quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Passos resolve ?

Sim, resolve. Mal.
(Reeditado)

Vice-primeiro-ministro ou caixeiro-viajante?

Portas termina no México "uma missão e pêras"
Incapaz de delinear uma reforma do Estado com pés e cabeça, o vice-trampolineiro Paulo Portas gasta o seu tempo polindo assentos de aeroportos por esse mundo fora. Será que ainda há algum aeroporto de província por onde este caixeiro-viajente não tenha passado? 
(notícia e imagem daqui)

O rapazola que já não sabe a quantas anda*

(*Tendo em conta os antecedentes, considera-se como hipótese muito provável que nunca tenha sabido.)
(Notícia e imagem daqui)

Na creche

Coelho e Portas, supostamente primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro do actual (des)governo de Portugal passam a vida aos beliscões um no outro, comportando-se como garotos.
A irresponsabilidade de que dão provas é de tal ordem que às tantas é de supor que os dois imaginam que estão numa creche.
(Imagem daqui)

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Portas desfeiteado

É evidente que o facto de o empresário mexicano Carlos Slim ter faltado, sem qualquer explicação, ao encontro previamente anunciado com Paulo Portas no âmbito do jantar oferecido pelo Ministro das Relações Exteriores do México, constituiu uma desconsideração que Portas não podia ter evitado e há que lamentá-la. No entanto, Paulo Portas, se  fosse um pouco mais modesto e menos dado a exibições e se não tivesse feito alarde do encontro, poderia ter evitado passar pela vergonha de se ter ficado a saber do tratamento a que foi sujeito.
Dizem que Portas é inteligente. Se for verdade, talvez o incidente lhe sirva de lição para aprender que a modéstia nunca assentou mal a ninguém.
(notícia e imagem daqui)

Sacudir a água do capote

Sabe-se agora que o Banco de Portugal teria preferido que a solução do caso BES passasse pela injecção de dinheiro disponibilizado pela troika, sendo igualmente verdade que eram da mesma opinião os banqueiros que nesse sentido se pronunciaram dias antes da tomada de decisão. E sabe-se também agora que se não foi esse o caminho seguido foi porque a ministra das Finanças recusou essa solução, forçando, consequentemente, o Banco de Portugal a optar pelo modelo da divisão do banco "em BES bom e BES mau".
Os factos agora conhecidos contrariam frontalmente as declarações quer de Passos Coelho, quer de Maria Luís Albuquerque, visto que ambos remeteram para o Banco de Portugal, desde a primeira hora, todas as responsabilidades pelo decidido.
Os factos dizem pois que Coelho e Maria Luís, uma vez mais, mentiram. Mas não só: confirma-se também que este governo é especialista em fugir às suas responsabilidades e em sacudir a água do capote.

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

De vingativo a mesquinho

Ordem Militar de Cristo

Não me parece que seja caso para valorizar, positiva ou negativamente, a iniciativa tomada por Ascenso Simões ao  enviar uma carta a Cavaco Silva pedindo-lhe que atribua a José Sócrates a  Grã-Cruz da Ordem  Militar de Cristo, como tem sido tradição seguida sem interrupções até agora.
Duvido, no entanto, que  José Sócrates esteja interessado em receber uma tal condecoração das mãos de Cavaco Silva, embora esteja também convencido de que não se recusaria a recebê-la por considerações de ordem institucional a que Sócrates é particularmente sensível. 
Seja como for, o que importa sublinhar é que o facto de Cavaco persistir na sua atitude não diminui em nada a dignidade do não agraciado, nem as suas muitas qualidades e méritos. Ao invés, não direi o mesmo em relação a Cavaco. Na verdade, se alguma ilação se pode tirar da recusa da condecoração, recusa que tem todo o ar de ostensiva, é a de que na Presidência da República tem assento um homem com muitas qualidades: de vingativo a mesquinho não lhe falta nenhuma. 
(Imagem daqui)

Números não é com eles...

"Chega a ser patético"

«O primeiro-ministro indignou-se com os jornalistas por, supostamente, dizerem que a despesa pública está igual a 2011: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que gente que se diz independente tem de assumir que errou, que foi preguiçosa, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão, em dizer (Maria vai com as outras) o que toda a gente diz..."

Espero que a pontuação usada por mim na tentativa de reproduzir a oralidade do tribuno das Jornadas Parlamentares do PSD-CDS seja fiel ao pensamento exarado... Adiante.
Confesso, caro leitor e cara leitora: sou um preguiçoso. Quem preguiça, pensa; logo, eu preguiço.
Vagarosamente, portanto, meditei: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que a ministra das Finanças tem em assumir que a carga fiscal vai aumentar em 2015, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão, em dizer (Maria vai com as outras) o que o primeiro-ministro quer."
O ócio recordou-me a paralisia do Citius e a tentativa de culpar uma gigantesca sabotagem ao sistema, conspirada nacionalmente pelas chefias intermédias dos funcionários públicos: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que a ministra da Justiça tem em assumir que errou, que foi preguiçosa, que não leu, que não estudou", etc...
Poupando trabalho, analiso assim o arranque do ano escolar: "Chega a ser patético verificar a dificuldade do ministro da Educação em não errar, em assumir que é preguiçoso, que não lê, que não estuda, que não compara, que não se interessa a não ser em causar uma boa impressão..." Perfeito, não é?
Resolvo também cabular sobre as garantias dadas aos pequenos acionistas para investirem no BES, dias antes do seu colapso: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que (escolher entre o governador do Banco de Portugal, o primeiro-ministro ou o Presidente da República) tem em assumir que errou, que foi preguiçoso, que não leu, que não estudou..."
Sobre as gaffes permanentes de Rui Machete posso comentar, sem esforço e factual: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que o ministro dos Negócios Estrangeiros tem em assumir que errou..." e por aí fora.
Quanto a estas críticas de Passos, eu, jornalista mandrião, constato: "Chega a ser patético verificar a dificuldade que o primeiro-ministro tem em assumir que errou, que foi preguiçoso, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão."

(...)»
(Pedro Tadeu; "Uma cábula de Passos para jornalistas preguiçosos"; na íntegra: aqui.)

"O dr. Passos nunca errou.".

Muito bem dito, Nicolau Santos. Parabéns e, pela minha parte, obrigado.

domingo, 26 de Outubro de 2014

Resta-nos assistir ao velório?

«(...)
O estado de dissolução a que chegou o [...] Governo é irreparável – uma remodelação não passaria de um cuidado paliativo. Os erros políticos dos seus ministros sucedem-se a um ritmo vertiginoso. O desnorte em relação aos impostos que se pagam ou as deduções que se conseguem com o Orçamento do Estado de 2015 raiam o limiar da anedota. A coligação regressou às noites das facas longas, com braços-de-ferro, queixumes e fugas para imprensa. O que leva então Pedro Passos Coelho a carregar este cadáver moribundo por mais um ano?
(...)
Por todas as razões e mais algumas, não faz sentido Passos manter o statu quo. O país tem absoluta necessidade de olhar para a frente e de discutir um novo ciclo. O Governo tem-se mostrado incapaz de o encontrar. Tornou-se uma colecção de náufragos vergados pelo peso dos erros de governação e por este clima pútrido que, a cada dia que passa, faz da coligação um pântano de hipocrisia política, com Paulo Portas a defender a “estabilidade” como se não se soubesse que a relação entre PSD e CDS está longe de estar estável. Com as condições de que dispõe e com um pouco de sorte, o Governo conseguirá quando muito fazer gestão corrente. Já não tem nervo para reformar. A bem de Passos, de Portas, de António Costa e de toda a oposição, a bem do Presidente e, principalmente, a bem de todos nós, era bom que caísse o pano nesta peça que já se esgotou. »

(Manuel Carvalho; «O "fico" de Passos nem a ele convém» (in "Público", edição impressa de hoje). Destaques meus.

Claro que sim. Claro que não.

«(...)
A questão é: o primeiro-ministro devia demitir os três ministros? Claro que sim. Sucede que há uma questão antes desta questão. Que é esta: o primeiro-ministro tem condições para demitir os três ministros? Claro que não. Basta pensar nisto: quem seria o louco, ou a louca, que aceitaria ir para um Governo cuja alma se aproxima dos 21 gramas? O poder de recrutamento de Passos e Portas é igual a zero. Ou quem seria o louco, ou a louca, disposto a ficar com as pastas em aberto, somando sarilhos aos sarilhos?
Aconteça o que acontecer, resta esperar que o estertor se complete. É da natureza das coisas.(...)»
(Paulo Ferreira; "Quanto pesa a alma do Governo?". Na íntegra: aqui)

sábado, 25 de Outubro de 2014

"Patéticos" e "preguiçosos"


Não é que grande parte dos jornalistas da nossa praça não mereça os epítetos de "patéticos" e "preguiçosos" com que Passos Coelho resolveu brindá-los. Em todo o caso a acusação vinda da boca do suposto primeiro-ministro é um bom sinal, pois tem, de facto, o iniludível significado de que uma parte não despicienda da classe jornalística já deixou de acreditar nas patranhas do pantomineiro-mor e deixou de as reproduzir acriticamente em tudo o que é comunicação social. 
Já não era sem tempo!

Verdades como punhos #1

"Este Governo não tem uma ideia de país"

"A armadilha"

«(...)
O Orçamento do Estado para 2015 é um caso de estudo. Várias cenouras (ainda pequeninas, mas sugere-se que possam crescer) vão sendo lançadas a esses setores das classes médias: o quociente familiar, a ampliação das deduções à coleta, os vales de educação. Do outro lado da balança, há o corte de 700 milhões na despesa com educação e a redução em 100 milhões da verba destinada às prestações sociais não contributivas (complemento solidário, abono de família, rendimento mínimo, subsídio social de desemprego).

Claro que a punção fiscal continua de tal monta (aliás subindo!) que não será a atual maioria de direita a beneficiar desta brecha no apoio público ao Estado social. Seja por via dos combustíveis, ou do IMI, ou das taxas "verdes", ou do IRS, ou do preço da eletricidade, virtualmente nenhum setor das classes médias lucrará um par de euros. E estas são certamente das primeiras a dar-se conta dos truques e engodos do Orçamento, de que as rábulas da sobretaxa e da cláusula de salvaguarda são prova bastante.

Mas todos quantos, à direita ou à esquerda, desejam que Portugal continue alinhado com o modelo social europeu devem evitar cair na armadilha de pensar que um pouco menos de impostos seria justificação bastante para fragilizar ainda mais a rede social. Esse é o princípio do fim do contrato democrático.»
(Augusto Santos Silva. Na íntegra: aqui)

"Professor Kalango?"


(Imagem daqui)

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Homessa! Então não é normal tanta "asneira" junta?

Não é normal tanta asneira junta, acrescenta Henrique Monteiro, o autor do texto supra.
Pois, ao contrário de Monteiro, eu acho que os desastres enunciados são perfeitamente normais quando se trata de um governo supostamente liderado por indivíduo que além de incompetente é um pantomineiro.
Henrique Monteiro está, aliás, muito enganado quando admite que aqueles resultados podem ser devidos ao azar, a mau-olhado,  a feitiço, a bruxedo, ou feitiçaria. Está enganado e bem enganado, pois está à vista de quem tem olhos para ver que de um governo que não presta e que, se houvesse em Portugal um Presidente da República digno desse nome, nunca teria visto a luz do dia, não é de esperar outra coisa que não sejam desgraças. As acima enumeradas são apenas uma pequena amostra e de somenos importância, quando comparadas com as demais.
Henrique, tome nota e deixe-se de lérias. 


Conjugação do verbo falhar

«(...)
É sabido que o centro-direita há anos vinha clamando pela redução do peso do Estado, para poder baixar a carga fiscal e libertar meios adicionais para o investimento produtivo e para o crescimento mais forte da economia, quebrando o ciclo de década e meia de marasmo do produto.

Perante a exaustão, face aos financiadores externos, das fontes do financiamento público, em 2011, o volume real do PIB recuou uma década, o produto potencial caiu para pouco mais de zero e, ao fim de uma legislatura de forte austeridade sobre a população, não se vislumbra que os objetivos de mudanças de fundo na receita e na despesa públicas, inicialmente proclamados como essenciais pelo Governo atual, tenham sido alcançados.

Do lado da despesa, o que se pretendia era reduzir as despesas correntes das Administrações Públicas - bem como o investimento público - para mais do que compensar o agravamento da fatura dos juros da dívida. Decorreram quatro anos: o que nos indicam os números oficiais?

Em 2011, a despesa corrente pesava 43,1% do PIB; como os juros, então, só atingiam 3,6% do produto, a despesa corrente sem juros (a chamada despesa primária) chegava aos 39,5%.

É demais, é preciso cortar nas gorduras do Estado!, clamou-se em quase uníssono nos idos de 2011. Em 2015, fazendo as mesmas contas, constata-se que as despesas correntes pesam 44,6% do PIB, mas a fatura dos juros subiu para 4,9%. Conclusão: a despesa corrente primária, no próximo ano, representará 39,7% do PIB, 0,2 pontos percentuais a mais de 2011.

Se tivermos em conta que a despesa com pessoal ainda está reprimida com 80% dos cortes dos ordenados dos funcionários públicos, que se prolongam há 5 anos, não há dúvida: o objetivo de redução substancial da despesa do Estado (falava-se em diminuir a despesa corrente sem juros para a casa dos 33% do PIB!...) falhou.

Em contrapartida, a receita total passa dos 40,9% do PIB, em 2011, para os 44,6%, em 2015, com a parte de leão para o brutal agravamento fiscal sobre a classe média.

Exatamente o oposto do pretendido na última pugna eleitoral pelos vencedores de 2011. Estamos, nas próprias propostas orçamentais da maioria, perante uma realidade de pernas para o ar.»
(António Perez Metelo; "De pernas para o ar". Na íntegra: aqui. Destaques meus)

(Obs."Exactamente o oposto do pretendido" e "Exactamente o oposto do prometido" acrescento eu. Com ou sem acrescento, o texto António Perez Metelo só tem uma leitura: o actual governo falhou em toda a linha. Ou, como diria a outra: um "inconseguimento" completo. 

Foi v. quem prometeu um governo transparente?

Não foi certamente v. Quem fez essa promessa foi um tal Passos Coelho que, como se pode ver por esta amostra ("O Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF) denunciou hoje que o Governo ainda não publicou a lista dos contribuintes de IRC que usufruíram de benefícios fiscais em 2013, o que acontece pela terceira vez.") faz, uma vez mais, jus ao título de trampolineiro-mor. A senhora representada na imagem que, como ministra ddas Finanças, tinha e tem a obrigação de prestar as informações em causa, faz parte da mesma escola. Óbvio, não?

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Uma opinião do Catano!

Portugal ainda tem "uma margem razoável para aumentar impostos", diz este Katainen.
Uma opinião do Catano, digo eu.

Sem cabeça

Dizem as notícias que, hoje, na Assembleia da República, os ânimos se exaltaram, lá para os lados da maioria. Isto, porque, em resposta a uma provocação vinda da parte do líder do PSD,  o deputado do PEV, José Luís Ferreira, se lembrou de se dirigir aos deputados da maioria, recomendando:  "Metam lá [nas] vossas cabecitas que quem decide a intervenção dos Verdes são os Verdes."
Convenhamos que se justifica plenamente a indignação que perpassou pelos deputados da maioria. De facto falar em cabecita a quem tem dado provas de que não tem cabeça, é algo que não se faz. E muito menos no plenário da AR, onde o facto é particularmente visível.
(Imagem daqui

Como se prova, uma vez mais, que Passos tem conseguido "acertar em cheio"


O ministro Crato e a ministra Teixeira da Cruz têm concentrado, ultimamente, as atenções pelo caos que instalaram nos sectores que lhes estão confiados, Educação e Justiça, respectivamente.
É verdade que um e outra são inteiramente merecedores da atenção que lhes tem sido dispensada, porque os desastres por que são responsáveis têm uma tal dimensão que não é fácil encontrar situação paralela ou que se lhe assemelhe. 
A incidência das luzes sobre aqueles dois ministros não foi, no entanto, isenta de consequências. Teve, pelo menos, o efeito de fazer cair no olvido uma outra autêntica nulidade ministerial, a que dá pelo nome de Rui Machete. Se calhar, já pouca gente se lembra da deterioração das relações com Angola, no seguimento de declarações de Machete, que  no mínimo, terão de se considerar infelizes e impróprias de um diplomata.
Rui Machete, porém, insiste em permanecer na ribalta. Desta vez, para alcançar tal objectivo, não esteve com meias medidas. À falta de boas razões, lembrou-se de revelar informações sensíveis de segurança.
Perante  a "performance" de Machete à frente do ministério dos Negócios Estrangeiros, que outra conclusão se pode tirar que não seja a de que também no caso de Machete, Passos Coelho "acertou em cheio"?
(Imagem daqui)

Reforma ? Qual reforma?

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Crato e o teste da ubiquidade

(imagem daqui)
O caso do professor que já vai nas 104 colocações tem servido para demonstrar até extremos chegou o caos no ministério da Educação entregue por Passos Coelho a Nuno Crato. Muito acertadamente, segundo o próprio Coelho.
Há dois modos de encarar o desastre na colocação dos professores e as declarações de Passos Coelho em defesa do ministro da Educação: a sério ou a brincar.
Se levados os casos a sério, temos de convir que Coelho e Crato são, pelo mínimo dos mínimos, incompetentes. E em grau nunca visto, nos cargos que um e outro, respectivamente, ocupam. Aliás, as declarações de Passos Coelho confirmando a bondade da escolha do ministro Crato são de tal forma insensatas e incongruentes que fica a dúvida sobre se o fulano "tem os 5 alqueires bem medidos".
Como recuso encarar a história pelo lado sério, atentas as consequências, resta ver o caso pelo lado jocoso, impondo-se a conclusão, vistas as coisas deste modo, de que o caso do professor das 104 colocações é a prova de que o ministro Crato está a efectuar um teste sobre o dom da ubiquidade.
O único caso de ubiquidade de que tenho conhecimento é o de Santo António que apareceu em dois lugares ao mesmo tempo: a  pregar em Pádua e a livrar o pai da forca em Lisboa.
Crato, por certo, conhecedor de um tal exemplo, está, tudo o indica, a testar os limites da ubiquidade, para averiguar em quantos lugares é que uma pessoa pode estar ao mesmo tempo. De facto, só assim se explica que o professor em causa tenha inicialmente obtido umas modestas 75 colocações, e já vá, nesta altura, nos 104 lugares, tudo apontando, aliás,  para a hipótese de o número não ficar por aqui.
Alguém é capaz de imaginar o que acontecerá se o teste de Crato acabar por ser bem sucedido ?
Eu não sou  capaz de antecipar todas as consequências, mas não há dúvida de que, em tal caso, ele terá conseguido levar a bom termo a, por ele, muito falada implosão do ministério da Educação. Realmente, para quê todo um enorme ministério, se Crato, com um professor por disciplina e com um mínimo de gastos, resolve o problema da educação no país e, simultaneamente, a consolidação das contas públicas ?
Se o teste resultar, quem é que ainda se atreve a afirmar que Coelho, ao escolher Crato, não "acertou em cheio"?

E ele não será um ET?


"Quantos de nós querem dizer obrigado?"*

«(...)
Não se esperava que Durão (...) fosse capaz de mudar sozinho o rumo da Europa. A pancada foi demasiado violenta. Dizer que outro no seu lugar teria feito melhor é apenas especular. Mas o pecado que o agora cessante líder da Comissão Europeia diz não ter cometido - a submissão incondicional à austeridade - depressa passou de original a terminal. Na realidade, a cura injetada no soro do doente acabou por matá-lo. O sacrossanto Pacto de Estabilidade e Crescimento ficou-se pela metade. A da estabilidade.
Durão tem razão quando afirma ter conseguido evitar a bancarrota de alguns países europeus, entre eles o nosso. Mas essa, diria eu, não é propriamente uma medalha que alguém goste de ostentar na lapela. Em especial porque essa "vitória" teve uma consequência nefasta: mais de 26 milhões de desempregados e uma profunda crise social, que transformou os europeus do Sul em bandidos e os do Norte em fidalgos. À reiterada pergunta "como sair da crise?", a Europa de Durão Barroso não encontrou uma resposta satisfatória. A Alemanha puxa para um lado, a França e a Itália, a acordar do coma induzido, tentam puxar para outro. É certo que o euro sobreviveu para contar a história. Mas à custa de quê? E de quem?
(...)»
(Pedro Ivo CarvalhoGoodbye, au revoir, adeusinho. Na íntegra: aqui)

(* Eu não.)

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

" O algodão não engana"


Se na sociedade portuguesa existe, nos dias que correm, algum consenso,  é o que vai no sentido da defesa da realização de eleições legislativas, no segundo trimestre do próximo ano, consenso que é partilhado não apenas por todos os partidos da oposição, mas também por variadíssimas personalidades e entidades conotadas com a direita e que se explica, antes de mais, por considerações de bom senso. Com efeito, sabe-se hoje que o país só disporá de um orçamento aprovado e em condições de entrar em vigor no início de 2016, se as eleições legislativas forem realizadas antecipadamente, não havendo qualquer dúvida de que o interesse nacional reclama que assim suceda.
Tal consenso só não é partilhado por Passos Coelho e pelos seus "rapazes", por razões mais que óbvias e é, por outro lado, certo que se desconhece qual a posição de Cavaco Silva que é, nem mais nem menos, a entidade que pode tomar a decisão sobre o assunto.
Embora se não conheça a opinião de Cavaco sobre o tema, sabe-se, todavia, que faz parte da retórica do seu discurso a invocação do "superior interesse nacional" para justificar a sua actuação como presidente da República.
Não havendo, neste caso, atento o consenso generalizado, dúvidas sobre qual a decisão conforme com o interesse nacional, que, já vimos, vai no sentido da realização antecipada das eleições, é óbvio que Cavaco tem à sua frente um teste que tirará qualquer dúvida sobre o que ele entende por "superior interesse nacional".
De facto, se Cavaco não tomar qualquer iniciativa no sentido da realização antecipada das eleições, ficaremos a saber, sem margem para dúvidas, que, para Cavaco, o "superior interesse nacional" se confunde, ou com o seu interesse pessoal, ou com o interesse do seus correligionários. Com o interesse nacional propriamente dito é que nada tem a ver. Em "abono" de Cavaco sempre se poderá dizer que "simples interesse nacional" não é exactamente a mesma coisa que "superior interesse nacional".
Ironia à parte, repito que margem para dúvidas é que não há, porque se trata de um teste do tipo "o algodão não engana".
Não antecipo qual virá a ser a decisão de Cavaco perante este teste, a que ele não tem maneira de escapar, mas atrevo-me a adiantar que o teste é também a última oportunidade ao seu dispor para evitar que a sua saída do palácio de Belém se faça pela porta dos fundos.