terça-feira, 5 de maio de 2015

Há que não confundir o carro com os bois


Título do DN: "Eleições empurram país para gestão a duodécimos em 2016".
Que não haja confusões: as eleições não "empurram" coisíssima nenhuma. Elas, sim, são "empurradas" para serem realizadas o mais tarde possível. "Empurradas" por Cavaco, obviamente.
(Notícia e imagem daqui)

E eu a julgar que, não havendo pessoas, não existiam empresas!

Quem, porventura, ainda continua a ter ilusões sobre as prioridades desta gente que desgoverna e está empenhada no empobrecimento do país, não faria mal se tivesse na devida conta estas declarações da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque:
E eu a julgar que, não havendo pessoas, empresas também não havia!
Concluo: desta vez, não há desculpa. Avisados fomos.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Para em Outubro recordar

« O PS reduziu mais défice num ano do que a maioria PSD/CDS em dois - e com muito menos austeridade" (Manuel Caldeira Cabral em entrevista ao JN, parcialmente reproduzida aqui)
Em atenção a Outubro, convirá ter presente uma outra afirmação do mesmo entrevistado: "em 2014 o cenário é muito pior do que em 2011 em quase todas as frentes económicas: mais dívida, menos capacidade de produção, o PIB potencial baixou, menos investimento, menos pessoas, desinvestiu-se na ciência e ensino superior e as instituições merecem menos confiança"
Quem diz 2014 diz 2015, como é óbvio.
(na imagem, o entrevistado)

Em Outubro, porque não pode ser mais tarde!

Cavaco, "deixou ontem perceber que marcará as eleições legislativas para outubro". 
Uma notícia perfeitamente inútil do ponto de vista do leitor, porque a mensagem que ela encerra não é propriamente uma grande novidade. Tendo em conta designadamente a obstinada recusa em antecipar a realização das eleições, apesar de tal ser de toda a conveniência para uma adequada e atempada preparação do OE para o próximo ano, era mais que previsível que Cavaco viesse a optar, para a marcação das eleições, por uma data o mais afastada possível no tempo, dentro do período legalmente estabelecido ( entre 15 de Setembro e 15 de Outubro). 
Tendo em conta o relacionamento de Cavaco com o actual governo, com o qual se identificou, de parte inteira, ao longo de toda a legislatura, até nem é muito ousado supor que, se estivesse na sua mão, Cavaco até preferiria marcar as eleições lá para as calendas gregas.
Notícia inútil do ponto de vista do leitor, dizia eu, mas perfeitamente compreensível se vista do lado do emissor. Cavaco tem todo o interesse em fazer passar a mensagem, antes do anúncio oficial. É uma forma hábil de ir atenuando as reacções eventualmente desfavoráveis a uma tal opção. Cavaco, diga-se o que se disser, "sabe" muito.
(Imagem e citação: daqui)

A pregar no deserto ?

«(...)
Quem não tiver dúvidas que levante um braço. E, com modéstia, lembremo-nos que houve um tempo, em que nós, tal como o Presidente da República, não tínhamos dúvidas e nunca nos enganávamos… A surpresa é que muito do discurso dos partidos de esquerda é hoje, quase sempre, remanescente dessa época. E em vez de uma procura de pontos comuns, há um clubismo e um eleitoralismo, que põem em segundo ou terceiro lugar o mundo real. Ora há convergências possíveis ao nível da educação, da saúde e da segurança social. É possível uma luta comum contra a precariedade. É possível encontrar uma barreira às privatizações. Para tudo isso é necessário ter o espírito de encontrar coincidências e, pelo contrário, não andar a “catar” as divergências, mesmo que prováveis ou possíveis, no sentido de abrir fossos, onde ainda pode haver pontes. Claro que a preservação do Estado social é incompatível com o tratado orçamental (no que é omisso o documento estratégico do PS), que tem que haver pelo menos renegociação da dívida enfrentando o centro de poder na Europa. Mas mais uma vez, o caminho faz-se caminhando, arriscando possíveis erros. A realidade traz-nos surpresas e não é no quietismo narcísico de análise ou na resistência enquistada no seu terreno, tratando sempre os outros partidos da esquerda eleitoral como o inimigo principal, que encontraremos solução para a desgraça actual. Estaremos agora, nos dias após a morte de Mariano Gago e os elogios post mortem, a esquecer as críticas vorazes, sem relevar nunca os lados positivos do seu Ministério, que o acompanharam enquanto foi ministro, só porque o era num Governo PS? Quem se esqueceu que vá aos registos dessa época. E pense
(Isabel do Carmo; "Linhas verdes e linhas vermelhas". In "Público". Via: A Estátua de Sal)

domingo, 3 de maio de 2015

Ingenuidade ou outra coisa?

"Não dá para acreditar", escreve Manuel Carvalho, hoje no "Público" numa peça intitulada  "Passos no país dos Dias Loureiro" ao comentar o facto de Passos Coelho ter escolhido para apresentar como símbolo do empresário que ele deseja para Portugal, nem mais nem menos do que alguém que esteve envolvido no desastre que foi o BPN, ou como escreve Manuel Carvalho "um arguido no caso do BPN (absolvido em primeira instância) por suspeitas num negócio que envolve um lobista libanês, uma empresa marroquina e uma tecnológica com sede em Porto Rico que fez desaparecer das contas do banco nada mais, nada menos, do que 40 milhões de euros". Ou seja, Passos Coelho apresentava ao país como exemplo a seguir o homem que Cavaco Silva, perante o escândalo, e depois de muita insistência, se viu forçado a demitir do Conselho de Estado: Dias Loureiro. Esse mesmo!

Ao contrário do que escreve Manuel Carvalho, penso que o elogio público feito por Passos Coelho a Manuel Dias Loureiro faz todo o sentido, tendo em conta que os perfis de um e de outro têm, em boa verdade, muito em comum. Para Manuel Carvalho, Dias Loureiro será um indivíduo execrável, mas o que dizer de um Passos Coelho que é um caloteiro e mau pagador, segundo o próprio testemunho, e que, pelo menos, do ponto de vista político, dificilmente pode deixar de ser visto como um aldrabão consumado?

Passos Coelho será melhor rês do que Dias Loureiro? Duvido. A meu ver, diferenças, se as há e admito que sim, serão de grau, que não de natureza. Não há, aliás, outra forma de explicar o público elogio a não ser que se admita que há, efectivamente, uma grande identificação entre quem profere o elogio e o elogiado. 
Numa cerimónia pública como aquela em que os factos ocorreram, não passaria pela cabeça de ninguém, no seu perfeito juízo, enaltecer a figura de uma pessoa, ou propô-la como exemplo a seguir, se o autor do elogio não se revisse na figura do outro.

O que verdadeiramente não dá para acreditar é na ingenuidade de Manuel Carvalho que, no final do seu escrito, se dirige a Passos Coelho para que, "entre duas vírgulas, diga apenas algo como isto: “Eu não vejo Dias Loureiro como um exemplo para vencer na vida nem recomendo aos portugueses, principalmente aos mais jovens, que o tenham como modelo nas suas opções de vida”.
Eu disse: ingenuidade?  Se calhar, devia dizer outra coisa.

"No limite, a prisão por dívidas"

(...)
8. A “direita” hoje chama-se “realidade”, e não há arrogância maior, nem maior prosápia do que essa. Não só são donos da “realidade”, que só a eles cabe definir, como, mais do que isso, eles são a própria “realidade” incarnada. Isto significa que as suas políticas são as únicas possíveis e não há alternativas. O seu quadro impositivo, a que todas as políticas se tem que conformar, é uma variante pouco complexa de uma folha de Excel, um “modelo macroeconómico” cujas variantes são apenas as permitidas pelo pensamento único do “economês”. Não é neutro, significa interesses. Na prática, significa para Portugal (ou a Grécia) apenas “pagar aos credores”, atitude benévola se a dívida pudesse ser paga sem ser pela tísica do pagador ou a morte a prazo do devedor. Resta, no limite, a prisão por dívidas. Tudo isto é um absurdo e, como de costume, uma história bem mais complicada do que aquela que nos contam. (...)
(José Pacheco Pereira; Os estragos na cabeça)

Num longo texto que recomendo e de que extraio este parágrafo apenas para abrir o apetite para a sua integral leitura, José Pacheco Pereira mostra como os europeus têm vindo a ser de tal forma manipulados que a democracia está em vias de se transformar numa caricatura, se é que não está já reduzida a uma simples paródia.

domingo, 26 de abril de 2015

Pelo Alentejo andando. Até Moura

De partida para outras andanças, deixo estas imagens de mais uma bela povoação alentejana. Neste caso, da cidade de Moura. 

Porta de acesso ao recinto do Castelo)

(2 - Torre de menagem)

 (3)

(4)

 (5)

 (6)
[No recinto do Castelo encontram-se várias construções onde avultam a Torre do Relógio (fotos 3 e 4) e as ruínas do Convento de Freiras Dominicanas de Nossa Senhora da Assunção e igreja anexa, esta ainda em pé (fotos 5 e 6)]

 
(7 -  Vista parcial do jardim da cidade tomada a partir do recinto do Castelo)

(8 - Portal manuelino da Igreja de S. João Baptista)

(9 - Pelourinho)
E por aqui me fico. Até mais ver.

sábado, 25 de abril de 2015

Um caloteiro e um pantomineiro

A afirmação bem pode servir de ilustração para o dito popular segundo o qual "para quem não tem vergonha [é o caso de ambos os protagonistas] todo o mundo é seu".

Sinal de fraqueza

Passos Coelho e Portas, ao que noticiam os media, aprestam-se para anunciar que os dois partidos que lideram (PSD e CDS) irão disputar as próximas eleições legislativas em coligação. A pressa com que o anúncio é feito revela que os partidos da direita ficaram subitamente nervosos, sendo significativo que o nervosismo tenha surgido após o aparecimento do relatório "Uma década para Portugal" elaborado por um grupo de economistas a pedido do PS, relatório que veio demonstrar que a narrativa da TINA (There Is No Alternative) patrocinada pela direita terminou a sua carreira. O relatório demonstra que há mesmo outra alternativa. Goste-se dela, ou não.
O anúncio da coligação feito, nestas circuntâncias, à pressa e depois de muitas hesitações, não pode deixar de ser visto, por quem se opõe a este governo rasca, como uma boa notícia: tendo em conta o enquadramento, o anúncio da coligação é claramente um sinal de fraqueza.
Que, pela força do voto, o sinal se transforme em certeza, são os votos que se formulam por aqui.
(imagem daqui)

Um Zé Ninguém

Discursando na Assembleia da República, nas comemorações do 25 de Abril, Cavaco Silva voltou, uma vez mais, a apelar ao "diálogo e consenso" entre as forças partidárias como forma de garantir “estabilidade política e a governabilidade do país”, repetindo, no fundo, o discurso que vem fazendo desde o início da actual legislatura.
Sabe-se que Cavaco fez o papel de incendiário durante o Governo liderado por José Sócrates e que contribuiu decisivamente para o derrubar. Tal como se sabe que, desde o início da actual legislatura, se comprometeu definitivamente com a política (rasca) deste governo de gente rasca e já não está a tempo de se desvincular desse comprometimento, Tanto assim é que até o "moderado" António Costa se sente confortável em incluí-lo na nova "troika", como seu membro, a par de Coelho e Portas.
Assim sendo, é mais que óbvio que Cavaco não tem o mínimo de condições para apelar a consensos e menos ainda para os promover. Qualquer tentativa nesse sentido esbarrará na mais que justa recusa por parte dos partidos da oposição, Suponho, aliás, que nem Cavaco alimentará ilusões a esse respeito, tão clara tem sido posição do PS  a tal propósito.
Mas se assim é, por que carga de água insistiu Cavaco em falar em consensos no último discurso que ele terá oportunidade de proferir nas comemorações do 25 de Abril e numa altura em que a grande maioria dos portugueses (a crer nas sondagens) já só espera que chegue o dia em que poderá ver Cavaco a sair de Belém pela porta dos fundos em direcção à casa da Coelha?
Dar-se-á o caso de Cavaco ter o disco dos discursos riscado ou estará ele a fazer uma última tentativa para salvar, pela via da retórica, um mandato que ficará para a história desta República como um verdadeiro desastre?
Se é esse o intento, votado está ao fracasso. Nos dias de hoje, Cavaco já não conta. Ainda que se chame Aníbal não passa de um Zé Ninguém.
(Título reeditado; imagem e citações: daqui)

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Pelo Alentejo andando: a vez do Redondo

Se não estou em erro, Redondo era a única sede de concelho de todo o Alentejo onde nunca tinha estado. A falta acaba de ser remida (espero eu) com a passagem que me permitiu obter as fotos que a seguir se reproduzem.
Porta do castelo, conhecida por "Porta do Postigo" ou "Porta do Relógio".
(O castelo é uma construção de forma aproximadamente oval e de pequenas dimensões, constituída por uma pano de muralhas, uma torre de menagem (ver a seguir) e duas portas que servem uma única rua (na imagem em baixo). Uma das portas é a citada "Porta do Postigo" e a outra é a conhecida "Porta da Ravessa" que há anos vem sendo reproduzida nas garrafas de vinho comercializadas pela adega cooperativa local sob idêntica designação.


 Torre de menagem com vistas do exterior e do interior do castelo, respectivamente.

Rua no interior do castelo

Pelourinho em mármore no exterior do castelo, nas proximidades da "Porta do Postigo"

Igreja fotografada a partir do interior do castelo. a funcionar actualmente como museu da paróquia.

Edifício da Câmara Municipal

Fonte em mármore implantada na Praça da República em frente do edifício da Câmara Municipal

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Chamar os bois pelos nomes

"O caminho de continuar com a troika é continuar com este Governo. Não sei se se lembram, o doutor Paulo Portas até teve um contador de tempo até a troika sair, mas ainda ninguém deu pela saída da troika. A troika agora chama-se Portas, Passos Coelho e Cavaco Silva" (António Costa)
Enquanto assim for, que nunca a voz lhe doa, António Costa!

A dimensão do falhanço da política deste governo e desta maioria

Intervenção do deputado Vieira da Silva (PS) no debate sobre o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas.
(Via)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Passos-Coelho-e-Isso-Quanto-Nos-Custou-e-Quanto-Nos-Custaria ?

O director do JN, André Macedo, comentando, em editorial, o relatório elaborado por um grupo de trabalho constituído sob a égide do PS, afirma às tantas : "A dramática herança assumida por Passos Coelho e Paulo Portas é um dos maiores adversários socialistas. Dito de outra maneira: o PS assusta muita gente. António Costa não é, aliás, apenas António Costa - daqui para a frente será conhecido como "António Costa e Isso Quanto Custa?".
O editorialista, ao qualificar como "dramática" a "herança" recebida por Coelho & Portas acaba por aceitar como boa toda a narrativa da coligação no poder e manda, sem qualquer réstia de pudor, a objectividade às urtigas.
A situação herdada pela direita até pode ter sido dramática, mas em nome da verdade é necessário acrescentar que o drama foi o resultado de uma multiplicidade de factores, onde avultam a maior crise financeira mundial dos últimos 80 anos (a bomba) e a recusa do PEC IV por parte de todos os partidos da oposição, incluindo o PSD e o CDS, recusa que funcionou como detonador.
Se a situação em 2011 era dramática, a situação actual não o é menos. Muito pelo contrário. De facto todos os indicadores revelam que a situação piorou: o desemprego aumentou; a dívida pública subiu; o PIB diminuiu; a desigualdade agravou-se; a pobreza cresceu. Hoje mesmo, num relatório da Caritas a que pode ter acesso através das páginas do jornal que dirige, André Macedo pode confirmar boa parte do que acima se deixa dito: "Portugal foi o país com maior aumento da taxa de risco de pobreza em 2014".
Se para André Macedo, António Costa só pelo facto de ter recebido e aceite, aparentemente com agrado, o citado relatório, já merece ser conhecido por "António Costa e Isso Quanto Custa ? é difícil não lhe devolver a gracinha e sugerir-lhe que passe a designar Passos Coelho por Passos-Coelho-e-Isso-Quanto-Nos-Custou-e-Quanto-Nos-Custaria?; Portas, seguindo o mesmo critério, por  Paulo-Portas-e-Isso-Quanto-Nos-Custou-e-Quanto-Nos-Custaria? e, já agora, Cavaco, por Cavaco-Silva-e-Quanto-Nos-Tem-Custado-e-Ainda-Vai Custar?.
Em qualquer destes casos, e ao contrário do que faz em relação a António Costa, André Macedo não precisa de recorrer a fantasias. A realidade mostra o quanto nos custou e custa o sermos governados pela dupla Passos/Portas, acolitados por Cavaco Silva.

"A diferença é enorme"

Não sou eu que o digo, que não tenho competência para o afirmar, mas o insuspeito Pedro Santos Guerreiro:

«Os economistas caucionados pelo PS não propõem apenas acelerar o fim da austeridade, propõem acabar com a política que a troika impôs a Portugal e que o governo de Passos Coelho acolheu, por nela acreditar. Como escrevia Helena Garrido ontem no Negócios, para os economistas é agora fácil perceber a diferença entre PSD e PS: o PSD tem uma política do lado da oferta (promover a concorrência de modo a aumentar a competividade das empresas), o PS tem uma política do lado da procura (aumentar o rendimento disponível). Mas as diferenças vão muito além disso.

Onde a troika quis um choque de competitividade, os economistas do PS querem um choque de rendimento.

Onde a política do governo favoreceu as empresas para fomentar a competitividade, a política dos economistas do PS favorece os trabalhadores por razões sociais e de rendimento.

Onde o governo baixou o IRC, os economistas do PS baixam o IRS. 

Onde o governo aumentou o IVA para a restauração, o PS aumenta o imposto sucessório. 

Onde Passos Coelho quis o equilíbrio das contas públicas pela redução da despesa do Estado, cortando salários públicos e pensões, os economistas do PS defendem a devolução mais acelerada das pensões e dos ordenados do Estado para aumentar o rendimento.

Onde o governo quis a desvalorização interna, o PS quer a revalorização salarial.

Onde a troika quis a redução dos salários na economia (com descida da remuneração das horas horas extra e dos feriados, e com os salários dos novos postos de trabalho mais baixos que os anteriores), o PS quer baixar a TSU para os trabalhadores (aumentando o seu rendimento disponível) e também para as empresas (baixando o custos totais de trabalho).

Onde a troika cortou apoios sociais para poupar e por discordar dos "custos de ociosidade" que a subsidiação provoca, os economistas do PS querem dar um complemento salarial pago pelo Estado aos trabalhadores com salários mais baixos. 

Onde o governo quis agilizar o mercado de trabalho e baixar os custos de despedimento para que as empresas pudessem reestrutrar-se sem custos que o impossibilitassem, os economistas do PS querem aumentar o valor das indemnizações para dar mais proteção a quem perde o salário.

Onde o governo apostou tudo na competitividade, para atrair o investimento empresarial (estrangeiro, tendo em conta a descapitalização) e um modelo económico assente em empresas exportadoras nos sectores transacionáveis, os economistas do PS reforçam o rendimento das famílias para promover a procura interna e expandir a economia.

A diferença entre estas duas políticas é, diria Vítor Gaspar, enorme. Com o PSD, o Estado "encolhe". Com o PS, o Estado vai gastar mais do que hoje mas vai também ter mais receitas porque o PIB cresce mais
(Na íntegra:aqui . Destaque meu)

terça-feira, 21 de abril de 2015

"É possível fazer diferente"...

... e melhor, até porque pior é impossível.
Uma década para Portugal: Um cenário económico alternativo
Uma década para Portugal - Relatório - Abril 2015

(imagem daqui)

"Eduardo Catroga pode ficar feliz duas vezes"

    «O Governo apresentou o Programa de Estabilidade 2015-2019 (...). 

    Tudo visto e sacudido o Governo propõe ao País mais do mesmo. Senão vejamos. 

    1 - Os cortes nos salários dos funcionários públicos são para continuar até 2019, com alguma 'devolução. Que esta medida contrarie directamente a decisão do Tribunal Constitucional não merece uma linha de justificação ou esclarecimento. Prepara-se mais uma frente de batalha Governo/TC. 

    - A prometida reversão da sobretaxa do IRS à custa do orçamento de 2016 mas com efeitos já na campanha eleitoral de 2015 (sabem muito, os spin doctors do Governo) era para ser em função do andamento da receita em 2015 e até podia ser totalmente "devolvida" em 2016. Afinal passa a ser aplicada até pelo menos 2019, também ela sujeita apenas a uma "eliminação progressiva". Sobre o resto do enorme aumento de impostos com impacto no IRS nem uma palavra. 

    - Quando se fala do IRC, contudo, as reduções são para continuar e sempre em bom ritmo. Ao ritmo de 1% ao ano as grandes empresas (2,1% das maiores empresas pagam 67,7% de todo o IRC) chegam a 2019 com uma taxa de 17%. Uma redução acumulada de quase 10% face ao ano de 2011. Para isto há sempre margem orçamental. 

    4 - Além dos cortes já feitos volta a intenção de introdução de uma "medida para a sustentabilidade da Segurança Social" - há que apreciar a capacidade de eufemismo - que se traduz num corte de 600 milhões de euros. Porque, jura-se, há um buraco de 600 milhões. Ora, sobre isto, duas notas: o Tribunal Constitucional já chumbou esta medida, o que o Governo, desta feita, até reconhece (mas conta com ela na mesma?); este buraco de 600 milhões desaparece miraculosamente quando se discute a possibilidade de baixar as contribuições das empresas em sede de TSU.

    - Vamos continuar a pagar antecipadamente os empréstimos com juros mais elevados do FMI, o que até poderia fazer sentido não fosse percebermos todos que essa estratégia só é possível porque temos os cofres cheios de dívida barata - obrigado Mário Draghi - que podemos usar para pagar a dívida cara, mas que isso não diz nada sobre a saúde das contas públicas. Rigorosamente zero. 

    6 - A "reforma do Estado" volta a estar em cima da mesa. Depois de quatro anos de nada, em 2015-2019 é que vai ser. Números ou medidas concretas neste particular? Nem um para amostra. Pudera. 

    7 - A fechar, prevê-se a eliminação da Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético e da Contribuição Extraordinária de Solidariedade que se aplica a pensões de valor superior a 4611,4 euros. Eduardo Catroga pode ficar feliz duas vezes. 

    E é isto, retóricas à parte. Agora cada um que conclua o que quiser.»
    (Marco Capitão Ferreira;"A austeridade como normal": Na integra: aqui. Destaque meu.)

Pelo Alentejo andando. De regresso a Elvas











(porque o prometido é devido, embora, com atraso, cumprido) 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

"Cidadãos de segunda"

"Passos Coelho declara que apesar de ter servido em governos do PS, lamenta a perda de José Mariano Gago. Aguiar Branco no passamento de Silva Lopes, proclama ter ele a felicidade de morrer no mesmo dia que o imortal Manoel de Oliveira. Ficámos a saber que ser socialista é perda de cidadania, e que o passamento de Oliveira é motivo de alegria para os que com ele partiram, no mesmo dia. Que diabo! Qualquer dos três merece melhor epitáfio! Qualquer Português merece melhor governo.