quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

"O Rambo das privatizações"


«(...)
2. Claro que ninguém trava Passos Coelho de vender a TAP. E tudo o resto. (...).
A TAP é apenas mais um capítulo da fantasia liberal apregoada por este PSD. Foi votada e, portanto, o líder segue a eito, qual Rambo das privatizações. Talvez, no entanto, a imagem mais certa seja a de um Vasco Gonçalves ao contrário. Tal como em 1974, nem ficam os "donos disto tudo", nem outros, novos, com capital nacional. Ficam os mexilhões. Pequeninos, endividados e sem nada para vender
Daniel Deusdado; "Passos, Angola e Vasco Gonçalves". Na íntegra: aqui)


Psicopatas, diz ele. Bem me parecia...

Segundo o investigador criminal Barra da Costa houve em Portugal "nos últimos anos, momentos assumidos pelos políticos profissionais e seus acólitos, que são de matriz psicopata, atentas as consequências gravosas para as populações mais desfavorecidas em termos socioeconómicos".
"Um primeiro-ministro ou um ministro das finanças não se ralam se condenam uma população à fome ou se estimulam uma guerra", afirmou, acrescentando: a "um ministro da educação que não se importa de despedir milhares de professores apenas para poupar uns tostões - esquecendo-se que um seu colega optou pela compra de um submarino, gastando nisso uma quantia que daria para pagar os vencimentos desses professores e dos efetivos, durante cinco anos - nada preocupa, desde que as suas necessidades pessoais e partidocráticas sejam satisfeitas". (Fonte)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

No reino da arbitrariedade

A manutenção de José Sócrates na situação de preso preventivamente a que vem agora somar-se a decisão de o proibir de dar a entrevista que lhe foi pedida pelo "Expresso",  sem outro fundamento que não seja a oposição por parte do senhor juiz C. Alexandre e do senhor procurador R. Teixeira, significa que, em Portugal, no que respeita ao funcionamento da justiça, estamos já no reino da pura arbitrariedade. Mas não só. Quando se corta ao detido o direito à expressão do seu ponto vista sobre o processo e se permite diariamente, na mais completa impunidade, a violação do segredo de justiça, é manifesto que os direitos de defesa consignados e assegurados pela Constituição estão a ser violados perante a passividade dos ditos magistrados. Digo passividade, mas, atendendo à natureza das informações, onde se incluem transcrições de alegadas escutas, não é de excluir, a serem verdadeiras tais informações, que em vez de passividade, se possa falar em cumplicidade, quiçá, em autoria. Como diz o povo, "quem não quer ser lobo não lhe veste a pele" e é evidente que, neste caso, atendendo a tudo o que se tem visto desde o momento da detenção até ao presente, a pele de lobo assenta-lhes que nem uma luva.
Direi mais: com magistrados destes, sorte tem José Sócrates em não existir já uma instituição que dava pelo nome de Inquisição. Gente predisposta a servi-la, parece que há.
(Imagem: daqui)

Ora toma!...



Ora toma que é para aprenderes! 
Será que aprendes?

O Professor Pal Erma


Sabe-se que o professor Pal Erma é uma personagem ficcionada que aparece com alguma frequência nas "Cartas Abertas" do "Expresso" assinadas pelo Comendador Marques de Correia, pseudónimo do jornalista Henrique Monteiro, se não estou em erro.  
Se o professor Pal Erma é para aqui chamado é porque estou convencido que o Comendador se inspirou na figura do pregador dominical da TVI para criar a personagem,  Para chegar a uma tal conclusão bastou-me assistir às duas últimas homilias proferidas pelo Professor Marcelo. De facto, o homem é capaz de agora dizer uma coisa e no momento seguinte afirmar o contrário. E, pelos vistos, também não se ensaia nada para enfeitar os seus sermões com umas mentiras pelo meio.
Tudo visto e ponderado, se calhar, dizer que o Professor é simplesmente Pal Erma é pouco. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

A propósito de suposições

Conto-me entre os que se revêem em muitas das políticas prosseguidas por José Sócrates enquanto primeiro-ministro e que, por isso, têm por ele admiração e respeito.  Sócrates não só tinha uma visão, a meu ver, correcta para o futuro do país, como, de facto, tudo fez para a concretizar no domínio da educação, da cultura, da ciência e inovação, das novas tecnologias e das energias renováveis. Os efeitos da sua política, enquanto primeiro-ministro, não se limitaram, porém, ao desenvolvimento económico, cultural e científico do país. Em boa verdade, até no plano dos costumes se fez sentir a sua acção e essa é, porventura, uma das razões que levam a que a direita retrógrada continue empenhada em atacá-lo furiosamente e de todas as maneiras e feitios. 
Não sei se a sua recente detenção se enquadra ou não no ataque continuado que a direita lhe tem movido a partir da altura em que José Sócrates assumiu o cargo de secretário-geral do PS e se apresentou, enquanto tal, a disputar eleições legislativas fazendo frente a Santana Lopes. Não sei, mas não descarto essa hipótese. De facto, a crer no que tem vindo a ser publicado em vários jornais, incluindo o "Correio da Manhã ", que (justa ou injustamente, goza da fama e, quiçá, também do proveito de contar com informadores fidedignos junto dos operadores de justiça) a constituição de José Sócrates como arguido e a sua consequente detenção, baseiam-se, não em indícios, mas em simples suposições. O que se escreve, de facto, é que os responsáveis processuais por aqueles actos (constituição de arguido e detenção) supõem que o dinheiro e os bens sob suspeita, se bem que titulados em nome de terceiro, são pertença de José Sócrates.
Custa a crer que actos de tal gravidade sejam praticados por agentes da justiça, com base em suposições. mas a ser verdadeira a informação veiculada pelos meios de comunicação social, tal significa que a justiça em Portugal, já de rastos, desceu a um nível tão baixo que só com uma vassourada será possível o retorno a um patamar de decência.
A confirmar-se a veracidade da informação, a detenção e o encarceramento de José Sócrates não só são motivo de perturbação individual e colectiva, como impõem que se reflicta com profundidade sobre o funcionamento  da justiça em Portugal e que se tirem dessa reflexão todas as consequências. 
Não estou à espera, como é evidente, que uma tal reflexão se faça enquanto este governo, com esta ministra da justiça, se mantiver em funções. Teremos que esperar que políticos com outra dimensão, com outras vistas (mais largas e diferentes) e com sentido de Estado, tomem conta dos destinos do país. Mais uma razão para despacharmos os anões que nos desgovernam, quanto antes. Ontem já era tarde.

Quem se "lixa", afinal?

"(...)
Como pano de fundo há que acrescentar que vigora hoje em Portugal uma política fiscal injusta, que reforma o IRC, para que as empresas paguem menos impostos, e que reforma o IRS, para que os trabalhadores por conta de outrem e os pensionistas paguem mais. Antecipa-se o fim da cláusula de salvaguarda no pagamento do IMI, ao mesmo tempo que se institui uma taxa autónoma reduzida de 28% para quem possui rendimentos prediais. As isenções patrimoniais dadas aos fundos de investimento mantêm-se e isentam milhares de prédios, pertencentes a instituições financeiras, enquanto se penhoram casa[s] de habitação de cidadãos com dívidas de 1900 euros. Os mais fracos equilibram assim as contas públicas que as instituições financeiras e as grandes empresas desequilibram (...)"
(Paulo Ralha, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos; "A devolução da sobretaxa de IRS e o combate à fraude e evasão", in "Público", edição impressa de hoje. Destaques meus).

De regresso...

Não tenho qualquer ilusão sobre o escassíssimo interesse dos textos que aqui vou deixando. Ainda assim, estou de volta depois de um interrupção de algumas semanas. Por uma razão bem simples: por muito modesta que seja uma voz, como a minha, ninguém está dispensado de fazer o que esteja ao seu alcance para desalojar a corja que desde há mais de três anos tudo tem feito para destruir o país. 
Cá estou, pois, a responder à chamada. De novo.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Em tempo e modo de suspensão

Sei por que motivo. Não sei por quanto tempo. Em boa verdade, só o tempo o dirá. 

("Buda reclinado"- reprodução parcial de uma das estátuas do templo Gal Vihara no Sri Lanka)

Estavam à espera de quê?

Quando se tomam decisões como a criação dos "vistos dourados" tendo apenas em conta o dinheiro, postergando, em absoluto, os valores da dignidade das pessoas e o princípio da igualdade  de todos os seres humanos, está criado o caldo de cultura favorável ao aparecimento de surtos de corrupção, incluindo ao mais alto nível. De facto, se obter dinheiro é o objectivo último da política (e da vida?) não há motivo para admiração se alguém se convence que tudo pode ser objecto de compra e venda. Até a honestidade, a honra e o bom nome, conceitos que, na lógica do mercantilismo posto em acção, até perdem sentido.
A criação dos "vistos dourados" pode ser levada à conta de mais uma esperteza, aliás, pouco original, de Paulo Portas, mas não foi uma decisão sensata.  Desde logo, porque, como se deixou dito, gerou um clima favorável à corrupção e porque representa o triunfo do dinheiro no confronto com os valores do humanismo. Conta o dinheiro, não contam as pessoas. Também neste particular se pode dizer que o mundo anda mesmo às avessas.
(Imagem daqui)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Está aí alguém?

Pergunto, porque ainda não ouvi uma única palavra vinda de Belém sobre o escândalo dos "vistos dourados", nem sobre a demissão do ministro da Administração Interna. Será que o cavalheiro está acordado, ou ainda ressona?
(Imagem daqui)

domingo, 16 de novembro de 2014

Avis rara

Concorde-se ou não com as opções e decisões de Miguel Macedo, enquanto ministro da Administração Interna, há que reconhecer, perante o pedido de demissão por ele apresentado, que, no seio deste governo, ele era, afinal, uma autêntica avis rara
De facto, até ao presente, é caso único neste governo. Não se conhece, na verdade, outro que tenha tido a dignidade de se demitir em função de responsabilidades políticas. Ao invés do que é habitual neste governo, Miguel Macedo assumiu as suas que, no caso, decorrem do facto de as relações de proximidade que mantinha com algumas das pessoas abrangidas pela investigação no alegado caso de corrupção na atribuição dos "vistos dourados" poderem afectar a sua autoridade como ministro numa pasta muito sensível a esse nível. Fez bem. A sua atitude, a meu ver, só o honra.
Sublinhe-se, entretanto para finalizar, que esta demissão não pode deixar de ser vista como uma lição para Passos Coelho e que pode, simultaneamente, ser apontada como exemplo a seguir, quer à ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, quer ao ministro da Educação, Nuno Crato, dois casos gritantes de irresponsabilidade política. Consentidos, é claro, pelo irresponsável mor.

Uma sorte danada...

"De Belém não veio um murmúrio". Não admira, pois ouve-se, nitidamente, cá fora, que o homem ressona.
(imagem do "Público", edição impressa de hoje)

sábado, 15 de novembro de 2014

Estupidez? Não. Descaramento!

(Extracto da crónica de Miguel Sousa Tavares, in "Expresso", edição impressa de hoje)

Olhe para a árvore, deixe lá a floresta

De acordo com o noticiado pelo Diário Económico, uma fonte governamental garantiu que o programa dos vistos gold "é para continuar" e que é preciso "não confundir a floresta com árvores podres".
Confesso que me surpreende a pressa com que a pandilha no poder "sentencia" alguns dos seus próprios membros, alegadamente envolvidos na atribuição dos "vistos dourados" e a quem são indiciariamente imputados os crimes de corrupção, peculato, tráfico de influências e branqueamento de capitais. De facto, ainda os investigados não tinham sequer sido ouvidos pelo juiz de instrução e já a pandilha os considera como "árvores podres". 
Pergunto-me se uma tal rapidez não terá a ver com as ligações perigosas de que também se fala?  Não garanto que a ideia seja essa, mas chamar a atenção para a árvore para que não se veja a floresta é uma manobra que faz todo o sentido para quem é useiro e vezeiro na prática de outras manigâncias.

Bye, bye, Coelho*

* Some-te e não voltes!
(Imagem do "Expresso", edição impressa de hoje)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Não há fumo sem fogo?

Sofrendo de ingenuidade congénita, custa-me a acreditar que as suspeitas que levaram à detenção de pessoas como estas  tenham fundamento. Não me atrevo, por isso, a afirmar que "não há fumo sem fogo", porque, se calhar, pode haver fumo e não existir fogo. No entanto, caso se confirmem as suspeitas, então teremos de concluir que o fenómeno da corrupção alastrou na sociedade portuguesa como fogo em mato seco tocado pelo vento. A confirmar-se a calamidade, torna-se mais que urgente escolher um outro "corpo de bombeiros". O actual, manifestamente, não serve.

Um êxito indiscutível: a emigração em massa

Este governo de cabeças-de-abóbora passa o tempo a reivindicar sucessos, lá onde, a generalidade dos portugueses só descortina fracassos. Há, no entanto, um sucesso que este governo tem toda legitimidade para reclamar. Quem não se lembra de ouvir Passos Coelho e outros pantomineiros do seu governo a apontar aos portugueses o caminho da emigração?
Ora, é indesmentível que esse apelo teve um indiscutível sucesso. Para tal concluir, basta atentar nos números divulgados no relatório estatístico do Observatório da Emigração: "No ano passado, emigraram cerca de 110 mil portugueses." No ano anterior, em 2012, já tinham emigrado 95 mil. “O mais provável é que em 2014 este número volte a aumentar ligeiramente”.
Há quem, perante estes números, conclua que esta emigração é a prova mais acabada do falhanço da "política de empobrecimento" de que este governo se reclama. Trata-se, porém, de gente mal intencionada que não consegue compreender que esta debandada casa perfeitamente com a política dos vistos "gold", entregue à supervisão do vice-pantomineiro Portas. Não se está mesmo a ver que para atrair gente com "massa" é preciso fomentar a emigração em massa? Há que arranjar espaço, ou não?

Extraordinário e inacreditável!

«Diz Passos Coelho que acabaram-se com as inspeções para "justamente reforçar a capacidade de inspeção e de prevenção destes casos". Acabar com as inspeções obrigatórias para as reforçar? É extraordinário e inacreditável.» (Daniel Deusdado; "Demasiado veneno no ar" - Extracto. Destaque meu).
A meu ver, não há nada de extraordinário, nem de inacreditável  na afirmação, vindo ela de quem vem.  Extraordinário e inacreditável é o pantomineiro que a profere. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Mais um pódio

Sabe-se que, no tocante a desgraças, este governo tem vindo a acumular sucessivos recordes de que muito se orgulha, pois, trata-se, de uma forma ou de outra, de consequências da política de empobrecimento de que o ex-consultor da Tecnoforma tanto se ufana. 

No caso do surto de Legionella pneumophila que surgiu no concelho de Vila Franca de Xira, o governo português ainda não pode reclamar o prémio de recordista, mas já tem lugar no pódio.

É verdade, tendo em conta as afirmações de Passos Coelho, o tal ex-consultor da Tecnoforma, que o governo português não está, neste caso, interessado em reclamar nenhuma medalha, pois até já fez saber que a epidemia "não ocorreu por negligência do Estado". Não falta, porém, quem aponte para a possibilidade de a eliminação da obrigatoriedade da realização de auditorias à qualidade do ar, levada a efeito pelo governo de Passos Coelho, através de alteração do decreto de lei n.º 79/2006, ter concorrido para o aparecimento do surto epidémico.

Especialista como é em sacudir a água do capote, não admira que Passos Coelho, uma vez mais, descarte as eventuais responsabilidades do seu governo, responsabilidades que, a priori e sem mais indagações, não são de excluir. Pelo menos, para quem tenha consciência dos seus actos e noção das suas possíveis consequências. Isto, porém, já seria pedir muito ao ex-consultor da Tecnoforma. Acho eu.

Vira o disco e toca o mesmo


Vira que vira e torna a virar. Com tanto virar, onde é que a cabeça do Coelho irá parar?

"Maltratado"

"(...)
Em suma, [o Tratado Transtlântico de Comércio e Investimento (TTIP)]  é um Tratado anti-democrático e não sujeito a escrutínio, cujo conteúdo está a ser decisivamente influenciado pelas grandes empresas transnacionais ao mesmo tempo que é escondido dos cidadãos e dos seus representantes eleitos. Um Tratado que corre um sério risco de pretender nivelar por baixo as regras em matéria ambiental, laboral e de segurança do consumidor. Um Tratado que pode vir a incluir, se os Maçães deste mundo levarem a sua avante, um mecanismo de neutralização da soberania sem precedentes. E um Tratado que, se for aprovado, tenderá a condenar ainda mais a economia portuguesa ao agravamento da sua condição semi-periférica.
Deve ser travado enquanto é tempo."
(Alexandre Abreu; "Maltratado"; Na íntegra: aqui. Destaque meu)

Ou isso

Com a cabeça fora do Citius
Seja como for, em qualquer caso, mediquem-na!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ao menos, mediquem-na!

Se Portugal tivesse um governo a sério, é evidente que depois do fiasco que foi a introdução de uma Reforma da Justiça mal preparada pela respectiva ministra e, como tal, responsável pelo caos instalado no funcionamento dos tribunais, Paula Teixeira da Cruz já estaria, nesta altura, entretida noutra ocupação qualquer. Ministra da Justiça é que já não era, pela certa. Porém, como este governo é liderado por um indivíduo que nunca devia ter deixado de ser consultor da Tecnoforma, Paula Teixeira da Cruz não só permaneceu como ministra, como nessa qualidade, tomou a iniciativa de enviar à Procuradoria-Geral da República um relatório elaborado no IGFEJ, um instituto dela dependente, com vista à instauração de um inquérito-crime contra dois funcionários do seu ministério. Instaurado este,  foi o mesmo arquivado, em menos dum fósforo, prova mais que óbvia da falta de indícios. Num caso com estes contornos, o que faria uma pessoa, por muito ministra que fosse, que estivesse no seu perfeito juízo? Engolia a desfeita até para que a mesma mais facilmente passasse despercebida. Não foi, porém, essa a atitude de Paula Teixeira da Cruz. Empenhada em encontrar um bode expiatório para a sua própria incompetência determinou a abertura de um inquérito disciplinar aos dois elementos da PJ que trabalharam no sistema Citius, com base no mesmo relatório utilizado para a instauração do inquérito-crime.
Se o relatório é o mesmo e idênticos são os dados, suponho que a probabilidade de o inquérito disciplinar ter um destino diferente do inquérito-crime não será grande, porque, em última instância, a decisão não cabe à ministra. A ser assim, a ministra da Justiça corre o risco de, em desespero de causa, ser de novo desfeiteada.
Esse facto não deve impedir, no entanto, que a ministra, dada a comprovada falta de tino, prossiga na senda dos sucessivos dislates.
Apesar disso, perante os antecedentes, é muito improvável que o ex-consultor da Tecnoforma venha a demitir Paula Teixeira da Cruz, por muito provada que esteja a sua incompetência para lidar com o caos que, por culpa sua, se instalou no ministério da Justiça. Por isso, acho por bem, deixar aqui um apelo, para evitar males maiores. Ao menos, mediquem-na! 

Em Belém, muito para lá de Marte


(Bartoon, por Luís Afonso, in "Público" edição impressa de hoje)

O tiro que saíu pela culatra...

Paula Teixeira da Cruz que, num governo de gente normal, a estas horas já devia ter outro entretém, lá terá de inventar outro(s) bode(s) expiatório(s) se quiser sacudir a água do capote, gesto que pratica com desembaraço e desenvoltura. Como se viu. Assim fosse ela capaz de levar a cabo uma reforma da Justiça, com pés e cabeça. Infelizmente, já deu provas de que não é e infelizmente também temos um primeiro-ministro que, para nossa felicidade, ainda hoje devia ser consultor da Tecnoforma.