Julgo ser evidente que o Professor Jorge Miranda é, de longe, o candidato com mais adequado perfil para o exercício do cargo de Provedor de Justiça. Não pondo em causa os méritos dos demais candidatos, limito-me a constatar que Jorge Miranda é possuidor de um
curriculum que nenhum dos outros candidatos possui, quer no plano da actividade política (com propriedade, ele é considerado um dos "pais" da Constituição da República, como reconhecimento pelo papel relevante que desempenhou na sua elaboração), quer como professor de Direito, quer finalmente, enquanto cidadão (sempre pronto, mas sem exibicionismos, a dar a sua opinião sobre as sempre melindrosas questões de interpretação de direito constitucional que ao longo dos anos não têm faltado), domínios em que deu provas não só das suas qualidades de inteligência, mas também de isenção e de independência face aos partidos, no poder ou na oposição. A
audição que hoje teve lugar na Assembleia da República é mais uma prova do que fica dito.
Não duvido, por isso, que ele acabe por vir a ser eleito como Provedor. Seria até uma forma de homenagear o cidadão que tão valioso contributo deu, como deputado à Assembleia Constituinte, para a instauração do regime democrático em que vivemos.
Estou mesmo convicto de que, se tivesse havido, da parte do PSD, um mínimo de sentido de Estado, já há muito, a sua eleição seria um dado de facto. Este é, no entanto e infelizmente, mais um exemplo e, por sinal, um excelente exemplo da desorientação que grassa por aquelas bandas. Desorientação e falta de linha de rumo que já não são de agora, é verdade, mas que se agravaram com as "birras" da actual líder e do seu "alter ego", o líder parlamentar (Constança Cunha e Sá dixit).