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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Que desilusão !

A agência canadiana de notação financeira DBRS, contrariando as previsões (e os desejos) das vozes da direita portuguesa que fazem coro quase unânime nos media nacionais, afirma que vai manter a notação "BBB" atribuída a Portugal (fonte). 
Alinhado com o coro, Passos Coelho, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, já dava como certa a necessidade de um plano B "para acudir à situação orçamental", como se os seus desejos já se tivessem tornado realidade.
Contrariado no seus desejos pela decisão da agência de rating, o recém convertido à "Social-democracia, sempre!" lá terá que encaixar mais esta desilusão.  
Pela minha parte, só espero que não seja a última.
(A imagem do recém convertido é do "Expresso")

sábado, 21 de janeiro de 2012

Já lá vai o tempo...

"Foi com sonoras declarações de protesto e indignação que foi recebida a recente decisão da Standard and Poor’s de baixar, de uma assentada, o ‘rating’ de 9 países da zona euro - incluindo Portugal (em dois níveis, para “lixo”) - e de tirar o ‘rating’ AAA à França e à Áustria, bem como ao próprio Fundo Europeu de Estabilidade Financeira.

Um arraso. Por cá, o Ministério das Finanças não se conteve e emitiu mesmo, no próprio dia (sexta-feira 13), um comunicado fortemente crítico para aquela agência de ‘rating', argumentando contra ela e acusando-a de ter tomado uma decisão "infundada" e cheia de "inconsistências".


Pelos vistos, já lá vai o tempo em que não se podia criticar as agências de ‘rating' e muito menos "insultar" os mercados, negando a racionalidade das suas respostas e denunciando a sua manifesta captura pelos interesses da especulação financeira. Isso era dantes, noutro tempo, quando o Governo era outro. Era o tempo em que a palavra das agências de ‘rating' devia ser vista como a luz do farol na noite escura dos mercados. E era o tempo em que a maior crise internacional dos últimos oitenta anos se resumia, afinal, a um simples "abalozito de terras" ou em que a própria crise das dívidas soberanas era culpa das políticas nacionais erradas e nunca, jamais, em tempo algum, uma crise sistémica da zona euro."

(...)
(Pedro Silva Pereira; O discurso do método. Na íntegra: aqui. )

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O que é que esperavas de amigos destes?

O governo reagiu ao corte do rating da dívida pública portuguesa em dois níveis, de  BBB- para BB,  por parte da agência de notação financeira Standard & Poor’sremetendo a dívida portuguesa para a categoria de "lixo", afirmando que se trata  duma decisão infundada. Hoje, coube ao primeiro-ministro Passos Coelho a vez de vir dizer que a agência está a fazer política e que a decisão "foi sobre a Europa".
Passos Coelho é capaz de ter razão quando acusa a Standard & Poor’s de fazer política, mas a acusação não deixa de ser surpreendente, partindo dele, que é um amigo dos "mercados", quando se sabe que o procedimento seguido pelas agências de rating não é de agora e quando, outrossim, se sabe que a política delas é estarem ao serviço dos "mercados".
Surpreendente a reacção, mas compreensível a desilusão do homem:  ele que é tão amigo dos "mercados" que até fez tudo (e mais alguma coisa) como os "mercados" mandaram e tratarem-no desta forma, não é justo. Se calhar, os "mercados" ainda não sabem o amigo que aqui têm. Provavelmente é tudo culpa do Moedas que se esqueceu de dar uma palavrinha aos "mercados"! 
Já, por outro lado, nada tem de surpreendente, porque é usual, a atitude de pretender passar ileso por entre os pingos da chuva, ao afirmar que a posição adoptada  "foi sobre a Europa". É verdade que a apreciação foi conjunta sobre vários países europeus. Só que Passos Coelho esquece que há vários países que não sofreram qualquer corte (Alemanha, a Holanda, a Finlândia e o Luxemburgo) mantendo a notação do triplo A e que nem todos os países considerados sofreram um corte de dois níveis, o que significa necessariamente que foi tida em consideração a realidade específica de cada país. 
Aliás, se Passos Coelho se der ao trabalho de atentar nas razões invocadas pela Standard & Poor’s, para justificar a sua posição, encontrará, além do mais, a afirmação de que o processo de consolidação orçamental "baseado unicamente no pilar da austeridade orçamental arrisca-se a tornar-se auto-liquidacionista". Ora, Passos Coelho não pode eximir-se da responsabilidade de ter assumido e de estar a levar a cabo um plano de austeridade ainda mais ambicioso do que o acordado com a "troika". Com os maus resultados que estão à vista. A Standard & Poor’s limitou-se a constatá-los. Quanto à responsabilidade: sibi imputet.
(Título reeditado)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Então, e as boas notícias?

 No Dinheiro Vivo
O titulo: 
"Corte nos ratings: As boas, as más notícias e o que é preocupante"
A fotografia
O texto:

"A agência Standard & Poor's cortou o rating de nove países da zona euro, mas castigou sobretudo Portugal, Espanha, Itália e Chipre. França, a segunda maior economia do euro, também foi despromovida. Portugal está agora num nível considerado "lixo". Conheça as consequências


AS MÁS NOTÍCIAS

1. O financiamento da União fica mais caro

O Fundo de Estabilização Financeira utiliza os ‘ratings’ AAA de alguns países para conseguir emitir dívida e esta descida dos ‘ratings’ francês e austríaco promete tornar mais caro o financiamento da União. Nos últimos meses, o FEEF tem pago juros baixos para emitir dívida, cobrando depois aos países resgatados – Portugal, Grécia, Irlanda – um prémio suplementar. Se o custo base da dívida pago pelo FEEF subir, é provável que os juros que Portugal paga à UE também subam.

A grande dúvida é que acontecerá nas próximas semanas, admite o jornal Expansion. O fundo europeu (FEEF) foi classificado como AAA por integrar países com o mesmo ‘rating’, mas resta saber como irão avaliar agora as agências de rating um fundo que mantém a Alemanha e Holanda como AAA, mas tem na França e Aústria dois países pior classificados. Já em Dezembro, o presidente do BCE tinha avisado que “as consequências da perda pela França do AAA” são uma questão importante, acrescentando que a o BCE estava a trabalhar activamente para compensar todos os cenários. 



2. Há o risco das garantias junto do BCE apertarem

Atualmente, o BCE aceita como colateral para empréstimos a dívida soberana de países classificados até BBB-. Com uma condição: é preciso que pelo menos uma agência de rating tenha classificado esse país até esse nível mínimo. Assim, e por agora, as condições de empréstimo devem manter-se. Os países resgatados – Grécia, Irlanda, Portugal – beneficiam de uma excepção, já que estão muito abaixo do patamar mínimo do BCE



3. Os juros pagos nas câmaras de Compensação devem subir

Quando um banco de financia nas Câmaras de Liquidação e Compensação, utiliza como garantia os títulos de dívida soberana que tem na sua carteira. Nestas operações é normalmente considerada o ‘rating’ do país mais baixo entre as três agências e estabelece-se um custo para o empréstimo. Com este corte generalizado nos ratings, um banco que até agora apresentava títulos franceses como AAA, 

pagará mais pelo empréstimo, já que a França sofreu um corte. 




AS BOAS NOTÍCIAS

Apesar de ser negativa, esta queda nos ratings já era esperada. Nas últimas semanas, os mercados de dívida já tinham descontado a hipótese da França sair do clube AAA, aumentando o custo de financiamento (exigindo mais juros) no mercado secundário. Mesmo assim espera-se que a França dê como alternativa a esta descida um reforço das garantias para os seus empréstimos, assegurando aos investidores que a sua dívida continua a ser tão segura com o AA como era com o AAA. 





O QUE É MAIS PREOCUPANTE

1. Faltam duas agências

A S&P é a mais relevante das três agências de rating, mas a maioria dos mecanismos de crédito leva em conta mais do que uma agência. Se a Moody's e a Fitch também acompanharem, o cenário pode pior significativamente. 



2. A Grécia parece não ter solução

Os investidores privados que há semanas negociavam a reestruturação da dívida grega anunciaram hoje que não chegaram a qualquer tipo de acordo. Apesar do Conselho Europeu ter previsto um corte de 50% na dívida grega detida por privados, a falta de acordo torna insustentável um corte eficaz e atira a Grécia para o default e para uma possível saída desordenada da zona euro.



3. O BCE está desconfiado

O Banco Central Europeu condicionou uma acção mais agressiva a um plano orçamental rigoroso dos países da zona euro. É essa a matriz do novo Tratado, mas o BCE já admitiu que poderá ser fácil para os países contornarem as novas regras orçamentais, o que retira credibilidade a este novo pacto."


*****************
As más notícias e as preocupantes estou a vê-las bem. As boas notícias, apesar de referidas, é que não estou a descortiná-las. Como não me parece que seja uma boa notícia o facto de a queda já ser esperada, tudo indica que o Miguel Pacheco, ou não encontrou, apesar da evidente boa vontade, nenhuma notícia para nos alegrar, como é o mais provável, ou por distracção, deixou-as ficar no tinteiro.

Parvalhões não faltam...

... na Comissão Liquidatária presidida pelo primeiro-ministro Coelho, mas o Moedas, com esta tirada ("Rating voltará a subir com medidas do PSD") tem, hoje, depois da atribuição da notação de "lixo" à dívida da República, pleno direito à entrega da palma.
Com conselheiros tão clarividentes como este, como é que Passos, claramente impreparado para o exercício do cargo, não há-de fazer andar o país para trás?

Ah! Ah! Ah!

Lá se foi o AAA da França!
Ah!Ah!Ah! É muito bem feito! Não sabiam o risco que corriam ao deixarem o Sócrates andar por lá a aprender filosofia? Se não sabiam, ficaram a saber. Nunca é tarde para aprender. Sócrates que o diga.
***
E por cá ? Bom, parece que Portugal, para as três mais importantes agências internacionais de rating, é "lixo".
 Ah! Ah! Ah! Infundada, quando o presidente da Comissão Liquidatária se farta de apregoar que o destino de Portugal é empobrecer; quando a previsão de quebra do PIB, este ano, é a maior das últimas décadas, senão a maior de sempre; quando o ministro Raspar nem sequer é capaz de apresentar previsões para 2013; e quando, finalmente, Passos insiste em somar austeridade a mais austeridade, ignorando as advertências das  próprias agências de rating, segundo as quais o processo de consolidação orçamental "baseado unicamente no pilar da austeridade orçamental arrisca-se a tornar-se auto-liquidacionista"?
Peço desculpa, mas deixem-me rir (Ah!Ah! Ah!) para não chorar.

Portugal não era a Grécia...

...agora, com a  entrada em funções da Comissão Liquidatária presidida por P. Coelho já é: "Rating cai 2 níveis: Governo já foi notificado - Portugal é "lixo" nas três grandes agências internacionais
Mas continua a haver por aí muita gente que gosta. De lixo. Mala suerte!

terça-feira, 5 de julho de 2011

"Como foi possível fazer isto ao meu país?"

Os juros da dívida pública  não têm parado de subir desde o infausto dia em que Passos Coelho (PSD), Paulo Portas (CDS), Jerónimo de Sousa (PCP) e Francisco Louçã (BE) decidiram  chumbar o PEC IV, arrastando a queda do Governo liderado por José Sócrates. Desde essa fatídica data, também as agências de notação financeira têm vindo a reduzir sucessivamente o rating da República Portuguesa. Para a Moody's, o rating de Portugal já é "lixo".
Fazendo minhas as palavras de José Sócrates, também eu pergunto: "como foi possível fazer isto ao meu país?"