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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Cegueira ou estupidez?

O impressionante desempenho da economia portuguesa no 1º trimestre deste ano, com o PIB a crescer 2,8% em termos homólogos, muito acima de todas as previsões, mereceu do PSD, pela voz duma deputada da respectiva bancada parlamentar (Inês Domingos), um comentário que não ficará nos anais da política portuguesa, mas que merecia ficar como acabado exemplo de cegueira ou de estupidez.
Congratula-se a senhora deputada com " a recuperação do PIB", mas atribui  tão excelente resultado, por um lado  "à conjuntura internacional e na União Europeia mais favoráveis", e por outro e em primeira mão, "às reformas realizadas pelo anterior Governo". Não se esquece a deputada Inês Domingos de negar qualquer mérito ao actual Governo e, pelo contrário, repetindo a lengalenga do seu partido, insiste que os resultados da economia portuguesa têm surgindo. "apesar de o [actual] Governo (...) ter revertido reformas".
Não se dá conta a muito distraída deputada que este discurso encerra uma contradição insanável. Como é evidente, se as "reformas" do governo anterior foram "revertidas", os bons resultados da economia portuguesa não podem ser atribuídos a reformas que já não existem. 
Há quem diga que reacções como esta, na linha das posições que Passos Coelho tem vindo a tomar desde que muito legitimamente (e felizmente) foi despedido pelo Parlamento das funções de primeiro-ministro, se ficam a dever a pura cegueira. A mim, parece-me que cegueira não será, pois os bons resultados até no PSD os conseguem ver. Estamos sim, julgo eu, perante um caso em que o ressabiamento é tanto que fez perder ao líder do PSD e aos seus apaniguados a noção do real. Quando tal acontece, as posições que se tomam trazem, forçosamente a marca da estupidez. É o caso.
(citações e imagem daqui)

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Nem sei que vos diga, nem que vos conte...

... porque não tenho palavras:" PIB cresce 2,8% no primeiro trimestre" .
Bastante acima das estimativas dos especialistas e muito acima das expectativas. E a milhas das previsões catastróficas de um tal Passos Coelho, o desinfeliz líder do PSD e pobre diabo a quem o mafarrico acabou por trocar as voltas.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Um caso sério!

"INE deverá anunciar melhor trimestre para a economia portuguesa em quase sete anos" (fonte
A confirmar-se a boa notícia, é bem provável que para Passos Coelho, o principal responsável pelo afundanço do PIB entre 2011 e 2014, bem visível no gráfico supra, o caso passe a ser muito sério. 
Uma vez despedido pela maioria existente na Assembleia da República, Passos Coelho (inconformado com o derrube do governo por ele formado por insistência insana do então presidente Cavaco) por mais que uma vez assustou o país com o anúncio da chegada do mafarrico. Provavelmente este fez-lhe ouvidos moucos, mas, se porventura, chegou a vir, tudo indica que o feitiço se virou contra o feiticeiro. Na verdade, Passos Coelho é que nunca mais teve descanso.
Aliás, a continuarem as coisas pelo caminho que levam, é mais que certo que, mais dia menos,  até o bem atarraxado "pin" acabará por lhe saltar da lapela.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Não há quem tenha mão nele...

Nem Passos Coelho, que o mandou vir, nem a Albuquerque que, dia sim, dia sim, o invoca, têm mão nele. Falo-vos do diabo que, pelos vistos, continua a fazer das suas. 
Por estes dias, a façanha mais notável do mafarrico tem a ver com o crescimento da economia que "no terceiro trimestre [acelera] e consegue o crescimento em cadeia maior da zona euro. O PIB cresceu 0,8% em cadeia e 1,6% em termos homólogos. Meta do Governo de 1,2% para final do ano mais perto de ser ultrapassada." (fonte)
E quem diz a meta do Governo, diz todas as previsões, que são, todas elas, muito mais pessimistas.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Antes de o ser, já o era?

Apesar de lido, custa a acreditar que a falta de honestidade intelectual tenha chegado a tais extremos. Rezam "as crónicas" que a deputada da coligação PàF, e vice-presidente da bancada parlamentar do CDS, Cecília Meireles teve o desplante de atribuir ao PS a responsabilidade pela estagnação da economia portuguesa ontem anunciada pelo INE relativamente ao 3º trimestre deste ano, período, durante o qual, recorde-se, o país continuou a estar sujeito à governação da direita.
Diz a deputada que "o CDS alertou várias vezes para aquilo que infelizmente está agora a acontecer. A situação de instabilidade política que se gerou e que se gerou sobretudo pela actuação do PS tem consequências". 
Instabilidade política quando o país era governado pelos partidos da direita, PSD e CDS? Quem, antes das eleições, se teria lembrado de uma coisa destas? Nem a deputada Cecília Meireles, aposto eu.
Mesmo que para ser deputado/a não seja pedida aos candidatos a comprovação de posse de algum grau de sensatez, não pode deixar de ser exigido a quem se senta nas bancadas do Parlamento um mínimo de seriedade, mínimos que a deputada Meireles, pelos vistos, não tem.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Uns lançam os foguetes e outros levam com as canas!

Durante a campanha eleitoral os partidos da coligação PàF fartaram-se de deitar foguetes: ele era a devolução de 35% da sobretaxa do IRS; ele era a economia em crescimento. Enfim, navegávamos em mar de rosas.
Foram-se as eleições e agora temos a realidade: a devolução da sobretaxa foi um ar que lhe deu e no que respeita à economia, diz o INE, o crescimento do PIB foi nulo entre o segundo e o terceiro trimestre deste ano. ou seja, em vez do crescimento sustentado que nos foi anunciado e prometido, passámos a ter estagnação.
Eles lançaram os foguetes, agora, depois da "festa", somos nós (todos os portugueses) a levar com as canas.
Espera-se que, nos tempos mais próximos, o novo Governo não se esqueça de as devolver à proveniência. Senão todas, pelo menos, algumas, 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Com o governo da PàF: ora a marcar passo, ora em marcha atrás

É a conclusão a tirar dos dados divulgados hoje pelo INE sobre o andamento da economia portuguesa.
Esta está, de facto, a marcar passo, pois o PIB no 2º trimestre deste ano cresceu 1,5% em termos homólogos (inferior a todas as previsões) e 0,4% em relação ao trimestre anterior (precisamente metade do verificado na Grécia, apesar da dimensão da crise que a tem assolado!), valores que, sendo idênticos aos apurados em relação ao trimestre anterior, reflectem a falta de dinamismo da economia portuguesa.

Ao mesmo tempo, porém, os dados divulgados revelam que o crescimento se ficou a dever ao aumento da procura interna (consumo e privado e variação positiva de existências) e  não ao desejável aumento da procura externa (exportações) que deu "um contributo negativo significativo para a variação homóloga do PIB".
Se isto não é andar para trás, andar para a frente, como apregoa o governo e a sua extensão PÀF, é que não é. De certeza.

terça-feira, 31 de março de 2015

Esqueceram-se de os avisar

«O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a agência de notação financeira Fitch revelaram estar mais pessimistas em relação ao crescimento potencial da economia portuguesa, esperando agora, em vez de taxas de crescimento a caminhar progressivamente para os 2%, variações do PIB de 1,25%.  E dão uma mesma explicação para este cenário prolongado de crescimento lento: o investimento não está e não vai crescer o suficiente para evitar a continuação da queda do capital acumulado na economia portuguesa.»
O optimismo (galopante) de Cavaco e de Passos Coelho sobre a evolução da economia portuguesa só pode ter uma explicação: alguém se esqueceu de os avisar que as perspectivas não são tão risonhas como ambos as têm pintado.
Ou então, nem um nem outro, ouviram alguma vez falar de "crescimento potencial". Eu também não.
(citação e imagem: daqui)

quinta-feira, 26 de março de 2015

De mal a pior

"Lembra-se do ano de 2012, o primeiro ano completo da troika em Portugal, em que tudo parecia mau? Afinal, foi ainda pior.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) fechou hoje as contas nacionais de 2012 - até aqui, os valores não eram definitivos. Nesse ano, a economia nacional sofreu afinal uma recessão de 4%, ao invés dos 3,2% que se pensava.
É a maior recessão em Portugal desde 1975(...)» (Fonte)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Prudência, mas pouca

Ouvimos dois ministros (Marques Guedes e Pires de Lima) falar de prudência a propósito dos números divulgados pelo INE sobre a evolução da economia portuguesa, no segundo trimestre deste ano, números que apontam para um crescimento de 1,1%, mas, ao mesmo tempo, Marques  Guedes não se ensaia nada para considerar que tais resultados são sinais “que demonstram que faz sentido o caminho que tem vindo a ser percorrido, dá sentido aos esforços dos portugueses e das empresas”e Pires de Lima não se coíbe de, a respeito dos mesmos números, falar de um  "momento de viragem económica".
A prudência destes governantes, pelos vistos, é pouca. Ou nenhuma, porque na melhor das hipóteses, como adianta a maior parte dos analistas, com alguma dose de optimismo, face aos "cortes" que se anunciam, ainda não passámos da fase do "a ver vamos".

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Surpreendido e, quiçá, apreensivo

Os dados do INE dando conta que a economia portuguesa cresceu 1,1% no segundo trimestre deste ano são uma boa notícia. Manda, porém, a prudência que não se embandeire em arco. As palavras da Comissão Europeia vão nesse sentido, o que não impediu o precipitado deputado Pedro Pinto (PSD) de vir proclamar que o caminho seguido por este (des)governo "é o correcto e está a dar os seus primeiros resultados".
Precipitado e duplamente, julgo eu. Em primeiro lugar, porque esquece que os números divulgados surgem na sequência de um decréscimo verificado no 1º trimestre muito superior ao previsto (-4,1%) e, em segundo lugar, porque não se pode ignorar que, apesar do modesto crescimento agora verificado, o PIB nacional ainda está 2% abaixo do verificado no segundo semestre do ano findo.
Resta saber se os resultados se devem ao facto de o governo estar a trilhar o caminho correcto (hipótese que rejeito em absoluto) ou se eles ocorrem, porque o governo encontrou algum obstáculo no caminho prosseguido e errado, obstáculo representado, no caso, pelo acórdão do Tribunal Constitucional, frequentemente diabolizado pelo governo, que o impediu de levar a cabo todos cortes previstos no Orçamento do Estado (hipótese que se me afigura bem mais plausível) cortes que, a terem ido avante, teriam impedido alguma recuperação do consumo entretanto verificada. O fenómeno é bem visível, designadamente, no aumento nas vendas de automóveis, e contribuiu certamente para quebrar o longo ciclo recessivo.Tão longo que é a primeira vez que tal se verifica desde que o actual executivo tomou conta da (des)governação em curso.
Dir-se-ia, pois, que esta pausa na recessão não é fruto, nem da acção, nem das opções do governo que, por alguma razão, até se mostra surpreendido. E mais que surpreendido, suspeito que o governo o que está verdadeiramente é apreensivo. De facto, se a recuperação do consumo prosseguir, é bem provável que o governo veja cair por terra o único êxito que, ao fim de mais de dois anos, pode reivindicar: os excedentes nas contas com o exterior, entretanto verificados, originados, em primeira linha, pela diminuição das importações, diminuição que, por sua vez, deriva das quebras no consumo.
Aguardemos, entretanto, o resultado dos cortes que o governo se propõe levar a cabo em nome da sua "reforma do Estado". Lá mais para o final do ano veremos, então, se o deputado Pedro Pinto continua a ter razão para dar "saltos" de contentamento. Seria óptimo, a todos os títulos, é verdade, e, em particular, muito benéfico para o deputado Pedro Pinto que, atendendo à imagem que passa nas televisões, parece estar a precisar de fazer alguma ginástica. E saltar, dizem, é um bom exercício.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O motor gripou

O motor das exportações gripou, porventura de vez, decorrido que é um ano e meio de governo do "primeiro-ministro" Gaspar, o tal que, segundo Marques Mendes, "anda a gozar com o pagode".
(Entre parêntesis, digo eu ao Marques Mendes que Gaspar não é o único. O "adjunto" Coelho também se tem farto de "fazer dos outros parvos", mas, em boa verdade, o Coelho já não conta e já ninguém o leva a sério, tantas são as vezes em que ora diz sim, ora não, para acabar no talvez).
Mas, retomando o fio à meada, dizem as notícias, citando os dados do INE, que o ritmo de crescimento das exportações tem vindo abrandar, tendo ficado em 1,7%, no último trimestre, abrandamento bem visível quando comparado com os 3, 7% do trimestre anterior e mais ainda com os 6% dos antecedentes, para já não falar dos saudosos tempos do Governo anterior em que o ritmo de crescimento se escrevia com dois dígitos.
Como consequência, a queda da economia agravou-se, com o PIB a recuar 3,5% face a idêntico trimestre do ano anterior, ultrapassando já os 3% previstos pelo "primeiro-ministro" Gaspar para o corrente ano, o que vem confirmar de novo que o "inteligentíssimo" Gaspar não acerta uma.
Perante isto, cabe perguntar ao "primeiro-ministro", ao "adjunto", ao governo e à maioria par(a)lamentar se ainda acreditam nas ficções inscritas no chamado "Orçamento do Estado para 2013", no que respeita  às previsões sobre a evolução da economia, sobre a receita, a despesa, o défice e a dívida ?
Se o motor (exportações) gripou, por mais que Gaspar e Passos nos mintam em contrário, é óbvio que o carro (economia) não vai andar. Com o virar do ano se verá.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Lá mais para o outono falaremos

Os dados anunciados pelo INE sobre a evolução da economia portuguesa, com o produto interno bruto (PIB) a recuar 0,9% em relação a idêntico período do ano anterior (menos que os previstos 1,1%) e a taxa de desemprego a fixar-se em 12,1, recuando 3 décimas face à taxa apurada no 1º trimestre (12,4%) acabam por ser melhores do que os esperados, ainda que não sejam, de facto, particularmente brilhantes. No entanto, o ministro Miguel Relvas gostou tanto que, segundo João Galamba, aquele viu nos números do PIB "um sinal de que o Governo está no bom caminho". 
A pressa em apropriar-se destes resultados por parte de Miguel Relvas (ministro dum Governo empossado no final de Junho) só pode ter uma destas explicações: ou ele não sabe quantos meses tem o ano e o trimestre, ou acha que a acção do actual Governo é de tal forma singular que até é capaz de produzir efeitos retroactivamente  (mais uma originalidade dum Governo já bem original a outros títulos) ou então está (o que é mais provável) a ganhar balanço para se aguentar com o anúncio dos números do PIB e do desemprego relativos ao 3º trimestre, estes sim da responsabilidade do Governo PSD/CDS. E bem vai precisar de balanço porque, com as medidas já tomadas pelo actual Governo, não é preciso ser adivinho para chegar à conclusão de que vamos ter uma recessão bem mais acentuada e de que o desemprego vai aumentar para números nunca vistos. 
Se alguém tem dúvidas, para o próximo outono voltaremos a falar.