segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Nem gregos, nem romanos"

O desenvolvimento não se mede apenas em termos de percentagem do PIB. O tratamento dado por um qualquer país ao "outro" (que não é mais que um "igual") é um bom indicador de progresso civilizacional e de humanidade. A atribuição a Portugal, por parte das Nações Unidas, do primeiro lugar na classificação dos países mais "generosos" em políticas de integração dos imigrantes, é um facto que honra o país e o governo que tomou as medidas que justificaram a atribuição desta distinção. Ser de esquerda também é isto.

Avifauna portuguesa # 69 : Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca)

(Clicando, amplia)
Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca Pallas)
(Local e data: Parque Urbano - Almada; 20-09-2009)

domingo, 4 de outubro de 2009

A "Verdade" a que continuamos a ter direito

"Na "Sábado", Pacheco Pereira escreve isto: "Houve alturas em que no interior da sala Manuela Ferreira Leite estava a falar do desemprego, da crise económica, da dívida, etc. e os jornalistas nem sequer se davam ao luxo de entrar e estavam apenas à espera cá fora para perguntar sobre o caso do dia."
Na campanha, aconteceu isto: Manuela Ferreira Leite esteve, de facto, no interior de salas a falar sabe Deus do quê, enquanto os jornalistas aguardavam à porta, por terem a entrada vedada. Aconteceu pelo menos duas vezes. E Se Pacheco se refere aos comícios, mente. Em dois sentidos: primeiro, porque não houve jornalistas que "nem se deram ao luxo de entrar" nessas sessões. Segundo, porque ninguém perguntava nada a MFL no fim dos comícios. Ela não deixava.
Não discuto a inteligência, perspicácia e capacidade de análise de Pacheco Pereira. Mas não posso aceitar que minta ou distorça factos para sustentar as suas teorias da conspiração. Que malhe na classe jornalística, é um direito seu. Mas que o faça com factos reais. Alguém disse "verdade"?

Adriano Nobre, jornalista que acompanhou a campanha do PSD"

Eleições autárquicas (Almada) - O futuro com letra pequena

O "Futuro" não se escreve com promessas feitas à última da hora escritas num taipal a encobrir uma casa em ruínas.
É, antes, assim.

O "profeta" na sua terra

"Nas eleições legislativas de 2005, o PSD obteve 28,7% dos votos na vila da Marmeleira, ficando em segundo lugar. O leitor diria que nas eleições legislativas de 2009, sendo José Pacheco Pereira o cabeça de lista pelo distrito de Santarém, o PSD teria um excelente resultado, porventura ultrapassando o PS. Acontece que o leitor está enganado. Pacheco Pereira cometeu a proeza de descer para 23,4%…"

O afilhado

É o que o afilhado diz da madrinha. É bonito e "amor com amor se paga", diz o ditado.

"Ódio velho não cansa"´?

Este homem, José António Cerejo, obcecado com a perseguição contra José Sócrates não conhece descanso. Agora até se serve do facto de Sócrates ter sido chamado a depor como testemunha no processo do chamado "caso da Cova da Beira", para mais uma vez, destilar todo o ódio que o anima, fazendo apelo a denúncias anónimas que nunca foram confirmadas. E o "Público" em peça não assinada, insiste, como se fora bruxo ou adivinho, que "o caso pode não ter ficado encerrado com as respostas que [Sócrates] agora deu ao tribunal, na qualidade de testemunha."
Está visto que "ódio velho não cansa" e que tudo indica que o Cerejo e o "Público" ainda se não deram conta que as eleições legislativas já terminaram. Com resultados que são conhecidos. Avisem-nos !

O futuro do PSD, segundo Vasco

"Parece que, por enquanto, Manuela Ferreira Leite não vai sair da presidência do PSD. Em vez disso, que seria com certeza imerecido vexame, sairá na "melhor altura" até ao fim do precário mandato, que recebeu o ano passado. Espera ainda uma espécie de compensação no próximo domingo. Quer pôr a casa em ordem. E, sobretudo, evitar a eventual eleição de Pedro Passos Coelho, que ela acha, ou dizem que ela acha, um "Sócrates de segunda". Os vários bandos do partido, que se preparam para uma nova guerra civil, não se opõem, desde que ela não exagere e marque rapidamente as "directas" para Janeiro ou Fevereiro de 2010. Mesmo Marcelo é contra uma defenestração imediata, que em princípio favorece o PS. Só um péssimo resultado no dia 12 apressará as coisas.
Há, neste momento, cinco candidatos à sucessão: Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Passos Coelho, Paulo Rangel e Aguiar Branco. E é esta a tragédia do PSD. Para começar, Marcelo e Marques Mendes já estiveram à frente do partido e não chegaram a parte alguma. Nem um, nem outro representam hoje para o PSD e o país (por muita inteligência e habilidade que tenham) a unidade e a reforma de que o partido precisa. Pelo contrário, trazem inevitavelmente consigo o peso morto e, a prazo, fatal de uma vida velha e velhas querelas. Passos Coelho (de resto, uma excelente pessoa) é, como diz com razão Ferreira Leite, uma nulidade enfatuada. Paulo Rangel, além de um grande entusiasmo e de uma retórica brumosa e um pouco arcaica, nunca mostrou qualquer qualidade política superior. E Aguiar Branco não existe.
O problema do PSD não mudou de 1995 para cá. O dr. Cavaco criou um deserto à sua volta. Entre um populismo provinciano, e às vezes grosso, e meia dúzia de técnicos na reforma ou muito bem arrumados nos "negócios", não deixou ninguém. Basta seguir os fantásticos sarilhos da "espionagem", para se ver o género de gente de quem ele gosta. Não admira que, depois do "cavaquismo", o PSD ficasse sem cabeça ou, se preferirem, com uma dezena de putativas cabeças, que mutuamente se anulavam. Os "sindicatos" de voto e as maiores câmaras (que "davam" empregos) começaram a mandar e, como era inevitável, estabeleceram uma absoluta confusão. Uma confusão que as "directas" (ganhe quem ganhar), a interferência directa ou indirecta de Belém e as relações com o Governo de Sócrates só podem aumentar."
(Vasco Pulido Valente in "Público" de 4 de Outubro de 2009)

Eleições autárquicas (Almada) III

(Mural da campanha da candidatura do PS à Câmara de Almada)

"Este Programa dá corpo a um contrato entre o PS e os cidadãos de Almada. Foi elaborado de modo participado e vai ser acompanhado do mesmo modo.
O Conselho de Cidadãos que aceitou apoiar o PS nas eleições autárquicas de 2009 participou na sua elaboração, nas diversas fases e será chamado regularmente a fiscalizar a sua execução, criando em Almada um novo mecanismo de co-decisão política que engloba mas transcende o partido político que lhe dá corpo.
Este contrato é celebrado entre o PS e os cidadãos que apoiam a candidatura em nome do Futuro, 35 anos depois e orientará a nossa acção no próximo mandato.
Escolhemos também dar-lhe uma estrutura que facilite a sua fiscalização. Ele tem uma visão orientadora, tem um número restrito de programas estratégicos e identifica novas políticas. Nele se definem prioridades, se quantificam metas e se identificam resultados a atingir.
Aqui não encontrará um catálogo de medidas, mas o enunciado das direcções através das quais queremos fazer a mudança e a diferença em relação à política municipal do passado.
Por isso, em nome dos candidatos socialistas ao município de Almada e do Conselho de Cidadãos que apoia o Futuro, 35 anos depois, queremos convidar-vos a lerem-no e a mandarem, ainda agora, sempre, as vossas sugestões.
Este programa está vivo e nas reuniões regulares do Conselho de Cidadãos será permanentemente revisitado. Em www.almada2009.com estará uma porta sempre aberta para o seu contributo, porque nós queremos novas ideias para novas soluções e não nos fechamos em dogmatismos herdados do passado.

Temos hoje ideias claras para dar corpo à nossa ideia para o futuro de Almada:

Aumentar a mobilidade e devolver a vida ao centro da cidade, revogando o plano Mobilidade XXI, completando as infraestruturas viárias e colocando todos os pontos do concelho a uma distância inferior a 30 minutos do centro, em transporte público;

• Tornar o concelho mais cosmopolita, potenciando muito melhor a relação com Lisboa, o rio e o mar, adoptando uma estratégia ofensiva de captação de investimento moderno e emprego, em competição com os outros pólos da área Metropolitana de Lisboa, afirmando-o como um concelho ambientalmente sustentável, tornando-o num pólo de nível nacional das artes do espectáculo e afirmando a Costa da Caparica como grande complexo de praias da capital do país, activo todo o ano;

• Reequilibrar urbanisticamente o concelho, investindo na renovação urbana que tem estado bloqueada, qualificando as áreas degradadas e apoiando a reconversão das AUGI, que têm sido esquecidas e metade das quais continuam por reconverter passadas décadas, implicando diversas consequências urbanísticas e sociais;

• Apoiar as famílias trabalhadoras, pela melhoria dos serviços à população, com destaque para os transportes colectivos e para a escola pública, construindo as 60 salas de aula que faltam, distribuindo gratuitamente os manuais escolares do 1º ciclo ,garantindo às famílias a escola pública a funcionar das 7 às 19 horas para todos e cuidando dos cuidadores, ou seja, desenvolvendo serviços de apoio às famílias que têm pessoas dependentes no seu seio;

• Fazer de Almada um concelho socialmente mais coeso, com uma nova estratégia de apoio ao idosos, combatendo o seu isolamento e promovendo o desenvolvimento social, em particular nos bairros mais carenciados, pela aposta em parcerias com os agentes locais e numa nova política social de habitação, sem novas concentrações de pobreza. "

(Extracto do programa da candidatura do PS à Câmara de Almada, liderada por Paulo Pedroso. O programa pode ser consultado e lido, na íntegra, aqui)

sábado, 3 de outubro de 2009

Eleições autárquicas (Almada) II

"1 O FUTURO 35 ANOS DEPOIS
Há um provérbio que diz que se fizeres o que sempre fizeste, terás o que sempre tiveste. Assim tem acontecido com o poder autárquico em Almada nas últimas três décadas.
O modelo de gestão que foi seguido no passado não tem só defeitos, mas as suas virtudes foram-se esgotando e a perda de energia tornou-se notória, aumentando também a dificuldade em manter sintonia com os problemas dos cidadãos.
A esse modelo contrapomos agora um outro. Estamos voltados para o futuro. Queremos introduzir novas ideias, novos métodos de acção, uma nova concepção do poder local.
A autarquia deve ser estratega do desenvolvimento do concelho, afastada das disputas político-partidárias tradicionais e estar concentrada em construir parcerias de sucesso, indo ao fim do mundo, trabalhando com quem tiver que trabalhar, com lealdade, para melhorar os destinos do concelho.
Almada precisa de quem tenha novas soluções e não de quem repita velhas queixas, de quem se empenhe totalmente na solução dos problemas e não de quem deles queira alimentar plataformas reivindicativas.
Trinta e cinco anos depois, o concelho já não é mais uma periferia operária de Lisboa. Hoje é composto por duas cidades – Almada e Costa da Caparica – que devem ser centros cosmopolitas da grande capital do país.
Hoje tem um potencial económico que tem que ser aproveitado para atrair novos investimentos geradores de emprego.
Hoje tem milhares de novos residentes que o escolheram por aqui quererem usufruir de uma qualidade de vida que está ao nosso alcance melhorar drasticamente.
Hoje é um concelho com famílias trabalhadoras que precisam de ser devidamente apoiadas e populações envelhecidas que carecem de ser assistidas. Hoje é, também e infelizmente, um concelho que não resolveu o problema das AUGI, que tem concentrações terríveis de pobreza e que corre o risco de vir a ser problemático em termos de segurança.
Mas Almada tem também problemas que se acumularam por força de erros de gestão autárquica que foram cometidos.

A gestão da introdução do Metro do Sul to Tejo foi desastrosa. Faltaram medidas compensadoras do risco de desertificação do centro da cidade. Houve negligência no acompanhamento do crescimento da Costa da Caparica. Deixou-se edificar verdadeiros guetos urbanos.
Agora podemos mudar de rumo, se os cidadãos quiserem. Aqui podem conhecer o que pensamos e porque achamos que mudar de gestão autárquica é essencial. Nestas eleições autárquicas, é Almada que está em jogo.

(Extracto do programa da candidatura do PS à Câmara de Almada intitulado "ALMADA 2009 -O FUTURO 35 ANOS DEPOIS - CONTRATO COM OS CIDADÃOS" programa que, na íntegra, pode ser lido aqui.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Tempestade" no Verão, "bonança" no Outono ?

Ainda segundo o mesmo comunicado, após a publicação dos resultados eleitorais dos círculos da emigração seguir-se-ão os encontros formais, em cumprimento da regra constitucional que determina que “o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”.
Se bem julgo, indo além do discurso oficial, este primeiro encontro informal com os dirigentes partidários terá tido o propósito de aliviar as tensões, quer as derivadas de uma campanha eleitoral com mais "casos" do que seria desejável, quer as resultantes da desastrada comunicação dirigida ao país por Cavaco Silva, após as eleições. Pelas palavras dos dirigentes partidários, à saída do Palácio de Belém, tudo parece indicar, que o objectivo, pelo menos aparentemente, terá sido alcançado.
Por isso me interrogo sobre se depois da "tempestade de Verão" chegou a hora da bonança. É evidente que é cedo para o afirmar, embora me pareça evidente que Cavaco Silva não tem o mínimo interesse na continuação da guerrilha em que, imprudentemente, se envolveu, ou se deixou envolver, pois, pelas opiniões que se têm feito ouvir, Cavaco Silva não se saiu nada bem da peleja. Aprendeu a lição ? A ver vamos.

Tu quoque, VPV?

"Como ele próprio solenemente anunciou, no caso de Cavaco, essa conspiração tinha (ou tem) dois fins. [...]
Perante uma acusação tão grave, era de esperar que o dr. Cavaco apresentasse provas de uma absoluta solidez. Não apresentou. [... ] Estas conjecturas (as de Lima e as de Cavaco) são, como se perceberá, inteiramente gratuitas. Podem vir do excesso de zelo de um assessor ou dois, como podem vir da simples fantasia do dr. Cavaco. Não acrescentam nada e nem vagamente fundamentam a teoria da "conspiração". Face ao discurso do Presidente, não há qualquer motivo para acreditar nele. [...]
Tanto mais quanto o dr. Cavaco toma como um "ultimato" as "declarações" de algumas "destacadas personalidades" do PS (que, de facto, não passam de figuras de terceira ordem), exigindo que ele explicasse a colaboração de membros da sua Casa Civil no programa do PSD. Fora que essa colaboração é provavelmente falsa,, [está provado que não é, digo eu] até Cavaco reconhece que jamais se limitou a liberdade cívica e política a nenhum funcionário de nenhum antigo Presidente. Mas, reconhecendo isto, não hesitou em usar o episódio como base essencial da conspiração que terça-feira revelou ao país boquiaberto."
( Vasco Pulido Valente, aqui, na íntegra)
Concluo eu: mesmo os indefectíveis, com algumas excepções pouco recomendáveis, ficaram, pelos vistos, de boca aberta, com a comunicação de Cavaco Silva. Não é caso para menos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cavaco versus Cavaco

"Belém tinha autonomia sobre serviços informáticos
Na sua comunicação ao País de terça-feira, Cavaco Silva revelou que foram detectadas falhas no sistema informático de Belém.
No Conselho de Ministros de 23 de Abril passado foi aprovado um decreto-lei, assinado por Fernando Teixeira dos Santos e pelo próprio José Sócrates, que alterava o diploma que define a lei orgânica e o quadro de pessoal da secretaria-geral da Presidência da República.
"Tendo em conta as necessidades operacionais da Presidência da República, o presente decreto vem criar uma nova unidade orgânica incumbida da coordenação das actividades relacionadas com a gestão dos sistemas e tecnologias de informação",
lê-se nas justificações apresentadas pelo Governo para criar este novo organismo autónomo em Belém.
Este decreto lei, o 132/2009, de 2 de Junho (data da publicação no Diário da República), acrescenta aos serviços da secretaria-geral da Presidência uma nova direcção: a Direcção de Serviços de Informática.
Até essa data, só existiam quatro direcções em Belém: Direcção de Serviços Administrativos e Financeiros, Direcção de Serviços de Apoio e Relações Públicas, Direcção de Serviços de Documentação e Arquivo e ainda o Museu da Presidência da República.
O diploma aprovado pelo governo socialista atribui um conjunto de competência a esta nova direcção encarregada dos assuntos informáticos:
- Planear e coordenar as actividades relacionadas com a estratégia e os sistemas e tecnologias e informação da secretaria-geral da Presidência, com o objectivo de garantir a sua qualidade e optimização;
- Apoiar a definição das políticas e objectivos relacionados com os sistemas e tecnologias de informação;
- Participar na elaboração de planos de actividades e orçamentos anuais;
- Planear e coordenar estudos e projectos para melhoria ou reestruturação dos sistemas de informação;
- Controlar as condições de funcionamento dos sistemas e tecnologias;
- Propor a actualização das tecnologias, sistemas e equipamentos;
- Analisar e seleccionar propostas de fornecedores;
- Gerir e supervisionar as equipas de trabalho."
....

"A Presidência da República tem desde Junho deste ano total autonomia para gerir a sua própria rede informática. E quem deu a Belém esta autonomia foi José Sócrates, com quem Cavaco Silva está agora em guerra aberta."

(Fonte)

Se a notícia transcrita é verdadeira (e não é suposto que o que vem publicado no DR seja uma ficção) a quem é que Cavaco Silva pode imputar as "vulnerabilidades" a que aludiu, senão a ele próprio?

ADENDA:

O "caso" Cavaco versus Cavaco ganha mais consistência com a informação de que "A nomeação do Director dos Serviços de Informática ocorreu em 1 de Julho de 2009, na sequência, naturalmente, da criação da Direcção dos Serviços de Informática referida na notícia acima reproduzida. Se a nomeação é da sua responsabilidade e se tem razões de queixa em matéria de "vulnerabilidades", Cavaco Silva só se pode queixar de si próprio. Não será assim ?

Haja calma !

Face à declaração que Cavaco Silva dirigiu ao país, através da comunicação social, é lícito deduzir que não lhe passa pela cabeça resignar. Problema dele e do país. Tal não impede, obviamente, que, pessoalmente, não continue a considerar que o seu comportamento no "caso das escutas" revela que não tem, nem a isenção, nem as qualidades exigíveis para o exercício do cargo que ocupa, como já disse. A sua comunicação ao país, é, do meu ponto vista, a prova cabal.
Tal opinião, no entanto, não me leva a imaginar, sequer, que Cavaco Silva possa tentar levar a cabo algum "golpe", como o José Teles aqui admite. E por duas razões:
Primo: se a tal se atrevesse, Cavaco Silva não precisava que alguém o tentasse "encostar" ao PSD. Era ele próprio quem se "encostava" e nunca mais recuperaria a sua credibilidade, mesmos para os seus crentes;
Secundo: Cavaco Silva, afirmam os comentadores, é um institucionalista e, como tal, é impensável que desse um tal passo, pois, além do mais, não quererá passar à história como o primeiro e até agora único presidente desrespeitador da Constituição da República.

Isto disto, passo a outro ponto que se prende com o futuro próximo.A notícia de que o "Presidente marcou para amanhã audiência com secretário-geral do PS" tem dado origem a algumas interrogações sobre o próximo futuro e é este o ponto que de que agora me ocupo, para dizer:

I. É evidente que as relações pessoais entre Cavaco Silva e o actual primeiro-ministro atingiram um ponto de não retorno, pese embora a contenção e o sentido de Estado de que José Sócrates deu provas e continua a dar;

II. Tal facto, no entanto, não me parece que constitua nenhum drama, pois o importante é que as instituições democráticas funcionem e tenho como certo que a natureza da relações pessoais, sejam elas boas ou más, entre os titulares de órgãos de soberania, ainda que não seja irrelevante, não impede o regular funcionamento das instituições, pois este é assegurado pelo acatamento e observância das regras constitucionais. Por isso, digo: haja pois calma!

Adenda:

Por muito impossível que a mim me pareça, a hipótese de Cavaco Silva não vir a indigitar José Sócrates como primeiro-ministro do próximo Governo é discutida aqui, citando opiniões de vária proveniência. Insisto, pelas razões acima adiantadas, que não vale a pena criar efabulações sobre a questão.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Afinal, enganei-me !

Tinha por certo que Alberto João Jardim ocupava o primeiro lugar do pódio na especialidade da desconsideração pela opinião do Outro e que Pacheco Pereira ocupava idêntico lugar em matéria de facciosismo.
Lendo o artigo de opinião hoje publicado por Vasco Graça Moura, no Diário de Notícias, e acima "linkado", donde trancrevo a conclusão final, sou levado a reconhecer o meu erro. Cumpre-me, por isso apresentar, formalmente, as minhas desculpas a um e a outro. O título em ambas as especialidades, pertence, afinal, ao articulista Vasco Graça Moura. Será o mesmo Vasco Graça Moura que assina como poeta e tradutor de excelência?

Pacheco a presidente !

É verdade que o país vive horas tristes ao ser forçado a concluir que Cavaco Silva não é o Presidente de todos os portugueses, pois com a comunicação de ontem, revelou que não passa de um chefe de facção e, ainda por cima, inábil, como se pode concluir pela "estória da carochinha" que nos contou e em que ninguém acreditou. Faço-lhe ainda o favor de crer que nem ele.
Como tristezas não pagam dívidas e convém aliviar o ambiente, seja-me permitido deixar aqui uma sugestão: não será esta uma boa altura para colocar Pacheco Pereira na presidência ?
A ideia é, aparentemente, uma ideia peregrina, mas, a meu ver, não será tanto assim.
Explico-me:
Pacheco Pereira é, de longe, um contador de "estórias" muito superior a Cavaco Silva, pois não só é mais hábil em tecer urdiduras, como tem revelado uma imaginação verdadeiramente prodigiosa, sendo certo que, em matéria de facciosismo, não há em Portugal quem bata o "filósofo da Marmeleira".
Ora, estando nós, pelos vistos, condenados a manter em Belém um contador de "estórias" e chefe de facção, por que não escolher o melhor ?
E quem se atreve a afirmar que o melhor não é, de facto, Pacheco Pereira? Eu não.

Sócrates e o "caso das escutas"

Em todo o “caso das escutas” só se salva, a meu ver, o comportamento e a actuação de José Sócrates. Impecável, quer antes da comunicação de Cavaco Silva, quer posteriormente, pois recusou sempre "contribuir para uma polémica que desgasta e desprestigia as instituições”.
Com um presidente da República que acabou, com a sua declaração, por perder, de vez, a imagem de seriedade que laboriosamente havia construído é do interesse do país que ainda há um político digno de confiança. E há, graças a Zeus. Tem nome: José Sócrates.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Suicídio em directo

De tão surrealista, custa a crer que o autor da comunicação feita hoje ao país por Cavaco Silva, seja feita por alguém que ocupa o cargo de Presidente da República.
O resumo que dela faço:
- Cavaco Silva não tem quaisquer provas de a presidência estar a ser "vigiada" pelo Governo;
- Cavaco Silva não acha grave que um elemento da sua casa civil transmita a um jornal (o "Público") que a presidência tem suspeitas de estar a ser vigiada pelo Governo, que peça ao mesmo jornal que faça uma investigação e também não lhe faz qualquer confusão que o jornal, 17 meses depois, venha a dar publicidade a tais suspeitas;
- Cavaco Silva põe mesmo em dúvida que Fernando Lima tenha feito as confidências ao Luciano Alvarez que este relata no "e-mail" que veio posteriormente a ser publicado pelo Diário de Notícias. Luciano Alvarez, não se livra, pois, da suspeita de ser um "aldrabão";
- Cavaco Silva, pelos vistos, também acha normal não se ter pronunciado sobre o caso, quando as suas alegadas "suspeitas" vieram a lume, permitindo que a opinião pública fosse manipulada por alguém que que faz parte da sua casa civil;
Ao invés:
- Cavaco Silva entende que o facto de alguns deputados do PS terem afirmado que membros da sua casa civil colaboraram na elaboração do programa eleitoral do PSD (colaboração que está comprovada) foi um ultimado e uma manobra para o forçar a entrar na luta política e para simultaneamente “desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos”;
- Cavaco Silva censura e considera de extrema gravidade a publicação do "e-mail" de Luciano Alvarez, mas não a tramóia que nele se relata.

Em resposta à comunicação de Belém, a declaração do PS*, lida por Silva Pereira, limita-se a citar factos (que são conhecidos) que contradizem a leitura que Cavaco Silva faz de todo este "caso". Factos são factos e contra factos não há fantasias que lhe valham.

Definitivamente: a comunicação de Cavaco Silva mostra à evidência que a paranóia tomou conta do Palácio de Belém. O país não pode ter como presidente da República, alguém que, manifestamente, distorce a realidade. A bem da República, Cavaco Silva deve resignar. Não vejo que ele tenha outra saída depois do ataque por ele dirigido ao partido que acaba de sair vencedor das eleições legislativas, não tendo qualquer facto em que baseie as suas acusações.

(Pode ler aqui a declaração de Cavaco Silva e aqui um relato e outro aqui)
*Aqui pode ser vista uma leitura da declaração lida por Silva Pereira, leitura que, no mínimo, tenho de considerar curta, pois não refere os factos citados, nem o seu enquadramento e tal é necessário para compreender a posição do PS. Outra notícia e o vídeo com a declaração lida por Silva Pereira podem ser vistos aqui.
Adenda:
Cavaco Silva ainda precisa que alguém lhe aponte o caminho, ou achará que ainda tem condições para desempenhar o cargo?

Eleições autárquicas (Almada)

A agenda das iniciativas da campanha eleitoral desenvolvida pela candidatura do PS à Câmara de Almada, liderada por Paulo Pedroso, candidatura que apoio, pode ser seguida em www.almada2009.com.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Será desta ?

Será já amanhã que Cavaco Silva põe tudo em pratos limpos sobre o caso das "escutas"? Tenho as minhas dúvidas. Se fosse o caso, dada a sua gravidade, julgo que o procedimento aconselhável seria uma comunicação directa ao país. A menos que Cavaco Silva tenha entendido que o formato de conferência de imprensa era mais adequado ao esclarecimento do caso. Hipótese que não será de excluir. Veremos.