quinta-feira, 27 de agosto de 2015

"O Governo e a Fábula do Escorpião e do Sapo"



Não é fácil, nos dias de hoje, encontrar, entre políticos e comentadores, alguém com a virtude e a capacidade de nos informar, com rigor e honestidade, sobre o andamento das contas públicas.
Paulo Trigo Pereira, têm essa capacidade e essa virtude. Comprove a afirmação lendo "O Governo e a Fábula do Escorpião e do Sapo".
Com informação desta qualidade só se deixa enganar pelas aldrabices do governo da PàF (!) quem quer.

Será que pode ?

Créditos: Luís Vargas

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Passos Coelho que se cuide!

Aparentemente, está em curso no seio do PSD, uma acesa disputa sobre quem merece a palma da falta de seriedade. 
É verdade que passos coelho tem uma reputação bem firmada como aldrabão e mentiroso. Pelo menos, é o que dizem as sondagens que se têm interessado em fazer perguntas sobre o assunto. Porém, maria luís albuqerque, desde há algum tempo apontada como uma provável substituta de passos coelho, em caso de insucesso eleitoral da coligação PàF(!) nas próximas legislativas, parece empenhada em não perder a corrida para obter um tal galardão, que, pelos vistos, nos tempos que correm, é indispensável para se atingir a liderança do PSD.
E, como é evidente, numa disputa como esta, nenhum dos contendores pode dar-se ao luxo de desperdiçar toda e qualquer oportunidade para firmar os seus créditos.
Não admira, por isso, que maria luís albuquerque tenha aproveitado a oportunidade proporcionada pela "óniversidade" de verão do PSD, para dissertar sobre os "malefícios" das propostas contidas no programa do PS, programa que, todavia, não leu:"O programa todo, não, não li. Li algumas coisas daquilo que são os documentos que o PS tem vindo sucessivamente a publicar e alguns comentários sobre os mesmos.
Alguém duvida, perante o teor da afirmação, que a (imagine-se!) ministra das finanças não leu coisa nenhuma? Eu não.
Termino como comecei: Coelho que se cuide, pois, se quiser manter o título de político com maior índice de falta de seriedade, tem em maria luís albuquerque uma adversária à altura. 

Que justiça?

«Para fazer um balanço da Justiça, podemos recorrer à tradicional imagem da balança. Num prato, o deslumbramento da ministra, que acha que tudo reformou e tudo resolveu.
No outro prato, o triste confronto com a realidade: o mapa judiciário que entrou em vigor aos trambolhões, com tribunais em pantanas e processos empilhados em corredores ao deus-dará; e, cúmulo da incompetência, todo o sistema judicial parado durante semanas, devido ao ‘crash’ do CITIUS, sem ninguém assumir a responsabilidade
[CORTE_EDIMPRESSA]
Há ainda aquilo que a ministra devia ter feito e não fez: a Justiça não precisa de novos códigos, que este Governo ufanamente aprovou; precisa, sim, de uma gestão mais profissional, de métodos mais eficientes, da simplificação de actos e diligências, que permitam agilizar processos e reduzir pendências. Por fim, não esqueçamos o número recorde de leis inconstitucionais que a actual maioria foi capaz de produzir, sucessivamente chumbadas pelo último bastião do Estado de Direito em Portugal: o Tribunal Constitucional.»
(Tiago Antunes: "Caos". Destaque meu.)

Números do "sucesso": "MAIS Salários MÍNIMOS"

Fonte: 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

"Se cá nevasse, fazia-se cá ski"


"Se o ano acabasse agora seria devolvido um quarto da sobretaxa

(maria luís albuquerque ; ministra das finanças de passos coelho)

Já "gerou" o seu cartaz, hoje ? #3


A liberdade na incerteza ou a segurança da escravatura?

"Será que o povo deixou de ter a capacidade de sonhar um futuro diferente e melhor e apenas lhes podemos propor um regresso ao passado ou a continuação do presente para não os angustiar com as escolhas da liberdade? Será que a maioria dos cidadãos prefere mesmo a segurança da escravatura à incerteza da liberdade? Será que o mundo que os cidadãos sonham para os seus filhos é feito apenas de telenovelas e de centros comerciais?"
(José Vítor Malheiros: "O medo do futuro". Na íntegra: aqui)

Números do "sucesso": "209 000 empregos destruídos em 4 anos"

Fonte:   

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Iliteracia ou má fé?

Não sei se houve algum órgão de comunicação social que não tenha aproveitado a apresentação dos cálculos finais do programa eleitoral do PS na quarta-feira para vir proclamar que António Costa prometia a criação de 207 mil novos empregos. Se um ou outro órgão de comunicação não alinhou pelo mesmo diapasão e foi capaz de fazer uma leitura correcta do que foi dito na ocasião, é caso para festejar, porque estaremos, em tal hipótese, a falar de uma avis rara. De facto, lamentavelmente,  a generalidade dos media ou sofre de grave iliteracia, ou, o que é pior, distorce os factos movida por má fé.
A distorção entre o que foi afirmado, na referida apresentação e o que veio a ser noticiado é de tal forma flagrante que António Costa se viu obrigado a prestar novos esclarecimentos, afirmando para o efeito: "Eu não prometo 207 mil postos de trabalho, eu comprometo-me com um conjunto de medidas de política que tendo por prioridade a criação de emprego têm um estudo técnico a suportá-lo que estima um conjunto de resultados, na dívida, no crescimento, na redução do défice e também no emprego".
Será que a iliteracia é tão grande ou a má fé tão evidente que não dá para se conseguir distinguir uma estimativa em função de certos dados e uma promessa de resultado?

Já "gerou" o seu cartaz, hoje?


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Se faz questão em ser novamente ludribiado, feche os olhos...

e comece por não ler este texto.

«(...)

A coligação governamental, dando mostras de sagacidade política, soube sempre que teria vantagem em concentrar a austeridade na primeira metade da legislatura de modo a concentrar temporalmente a dinâmica recessiva e permitir alguma recuperação quando se aproximassem as eleições.


Fazê-lo implicou uma série de volte-faces. O aumento do salário mínimo, diabolizado pelo governo no inicio da legislatura como destruidor de emprego, passou entretanto a “desejável”. No início da legislatura, saudava-se como sucesso a eliminação do défice externo mesmo quando essa eliminação era um mero efeito colateral da recessão; no final da legislatura, saúda-se como sucesso o crescimento económico mesmo quando acompanhado pelo regresso do défice externo. Também nisto a coligação dá provas de sagacidade política: dada a relativa impermanência da memória no debate público, a coerência é um valor relativamente secundário em política. Contam menos a a realidade, a consistência lógica ou a racionalidade do que as aparências, o spin e as emoções.

Para não falar do malabarismo extraordinário que é necessário para qualificar como “ajustamento” um período de quatro anos em que a dívida pública passou de 108% para 130% do PIB e a dívida externa líquida passou de 83% para 104% do PIB. Ao fim destes quatro anos, exactamente que parte destes dois desequilíbrios macroeconómicos fundamentais é que foi “ajustada”?

(...) o governo até tem tido do seu lado uma conjuntura singularmente favorável em pelo menos três vertentes: a baixa histórica das taxas de juro a nível mundial, a depreciação do euro e a queda do preço do petróleo. Pois mesmo com estas ajudas extraordinárias, o sucesso macroeconómico do governo pode medir-se pelo emprego e pelo produto muito abaixo, e pelas dívidas pública e externa muito acima, do que era o caso quando entraram em funções.

Mas seria injusto e incompleto limitar a análise do desempenho do governo aos aspectos estritamente macroeconómicos. Há toda uma panóplia de transformações estruturais da economia portuguesa que se escondem por detrás dos indicadores mais comuns – e o governo tem procedido a uma série delas. Há a privatização, em geral por montantes irrisórios, da quase totalidade do que restava do sector empresarial do estado. Há a redução significativa da cobertura de apoios sociais como o rendimento social de inserção ou o complemento solidário para idosos. Há a redução de 46% para 43% da parte dos salários no rendimento nacional, em detrimento dos rendimentos de capital. Há a quase eliminação dos contratos colectivos de trabalho. Há o aumento, de 11% para 20%, da proporção dos trabalhadores que auferem o salário mínimo.


Houve, em suma, um aproveitamento magistral destes quatro anos para desvalorizar e precarizar o trabalho, para abrir novas esferas de actividade à acumulação privada e para transformar Portugal numa sociedade menos justa, menos solidária e mais desigual.»


(* Reprodução parcial de um artigo de Alexandre Abreu com o título "Os sucessos e insucessos  do governo", publicado na integra no Expresso Diário de 19/08/2015, obtido via Estátua de Sal. Os destaques são da minha responsabilidade.)

Caloteiro? Sim, com muita honra!


Lembre-se no dia 4 de Outubro...

terça-feira, 18 de agosto de 2015

"As promessas nunca feitas mas cumpridas"...

..pelos farsantes da PàF(!).

Diz, e bem,Mariana Mortágua ("Uma espécie de réveillon"*):
«A pobreza, o desemprego e a redução dos salários. São estas as verdadeiras reformas estruturais conseguidas. São as promessas nunca feitas, mas cumpridas. O resto são discursos de réveillon, 12 desejos ao sabor de 12 passas, todos gastos a pedir por uma amnésia generalizada que apague o mal estrutural que este Governo causou ao país
(* Na íntegra: aqui)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Com a objectiva em mira #1


(Igreja matriz de Malhada Sorda)

Quo vadis, Portas?

Paulo Portas suicidou-se politicamente no dia em que resolveu voltar com a palavra atrás em relação à sua "irrevogável" decisão de se demitir do governo de Passos Coelho. Nesse mesmo dia ficou a saber-se o que vale a sua palavra: NADA. E ele, que tem a obrigação de se conhecer a si próprio melhor que ninguém, deve ter tido consciência disso, porque todas as bandeiras por ele defendidas, com maior ou menor demagogia, ao longo dos anos (agricultores, reformados, contribuintes) foram sendo sucessivamente abandonadas por ele e pelo seu partido. 
Mais relevante, porém, é que o suicídio político de Portas teve, em simultâneo, como consequência fazer desaparecer o CDS enquanto força política com alguma valia e autonomia. Na verdade, o CDS, nos dias de hoje, não é mais que um mero "apêndice do PSD". 
A melhor prova da actual e, porventura, definitiva  irrelevância política de Portas e do partido que ele lidera (?), o CDS, nem é a formação da coligação "Portugal à Frente" (para andar para trás, permito-me eu acrescentar), aceite incondicionalmente pelo CDS. O sinal mais evidente da perda de autonomia do CDS é participação de Portas e de alguns quadros do CDS na "festa do Pontal" organizada pelo PSD, manifestação onde Portas apareceu, não como dirigente de um partido com uma ideologia e valores próprios, mas transformado em mero soldado às ordens de Passos Coelho, encarregado de endereçar setas e farpas aos adversários. Sem grande habilidade e nula eficácia, diga-se.
(Reeditado)

domingo, 16 de agosto de 2015

Dedicado aos profissionais da banha da cobra em acção na "festa do Pontal"

Por uma vez, sem grande risco de se tornar vezo, estou de acordo com Passos Coelho: dizem as crónicas que, na "festa do Pontal", que ontem teve lugar, o dito cujo pediu aos eleitores chamados às urnas no próximo dia 4 de Outubro, um "resultado inequívoco".
Secundo o pedido: este governo destroçou o país, lançando milhares no desemprego, na pobreza e na miséria e empurrando centenas de milhares de portugueses para a emigração. Consequentemente, não só espero, como desejo, que os partidos que integram o actual governo, agora coligados na PàF (!), sofram nas urnas uma derrota sem margem para dúvidas. Ou inequívoca, se preferirem.
Todo o resultado que represente menos que uma derrota estrondosa nas próximas eleições legislativas significará também, inequivocamente, que, em Portugal, os vendedores de banha da cobra (papel que Passos e Portas desempenharam na perfeição na "festa do Pontal"), têm todas as condições para alcançarem sucesso.
Infelizmente, face aos antecedentes, é uma possibilidade que não pode ser levianamente descartada, muito por culpa dos partidos alinhados à esquerda do espectro partidário a quem se pede que, em vez de se digladiarem entre si, se concentrem na luta contra a direita radical que tomou conta do destino do país, em meados de 2011. Já, nessa altura, alguma esquerda teve culpas no cartório. Lamentavelmente, pelo que tenho visto e ouvido, ultimamente, essa esquerda parece que não aprendeu nada com a dolorosa experiência.
(imagem e citação: daqui)

"Alminhas"

Painel do género vulgarmente designado por "Alminhas", dedicado às almas do purgatório, no interior de uma pequena capela, nos arredores de Porto de Ovelha

sábado, 15 de agosto de 2015

O que os aldrabões da "festa do Pontal" não vão dizer...

. .. é que ""há ainda um longo caminho a percorrer até se atingirem os níveis do PIB de 2010", PIB que, desde 2010 ( o último ano da década que os aldrabões apelidam de "década perdida") caiu 8, 1%.
A manter-se o anémico crescimento que agora se verifica (1,5%) a recuperação do PIB para valores de 2010, nem durante toda a próxima legislatura de 4 anos poderá ser alcançada. Mesmo que tudo o resto corra pelo melhor.
O tempo que o PIB levará a recuperar dá uma ideia, ainda que pálida, do grau de destruição da economia portuguesa provocado pela política de austeridade "custe o que custar" levada a cabo por este governo. 
Digo pálida, porque, em boa verdade, só as famílias mais afectadas pela austeridade imposta pelos ora coligados na PàF (!) e, em particular, os milhares que foram lançados na pobreza é que estão em condições de avaliar a dimensão do desastre.
Disto não falarão Passos, nem Portas, na festa do Pontal. Aposto.
(imagem daqui)

A linha que separa a verdade da mentira (PàF!)

(Fonte)

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Com o governo da PàF: ora a marcar passo, ora em marcha atrás

É a conclusão a tirar dos dados divulgados hoje pelo INE sobre o andamento da economia portuguesa.
Esta está, de facto, a marcar passo, pois o PIB no 2º trimestre deste ano cresceu 1,5% em termos homólogos (inferior a todas as previsões) e 0,4% em relação ao trimestre anterior (precisamente metade do verificado na Grécia, apesar da dimensão da crise que a tem assolado!), valores que, sendo idênticos aos apurados em relação ao trimestre anterior, reflectem a falta de dinamismo da economia portuguesa.

Ao mesmo tempo, porém, os dados divulgados revelam que o crescimento se ficou a dever ao aumento da procura interna (consumo e privado e variação positiva de existências) e  não ao desejável aumento da procura externa (exportações) que deu "um contributo negativo significativo para a variação homóloga do PIB".
Se isto não é andar para trás, andar para a frente, como apregoa o governo e a sua extensão PÀF, é que não é. De certeza.

"Portugal à frente" andando para trás # 1

(Imagem obtida no facebook sem indicação de autoria)