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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Os "mercados" continuam a celebrar...

...o "dia histórico" e o acordo de concertação social não menos "histórico", com os juros da dívida portuguesa  a bater novos máximos a dez e cinco anos nos mercados secundários: as taxas referentes aos títulos de dívida portuguesa a dez anos estavam em 14,677% (ontem: 14,160) fixando-se as taxas dos títulos a cinco anos, num novo máximo de 19,128% (ontem: 17,928%). 
Isto, apesar da magnífica e louvável iniciativa de P. Portas de pôr a diplomacia portuguesa a "vender" o acordo no estrangeiro "para melhorar a imagem externa do país".
O resultado é decepcionante? Pois é, mas quem lhe manda a ele e ao governo andar a vender gato por lebre? O acordo, sem a participação da CGTP, vale, porventura, alguma coisa em termos de maior ou menor conflitualidade laboral e social ?

sábado, 2 de outubro de 2010

Duríssimo, insuportável ...

... é como tenho visto qualificar o conjunto de medidas anunciadas pelo Governo para consolidar as contas públicas.
Duríssimo e insuportável será, sem dúvida, para os trabalhadores por conta de outrém se o salário mínimo não for actualizado para os 500 €, tal como foi acordado em sede de concertação social (o que espero não venha a acontecer, em conformidade, aliás, com as palavras da ministra do Trabalho e Emprego). Já quanto à generalidade da população, ainda que as medidas anunciadas sejam dolorosas (ninguém gosta de ver diminuir os seus rendimentos, nem prejudicada a sua qualidade de vida) aqueles qualificativos só podem ser tidos à conta de manifesto exagero.
As medidas podem, porém, ser encaradas de um outro ponto de vista que é o de saber se elas são ou não necessárias. Ora, sabendo-se que o valor do que consumimos é superior em 10% ao valor do que produzimos, tal significa que temos vivido (muitos de nós) acima das possibilidades, recorrendo sistematicamente ao endividamento externo para satisfazer as exigências do nosso nível de consumismo. Os credores, porém, mostram, designadamente através do agravamento das taxas de juro, que não estão dispostos a financiar o país, indefinidamente, a menos que demos sinais de moderação nos gastos, por forma a poder honrar anteriores compromissos. E aqui, não há volta dar, pois não está na nossa mão abrir os cordões à bolsa alheia. De forma que, por dolorosas que sejam as medidas, elas são antes de mais, necessárias. Ou, para ser mais preciso, inevitáveis.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um governo masoquista ?

Lendo o que se escreve por aí, face às medidas anunciadas para consolidação das contas públicas, fica-se com a sensação de que o Governo é, por certo, masoquista.
Lamentavelmente, nem o PCP, nem o Bloco de Esquerda têm a amabilidade de nos elucidar sobre o modo como se resiste ao crescente aperto dos mercados financeiros (leia-se: contínuo aumento dos juros) nem a direita se mostra capaz de apresentar outra solução. O PSD, por exemplo, limita-se a balbuciar, pelos vistos, indefinidamente, a mesma pergunta: o que é correu mal na execução orçamental ?  É curto, para um partido que se pretende apresentar como alternativa. Até porque, provavelmente, nada correu mal, a não ser o forte ataque à dívida soberana do país. Que ninguém previu. Nem a luminária que dá pelo nome de António Nogueira Leite.
(Título reeditado)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O "pecado" mora sempre ao lado

Os números que dão conta que o Estado português se endivida à media de 2,5 milhões de Euros, à hora, são deveras impressionantes, mesmo que as necessidades de financiamento  para este ano se encontrem já asseguradas, em 90%, como afirma o ministro da Presidência, Silva Pereira, o que, a ser verdade, parece não comprometer as metas estabelecidas no PEC, nem ultrapassar os limites orçamentais, como, aliás, decorre da comparação entre os números avançados para a dívida já contraída (14,2 mil milhões de euros) e o montante máximo de endividamento consignado no Orçamento de Estado (17,4 mil milhões de euros) não havendo, por isso, como sublinha o primeiro-ministro, razão para alarmismos.
Mesmo que, como afirma o Governo, não haja razão para alarmismos,  aqueles números não deixam de levar à conclusão de que há que limitar o endividamento do Estado até porque os juros da dívida pública têm vindo a aumentar progressivamente e o Estado não dispõe de meios para travar esta subida, a não ser reduzindo a dívida.
Há, porém, outros números que não são menos surpreendentes, nem menos preocupantes do que aqueles. Com efeito, ainda há dias ficámos a saber que os portugueses compraram, só no 1º semestre deste ano, perto de 3 milhões de telemóveis (sem dúvida, mais um número impressionante) e hoje veio a lume a notícia de que as vendas de automóveis descem na UE mas sobem em Portugal, cifrando-se o aumento das vendas, nos primeiros oito meses, em 46,4 por cento, em relação a igual período do ano passado.
É obra !
Estes números demonstram que os portugueses continuam, apesar da crise, a viver à grande e à francesa, mesmo sabendo que a dívida externa portuguesa deriva, sobretudo, do excessivo endividamento dos particulares e das empresas, endividamento que é, por isso, responsável, em igual medida, pelas dificuldades de financiamento da economia portuguesa e pelo aumento dos juros dos empréstimos.
Que mais dizer a não ser que, perante as dificuldades que o país atravessa, o comportamento dos portugueses é bem próprio de quem entende que o "pecado" mora sempre ao lado e que os culpados são sempre os outros e em especial os governos (o actual, ou qualquer outro que o tenha antecedido, ou qualquer outro que lhe venha a suceder). Possivelmente, também se poderia concluir, como o faz hoje Jacinto Nunes, que “só nos metem na ordem à força”.
Mesmo que a afirmação não corresponda à verdade, só o facto de haver quem o afirme já é pouco agradável.