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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"O amor do sacrifício é uma doença"

"Conheci teologias que apresentavam e justificavam divindades que exigiam sacrifícios. Algumas atreveram-se a fazer da própria crucifixão de Jesus Cristo - um crime político preparado por instâncias religiosas -, uma exigência de pagamento da infinita dívida a Deus contraída pelos pecados dos seres humanos.
Jesus mandou às urtigas essas teologias macabras. O seu Deus não quer sacrifícios humanos. É amigo da vida e só quer justiça e misericórdia. A conversão cristã consiste numa reorientação da existência pessoal, guiada pelo primado do dom, fruto do amor.
Agora, Vítor Gaspar, ministro das Finanças, não se importa muito com as suas contas mal feitas, pois "a disponibilidade dos portugueses  para fazer sacrifícios é muito grande" (DN, 12.09.2012). Conta, também, com Passos Coelho, mais troikista do que a troika: quem não gostar que emigre e nada de lamechices. Se é pelos frutos que se conhece a árvore estamos aviados: 89% dos portugueses dizem-se pessoalmente afectados pela crise e 90% pensam que a maioria dos benefícios deste sistema só vai para alguns, alargando o abismo entre pobres e ricos. André Macedo, director de Dinheiro Vivo, pergunta: "Onde é que isto vai acabar? Impostos altíssimos, desemprego explosivo, um governo possuído por modelos económicos de alto risco e que, agora, até na gestão da tesouraria das empresas se intromete. Porquê esta loucura'" (DN, 12. 09. 2012)
(...)
São perversas as teologias e as políticas sacrificiais. O amor do sacrifício é uma doença."

(Frei Bento Domingues ; Política sacrificial; in "Público", edição impressa de ontem)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Respigando em seara alheia (I)

"(...) O mundo das "verdades reveladas" não é um exclusivo do Vaticano. Hoje, no meio dos ruídos sobre o presente e o futuro da UE, decreta-se, com a exibição de números assustadores, que não há alternativas nem correctivos a programas que, em nome de um futuro fictício, tornam o presente insuportável. A insistência em que não há alternativa é uma conhecida retórica para matar qualquer possibilidade de discussão séria e de diálogo profundo e frutuoso. É a linguagem da imposição, de criados obedientes às ordens da especulação financeira e dos seus tutores, das sempre invocadas exigências dos mercados. Os seus interesses são sagrados, intocáveis. Eles são os novos deuses. É preciso conquistar-lhes a confiança. Sacrificar tudo nos seus altares.
As agências de rating dizem quem cometeu sacrilégios, quem pecou mortalmente. É preciso confessar-lhes todos os pecados passados, mostrar arrependimento, prometer cumprir a penitência imposta. Depois disso ainda podemos continuar a não passar de lixo.(...)"
(Frei Bento Domingues, in "Público", edição impressa de domingo)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Frei Bento Domingues




Se há prémios bem atribuídos, este é um deles. Frei Bento Domingues, cujas crónicas dominicais, no "Público", leio regularmente e pessoa que conheço desde os meus tempos de universidade (já lá vão muitos anos) é, além do mais, um verdadeiro humanista e um pensador e teólogo, a todos os títulos, notável.
Parabéns à Ordem dos Advogados !