Qualquer que seja a verdade material, certo é que a absolvição de Fátima Felgueiras de todos os crimes de que era acusada no denominado processo do futebol, hoje decretada pelo Tribunal de Felgueiras, constitui mais um fiasco da justiça portuguesa. Porque, de duas uma: ou Ministério Público, que a acusou, se contenta com fracos indícios para deduzir a acusação, ou os juízes são muito exigentes em matéria de prova.
Seja como for, a justiça portuguesa não sai prestigiada, depois de tantos casos mediáticos (a que se junta agora este) que tiveram o mesmo resultado ou redundaram na aplicação de penas simbólicas, face aos ilícitos imputados e que, na maior parte dos casos, não foram dados como provados. E bem precisada anda a justiça portuguesa de prestígio, face ao descrédito de que goza actualmente, como ainda recentemente foi apurado num estudo de opinião publicado pelo "Expresso".
E não me venham, em coro, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público e a Associação Sindical dos Juízes, com a alegação de que a responsabilidade pelo descrédito da justiça portuguesa cabe ao legislador, porque as leis são imperfeitas. Em todos estes casos não é a imperfeição da lei que está em causa, mas sim a sua aplicação. Pelo Ministério Público ou pelos Juízes, é o que importaria saber.
E, entretanto, enquanto os senhores magistrados se entretêm a "brincar" aos processos, os contribuintes já têm mais uma factura para pagar.
