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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Regressos e outros "sucessos"

Portugal "regressou aos mercados", um "sucesso", no dizer de banqueiros, governantes, jornalistas, comentadores, farsantes e outros meliantes. Cumpre, no entanto, salientar que há, entre jornalistas e comentadores, honrosas  excepções, pois nem todos se vendem por lentilhas feijões.
No que respeita a "sucessos" há, porém, outros "regressos"  que convém lembrar.
Pois não é verdade que centenas de milhares de portugueses estão de regresso aos caminhos da emigração, porque na terra onde nasceram falta o pão?
E não haverá quem esteja a regressar à "sopa dos pobres", não faltando até quem, pela primeira vez, nela se veja forçado a ingressar?
E que dizer das pessoas idosas albergadas em lares e noutras instituições de acolhimento forçadas a regressar as suas casas ou a casas de familiares, porque as suas magras pensões são indispensáveis ao equilíbrio da débil economia  dos respectivos agregados familiares?
E também não é verdade que milhares de emigrantes que pensavam ter encontrado em Portugal a terra prometida, estão de regresso às  origens, porque em Portugal se acabou o "leite e o mel?

Mas se há "regressos" também há "não-regressos" a ter em conta como bons indicadores de "sucesso".
Há, por exemplo, centenas de milhares de desempregados que não conseguem regressar ao trabalho;
Há (outro exemplo) milhares de portugueses que são despejados na rua, impedidos de regressar a casa, porque esta deixou de ser sua. 
Entre regressos e não-regressos não faltam motivos para que este governo possa reivindicar "sucessos" e mais "sucessos".

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Mau sinal !

O governo, pela voz do secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, considerou hoje que a avaliação da troika ao plano de reformas económicas “tem corrido bem”.
Mau sinal, digo eu, porque as notícias que vão surgindo não são nada boas. Muito pelo contrário. Mesmo numa área tão sensível como é a da saúde, área em que temos dois casos recentes que dão que pensar: o número  de mortes, nas últimas semanas, inesperado e ainda por explicar; e o anúncio pela Roche Farmacêutica de que vai interromper as vendas a crédito a 23 hospitais públicos com dívidas há mais de 500 dias.
Se no primeiro caso, muitas explicações são possíveis, umas mais plausíveis do que outras, podendo entre aquelas figurar o aumento da pobreza dos mais idosos que foram, de longe, os mais afectados, já o segundo caso evidencia que, para este governo, a saúde não é uma prioridade, sabendo-se que Portugal já recebeu mais de metade do empréstimo concedido pelo Fundo Monetário Internacional e da União Europeia. Ainda que mal pergunte: aplicado onde?
Digo mau sinal, porque, estando as coisas estão neste pé, com as condições de vida dos portugueses a piorar de dia para dia, tal só pode ter o significado de que as medidas impostas pela "troika" e a serem, a  crer na   tal avaliação,  bem executadas,  estão a ter um efeito contraproducente. O remédio em vez de curar, pelos vistos, mata. Não só em sentido figurado, mas até, ao que parece, no verdadeiro sentido da palavra.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Não se esqueça: adoeça!

Contrariando os avisos já aqui deixados por mais de uma vez (Pela sua saúde não adoeça!) venho hoje recomendar precisamente o contrário. De facto, é de toda conveniência que, em cada  três anos, adoeçamos, pelo menos, uma vez que seja. Recomendação que se deixa a quem não queira ser riscado da lista dos vivos. 
Há, de facto, gente muito estúpida! Cada dia que passa mais me convenço que este governo não passa duma Comissão Liquidatária.