Mostrar mensagens com a etiqueta Serviço nacional de Saúde. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Serviço nacional de Saúde. Mostrar todas as mensagens

sábado, 19 de abril de 2025

Páscoa: as amêndoas amargas do Governo Montenegro

"Este vai voltar a ser o ano e a Páscoa, na história do SNS, com mais serviços encerrados"

São amargas as amêndoas, não são? Sim, bem amargas, mas há quem goste de ser enganado. Bom proveito!
(reeditado)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Um penso rápido

O desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde levado a cabo por este governo, traduzido em muitas centenas de milhões de euros, teria, mais cedo ou mais tarde, de ter consequências graves, como foi atempadamente previsto por médicos e outros especialistas na área da saúde. Essas consequências estão agora à vista de todos (especialistas e não especialistas): mortes, incluindo nas urgências, muito para lá do expectável; urgências a rebentar pelas costuras, com tempos de atendimento que envergonhariam até países do terceiro mundo: hospitais sem camas para internamento; doentes em pre-operatório e em pos-operatório, sem quarto onde possam ser alojados, espalhados pelos corredores; e até falta de macas para onde possam ser transferidos os doentes transportados de maca para o hospital, forçando os transportadores a aguardar horas e horas que as macas lhe seja devolvidas.   
Com a pretensão de pôr termo aos caos instalado, o Ministério da Saúde produziu um despacho assinado pelo secretário de Estado da respectiva pasta que tem o mérito de assumir que os problemas de saúde com que os doentes, médicos e outros profissionais de saúde se confrontam, são reais e muito graves e não imaginários. Ao invés, tudo indica que as medidas contempladas não têm a virtualidade, e menos ainda a virtude, de resolver o problema. Dir-se-ia mesmo que algumas em vez de resolver, complicam. Para implementar as outras seria preciso dinheiro e dinheiro é o que o Ministério da Saúde não tem, graças aos cortes deste governo. 
Como não se fazem omeletes sem ovos, é evidente, à partida, que o remédio proporcionado pelo despacho não passa de um penso rápido que, para além de ineficaz para introduzir melhorias na prestação de cuidados de saúde, arrisca-se, por falta de verbas, a nem sequer ser aplicado.
(imagem e notícia daqui)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Quanto não vale o Serviço Nacional de Saúde ?

O caso do bebé prematuro no Dubai (uma semana de vida, 50 mil euros para pagar) em boa hora e muito oportunamente aqui lembrado pelo Tiago Barbosa Ribeiro, se faz apelo à generosidade de todos, não pode também deixar de suscitar uma reflexão sobre o nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS). Quantos de nós já fizemos a pergunta em título? Se calhar, poucos. É bom, no entanto, que a façamos, porque, perante exemplos como o citado, a verdade é que nem sequer conseguimos imaginar o quanto perderíamos se, um dia, o SNS desaparecesse destruído às mãos de um qualquer defensor do Estado mínimo. E eles, chamem-se como se chamarem, andam por aí.
Fica a pergunta. Não é preciso resposta. Basta pensar. Nela.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Legados

"A OCDE disponibilizou um relatório sobre os sistemas de saúde dos 34 países que a integram (Health at a Glance, 2011). Os dados confirmam o excelente desempenho do SNS: Portugal é o 5 º país com melhor evolução na esperança de vida e o 1º no declínio da mortalidade infantil. Em indicadores específicos de mortalidade por causas associadas ao desenvolvimento, Portugal está perto da média global na mortalidade por acidente (sendo o 4 º melhor país na redução entre 1995 e 2009), está abaixo da média na mortalidade por AVC (mas é o melhor na redução deste indicador entre 1980 e 2009), é o 4 º melhor na mortalidade por enfarte, e está ligeiramente melhor do que a média na mortalidade por cancro. No indicador global para resultados em saúde, anos de vida potencial perdidos (AVPP), Portugal está acima da média da OCDE, sendo o 2 º país com melhor evolução entre 1970 e 2009."
(Excerto do artigo "O triunfo do diácono Remédios" de Francisco Ramos, publicado no Expresso de 30-12-2011, via Porfírio Silva)


Pela minha parte e para já, faço votos para que o actual governo, com a sua mania do "empobrecer", não lance tão excelentes legados para o caixote do lixo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Idosos e SNS

Por muito que doa, a verdade é que esta situação é fruto duma sociedade egoísta, imbuída duma insensibilidade chocante e que só quer saber dos seus direitos e esquece os deveres.
Se não fosse o Serviço Nacional de Saúde, como se resolveriam estes casos que põem a nu a irresponsabilidade das famílias perante a necessidade dos "seus" idosos ?
Mais um argumento a juntar a tantos outros em defesa do actual SNS. Que seria dos idosos abandonados pela família, no dia em que os serviços públicos de Saúde vissem o seu financiamento prejudicado em benefício dum sector privado de saúde transformado em mais uma área de negócio, como pretende o PSD ? 
Para  alguns (uma minoria com dinheiro), não haveria problema. Para a grande maioria, como seria ?
Dir-me-ão que estou a exagerar, pois das propostas de Passos Coelho não decorrem tão funestas consequências. Não decorreriam forçosamente, de facto, se a política do PSD não fosse no sentido de mais cortes na despesa e se houvesse mundos e fundos para o Estado gastar. Ora, respondo, este não é o caso e, em matéria de saúde, como em qualquer outro sector, os que não têm voz (os mais pobres e, entre eles, os idosos) são sempre os mais prejudicados quando há que repartir meios escassos.
Ou não são ?
(reeditada)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

É o "salve-se quem puder"*

Até poderia estar tentado a dar o benefício da dúvida a todos quantos sustentam que a proposta de revisão constitucional em matéria de saúde apresentada pelo PSD, ao prever o desmantelamento do actual sistema público de saúde "tendencialmente gratuito", se funda na necessidade de assegurar a sustentabilidade do sistema e em considerações de justiça social.
A minha boa vontade tropeça, porém, ao verificar, por um lado, que a justiça social pode ser  (e tem sido) assegurada, através da progressividade dos impostos e que o mesmo se pode dizer da sustentabilidade que pode ser (e tem sido) garantida, através do actual nível de fiscalidade e ao constatar, por outro lado, que os factos contradizem as propaladas boas intenções. Com efeito, noto:
a) que aquelas "almas generosas" se contam entre os que se opõem à actualização das taxas moderadoras e entre os que consideram que Portugal tem um nível de fiscalidade muito elevado, o que, a admitir-se, só pode ser verdade em relação aos mais ricos, pois é sabido que existem milhões de portugueses (os mais carenciados) que que não pagam um tostão de imposto sobre o seu rendimento;
b) e que são os mesmos que não aceitam limites à dedução das despesas de saúde, em sede de IRS, limites que afectariam os mais ricos e não os mais pobres, como é evidente.
Tudo leva, pois, a concluir que, afinal, a alegada preocupação com os mais carenciados serve apenas de cortina para encobrir a transformação do actual sistema de saúde baseado na solidariedade entre todos os cidadãos num sistema do "salve-se quem puder" de que sairiam beneficiados todos os que dispusessem de meios (os mais ricos, seguramente) para pagar os cuidados de saúde, mormente os prestados por estabelecimentos privados, e de que sairiam prejudicados todos os demais cidadãos. De facto, assistir-se-ia ou  à degradação dos serviços públicos de saúde, por insuficiência de verbas, ou teriam os menos ricos que suportar um agravamento dos impostos, pois é evidente que a manter-se o abatimento de todas as despesas de saúde, a quebra de receita fiscal proveniente dos mais afortunados seria inevitável.
(* Título reeditado)