sábado, 13 de fevereiro de 2016

Passos (de) um oportunista

«(...)
Serei o último a ser surpreendido pela versão actual do Passos “social-democrata”. Nos últimos anos, na Quadratura do Círculo, muitas vezes um ponto de discordância entre mim e António Costa era a classificação ideológica de Passos Coelho. Costa insistia sempre que Passos era um “neo-liberal”, a que acrescentava que “não escondeu isso nunca”, e eu tinha muitas reticências com essa classificação, que era um upgrade ideológico de um político essencialmente pragmático, num sentido político não pejorativo, “oportunista”.

Eu já tinha conhecido várias encarnações ideológicas de Passos, em função do seu posicionamento no interior e no exterior do PSD. Posso admitir que no exercício da sua função de primeiro-ministro, tenha interiorizado com mais profundidade a ideologia da troika, com quem se sentia muito à vontade, e cujos “arredores” em termos de ideias sobre o homem, a sociedade e a economia, incorporou com grande à-vontade no seu discurso. E se há coisa que não foi nestes últimos anos foi social-democrata; foi, antes, em muitas declarações e posições, anti-social-democrata. E mais, essas declarações nunca a troika lhe pediu para fazer.

Isto torna politicamente absurda mais esta viragem, mas ela é coerente com o seu lado “oportunista”. Ele e parte dos seus – não todos, porque alguns são mesmo anti-sociais-democratas – fazem política pelos jornais e pela comunicação social e, como hoje, estão todos os dias a ler que o PSD perdeu o “centro” e se “radicalizou à direita”, coisa que não admitiam há dias, toca de virarem sociais-democratas.

Claro que um Passos social-democrata sem aspas a primeira coisa que faria era criticar duramente o Passos dos últimos quatro anos, e isso parece-me muito pouco provável. Por isso vamos ter outra reviravolta política só de nome, sem substância nem qualidade

(José Pacheco Pereira: "Nem quente nem frio", in Revista Sábado, 12/02/2016. Via)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Que desilusão !

A agência canadiana de notação financeira DBRS, contrariando as previsões (e os desejos) das vozes da direita portuguesa que fazem coro quase unânime nos media nacionais, afirma que vai manter a notação "BBB" atribuída a Portugal (fonte). 
Alinhado com o coro, Passos Coelho, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, já dava como certa a necessidade de um plano B "para acudir à situação orçamental", como se os seus desejos já se tivessem tornado realidade.
Contrariado no seus desejos pela decisão da agência de rating, o recém convertido à "Social-democracia, sempre!" lá terá que encaixar mais esta desilusão.  
Pela minha parte, só espero que não seja a última.
(A imagem do recém convertido é do "Expresso")

Mistérios...



Mistérios? Nesta sondagem há vários.
(Sondagem e imagem do "Expresso")

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Ora então, tomem lá!

Os Orçamentos de Estado são, por definição, documentos de "toma lá, dá cá", já que não passam de instrumentos de previsão de receitas que o Estado haverá de cobrar e de despesas que ao Estado cumpre satisfazer. A expressão "toma lá, dá cá" usada pelos partidos da direita (PSD e CDS) como fórmula de crítica ao Orçamento de Estado para 2016 apresentado pelo Governo PS é, pois, perfeitamente inútil.
Em todo o caso, se quisermos dar alguma utilidade àquela expressão, teremos de concluir, acompanhando o que escreve Rafael Barbosa, que estamos perante «um "toma lá, dá cá" que obedece a uma lógica de redistribuição de rendimentos mais equilibrada do que a receita aplicada pelo Governo anterior que, convém não esquecer, aplicou a austeridade com convicção e mentiu sem pudor (por exemplo, o engodo da devolução da sobretaxa)
E, já agora, secundemos o que, na sequência, o mesmo autor escreve: 
«Se os rendimentos do trabalho continuam a ser taxados a níveis exorbitantes, é a Passos e Portas que é preciso apontar o dedo. Foram eles que decidiram o "brutal" aumento de impostos que continuamos a pagar. Se Bruxelas se habituou a uma obediência cega aos tratados e às suas interpretações, foi porque os líderes de PSD e CDS preferiram a postura do "bom aluno" ao de defensores do povo que os elegeu. Supor que, com este primeiro Orçamento, ascenderíamos das trevas para a terra do leite e do mel é coisa para crentes desmiolados.»
Aldrabões e desmiolados. É isso mesmo. Gostaram?


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Aumento de impostos: sim ou não?


«Está tudo muito impressionado porque – dizem-nos – vai haver aí um aumento de impostos. Sim ou não? Bom, vamos por partes.

Em primeiro lugar, podem os portugueses estar descansados, não vem aí nem nada que se pareça com o aumento de 3.000 milhões de euros no IRS cobrado a quem ainda conseguiu manter o seu trabalho para Vítor Gaspar poder tapar em 2012, e anos seguintes, o brutal dano causado à economia portuguesa pela peregrina ideia de aplicar mais austeridade e mais depressa.

Em segundo lugar, podem estar descansados que o tempo em que se aumentava o imposto sobre o salário para baixar o imposto sobre os lucros das empresas também termina este ano (embora alguns dos efeitos da descida de 2015 ainda se façam sentir). Como termina aquela maneira de calcular a dedução dos encargos com os filhos que privilegiava quem ganhava mais. Sim, leram bem, quem ganhava mais. 

Em terceiro lugar, vamos a contas: só a sobretaxa de IRS diminui 430 milhões de euros, que passam a ficar nos bolsos de quem trabalha. É pena não poder ser mais, mas sempre são 430 milhões mais do que a promessa feita pelo PSD e CDS em campanha teria na realidade dado, e que sabemos hoje (e já desconfiávamos na altura) é um redondo zero. Ia haver, isso sim, mais uma baixa do imposto sobre lucros. Essa não falharia de certeza.

Então mas não aumentam vários outros impostos? Bom, quarto lugar, sim. Fruto de opções do Governo e das negociações com Bruxelas alguns impostos especais sobre o consumo sofrem algum agravamento.

Mas esse agravamento é muito menor do que à primeira vista parece. Desde logo, parte do aumento de receita desses impostos não vem do aumento do que pagamos, vem do facto de irmos parar de asfixiar a Economia com cortes brutais e cegos que custaram ao País muitas dezenas de milhares de milhões de euros de riqueza que ficou por produzir. Parte dessa riqueza começará a voltar a ser produzida e, só por isso, o total de imposto cobrado aumenta, mas sem que isso signifique aumento da respectiva taxa.

Depois, com a excepção do ISP (já lá vamos) o agravamento em causa não é, todo junto, maior do que o valor só da devolução da sobretaxa e incide sobre consumos específicos, como os maços de tabaco (fumador me confesso, mais 7 cêntimos é bem menos do que tenho visto aumentar o preço nos últimos anos) e álcool, que são um consumo facultativo, os carros novos (ora quem pode pagar um carro novo poderá também pagar um pouco mais por ele) e o crédito ao consumo, o que é uma medida que se destina a impedir que as famílias se endividem demasiado junto da Banca para depois ainda ouvirem políticos como Passos Coelho dizerem-lhes que a culpa da crise é delas porque viveram acima das suas possibilidades.

Ou seja, para a esmagadora maioria dos portugueses que mais precisam de proteção, e ao contrário do que acontece com a devolução dos 430 milhões de euros de sobretaxa, que é feita a eles primeiro, estes aumentos, ainda assim relativamente pequenos, não lhes pesarão no bolso. Se isto não é cuidar de quem precisa, não sei o que seja.

Já o aumento do ISP é feito dentro de um contexto de baixa do preço do petróleo que tem de ser considerado antes de nos pormos a falar de efeitos perversos na Economia portuguesa.

É que em 2012, por exemplo, o preço da gasolina estava mais elevado do que ficará agora na sequência do imposto e não foi por isso que morreu alguém. Por mim, entre pagar 1,6 euros para os bolsos sei lá de quem e pagar agora 1,4 euros sabendo que 0,07 euros (sim, é esse o aumento expectável) permitem ajudar quem mais precisa sei o que prefiro. Eu ainda estou a pagar menos, essa é que é a realidade.

Tudo visto e ponderado, o que este OE nos diz, do lado fiscal, é que trocamos uma política de tirar salários às pessoas para baixar impostos às empresas por uma política fiscal que devolve rendimentos às pessoas, começando pelas que menos têm, optando por tributar alguns consumos com os quais a maioria dos portugueses pode apenas sonhar (como o de comprar carro novo) ou em níveis que são, ainda assim, conducentes a preços mais baixos do que os que tivemos de pagar num passado recente.

Gostaria de ver um OE que pudesse fazer a devolução de rendimentos sem penalizar estes consumos de tabaco, álcool e com carros? Se calhar gostava, mas se a política é a arte de fazer escolhas difíceis neste caso nem precisamos de tanto. A escolha é fácil: repor rendimento aos novos pobres criados pela crise em que estivemos mergulhados deve vir antes de tudo o resto


(Marco Capitão Ferreira: "Aumento de impostos é com quem diz". Hoje na edição impressa do Público  e no Público on line só para assinantes)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

"Afinal foi boa ideia mudar de Governo"!

«(...)

Um dos compromissos políticos do PS, convém recordar, era ter uma atitude mais enérgica na defesa do interesse nacional junto da UE. Nada de novo: é assim que os outros países fazem há muito tempo, num esforço permanente de negociação e compromisso. 

Foi exactamente assim que França, Itália e Áustria, por exemplo, negociaram, com pequenas concessões, os seus orçamentos e é assim que o Reino Unido está neste momento a negociar todo um caderno reivindicativo, tendo em vista o referendo sobre a sua permanência na própria UE. É claro, era outra a famigerada cultura do “bom aluno” alimentada pelo governo PSD/CDS: “Se eles, que até falam estrangeiro, mandam, a nossa obrigação de país humilde, pobre e pequeno, é obedecer”. Esta atitude submissa e subserviente foi cumprida com tamanho excesso de zelo que Passos e Portas chegaram ao ponto de perfilhar, por incrível que pareça, uma assumida estratégia de empobrecimento do país e fizeram até questão de ir “além da ‘troika’”, aplicando o dobro da austeridade que estava prevista no memorando inicial.

Os resultados são conhecidos: três anos consecutivos de recessão, níveis nunca vistos de desemprego, vagas de emigração em massa, queda abrupta da natalidade, derrocada ou venda ao desbarato dos activos estratégicos nacionais e, não obstante toda a austeridade, falhanço absoluto nas metas do défice e aumento exponencial da dívida pública. Foi por todas estas excelentes razões que a maioria dos portugueses votou por uma mudança de política.

Não seria de esperar, evidentemente, que uma inflexão importante na política de austeridade pudesse acontecer sem alguma resistência de Bruxelas, onde há muita gente que olha para Portugal a pensar em Espanha e ainda prevalece, apesar dos sinais de maior flexibilidade, a doutrina austeritária. Todavia, com cedências de parte a parte, a aproximação de posições, embora não sendo total (nem isso seria de esperar), permite perspectivar um OE para 2016 capaz de cumprir integralmente o triplo objectivo nuclear da política económica do Governo socialista e da maioria de esquerda: aumentar os rendimentos das famílias, pôr fim ao ciclo de empobrecimento e estimular o crescimento da economia e do emprego.

Tudo isto, obviamente, aflige a direita - e, pelos vistos, não é pouco. Afinal, entre o défice mirabolante de 1,8% que Passos e Portas pretendiam atingir em 2016 (e que inscreveram no PEC enviado para Bruxelas em Abril) e os 2,4% que António Costa agora negociou com a Comissão Europeia há uma diferença enorme de 0,6 p.p. do PIB. Ou seja, os portugueses vão sofrer menos mil milhões de euros de austeridade do que queriam PSD e CDS! De uma assentada, ficarão assim à vista três verdades, todas elas muito importantes, mas também muito inconvenientes para a direita: primeiro, sempre vale a pena “bater o pé” em Bruxelas para defender o interesse nacional; segundo, é possível pagar salários e pensões por inteiro, repor os apoios sociais, eliminar a sobretaxa e até aumentar o salário mínimo em concertação social; terceiro, afinal foi boa ideia mudar de Governo.»
(Pedro Silva Pereira: "Bater o pé". Na íntegra: aqui. Destaque meu)
(Imagem do Económico)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

"Passava lá ele, o Orçamento!"

«(...)
O orçamentista fartou-se de grasnar, este ano. Que não dava. Passava lá ele, o Orçamento! Bruxelas é que lhe ia cortar o pio, à geringonça... A piadeira, com o aproximar do Carnaval, travestiu-se de abutre. O velho abutre de Sophia, que "alisa as suas penas/ A podridão lhe agrada e os seus discursos/ Têm o dom de tornar as almas mais pequenas." O gozo que daria aos orçamentistas que Bruxelas nos fizesse mais pequenos.
Olha, parece que não. Bruxelas faz o seu papel, Portugal faz o seu papel. Até aqui, 50 por cento do que costumava acontecer. Desta vez, estando ambos a cumprir - uma, lá, para cortar, outro, cá, para não deixar ser cortado -, parece que vai chegar-se a acordo, que é o que costuma acontecer a negócios entre iguais. Só cede quem negoceia; só consegue quem tenta. Quem, como antes, ia mais além contra si próprio, era recebido de braços abertos em Bruxelas. Pudera...»
(Ferreira Fernandes: "Passarinhos e passarões, aves de rapina e cucos". Na íntegra: aqui)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

"Entre a irrelevância e a palhaçada"

1. A campanha presidencial arrasta-se sem novidade. Demasiadas vezes não vai além do fait divers quotidiano. Uma ida de Marcelo Rebelo de Sousa à farmácia, com um batalhão de jornalistas atrás, para comprar toalhetes de álcool, é um dos pontos altos desta paródia. É assim em muitas campanhas. É assim para televisão mostrar. É assim porque se querem esconder arestas. É assim porque se quer matar a política. 

A campanha tornou-se uma espécie de Big Brother em que dez vaidosos (uns mais do que outros) cumprem diariamente um enredo que suscite um sorriso, mesmo que amarelo. A campanha tornou-se uma espécie de Big Brother em que dez vaidosos (uns mais do que outros) cumprem diariamente um enredo que suscite um sorriso, mesmo que amarelo

Goste-se, ou não, uns mais pobres do que outros, os debates e entrevistas (nunca foram tantos e tantas) constituíram a única montra aceitável para os 10 candidatos dizerem ao que vêm. De resto, esta campanha ficará para a história como uma das mais confrangedoras e apalhaçadas de sempre. Marcelo deu um grande contributo para que assim seja. Apostou numa corrida de popularidade e em cativar o eleitorado de esquerda. Tornou-se, imaginem, o maior aliado do Governo de António Costa. Distribui simpatia "à esquerda da direita", metida no bolso que julga estar a sua direita. Não se sabe, e essa é a grande incógnita, se a direita quererá ficar no bolso de Marcelo, se não se sente desprezada, ela que se viu apeada pelos que agora Marcelo tenta seduzir. Com tanto cheque em branco ao Governo, com tanta palhaçada diária, muitos poderão ficar em casa. Se Marcelo não quis saber deles porque é que eles quererão apoiar Marcelo?

A possibilidade de uma segunda volta depende da tolerância da direita e do empenho do eleitorado de esquerda. Apesar das sondagens, talvez a notícia prematura da vitória de Marcelo à primeira volta tenha sido exagerada. Marcelo precisa de fazer mais por isso. Se ficar pela poncha e pelas artes marciais enquanto se afirma árbitro com enfado porá em causa a corrida de popularidade.

Os debates com Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém correram-lhe mal. Foi sobranceiro e irritadiço. Deu alento a um e a outro, sobretudo a Nóvoa, que ainda o pode surpreender. 
(...)

(António José Teixeira, in Expresso Diário, 14/01/2016. Via)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

"Porque é que Paulo de Morais se cala sobre a corrupção?"

É inquestionável a pertinência da pergunta da autoria de Francisco Louçã, dirigida ao agora candidato à PR, Paulo Morais, um pretenso paladino da luta contra a corrupção.
A finalizar a sua crónica, escreve Francisco Louçã:
«No BES como na Câmara do Porto ou no PSD, a corrupção é um estado de espírito que indigna Morais, que sabe tudo mas que se mantém calado sobre tudo – no partido durante 35 anos, depois no mandato de quatro anos na Câmara do Porto e por outros dez anos depois de ter saído da Câmara. O silêncio é a sua profissão. Sempre que podia acusar um corrupto concreto não disse nada sobre corrupção . Sabe tudo e esconde tudo.
Portugal precisa da energia da democracia para combater a corrupção. Mas para isso precisa de seriedade, rigor e verdade, não precisa de silêncios.»
(Na íntegra: aqui)
(Imagem do Público)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

"Não me lembrem o que eu disse"

Dirá Marcelo Rebelo de Sousa, candidato à Presidência da República. Dirá e dirá bem, porque, como hoje ficou claro, durante o debate entre Marcelo e Sampaio da Nóvoa, na SIC,  Marcelo já disse tudo e o seu contrário.
A escolha entre o candidato Marcelo (que mais depressa muda de opinião do que de camisa e que hoje deu provas de um inesperado nervosismo) e o candidato Sampaio da Nóvoa, exemplo de serenidade e competência, não me parece particularmente difícil: Quem quiser um catavento na Presidência da República, votará Marcelo, quem quiser um Presidente da República votará Sampaio da Nóvoa. Pelo menos, na segunda volta.
Tão simples quanto isto.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O candidato que "muda de opinião como quem muda de camisa"

Ainda não compreendi, e com grande probabilidade nunca chegarei a compreender, o motivo que leva tantos sectores da sociedade portuguesa que muito prezam a estabilidade na vida política a apoiar a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República. 
É que, de facto, não dá para compreender sabendo-se que o dito candidato não é apenas um catavento, como o caracterizou, adequadamente, o próprio presidente do PSD que é (convém, por estes dias, lembrar o facto) o partido onde Marcelo milita. Mais do que isso, Marcelo é a instabilidade em figura de gente e, como tal, não precisa de vento para mudar de opinião. 
Garoto em ponto grande, basta que tal lhe dê na veneta. Como bem diz António Correia de Campos, em entrevista dada ao i,  "Todos o conhecemos, sabemos que ele [Marcelo] muda de opinião como quem muda de camisa". Nem mais!
É um indivíduo com este perfil o mais desejável para ocupar o mais alto cargo do Estado português?
Não, seguramente!

domingo, 3 de janeiro de 2016

Novo ano, vida nova?

Atentando na capa do Público de hoje, a resposta à pergunta em título não pode deixar de ser negativa, pelo menos no que respeita à falta de isenção dos órgãos de informação nacionais. Pelos vistos, a manipulação da informação e, em particular, o condicionamento do eleitorado por parte dos media é para continuar. Lamentavelmente.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

"Incompetência, irresponsabilidade e dolo"

O editorialista do "Público" não se contenta com menos: "O estouro do Banif é um exemplar manifesto de incompetência, irresponsabilidade e dolo." 

De facto até vai mais longe, zurzindo em Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa, como quem malha em cereal na debulha: "Nestes três anos, Maria Luis Albuquerque, Pedro Passos Coelho e o Governador do Banco de Portugal limitaram-se (...) a tergiversar, a prometer soluções que ora não avançavam por causa da saída limpa, ora ficavam congeladas por causa do calendário eleitoral."

Eu não posso estar mais de acordo com estas conclusões, pois se impõem em face do que se ficou a saber sobre o caso Banif. O que me pergunto é onde é que o editorialista do Público descortinou uma suposta "aura de Pedro Passos Coelho como político responsável", aura que para ele só agora se apagou, mas que eu nunca vi. O que ao longo de mais de quatro anos me foi dado ver foi toda uma propaganda alicerçada em mentiras, sancionada e ampliada pela grande maioria dos órgãos de comunicação social. "Público" incluído. 

Será que agora, finalmente, com a direita afastada do poder, a comunicação social vai passar a encarar com objectividade a política de destruição do país que o governo Passos/Portas levou a cabo?
Estou para ver.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

"A política tem de começar a ser diferente da vigarice"

Oh sim, faço minhas as palavras do José Vítor Malheiros!
«(...)
Como se classifica um acto, praticado conscientemente, premeditadamente, por um grupo organizado de pessoas conhecedoras e com acesso a toda a informação, que se traduz na perda de milhares de milhões de euros para o Estado — no desaparecimento de milhares de milhões de euros dos nossos bolsos (para não falar nos prováveis despedimentos)? Como se classifica a propagação sistemática de mentiras sobre o nosso património por parte daqueles que foram encarregados de o gerir com o máximo de prudência, de transparência, de sensatez e no mais rigoroso respeito da legalidade? Como se classifica o recurso a mentiras e a esquivas sistemáticas para obter um benefício político imerecido? Como se classifica uma negligência reincidente desta dimensão por parte de uma (duas? três?) das principais entidades reguladoras nacionais?
(...)
É por isso que a primeira prioridade do Governo de António Costa e da esquerda que o apoia no Parlamento tem de ser devolver a credibilidade à acção política (apesar da herança do consulado do PSD e do CDS), devolver a credibilidade à acção governativa (apesar da herança do governo de Passos Coelho), devolver a credibilidade ao sistema financeiro (apesar do BPN, do BPP, do BCP, do BES, do Banif, do Montepio e do que mais adiante se verá) e devolver a credibilidade ao regime de regulação (apesar da inacção do Banco de Portugal e da CMVM), o que significará necessariamente reformar de forma profunda os procedimentos dos reguladores.

É preciso que o Governo actual e a esquerda que o apoia faça diferente e que mostre como é possível, necessário e benéfico fazer diferente. É por isso que a melhor notícia que tive nos últimos dias foi ouvir António Costa dizer que a solução encontrada para o Banif iria ter um "custo muito elevado para os contribuintes". Porquê? Porque, depois de quatro anos de falsidades e propaganda, cheguei a um ponto onde o que quero ouvir da boca do Governo não são boas notícias, mas apenas a verdade. Se pudermos ter um Governo que fala verdade, essa será a melhor notícia possível.
(Na íntegra: aqui
Destaque meu)

A mentira como banalidade

A mentira, durante a (des)governação Passos Coelho/Portas que contou sempre com o beneplácito e a cumplicidade de Cavaco, tornou-se uma banalidade. Ainda que não exactamente por estas palavras, foi este o sentido das declarações proferidas, há pouco, por Arménio Carlos, líder da CGTP, afirmação que ganha nova confirmação e mais elevada consistência se atentarmos no que foi a evolução, durante aquele período, do caso Banif.
A falta de seriedade das autoridades responsáveis pela solução do problema. durante o governo , felizmente, cessante  (o próprio Governo e o Banco de Portugal) fica bem clara perante estas notícias:
Só aldrabões ou também biltres?

sábado, 19 de dezembro de 2015

O candidato do "sim, mas também"

O candidato à Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa (em quem em nenhuma circunstância votarei) retratado, como merece, na genial rábula dos "Gato Fedorento".

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Conta-me histórias, Pedro...

...para ver se eu acredito:
"O PPE reagiu com moderação [à mudança de Governo em Portugal]  como, de resto, eu solicitei que fizessem"
Ah! Ah! Ah!
(Imagem e citação: daqui)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Pobreza: palavras para quê?

Sim, para quê as palavras, se os gráficos do INE (surripiados aqui)  são perfeitamente esclarecedores sobre o aumento dos níveis de pobreza, como consequência das políticas ditas de "ajustamento" levadas a cabo pelo governo Passos/Portas, com a cumplicidade e conivência de Cavaco?
(Clicando na imagem, amplia)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Palácio de Belém: de mausoléu a pátio de recreio?


Que toda a gente esteja cansada de ver o Palácio de Belém transformado em mausoléu, compreende-se. Já é, quanto a mim, motivo de grande admiração ver que há uma multidão de interessados em transformá-lo num pátio de recreio.
Garotão inteligente ele é! O meu voto não terá, não menos certo é!

Até no clima, senhores!

Progredir é um verbo que a Direita no poder não soube conjugar. ao longo de mais quatro anos, ou seja, durante todo o tempo da última legislatura. O país regrediu em todos os aspectos. Até no âmbito do clima, imagine-se. Pelo menos é o que dizem as notícias: "Portugal caiu dez posições num ranking climático internacional realizado por organizações ambientalistas. O país estava na nona posição e agora está na 19.ª, entre 58 países incluídos no Índice de Desempenho em Alterações Climáticas, da organização German Watch e da Rede Europeia de Acção Climática, apresentado esta terça-feira na cimeira do clima em Paris. O país foi penalizado pelo uso da carvão na produção eléctrica, pelo travão nas renováveis, pelos incêndios florestais e pelas suas políticas internacionais."
Quando até o clima agradece, como não ficar feliz com o facto de a dupla Passos/Portas, ter sido posta a andar! 
(notícia e imagem do Público)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

"A nossa memória é curta, mas nem tanto"

«(...)
Marco António Costa, vice-presidente do PSD, assumiu ontem que é tempo de ser oposição, fiscalizando a "defesa do interesse nacional". Esta declaração seria responsável e séria, se não estivesse armadilhada no que a antecedeu e no que lhe sucedeu. Em ambos os casos, pelo meio das habituais expressões de que o poder foi tomado "de assalto", Marco António Costa referiu-se a contas.

Lembrou os cofres cheios e a dotação previsional de 62 milhões disponíveis para fazer face a imprevistos em dezembro (a tal almofada que não está tão macia como os recheados cofres). E voltou a garantir que os três por cento de défice serão atingidos "sem grande dificuldade", desde que António Costa e restante equipa "não estraguem", em 29 dias, o que PSD e CDS tão esforçadamente conseguiram em "1610 dias de trabalho".

O programa do PS foi aprovado no Parlamento há cinco dias, a 2 de dezembro. O país está a ser conduzido com base no Orçamento deixado pela coligação e começará 2016 a ser gerido em duodécimos. Por muito que o PS e a Esquerda sejam gastadores e responsáveis por nos deixar a troika à perna, é preciso ter esta cantiga entranhada no ouvido para acreditar que, se falharmos a meta do défice, a culpa só poderá ser destes terríveis assaltantes ilegítimos do poder.

Mas como a lógica não basta, olhemos então para as contas divulgadas, a fechar a semana, pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental. Nos primeiros nove meses do ano, o Estado terá tido um défice de 3,7%, o que torna "exigente e de difícil concretização" a meta estipulada por Passos Coelho para o ano - exatamente um ponto abaixo. Mas se há derrapagem nas metas, esqueça-se quem esteve no poder 336 dias. A culpa será sempre dos últimos 29. Estranha matemática.
(...)»
(Inês Cardoso:"Memória curta". Na íntegra: aqui)

Trabalhos de campo # 21 (Rola-do-mar)




Rola-do-mar ou Vira-pedras (Arenaria interpres L.)
Mais informação: aqui
Local e data: Setúbal; 5 - Dezembro - 2015
(Clicando ns imagens, amplia)

domingo, 6 de dezembro de 2015

Vão por bom caminho...

Duvidam? Ora vejam, o que diz o vosso amigo Pedro Marques Lopes:
«(...) Seja como for, não se percebe onde se quer chegar com a conversa de mau perdedor.
(...)
O que o discurso da ilegitimidade não dará ao PSD e ao CDS é qualquer legitimidade acrescida ou qualquer tipo de razão especial se este governo cair por falta de solidez dos apoios que hoje aparenta ter. Se o governo não conseguir manter-se em funções será porque os representantes do povo assim o decidiram, como decidiram agora viabilizá-lo. Só e apenas.
Esta espécie de estratégia de rapazinho a quem tiraram a bola não pode durar muito, claro está. Um partido como o PSD terá de ter uma oposição que mostre um caminho alternativo, mas ficará esta mancha dum tempo em que se mostrou não se saber lidar bem com as regras da democracia representativa, em que o partido não honrou o seu passado e deixou uma memória que pode sair-lhe cara no futuro.» (fonte)

sábado, 5 de dezembro de 2015

Por favor, continuem...

Portugal agradece.
Sim, o que é que o país pode esperar duma coligação cujos membros mais não fazem do que expressar azedume e raiva porque, julgando "ter ganho as eleições", julgavam-se também no direito de continuar a (des)governar o país, esquecendo-se que na Assembleia da República existe hoje uma maioria que decidiu, e bem, não permitir que levassem por diante a destruição do país, tarefa a que se dedicaram, com afinco e entusiasmo, durante mais de quatro anos.
Continuem, pois, a entreter-se a gritar, a insultar e a chorar baba e ranho. Eu estou a gostar de vos ver. 
E, confesso, já foi um prazer ver-vos ir ao ar!