sábado, 25 de fevereiro de 2017

Recado para Cavaco: "A História jamais o absolverá".

«(...) Bem pode Cavaco Silva desfilar o rol de grandes do mundo que conheceu em vinte anos no topo da política portuguesa: nenhum desses grandes o recordaránem que seja num pé de página de memórias e a nossa história não guardará dele mais do que o registo de uma grandiloquente decepção.

Nos seus dez anos como primeiro-ministro, Cavaco Silva teve o que nunca ninguém tinha tido antes dele e não voltou nem voltará a ter depois dele: uma maioria, tempo, paz social, esperança e dinheiro sem fim, vindo da Europa. Fosse ele, porventura, um homem dotado de visão e de coragem e conhecedor da nossa história e dos nossos males ancestrais, teria aproveitado as circunstâncias para inverter de vez o funesto paradigma em que vivemos hádécadas ou séculos. Em lugar disso, aproveitou o dinheiro e os ventos favoráveis para engrossar o Estado, fazer demasiadas obras públicas inúteis e cimentar a clientela empresarial que sempre viveu da obra ou do favor público. Ele lançou as raízes do défice e da dívida pública, que, depois, tal como as obras (de Sócrates), passou a execrar. Cinco anos volvidos, regressaria para outros dez de Presidência. Por razões que já nem adianta esmiuçar, acabaria por sair de Belém com uma taxa de rejeição recorde e com 80% dos portugueses fartos dele e do seu pequeno mundo. Muita da popularidade de Marcelo deve-se ao facto de os portugueses o verem em tudo como o oposto de Cavaco Silva.

Tive um breve mas arrepiante flashback deste pequeno mundo quando, na semana passada, Cavaco Silva lançou o seu livro de ajuste de contas. Pelas citações e declarações que li e ouvi, parece-me que a única coisa boa do livro é o título — (mas até esse li que não era original). No restante, Cavaco entretém-se a contar os seus “factos rigorosos” para“informação dos portugueses”, e registados com base num método que diz ter inventado quando era estudante e que se presume não ser o do gravador oculto. A finalidade da história das suas quintas-feiras é atacar um homem já debaixo de todos os fogos — o que confirma a lendária coragem intelectual de Cavaco, tal como no seu discurso de vitória quando foi reeleito, atacando com uma raiva e um despeito indignos de um Presidente da República os seus adversários que já não se podiam defender. Parece que agora, com um absoluto desplante e tomando-nos a todos por idiotas, Cavaco Silva ensaia uma indecorosa falsificação dos tais “factos rigorosos”: a história de como ele e a filha ganharam 150% em dois anos com acções do BPN que não estavam cotadas em bolsa (jamais desmentida e bem documentada), não passou, afinal, de uma “calúnia”, vinda da candidatura de Manuel Alegre; e a célebre “conspiração das escutas” de Sócrates a Belém, engendrada entre o assessor de imprensa de Cavaco e um jornalista do “Público”, foi, pasme-se, ao contrário: foi o Governo que montou uma operação para fazer crer… que o Governo escutava Belém!
Ele (Cavaco Silva) que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá

Mas não foi isso o que verdadeiramente me arrepiou nas notícias e imagens do lançamento do livro do Professor. Outra coisa eu não esperava dele nem do seu livro. O que me impressionou e arrepiou foi uma visão que diz tudo sobre quem foi e quem é este homem. Após mais de vinte anos na vida política e nos mais altos postos dela, tendo fatalmente conhecido não só vários grandes do mundo mas também toda uma geração de portugueses da política, da cultura, do empresariado, das universidades, etc., quem é que Cavaco Silva tinha a escutá-lo no seu lançamento? A sua corte de sempre, tirando os que estão a contas com a Justiça. Os mesmos de sempre — Leonor Beleza e o que resta da sua facção fiel no PSD. Mais ninguém. Nem um socialista, nem um comunista, nem um escritor, um actor, um arquitecto, um músico reconhecido. Nada poderia ilustrar melhor o que foi e é o pequeno mundo de Cavaco Silva. Ele que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá.»
(Miguel Sousa Tavares: "Sem sombra de grandeza".Texto publicado no Expresso de 25 de Fevereiro de 1017. Via.) 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A máquina que adormecia a contar zeros

"Foi uma espécie de virar de mesa. Quando o PSD e o CDS tentavam prolongar a novela das SMS de Domingues e Centeno, surge a notícia de que houve vinte declarações de IRS que não foram fiscalizadas, e transferidas para "offshores", no valor de dez mil milhões de euros entre 2011 e 2015. Este: "Vinte declarações no valor de dez mil milhões de euros" faz-me largar de imediato o cadáver das SMS da CGD e começar salivar de curiosidade: vinte declarações, de quem são?! Tenho mais curiosidade em saber o que raio se passou aqui do que conhecer as SMS do Domingues e do Centeno mesmo que incluíssem "nudes" da Monica Bellucci.

O antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, veio dizer que não teve conhecimento de falhas no tratamento dado pelo Fisco a transferências relativas a "offshores". Já foi assim com a lista VIP das Finanças. Núncio não fazia ideia de nada. Na altura, quem se demitiu foi o director-geral da Autoridade Tributária. A lista era VIP, mas demitiu-se o mexilhão. Tenho a teoria de que o problema do Núncio foi ter andado a sortear carros. O pessoal das finanças não lhe passa cartão porque pensam que ele tem a sagacidade de uma apresentadora do Euromilhões.

Neste momento, já surge a hipótese de ter sido "um erro informático das Finanças". Tinham demasiados zeros e a máquina das finanças só está afinada para menos. Foi feita para estar de olho, e apitar desalmadamente, em contas com dois zeros. Curioso que os alarmes soavam quando alguém espreitava as finanças dos VIP, mas adormecia com declarações de mil milhões. Provavelmente, o sistema informático adormece a contar zeros.

O CDS, partido dos contribuintes, reagiu de imediato a este escândalo, Cristas veio dizer: "O Governo plantou notícias para vir aqui fazer o número." E que número, Dona Cristas, 10 mil milhões. Na SIC Notícias, João Vieira Pereira não pôs de parte a hipótese de notícias plantadas pelo jornal Público, dizendo que esta notícia deu jeito ao Centeno e que não sabe se foi propositado e que "não sou de teorias de conspiração, mas...".

Resumindo, o jornalista do canal e jornal, que não revela quem são os jornalistas avençados do BES, porque são inocentes até prova em contrário, diz que coiso e tal, os seus colegas do Público, se calhar, plantaram notícias para ajudar o Governo. É também o mesmo canal onde Marques Mendes debita recados e notícias falsas ao domingo e onde andam a explorar as SMS do Centeno até ao tutano "porque é o que nós queremos ver".

Não sei quem é o "nós". Por mim, só queria ver tanta dedicação aos avençados dos Panama/BES como às SMS. E troco ver a declaração de rendimentos do Domingues por ver a parte da massa que fugiu voltar a casa. Eu sei, sou um anjinho, mas tenho esperanças de que o Lobo Xavier também tenha cópias de SMS com esta temática.(...)»
(João Quadros: "Contar zeros para adormecer". Na íntegra: aqui)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Austeridade, uma ideia perigosa

«Durante anos, muitos foram os que avisaram que a chamada política de austeridade era incapaz de cumprir o seu objectivo declarado (equilibrar as contas públicas e controlar a dívida pública), e que teria efeitos sociais devastadores, desde logo ao colapsar a Economia enquanto transferia riqueza dos mais pobres para os mais ricos.
(...)
 Esta semana foi publicado um interessante estudo em que o sucesso ou insucesso da austeridade foi avaliado para o conjunto da a União Europeia (“Austerity in the Aftermath of the Great Recession” por Christopher House, Linda Tesar e Christïan Proebsting, da Universidade de Michigan).

É uma leitura ao mesmo tempo recomendada e imprópria para os estômagos mais fracos.

Primeiro aspecto, a dívida devia ter descido mas subiu.

Para espanto dos cavaleiros do Excel, cortar de forma cega, abrupta e injusta a despesa pública e fazer o mesmo do lado do aumento de impostos gera um efeito perverso em que a contracção da Economia arrasta o ratio da dívida pública na direcção oposta à pretendida.

Em vez de descer, sobe. Em média, a dívida pública para os Países do Sul (mais Irlanda) subiu o dobro do que teria subido sem as políticas de austeridade focadas no défice de curto prazo a todo o custo. O dobro. Isso enquanto a Economia afundava.

Essa contração da Economia é calculada por House, Tesar e Proebsting, para os mesmos países num total de 18% do PIB entre 2010 e 2014.

Quase um quinto da Economia pura e simplesmente desapareceu. Não admira que o desemprego tenha explodido. Tirando situações de Guerra ou catástrofes naturais é difícil encontrar paralelo na história para um tal descalabro.

Os mesmos autores salientam que essa queda poderia ter sido de apenas 7% se estes países pudessem ter acompanhado a política de austeridade com uma política monetária adequada mas, mais, que se além disso não tivessem aplicado políticas de austeridade, essa queda poderia ter sido de apenas 1%.

Ficam comprovados dois pontos: a arquitectura do Euro não consegue lidar com recessões sem as agravar, factor muito associado a opções políticas erradas e há uma óbvia “self fulfulling prophecy” que diz que se um país não pode desvalorizar a sua moeda isso aumenta o seu risco de incumprimento o que por sua vez gera juros mais altos que mais agravam o risco de incumprimento e assim sucessivamente.

A austeridade não é apenas uma má ideia, cujos fundamentos básicos são destituídos de lógica e cujos efeitos são contrários aos pretendidos, é uma ideia perigosa que agrava desigualdades, cria pobreza e transforma crises financeiras em crises económicas e estas em crises políticas.

(...)»


(Marco Capitão Ferreira: "O balanço da austeridade, agora em números". Na íntegra: aqui. Destaques meus.)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Trabalhos de campo # 40: Garça-branca-pequena (Egretta garzetta)


Garça-branca-pequena (Egretta garzetta L.)
Família: Ardeidae;
Estatuto de conservação da espécie: "pouco preocupante"
(Local e data: Estuário do Tejo - Baía do Seixal; 21 - Fevereiro - 2017)
(Clicando nas imagens, amplia)

Política? Não, pornografia!

«(...)
Li nos jornais que António Lobo Xavier (jurista, conselheiro de Estado, militante do CDS, administrador do BPI e comentador político) levou ao Presidente da República as mensagens de telemóvel que o seu amigo António Domingues trocou com o ministro Mário Centeno. É mesmo assim? Domingues partilhou com Xavier as mensagens que recebeu de Centeno? E pediu autorização a Centeno? E Xavier pediu autorização a Centeno para mostrar ao PR as mensagens que o ministro escreveu a Domingues? Das duas, uma: a) isto não é verdade, na verdade, Xavier só mostrou ao PR mensagens escritas por Domingues, autorizado por este; b) isto é verdade e então estaremos perante comportamentos tão absolutamente vergonhosos que me falta o campo semântico para os qualificar. Como é possível que isto aconteça? Como é possível que não haja por aí um clamor de indignação contra Domingues, Xavier, Marcelo - e até António Costa, que depois de se saber disto foi tranquilamente trocar larachas num jantar com Xavier? Uma coisa - embora de legitimidade altamente duvidosa (...) - é uma comissão parlamentar de inquérito ordenar a Centeno e a Domingues que mostrem todas as comunicações trocadas entre si, em todas as plataformas, sobre a CGD. Mas outra completamente diferente é o procedimento divulgado na imprensa. Não é só algo de uma profunda falta de ética. É algo que, tendo em conta a generalizada indiferença que suscitou, nos faz pensar como as indignações diárias nas redes sociais são fenómenos mais de socialização dos indignados entre si do que verdadeiramente de indignação. Se nos indignamos com tudo e mais alguma coisa, porque não com o que verdadeiramente importa? Isto calhou tudo na mesma semana em que Cavaco Silva publicou a primeira parte das suas memórias presidenciais, memórias em que partilha inconfidências sobre conversas supostamente privadas com José Sócrates. Outro procedimento altamente condenável e que, como no caso CGD, deriva diretamente da vitória da emoção sobre a razão e do ressentimento sobre o sentido de Estado.

Depois não se queixem os políticos - nomeadamente os protagonistas destas histórias - da degradação das condições para fazer política e do distanciamento dos eleitores. Pelos vistos, estar na política implica a mesma nobreza (ou falta dela) do que concorrer a um qualquer Big Brother televisivo. Isto, na verdade, não é política - é pornografia. Nada contra. Mas prefiro-a desempenhada nos canais adequados e por profissionais do ramo. Não é o caso.»
(Pornografia política, o novo normalJoão Pedro Henriques. Na íntegra: aqui)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os "anjinhos" do PSD e do CDS ...


... retratados, à distância de vários séculos, mas com notável precisão, pelos construtores do Mosteiro de Santa Maria da Vitória (vulgo, Mosteiro da Batalha)
(Na imagem, gárgulas do dito Mosteiro)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Trabalhos de campo # 39: Verdilhão (Carduelis chloris)


Verdilhão (Carduelis chloris L.)
Família: Fringillidae;
Estatuto de conservação da espécie: "pouco preocupante"
(Local e data: Almada; 1 - Fevereiro - 2017)
(Clicando nas imagens, amplia)

sábado, 21 de janeiro de 2017

Passos Coelho: um caso nítido de hipermetropia

A crer no DN, Passos Coelho afirmou na abertura do XVI Congresso do PSD/Madeira, que nunca viu "um Governo tão revanchista" como o actual. 
Alguém que, alegadamente, consegue ver o argueiro no olho do outro, mas é incapaz de lobrigar a trave no seu, é evidente que carece de consultar com urgência um oftalmologista, para mudar de óculos. De facto, precisa mesmo de uns novos que lhe corrijam a hipermetropia.
(imagem daqui)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Preso por ter cão ...

Não falta por aí quem, acintosa e oportunisticamente, critique o primeiro-ministro António Costa pelo facto de ter decidido não interromper a visita de Estado à Índia para poder prestar a última homenagem a Mário Soares, entretanto falecido. É, porém, certo que se a decisão tivesse outra e em sentido contrário também não teriam faltado vozes a censurá-lo por antepor as suas amizades ao interesse do país. Sabe-se, com efeito, que em circunstâncias como esta, é-se, com frequência, "preso por ter cão e preso por não ter".
Estou certo que o facto de não poder estar presente no funeral de Mário Soares é  motivo de grande desgosto pessoal para António Costa, tendo em conta a mútua relação de amizade e a admiração que António Costa nutria por Mário Soares. Ao decidir como decidiu, dando prevalência aos interesses do país, António Costa procedeu bem, porque em conformidade com as suas obrigações como primeiro-ministro. 
Parece-me óbvio.
(imagem daqui)

sábado, 7 de janeiro de 2017

Até os que se vão "da lei da morte libertando" se cansam, um dia, desta vida

É um facto: até os "imortais"se despedem um dia da nossa convivência. A partida de Mário Soares, que hoje choramos, aí está a lembrar-nos esta cruel verdade.
O homem - um lutador incondicional pela liberdade e um homem de coragem, até física - partiu, mas a obra fica. A democracia em que vivemos é, reconhecidamente, obra dele, em grande medida. Que a sua memória perdure e que descanse em paz! Uma e outra coisa ele mereceu e a ambas tem jus.
(Imagem daqui)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A prenda dos reis magos para Passos Coelho

"O PS continua a ampliar a sua vantagem face ao PSD, amealhando 40,1% das intenções de voto, contra 27,4% dos social-democratas."
"Entre os líderes dos cinco maiores partidos, António Costa é o que recebe melhor pontuação (13,7 numa escala de 0 a 20) contra 5,2 de Passos Coelho, o mais mal pontuado."(Fonte)
Passos Coelho invocou os reis magos e estes responderam de pronto à chamada. Hoje mesmo chegaram com a prenda.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

António Guterres

Já tudo foi dito sobre António Guterres. Limito-me, por isso, a documentar com a foto supra o momento do seu juramento como Secretário-Geral das Nações Unidas.
Que, para bem de todos nós, tenha os maiores sucessos na tarefa a que vai lançar mãos, tarefa que, não se antevendo nada fácil, tem em António Guterres a pessoa mais capacitada para a levar a bom termo. afirmação que, a meu ver, não sofre contestação tendo em conta todo o procedimento que culminou na sua escolha para desempenhar o cargo maior da diplomacia mundial.
(Imagem daqui)

Trabalhos de campo # 38: Perna-verde-comum (Tringa nebularia)




Perna-verde-comum (Tringa nebularia Gunnerus)
Família: Scolopacidae;
Estatuto de conservação da espécie: "pouco preocupante"
[Local e data: Estuário do Tejo (Baía do Seixal); 12 - Dezembro - 2016]
(Clicando nas imagens, amplia)

domingo, 11 de dezembro de 2016

Fala a experiência

O autor da afirmação pode não ter outras qualidades, mas é forçoso reconhecer-lhe a autoridade derivada da sua experiência como ministro da Educação do governo anterior para se pronunciar com tamanha assertividade. É o mínimo que se pode fazer, acho eu.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O matemático que não sabe fazer contas

Exactamente: o matemático que não sabe fazer contas é mesmo Nuno Crato, o ex-ministro da Educação do governo Coelho/Portas, de infausta memória. 
Indo ao que interessa, peço ao leitor que passe a vista sobre este post que não me deixa em mentira sobre a afirmação em título, post de que respigo os seguintes excertos:
«O ex-ministro da educação, Nuno Crato, não perdeu tempo a reivindicar os louros [dos "resultados do PISA 2015"] para si, apontando a introdução de «novas metas curriculares» e de «exames finais» no 4º e 6º ano como contributos relevantes da sua governação. (...)
O problema é que há um problema: os alunos portugueses que integraram a amostra do PISA, ao frequentarem em 2014/15 entre o 7º e o 11º ano de escolaridade, não poderiam ter «beneficiado» dos «exames finais» do 4º e 6º ano nem das «novas metas curriculares» de Nuno Crato. De facto, o exame do 4º ano foi introduzido em 2012/13 (quando os alunos, na melhor das hipóteses, frequentaram este ano de escolaridade em 2007/08) e o exame do 6º ano foi introduzido em 2011/12 (quando os alunos abrangidos pela amostra, na melhor das hipóteses, frequentaram o 6º ano em 2009/10). Ou seja, os «muitíssimo bons» resultados do PISA podem refletir muita coisa, mas seguramente não refletem - nem poderiam refletir - o impacto pretensamente positivo dos exames precoces instituídos pelo anterior Governo.»
Para mim chega, mas o leitor pode encontrar, no post acima indicado, outros dados que confirmam a afirmação.
(Imagem daqui)

Era uma vez na América, ou a estória da raposa no galinheiro

Dizem as notícias que Donald Trump, escolheu para dirigir a Agência de Proteção Ambiental o procurador-geral Scott Pruitt, um indivíduo que "passou a maior parte do tempo como procurador-geral de Oklahoma a lutar contra a Agência". 
Há que reconhecer que a decisão faz todo o sentido do ponto de vista de Trump, um adversário das leis de protecção ambiental e dos tratados internacionais contra o aquecimento global, fenómeno em que Trump, pelos vistos,  não acredita.
Não podendo o próprio, por razões óbvias, encarregar-se de neutralizar a acção da Agência de Proteção Ambiental, Trump teria naturalmente que procurar alguém a quem pudesse confiar o papel de raposa encarregada de destroçar o galinheiro. É claro que, para Trump,  Pruitt, pelo seu passado, é a escolha perfeita. 
Tão perfeita do ponto de vista de Trump, quão perigosa para o resto do mundo. Tão perigosa que é mesmo caso para, parafraseando os romanos, deixar o aviso: Cavete Trump!
(notícia e imagem daqui)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O pluralismo na RTP

É o que se vê. 
Para comentar a entrevista do primeiro-ministro António Costa difundida momentos antes na RTP 1 e RTP 3, a operadora pública de televisão não encontrou mais ninguém a não ser  José Manuel Fernandes, Helena Garrido, David Dinis e João Garcia. 
Não se pode negar que a televisão pública tem imenso cuidado em assegurar o pluralismo à direita. A esquerda é que, pelos vistos, não tem direito a ter voz na televisão pública, apesar de ser maioritária no país.
Quousque tandem?

domingo, 4 de dezembro de 2016

Primeira prova superada

Eleições presidenciais na Áustria: "Segundo as primeiras projeções da empresa SORA para a televisão pública ORF, o candidato independente ligado aos Verdes, Alexander Van der Bellen, consegue 53,6% dos votos, derrotando o candidato da extrema-direita, Norbert Hofer, que surge com 46,4%. As urnas fecharam às 16.00 de Lisboa."
Superada que foi a primeira prova, falta saber qual o resultado do referendo em Itália para se poder cantar vitória. Aguardemos, pois. 
(Citação e imagem daqui)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

"Pés de vento"







Legenda:
Escultura intitulada: "Pés de Vento"
Autor: José Aurélio
Ano: 1998
Materiais: alumínio e aços
Local: jardins da Casa da Cerca - Almada

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A perder de vista!

A "caranguejola" desconjuntada (PSD/CDS), com 36%, já nem com binóculos consegue avistar a "geringonça"  (PS/BE/PCP/PEV) que já conta com 57% das intenções de voto.
É o diabo! Para Passos Coelho. 
(Gráfico daqui)

"Um ano depois"

«Passou um ano. Todos nos lembramos da cara patibular do presidente de então, da raiva incontida dos que se sentiram desapossados, das dúvidas nacionais e internacionais suscitadas pelo regresso à esfera parlamentar do poder, quatro décadas e um "muro" a menos depois, dos derrotados no 25 de novembro. O país nunca vira nada igual, o conceito de "frente popular" passeou-se pelas colunas dos jornais, os socialistas foram olhados como a "quinta coluna" de um golpe institucional de Esquerda. António Costa, o construtor da "gerinçonça", foi acusado de tudo, desde irresponsabilidade a oportunismo.

A Direita, sem um candidato presidencial que desse garantias cumulativas de poder ganhar e proceder, logo que possível, à dissolução de um Parlamento que gerara tão estranha solução, entrou em estado de negação. Nem no debate orçamental de 2015 quis participar. A sua aposta, confessada ou não, tinha duas componentes. Uma interna, que tinha a ver com a difícil compatibilidade entre as ambições dos parceiros do PS e o grau de abertura deste à acomodação dessa agenda. Outra externa, que se prendia com o previsto incumprimento pelo novo Governo das metas macroeconómicas exigidas por uma Europa de sobrolho carregado perante uma fórmula política que contrastava, de forma quase provocatória, com os equilíbrios no Eurogrupo. A nossa Direita pode dizer tudo o que quiser, mas não conseguirá nunca convencer o país de que não estava à espera de que aquela "quadratura do círculo" fosse impossível.

Mas não foi. As forças que estiveram no Governo entre 2011 e 2015 mediram muito mal o receio que o PCP e o Bloco de Esquerda - que os tinham praticamente colocado no poder, ao ajudarem a derrubar José Sócrates - tinham de vir a confrontar-se com o respetivo regresso. António Costa pressentiu isso e soube desenhar um caminho muito estreito, onde investiu todas suas indiscutíveis credenciais democráticas e europeias, para além da transparência negocial que demonstrou junto dos seus parceiros internos (...)
(...)
É sustentável, a "geringonça"? Não sei, ninguém sabe. Se as taxas de juro dispararem, como pode vir facilmente a acontecer por virtude de efeitos externos, a questão coloca-se. Mas, nesse caso, talvez valha a pena lembrar que isso afetaria qualquer outro Governo que estivesse em funções.»
(Francisco Seixas da Costa. Na íntegra: aqui)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Uma "desgraça" nunca vem só...

Perante estas notícias Pedro P. Coelho dirá com toda propriedade: - é bem certo que "uma 'desgraça' nunca vem só".
Estas notícias são excelentes para Portugal, mas para P. Coelho são mesmo autênticas desgraças. De facto, à medida que se vão acumulando os bons resultados da actual governação, vão-se também encurtando os dias que lhe restam até ter que largar a pose de "primeiro-ministro no exílio". A pose e a "pele".
(Imagem daqui)

Não há quem tenha mão nele...

Nem Passos Coelho, que o mandou vir, nem a Albuquerque que, dia sim, dia sim, o invoca, têm mão nele. Falo-vos do diabo que, pelos vistos, continua a fazer das suas. 
Por estes dias, a façanha mais notável do mafarrico tem a ver com o crescimento da economia que "no terceiro trimestre [acelera] e consegue o crescimento em cadeia maior da zona euro. O PIB cresceu 0,8% em cadeia e 1,6% em termos homólogos. Meta do Governo de 1,2% para final do ano mais perto de ser ultrapassada." (fonte)
E quem diz a meta do Governo, diz todas as previsões, que são, todas elas, muito mais pessimistas.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Já só com binóculos...

... é que a dupla da "caranguejola" pafiosa consegue avistar a "geringonça". Pelo menos, a crer na última sondagem do Expresso. Diga-se que, em boa verdade, nem custa muito a acreditar, atendendo a que a "caranguejola" está desconjuntada e a "geringonça" tem vindo a trabalhar afincadamente desde a sua formação e a avançar em bom ritmo.
Confirme-se, através do gráfico infra, a distância que as separa e que não cessa de aumentar!

(gráfico daqui)

Frei Tomás, em versão americana


"Trump condenou lobistas durante campanha. Agora fazem parte da sua equipa"
-Surpresa ? 
-Nem por isso. Surpreendente seria ver Donald Trump disposto a deixar os seus créditos bem firmados de pinóquio fanfarrão por mãos alheias.
(imagem e notícia daqui)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Passos Coelho, contador de patranhas


Eu não era o PM da austeridade, mas o da recuperação económica
Dizem que o autor da afirmação supra é um tal Passos Coelho, ex-primeiro ministro deste pais, assumido defensor da austeridade "custe o que custar", para a qual não concebia alternativa, o tal que garantiu que os portugueses viviam acima das suas possibilidades e que era imperioso empobrecer Portugal e os portugueses,  objectivos que, há que reconhecê-lo, foram por ele alcançados com inegável sucesso. 
Já se sabe, desde há muito, que Passos Coelho é um profissional contador de patranhas. Se o não fosse nunca teria chegado aonde chegou. Supunha eu, no entanto, que mesmo para ele houvesse um limite. Parece que assim não é, porque, neste caso, a patranha roça a obscenidade.
(Citação e imagem daqui)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O novo e desagradável retrato da América

A vitória de Donald Trump tem certamente muitas explicações que não tenho a pretensão de dilucidar. Olhando, no entanto, para o mapa com os resultados eleitorais, ainda que não definitivo, é dificil não concluir que há uma América que está para lá das belas fachadas da Costa Leste e da Costa Oeste. Uma América que é reacionária, racista, xenófoba, inculta e, direi mesmo, alarve e grosseira. Uma América que, se elegeu Donald Trump, é porque nele se revê. Sendo essa América maioritária, Trump é, por muito que desagradável que ela seja, a nova cara da América. E por muito que nos custe admiti-lo.
Hélas!
(imagem do Público)