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domingo, 26 de outubro de 2014

Claro que sim. Claro que não.

«(...)
A questão é: o primeiro-ministro devia demitir os três ministros? Claro que sim. Sucede que há uma questão antes desta questão. Que é esta: o primeiro-ministro tem condições para demitir os três ministros? Claro que não. Basta pensar nisto: quem seria o louco, ou a louca, que aceitaria ir para um Governo cuja alma se aproxima dos 21 gramas? O poder de recrutamento de Passos e Portas é igual a zero. Ou quem seria o louco, ou a louca, disposto a ficar com as pastas em aberto, somando sarilhos aos sarilhos?
Aconteça o que acontecer, resta esperar que o estertor se complete. É da natureza das coisas.(...)»
(Paulo Ferreira; "Quanto pesa a alma do Governo?". Na íntegra: aqui)

terça-feira, 22 de abril de 2014

O governo precisa dum check-up?

Desculpe, Paulo Ferreira, mas, desta feita, não posso concordar consigo, pois qualquer diagnóstico é desnecessário. Check-up para quê, se o governo é, ele próprio, não o doente, mas a personificação do mal? Infelizmente, remédio é que, pelos vistos, não há.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Perguntas por esclarecer

"(...) Findo o Conselho de Ministros, a ministra veio dizer-nos que, apesar de se esperar um crescimento da riqueza que produzimos (PIB) em 1,5% e um decréscimo do desemprego para 14,8%, tudo se mantém na mesma. Vale o mesmo dizer: o "ajustamento interno" é para continuar. Agora com cortes na despesa dos ministérios e redução de funcionários públicos que, por junto, valerão 1400 milhões de euros. Isto e mais uns "peanuts", como a eventual criação de uma taxa a aplicar à indústria farmacêutica e o encarecimento de produtos nocivos para a saúde.
A primeira pergunta que assalta qualquer incauto é: por que motivo só agora o Governo vai "sacar" 1400 milhões aos ministérios? Não era preferível ter feito essa poupança antes de atacar salários e pensões?
A segunda pergunta é: em que medida o corte nos orçamentos dos ministérios prejudicará, ainda mais, os serviços prestados aos portugueses (na saúde, por exemplo)?
A terceira pergunta é: quando é que o Governo nos diz quanto mais teremos que empobrecer (recorde-se: as medidas transitórias passaram a definitivas) até atingirmos excedentes (exportando mais e importando menos) suficientes para pagarmos a dívida? A tragédia social em que isto se sustenta tem prazo para terminar?
A ministra estava muito cansada para nos esclarecer..."
(Paulo Ferreira; "O cansaço da ministra e o nosso". Na íntegra: aqui.)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Verdade verdadinha

"Na coadoção, a votação à direita dividiu-se entre os que têm consciência e mantiveram o voto e os que não têm outro emprego e mudaram o voto"

(Paulo Ferreira; "As lágrimas da deputada Maria". Na íntegra: aqui)

domingo, 19 de janeiro de 2014

Como se mata a democracia

«A emoção quase lacrimejante com que uma dúzia de deputados do PSD levantou, anteontem, a mão no Parlamento para dizer que, sendo favorável à coadoção por casais do mesmo sexo, teve que votar a favor de um tonto referendo porque a isso foi obrigada pela liderança da bancada, é das coisas mais desprezíveis que me recordo de assistir na Assembleia da República.
Há quem veja neste gesto algo de nobre: não consigo perceber porquê. Num tema que envolve, antes de tudo e acima de tudo, a consciência de cada um e uma revisitação aos valores de cada um, num tema destes não pode haver condescendência. Só pode haver decência. Coerência. Aquiescência com aquilo que queremos e gostamos de ser. Não pode haver subserviência.
Os dedos erguidos carregaram, figurativamente, no gatilho de uma pistola. Cada estalido foi um estalo na democracia. Cada tiro acertou direitinho no alvo de que pretendia escapar: na cara de cada um de nós e no coração de cada um dos deputados. As lágrimas de crocodilo pretendiam esconder o haraquíri a que se submeteu cada deputado que optou por jogar este vergonhoso jogo. Ao invés, mostrou-o em toda a sua plenitude. Foi uma coisa infantil. Muito infantil. Que apenas 11% dos portugueses confiem nos deputados e 9% nos partidos parece, a esta luz, um verdadeiro milagre. Porque uns e outros continuam a brincar à roleta russa, imaginando que não há balas no revólver. Há.
Oiço vozes que tecem elogios grandiloquentes a Teresa Leal Coelho. Não as percebo, francamente. A deputada do PSD saiu do hemiciclo na altura de votar a realização do referendo, e a seguir demitiu-se do cargo de vice-presidente da bancada parlamentar. O truque não basta para merecer aplausos. A única coisa que, em bom rigor, lhe resta é decidir se quer continuar a integrar uma bancada que faz politiquice da mais rasteira com valores civilizacionais dos mais elevados. Quer? Fica. Não quer? Sai. Ela e todos os outros que ergueram piedosamente o dedo e rabiscaram conscientemente declarações de voto, procurando aliviar a consciência, assim como quem toma um ben-u-ron para aliviar uma dor de cabeça.
(...)»
(Paulo Ferreira; "Como se mata um deputado". Na íntegra: aqui.)