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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Está-lhes na massa do sangue

Durão Barroso alegou ter encontrado o "país de tanga" para justificar a própria inabilidade e incapacidade para resolver os problemas do país, que ficou em pior estado, no final (felizmente forçado) do mandato do seu sucessor, Santana Lopes. 
Passos Coelho, apesar de ter prometido (é só mais uma promessa não cumprida) que não iria falar da "herança recebida"  para justificar as medidas que o seu governo  viria a tomar, não tem feito outra coisa. Ou antes, até tem ido mais longe, com a repetição, até à náusea, da história (nunca explicada e comprovadamente falsa) do "desvio colossal".
A desculpa com o passado está, pelos vistos, na massa do sangue dos governos de direita liderados pelo PSD e, sendo assim, não há volta dar. Só resta, pois, esperar que venha, de novo, alguém que, sem lamentos sobre o passado, seja capaz governar e de dar confiança ao país. Nesta matéria da confiança, como noutras,  pelo caminho que a coisa leva e com actores menos que medíocres, este governo já deu no que tinha a dar: mais desemprego, maior pobreza, mais miséria, mais fome.
Esta é a herança que este governo vai deixar ao próximo. Que venha breve!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Governo também é isto

"(...) O ministro das Finanças também precisa de uma lição que o esclareça sobre o que é uma conferência de imprensa. Convocada uma, que se supunha para anunciar os cortes na despesa, proibiu as perguntas e prendou-nos com mais aumentos, agora na electricidade e no gás. A subserviência à troika deixou à dita a missão soberana de, finalmente, esclarecer os indígenas sobre o desvio colossal, a solver com mais confiscos colossais. Aproveitando a inércia, Passos Coelho foi lesto no Pontal: preparem-se que vem aí muito mais e, por favor, não estrebuchem, porque o Inferno espreita. Quanto ao corte na despesa, é esperar até Outubro. Antes, Passos tem de ultimar a oferta do BPN a Isabel dos Santos e companhia, resolver o bónus da TSU e escolher quem vai abocanhar a TAP, a RTP, os CTT, as Águas de Portugal e um naco da CGD, tudo a preço de saldo e em nome do Inferno que espreita."

(Extracto do artigo Um neoliberal é isto, Álvaro de Santana Castilho na edição de hoje do Público)

terça-feira, 5 de julho de 2011

"Como foi possível fazer isto ao meu país?"

Os juros da dívida pública  não têm parado de subir desde o infausto dia em que Passos Coelho (PSD), Paulo Portas (CDS), Jerónimo de Sousa (PCP) e Francisco Louçã (BE) decidiram  chumbar o PEC IV, arrastando a queda do Governo liderado por José Sócrates. Desde essa fatídica data, também as agências de notação financeira têm vindo a reduzir sucessivamente o rating da República Portuguesa. Para a Moody's, o rating de Portugal já é "lixo".
Fazendo minhas as palavras de José Sócrates, também eu pergunto: "como foi possível fazer isto ao meu país?"

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A guerra aberta ?

Já não lhe bastam os discursos presidenciais. Ou muito me engano, ou Cavaco Silva, não podendo já usar a "arma atómica" da dissolução, pretendeu, com esta visita do Procurador-Geral da República obter armamento, ainda que mais ligeiro, para se preparar para a "guerra" contra o Governo. Todo o secretismo à volta da reunião, antes e depois, é sinal de que esse terá sido o objectivo.
Se a reunião serviu ou não para a obtenção de munições, mais tarde se saberá. O 25 de Abril está já à porta e aí o Presidente da República terá uma boa oportunidade para mostrar quais os seus trunfos e até onde é que ousa ir.
Para já, os "adversários" mantêm as suas posições, como se viu pela resposta de Sócrates aos recados presidenciais.
Veremos como é que as respectivas trincheiras se comportam, porque estas, no momento, são essenciais. É que neste tipo de "guerra", as armas nem sempre são de fiar: a algumas sai-lhes o tiro pela culatra e dos seus "coices" ninguém se livra. Incluindo Cavaco Silva, que é feito de carne e osso, como qualquer outro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A catar como as galinhas ...

Retomo como tema o discurso do Presidente da República nas comemorações do 5 de Outubro para fazer notar que, quer as oposições, quer os jornalistas, se esforçam por encontrar no discurso presidencial qualquer palavra que possa ser considerada como crítica velada ou directa à actuação do Governo, num afã digno de galinhas à cata de milho. Foi assim o que se passou desta vez e não é obviamente caso virgem.
Talvez não seja despropositado lembrar, nesta altura, umas tantas evidências:
1- O que menos falta nos faz, numa época como a actual (a braços com uma crise mundial que já vi qualificar como a mais grave depois da Grande Depressão) é uma situação de conflito institucional entre o Presidente da República e o Governo, sendo necessária, mais que nunca, a existência de uma concertação entre os dois órgãos de soberania, até porque, se não sairmos do atoleiro, ficam os dois e nós todos a perder.
2. O Governo, embora dependa da Assembleia da República, depende também do Presidente da República. Este, não só pode vetar os diplomas do governo, como pode, dentro dos limites constitucionais, pôr termo a qualquer experiência governativa e já tivemos exemplo disso no nosso país, como é sabido. Ora, se assim é, qualquer crítica pública que o Presidente faça a este governo ou a qualquer outro, virar-se-á sempre contra ele, pois é responsável pela sua manutenção no poder.
3. Não é, pois, ao Presidente da República que caberá criticar publicamente o Governo, nem tal lhe deve ser pedido. Essa tarefa pertence por inteiro aos partidos da oposição. É a estes, que cabe fazer a crítica do governo e dos seus actos, dentro e fora do Parlamento.
4. O afã com que os partidos e os jornalistas esgaravatam as palavras do Presidente da República para aí encontrar uma crítica ao Governo, só prova a incapacidade dos partidos da oposição para cumprirem, por forma cabal, o seu papel.
5. Isto é tão claro como água. O que espanta é que nem uns nem outros se dêem conta disso!
(Mensagem reeditada)