não tem o sentido do olfacto para se aperceber do fedor que o "morto" exala. 
Também é óbvio que do mesmo mal sofre o inquilino de Belém para consentir que o "cadáver" permaneça insepulto. Aparentemente tem nariz, cheiro também não tem, pela certa. 
(imagem daqui)

O último!

" A melhor coisa que há para dizer do último orçamento deste Governo é que é o último."

(Pedro Silva Pereira. Extractado daqui)

Graças a Zeus à Constituição da República!

Não é óbvio?

«(...)
As eleições legislativas do próximo ano deviam ser o gatilho desta discussão que se agiganta na Europa: podemos ser rigorosos e ambicionar crescimento? Podemos tentar, pelo menos tentar, uma outra via para sair da crise, que acautele o modelo social, que não implique mais despedimentos, mais cortes salariais e nas pensões, que pense, em primeiro lugar, nas pessoas e só depois nos gráficos e nos ratings? Podemos, de uma vez por todas, explicar à senhora Merkel que entre ter mais défice orçamental ou menos fome entre as crianças, nós escolheremos sempre a segunda? E não é isso óbvio?»
(Pedro Ivo Carvalho;" Você decide: menos défice ou mais fome". Na íntegra: aqui)

(Obs. Para Passos Coelho e demais elementos da Comissão Liquidatária a que alegadamente preside, é óbvio que não.)

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Esmagados!

"Esmagados pelos impostos" é o que a capa do "Público" exprime relativamente ao OE para 2015.

Pedro P. C. Bush

"Passos ficará na história portuguesa recente como George W. Bush ficou na dos Estados Unidos dos últimos anos."
(Daniel Deusdado; Extractado daqui). 

Orçamento: das duas, uma

«O que mais choca neste Orçamento é, pois, não estar explicado como vai ser garantida a "neutralidade fiscal" no IRS que vai descer para as famílias numerosas, nem quanto nem como desce, nem como vão os impostos verdes reformar a economia e penalizar os consumos e as produções poluentes. Ou o governo ainda não sabe o que quer, e então este Orçamento é um fantoche, ou sabe e não quer dizer, e então o Orçamento é uma dissimulação.»
(Pedro Santos Guerreiro. Extraído daqui)

E porque não um Orçamento fantoche e um Orçamento dissimulação em simultâneo? 

Uma tropelia do Citius?


Ao assumir a presidência do BES, Vitor Bento pediu a reforma antecipada do Banco de Portugal segundo aqui se noticia. Entretanto, no mesmo local afiança-se que Vitor Bento voltou na segunda-feira ao Banco de Portugal (BdP) como consultor do Conselho de Administração.
Como se trata de gente supostamente séria, algo de muito estranho se deve ter passado entretanto, para que alguém que se desligou do Banco de Portugal para poder assumir, num primeiro momento, a presidência do BES e, posteriormente, a presidência do Novo Banco, possa aparecer agora vinculado de novo ao mesmo Banco de Portugal. Terá sido mais uma das muitas tropelias do Citius que já chegou ao Banco de Portugal e fez desaparecer o processo de reforma de Vitor Bento?
Infelizmente, não é de excluir uma segunda hipótese, pois, aparentemente, em Portugal, já se perdeu a noção de decência e até a de legalidade. Pelo menos, no sector financeiro.
(Reeditada)
(Imagem daqui)

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Mais 2 décimas de desconfiança

Como confiar nesta gente que há três e anos e meio vem (des)governando o país, se o que tem para oferecer, uma vez mais e logo à partida, são mais duas décimas de desconfiança?

Avisem Bruxelas!

Contrariando o próprio Passos Coelho e a ministra das Finanças que,  só tarde e a muito custo, se renderam ao que era evidente para qualquer pessoa com umas noções de contas de diminuir e de somar, Cavaco Silva veio afirmar terminantemente que, em nenhuma circunstância, os contribuintes terão que suportar o custo da resolução do problema do BES, por via das eventuais perdas que a Caixa Geral de Depósitos venha a suportar por via dessa resolução. Essas perdas, deduz-se da explicação cavaquista, como que se dissolvem no âmbito da actividade mercantil desenvolvida pela Caixa e, consequentemente, são irrelevantes do ponto de vista dos contribuintes. Nada mais falso. Essas perdas não se diluem. Pelo contrário, vão aparecer no balanço e é, por isso, possível saber os custos que o Estado e os contribuintes serão chamados a suportar.
Aliás, pela lógica desta peregrina tese, seríamos também compelidos a considerar que para o Estado e, naturalmente, para os contribuintes, são também completamente irrelevantes os prejuízos de toda e qualquer empresa pública, na medida em que também essas empresas desenvolvem uma actividade mercantil, onde as perdas milagrosamente (!) se esvaneceriam.
Estranhamente, as dívidas dessas empresas são contabilizadas, salvo erro, como dívida pública, E, como é óbvio, não deviam sê-lo, se nos ativermos à lição de Cavaco.
Teremos que avisar Bruxelas, ou será melhor não?

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Mentiroso, desmemoriado e desprovido de olfacto


É quase unânime a opinião no sentido de que a realização das eleições legislativas deve ter lugar antes do Verão do próximo ano, avultando entre as razões que têm sido invocadas o facto de que só nessas condições é possível assegurar que o orçamento para 2016 venha a ser elaborado pelo Governo que o irá executar, argumento que me parece decisivo e que deve prevalecer face a quaisquer outras considerações, por ser o único consentâneo com o interesse nacional.
Sabe-se, no entanto, que não é essa a opinião de Passos Coelho que já se manifestou publicamente contra a antecipação da realização das eleições. Não falta, porém, quem ache que essa solução até para o alegado primeiro-ministro seria vantajosa, atento o estado de decomposição em que se encontra o seu governo, estado de que ele, pelos vistos, ainda se não deu conta, o que é muito mau sinal. De facto, a ser assim, Passos Coelho, que já era tido, de há muito, na conta de mentiroso, e mais recentemente, de desmemoriado, revela que tem também graves deficiências ao nível do olfacto.
(Imagem daqui)

Sim, mentem!

Descarada e repetidamente.

Alguém ainda tem dúvidas ?

De que "Eles mentem.Uma e outra BES"

domingo, 12 de Outubro de 2014

Bem mais loucos do que o suposto!

Fazer uma maratona de 18 horas para aprovar a proposta de lei do Orçamento de Estado é coisa de loucos, escrevi eu, mas, visto isto, forçoso é concluir que os tipos são bem mais loucos do que o suposto. 
Se o eleitorado tiver dois dedos de testa (não é preciso mais) onde é que esta gentinha estará em 2016?

É de loucos!

A sério. E deixam-nos exercer governar, o que é ainda mais espantoso!

sábado, 11 de Outubro de 2014

Sinais de "sucesso"

A sacanice compensa?

«(...)
O défice orçamental de 2014 não ficará abaixo dos 4,8%. A dívida pública cresceu quase 40 pontos percentuais face a 2010. O desemprego está mais alto e o crescimento é mais baixo do que o objetivo fixado. O défice externo não foi corrigido. O orçamento navega à vista, entre cortes de salários, pensões e transferências sociais e aumentos de taxas e impostos. O ataque às rendas excessivas foi brando e o saneamento financeiro das empresas públicas de transportes está por concluir. E, contudo, parece que Bruxelas, Frankfurt e Washington deixaram de estar muito preocupadas. Até há quem já veja "margens", "folgas" e outras delícias semelhantes......

Como é isto possível? Como se explica que os mesmos que nos obrigaram a castigar sem contemplações um povo e uma economia inteira, porque tínhamos um problema de finanças públicas, se mostrem agora tão benevolentes, quando, em certos aspetos, o problema até se agravou?

Parte da resposta está aqui: ao contrário do que disse, a troika sabia que a causa do problema português não era apenas, nem sobretudo, interna. A partir do momento em que a intervenção do Banco Central Europeu pôs alguma ordem nos mercados financeiros, os juros das dívidas públicas desceram expressiva e consistentemente para valores razoáveis. Os Estados deixaram de ser presas fáceis da especulação. A "crise das dívidas soberanas" perdeu dramatismo.

Mas a outra parte da resposta é política. E essa é a parte mais importante.

O mandato implícito no chamado programa de ajustamento era este: alterar o equilíbrio político-económico, a favor do capital; embaratecer o fator trabalho, diretamente e através da redução significativa da provisão de bens públicos, fosse na educação, na saúde ou na proteção; e acelerar a integração subalterna de Portugal na economia internacional, através da privatização do que restava de empresas públicas e da renúncia a qualquer estratégia política de defesa dos interesses e centros de decisão nacionais.

Este mandato não colhia nem colhe o apoio de todas as forças que contam na Europa. Pelo contrário, é motivo de uma tensão que está à vista. Paris não pensa o mesmo que Berlim, Roma não pensa o mesmo que Helsínquia, Estrasburgo não pensa o mesmo que Frankfurt, que por sua vez já não pensa o mesmo que Berlim. E assim por diante. Nem esse mandato de destruição do tecido económico e social pode ser imposto tal qual, contra um certo nível de oposição dos países. A Espanha e a Itália resistiram-lhe com estrondo e sucesso, à França e à Holanda nem se sonhava aplicá-lo, a Irlanda soube adequá-lo a si pelo menos tanto quanto se ajustava a ele.

Mas Passos Coelho esteve sempre do lado dos que forçavam este mandato, sempre se declarou convicto da sua razão e executor zeloso das suas consequências práticas. Teorizou, aliás, abundantemente sobre as "responsabilidades" do Estado social na anemia económica portuguesa, o "arcaísmo" da Constituição e a necessidade de "ir mais além da troika". O seu Governo falhou no défice orçamental, no défice externo, na dívida, na redução da despesa, na moderação fiscal. Mas não falhou no enfraquecimento brutal das condições de vida e do poder negocial dos trabalhadores. Não falhou na desvalorização radical do Estado. Não falhou na rutura do contrato social. Quase não falhou nas privatizações a eito e sem critério. E nem se esqueceu de faltar à defesa dos interesses nacionais, assistindo passivamente (para dizer o menos) à destruição de pilares da economia nacional, como os casos da TAP, do BES e da PT emblematicamente ilustram.

A troika recompensa-o agora, encolhendo os ombros a mais um ano de insucesso nas finanças públicas. É uma triste recompensa? Pois é. Mas o prémio tinha de ser tão miserável como o mandato imposto, cumprido e premiado.»
(Augusto Santos Silva; Mandato cumprido. Na íntegra: aqui)

A resposta à pergunta em título é, pelos vistos, sim.