Domingo, 12 de Julho de 2009

Quanto pior melhor ! (Take 2)

Afinal, o PCP não está isolado na estratégia de entregar à direita a governação do País. Francisco Louçã não encontrou melhor forma de responder ao apelo de Manuel Alegre dirigido às forças de esquerda, com vista à união de esforços para evitar a vitória dos partidos da direita nas próximas eleições legislativas, do que desencadear um novo ataque contra o PS. Aproveitando as palavras de Manuel Alegre, Louçã recusa, no entanto, qualquer ideia de unidade das forças de esquerda, afirmando-se convencido de que o Bloco de Esquerda é a força "capaz de provocar o sobressalto pedido pelo socialista Manuel Alegre para trazer responsabilidade à política e acabar com a crise de governabilidade de Portugal".
Não há dúvida que, com tamanha presunção e arrogância, o Bloco vai longe e a esquerda em geral, com tanta divisão, também.
Dê, pois, Louçã "o salto enorme" de que fala. E sozinho, já que assim prefere, sendo que também não haverá muitos interessados em saltar para o desconhecido. Falo por mim.

Sábado, 11 de Julho de 2009

Pandemia ou histeria ?

O surto de gripe A (H1N1) com origem no México tem originado uma tal quantidade de avisos e comunicados emitidos pelas autoridades sanitárias internacionais e nacionais que não posso deixar de confessar a minha perplexidade: a ser verdadeira a afirmação de que o vírus desta gripe não é especialmente virulento, nem causa de grande mortalidade (menor em todo o caso que a gripe vulgar) como compreender todo este alarme difundido pelas autoridades e pela comunicação social que vai ao ponto de contabilizar todo e qualquer caso de infecção pelo novo vírus? Será só porque é novo e a comunicação social vive da novidade ? Ou será antes porque, ao contrário de outras infecções bem mais mortíferas (como a malária e o paludismo, por exemplo), os países mais afectados não são os do chamado terceiro mundo?
E, continuando com as perguntas, como compreender que, perante o número restrito de casos de infecção confirmados em Portugal (86 até hoje) já se fale no encerramento de escolas, de creches e de empresas e se chegue ao ponto de sugerir que nas próximas eleições se evite a realização de comícios?
Por este caminho, onde nos levará tanto alarmismo? E a quem aproveita ?
Não sei a resposta a tanta pergunta, mas começo a pensar que pior que a gripe é toda a histeria entretanto desencadeada.
Adenda:

Universíadas: mais ouro para Sara Moreira !

Depois de ter vencido a prova dos 3.000 metros obstáculos, nas Universíadas-2009, a decorrer em Belgrado, Sara Moreira conquistou hoje a medalha de ouro na prova dos 5.000 metros.
Está Sara Moreira de parabéns e também Portugal que, com esta segunda medalha de ouro conquistada por Sara Moreira, passa a contar com cinco de medalhas nestas Universíadas: três de ouro (duas para Sara Moreira e uma para Nelson Évora, no triplo salto) e duas de bronze (uma para a judoca Ana Cachola e outra para Sónia Tavares, nos 100 metros).

"Sobressalto" à esquerda para evitar o perigo que vem da direita

As referências ao artigo de opinião de Manuel Alegre hoje publicado no "Expresso" salientam o apelo a uma mudança urgente de estilo, de políticas e de pessoas no PS e a um “sobressalto à esquerda” mas deixam no limbo as razões do apelo, como convém à direita e à imprensa que lhe apara o jogo.
Ora o artigo de Manuel Alegre está longe de se resumir ao pedido de mudanças no PS, ou ao apelo à esquerda. Se faz tais apelos é para denunciar o perigo que vem da direita e designadamente do PSD de MFL que, "na hora do colapso do neoliberalismo, (...) faz o discurso ultraliberal do Estado mínimo", e que "à força de tanto querer rasgar, acabará por rasgar o horizonte social do 25 de Abril", incluindo naturalmente "o SNS [que] será praticamente desmantelado".
Certo "jornalismo" (entre comas) quis ver no artigo de Alegre uma demarcação face ao PS. Ora, a intenção de Manuel Alegre, é bem outra e ele próprio se encarrega de tirar as dúvidas. Intitula o seu artigo com um "É Urgente Acordar" e finaliza-o com um alerta "Para que um dia destes não estejamos a perguntar-nos como é que se perdeu mais uma oportunidade e como é que um país maioritariamente de esquerda pode acabar uma vez mais a ser governado pela direita".
Com aplausos cá da Terra!

Uma flor de vez em quando # 6

Cardo-marítimo ou Cardo-rolador (Eryngium maritimum L.)
(clicando, amplia)

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Mais um programa para "rasgar" ?

O náufrago satisfeito !


Francisco Louçã, a propósito da "tempestade perfeita" expressão usada recentemente por José Sócrates para se referir às dificuldades por que passou o Governo (e o país) durante a actual legislatura, lembrou, com ar jocoso, que, no filme "Tempestade Perfeita", o navio naufraga.
Apesar das responsabilidades que também lhe cabem, no desenrolar da tormenta, Louçã não perde o seu ar de satisfação. Ainda bem: nada como um náufrago satisfeito, mesmo que suicida. Enquanto nos afogamos todos, ele ri-se. Valha-nos isso !
Numa "tempestade perfeita", um Louçã satisfeito é o exemplo do náufrago perfeito!
(Imagem daqui)

Por Terras de Ribacôa: Sabugal (II)

(1)

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(3)

(4)
Legenda:
1. Chafariz no Largo da Fonte construído em 1904 (projecto da autoria de José Maria de Mello Mattos, incluído no "Inquérito à Arquitectura do Século XX em Portugal;
2. Estátua junto do Palácio da Justiça;
3. Entrada nobre do antigo Solar dos Costa Fraião;
4. Pormenor da Torre do Relógio integrada na Cerca da Vila.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Política de Verdade !?

"Já alguém reparou que existe um deputado regional do PSD que vai ser candidato numa autarquia do norte da ilha [...]?"
(in Farpas da Madeira)

Nélson Évora: mais um grande salto!

Mais um grande salto para Nélson Évora e mais uma medalha de ouro no salto em comprimento, nas Universíadas, em Belgrado. Parabéns !

Tenham dó !

"Nós vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social, para que tenhamos resultados diferentes" (Manuela Ferreira Leite, em 25-06-2009)
Hoje: "Rasgar, ninguém vai rasgar nada".
O que ontem era "verdade", hoje já deixou de o ser. Amanhã como será ?
Isto é que é "política de verdade"?
Na verdade, não é, mas, insisto, a senhora não mente. Não sabe é o que diz .
Por favor, tenham dó!

Quanto pior melhor !

Jerónimo de Sousa afirmou hoje que a mudança política nacional é possível após a “estrondosa derrota” do PS e a “evidente erosão do Bloco Central”.
A mudança política apresenta-se, de facto, como possível, mas não passa pelo reforço do PCP (ou da CDU, que vem a dar no mesmo). Aí estão os resultados das eleições europeias para o comprovar, com o PCP a perder a posição de terceira força eleitoral em favor do BE. Como Jerónimo de Sousa não é cego, é lícito supor que nem ele acredita no seu discurso. Que não é cego, prova-o o facto de não se ter esquecido de mandar uma bicada ao Bloco de Esquerda.
Isto dito, convém reconhecer que Jerónimo de Sousa e o seu partido se mantêm fiéis à estratégia que vêm seguindo desde o início da legislatura, estratégia que passa pelo apoio (às vezes discreto, outras vezes, nem tanto) à actual liderança do PSD, a meu ver, a mais retrógrada de todas quantas este partido já conheceu. Isto, com o objectivo declarado de cilindrar a maioria do PS.
Os resultados das eleições europeias, com a vitória do PSD, confirmam que a estratégia tem sido bem sucedida. Se o PCP persiste em mantê-la é porque, para este partido, quanto pior melhor. O que se passou, recentemente, com a votação dos trabalhadores da Autoeuropa (influenciada, segundo foi noticiado, pelas orientações dadas pelo PCP aos seus militantes) é apenas mais um indício nesse sentido. Mesmo quando, como foi o caso, os primeiros prejudicados são os próprios trabalhadores !

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

E por que não uma comissão de inquérito ao negócio dos submarinos?

O CDS quer uma nova comissão de inquérito ao BPN e também ao BPP, contando, por certo, com outra composição da Assembleia da República, na próxima legislatura. Espero que as contas lhe saiam furadas, porque já se viu que o que motiva Paulo Portas é o seu ódio de estimação dirigido contra o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.
Mas já que Paulo Portas tanto gosta de se entreter com comissões de inquérito, dou-lhe uma dica: que tal uma comissão de inquérito ao negócio dos submarinos?
Aproveite!

Arte pública em Almada (12)


(Pormenor)

Título: "Emissor-receptor de ondas poéticas" - Homenagem a Pablo Neruda;
Escultor: José Aurélio;
Ano: 2005
Local: Arriba Fóssil - Capuchos - Costa da Caparica

O Império do Meio, no meio da confusão

China: milhares de militares em Urumqi para pôr fim aos conflitos inter-étnicos

Ele sabe-a toda !

Não é só o Ministério da Educação que sabe tudo, como afirma José Manuel Fernandes, director do "Público", hoje, em editorial. Ele também sabe tudo. Mais, sabe-a toda!

Pode lá ser ?

PSD poderá ter recebido um milhão de euros em negócios de luvas
Verdade ? Pode lá ser?

Novas sobre o "abalozinho"

A economia da zona euro sofreu uma contracção de 2,5 por cento no primeiro trimestre de 2009, face ao anterior, registando a maior queda desde 1995, indicou hoje o Eurostat.
O "abalozinho" de Manuela Ferreira Leite, a senhora da "política de verdade", dá nisto !

Não lembrava ao careca...

"O Ministério da Educação explica sempre tudo. E não tem culpa de nada". É o director do "Público" quem o afirma, fazendo, por interposto ministério, um retrato de si próprio, sendo que, no caso a que se refere, até tem razão. Na verdade, atribuir a responsabilidade pela baixa a Matemática à comunicação social, não lembrava ao careca!

Silly season

A silly season, este ano, começou mais cedo ?
Sim, porque tratar os partidos e o Governo como irresponsáveis traquinas não lembrava ao diabo !

Postais de Verão (I)

Convento dos Capuchos (Arriba Fóssil - Costa da Caparica - Almada)
(Clicar sobre a imagem, amplia)

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Avifauna portuguesa # 59 : Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus)

Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus L.)
(Local e data da captação da imagem: Costa da Caparica; 05-07-2009)
(Clicar sobre a imagem, amplia)

Facilitismo um tanto exagerado !

Segundo dados hoje divulgados pelo Ministério da Educação, a média do exame nacional de Matemática A, 12.º ano, desceu de 12,5 para 10 valores, tendo mais do que duplicado a taxa de reprovação à disciplina, sendo que 13 exames registaram este ano piores médias, 12 melhoraram e dois mantiveram exactamente a mesma média.
Temos pois que as notícias vindas a lume, aquando da realização destes exames, sobre o alegado facilitismo das provas era francamente exagerado e, afinal, a alegada preocupação de trabalhar para as estatísticas, desta vez não resistiu à prova dos factos. Quando a agenda de alguns meios de comunicação social não é informar, mas distorcer, dá nisto.
Razão tinha o examinando que, na altura, disse “Era fácil para alunos que estudaram”. O resto, como se vê, é treta !

Obscenidades

Que haja uns quantos milhares dispostos a passar horas à espera da apresentação de Cristiano Ronaldo no estádio Santiago Bernabéu é prova de imbecilidade. Agora que as televisões dediquem horas e horas ao assunto transferência de CR para o Real Madrid, com transmissões em directo, antes e depois da apresentação, a falar de coisa nenhuma, eis a perfeita imagem de um serviço público a criar imbecis. Uma completa obscenidade, digo eu.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Os comboios da Drª Manuela

"Não sou a maluquinha dos comboios"(M.Ferreira Leite dixit). Verdade ?
(Clicando, amplia)

Domingo, 5 de Julho de 2009

Avifauna portuguesa # 58 : Pintassilgo (Carduelis carduelis)

Pintassilgo (Carduelis carduelis L.)
(Depois da atribuição do prémio Lemniscata, um outro prémio para os visitantes. Que bem merecem.)
(Clicando, a imagem amplia)

Sábado, 4 de Julho de 2009

Prémio LEMNISCATA


Um prémio, ainda que imerecido, como é o caso, não se recusa. Justifica sim um duplo agradecimento: pelo prémio em si e pela gentileza de quem o atribuiu. Agradecimentos que, neste caso, vão para o Carlos Santos Professor de Economia e Analista de Política Internacional e também autor de O Valor das Ideias que entendeu contemplar o "Terra dos Espantos" com o "Prémio Lemniscata", atribuição só explicada por um momento de grande generosidade por parte do Carlos Santos, ele sim mais que merecedor de tal distinção, dada a excepcional finura das suas análises e comentários, designadamente, em matéria de economia e política.
De acordo com os usos, cabe-me explicar o significado do prémio e atribuir o prémio a sete blogues.
Socorro-me da fonte:
“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
"LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
"Lemniscato: ornado de fitas. Do grego Lemniskos; do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores"
Importa acrescentar "que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente"

E, sem mais considerandos, mesmo correndo o risco (apesar da pesquisa feita) de estar a premiar que já antes o foi, passo à designação dos 7 blogues que considero merecedores da distinção e que são:

E o que temos nós a ver com isso ?

Sarah Palin abandona a governação do Alasca
E o que temos nós a ver com isso ?
Sarah Palin, por muito que custe aos conservadores de lá e de cá, já não é notícia.
Graças a Zeus !

Indignações selectivas

Não contesto o direito do Presidente da República de juntar a sua voz (como se lê aqui) ao coro dos indignados com o comportamento do ex-ministro da Economia no debate do Estado da Nação, até porque também alinhei nesse coro .
O que não lhe reconheço é autoridade política (ou moral que para o caso tanto faz) para se pronunciar sobre este caso quando é verdade que não é primeira vez que se assiste no plenário da Assembleia da República à prática de actos tanto ou mais indecorosos e sempre sem qualquer reparo de Sua Excelência. Cita-se aqui, por ser um caso extremo, o do deputado do PSD que, dirigindo-se a um seu par da bancada do PS o mandou repetidas vezes " para o c.....".
E menos autoridade lhe pode ser reconhecida quando é sabido que nunca se ouviu da sua parte a mais leve censura dirigida ao desbocado presidente do Governo Regional da Madeira que passa a vida a insultar, com a terminologia mais soez, todos quantos se lhe opõem, incluindo o primeiro-ministro e, sendo caso disso, até o "senhor Silva". Em relação àquele, o comportamento do PR é ainda mais censurável politicamente, pois ao visitar, há tempos, a região Autónoma da Madeira não só silenciou qualquer reparo a A.J.J. como, em boa verdade, até deu cobertura aos sucessivos desmandos daquele, ao sujeitar-se a não ser recebido na Assembleia Regional, por imposição do "napoleãozinho" madeirense e ao comprometer-se com os rasgados e perfeitamente descabidos elogios que, na ocasião, lhe fez.
Concluo: lamentavelmente, na minha óptica, o PR, de há uns tempos para cá, vem agindo, não como Chefe de Estado, mas como chefe de claque. A opção é dele, mas não é sem consequências: Como chefe de claque dificilmente se aguenta no pedestal!

Política de Verdade não é cartaz: é assim !

Entrevista a Teixeira dos Santos, ministro das Finanças ao Diga Lá, Excelência conduzida por Paulo Ferreira (PÚBLICO) e Francisco Sarsfield Cabral (RR):
P. "Vai acumular a pasta da Economia. Imagino que, a dois meses do fim da legislatura, não faça grandes alterações. Vai, inclusivamente, manter os secretários de Estado.
R. Dada a necessidade de fazer esta mudança no Governo, a nossa preocupação central é assegurar a continuidade da política seguida na Economia. A melhor forma para isso é a manutenção dos secretários de Estado.
P. Há algum dossier prioritário?
R. A maior prioridade é acompanhar a evoução das empresas, enfrentando a crise internacional e as dificuldades que ela tem provocado. A prioridade é manter no terreno os mecanismos criados para as apoiar, ajudando à actividade e à manutenção do emprego. Há outras áreas fundamentais, como prosseguir com uma política inovadora de reforço das energias renováveis, que é uma das marcas deste Governo. O sector do turismo também é fundamental, onde houve um esforço grande de promover um turismo de maior qualidade. E também o sector exportador, que é fundamental para nossa economia e deve ser o motor do crescimento. A curto e médio prazo temos que focar aí as nossas atenções, porque é da dinâmica dele que vai depender o nosso crescimento.
P. O que o levou a dizer há dias que estávamos no princípio do fim da crise?
R. Temos de facto sinais positivos, não só internos como internacionais. Vejam, por exemplo, a primeira página da edição de quinta-feira do Financial Times. Isto é importante, é um sinal positivo para nós, uma vez que dependemos da recuperação internacional. Os indicadores internos revelam também uma melhoria da confiança. Eu recordo que antes desta crise se precipitar os indicadores de confiança começaram a antecipá-la, foram indicadores avançados. Agora, se esses mesmos indicadores estão a mostrar uma inversão, temos que tomar ilações semelhantes. Tive o cuidado, quando fiz essas declarações, de utilizar uma linguagem muito cautelosa. Disse que o contexto de incerteza se mantém, e que assim como no passado foi difícil prever a profundidade desta crise, agora também é difícil prever o que vem a seguir. Mas que estes sinais são positivos. É importante que as pessoas percebam que esta crise não vai durar sempre e que os sinais que vão surgindo indiciarão, porventura, que estamos a entrar numa fase em que a crise se dissipará. Mas atenção: os efeitos da crise ainda se vão fazer sentir. Não é o fim da crise, é eventualmente o princípio do fim, mas nós vamos ainda, durante algum tempo, sentir esse ciclo.
P. Além dessa crise internacional há também a crise estrutural portuguesa, que vem de trás e da qual o Governo não fala.
R. O Governo não tem falado só da crise internacional, mas é preciso ver o que se passa lá fora. Olhem para os indicadores divulgados há dias pela OCDE. Os 30 países da OCDE, sem excepção, têm taxas de crescimento negativas em 2009 e verão o desemprego aumentar de 2008 para 2009 e excepto um (a Noruega) têm défices e todos excepto um (a Islândia) agravam o saldo orçamental.Nós não escondemos os efeitos desta crise em Portugal. Há uma quebra da produção, há o aumento do desemprego, são dificuldades no dia-a-dia dos portugueses. Não ignoramos nem escondemos e por isso temos vindo a intervir no sentido de atenuar os seus efeitos.
P. A questão está na crise interna portuguesa que já existia no momento zero da crise internacional. O crescimento em 2007 e 2008 já era anémico e o Governo não iria cumprir a meta de crescimento potencial do PIB de três por cento, nem a criação de 150 mil postos de trabalho.
R. Havia uma crise de crescimento em Portugal desde 2002. Quando o Governo iniciou funções em 2005 o crescimento era praticamente nulo e no último trimestre de 2007 era de dois por cento. E o emprego criado na economia até finais de 2007 andou na ordem dos 130 mil postos de trabalho. Foi iniciada uma dinâmica de recuperação do crescimento, do emprego e das exportações. O peso das exportações no produto aumentou entre 2005 e 2007 de 29 por cento para 32 por cento. Houve uma dinâmica que foi iniciada na nossa economia que era positiva.
P. Mas era pequena
R. Não há milagres. Não é num ano ou dois... O crescimento e o emprego estavam a melhorar de ano para ano. Havia uma dinâmica que foi interrompida pela crise. Mas não confundamos isto com os chamados desequilíbrios que não são de agora. Alguns terão até 20 ou mais anos. Temos um desequilíbrio crónico da nossa balança comercial há muitos anos. Também não podemos pensar que, com a resolução da conjuntura actual, vamos ao mesmo tempo resolver os nossos problemas estruturais. Não. Temos é tido a preocupação que as medidas de ataque à crise nos auxiliem a enfrentar os desequilíbrios estruturais.
P. A questão é essa. Agora que recuperámos o GPS da crise internacional, como vai estar estruturalmente a economia portuguesa quando ela passar. Vamos estar melhor ou pior do que em 2007?
R. Os desafios estruturais serão análogos aos que tínhamos antes da crise. Estaremos, com certeza, afectados por ela como todos os países da OCDE. Todos estaremos com situações de partida que são mais exigentes no combate aos reequilíbrios do que eram há uns anos. Isso é um fenómeno generalizado, é uma consequência inevitável.Temos é que identificar os problemas e as soluções correctas. São essencialmente problemas de competitividade. Temos que apostar no crescimento económico. Vamos precisar, depois da crise, de corrigir novamente as contas públicas. Já fizemos algo de muito importante que nos ajuda nessa tarefa, como a reforma da administração pública, que tem efeitos de médio e longo prazo. Essa correcção combate-se com políticas orçamentais, mas também com mais crescimento. E no caso português isso quer dizer mais exportação. Somos um país periférico e para isso temos que reduzir a distância económica relativamente aos mercados mundiais e isso faz-se tendo bons transportes, boas comunicações, boas ligações por ar, mar e terra e por banda larga.
P. Não está a dizer que a solução para isso é o TGV
R. Estou a dizer que todos os projectos que beneficiem a inserção de Portugal nas rotas comerciais, que reduzam a distância económica para os outros mercados...
P. O TGV, por exemplo?
R. Eu acredito que a ligação de Portugal à rede de TGV europeia é importante para nós podermos aumentar a competitividade da nossa economia.
P. Não é mais importante uma rede de transporte de mercadorias a partir de Sines?
R. Com certeza, passa também por isso, por essa ligação. Dou-lhe um exemplo: o Reino Unido, que é tão cioso da sua insularidade, fez questão de se ligar à rede europeia e fez um canal por baixo do canal da Mancha......
P. que é um descalabro financeiro.
R. Não estou a avaliar o projecto concreto em si. Eu penso que nós não teremos que suportar custos dessa natureza. Quero é com isto simbolizar esta necessidade de estarmos inseridos nas redes europeias.A questão é saber se é a falta dessas infra-estruturas a principal razão dos nossos problemas estruturais ou se eles radicam de forma mais grave noutros factores que penalizam a produtividade.Também estamos a atacar isso com uma série de medidas que me parecem importantes no reforço do nosso sistema educativo ou da formação profissional. Os indicadores já estão a aparecer, mas este é um trabalho de gerações.
P. Este ano estamos com uma quebra forte das receitas fiscais, da ordem dos 20 por cento, muito acima da quebra nominal da economia. Como é que se explica isto?
R. Tem a ver com a elasticidade da receita que ocorre quando há a contracção da economia. Estamos a acelerar os reembolsos dos vários impostos, do IVA para auxiliar as empresas e do IRS para ajudar as famílias. Até finais de Junho reembolsámos mais 830 milhões de euros do que no mesmo período do ano passado e isso reflecte-se nas contas.
P. Mas tem também a ver com medidas estruturais, que ficam, como a redução em um ponto do IVA ou do Pagamento Especial por Conta. Mas está a ver algum aligeiramento das cobranças por parte do fisco às empresas por causa da crise?
R. Não. Devemos manter a linha de exigência no cumprimento das obrigações fiscais. Esse foi um ganho estrutural nos últimos anos. Vivemos durante muitos anos com a complacência o incumprimento das obrigações fiscais. Isso prejudicou muito a equidade do sistema económico e financeiro. O fisco deve manter o nível de exigência e quando há dificuldades temos mecanismos legais previstos para as enfrentar e serão usados. Não há uma orientação política para relaxarmos um pouco. Não há. E as empresas têm que se habituar a isso, porque é um factor de reforço da competitividade e da concorrência. Isso é concorrência desleal.
P. A OCDE prevê para Portugal, este ano e para o próximo, um défice orçamental de 6,5 por cento do PIB. Dá ideia que voltamos ao ponto em que estávamos há cinco anos.
R. Não, essa é uma leitura da qual discordo. É simplista. Uma coisa é ter um défice na casa dos seis por cento quando a economia cresce ou cresce pouco. Outra coisa é tê-lo nesta conjuntura. Agora temos uma crise com a Europa a cair entre quatro e 4,5 por cento. Mas mesmo assim, a nossa previsão é de um défice de 5,9 por cento mas numa conjuntura em que a receita fiscal caiu de forma significativa por causa disso e onde há um esforço considerável de despesa adicional para lutar contra a crise. Agora a situação é diferente, porque temos factores estruturais que nos defendem.
P. Como por exemplo?
R. Por exemplo, a contenção e a disciplina das despesas com pessoal e com as pensões, graças às reformas que foram feitas. As despesas com pessoal baixaram o seu peso no PIB em 1,6 pontos percentuais entre 2005 e 2008.
P. Isso foi feito com congelamento de salários.
R. Os salários aumentaram 2,9 por cento.
P. Mas isso foi este ano, até 2008 estiveram congelados.
R. Mas este ano vamos manter o peso das despesas com pessoal no PIB.
P. Está satisfeito com os resultados da reforma da administração pública?
R. Estou e essa é uma reforma que vai continuar. Nunca se reduziu em 50 mil o número de funcionários públicos, como agora. Diga-me outra altura em que isto foi feito. Nunca tivemos um governo capaz de fazer uma redução destas. Diga-me outra altura em que reduzimos o peso das despesas com pessoal em 1,6 pontos do PIB. Estávamos bem acima da média europeia e agora já estamos ligeiramente abaixo da média. Portanto, não diga que a reforma da administração pública não funcionou.
P. Estou só a olhar para os objectivos do Governo, que era reduzir 75 mil funcionários públicos e a redução foi de apenas 50 mil.
R. Essa de apontar com 75 mil de objectivo é querer menorizar o que foi conseguido. Sim, senhor, foram só 50 mil. Mas isso é caso para dizer que não foi um bom resultado? Não me parece.
P. Na mobilidade especial temos cerca de três mil funcionários. Não é muito pouco, passados quatro anos?
R. É o maior quadro de mobilidade que alguma vez existiu na nossa administração pública. Mas isso é o número de funcionários que estão parados num processo de mobilidade. Porque a mobilidade existe e tem ocorrido. Há funcionários a movimentarem-se de uns departamentos e ministérios para outros. E muitas vezes quando precisamos de funcionários abrimos concursos internos e não externos.Mas a reforma da administração pública não deve estar circunscrita a uma visão quantitativa. Há reformas importantes como os mecanismos de avaliação de desempenho, porque temos que incentivar e reconhecer o mérito. Temos que dar prémios e fazer com que as pessoas progridam em função do desempenho. Não está inteiramente feita? Não. Tem que mudar a cultura de toda a gente. Estão lançadas as bases para uma gestão eficiente, que estimule os funcionários e que preste um bom serviço aos utentes.
P. Há dias o secretário de Estado da Administração Pública disse que não precisamos de reduzir mais o número de funcionários. Concorda?
R. Sim, mas ele disse também que a regra do "dois por um" [só entra um funcionário por cada dois que saem] se mantém.
P. Então a ideia é continuar a reduzir o número de funcionários.
R. Claro. O que o secretário de Estado quis sinalizar é que não temos que fazer aqui um esforço de ter uma grande acção para provocar uma saída maciça de funcionários da administração. Há três anos o PSD disse que tínhamos que pôr 200 mil funcionários na rua. O PSD defendeu isso. Nós recusámos. Reduzimos 50 mil e queremos manter a regra do "dois por um" que nos permite gradualmente reduzir sem termos que recorrer a despedimentos e criar problemas sociais desnecessários.
P. Está em condições de garantir o cumprimento do défice orçamental de 5,9 por cento do PIB no final deste ano?
R. Estou. A informação da execução orçamental do mês de Junho mostra que a despesa está sob controlo, com um grau de execução de 47,7 por cento. Estamos abaixo do padrão de segurança de 50 por cento. E a receita, apesar da quebra, está a evoluir com o perfil previsto no início do ano. Não vejo neste momento sinais de risco que comprometam a meta.
P. Quanto vai custar a privatização do BPN aos contribuintes?
R. Em boa verdade, não é possível neste momento estar a apontar um número. Não me compete criar ilusões aos portugueses. Esta operação poderá implicar custos para o erário público, mas que ficam muito abaixo daquilo que suportaríamos se deixássemos o banco ir à falência. Isso seria devastador para o sistema financeiro, para a economia em geral, e até para muitos contribuintes que podiam ver em causa os dinheiros que têm nos bancos. Quanto ao valor concreto, já está em marcha um processo de alienação da instituição, há um processo de racionalização e há uma conjuntura de mercados financeiros que neste momento está a dar sinais de melhoria. A redução das perdas também depende disso e da evolução do mercado. Daí eu não poder dizer qual é o valor.
P. Há interessados na compra do BPN?
R. Há interessados, portugueses e estrangeiros. Não quero dizer mais nada porque estas matérias têm que ser acompanhadas com discrição para não comprometer o sucesso e as condições da negociação. Uma vez chegados a resultados, é então altura de prestar contas e dar toda a informação, porque isto pode implicar um custo para os portugueses e eles têm todo o direito de saber."

Em boa hora !

Paulo Pedroso já havia anunciado, há tempos, que seria exclusivamente candidato pelo PS à presidência à Câmara de Almada. Agora é o PS que, a nível nacional, toma a decisão de excluir as duplas candidaturas socialistas a câmaras e ao Parlamento.
Em boa hora!
Digo em boa hora, porque me parece que tais decisões vão no bom sentido. Não tanto por razões de simples transparência (a este propósito frequentemente invocada) mas antes por entender que o exercício da actividade política deve ser encarado como um serviço prestado ao país ou às comunidades locais e não como um meio de assegurar uma carreira. A exclusão das duplas candidaturas vai nesse sentido e, sendo assim, também a tomada destas decisões pode contribuir para a dignificação dos que aceitam desempenhar funções políticas. Muitas vezes com sacrifício pessoal, facto que, todavia, é frequentemente esquecido ou propositadamente ignorado.

Observação dos dias (X)

Flor de Almeirão (Cichorium intybus L.)

"Não há bela sem senão" ou de como o belo pode ser amargo!
(Clicando sobre a imagem amplia)

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

A obsessão da Drª Manuela

Que Manuela Ferreira Leite vive obcecada com o endividamento do país, já era claro, desde que são conhecidas as suas afirmações: "pára tudo" e "não há dinheiro para nada". Se algumas dúvidas subsistiam, foram todas elas removidas com a entrevista dada à SIC, conduzida, há dias, pela Ana Lourenço, onde a senhora passou o tempo todo a tropeçar na malfadada palavra "endividamento".
Eu que sou insuspeito de simpatia pela senhora, neste caso, até a compreendo. Quem, como ela, enquanto ministra das finanças, conseguiu desbaratar, à conta do Estado, 11.185.000.000,00 € (onze mil cento e oitenta e cinco de milhões de euros!) em apenas dois negócios (venda à PT por 365.000.000,00€ da rede fixa avaliada em 2.300.000.000,00€ e cedência ao Citigroup de 11.000.000.000,00€ de créditos fiscais por apenas 1.75o.000.000,00€) é natural que viva perturbada e tenha pesadelos.
Não obstante a minha muita compreensão pela sua obsessão, certo é que esta é uma doença, que, como qualquer outra merece e deve ser tratada. Até, porque, neste caso, a doença pode vir a tornar-se um gravíssimo problema nacional. Que, por isso mesmo, há que evitar a todo o custo !
Não garanto que, no caso dela, o tratamento resulte, mas, tentar, sempre é melhor que nada e mal não faz.

Um imenso vazio

Quando Manuela Ferreira Leite afirma que "rasga tudo" e "muda tudo", sem dizer ao que vem, nem que propostas tem, revela que na sua cabeça não existe outra coisa que não seja um imenso vazio.
"Nós precisamos é de construir”, como muito bem disse a ministra da educação em comentário às declarações de MFL sobre educação. E eu acrescentaria: se MFL quer tudo destruir, o melhor mesmo é dedicar-se ao ramo das demolições. Duvido é que ela até para isso tenha jeito e capacidade.

T'arrenego

Pedro Passos Coelho, ao contrário de Santana Lopes, não se curvou perante a generala, nem se coibiu de continuar a manifestar as suas próprias opiniões, depois da derrota, às mãos de Manuela Ferreira Leite, nas últimas eleições para os órgãos do PSD. Aí tem a paga: Pedro Passos Coelho, não vai constar na lista final aprovada por Manuela Ferreira Leite .
Já se sabia que o conceito de democracia de MFL não dá para muito mais. E também não era novidade que o pluralismo e a liberdade de opinião, no interior do PSD, já tinham conhecido melhores dias. Confirma-se.

Maria João Pires

Maria João Pires renuncia à nacionalidade portuguesa.
Portugal é pequeno para tão grande "ego" ! Limito-me a constatar.

Um bom ministro !

O gesto do ex-ministro Manuel Pinho, durante o debate sobre o Estado da Nação, que ontem teve lugar, é altamente censurável e ele próprio teve consciência disso, pois, de imediato, pediu a demissão, já aceite pelo primeiro-ministro José Sócrates.
Saúda-se a atitude de um e de outro, pois de um erro ninguém está livre. Persistir no erro (mantendo-se o ministro em funções) é que seria grave. Manuel Pinho errou e pagou com a sua demissão. Ponto final.
Questão diversa é a de saber se, afinal, Manuel Pinho foi ou não um bom ministro.
Uma primeira resposta encontra-se aqui onde adversários políticos, como Eduardo Catróga (que lamentou o que aconteceu, considerando que Manuel Pinho merecia chegar ao final do mandato, afirmando: «Sei que foi uma figura controversa pelo seu estilo», mas trata-se também de «uma pessoa com capacidades e ideias») ou como o economista João César das Neves (que considerou que esta demissão é «muito lamentável» e má para a economia portuguesa, porque o ministro – que era «importante» e «influente» - tinha um «conjunto de problemas em mãos»).
Eu não vou fora destas opiniões e socorro-me não só da obra feita, sobretudo na área das energias renováveis (a que o seu nome vai ficar ligado) mas também (por muito circunstancial que tal possa ser considerado) à entrevista por ele dada à SIC, onde mostrou grande serenidade, atitude que não está ao alcance de um qualquer. Acho eu que, em circunstâncias menos adversas, já vi muito boa gente perder as estribeiras. Portou-se como um homem e, pelo menos, por isso, está de parabéns.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

As mordaças de Rangel

O debate sobre o Estado da Nação ficou marcado por dois factos gravíssimos: um que mereceu amplo destaque por tudo quanto é comunicação social e também por parte da blogosfera - o gesto de Manuel Pinho. Tal gesto teve na hora a sanção merecida (como aqui se sugeriu): Manuel Pinho já não é ministro da Economia.
O outro, a que atribuo não menor importância, foi o ataque lançado pelo deputado Rangel contra Henrique Granadeiro por este ter vindo a público lembrar "as tentativas de intervenção do governo PSD na Lusomundo Media que levaram à [sua] demissão" e recordar "que foi um executivo social-democrata (era Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças) que obrigou a PT a comprar a rede telefónica fixa, que pertencia ao Estado, para realizar receitas extraordinárias que permitissem equilibrar o défice das contas públicas".
Factos são factos e as palavras de Henrique Granadeiro serviram para provar que a "política de verdade" que o PSD proclama é, de facto uma política de hipocrisia. Nesse sentido prestou um excelente serviço ao país !
Isto digo eu, que aceito também que Rangel e o seu partido não tenham apreciado particularmente as declarações de Henrique Granadeiro, pondo a claro a inconsistência do discurso sobre a verdade de Manuela Ferreira Leite (e não só).
Aceito isto, mas já não aceito que Rangel se atribua a prerrogativa de, usando a tribuna da Assembleia da República, vir atacar um cidadão português que deu a conhecer ou recordou factos de que ele próprio tem conhecimento, fazendo-o no pleno uso do seu direito de cidadania.
Já se sabia, pelas palavras de Manuela Ferreira Leite que, para o PSD, (ou, ao menos, para ela) a democracia tem dias (nos meses em que não se suspende). Com Rangel ficamos também a saber que, para o PSD, (ou, ao menos, para ele) a liberdade de expressão é relativa. Pelos vistos, na óptica rangeliana, nem todos os cidadãos deste país têm o direito de se exprimir livremente. Nem mesmo quando as afirmações produzidas correspondem à verdade, como foi o caso. (Por muito que MFL desminta, os documentos vindos a público não deixam dúvidas sobre isso. E isso é que lhes dói !)
Este episódio faz-me recordar um outro anterior em que Rangel falou em mordaças, não se percebendo a que propósito, pois mordaça o cavalheiro não usa. O ataque a Henrique Granadeiro (repito: desencadeado a partir da tribuna da Assembleia da República, tal a sua importância) lança finalmente luz sobre a questão. Rangel falava do que sabe: quem tem as mordaças, pelos vistos, é ele!
Espero, sinceramente, que nunca, mas nunca na vida, a rangeliana figura tenha a oportunidade de as usar. Nem a ousadia, porque, seguramente, teria resposta pronta por parte dos que prezam a liberdade a todo o custo. Somos muitos e chegamos para ele !

A senhora rasga tudo !

Rasga tudo e muda tudo ! Nas políticas sociais e económicas, já sabíamos. Ficamos hoje a saber que também na educação!
Com a "revolucionária" Manuela Ferreira Leite (melhor diria, reacionária) não iria ficar pedra sobre pedra. Pelos vistos.
Tremam todos! E D. Afonso Henriques, fundador da nacionalidade a repousar na Igreja de Santa Cruz, que se cuide !
A venerável figura rasga tudo e muda tudo. Muito bem!
E o que faz ? Eis o que nos interessava saber! Todavia, sobre isso, o silêncio de MFL, é de regra. E porquê ? Porque, com toda a certeza, nem ela faz ideia !

Rua !

Vi o gesto de Manuel Pinho durante o debate sobre o Estado da Nação, na Assembleia da República não sabendo, na altura, a quem era dirigido. Sei agora que Manuel Pinho, ao colocar os dedos indicadores na testa, a imitar chifres, se dirigia a Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP. Fosse dirigido a quem fosse, o gesto é indecoroso e impróprio de um ministro a ocupar a bancada do Governo no Parlamento. E inadmissível. A Sócrates não resta, pois, outra alternativa que não seja demiti-lo. Hoje mesmo.
Adenda:
Foi dito e feito: Manuel Pinho já pediu a demissão e esta já foi aceite pelo primeiro-ministro. Feita justiça, mãos à obra !

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Os negócios da Drª Manuela

A PT pagou 365 milhões, por um activo que avaliou, à data, em 2,3 mil milhões de euros. "Vendeu-se a rede fixa por um sexto do seu valor", acusou na altura a Sonaecom, que se manifestou "perplexa" com todo o negócio. (Em 2002).
"No ano seguinte, [o limite do défice] foi igualmente respeitado graças a um outro negócio muito controverso com a assinatura de Ferreira Leite: a cedência de 11 mil milhões de dívidas fiscais que o Estado tinha a seu favor ao Citigroup. O governo de Durão Barroso vendeu estes 11 mil milhões por 1,75 mil milhões."
Que belos negócios, faz a Drª Manuela !

Cenas da vida animal (I)

(Cobra prestes a devorar uma rã da espécie Rana ridibunda)
(As minhas desculpas pela crueza da imagem, mas ... é a vida. E é mesmo !)
(Clicando, a imagem amplia)

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Que grande confusão vai naquela cabeça !


A transcrição é longa, mas vale a pena! Manuela Ferreira Leite não mente, nem tão pouco "falta à verdade". O que acontece é que vai uma grande confusão na naquela cabeça !

"Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite"

Não vejo razão para Henrique Granadeiro se mostrar tão espantado com as declarações de Manuela Ferreira Leite (MFL) a propósito do caso da entrada da PT na Media Capital, pois "coerência" entre o que o diz e o que faz, não é propriamente o que se pode esperar de MFL (autora da afirmação em título). Afirmação, que, só por si, prova que a independência da comunicação social não está entre as suas preocupações. Em geral e no caso em questão. Bem pelo contrário.
Por isso, mais espantado fico eu com o "carinho" que agora a comunicação social lhe dispensa. Chego a pensar que os jornalistas gostam de ser domesticados. E a verdade é que a senhora até já tem domador de serviço e arena. Pacheco Pereira é o domador. A arena é a SIC.
Adenda:
A "lata" da senhora: Se o PSD fez mal, não devia ter feito. Calma aí que a questão não é tão simples, nem o assunto fica assim arrumado. A senhora não está no confessionário para confessar os pecados e sair de alma limpa. Até porque, pela amostra, o "arrependimento" não é nenhum !

Avifauna portuguesa # 57 : Cia (Emberiza cia)

[Cia ou Escrevedeira-de-garganta-cinzenta (Emberiza cia L.)]

(Local e data da obtenção da imagem: Termas do Cró - Rapoula do Côa - Sabugal; 30-05-2009)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

O Grande Educador da Classe ... Jornalística

Já sabemos ao que vem o novo programa, pois Pacheco Pereira até não pretende enganar ninguém. Ele próprio afirma que "é um programa de opinião sobre aquilo que nos faz ter opinião: a comunicação social, os media, os jornais, as rádios, os blogues, os livros, a televisão” e antecipa que o programa "não tem a preocupação de ser equilibrado nem isento e não será muitas vezes justo”.
Sendo assim, estamos todos de parabéns: os jornalistas que passam a ter um "Grande Educador"; a SIC que, com o Mário Crespo, só tinha um "momento Moura Guedes" e, agora com Pacheco, duplica a dose; e nós todos que vamos ter oportunidade de comprovar até onde chega o "índice de situacionismo" à moda de Pacheco e o seu descaramento.
Tendo em conta as suas próprias palavras, a "coisa" promete!
Post Scriptum:
Ao elaborar este comentário, as novas de que dispunha sobre o novo programa de Pacheco Pereira eram as da notícia para que remete o link supra. Posteriormente, venho a saber que, afinal, o programa já teve, ontem, uma primeira edição. O resumo de algumas opiniões sobre a première pode ser visto aqui.

Não disse o que disse .

O Presidente da República emitiu um comunicado para dizer que não emitiu quaisquer “juízos sobre o processo judicial envolvendo cinco ex-administradores do BCP”, comunicado em que se transcreve a seguinte gravação:
"PR: (…) É importante que os responsáveis da empresa de telecomunicações expliquem aos portugueses o que é que está a acontecer entre a PT e a TVI. É uma questão de transparência! E eu já tive ocasião de dizer publicamente que uma das lições mais importantes que se deve tirar desta crise económica e financeira que estamos a viver é a de que deve existir transparência e ética nos negócios. E eu não acrescento, neste momento, nem mais uma palavra.”
Jornalista: A história do BCP… não teme, enquanto Presidente da República, que os portugueses…, que isto seja o descrédito da banca e que deixem de acreditar nos Bancos?
PR: A Banca é muito importante para o funcionamento de uma economia. Economistas dos mais famosos dizem que não há crescimento económico sem estabilidade do sistema financeiro e, por isso e bem, a reunião do G20, que teve lugar em Londres – e, ainda recentemente, tive ocasião de discutir os resultados com o Primeiro-Ministro Gordon Brown - ou as decisões recentes tomadas pelo Conselho Europeu vão no sentido de garantir a estabilidade do sistema financeiro internacional, porque é uma condição para a retoma da confiança. Confiança de empresários, confiança dos consumidores para que possamos assistir a uma recuperação mais forte da economia. E, portanto, entendo que nada deve ser feito que possa impedir este conjunto de medidas, que têm vindo a ser anunciadas a nível internacional para estabilizar o sistema financeiro e, mais uma vez, vêm ao de cima os dois princípios fundamentais que foram violados nesta crise e que agora devem ser repostos: transparência e princípios e valores éticos no mundo dos negócios.
A pergunta era sobre o BCP. O Presidente até parece que ouviu, pois responde à pergunta. Reconhecendo embora que o Presidente não se refere ao processo em si, a verdade é que, no contexto da pergunta, é difícil não ver que a repetida referência à transparência e aos valores éticos só podia ter a ver com os administradores do banco. Isto digo eu, que julgo também que negar hoje, o que se disse ontem, está a fazer escola. Neste caso, porém, é o "mestre" (Cavaco Silva) a aprender com a "aluna" (M. Ferreira Leite). E, verdade seja dita, nesta matéria, o "mestre" ainda tem muito que aprender.

Cá e lá fora: mais confiança !

Por sua vez, o índice de confiança nos 16 países da Zona Euro atingiu em Junho a maior subida desde Novembro. O relatório divulgado hoje pela Comissão Europeia, mostra que o índice subiu de 70,2 para 73,3 em Junho, em relação a Maio.
Perante estes dados o ministro das Finanças, Teixeira do Santos, admite que se trata de “sinais positivos que indicam que a crise se aproxima do fim”.
Ainda que o ministro esteja a ser demasiado optimista, não se perde nada com afirmações de tal teor. A confiança e a recuperação da economia, que está dependente daquela, não se alcançam com "choradinhos", nem com anúncios a toda a hora de profetas da desgraça !

Domingo, 28 de Junho de 2009

A morte é um espectáculo !?

A morte de Michael Jackson transformada em espectáculo. E a pedido da família ?
Deprimente !

"Aurea mediocritas"

Pobres, desmobilizados mas, apesar disso, felizes!
Os portugueses, pois ! Quem havia de ser ? É uma casa portuguesa, com certeza ! Trá-la-ri-ló-lé !

E o Zé que pague !

Até o Professor Marcelo entrou no regabofe: "Marcelo Rebelo de Sousa também integra o elenco de jurisconsultos a que a ALM encomendou dezenas de pareceres. Em 1996, o então líder do PSD foi solicitado a dar cobertura jurídica ao escândalo das ilegais viagens fantasma dos deputados madeirenses, detectadas pelo Tribunal de Contas, entre 1989 e 1993, num montante superior a 160 mil euros (32 mil contos). O professor de Direito não reconheceu a este tribunal competência para "proceder a um controlo político (...) da conduta dos parlamentares regionais".
Venha de lá o maganão, o Zé (contribuinte) que pague.
O que tem o Presidente da República a dizer a este escândalo ? E a senhora do "Portugal de Verdade ?
Nada, que a Madeira é uma flor do "Jardim". E, numa flor, não se toca . Pois !
Muito bem cantais/mas a mim/ não me enganais!
Post scriptum:
E o Ministério Público (MP) não terá uma palavrinha a dizer sobre tudo isto ? Ou será que não estamos perante uma apropriação ilícita de bens públicos, logo, de um ilícto criminal ?
Em tempos, dizia-se que o MP na Madeira andava a toque de caixa, às ordens do poder regional. Será que ainda anda ?

Poupem energia !

Se é mesmo para "parar tudo", p.f. baixem os braços e poupem energia. O país agradece !

Sábado, 27 de Junho de 2009

O povo quer suicidar-se? Está no seu direito !

A transcrição é longa. O meu comentário é curto.
Apenas duas observações:

1. A utilização da expressão "rasgar as políticas sociais", por parte de José Sócrates, não é uma acusação, mas a simples reprodução de afirmações de Manuela Ferreira Leite que, há apenas dois dias, talvez entusiamada com o recente êxito eleitoral resolveu revelar a sua verdadeira face e proclamou tal intenção de forma cristalina: “Vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social”.

2. Miguel Abrantes, no Câmara Corporativa, deu-se ao trabalho de apresentar um primeiro elenco das medidas tomadas pelo Governo em matéria de política económica e social, ora sob a "ameaça" de Ferreira Leite, elenco que tomo a liberdade de reproduzir aqui:

"• O Complemento Solidário para Idosos;
• As escolas do 1.º ciclo do básico a funcionarem a tempo inteiro, até às 17:30, com inglês e refeições escolares;
• O abono pré-natal;
• A majoração do abono de família;
• O apoio público à procriação medicamente assistida para casais com problemas de fertilidade;
• O programa PARES, que tem financiado a criação de centenas de novos equipamentos sociais, nomeadamente assegurando um investimento sem precedentes na expansão do pré-escolar;
• O cheque-dentista para grávidas e crianças e jovens;
• As unidades de cuidados continuados integrados para idosos acamados e outros doentes prolongados;
• O programa de cirurgia oftalmológica, que permitiu no último ano operar — no sistema nacional de saúde — milhares de pessoas que há anos esperavam por uma simples operação às cataratas;
• O aumento da acção social escolar e o alargamento dos respectivos beneficiários;
• Os programas e-escolas e e-escolinhas;
• A reforma da segurança social, que assegurou a sua sustentabilidade e retirou Portugal do grupo de países de alto risco;
• O investimento nas energias renováveis, que tornou Portugal um caso de sucesso e um exemplo elogiado a nível internacional;
• A redução do IRC para empresas do interior e a criação de dois escalões (em que os primeiros 12.500 euros de matéria colectável são taxados a metade);
• O incentivo fiscal à actividade empresarial de Investigação & Desenvolvimento."

Concluo: O povo quer suicidar-se, votando Ferreira Leite ? Está no seu direito. Mas não contem comigo para colaborar no enterro!

Declaração de interesses

Agora que se encontram marcadas as eleições legistativas e as eleições autárquicas, aqui fica a minha declaração de intenção de voto (a considerar em futuras sondagens): votarei PS nas legislativas e, nas eleições autárquicas, o meu voto vai para Paulo Pedroso candidato pelo PS à presidência da Câmara de Almada.
E, a propósito de ambas as eleições, aqui fica também a minha declaração de interesses:
Não tenho qualquer interesse pessoal em qualquer das eleições: não sou militante de qualquer partido, nem tenho idade, nem disposição para fazer de "boy". O meu interesse não é, pois, diferente de qualquer outro cidadão.
Posto isto, as minhas motivações:
Não voto à direita (CDS e PSD, partidos que junto sob a mesma etiqueta, porque não sei mesmo onde se aloja actualmente a direita mais conservadora) porque ideologicamente não me identifico com as opções políticas de qualquer deles. Em particular em relação ao PSD, acrescento que a actual direcção liderada por Manuela Ferreira Leite não me merece um mínimo de credibilidade, como já resulta claro dos múltiplos comentários que aqui tenho deixado. Considero mesmo que uma vitória deste partido nas próximas eleições legislativas, tendo em conta as opções já conhecidas, as últimas declarações da líder e a obsessão desta com o endividamento, teria consequências graves para o país: o aumento do desemprego e os cortes em matéria de apoios sociais seriam apenas os resulatdos mais graves, na minha perspectiva.
Não voto BE, porque, como já disse algures, não voto em nebulosas, nem desperdiço o meu voto num partido que se assume como mero partido de protesto. Não contando com ele, porque ele próprio se exclui, como parte da solução para a governação do país, também me não faz falta para protestar. Os protestos fazem-se na rua e para tal não são precisos deputados na Assembleia da República.
Não voto PCP (ou CDU, tanto faz) porque não quero viver num país como Cuba ou como a Coreia do Norte (países que o PCP considera como exemplos de construção do socialismo). Louva-se a honradez do partido que não esconde as suas opções políticas, mas, decididamente, não vou por aí.
Voto PS, não por exclusão de partes, mas porque é, por excelência, o partido da Liberdade e o partido que, embora não seja adversário do funcionamento do mercado, entende que este deve ser objecto de mais regulação. E, finalmente, porque é a favor da solidariedade social, não apenas em palavras, mas em actos.
E apoio José Sócrates que, pesem embora os seus defeitos (quem os não tem ?) e os erros que possa ter cometido como primeiro-ministro (quem os não comete?) é o único político a quem reconheço a capacidade e a determinação para levar a cabo e concluir as reformas de que o país carece. Disse.

A revelação

Eleições legislativas a 27 de Setembro, diz o Presidente da República. Tal como aqui foi previsto, fazer o "frete" a Manuela Ferreira Leite e marcar as legislativas para a mesma data das autárquicas seria um risco demasiado grande para quem tem (?) em mente um segundo mandato em Belém.
Montar a mesma bicicleta, tudo bem, desde que não dê demasiado nas vistas. Pedalar em conjunto, montar e desmontar, Cavaco é que manda e os seus interesses é que vão à frente. A Drª Manuela já o devia saber!
Nem percebo por que é que o PSD continuava a insistir na tecla da simultaneidade das eleições.

Manifesto dos 60: também subscrevo !

Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.
aa) Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG; Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora; João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia; José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; João Pinto e Castro, Economista e Gestor; Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto; Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública; Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL; Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE; João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL; Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa; Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática; João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG; Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL; Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão; Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia; Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL; Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto; Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho; José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais; António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL; Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais; Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa; Pedro Nuno Santos, Economista; Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto; Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE; Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres; João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador; Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.
Observação da casa: Limito-me a constatar que, afinal, há, em Portugal, mais economistas do que os 28 de Manuela Ferreira Leite e que não subscrevem as suas teses. Embora não seja economista, com vossa licença, também subscrevo.

Observação dos dias (IX)

[Pega-azul (Cyanopica cyanus Bonaparte)]
(Esta ave, por enquanto, não está preocupada com esta sondagem. Mais tarde, ver-se-á. Sendo azul, como se vê, em nenhuma circunstância, votará "laranja". E também não emigra.)

(Local da obtenção da imagem: Vila Nova de Foz Côa; 30-05-2009)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Falta a revelação !

O Governo, como lhe cumpria, decidiu marcar as eleições autárquicas para o próximo dia 11 de Outubro, de acordo com a preferência manifestada por todos os partidos políticos previamente ouvidos sobre o assunto, nos termos da lei.
Tendo o Presidente da República procedido já à audição dos partidos sobre a marcação das eleições legislativas e removido que está o obstáculo (marcação prévia das autárquicas) que, na sua original leitura das disposições constitucionais, o impedia de anunciar a sua opção quanto à data das legislativas, só nos resta agora esperar pela revelação presidencial que ponha termo a mais este tabu. Revelação que aqui se aguarda com especial interesse para verificar até onde vai a cumplicidade Cavaco/Manuela e para concluir se o peso dos dois juntos não é demais para uma só bicicleta.
Adenda:
Entretanto, o PSD continua a pedalar por eleições no mesmo dia e o PCP entende que o Presidente da República "não pode deixar" de acolher a opinião maioritária dos partidos e convocar as eleições legislativas para data diferente das autárquicas. Lá poder, até pode. Não sei é se essa vai ser a sua opção, apesar de não ter querido pronunciar-se (se, por alguma razão, mais tarde se verá) antes da marcação das autárquicas. O que não significa que, embora podendo, o deva fazer. Se o fizer, os portugueses terão, mais tarde ou mais cedo, oportunidade para lhe mostrar que não devia. E quanto mais cedo, melhor.

Assim se vê / a força do ... PSD*

(* Titulo roubado ao ... PCP)

Citações # 37

"Não é sério atribuir-se a si mesmo a totalidade da verdade e ao adversário a totalidade das mentiras."
João Cardoso Rosas: A mentira da verdade

Negócio Prisa/PT: o veto

Compreendo as razões do Governo, mas discordo da decisão, por uma razão simples: embora o veto constitua uma prova irrefutável de que o Governo não pretendia interferir na linha editorial da TVI, de pé permanecerá a suspeita. É a vantagem de toda e qualquer suspeição quando não baseada em provas. Quem lança a suspeita sabe que assim é e que não há maneira de dar a "volta ao prego". Por isso mesmo, julgo que melhor fora que o negócio fosse concretizado (se, como parece, era vantajoso para ambas as partes) e que se deixasse que os factos se encarregassem de demonstrar, a posteriori, que a suspeição lançada não tinha fundamento.
Adenda:
Não foi preciso esperar muito para confirmar que os pais da suspeição (a arma dos cobardes) não iam ficar calados: Para MFL o veto do Governo serve apenas para defender a imagem, como se não fosse ela a primeira (ir)responsável pela tentativa de a enlamear.
Para o CDS, o Governo deixou de ter interesse em que a PT compre a TVI só depois de saber que o director-geral daquele canal "não sai". E não sai mesmo ?
Para os partidos da direita, pelos vistos, é-se "preso por ter cão e preso por não ter". Começo a ficar enojado! Desculpem o desabafo, mas tudo deve ter limites. Até a pouca vergonha !

Provedor de Justiça: fumo branco

O nome de Alfredo José de Sousa, agora proposto, em conjunto pelo PS e pelo PSD, como novo provedor de Justiça, não me aquece, nem me arrefece. Ou antes, até arrefece, se tiver em conta que a sua apresentação, como candidato conjunto, se fica a dever à persistente e inexplicável recusa por parte do PSD em aceitar a candidatura de Jorge Miranda, personalidade bem melhor talhada para o exercício de tal cargo.

Observação dos dias (VIII)

[Narciso-das-areias (Pancratium maritimum L.)]
(Uma beleza aproveitando o sol, na praia.)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

A incoerência em política tem nome: MFL

Manuela Ferreira Leite revelou hoje quais serão as duas “bandeiras fundamentais” do programa eleitoral: educação e justiça, e, na mesma circunstância, afirmou que hoje, em Portugal, “não se premeia o mérito nem se condena o demérito”.
Diria que estas duas afirmações, quando conjugadas, são a prova provada de que esta senhora tem direito ao título não de "loira do regime", que já tem dono, mas de "incoerente do regime".
Com efeito, sendo verdade que MFL tentou, através da apresentação de uma proposta de resolução na Assembleia da República, suspender a avaliação dos professores (e se mostrou solidária com a luta destes contra qualquer avaliação) como é que ela vai premiar o mérito e condenar o demérito, no sector da educação?
Haja quem me explique.
E no que respeita à Justiça não foi o PSD quem rasgou (verbo de que ela tanto gosta) o pacto que sobre esta matéria celebrou com o PS, impedindo, por esse modo, a concretização de reformas de que a Justiça tanto carece?
Onde está a coerência ?
Mas, para que não restem dúvidas: que dizer, quando ela afirma que Santana Lopes é “exemplo democrático para todos os elementos do partido”, sendo sabido que foi ela também quem se recusou a afirmar que tinha votado em Santana Lopes nas últimas eleições legislativas?
Coerência, onde moras ?
Porém, quanto a Santana Lopes, MFL não se fica por aqui em matéria de elogios, pois, no dizer dela, " Pedro Santana Lopes teve a humildade de optar por candidatar-se a uma autarquia.”
Candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, em vez de aceitar a candidatura a deputado é prova de humildade ?
Só para quem não está bom da cabeça, ou não sabe que o lugar de presidente da Câmara de Lisboa é um dos que maior visibilidade pública confere ao respectivo titular. Até Pedro Santana Lopes sabe isso! Ela, pelos vistos, nem isso!

O tandem Cavaco-MFL

Não é a primeira vez e, por certo, não será a última que vemos o tandem Cavaco-MFL a funcionar, tal como agora no caso do negócio PT/PRISA relativo à aquisição, por aquela, de uma participação na Media Capital, dona da TVI: uma lançou a suspeita, o outro, prestes, acorreu a exigir explicações.
Todavia, se o negócio se vier a concretizar nos termos anunciados (Acordo PT-TVI quase concluído, José Eduardo Moniz fica na estação) prova-se que, para além de não terem razão nas suspeições, para ambos, na luta política, é o vale tudo. Mesmo que tenham que recorrer ao insulto, já que, como bem diz Zeinal Bava (presidente executivo da PT) “Qualquer sugestão de instrumentalização é um insulto”.

Nem agora, nem no futuro será necessário subir impostos

Querem melhor chapada ?

Querem melhor chapada? Em Manuela Ferreira Leite, Cavaco Silva e tutti quanti?
Por vezes, donde menos se espera, "sai a melra". Ou o melro, como é o caso.
Entretanto, cabe-me a mim retirar o que disse: afinal, JEM não precisa de madrinha.

Consensual só se for do PSD

Dificilmente poderá o PSD encontrar uma personalidade com as condições necessárias para ocupar o cargo de Provedor de Justiça, como o Prof. Jorge Miranda: jurista de mérito e como tal amplamente considerado, constitucionalista com provas dadas até na elaboração da Constituição da República e sem outras ligações a partidos políticos que não sejam as que se prendem com o próprio PSD, como deputado por tal partido à Assembleia Constituinte. Logo, para o comum dos mortais, reuniria todas as condições para que a sua escolha para o cargo fosse consensual.
Não assim para o PSD que o recusou, nem, pelos vistos, para o vice-presidente do mesmo partido, José Pedro Aguiar Branco que considera agora que com a desistência de Jorge Miranda pode surgir uma hipótese de se encontrar uma solução que seja mais consensual.
Disse "mais consensual" ? José Pedro Aguiar Branco toma-nos por parvos, ou quê ?
Está visto que para o PSD, consensual é o mesmo que ser do PSD. Tal como Mário Raposo (1990 - 1991) Menéres Pimentel (1992 - 2000) e Nascimento Rodrigues, (o último) todos do PSD.

Olhe para Portugal !

Mandem o recado a Manuela Ferreira Leite. E, de caminho, aos demais dirigentes partidários. E, já agora, a Pacheco Pereira, o anti-Magalhães. Please!

A dignidade e o cinismo

Jorge Miranda, invocando a sua dignidade pessoal, resolveu retirar a sua candidatura ao cargo de provedor de justiça, porque, como afirma "verificou-se que depois de duas votações parlamentares, numa das quais, a segunda, eu tive mais de dois terços dos votos expressos, o Partido Social-Democrata continua a insistir em não aceitar o meu nome, apesar de saber que eu sou uma personalidade independente".
Fez bem em não pactuar com a falta de seriedade que por aí campeia.
Ao invés, Cavaco Silva, revela até que ponto pode chegar o cinismo em política, ao lamentar decisão de Jorge Miranda, afirmando: "Se foi uma desistência não é bom para o nosso sistema democrático".
Pergunta-se: o que fez ele para evitar tal desistência ?

As "certezas" de MFL

"Um abalozinho de terra"

Ainda a entrevista dada à SIC:
Para Manuela Ferreira Leite, a maior crise económica mundial dos últimos 80 anos (é assim que a generalidade dos peritos qualificam a actual) não passa de um "abalozinho de terra".
Sendo assim, cabe perguntar: é esta a política de verdade que a líder do PSD nos promete ?
Cá por mim respondo: quem faz uma tal afirmação ou não é economista ou não é séria. Ela que escolha.
E diria mais: quanto à política de verdade, estamos conversados !

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

A madrinha

Não sei se, como Manuela Ferreira Leite (MFL) afirma categoricamente, o primeiro-ministro foi posto ao corrente das negociações entre a PT e o grupo Prisa com vista à aquisição, por aquela, de uma participação na "Média Capital", dona da TVI. Como não sei, igualmente, se o negócio vai ou não concretizar-se e em que termos. O mais que sei, através desta notícia , é que tais negociações existem.
Mais importante, no entanto, foi o ter ficado a saber, depois da entrevista dada por MFL à SIC, é que esta senhora é madrinha de José Eduardo Moniz, pois, segundo se lê aqui, para MFL "seria “verdadeiramente escandaloso” e uma “interferência num órgão de comunicação social” se a PT comprasse parte da Média Capital, do grupo espanhol Prisa, e José Eduardo Moniz deixasse o cargo de director-geral da TVI".
É verdade que esta madrinha tem umas ideias muito originais sobre comunicação social, mais próprias do antigamente, pois, como convém recordar, a frase "Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite" é dela. Madrinha, no entanto, é sempre madrinha e José Eduardo Moniz, por certo, agradece. Até porque, amor com amor se paga.

As contas da merceeira

Manuela Ferreira Leite (MFL) acaba de confirmar, na entrevista dada à SIC, que vive obcecada com o problema do endividamento externo, a tal ponto que viu, uma segunda vez, a entrevista de José Sócrates dada à mesma estação de televisão, para verificar se o primeiro-ministro tinha proferido algum "murmúrio" sobre a questão e mostrou-se altamente escandalizada pelo facto de o não ter ouvido.
Diga-se que a estimável senhora até é a favor do investimento público, só que lá está, uma vez mais, o endividamento que "só nos faz empobrecer". Não obstante, a senhora promete-nos que o país, com a sua política, vai enriquecer. Infelizmente, não nos diz como, nem com que meios. Se não existem recursos internos e o país não pode continuar a endividar-se, como é que a venerável senhora vai obter recursos para o conseguir ?
A resposta só pode ser: magia, por certo, só ao alcance desta "maga" das finanças que tem a ousadia de nos falar em negócios ruinosos realizados por outros, mas que se esquece do negócio, ruinoso por excelência, por ela concretizado com o Citigroup, cujos encargos estamos e continuaremos a pagar.
Entusiasmados com este discurso sobre o endividamento, os agentes económicos devem, por esta altura, estar já a congeminar novos investimentos, embora não saibam, com a receita da merceeira, onde encontrar os meios. Até a crise, ao ouvir MFL falar de "endividamento" (palavra em que ela, insistentemente, tropeçou) se pôs a andar. Foi mesmo "um ver se te avias"!

Uma perguntinha ...

Se, como há dias, o procurador-geral da República afirmou, na entrevista dada ao "Expresso, o caso Freeport não é um processo complexo, como explicar, então, a demora na sua conclusão ? E mais: porquê esta constituição de arguidos a conta gotas ?
Adenda:
Entre ontem e hoje, a 5ª gota. Abriram, finalmente, a torneira ?
Assim parece, com mais esta.

Só e a contar com o favor presidencial

PS, BE, PCP, CDS e PEV voltam a pronunciar-se contra a simultaneidade das eleições legislativas e autárquicas. Só Manuela Ferreira Leite e o seu partido continuam a defendê-la. Nem a anunciada (por Paulo Rangel e Guilherme Silva) coligação com o CDS lhes vale. Pelos vistos, só podem contar com o favor presidencial para alcançar o seu objectivo. É mau sinal. Para o PSD, seguramente, porque surge isolado. Mas também para o Presidente, se lhe fizer o jeito, pois a sua imparcialidade de julgamento será posta em causa. Como será de inteira justiça. Diga-se.

Revolta na Bounty ?

Com o "capitão" (J. M. Fernandes) ausente in incertis partibus, (desembarcado algures) a nau cavaquista (em que o "Público" foi transformado) está, aparentemente, a ensaiar um novo rumo, sob a direcção do "imediato" Manuel Carvalho que, em dois dias seguidos (ontem e hoje) assinou outros tantos editoriais pouco ortodoxos, se atendermos à orientação editorial do seu director.
Ontem, afirmava: "O que tem de se saber é se somos capazes de formular juízos ponderados sobre quem decide, criticando quando discordamos e aplaudindo quando, afinal, eles acabam por chegar à nossa razão. A continuar assim, ancorados no conforto de dizer mal de tudo e do seu contrário, dispostos a jogar à defesa só por medo de falhar, só resta o caminho que nos está a levar ao cinismo e ao desespero" e "O que importa saber é se se fecha o país num casulo à espera que a tempestade passe ou se vale a pena acreditar que é em tempos difíceis que se fazem as grandes escolhas".
Convenhamos que este discurso se compagina mal com o "Pára tudo" de Manuela Ferreira Leite ou com o manifesto dos 28 (de que não se esqueceu) ao afirmar que "a terapia sugerida por políticos ou personalidades influentes pode ser perigosa ".
Hoje, aparece a contrariar a indisfarçável "inclinação presidencial" (coincidente com a posição do PSD e da sua líder) para a marcação simultânea das eleições legislativas e autárquicas, ao exarar estas considerações: "Fazer eleições simultâneas pode significar poupanças, pode evitar o cansaço dos eleitores, pode satisfazer a maioria dos que respondem às sondagens do Presidente e pode até [e sobretudo, acrescento eu] satisfazer os desejos estratégicos do PSD. Mas, caso seja tomada, essa decisão significará também um grave atentado contra a saúde democrática de centenas de autarquias nacionais". Isto porque "o silenciamento do debate autárquico imposto por uma eleição simultânea teria custos (...) graves nas autarquias, (...) palcos onde, afinal, a democracia mais padece dos males da prepotência, do caciquismo e do nepotismo", sendo que " é no decorrer das campanhas autárquicas que muitos dos problemas e dos atentados à democracia chegam ao conhecimento do país (...).
Pese embora o título, não estamos perante nenhuma "revolta", como é óbvio. Trata-se, tão só, de um ensaio de independência. Que não irá longe, por certo, mas que, entretanto, se louva.
(reeditada)

“Era fácil para alunos que estudaram”

Depois de tanta consideração:
(Exame de Matemática A do secundário “não é escandalosamente fácil” e
Associação de Professores de Matemática diz que prova cumpre programa)
a conclusão:
“Era fácil para alunos que estudaram”
E, pergunto eu: não foi e não será sempre assim ?
Onde está, pois, a novidade para tanto catar piolhos ? Como aqui, por exemplo.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Avifauna portuguesa # 56 : Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

[Cegonha-branca (Ciconia ciconia L.) no ninho]

(Local e data: Rapoula do Côa - Sabugal; 13-06-2009)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

Obscenidades

O montante da cláusula de rescisão, o custo da transferência (94.000.000,00€) e o salário de Cristiano Ronaldo (só perceptível para o comum dos mortais, se contabilizado, não ao mês, nem ao dia, mas ao minuto) não passam de obscenidades. Que chocam quem ainda tem algum sentido das realidades, nos dias que correm. Acho eu.

O meu "lado masoquista"

Embora o meu voto não corra o risco de ir a parar a tais bandas, confesso-me ansioso pela chegada de um Governo liderado por MFL (Manuela Ferreira Leite, in extenso).
É, certamente, o meu "lado masoquista" a explicar tal contradição. Ou então, o meu "lado bloguista", porque, também pela certa, vai ser um fartote. De riso !
Com a esperança de que a experiência não venha a durar muito e com a vantagem suplementar (desejada) de que possa servir de vacina. É que há muita gente (à direita, ao centro e à esquerda) a precisar. Digo eu.
Adenda:
Confirmam-se as minhas "esperanças": o PSD já vê “o fim de um ciclo do Governo do PS”.
Terá sido por um canudo ?

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

A "guerra" dos poços

Como se chegou a toda a celeuma levantada a propósito da obrigação que, segundo a comunicação social, incidiria sobre generalidade dos donos de poços e furos e, nos termos da qual, aqueles teriam de declarar a sua existência e obter um título de utilização junto das administrações da respectiva região hidrográfica, obrigação que, afinal, diz apenas respeito aos proprietários que tenham motores com capacidade para extrair 110 metros cúbicos por hora, o que representará menos de um por cento dos casos ?
O ministro do Ambiente admite que pode ter havido simultaneamente falha de comunicação, erro de percepção e manipulação. Eu não vou fora disso, mas julgo que a responsabilidade primeira cai sobre os serviços do Ministério do Ambiente, que surgido o fogo, deviam atempadamente tê-lo extinto, o que não foi o caso. Se esclarecimentos houve, eles não chegaram ao conhecimento da generalidade da população. E o que acaba de se dizer, em relação ao passado recente, continua a ser verdade no presente, pois as declarações do ministro nas páginas de um jornal não são suficientes para acalmar as populações.
Seria bom que alguém chamasse a atenção do ministro do Ambiente para a necessidade de os serviços que tutela virem a público esclarecer as populações, através dos grandes meios de comunicação social, para, de uma vez por toda, se acabar com esta "guerra" que tem custos eleitorais não despiciendos. E não só ao nível das populações rurais, mas também nos meios urbanos, pois há muita gente na cidade que tem um poço lá na horta da sua terra.
O ministro Nunes Correia tem aqui uma boa oportunidade para sair do "biombo". Se nada fizer, confirma-se que é lá que há muito devia estar. Ou mais longe ainda !

O baptismo do ano

Luís Filipe Menezes pode não ter sido um bom dirigente partidário, mas merece, sem dúvida, o prémio de melhor padrinho do ano, ao baptizar Pacheco Pereira de "loira do regime".
Apesar da justificação ensaiada por Menezes (lisonjeira, na perspectiva deste), aquele não achou graça ao baptismo, pelos vistos. Fica, assim demonstrado que Pacheco Pereira não só tem fraco poder de encaixe, como não usa do remédio que com frequência recomenda a outros, vítimas de bem maiores agravos.
E como não gostou, Pacheco Pereira nem sequer se ensaiou para retaliar o órgão de comunicação social que serviu de baptistério. O seu conceito de liberdade de imprensa é um tanto unilateral. Nada que não se soubesse já, mas sempre fica o aviso. Se algum dia tiver poder para tanto (longe vá o agoiro) ele tratará de domesticar a comunicação social. Esta que se cuide!

Em bicos de pés ?

Segundo Francisco Louçã, o Bloco de Esquerda está disposto a prescindir da apresentação de um candidato próprio às eleições presidenciais, se Manuel Alegre se dispuser a entrar na corrida, pois representaria “um grande vendaval de esperança e uma renovação da emergência política em Portugal”.
Passando por cima de tão grande entusiasmo, que não compartilho, esta tomada de posição do dirigente bloquista pode ser lida como uma inflexão na estratégia seguida, até agora, de hostilização do PS. Porventura com receio (tardio) do triunfo da direita, nas próximas legislativas ?
Será assim, ou será mais, simplesmente, mais um expediente para se pôr em bicos de pés?
Fiquemo-nos, por ora, pela interrogação.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Observação dos dias (VII)

[Goivinho-da-praia - Malcomia littorea (L.) R. Br.]

Com o fim da Primavera e a chegada do Verão: Flores. Na praia.

Scripta antiqua


do amor rouxinol

Março quente
Choveu ontem à noite
Quem o disse
Foi o vento
Na manhã ao acordar
Havia flores a chorar

As águas do rio murmuram o aumento
Que nasceu ao meio dia
Quando o vento relatara a desgraça
Que afligira o mundo todo

Ele sabia
O canto último do rouxinol viúvo
Sem mulher que o amasse na noite
Quente ninho
Hábito antigo que perdeu
Ontem
Perdeu o pio

Sábado, 20 de Junho de 2009

Por Terras de Ribacôa: Sabugal (I)

(O Castelo)

(Escudo - pormenor da torre de menagem)

(Gárgula - pormenor da torre de menagem)

O Castelo do Sabugal, também designado por Castelo das Cinco Quinas, devido à planta pentagonal da torre de menagem, foi construído no reinado de D. Dinis, tendo sido concluído em 1313. Posteriormente, foi objecto de várias obras de beneficiação, de alteração e de restauro, como, com todo o pormenor, se pode ler aqui.
Está classificado como Monumento Nacional.
(Para ampliar, clicar sobre as imagens)

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Uns "empatas" é o que são...

Entre os subcritores do documento há alguns (poucos) pelos quais não tenho a menor consideração e outros (muitos) cujas opiniões, pelo contrário, me merecem respeito.
Não obstante, não me parece a recomendação que subscrevem seja a mais adequada aos tempos que correm, em que se vive uma crise geradora de desemprego, em que o investimento privado se retrai e em que, por isso, se impõe o reforço do investimento público. Para mais, quando se sabe que, para os entendidos na matéria, a construção do novo aeroporto de Lisboa é premente e que a construção do TGV, além de necessária para assegurar o rápido transporte de pessoas e mercadorias em direcção à Europa, foi objecto de compromissos assumidos com Espanha que, na execução desses compromissos, está já a fazer o que lhe compete.
Por outro lado, não estou a ver como é que estes senhores economistas resolvem o problema do aumento do desemprego. Talvez, seguindo a lição do Presidente da República, contruindo estradas secundárias no interior do país, onde não fazem falta!
Se, mesmo depois de todos os estudos que foram feitos, estes economistas consideram que, por exemplo, o calendário da construção do aeroporto de Lisboa deve ser revisto, então acho que o que estes senhores querem mesmo é que o Governo mande fechar a loja e entregue a chave à Drª Manuela do "Pára tudo".
Resumindo: uns "empatas"! Alguns bem intencionados, creio eu.

Não há pachorra !

Alguns deputados membros da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Sector Bancário mostraram-se hoje muito ofendidos (em declarações prestadas antes da audição do ministro das Finanças) pelo facto de José Sócrates, na entrevista dada à SIC, ter manifestado a sua surpresa com o tratamento de deferência dado por alguns deputados inquiridores às pessoas a quem são imputadas responsabilidades pela situação a que chegou o BPN, em contraponto com o tratamento insolente (e no caso de Nuno Melo, malcriado) proporcionado ao governador do Banco de Portugal.
Já vi, a este propósito, atribuir a tais deputados o qualificativo de "virgens ofendidas". Ora, eu penso que não são uma coisa, nem outra. Na verdade, essa mesma afirmação ouviram eles da boca do governador do Banco de Portugal, durante a sua inquirição, que lhes disse isso mesmo, cara a cara, tendo eles comido e calado. Ora, se assim foi, tal significa que, ao ouvir o mesmo reafirmado por José Sócrates, já não era a primeira vez (logo não são virgens) e se, na altura própria, não reagiram, é porque não se sentiram ofendidos.
Ao que parece e ao que é por eles afirmado, no entender de tais deputados, José Sócrates, só pelo facto de ser primeiro-ministro está impedido de fazer apreciações menos lisongeiras para suas excelências, só porque as excelências são membros de um órgão de soberania de que o Governo depende.
O Governo depende, de facto, da Assembleia da República, mas não depende, nem do deputado A, nem do deputado B ou C. Por isso, criticar o órgão (Assembleia da República) parece-me inadmissível para o primeiro-ministro que dele depende. Pelo contrário, acho que o cidadão e secretário-geral do PS (José Sócrates) tem todo o direito de manifestar as suas opiniões em relação ao comportamento de cada um dos deputados e em relação todos os partidos onde eles se integram, em igualdade com todos os cidadãos e dirigentes partidários deste país. Isto parece-me tão evidente que julgo que nem carece de demonstração.
Tinha, aliás, a sua graça se levássemos o entendimento de tais deputados até às suas últimas consequências: em qualquer debate parlamentar, o primeiro-ministro teria de entrar mudo e sair calado, a menos que fizesse coro com todos os que o confrontassem.
Em nota de rodapé, devo dizer que assisti, em parte, ao desenrolar dos trabalhos da dita Comissão, pelo que posso testemunhar que, no caso do ex-presidente do BPN, Oliveira e Costa, assisti a uma audição, entremeada até com algumas graças para amenizar o ambiente e, no caso do governador do Banco de Portugal, o que vi foi uma inquirição. Só pela utilização das palavras (audição e inquirição) já se vê o quão justos foram os reparos de Vítor Constâncio e de José Sócrates.
Tais deputados, que são tão expeditos a criticar, quanto sensíveis às críticas quando estas lhes tocam, não gostaram. Paciência ! É que não há pachorra para tanta sensibilidade ! Digo eu.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Um Presidente posto à prova

Com excepção do PSD, nenhum dos partidos com representação parlamentar quer a marcação das eleições legislativas e das autárquicas para a mesma data. Que essa é a opção do PS já se sabia há muito. O BE, o PCP, o CDS e o PEV afirmaram-no agora e, por alguma razão, até estão de acordo quanto às datas preferidas para a realização de umas e de outras (27 de Setembro para as legislativas e 11 de Outubro para as autárquicas).
Perante este coro, o Presidente da República, embora tenha o pão e o queijo na mão, dificilmente se arriscará a fazer a vontade a Manuela Ferreira Leite. A colagem aos desejos da Drª Manuela seria por demais evidente e lá se ia o mito da independência do Presidente e da imparcialidade dos seus juízos. O risco seria demasiado grande. Isto, claro está, no caso de o Presidente da República estar a ponderar a hipótese de se candidatar a um segundo mandato, hipótese que não sei se é verdadeira, se falsa.
Se for verdadeira, é quase certo que podemos ir marcando na agenda as datas de 27 de Setembro e de 11 de Outubro para, de novo, irmos às urnas. De novo, bem entendido, só para que os já foram e não são muitos, como se sabe.

Por todos os motivos e mais um !...

Manuela Ferreira Leite afirmou hoje que o PSD vai defender que as eleições legislativas e autárquicas sejam realizadas no mesmo dia. "Por todos os motivos", diz ela.
Por todos os motivos e mais um, digo eu. A realização na mesma data das legislativas e das autárquicas, com o aparecimento de uma multidão de candidatos, é uma excelente forma de tentar, uma vez mais, passar despercebida, numa campanha para a qual, manifestamente, não tem "jeito". Que o não tem para comícios já ela o disse. Quanto ao resto não tenho eu grandes dúvidas.

Cuidado com os exageros ! ...

Digam o que disserem, o "anúncio" da "morte" política de José Sócrates era, afinal e manifestamente, um exagero. Viu-se, ontem, no debate da moção de censura, mas sobretudo na entrevista à SIC, conduzida por Ana Lourenço (uma senhora !), onde surgiu ao seu melhor nível.
Os ansiosos "coveiros", como este, podem guardar as enxadas: ele está vivo e bem vivo !

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Observação dos dias (VI)

O Dia da Donzelinha
(Filo: Arthropoda; Classe: Insecta; Ordem: Odonata; Subordem:Zygoptera)
(Homenagem do editor)

As formigas agradecem...

No "Sobe e Desce" do "Público" (edição impressa) o Presidente da República (PR) tem sempre, salvo muito raras excepções, direito a seta apontada para cima. Na edição de hoje, para não fugir à regra, o PR ganhou direito a mais uma. Graças a quê ? Transcrevo: "O Presidente congratulou-se com o adiamento do TGV. E deixou no ar, em jeito de alternativa, a urgência da aposta em estradas secundárias do interior que, não sendo tão vistosas, podem, na sua opinião, ser mais importantes para o desenvolvimento e a coesão territorial. Ainda bem que o Presidente aprendeu com os excessos do seu Governo. Como se viu, não é com obras sumptuosas que o país avança."
Quer a opinião do Presidente, quer a peça são uma delícia e vê-se bem que, nem o PR, nem o autor da peça fazem ideia da realidade e das necessidades do interior. Por aí andei agora, durante umas três semanas, durante as quais não vi, nem senti da parte das gentes do interior, qualquer necessidade de novas ligações ou de melhoria de estradas secundárias, assunto de que as autarquias locais (municípios e freguesias) têm tratado com eficiência, algumas vezes (ouso dizê-lo) pecando até por excesso. E, já agora, falando daquilo que melhor conheço, informo que para "o desenvolvimento e coesão" da Beira Interior foi, e é, bem mais importante a construção da A-23 [no entender de Cavaco Silva (enquanto Presidente, que não enquanto primeiro-ministro) obra sumptuosa, por certo] que milhentas estradas secundárias que não fazem falta nenhuma.
A sugestão do PR é, pois, a meu ver, do domínio do anedótico e como tal deve ser tratada. Por isso, não vou ao ponto de dizer que não tenha alguma utilidade, porque tem: as formigas, nos caminhos rurais e nas estradas de terra batida, vêem-se em dificuldades para arrastar as cargas que transportam em direcção aos formigueiros, devido às irregularidades do terreno. A melhoria e a asfaltagem desses caminhos e estradas seria, na perspectiva das formigas, um grande benefício. Estas, estou certo que se revêem na posição do PR e que, reconhecidas, agradecem.
Adenda:
Em tom mais sério, devo dizer que, no interior do país, há, com certeza, carências. Estou a lembrar-me, por exemplo, que não existe suficiente cobertura das redes móveis e, por isso, não há possibilidade, em muitas aldeias do interior, nem de uso de telemóveis, nem acesso à internet, a não ser através dos telefones fixos, que, hoje, muito boa gente já não tem. Isto, porém, cheira a "Plano Tecnológico" e disso não convém falar.

Moção de censura: um tiro pela culatra

Já se sabia, à partida, que a moção de censura ao Governo apresentada hoje pelo CDS na Assembleia da República era um acto inútil, pois, a três meses de eleições legislativas, nenhum resultado relevante dela resultaria, mesmo que fosse aprovada, o que não aconteceu, como também era previsível que o não fosse.
O que não se esperaria é que moção acabasse também por ser um tiro saído pela culatra. Virando-se o feitiço contra o feiticeiro, o debate da moção demonstrou que a direita parlamentar, constituída pelo partido proponente (CDS) e pelo partido que a votou favoravelmente (PSD) é incapaz de apresentar uma alternativa de Governo. Diga-se que, em boa verdade, aqueles partidos nem sequer tentaram fazê-lo. Não o tentou o partido proponente, que transformou a moção numa série de perguntas ao Governo como se estivesse num debate parlamentar e não o tentou o PSD, que continua enredado na "grande" questão do TGV, como se este fosse o grave problema com que o país se confronta.
Uma tristeza !
Adenda:
Embora a probabilidade de, alguma vez, estar de acordo com Alberto João Jardim, fosse diminuta, acabou por acontecer com a sua afirmação de que a "moção de censura do CDS ao Governo de José Sócrates foi um "favor" de Paulo Portas ao primeiro-ministro". E ao PS e ao Governo, tendo, para o efeito, contado com a prestimosa colaboração do PSD, acrescento eu.

Ei-los a salivar !

A empresa tem nome. Chama-se JP Sá Couto. O que importa, no entanto, não é o nome da empresa, mas sim o facto de fabricar o "Magalhães".
Confesso que até dá gosto ver como o "Magalhães" lhes caiu no goto: basta falar nele e ei-los, de imediato, a salivar !

O vazio e coisa nenhuma

E, acrescento eu, também podem não coincidir, como é sabido. Assim sendo, a declaração presidencial e a notícia que a reporta, não são mais do que verdadeiras inutilidades que se completam, juntando o vazio a coisa nenhuma !

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Que difícil é Crescer !

Ao ver actuação do deputado Nuno Melo como inquiridor de Vítor Constâncio (Governador do Banco de Portugal) na comissão de inquérito parlamentar à supervisão ao BPN veio-me à memória este "post" aqui lançado antes das eleições europeias: um cartaz do CDS e um breve comentário: "Que difícil é Crescer!".
É verdade que o prognóstico quanto ao resultado eleitoral do CDS saiu furado. Todavia e ao invés, o comentário, quando reportado à pessoa do cabeça-de-lista que nele figura (Nuno Melo) parece ter acertado no alvo. Em cheio.

Avifauna portuguesa # 55 : Chasco-ruivo (Oenanthe hispanica)

[Chasco-ruivo (Oenanthe hispanica L.)]

(Local e data: Sabugal; 11-06-2009)
(Clicando sobre a imagem, amplia)

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

"Os deuses devem estar loucos"...(I)

Retomo aqui, depois de alguns dias dedicados à "observação dos pássaros", as considerações sobre as eleições europeias, para destacar o quanto foram surpreendentes os resultados e as "vitórias" eleitorais do BE (de que ora trato) e do PSD (que fica para ulterior reflexão).
A primeira surpresa relativamente à votação no BE é o facto de, em termos eleitorais, este partido ter ultrapassado o PCP como terceira força eleitoral (possibilidade que as sondagens já apontavam, salvando assim, pelos mínimos, a honra do convento, já que no mais falharam redondamente) e a segunda o próprio resultado em si.
Sabendo-se que o BE não dispõe, nem da organização, nem da capacidade de mobilização do PCP é, sem dúvida, digno de registo o facto de aquele "bater" este, em termos eleitorais.
Julgo eu que, em boa medida, os resultados destas duas forças políticas são fruto do chamado voto de protesto. Considero, no entanto, que, tendo em conta tal carácter, o BE teve sobre o PCP a vantagem de o voto a seu favor ser isso (voto de protesto) e pouco mais que isso: toda a gente sabe qual o projecto de sociedade que o PCP defende, porque o próprio tem o cuidado (honra lhe seja) de nos esclarecer, ao indicar quais os países que considera empenhados na construção do socialismo, mas duvido que alguém possa dizer, com rigor, qual é o projecto do BE para Portugal. Para quem não queira fazer extrapolações a partir dos partidos que o originaram, o mais que pode dizer é que o projecto político do BE é uma enorme e impenetrável nebulosa.
Este aspecto parece-me essencial para compreender o voto no BE: aos eleitores não agradam as dificuldades actuais e não curam de saber (até porque isso implica algum trabalho de reflexão) se as causas da actual situação são internas ou externas. Logo, opta-se pelo mais fácil: protesta-se, votando em quem, fazendo coro com os protestos, menos problemas de "consciência" levanta, porque o voto no BE (ao contrário do voto no PCP) não é uma opção em termos de projecto político concreto. O facto de o BE se assumir tão só como um partido de contrapoder, recusando responsabilidades no plano da governação, é mais uma ajuda no mesmo sentido.
Diria, pois, que o voto no BE, nestas eleições europeias (ao contrário do voto no PCP) foi um voto fácil. E, pelas mesmas razões, volátil.