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sábado, 21 de novembro de 2015

"De cabeça perdida" *

(...)
4.É evidente que muitos poderão ter dúvidas sobre a solidez da solução apresentada pelo PS e pelos partidos à sua esquerda. Muitos poderão não gostar da solução. E todos têm o direito de manifestar a sua discordância. Mas as intervenções a que temos assistido não são uma simples manifestação de discordância ou de debate democrático sobre soluções alternativas. Têm sido insultuosas, catastrofistas, histéricas e alarmistas, lançando o pânico e invocando todos os demónios, como quem quer, antes de sair, atear fogo e deixar a casa a arder. Expressões como "geringonça", "golpista", "fraudulenta", "monstruosa" revelam falta de argumentos substantivos. Revelam que quem as usa está de cabeça perdida perante a iminência de perder o poder. Revelam desrespeito pelo debate e pelas instituições democráticas, bem como pelos portugueses que não votaram na PAF.

5. A situação que estamos a viver deve ser encarada com normalidade, sobretudo por quem tem responsabilidades políticas. Porém, instalar uma passadeira vermelha no Palácio de Belém para que as corporações façam eco ampliado da retórica da coligação, e criar a ideia de que em Portugal todos pensam daquela forma, não só não ajuda, como subverte as regras de funcionamento do nosso regime democrático. Em primeiro lugar, porque foram ouvidas sobretudo corporações patronais, agentes empresariais e economistas, seleção que não respeita o pluralismo institucional. Em segundo lugar, porque as corporações e os agentes empresariais não representam o povo. Representam apenas os seus interesses particulares ou os dos seus membros. Admite-se que seja importante conhecer a sua leitura da situação, mas não lhes cabe pronunciarem-se sobre quem deve governar. É em eleições que se escolhe quem decide quem governa e é aos partidos políticos que está constitucionalmente atribuída a responsabilidade central neste processo. As corporações não podem ser colocadas no mesmo plano, sob risco de estarmos a substituir o nosso regime democrático parlamentar por um regime corporativo sem caução constitucional.
[Maria de Lurdes Rodrigues (v. imagem supra) Na íntegra: aqui]

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Por muito que lhes custe, sim, foi uma festa!

"Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação, foi ao Parlamento defender a empresa pública Parque Escolar que geriu um programa de obras nas escolas, e deste disse: "Foi uma festa." Fico-me por essas palavras. Aliás, não estou sozinho, o deputado Sérgio Azevedo escreveu no seu blogue o seguinte: "Maria de Lurdes Rodrigues acaba de afirmar na Comissão Parlamentar de Educação, a propósito do desvario da Parque Escolar, que foi 'uma verdadeira festa para arquitetos e construtores'." O deputado poderia ter inventado frase ainda com maior acinte: "Ela disse que foi uma festa para patos bravos." Mas a ex-ministra, de facto, disse: "Uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitetura, para a engenharia, para o emprego e para a economia." Ou, em outro momento da audição: "[...] uma festa para o País." Chicanas iguais à do deputado foram muito repetidas ontem, com esse nosso jeito para agarrar palavras dos outros e insultá-las. É o que eu venho fazer aqui, pela metade: agarrar palavras. E depois dizer que num país onde os particulares gastam em jantes de liga leve o que não gastam em livros e os públicos fazem da paixão pela educação um mero slogan, num país pobre com bancos ranhosos que oferecem juros de 136 por cento ao ano, reconstruir escolas é uma festa. É uma festa. Sim, é uma festa. Dito isto - não, ainda quero insistir: reconstruir escolas é uma festa -, dito isto, passemos aos candeeiros de Siza Vieira."
(Ferreira Fernandes; Ponto prévio: sim, é uma festa; in DN) (Negrito meu)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Impressionante...

... é como um responsável da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) classifica a evolução verificada em Portugal nos resultados da avaliação de alunos.
"Portugal ocupava o fundo da tabela nos relatórios anteriores e desta vez [relatório referente a 2009] aproximou-se da média dos países da OCDE, ultrapassando por exemplo a Espanha", acrescenta o mesmo responsável que adianta ainda que a melhoria de resultados "pode ser explicada em primeiro lugar pelas políticas seguidas nos últimos anos e por uma conjugação de factores como a avaliação de professores e um controlo sério da qualidade do ensino".
Isto, graças à política seguida pela ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues, e apesar das "guerras" do senhor Mário Nogueira. Quem é que afinal, defendia e defende a escola pública?
A resposta está dada.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Homenagem

"Foi com grande alegria que fui ministra da Educação" (Maria de Lurdes Rodrigues, na apresentação do seu livro A Escola Pública pode fazer a diferença)
Uma mulher que passou pelo que passou, enquanto ministra da Educação, e que manifesta um tal estado de alma, só pode ser uma grande mulher. Fiquei a saber. Que foi uma grande ministra já o sabia.
O livro, "o mais sólido lido até hoje", nas palavras do professor universitário e investigador Sobrinho Simões, é, obviamente, para ler. 
(Imagem tirada daqui)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Uma boa escolha



Por todas as razões e mais uma, a nomeação de Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação, como presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) é uma escolha acertadíssima que a honra (como ela reconheceu) e que honra também quem a nomeou (o primeiro-ministro).
Não lhe faltando qualidades pessoais, como mulher inteligente e dedicada ao serviço público (que é) e que não vira a cara às dificuldades, a sua nomeação é também um acto de justiça pelo muito que a ela se fica a dever enquanto esteve à frente do ministério da Educação. Isto digo, mesmo reconhecendo que nem todas as suas ideias e reformas chegaram a bom termo, nomeadamente devido à circunstância de o actual Governo estar refém, também em matéria de educação, de uma maioria parlamentar constituída pelos partidos da oposição que deram sobejas provas de irresponsabilidade neste particular.
Diga-se, no entanto, o que se disser, certo é que o seu empenho pela melhoria da qualidade do ensino público já deu frutos e algumas das suas reformas ("a escola a tempo inteiro" e as aulas de substituição no ensino obrigatório, a introdução do inglês no 1º ciclo e a generalização das novas tecnologias no ensino, p.e.) vão continuar a frutificar.
A data escolhida para anunciar a sua nomeação é sem dúvida um sinal de reconhecimento pelo seu excelente trabalho. Merecido, digo eu.
(Também em" A Regra do Jogo")