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segunda-feira, 10 de junho de 2024

Muita parra, pouca uva!

 Não sendo comentador de coisa nenhuma, partilhava com a generalidade dos comentadores da nossa praça a ideia mais comum (que, por sinal, nem era a mais lisonjeira) sobre as, mesmo assim, muitas qualidades e capacidades de Luís Montenegro, enquanto político.

Confesso, no entanto, que só ontem me dei conta das suas enormes qualidades como orador. De facto, não me lembro de ter assistido a um tão entusiástico e tão longo discurso proferido por quem acabava de averbar uma derrota eleitoral. Tão longo foi o discurso que, devido ao adiantado da hora, acabei por perder, mais que uma vez, o poder de audição. Por certo, foi devido a esse facto que fiquei com a ideia de que Montenegro acabou por não dizer coisa com coisa. Culpa minha, claro.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Pedido de esclarecimento antes do final da campanha eleitoral.

Porque estamos a minutos do final da campanha eleitoral para as eleições europeias, é suposto estarmos todos devidamente informados sobre a composição das diversas listas e, em princípio, já deveriamos ter uma ideia sobre a lista onde votar.
É suposto, mas, lamentavelmente, não é o meu caso. Acontece, com efeito, que, apesar de procurar informar-me sobre as diversas candidaturas, lendo, ouvindo e vendo o que se vai passando, acabo de chegar à aflitiva conclusão de que, neste momento, não faço ainda a mínima ideia sobre quem são os candidatos integrantes da lista da AD que se mantêm na obscuridade criada pela luz dos holofotes que incidem sobre a figura do cabeça da lista da AD que dá pelo nome de Sebastião Bugalho. Tratando-se, certamente, de pessoas dotadas de larga experiência política, pelo menos muito mais ampla do que a do  novato Sebastião Bugalho, é, aparentemente, muito estranho tamanho apagamento.
Daí o presente apelo: Alguém terá a gentileza de fazer o favor de me dar a conhecer as ilustres personalidades que as luzes incidentes sobre a figura de Bugalho não consentem que um simples eleitor, como eu, as consiga ver ? 
Antecipadamente, agradeço.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A praga

Não vou fazer o balanço dos resultados das eleições para o Parlamento Europeu que tiveram lugar no passado dia 25, nem curar de saber das vitórias ou das derrotas, porque independentemente de quais tenham sido os vencedores e os vencidos, a verdade é que a praga que está a destruir o país, diga o Seguro(?) o que quiser,  não foi erradicada. 

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"Os deuses devem estar loucos"...(I)

Retomo aqui, depois de alguns dias dedicados à "observação dos pássaros", as considerações sobre as eleições europeias, para destacar o quanto foram surpreendentes os resultados e as "vitórias" eleitorais do BE (de que ora trato) e do PSD (que fica para ulterior reflexão).
A primeira surpresa relativamente à votação no BE é o facto de, em termos eleitorais, este partido ter ultrapassado o PCP como terceira força eleitoral (possibilidade que as sondagens já apontavam, salvando assim, pelos mínimos, a honra do convento, já que no mais falharam redondamente) e a segunda o próprio resultado em si.
Sabendo-se que o BE não dispõe, nem da organização, nem da capacidade de mobilização do PCP é, sem dúvida, digno de registo o facto de aquele "bater" este, em termos eleitorais.
Julgo eu que, em boa medida, os resultados destas duas forças políticas são fruto do chamado voto de protesto. Considero, no entanto, que, tendo em conta tal carácter, o BE teve sobre o PCP a vantagem de o voto a seu favor ser isso (voto de protesto) e pouco mais que isso: toda a gente sabe qual o projecto de sociedade que o PCP defende, porque o próprio tem o cuidado (honra lhe seja) de nos esclarecer, ao indicar quais os países que considera empenhados na construção do socialismo, mas duvido que alguém possa dizer, com rigor, qual é o projecto do BE para Portugal. Para quem não queira fazer extrapolações a partir dos partidos que o originaram, o mais que pode dizer é que o projecto político do BE é uma enorme e impenetrável nebulosa.
Este aspecto parece-me essencial para compreender o voto no BE: aos eleitores não agradam as dificuldades actuais e não curam de saber (até porque isso implica algum trabalho de reflexão) se as causas da actual situação são internas ou externas. Logo, opta-se pelo mais fácil: protesta-se, votando em quem, fazendo coro com os protestos, menos problemas de "consciência" levanta, porque o voto no BE (ao contrário do voto no PCP) não é uma opção em termos de projecto político concreto. O facto de o BE se assumir tão só como um partido de contrapoder, recusando responsabilidades no plano da governação, é mais uma ajuda no mesmo sentido.
Diria, pois, que o voto no BE, nestas eleições europeias (ao contrário do voto no PCP) foi um voto fácil. E, pelas mesmas razões, volátil.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Arrogância a mais ...

Que o PSD foi o partido vencedor das eleições europeias é um facto e reconhecê-lo é obrigação de qualquer democrata. Tal não significa, no entanto, que assista ao PSD qualquer legitimidade para, na sequência de tal vitória, vir, uma vez mais, exigir que o Governo se abstenha de tomar decisões, como se a sua legitimidade se tivesse esgotado com estas eleições. Tal exigência não é legal, nem constitucional: as eleições realizadas ontem foram eleições para o Parlamento Europeu e não para a Assembleia da República de cuja composição resulta a formação do Governo. Enquanto Manuela Ferreira Leite (ou alguém por ela) não se submeter a sufrágio, em eleições legislativas, o PSD não conta com mais deputados na Assembleia da República do que os que já tinha, continuando, por isso, em minoria e, de acordo com as regras constitucionais, é como tal que terá de intervir na vida política. Constitucionalmente, com esta vitória do PSD, nem a actual maioria parlamentar ficou enfraquecida, nem os partidos vencedores viram a sua posição reforçada. Não subsiste, pois, do ponto de vista constitucional, qualquer dúvida sobre legitimidade do actual Governo nem sobre a sua capacidade para o pleno exercício da acção governativa. Sobre esse exercício se pronunciarão os cidadãos na altura própria e dirão de sua justiça.
Até lá, o PSD tem todo o direito de se regozijar e de festejar a sua vitória e de tirar todo o proveito dela, se o conseguir. O que não pode é fazer exigências que a lei lhe não consente. Proceder de tal forma é, no mínimo, revelador de um espírito pouco democrático. E, já agora, diga-se, arrogância a mais, face à modéstia dos números: contando o PSD com 31,68 % dos votos(menos de um terço dos votantes) num universo constituído por cerca de um terço dos eleitores inscritos, tal significa que o PSD recebeu o apoio da nona parte do eleitorado, se a minha matemática não falha. Não parece ser caso para grande embandeirar em arco! Acho eu.
(reeditada)

domingo, 7 de junho de 2009

Observação dos dias (V)

O dia do Grilo
(Modesta homenagem do editor)

Um discurso que se saúda

Ao assumir, por esta forma e sem sofismas, a derrota do PS, nas eleições europeias hoje realizadas, José Sócrates rompe com a tradição seguida pela classe política, que, por regra, tenta, por todos os meios e invocando os argumentos mais inesperados, escamotear os seus desastres eleitorais. É uma atitude que se saúda, pois a política deve, antes de tudo o mais, ser feita com verdade.
Como se saúda igualmente a sua determinação (bem manifestada nas suas palavras ao garantir que "estes resultados em nada diminuem a determinação do PS para estar à altura das suas responsabilidades na governação do país") e o seu ânimo (ao declarar que "os resultados destas eleições europeias tornam a nossa tarefa para as próximas eleições legislativas mais exigente e mais difícil, mas isso só reforça o nosso ânimo e a nossa vontade para uma preparação vitoriosa").
Assim é que é falar! Eia, pois !

Até ao lavar dos cestos é vindima...

Há que reconhecer, face aos resultados que se anunciam, que o PS é o perdedor destas eleições europeias e que o PSD e o BE são os vencedores. Daí a proclamar que estamos perante uma "grande vitória" do PSD vai um passo que não é legítimo dar, não só porque o não é, face aos números adiantados, mas também porque quem foi a votos não foi a líder do partido (convenientemente apagada durante toda a campanha) mas sim Paulo Rangel que, pese embora o facto de não ser figura do meu particular agrado, como é manifesto, face ao que aqui se tem escrito, parece ter "caído no goto" do eleitorado, o que prova que, em matéria de "gostos" o meu critério não é muito de fiar.
Seja como for, o que não é possível é questionar a decisão do eleitorado. Assim sendo, dêem-se os parabéns aos vencedores, como é próprio de democratas e toca a partir para as refregas eleitorais que se avizinham, sem perda de ânimo, até porque "até ao lavar dos cestos é vindima" e esta só chega lá para o fim do verão que, por sinal, ainda nem começou.
E termino esta "reza", com a aceitação do veredicto popular, dizendo o indispensável: Amen !

CIDADÃOS e cidadãos

Sou contra o voto obrigatório, porque o voto, antes de ser um dever (que também é) é um direito que o cidadão pode exercer ou não, no uso da sua liberdade. Todavia, quando, por um lado, constato que às 12,00 horas de hoje apenas haviam votado 11,8 por cento dos eleitores inscritos (em comparação com os 14,2 por cento verificados nas anteriores eleições para o Parlamento Europeu, em 2004) e quando verifico, por outro lado, que há eleitores como Tomás Vasques e outros, que conheço, que, para votarem, têm de percorrer 600 km ou mais, sou levado a concluir que há CIDADÃOS e cidadãos, pois que, se é verdade que a cidadania não se esgota em votar no dia das eleições, certo é também que o voto é, sem dúvida, a mais genuína forma de exercício de cidadania, porque é também o modo mais livre de cada cidadão manifestar a sua vontade e de exprimir o seu pensar.

O voto não dói nada ...

Já votei. Garanto que o voto não dói nada.
(Imagem daqui)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Eleições europeias 2009 (Sondagem Aximage)

Sondagem Aximage/Correio da Manhã realizada entre 1-4 Junho:
Intenção de Participação:
Votantes - 34,7%
Abstenção - 65,3
Intenções de voto:
PS: 36,2%
PSD: 30,9%
BE: 10,2%
CDU: 10,1%
CDS-PP: 5,0%

Eleições europeias 2009 (Sondagem CESOP)

Sondagem da CESOP para o Diário de Noticias, Antena 1, RTP e Jornal de Notícias, realizada entre os dias 30 de Maio e 2 de Junho: (simulação de voto em urna)
PS: 34%
PSD: 32%
CDU: 11%
BE: 9%
CDS-PP: 4%
MEP: 2%
PCTP-MRPP: 1%
Outros: 3%
Brancos e nulos: 4%
De acordo com esta sondagem a distribuição dos eurodeputados far-se-ia pela forma seguinte: PS - 9; PSD - 8; CDU - 2; BE - 2; CDS-PP - 1 .
Mais informação aqui e aqui.

Eleições europeias 2009 (CDU)

(Procura novidades ? Tente noutra "loja"!)
(A imagem tem um "P" a mais e "emprego" a menos. Culpa da Câmara)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

No mínimo: um pouco de seriedade...


A criação de um novo sistema de recursos baseado num imposto já cobrado nos Estados-membros sem aumento da carga fiscal, defendida por Vital Moreira não constitui, afinal, nenhuma novidade, pois tal possibilidade foi objecto de um relatório do Parlamento Europeu (relatório Lamassoure) aprovado em 2007 com os votos favoráveis dos eurodeputados do PSD e do PS.

Todo o alarido levantado a propósito do lançamento do debate sobre este tema, em particular, pelo estridente candidato do PSD às eleições europeias, revela-nos a pouca elevação com que esta campanha está a ser realizada por parte de alguns intervenientes, designadamente pelo PSD que opta pelo foguetório em vez privilegiar o debate das ideias e das propostas, como seria legítimo esperar. Mas revela também, do mesmo passo, a pouca seriedade (política) do candidato Paulo Rangel, pois faço-lhe o favor de supor que ele não ignorava a existência do citado relatório, nem o sentido do voto dos seus companheiros de partido. Tendo ouvido falar em "imposto" ainda que sem aumento da carga fiscal (pormenor que passa em claro), toca de aproveitar a aversão do eleitorado a tudo o que cheire a imposto e vá de cavalgar o tema para se lançar num novo ataque destemperado e gratuito contra Vital Moreira e contra o PS.

Não sendo Paulo Rangel virgem neste tipo de procedimento, pois continua a lançar sobre o primeiro-ministro a acusação de querer fugir aos debates parlamentares, sabendo ele que tal acusação não tem qualquer fundamento, pois já reconheceu que a suspensão dos debates durante a campanha eleitoral foi objecto de um consenso entre os partidos (incluindo o liderado por ele) a sua reincidência neste tipo de comportamento leva-me a concluir que Paulo Rangel é um político pouco sério e não merece credibilidade.

No entanto, segundo parece, o seu discurso tem recebido fartos aplausos por parte da direita, o que, em boa verdade, não admira: é aí o seu lugar e essa até é (veja-se a foto) a sua pose! Que fique, pois, em tão "excelente companhia". Mais não merece!
(reeditada)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mais um "empate técnico"

Sondagem Correio da Manhã/Aximage (18-22 Maio)

INQUIRIDOS

Total dos inquiridos: 1200
Votantes: 35,3%
Abstenção: 64,7%

INTENÇÃO DE VOTO

PS - 38,0%
PSD - 31,1%
BE - 8,5%
PCP - 7,9%
CDS-PP - 6,3%
OBN - 2,8%
Indecisos - 5,4%

DINÂMICA DA VITÓRIA


Qual é o partido que vai ganhar as próximas eleições Europeias?
PS - 49,1%
PSD - 25,5%
Outro partido - 1,6%
Sem Opinião - 23,8%.

Comentário da casa:
Mais um "empate técnico" à moda do Dr. Paulo Rangel !...