
Afirmação do ministro do Negócios Estrangeiros, Luís Amado, hoje, na Assembleia da República: Portugal vai reconhecer hoje a independência do Kosovo.
É a política do "facto consumado" em todo o seu esplendor ! E política tanto mais cínica, quanto é verdade que, segundo o ministro, Portugal apoia a decisão sérvia de solicitar ao Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas a elaboração de um parecer jurídico sobre a declaração unilateral de independência do Kosovo.
É a política do "facto consumado" em todo o seu esplendor ! E política tanto mais cínica, quanto é verdade que, segundo o ministro, Portugal apoia a decisão sérvia de solicitar ao Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas a elaboração de um parecer jurídico sobre a declaração unilateral de independência do Kosovo.
Se assim é, porquê a pressa ?
À margem do direito internacional e incompreensível, é como se pode qualificar esta atitude do Governo Português até porque não se adiantam razões, nem para o reconhecimento, nem para esta pressa, tendo em conta, além do mais, que Portugal não acompanhou, na altura própria, o reconhecimento da independência do Kosovo, pela maioria dos países da União Europeia.
Pela lógica desta decisão, temos caminho aberto para o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia (já declararam a independência unilateralmente e até já há países que a reconheceram) e via larga para outros seguirem o mesmo procedimento. Euskadi (País Basco), Córsega, Flandres, (só para lembrar alguns) podem muito bem invocar o precedente.
Pela lógica desta decisão, temos caminho aberto para o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia (já declararam a independência unilateralmente e até já há países que a reconheceram) e via larga para outros seguirem o mesmo procedimento. Euskadi (País Basco), Córsega, Flandres, (só para lembrar alguns) podem muito bem invocar o precedente.
Actualização: São já conhecidas as opiniões dos partidos com representação parlamentar: Enquanto o CDS-PP, o PCP e o Bloco de Esquerda defendem que Portugal abandonou agora a sua posição de distância face a uma declaração de independência "unilateral" do Kosovo devido "a pressões internacionais", o PSD concorda com o Governo. Será que o Bloco Central vem aí a todo o vapor?
ADENDA: Conhecidas as razões invocadas pelo ministro como justificação do reconhecimento da independência do Kosovo ( “é um facto irreversível”; todos os outros Estados-membros da UE que não têm “problemas internos” já o reconheceram; o “papel destacado” da UE na pacificação dos Balcãs e evolução “muito positiva” da situação no Kosovo; “mudança de contexto geopolítico”, decorrente da aprovação russa da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia) todas elas se podem resumir em metade do título deste comentário: "Política do facto consumado".
É verdade que a independência do Kosovo foi proclamada sem respeito pelas regras do Direito Internacional, mas que importa isso, nos dias de hoje e com um novo contexto geopolítico ?
Amen, assim seja! Mas ao menos sejam coerentes: Se o contexto geopolítico justifica tudo (o resto é conversa !) porque não o reconhecimento simultâneo da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia ?
Pergunto eu.
(Mensagem reeditada)
