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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ultrapassados pelo Cazaquistão

Passos Coelho e o seu (des)governo conseguiram mais uma proeza difícil de igualar e impossível de ultrapassar.
Num relatório divulgado hoje pelo Fórum Económico Mundial, Portugal desce duas posições no ranking de competitividade, em relação ao ano passado, ocupando agora o 51.º lugar, tendo sido ultrapassado no ranking, por  países tão desenvolvidos como o Cazaquistão ou as Ilhas Maurícias. 
E, ironia das ironias, isto acontece, depois de, em nome da competitividade se terem: reduzido os direitos laborais; baixado os salários; facilitado os despedimentos; aumentado o número de horas e de dias de trabalho, (seja pela  via da redução do número de feriados, seja pela diminuição do número de dias de férias); e dificultado a contratação colectiva.
Este resultado prova que não é pela via que este (des)governo tem seguido que se consegue aumentar a competitividade e que não é pela degradação das condições dadas aos trabalhadores que se alcança aquele objectivo, conclusão que se torna tão mais evidente quando é certo que o relatório sublinha que a economia portuguesa continua a ter mau desempenho no que respeita à "eficiência do mercado laboral".
Não é, no entanto, de esperar que Passos Coelho mude de rumo. O sujeito é suficientemente teimoso  para persistir na política que tem vindo a conduzir o país para um beco sem saída e, como tolo fundamentalista que é, é também incapaz de ver que o caminho que tem vindo a seguir é errado.
O fulano garantiu que Portugal tinha que empobrecer e não se pode negar que, nesse particular, continua a somar sucessos e mais sucessos. Este é só mais um.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lembrete

O custo do trabalho em Portugal, por hora trabalhada, era, em 2011, de  12,1 euros,  bastante inferior, a metade da média em vigor na zona euro, que era de 27,6 euros.
Isto só para lembrar a estes governantes da treta,  na véspera da comemoração do 25 de Abril, que não é baixando ainda mais os salários dos trabalhadores que se aumenta a competitividade da economia portuguesa.
Uma evidência, não é? 
Para quem se guia pela cartilha ultraliberal, como este governo, pelos vistos, não é.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Parceiro ou cúmplice?

A UGT acabou por assinar o acordo que representa o "maior retrocesso" nos direitos dos trabalhadores, como diz Carvalho da Silva. E bem. Duvido é que se lhe possa chamar acordo, porque nem a UGT é um parceiro, a menos que parceiro seja sinónimo de cúmplice, nem o documento é algo diferente dum ultimato vindo da parte do governo e do patronato e que a UGT se limitou a subscrever.
É verdade que, da proposta inicial, o governo deixou a cair a meia hora extra de trabalho diário. Só que tal sucedeu não devido a exigências da UGT, mas sim porque o patronato sempre declarou preferir a criação de uma bolsa de horas anual. Meia hora extra diária, ou mais, já o patronato a tem à borla, sempre que lhe convém, pois no actual estado de submissão do trabalhadores, estes dificilmente se atrevem a recusar as exigências do patronato. Este queria a bolsa e teve-a.
Deve dizer-se que, em boa verdade, a assinatura do documento por parte UGT não altera a natureza do documento que mais não é que uma imposição do governo e dos patrões. Infelizmente, para a UGT, a sua assinatura só vem provar que ela não passa dum parceiro-cúmplice para todas as ocasiões. Mesmo quando estão em causa as mais gravosas medidas impostas aos trabalhadores, medidas que vão, reconhece-o o Àlvaro para lá do que estava acordado no memorando da "troika".

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A grande cabazada

Desde que o actual "árbitro" tomou conta do apito, o factor trabalho ainda não averbou um único ponto sequer no confronto com o factor capital.
Na sobretaxa extraordinária inventada, sob o pretexto do "desvio colossal" = colossal embuste, a cobrar este ano, com o corte de 50% do subsídio de Natal, toda a factura incide sobre os rendimentos do trabalho (Capital: 1- Trabalho: 0);
Para aumentar a "produtividade" da economia:
- aumenta-se o horário de trabalho em meia hora por dia, sem qualquer contrapartida por parte dos empregadores (Capital: 2 - Trabalho: 0 );
- eliminam-se quatro feriados, aumentando em igual número os dias de trabalho à borla (Capital: 3 - Trabalho: 0);
- diminui-se o montante e o período de duração do subsídio de desemprego (Capital: 4 - Trabalho 0);
A inflação aumenta (já é superior a 3%), mas o salário mínimo não senhor, porque, diz este "tipinho" que   "em temos relativos e em relação ao salário médio, o salário mínimo [€485]  não é baixo". Se não é, ele que experimente viver com ele (Capital: 5 - Trabalho: 0);


São só alguns exemplos, mas como o "árbitro" nem sequer tem a preocupação de disfarçar a sua parcialidade, como se pode ver por este despacho "do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF), Paulo Núncio, sobre a tributação dos dividendos dos grupos económicos [que] deu mais vantagens às empresas do que apontava o parecer sobre o mesmo assunto do Centro de Estudos Fiscais (CEF) do Ministério das Finanças", é evidente que a cabazada não vai ficar por aqui.