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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Interessantes dias

Não vejo como classificar de modo diferente os dias que passam, se se vier a concretizar um entendimento entre todos os partidos de esquerda (PS, PCP e Bloco de Esquerda) que viabilize um governo de maioria formado, ou apoiado, pelos mesmos partidos.
Se tal se concretizar, teremos, finalmente, em Portugal uma democracia plena, em que deixará de haver filhos e enteados. 
Não é coisa de pequena monta. Diria mesmo que, se tal objectivo se atingir, ter-se-á, finalmente, cumprido o 25 de Abril. Na íntegra.

(Na imagem: Cynara algarbiensis. Eu não garanto que não possam ser dias difíceis, mas, mesmo admitindo que possam vir a sê-lo, não deixam de ser interessantes. Direi mesmo: empolgantes!)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Pede-se um milagre

Se é que alguém ganhou com o acordo, em sede de concertação social, não foram seguramente os trabalhadores, pois as medidas gravosas pendem todas para o seu lado (mais dias de trabalho, perda de remuneração, emprego menos estável, diminuição do montante e da duração do subsídio de desemprego).
Assim sendo, seria suposto que o governo e o patronato tivessem obtido algum ganho: pelo lado da diminuição da conflitualidade laboral e pelo lado do aumento da produtividade e da competitividade da economia. 
Os ganhos podem, no entanto, revelar-se ilusórios, a breve trecho, e não falta quem, desde já, o antecipe. 
De facto, não parece que a participação da UGT na assinatura do acordo sirva para o legitimar perante os trabalhadores. E sendo assim, não estou a ver como é que o acordo vai estancar ou diminuir a conflitualidade laboral. Mais provável é, a meu ver, que o envolvimento da UGT sirva de incentivo à radicalização das posições da CGTP, a central sindical com maior implantação e, de longe, com maior influência no mundo do trabalho.
Não falta também quem considere que o acordo não vai trazer melhorias no plano da produtividade e da competitividade. Alega-se, e com razão, que uma e outra passam, antes de mais, pela motivação dos trabalhadores, pela capacidade da gestão, por uma boa organização empresarial e pela inovação. Os baixos salários podem agradar a alguns patrões, mas têm, exactamente, o efeito contrário: desmotivam os trabalhadores* e são um incentivo para que as empresas pouco eficientes não inovem, nem melhorem a sua gestão. Nestas condições, para que uma tal receita traga benefícios à economia portuguesa, seria preciso um milagre. E, francamente, estes já passaram de moda.

* O acordo não contribuiu para a desmotivação dos trabalhadores apenas através da baixa dos salários. O governo encontrou ainda outra forma que foi diminuir o número de dias de férias aos trabalhadores mais empenhados e, logo, mais assíduos. Se não estamos perante uma aposta forte e propositada na desmotivação, até parece.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O pós-acordo

Ainda a tinta das assinaturas apostas no acordo de concertação social não secou e já António Saraiva, presidente da CIP, veio declarar que as medidas não são suficientes, pois "não tapam o vazio que a retirada da meia hora deixou". Tendo em conta a leitura que toda a comunicação social fez do acordo, salientando unanimemente que o gravoso das medidas contempladas recai por inteiro sobre os trabalhadores (e aqui temos uma boa amostragem da imprensa) estas declarações do patrão dos patrões podem ter uma dupla leitura: ou são a manifestação de alguém que "de contente rilha o dente"; ou, hipótese mais provável, nem sequer o patronato acredita no sucesso das medidas acordadas e está já, por esta forma, a arranjar desculpas para o facto de a economia portuguesa, não obstante o acordo, não sair da cepa torta.
Temo bem que este venha a ser o cenário, porque me parece provável que o aumento das horas de trabalho resultante do acordo possa vira a ser mais que compensado, negativamente, pelo aumento (inevitável) da conflitualidade laboral.
Isto quanto aos efeitos prováveis no plano da economia, porque o acordo vai ter também sequelas no plano sindical.
Muito provavelmente, admito eu, João Proença, com a assinatura aposta no acordo deve ter selado o final da sua carreira (aliás, demasiado longa) como dirigente sindical pois não estou a ver que os sindicatos filiados continuem a aceitar a sua liderança, depois de toda a inabilidade (para não dizer outra coisa) manifestada, quer durante, quer após a negociação do acordo. 
Já quanto ao futuro da UGT sou bem mais optimista do que Torres Couto, um dos seus fundadores, para quem a assinatura do acordo pode ser vista como a sua certidão de óbito. Sem dúvida que a UGT, com este acto, perdeu boa parte da sua credibilidade junto dos trabalhadores, mas tem na excessiva subordinação da CGTP às orientações do PCP, uma espécie de seguro de vida. Continuará a haver sindicatos que não aceitam a colagem da CGTP à estratégia da PCP que se norteia, tantas vezes, pelo lema do quanto pior melhor e cujos resultados estão hoje bem à vista. E, a este respeito, suponho que não é preciso acrescentar mais nada à carta: Os trabalhadores no activo e os pensionistas, designadamente, sabem do que falo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Um dia duplamente histórico

PPC considerou, a propósito da assinatura do acordo de concertação social, que estávamos a viver um dia histórico. É capaz de, pela negativa, ter mais que razão. De facto, tendo em conta, além do mais, a assinatura do acordo, que representa um retrocesso em termos históricos no que se refere aos direitos laborais, também  os "mercados"  resolveram associar-se às comemorações, assinalando a data com a subida das  taxas de juro da dívida portuguesa no mercado secundário  para  um novo recorde  (14,6%). Dia não simplesmente histórico, como diz PPC. Duplamente histórico, diria eu!

Balança, precisa-se. Urgente!

Precisa-se, com urgência, duma balança equilibrada para entrega imediata em São Bento, pois, se o respectivo inquilino considera equilibrado para todas as partes um acordo que faz pender a balança só para um dos lados, é porque tem a balança avariada.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Humilhado mas não convencido


Robert Mugabe confessa ter sofrido uma "humilhação" por ter sido forçado a aceitar um acordo de partilha de poder com a oposição, o que mostra que o homem se sente coagido e humilhado mas não convencido. Outra coisa não seria de esperar, tendo em conta os antecedentes e as proclamações do tiranete. E, como, no fundo, continua nas suas mãos o controlo do poder, não são de augurar grandes esperanças quanto às perspectivas de um acordo duradouro. Logo que se sinta menos pressionado, o nosso homem vai, decerto, romper com o acordado e tudo, no Zimbabwe, voltará à primeira forma: Violência e miséria continuarão a ser o dia a dia dos zimbabweanos.

Oxalá, me engane !
(A imagem foi tirada daqui)