Ricardo Pais Mamede no programa "Expresso da Meia Noite" da SICN: uma análise séria sobre os sucessos do governo propagandeados nos últimos tempos. Tais "sucessos", a confirmar-se a análise não passam, porém, de ilusões e mistificações. O tempo o dirá .
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Celtas? Está bem, abelha!
Aqui há tempos, Paulo Portas afirmava que “A Portugal convém seguir a Irlanda e não a Grécia. Antes celta que grego”.
Hoje ficou a saber-se que "a Irlanda vai sair do programa de resgate financeiro, que termina no próximo mês, sem recorrer a um programa cautelar".
Não havendo já sombra de dúvidas de que Portugal, no final do programa de assistência, não estará em condições de financiar nos "mercados" sem uma qualquer forma de assistência, qualquer que seja o nome que se lhe venha a dar dentre os que têm sido enunciados ( novo resgate, programa cautelar, ou seguro), é caso para perguntar a Paulo Portas como se sente. Celta não é, seguramente. Se calhar, nem grego. Pantomineiro, talvez.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Três anos das nossas vidas lançados à fogueira
António Pires de Lima, ministro da Economia, foi a Londres anunciar que o governo quer negociar um novo programa de assistência, contando iniciar as negociações nos primeiros meses de 2014.
Esta declaração tem o inquestionável mérito de acabar com todas as dúvidas: o governo português assume, sem disfarces, que Portugal, no final do actual programa de assistência, não estará em condições de financiar-se junto dos mercados financeiros, tendo forçosamente de recorrer a nova ajuda para se poder financiar a juros aceitáveis. Em boa verdade, notícias como esta nem sequer permitem que o governo possa acalentar outra alternativa.
Qualquer que seja a forma que o novo programa de assistência venha a tomar (novo resgate, ou programa cautelar) um dado é certo: Portugal, ao contrário do que Paulo Portas tem vindo a proclamar, não se verá livre do "protectorado". Duma forma ou de outra, Portugal continuará sujeito ao condicionalismo que os "assistentes financeiros", sejam eles quais forem, quiserem impor. Isto, pelo menos, enquanto em Portugal estiver no poder este governo de marionetas.
Se o país, ao fim de três anos de assistência financeira, sob o controlo da troika, não só não consegue ver-se livre de uma qualquer forma de "protectorado", como está e vai estar, no fim do programa, mais pobre, mais endividado e com um número muito mais elevado de desempregados, então forçoso é concluir que os actuais governantes (Cavaco incluído) não se limitaram a "queimar" 12 ou 13 mil milhões de euros, para utilizar a expressão de Pedro Adão e Silva a que me refiro aqui. Os incendiários são também responsáveis por, em pura perda, terem lançado à fogueira três anos das nossas vidas. No mínimo.
Não admira, por isso, que os incendiários se tenham vindo a esquivar, até agora, ao julgamento popular, mas o dia do julgamento da tragédia por que são responsáveis, há-de chegar. Queiram ou não queiram.
domingo, 17 de março de 2013
Demónios à solta
A subtracção, ou melhor dizendo, o roubo puro e simples de parte dos depósitos bancários imposto pelos líderes europeus a Chipre, como condição da prestação do auxílio financeiro de que o país necessitava, pode ser visto como o equivalente à libertação de uma legião de demónios que só pode ter como consequência lançar aquele país no caos, porque abala a confiança no sistema financeiro cipriota produzindo um efeito que é precisamente o contrário do pretendido, pois tinha o objectivo de "fazer frente à débil situação do sector bancário", situação que se era débil mais debilitada ficou. De facto, não é difícil antever que a banca cipriota vai ter que enfrentar um levantamento maciço de depósitos, assim como é fácil prever que em Chipre se vai assistir a um incremento exponencial de fuga de capitais do país.
O mais difícil, como se costuma dizer, é dar o primeiro passo. Dado este, outros com toda a facilidade se podem seguir, pelo que não é de desprezar a probabilidade de os líderes europeus virem no futuro a tomar medidas idênticas em relação a outros países sujeitos a resgate e submetidos à intervenção e supervisão estrangeiras, como é o caso de Portugal, da Grécia, da Irlanda e, de algum modo, da Espanha e da Itália.
Se tal vier a acontecer, é mais que evidente que a União Europeia deixará de existir tal como hoje é concebida, pois o descalabro atingirá toda a Europa.
Como é que gente supostamente inteligente pelos cargos que ocupa toma medidas tão estúpidas é para mim um mistério só compreensível à luz dos interesses dos países europeus economicamente mais fortes, com a Alemanha à cabeça, países cujos bancos vão ser procurados como refúgio para os capitais expatriados. Outra explicação não vejo, tal é o tamanho do erro.
Não sei qual a posição tomada pelo governo de Coelho e pelo "impressionante" e "inconcebível" ministro Gaspar a propósito das medidas impostas a Chipre. Não sei, mas aconselho um e outro a porem as barbas de molho.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Valha-nos a Grécia!
"Educam-nos a olhar para a Grécia como um doente leproso mas Atenas tem sido o anjo da guarda do resgate português. Se não fossem os negociadores deste país e sobretudo a ameaça que o seu colapso representa para a zona euro, Portugal teria hoje um perfil de dívida pública ainda mais insustentável.
Sem que o Governo português tenha levantado um só dedo, a Grécia acaba de entregar de novo a Portugal um naipe de vantagens apreciáveis ao seu resgate, que vê reduzido o fardo com a sua dívida esta década. É o chamado bom contágio. Para dar uma aparência de sustentabilidade à Grécia, o Eurogrupo teve de facilitar as condições de crédito para todos. Isto não é, nem pouco mais ou menos, um ‘game-changer', mas no actual quadro é uma ajuda que cai do céu.
O serviço anual da dívida será menor. O País vê cancelados os custos operacionais que paga de juros ao fundo de resgate, numa poupança de centenas de milhões de euros. Vai ficar mais dez anos sem ter de pagar juros. Além disso, fica isento do mini-perdão de dívida à Grécia, continuando a cobrar uma margem de 1,5% pelo seu crédito de 1,1 mil milhões a Atenas. Por outro lado, o país pode usar o exemplo grego para reclamar os lucros com a compra da sua própria dívida pelo BCE nos mercados (calculada entre 15 e 20 mil milhões).
(...)
Foi assim desde o início do resgate: o governo garante as tranches, passando a limpo as aulas da ‘troika', e a Grécia encarrega-se de melhorar os créditos. É o chamado free-riding.
(...)
Pior que não se bater pelo interesse nacional, ou não agradecer a boleia da Grécia, é aproveitá-la para fins políticos. Fazer de conta que é tudo mérito do Governo. Foi o que fez, há dias, Passos Coelho, apresentando uma poupança de 800 milhões em juros como produto da habilidade negocial do governo. Se fosse verdade, era de facto extraordinário: o Governo tinha acabado de tomar posse e, no espaço de dias, arrancava em Bruxelas uma descida de juros de Portugal, Grécia e Irlanda, duplicava as maturidades e ainda conseguia flexibilizar o resgate. Não há decoro.
(Luís Rego; "A Grécia é o nosso anjo da guarda"; na íntegra: aqui)
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Mui-to len-ta-mente
Ó ministro Gaspar, não é "lentamente". A crer no banco de investimento norte-americano Morgan Stanley, é "mui-to len-ta-mente".
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Morta, por enterrar
A União Europeia está morta desde que se substituiu a palavra "solidariedade" entre todos os Estados membros pela palavra "austeridade". Esta, imposta primeiro à Grécia, e depois à Irlanda e a Portugal, deu os "brilhantes" resultados amplamente conhecidos: a Grécia está já a ferro e fogo e Portugal, se não caminha para lá, está cada vez mais pobre, com a actividade económica a cair de mês para mês.
(O gráfico que demonstra a última asserção foi roubado ao "Expresso")
A União está, no entanto, ainda por enterrar, o que, em tese, possibilitaria a sua reanimação, se houvesse vontade política nesse sentido. Todavia, tudo indica que não vai ser esse o caso. E não será apenas por culpa dos fracos políticos europeus, como geralmente se afirma. O problema, a meu ver, é mais grave, porque, em boa verdade, não se pode falar em "solidariedade europeia", quando já não há "europeus". Há portugueses, alemães, espanhóis e tutti quanti, mas não há "europeus".
Quando os povos do norte da Europa alcunham os do sul de "preguiçosos" e uns e outros mutuamente se recriminam em vez de se solidarizarem entre si, é óbvio que a Europa já não é mais que um conceito geográfico. E quando até os medíocres governantes de países contados entre os aflitos, como Portugal ou Espanha, não cessam de proclamar que "Portugal não é a Grécia" ou que "Espanha não é Portugal" está tudo dito sobre a existência duma Entidade europeia, quanto mais duma "União Europeia".
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Finalmente livres ...

De vez em quando surge uma boa notícia, como é o caso do resgate de Ingrid Betancourt e de outros prisioneiros das FARC, resgate que, segundo as informações, foi levado a cabo pelo exército colombiano, numa operação bem sucedida.
Não conhecendo, em pormenor, as condições em que tal operação foi realizada, mas tudo indicando que não foi devido à intervenção de qualquer mediador, só temos aqui que nos alegrar com o êxito da mesma, felicitar o exército colombiano e, principalmente, formular votos de boas vindas para os agora livres do cativeiro tão longo e desumano imposto pela organização terrorista das FARC.
Sejam bem vindos !
(A imagem foi tirada daqui)
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