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domingo, 16 de novembro de 2008

Um caso perdido

Não sendo caso raro de ditadura e de desrespeito pelos direitos humanos em África (a propósito veja-se este belo texto de Mia Couto transcrito aqui) o Zimbabwe de Mugabe é, todavia, um caso único pela violência, pelas constantes perseguições movidas contra os adversários políticos (e não só) e pela dimensão da miséria a que o povo foi votado pelas políticas erradas do ditador em exercício há 28 longos anos.
Caso único, e também, pelos vistos, um caso perdido, pois apesar da sua idade (84 anos) e dos acordos que celebrou com a oposição vencedora nas urnas, nem a mediação de Mbeki, nem a pressão dos países vizinhos (uma e outra demasiado branda) conseguiram até agora levar o ditador a uma partilha do poder.

sábado, 18 de outubro de 2008

Perdei toda a esperança ...

Parafraseando Dante, direi : Oh vós que viveis no Zimbabwe, "perdei toda a esperança" de que, enquanto Mugabe for vivo o poder mude de mãos e, como consequência, a vossa vida possa conhecer melhores dias. Foi ele, Mugabe, quem o disse e tem dado provas de que pode ser considerado um homem de palavra, neste particular, subentenda-se. Mais mediação, menos mediação, mais passo à frente, mais passo atrás nas negociações com a oposição, o certo é que o ditador não larga a pasta. O acordo com o MDC, tal como se previra aqui no blogue, logo na altura da assinatura, é um papel que Mugabe não tem qualquer dificuldade em mandar para o lixo. E logo ele, que mata e esfola os opositores, havia de ter algum prurido em fazer tábua rasa de um simples escrito. Era o que faltava!
Se os países vizinhos (África do Sul, e a troika constituída pela Suazilândia, Moçambique e Angola) não apertarem a tenaz (coisa que até agora não fizeram, pois têm tratado o energúmeno com palavrinhas mansas) é mais que certo que o "artista" da bancarrota do seu país (além do mais) vai cumprir a promessa de só largar o poder depois de morto. E mesmo depois de morto, não é seguro, digo eu !
(A ilustração é daqui)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Humilhado mas não convencido


Robert Mugabe confessa ter sofrido uma "humilhação" por ter sido forçado a aceitar um acordo de partilha de poder com a oposição, o que mostra que o homem se sente coagido e humilhado mas não convencido. Outra coisa não seria de esperar, tendo em conta os antecedentes e as proclamações do tiranete. E, como, no fundo, continua nas suas mãos o controlo do poder, não são de augurar grandes esperanças quanto às perspectivas de um acordo duradouro. Logo que se sinta menos pressionado, o nosso homem vai, decerto, romper com o acordado e tudo, no Zimbabwe, voltará à primeira forma: Violência e miséria continuarão a ser o dia a dia dos zimbabweanos.

Oxalá, me engane !
(A imagem foi tirada daqui)

domingo, 29 de junho de 2008

O ditador autista continua




Não se compreende a pressa de Mugabe na sua investidura, pois, tendo do seu lado as forças militares e policiais (por ele bem controladas e bem pagas) a sua continuidade como presidente do Zimbabwe estava assegurada, facto de que o próprio tem plena consciência, pois já afirmara que continuará no poder enquanto for vivo. Se o ditador pensa ver reconhecida a sua legitimidade, por via das eleições, no plano internacional (única explicação para mim visível para tanta pressa, em claro contrataste com a demora na publicitação dos resultados das eleições legislativas também recentemente realizadas e que lhe não correram de feição) vai ter uma desilusão, pois, para a comunidade internacional, a segunda da volta das eleições presidenciais, depois de desistência forçada do seu opositor, Morgan Tsvansirai, não passou de uma farsa.
Insensível à miséria a que condenou o seu país (outrora farto) Mugabe também é surdo à condenação quase unânime da comunidade das nações. Ao que tudo indica, desde que continue no poder, encerrado no seu autismo, pouco lhe importará que o considerem como um déspota. E assim será, pelo menos enquanto alguns países vizinhos, designadamente a África do Sul e Angola, lhe continuarem a dar o seu apoio (facto que nalguns casos até se compreende) mas que, no caso da África do Sul e do seu presidente, continua a ser, face ao que se tem passado, algo inexplicável.

(A ilustração que acompanha o texto foi retirada daqui)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O ridículo não mata




Depois da desistência de Morgan Tsvangirai, forçada pela violência do regime de Mugabe, a realização da segunda volta das eleições presidenciais no Zimbabwe não passa de uma farsa e de um acto inútil, quer no plano interno, quer no plano externo. Se o próprio Mugabe já tinha declarado que não sairá do poder enquanto for vivo, é óbvio que, no plano interno, nada mudará: Mugabe continuará, na sua insanidade, a destruir o seu próprio país e a arrastar para a miséria os seus concidadãos. E no plano externo também não terá qualquer reflexo positivo, pois a comunidade internacional, muito justamente, não vai reconhecer a legitimidade das eleições, pelo que nem a imagem do presidente do Zimbabwe nem a do país sairão beneficiadas.
Assim sendo, Mugabe vai, uma vez mais, desempenhar um papel ridículo, mas, pelos vistos, ele pode bem com isso. É que o ridículo não o mata, embora cause sofrimento a milhões.

(A imagem foi recolhida aqui)

sábado, 14 de junho de 2008

Um acto inútil ?

Zimbabwe: Mugabe diz que a oposição nunca irá governar o país enquanto ele for vivo
Já há muito que não há dúvidas sobre Mugabe, um ditador que levou o seu país à ruína e o seu povo à miséria.
Face a esta declaração e tendo em conta as sucessivas detenções do seu opositor, Morgan Tsvangirai e as perseguições e mortes de outros adversários políticos, não há dúvida que a segunda volta das eleições presidenciais se chegar a ter lugar, não passará de uma farsa, como, julgo, já o foi a primeira volta.
Para ser consequente, a Robert Mugabe só falta dar mais um passo que é o de cancelar a segunda volta das eleições, a qual, nas actuais circunstâncias, não passará de um acto inútil.
Tal atitude pode até ter dupla vantagem: O Zimbabwe poupa uns cobres que bem falta lhe fazem e talvez abra os olhos aos dirigentes africanos que, por mais surpreendente que pareça, continuam a apoiar Mugabe e a dar-lhe cobertura a nível internacional