domingo, 25 de janeiro de 2015

Ainda ministra!


«Faz, a 4 de fevereiro, dois anos que João Miguel Barros se demitiu de Chefe de Gabinete de Paula Teixeira da Cruz. E desde então, está dito e confirmado pelo próprio que, antes de se demitir, avisou da inabilidade do Citius para responder à reforma judiciária. Terá sido, aliás, por isso, que resolveu cessar funções. 
(...)
Pois a Ministra da Justiça, confrontada com o fracasso do Citius e a paragem/desordem que provocou, 44 dias a fio, justifica-se, dizendo "Não sou informática". Ora isso nós já sabíamos. O que agora confirmamos é que Paula Teixeira da Cruz, depois da indecorosa participação crime contra funcionários do Citius – aliás, arquivada em tempo, também ele, indecoroso – e da demissão dos dirigentes do IGFEJ, se não serve para informática, muito menos para Ministra.»
(Magalhães e Silva; "Ainda a ministra". Na íntegra: aqui)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Quatro anos a penar escusadamente...

Há muito aguardada, a decisão de compra de dívida pública pelo BCE foi finalmente tomada. E saudada por várias entidades, incluindo o secretário-geral do PS
A decisão, sabe-se, não foi tomada antes, porque contou sempre com a oposição da senhora Merkel e dos seus lacaios, entre os quais figura Passos Coelho. Este, à semelhança da sua tutora, sempre se manifestou contra a compra de dívida pública pelo BCE, por muito que ele agora, venha a dizer o contrário, num exercício de ginástica de que é exímio executante. Refiro-me, naturalmente,  à cambalhota. E não tardou, pois ela aí está.
Devido a essa oposição, quatro anos a penar, em grande parte, escusadamente, já ninguém os tira aos portugueses.
Feita a conta, resta apresentá-la aos responsáveis pelo sofrimento escusado. São eles, em primeira linha, Passos Coelho e Paulo Portas. Se, em Portugal, ainda não se perdeu definitivamente o sentido de justiça, espera-se que os agradecimentos a qualquer deles venham sob a forma de voto com os pés. Eu, pelo menos, é assim que lhes vou agradecer.
Há um outro responsável que se chama Cavaco, pelo seu indefectível apoio à política levada a cabo por este governo de farsantes. Felizmente, no caso dele, porque está de abalada e já não pode ser reeleito, o voto com os pés está fora de questão. Resta o voto de desprezo. O meu tem-no.











"Este país não é para doentes"

"A morte de um idoso num serviço de urgência pode ser uma inevitabilidade, por mais dolorosa que seja para a família. Aos profissionais de saúde falta o dom divino de fazer milagres. Mas um idoso morrer na urgência sem ser visto por ninguém habilitado para esse fim é uma indignidade. Uma indignidade extrema, que merece reflexão e resposta célere.
(...)
Por mais que os hospitais abram inquéritos a apurar responsabilidades, e o Ministério da Saúde venha apontar o dedo à organização das escalas dos médicos, há dados objetivos que explicam a anómala situação nas urgências. O Governo português, de acordo com a OCDE, cortou o dobro no financiamento do Serviço Nacional de Saúde do que era exigido no memorando de entendimento com a troika. E também aqui não existem milagres. Sem meios, sem profissionais, é impossível atender os doentes com dignidade. Os sem alternativa, esperam horas e horas a fio nas urgências dos hospitais públicos. Os outros, nem lá vão. Têm seguro de saúde e dirigem-se ao privado. Este país não é para doentes (velhos ou não) desapossados do vil metal."
(Paula Ferreira. Na íntegra no JN. Destaques meus.)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Trata-te, João Miguel!

A gente já desconfiava, mas, depois de  o próprio se ter dado ao trabalho de o confirmar, deixou de haver dúvidas: João Miguel Tavares sofre de "obsessão com Sócrates".
O rapaz dá-se a tal trabalho para se justificar, mas perde o seu tempo. Na verdade, não há, lendo a fundamentação que apresenta, qualquer explicação racional para a confessada obsessão, pelo que não há modo de fugir à conclusão de que se está mesmo perante um caso de doença.
Diz o Tavares que a obsessão nasceu "com o acumular de casos, casinhos e casinhas" e, de facto, tirando os casos que já foram judicialmente escrutinados e decididos em sentido contrário às suas pretensões, só fala mesmo de casinhos e casinhas. Corrijo-me: também, invoca as "gravíssimas revelações" do Correio da Manha. Não sei que revelações serão essas, porque não sou leitor do pasquim em causa, mas se o obsessivo cronista se entretém a refocilar em tal lixeira, não me admira nada que tenha chegado ao estado em que está. 
Fica o conselho: Trata-te, pá!

Mitómano

Se Passos Coelho acredita mesmo que o Estado Social, com as políticas que o seu governo tem levado a cabo, saiu fortalecido, quando é mais que sabido que as prestações sociais caíram a pique, lançando milhares e milhares de pessoas em situações de pobreza, com esta a aumentar exponencialmente;
Se Passos Coelho acredita mesmo  que salvou o Serviço Nacional de Saúde, quando hoje é mais que evidente que os hospitais vivem uma situação perfeitamente caótica;
Se Passos Coelho acredita mesmo que as suas políticas mudaram o "perfil estrutural" da economia portuguesa, quando se sabe que o crescimento das exportações, hoje em clara desaceleração, nunca atingiu o ritmo de crescimento verificado durante as duas anteriores legislaturas;
Se Passos Coelho, apesar dos factos em contrário, acredita mesmo no que afirma, é porque é um mitómano. 
Dizem que, nos dias hoje, já há tratamento para tudo e mais alguma coisa. Se tal for verdade, também deve haver tratamento para este caso. Tratem-no!
(imagem daqui)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Cavaco não presta

Lendo este texto publicado no Facebook por Oscar Mascarenhas, até há pouco, "Provedor do Leitor" no DN, é difícil não tirar a conclusão em título. Leia e julgue por si:

O "Expresso", pelo punho e voz do seu diretor - e mais uns corifeus do costume - parece apostado em verberar Mário Soares para, com isso, limpar a imagem de um passado nebuloso de Cavaco. Mário Soares afirmou no DN de hoje, 20 de janeiro, que Cavaco Silva foi um "salazarista convicto" no tempo da ditadura. Que não tem provas do que diz - contrapõe o "Expresso". Portanto, é falso - deduz o mesmo jornal. Também não sei se Cavaco Silva foi um salazarista "convicto". Com o mesmo argumento da falta de provas, não posso afirmar que Cavaco Silva seja ou tenha sido convicto de coisa alguma - a não ser das suas próprias ambições pessoais de poder e sofreguidão por dinheiro (disso há provas sobejas). Poderia dizer que Cavaco, no tempo da ditadura, não foi um anti-salazarista que alguém reconhecesse como tal. Como não sou maniqueísta, não afirmo que, não tendo sido contra, foi a favor. Não. Apenas teve medo. Posso mesmo garantir: borrado de medo. Tenho provas, colhidas por dedução. Eis o que escrevi a 20 de dezembro de 2010 no JN, quando foi revelada uma declaração que Cavaco Silva fez na Pide, para garantir acesso a determinados documentos, necessários não sei para que investigação académica. Se tiverem a paciência de ler "O Tremeliques Palavroso", aí vai: 

«Tive imensa sorte, na minha juventude, por nunca haver sido confrontado com a obrigação de assinar a declaração de «conformidade» do famigerado decreto 27003, exigido pela ditadura.

Seria para mim angustioso sujeitar a honra a uma mentira, mas confesso que, se fosse obrigado, assinaria. Ninguém via heroísmo redentor nessa estóica recusa.
Por bênção dos deuses, o maldito decreto foi revogado por Marcello Caetano antes de a situação se me colocar. Dessa estou «imaculado», mas não atiro um grão de areia a quem firmou de cruz aquele papel: o cobarde não foi quem assinou, cobarde era quem obrigava a assinar.
Por isso, não liguei muito à notícia da declaração assinada de Cavaco Silva à Pide. Só despertei da modorra, quando ouvi o candidato dizer que não se lembrava do episódio. Aí, pára: ou o cavalheiro mente desavergonhadamente, ou sofre de um Alzheimer muito adiantado a justificar um Conselho de Estado para o interditar.
Ninguém, mas ninguém mesmo, se esquece de quando foi obrigado a ir à Pide: fica na memória para sempre. É que esta, para mais, foi uma declaração presencial, certificada na hora pelo chefe de brigada da Pide e por isso dispensada de reconhecimento notarial. Tem ele o despudor de dizer que não se lembra? Abram a ala VIP da psiquiatria, por favor!
A mentira (ou doença incurável do candidato) tornou-me mais atento. O que me chamou mais a atenção foi a anotação final, num espaço de preenchimento facultativo, a dizer que «não priva» com a segunda mulher do sogro, dando o nome completo da senhora.
Ah, isso é demais – e nada tem a ver com "tentativas de o ligar ao anterior regime", como Cavaco se lamuriou. Nada! A ligação é só à sua têmpera, à sua capacidade ou não de enfrentar situações difíceis. Toda a gente de bem que conheci, desafecta ou mesmo afecta ao salazarismo, respeitava este princípio: à polícia (e então à secreta!) só se diz o mínimo. Era questão de fidalguia, de sobranceria, de desprezo. Não era exigido a Cavaco que escrevesse o nome da segunda mulher do sogro e muito menos que declarasse que não privava com ela. Qualquer um com dois dedos de siso saberia que isso iria pôr a PIDE de sobreaviso contra a senhora – ou então queria mesmo denunciá-la.
Cavaco não seria tão reles: apenas estaria tão tremeliques que escreveu até o que não queria, coitado. E logo ele que diz que há palavras de mais na política. Lá sabe do que fala, quando falou, à PIDE, do que não devia ter falado.
A desgraça é que o tremeliques tem ainda menos cura que o Alzheimer.» 

Não quero saber se Cavaco foi ou não salazarista, o que seria a menor das críticas, perante o facto de ter demonstrado ser alguém que espojou a sua vida familiar diante dos esbirros do regime, apontando o dedo à segunda mulher do sogro, sem querer saber se a deixava - e ao sogro - em apuros. Há uma coisa muito pior do que ser um salazarista convicto: é não prestar para nada!»
(via)
(destaque meu)

A auto-regulação é uma treta, mas há quem dela se aproveita

"A ideia de que o mercado é capaz de se autorregular é uma treta", como bem disse Silva Peneda.
De facto, a auto-regulação do mercado, tal como é vendida por ultra-liberais como Passos Coelho, não passa de um logro posto a circular por quem colhe benefícios dessa tese, em prejuízo da grande maioria da população mundial. A dimensão desse logro ficou agora bem à vista com a revelação feita pela Oxfam: "A riqueza dos 1% mais ricos vai superar a do resto do mundo em 2016"
Um resultado que é uma vergonha. Para todos.

Até tu, Brutus?

"Depois do Novo Banco, os portugueses devem preparar-se para ter a Nova TAP. O processo de privatização da companhia, tão necessário para garantir que a TAP mantém e até reforça o seu papel na economia portuguesa, está a correr mal e não se recomenda.
(fonte. destaque meu)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Um penso rápido

O desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde levado a cabo por este governo, traduzido em muitas centenas de milhões de euros, teria, mais cedo ou mais tarde, de ter consequências graves, como foi atempadamente previsto por médicos e outros especialistas na área da saúde. Essas consequências estão agora à vista de todos (especialistas e não especialistas): mortes, incluindo nas urgências, muito para lá do expectável; urgências a rebentar pelas costuras, com tempos de atendimento que envergonhariam até países do terceiro mundo: hospitais sem camas para internamento; doentes em pre-operatório e em pos-operatório, sem quarto onde possam ser alojados, espalhados pelos corredores; e até falta de macas para onde possam ser transferidos os doentes transportados de maca para o hospital, forçando os transportadores a aguardar horas e horas que as macas lhe seja devolvidas.   
Com a pretensão de pôr termo aos caos instalado, o Ministério da Saúde produziu um despacho assinado pelo secretário de Estado da respectiva pasta que tem o mérito de assumir que os problemas de saúde com que os doentes, médicos e outros profissionais de saúde se confrontam, são reais e muito graves e não imaginários. Ao invés, tudo indica que as medidas contempladas não têm a virtualidade, e menos ainda a virtude, de resolver o problema. Dir-se-ia mesmo que algumas em vez de resolver, complicam. Para implementar as outras seria preciso dinheiro e dinheiro é o que o Ministério da Saúde não tem, graças aos cortes deste governo. 
Como não se fazem omeletes sem ovos, é evidente, à partida, que o remédio proporcionado pelo despacho não passa de um penso rápido que, para além de ineficaz para introduzir melhorias na prestação de cuidados de saúde, arrisca-se, por falta de verbas, a nem sequer ser aplicado.
(imagem e notícia daqui)

É hora de acordar!

Um alerta de António Correia de Campos, hoje, no "Público":
«(...)
O PS tem que acordar. A vitória nas eleições está longe de adquirida, mesmo na versão frustrante de simples maioria. Há exemplos de temas e debates cuja preparação o PS não pode deixar para depois, como o do financiamento da Segurança Social (sim ou não à redução da TSU, terrivelmente predadora da competitividade, da inovação e do emprego), e se sim, como? O da reforma do Estado Social (educação, saúde, acção social) numa linha de eficiência, equidade e qualidade. E como lidar com uma administração pública maltratada, ferida e desmotivada, onde escasseiam os verdadeiros dirigentes? São desafios para amanhã, não para o Outono.»

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Uma história (nada) edificante

A ler :" Estado não cumpre e assobia para o lado", por Afonso Camões.
Ler para crer até que extremos vai o jornalismo de sarjeta e até que ponto a honra dum cidadão pode ser manchada por um tablóide, sem a mínima justificação, perante a indiferença da procuradora-geral da República. 
Por esta e por outras não é difícil concluir que a Justiça em Portugal já conheceu bem melhores dias. E, por sinal, o país também.

De regresso ao "antigamente" e ao "orgullhosamente sós" ...

.... Pela mão de Passos Coelho. 
(Roubado ao Porfírio Silva)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Porventura inédita, seguramente indecorosa. Em qualquer caso, uma afronta

Sob o título "MP 'vigia' sorteio do recurso de Sócrates", o Correio da Manha, pela pena de Eduardo Dâmaso, afirma que "Rosário Teixeira toma decisão inédita. Exige assistir ao sorteio do recurso de José Sócrates."
Porque não me fio na palavra do Dâmaso não estou certo de que a informação seja verdadeira e também não sei se, sendo verdadeira a notícia,  a "exigência" do procurador Rosário Teixeira é ou não inédita. Do que não tenho dúvidas é que, a ser verdadeira, a "exigência" do procurador é, no mínimo dos mínimos, indecorosa. 
No mínimo dos mínimos, digo eu, porque também pode, e deve, ser vista como uma tentativa de pressão sobre os juízes da Relação. E, como tal, não pode deixar de vista como uma afronta.

Um nojo

Faço minhas as palavras do Miguel Sousa Tavares publicadas no "Expresso" de hoje, edição impressa, a propósito da denúncia do chamado Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional relativamente a um pretenso tratamento de favor dado a José Sócrates detido, sem culpa formada, há 2 meses, no Estabelecimento Prisional de Évora: 
"(...) Já vi muitos tipos de sindicatos e de sindicalismos, alguns dos quais muito pouco recomendáveis. Mas nunca tinha visto nada tão aviltante como a denúncia, por confirmar, do Sindicato dos Guardas Prisionais, de que José Sócrates terá feito telefonemas de uma zona não autorizada da prisão de Évora e que, crime dos crimes, usará umas botas que não são as do regulamento. E que tais factos estarão a pôr em causa "a segurança da prisão". Isto não é sindicalismo: é canalhice, pura e simples. É a miserável valentia lusitana de pisar e descalçar as botas de quem já está caído".
Sem dúvida: uma atitude como a dos dirigentes do dito sindicato só pode provir de gente muito reles. Esta gente e este sindicato metem nojo!

sábado, 17 de janeiro de 2015

De facto, não faz sentido

Balsemão, militante número 1 do PSD, discursando numa iniciativa partidária, no Cadaval, afirmou que "não faz sentido entregar o poder a quem provou que não sabe governar".
Tem Balsemão toda a razão. De facto, só se os eleitores forem masoquistas é que terão a veleidade de repetir uma votação que, da última vez que foram às urnas em eleições legislativas, bem cara lhes saiu.
Por isso mesmo, também não faz sentido que o cavalheiro, na mesma ocasião, se tenha declarado confiante na vitória do seu partido nas próximas legislativas, precisamente numa altura em que, com a trapalhada à volta da privatização da TAP, ficou mais uma vez provada a incompetência do governo liderado por Passos Coelho, incompetência que consegue ultrapassar, imagine-se, a de um outro governo do PSD, o da "má moeda", então liderado por Santana Lopes, cuja incompetência se julgou, durante muitos anos, ser inultrapassável. 
Tal juízo veio, no entanto, a ser desmentido pelo actual que, em boa verdade, nem governo chega a ser, pois não passa de uma Comissão Liquidatária, às ordens da senhora Merkel e Cª. 
Tudo visto, bem se pode dizer que a confiança de Balsemão na vitória do seu partido, só faz sentido, de facto, se a lógica de Balsemão for a chamada "lógica da batata". 


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Passos Coelho contrariado...

«(...)

Os dogmas em que se fundou a política de austeridade, que orientou a resposta errada da União Europeia à crise financeira, estão a cair uns atrás dos outros. Afinal, nem o mandato do BCE impedia uma resposta mais eficaz à especulação instalada nos mercados de dívida soberana, nem as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento são incompatíveis com uma política orçamental menos danosa para a economia e para o emprego. Sem alterar uma vírgula no Tratado de Lisboa ou nas regras do Pacto, o tom da resposta europeia à crise começa a mudar: primeiro, graças à política monetária expansionista do BCE (em breve reforçada com um programa de Quantitative Easing); depois, pela nova orientação da Comissão Juncker, com o seu plano de investimento (público e privado) e a sua abertura à flexibilidade orçamental.

Duas razões explicam esta evolução. A primeira, é a própria evidência do fracasso da política de austeridade. A segunda, é a forte pressão política dos socialistas em todas as frentes da política europeia: no Parlamento Europeu (em que o seu voto é decisivo); no Conselho (graças à liderança de Matteo Renzi na presidência italiana) e no interior da Comissão (desde que o socialista francês Pierre Moscovici substituiu o liberal Olli Rhen nos assuntos económicos). Não será ainda a mudança de que a Europa precisa mas é bastante melhor do que tinhamos com a Comissão Barroso - que era nada.

Finalmente, a "flexibilidade" orçamental deixou de ser um conceito vazio para ganhar sentido e substância, embora com latitude diferente para quem esteja ou não em défice excessivo. Doravante, a Comissão promete tomar em conta o contexto do ciclo económico e a realização de reformas estruturais na ponderação dos esforços orçamentais de cada país e mesmo na permissão de desvios em relação às metas do défice. Mas também promete uma política orçamental mais amiga do investimento, por duas vias: primeiro, não contabilizando no défice as contribuiçoes dos Estados para o novo Fundo europeu de investimento; segundo, adoptando uma interpretação mais generosa da chamada "cláusula de investimento" de modo a permitir que os Estados que não estejam em défice excessivo se desviem temporariamente das metas do défice para aumentarem o investimento público.

Esta evolução, embora ainda tímida e compromissória, é da maior importância também para Portugal. É certo que a nova formulação da "cláusula de investimento" não permite aos Estados em situação de défice excessivo, como é o nosso caso, isentar do défice a comparticipação nacional dos projectos financiados com fundos comunitários da mesma forma que se isentam as contribuições para o Fundo europeu de investimento - um manifesto absurdo, que importa corrigir.

Mas, além das vantagens indirectas que sempre virão para as exportações portuguesas de políticas orçamentais menos restritivas dos nossos parceiros europeus com mais margem de manobra, Portugal beneficia directamente de três importantes implicações desta nova flexibilidade: primeiro, pode desde já aceder a um calendário de ajustamento mais alargado em contrapartida da realização de reformas esruturais; segundo, as suas metas passam a ser definidas e avaliadas ponderado o impacto orçamental das quebras da actividade económica que escapem ao controlo do Governo; terceiro, a despesa pública que Portugal fizer em contribuição para o Fundo europeu de investimento não será contabilizada para o défice. Tudo isto, é claro, Passos Coelho combateu, sempre fiel à "linha dura" da austeridade. Mas de tudo isto Portugal poderá beneficiar, apesar dele.»
(Pedro Silva Pereira; "Melhor que nada". Na íntegra: aqui)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

"Nuvem negra"


«Numa economia normal, o emprego dependeria do crescimento económico e o desemprego seria o que resultaria da criação ou não dele.
Em Portugal, nos últimos tempos não tem sido bem assim. Por várias razões. Inserindo-se numa zona de livre circulação de pessoas, emigra-se. As políticas ativas de emprego, suportadas por fundos europeus e pela Segurança Social, têm ocupado, como nunca, muitos desempregados. A dimensão da austeridade, destruindo a esperança, desencoraja a procura de emprego, condição estatística para ser desempregado.

(...)
Em 2015, a nuvem desemprego continuará elevada. Estável, ficticiamente, se houver emigração e capacidade orçamental para ocupar desempregados. Piorará, se o petróleo devolver, de Angola ou Brasil, portugueses emigrados.
Sem um crescimento económico próximo dos 2%, o desemprego será sempre uma nuvem negra. Nenhuma organização previu aquele valor. Logo, assim continuará, negro. A novidade, não esperada, da queda dos preços do petróleo, a par das taxas de juro, pelos efeitos nos preços dos combustíveis e nos encargos com a habitação, podem renascer alguma procura interna que sustente o crescimento. Ou, então, as cidades de Lisboa e do Porto talvez possam continuar a ter um ano turístico excecional. A economia, continua, contudo, na sua generalidade, muito ténue para inverter o ciclo negativo dum triénio a empobrecer.»
(Francisco Madelino. Na íntegra: aqui)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A "verdadeira mudança"

Passos Coelho, tal como é referido no "post" anterior, afirmou, no discurso proferido na abertura do XV congresso regional do PSD/Madeira, que o seu governo "trouxe a verdadeira mudança a Portugal".
Não se pode negar a evidência. Coelho tem toda a razão e o insuspeito Conselho Económico e Social, presidido por um companheiro de partido do primeiro-ministro da "Tugalândia", confirma: "as políticas em curso têm agravado as desigualdades e são um obstáculo ao desenvolvimento do país e à melhoria das condições de vida. "
Quem sou eu para o desmentir?
(Na imagem: Silva Peneda. Imagem daqui)

Até na modéstia é falso

Um indivíduo a discursar no XV congresso regional do PSD/Madeira afirmando que o seu partido "não conseguiu fazer milagres", mas garantindo, ao mesmo tempo, (não fazendo a coisa por menos) que o seu governo "trouxe a verdadeira mudança a Portugal" diz bem do que ele é: até na modéstia é falso.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Nuvens negras

"Desemprego em Portugal aumenta pelo segundo mês consecutivo", atingindo em Novembro 13,9% da população activa, ou seja, mais 0,3% do que em Outubro. Aquela percentagem significa que em Novembro havia "713,7 mil desempregados, mais 17,4 mil do que em Outubro" segundo dados do INE. 
Pelos vistos, as nuvens são tão negras que o governo já não consegue disfarçar os números do desemprego com as medidas que tem vindo a tomar com essa finalidade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Nuvens

"As exportações portuguesas voltaram a entrar em terreno negativo, recuando em Novembro 0,4% face ao mesmo mês do ano anterior."
Em contrapartida,  "as compras ao exterior aumentaram 2,8% em termos homólogos, mas, excluindo os combustíveis, o aumento seria de 5,4%."
Resultado: "nova degração na balança comercial de bens, que apresenta agora um défice de 9.616 milhões de euros - mais mil milhões do que em 2013." (Fonte)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

"Carta a Guterres"

«(...)

Em 6 de dezembro de 2012, escrevi nas páginas do Correio da Manhã que António Guterres, "nesta hora difícil, tem o dever de colocar todas as suas capacidades e o capital de prestígio internacional que acumulou ao serviço de Portugal (e) assumir uma candidatura a Presidente da República". Fundamentei esse dever cívico no reconhecimento, pelo próprio, de que "ainda não fomos capazes de ressituar o país por forma a podermos garantir aos nossos cidadãos melhores níveis de emprego e de bem-estar" e na assunção, ao menos implícita, da respetiva quota-parte de responsabilidades. Estas linhas parecem-me cada vez mais atuais. Numa altura em que muitos cidadãos descreem da III República e do próprio Estado de direito democrático, não vejo alternativa fácil à candidatura de António Guterres. Nobreza de caráter, sensibilidade ético-social, inteligência brilhante e vasta experiência política são as qualidades que, sem grande originalidade, lhe apontei há dois anos e reitero agora. Essas qualidades não farão de Guterres um homem providencial mas renovam a esperança de muitos dos seus concidadãos. Vai dizer presente ou meter cera nos ouvidos?»
(Rui Pereira. Na íntegra: aqui)

Assino.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Je suis Charlie"

O massacre perpetrado em Paris contra o jornal satírico "Charlie Hebdo" pode, eventualmente, ser visto como um acto de vingança, com a trágica consequência da morte de doze pessoas, mas é sobretudo um atentado contra a liberdade de expressão. Nesse sentido é um ataque dirigido contra cada um de nós. E, por isso, de algum modo, vítimas somos também todos nós. É esse o significado, suponho eu, da expressão em título. Pelo menos, é esse o significado que lhe atribuo.
A par da solidariedade para com as vítimas, usar da palavra para manifestar o mais profundo repúdio por este acto bárbaro é o mínimo que nos é exigível e que podemos fazer.

"Fiscalidade negra"

«(...)
A fiscalidade verde é o último logro de uma longa série de fábulas e lengalengas que os nossos governantes insistem em derramar sobre as nossas incautas e crédulas cabeças.
(...)
Ou seja, em primeiro lugar não é uma reforma, é meia dúzia de medidas desgarradas para ir buscar receita. Em segundo lugar, esta não é fiscalidade verde, é bem negra, incidindo sobre um bem que já é o mais taxado de todos. 
(...)
A verdade é só uma: o Governo quis dar um bónus eleitoralista em 2015, e inventou mais taxas e taxinhas para cobrir essa menor receita em IRS. Uma reforma verde, uma verdadeira reforma verde, não devia ter "neutralidade fiscal" nestes termos, que demonstra logo à partida qual o seu prosaico objectivo. Eu assumiria melhor o custo acrescido de uma verdadeira reforma, estrutural e de longo prazo, de forma a tornar o nosso país mais sustentável, mesmo que isso me custasse mais. Mas recuso é ser tratado como tolo, por mais papas e bolos, verdes ou de qualquer cor, que nos tentem enfiar pela goela abaixo.»
(Tiago Freire. Na íntegra: aqui)

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

E ainda há quem se disponha a votar nesta corja?

"Acesso às urgências complicado e internamentos bloqueados nalguns hospitais"

O caos instalado nos hospitais com dramáticas consequências, incluindo, nalguns casos, a morte de  pessoas nas urgências, tem que ser imputado a este governo e à política de austeridade que tem vindo a prosseguir, seguindo o lema do "custe o que custar". Os custos da austeridade na saúde estão já vista e não é preciso ser adivinho para antecipar que os custos vão continuar a aumentar.
O cidadão eleitor está espera de quê para desalojar esta corja?
(Notícia e imagem daqui)

A plataforma laranja

Como, felizmente, António Costa não lhe largou as amarras, a plataforma laranja não chegou a zarpar do porto.
Amarrada fica. E bem.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A "troika" tem costas largas

Num momento de sinceridade, nele muito raro, Passos Coelho afirmou que não via no memorando acordado com a "troika" qualquer entrave ou limitação ao seu mandato como novo primeiro-ministro, garantindo mesmo que o seu governo estava determinado a "ir além da troika", no tocante a medidas de austeridade. 
Foi dito e feito. O caso agora noticiado (Função Pública encolheu o dobro do exigido pela troika) é mais uma prova disso, entre muitas outras.
Todavia, os factos demonstram-no, a verdade na boca de gente como Passos Coelho dura tanto tempo quanto "manteiga em focinho de cão". Num ápice, desaparece.
Não admira, por isso, que, postos perante a desgraça a que a política de austeridade "além da troika" conduziu o país, Passos Coelho e demais gente da sua igualha, atirem as culpas para cima da troika, achando porventura que esta tem costas largas. De facto, deve ter, porque não alijou do capote as responsabilidades que não lhe cabem. Mas, se a troika tem as costas largas, não é menos verdade que Passos e a sua gente têm muita falta de vergonha. Tanta ou tão pouca que nem sequer assumem que a vinda da troika foi insistentemente reclamada pelos dois partidos da actual maioria (PSD e CDS)  e que o memorando foi "cozinhado"com a sua participação e foi por eles assinado.
E ainda há quem se disponha a votar em tal corja!