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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Sobre o efeito Merkel

Tinha decidido pôr um ponto final nos comentários sobre a visita da senhora Merkel, mas eis que surge uma notícia que me faz arrepiar caminho. A notícia é esta: coincidindo com a visita da chanceler alemã, Portugal sobe para o 5º lugar no "clube" da bancarrota, ultrapassando a Venezuela, com a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa a subir  para 41,59%  e com os juros a sete e dez anos a subirem para muito próximo de 9%.
Não digo, obviamente, que este agravamento do risco de incumprimento seja efeito da visita da referida senhora, mas o que é facto é que a visita e os elogios por ela deixados ao "excelente" cumprimento do programa de ajustamento, não passam de um fait divers, irrelevante para os mercados financeiros. Ou seja, até deste ponto de vista, a visita da chanceler foi completamente inútil.
A respeito dos efeitos da visita, há ainda que sublinhar um outro ponto não encarado em comentários anteriores. O ponto é este: o aspecto mais saliente em todo o "discurso" do primeiro-ministro foi a sua postura de subserviência e de submissão perante as teses da visitante. Não é, pois, nada difícil concluir que a visita, em vez de servir de algum apoio ao fraco e debilitado governo de Passos, Gaspar, Portas & Cª,  acabou por ser-lhe prejudicial, pois acentuou a imagem de um primeiro-ministro cada vez mais vergado às exigências da troika e, em particular, às ordens da senhora Merkel. 
O menosprezo votado pelo povo português a este governo, se já era grande, saiu, com a visita, reforçado. A justo título, diga-se.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A visita. Ponto final

A visita em resumo: uma perda de tempo e uma oportunidade falhada, pois nem Merkel, nem Passos mudaram uma vírgula no discurso da austeridade a todo o custo, com a agravante de Passos negar, com os seus procedimentos, os apelos ao consenso social e político
Acho que nem vale a pena abrir aqui um parágrafo dedicado ao Encontro Empresarial Luso-Alemão, no CCB. Não dei conta de ter de lá saído nenhum resultado concreto e menos ainda algo que mereça notícia.
De forma que, o melhor é plantar, já aqui, um ponto final.

Auf Wiedersehen, Merkel!

"Merkel quis fazer de Portugal e da Grécia cobaias para o seu experimentalismo económico. E conseguiu. Portugal, sem moeda para desvalorizar e com políticas pró-cíclicas, é hoje um autêntico Frankenstein da economia que continua a rejeitar o implante da austeridade pela austeridade. Auf Wiedersehen Merkel."
(Pedro Sousa Carvalho; "Merkel fez de Portugal o Frankenstein da economia"; na íntegra: aqui)

Erro grave em geografia

"A Alemanha está ao lado de Portugal". 
Erro grave, em matéria de geografia. Passos Coelho terá, ao menos, oferecido à senhora Merkel um mapa da Europa? 
Muito improvável, pois não creio que Passos, um simples vassalo da senhora se atrevesse a apontar o erro.
(Citação e imagem daqui)

A visita - um ponto de vista

" Infelizmente, Merkel só virá cá falar com quem já concorda com ela e fugirá ao contraditório. Não lhe fica bem, mas o problema é dela. O nosso problema é que quem concorda com ela se porte com dignidade; não com pose, mas com verdadeira dignidade. Não deixando de dizer nada só porque acha que do outro lado está a mão que assina o cheque. Não deixando de agir na Europa com uma estratégia própria. Temos o direito e o dever de exigir ao nosso Governo que se comporte assim.
E cá fora, cada protesto, cada editorial, cada carta aberta, cada graffiti, cada panfleto deveria ser norteado pela mesma ideia. A mesma magnífica sensação que tivemos no dia 15 de setembro: estamos indignados, cada qual à sua maneira, mas não perdemos a dignidade."
(Extracto de "Dignos", a crónica de Rui Tavares, hoje no "Público", sem link)


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Visita de médica


Anuncia-se para o próximo dia 12, uma visita da senhora Angela Merkel, a chancelar alemã. Uma visita breve, ao que parece, pois a sua duração não ultrapassará o tempo gasto nas viagens de ida e volta. Poderá, por isso, dizer-se, com toda a propriedade, que se trata de uma "visita de médico". No caso, mais propriamente, de médica.
Não se conhecendo o propósito da visita, oportuna não é, seguramente, atentas as actuais circunstâncias, e, pelo menos, para alguns, a senhora é, nesta altura, "mal-vinda".
Não obstante a não divulgação oficial do objectivo da visita (se existiu, ainda a não vi) alguma imprensa avança com a hipótese de se tratar de uma visita de apoio a Passos Coelho, o governador de Portugal, país   entretanto transformado por ele numa espécie de nova colónia alemã. Tendo em conta a natureza da visita, trata-se, sem dúvida, de apoio "médico", de que o governo de Passos Coelho bem precisa, pois, manifestamente, está doente e muito fraco.
Dada a brevidade da visita, o apoio "médico" trazido pela senhora Merkel é de supor (tendo em conta o receituário por ela seguido com efeitos contraproducentes) que não possa ir além do fornecimento de algum balão de oxigénio, o que não augura nada de bom. De facto, com frequência, o fornecimento de oxigénio a quem está doente, é sinal de que este está a "dar as últimas". Tudo o indica que é o caso.
(imagem daqui)

Em pé de guerra!


Mas, afinal, para Passos Coelho, a senhora Merkel não é bem-vinda?
Para quê, pois, tamanha exibição de poder de fogo?

domingo, 13 de maio de 2012

Más notícias, boas notícias

A estrela da senhora Merkel está, aparentemente e felizmente, a empalidecer.  Depois de ter sofrido uma derrota com o resultado das eleições presidenciais francesas, onde o seu favorito Sarkozy foi batido por François Hollande, viu hoje o eleitorado do Estado da Renânia do Norte-Vestefália a dizer-lhe com toda a clareza: nein
Esta é, pelo menos, a leitura que se pode extrair das notícias que dão conta que a CDU da senhora Merkel não terá terá obtido mais que 26,3% dos votos nas eleições que decorreram hoje naquele estado federado, eleições ganhas pelo SPD, que aparece como a principal força política com 39% dos votos, seis pontos percentuais acima da última votação, e que fica com todas as condições para poder formar governo contando com os Verdes, que obtiveram cerca de 12% dos votos.
Más notícias para a senhora Merkel. Boas notícias para a Europa.