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quarta-feira, 31 de maio de 2023

Saberá, Mariana Mortágua, o significado da palavra "vexame" ?


"Não estamos condenados ao vexame que a maioria absoluta impõe” é uma declaração atribuída a Mariana Mortágua, actual líder do Bloco de Esquerda (BE) por ela proferida em 27 do corrente mês, então ainda na qualidade de candidata à liderança do partido.

Quer ela conheça o significado da palavra "vexame", quer não, tal declaração é, em qualquer dos casos, um perfeito disparate. No entanto, se ela não conhece ou se se equivocou sobre o significado da palavra estamos perante um caso de simples iliteracia, que, sendo grave, é, em todo o caso, politicamente irrelevante. Se, pelo contrário, conhece o significado da palavra, como é de supor, então tal afirmação só pode ter uma explicação: a nova líder do Bloco de Esquerda não tem uma ideia muito consolidada sobre o que seja uma democracia.
Mau sinal!

(Citação e foto daqui. Créditos da imagem supra: TIAGO PETINGA/LUSA)

domingo, 28 de maio de 2023

Modéstia não é o seu apelido do meio

"Ainda não viram nada da força que sabemos criar, reinventar e unir”  (Mariana Mortágua)
Tomando a expressão pelo valor facial, direi que, de facto, não vi, nem podia ter visto, e, como tal, também estou para ver.

No entanto, a expressão usada pela nova coordenadora do Bloco de Esquerda é de tal forma arrogante, que duvido que alguma vez chegue a ver essa força toda. Quem a ouvir, até há-de julgar que o Bloco acaba de nascer ou então que os que a precederam no lugar não serviram para mais nada, nem tiveram outro mérito que não fosse o de aplanar-lhe o caminho... 

A modéstia e o sentido das proporções até nos políticos fica bem. Ao invés, a arrogância nem por isso.
Mariana Mortágua começa mal!

(Citação e imagem: daqui; Créditos da imagem: ANTÓNIO COTRIM/LUSA.)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

"Não é com vinagre que se apanham moscas"


Disse Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), em comício, nos Açores, que “há poucas coisas tão parecidas com a direita do que uma maioria absoluta do PS”.
Não sei se a estimável senhora se apercebeu de que uma tal afirmação, ainda que expressa em português pouco escorreito, não pode deixar de ser vista como ofensiva por parte do PS. Como é evidente. Se o BE espera, como parece, que o resultado das eleições legislativas marcadas para o próximo dia 30 de Janeiro irá permitir à esquerda formar governo, é óbvio que esse eventual governo não se forma e não passa na Assembleia da República sem a liderança do Partido Socialista. Suponho que nem Catarina Martins se atreve a ter dúvidas sobre isso. Mas, sendo assim, conviria ao BE que os seus dirigentes, em pré-campanha ou já durante a campanha eleitoral tivessem algum tento na língua. É que, convém lembrar que, como diz o ditado, "Não é com vinagre que se apanham moscas". Nem moscas, nem parceiros de eventuais coligações.
(Créditos da imagem: Swipe News, SA)

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Catarina e o "papão".

 

Em boa verdade, a "maioria absoluta" transformada em "papão" para assustar eleitores de esquerda não é discurso exclusivo do Bloco (BE). O PCP afina pelo mesmo diapasão e vai pelo mesmo caminho, o que, diga-se, não é caso para estranhar porque, neste particular, o interesse das duas forças políticas é coincidente.

Catarina Martins é, neste caso, chamada ao título que encabeça o texto, porque é ela quem vai mais longe e quem  melhor exprime o sentimento (comum aos dois referidos partidos políticos) de repúdio da "maioria absoluta" que hipoteticamente poderia vir a beneficiar o PS nas eleições legislativas já marcadas para o dia 30 de Janeiro. De facto, vai tão longe que se atreve a comparar a eventual "maioria absoluta do PS" com um "poder absoluto". afirmação que a deputada não pode deixar de saber que é um completo absurdo.

Com efeito, qualquer deputado, para não dizer qualquer cidadão minimamente informado, sabe que no regime que actualmente vigora em Portugal, como em qualquer regime democrático, não há nenhum órgão de soberania que tenha "poder absoluto" ou que possa sequer sonhar em tê-lo. Desde logo, como é evidente, porque o poder de qualquer órgão de soberania está sujeito à limitação dos mandatos. No caso do Governo muito menos se pode falar em tal, pois depende e responde, quer perante a Assembleia da República (AR) que não só o pode demitir mediante a rejeição de uma moção de confiança ou através da aprovação de uma moção de censura, como pode revogar a legislação dele emanada, quer perante o Presidente da República (PR) que também o pode demitir, ouvido o Conselho de Estado e pode vetar toda a legislação que dele venha. Acresce que a actuação do Governo tem ainda as limitações decorrentes de amplo controlo jurisdicional a cargo dos tribunais, incluindo o Tribunal Constitucional.

Perante este panorama de limitações, aqui elencadas breve e resumidamente, é difícil conceber que alguém conhecendo todo este condicionamento da actuação do Governo, possa, de boa fé, comparar e confundir "maioria absoluta" com "poder absoluto".

Finalizando: "Mentir é feio" e nem sempre tal facto é isento de consequências. É provável que venha a ser o caso.

(Reeditado o título)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Grandes (e gratas) emoções

«O líder do PS afirmou, à saída do encontro com o Presidente da República, que apresentou uma "solução alternativa" de governo. A coordenadora do BE garante que "estão criadas as condições" para um governo liderado pelo PS»
(imagem e notícia: daqui

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Interessantes dias

Não vejo como classificar de modo diferente os dias que passam, se se vier a concretizar um entendimento entre todos os partidos de esquerda (PS, PCP e Bloco de Esquerda) que viabilize um governo de maioria formado, ou apoiado, pelos mesmos partidos.
Se tal se concretizar, teremos, finalmente, em Portugal uma democracia plena, em que deixará de haver filhos e enteados. 
Não é coisa de pequena monta. Diria mesmo que, se tal objectivo se atingir, ter-se-á, finalmente, cumprido o 25 de Abril. Na íntegra.

(Na imagem: Cynara algarbiensis. Eu não garanto que não possam ser dias difíceis, mas, mesmo admitindo que possam vir a sê-lo, não deixam de ser interessantes. Direi mesmo: empolgantes!)

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Um recado oportuno (com dedicatória)

"Ao contrário dos seus camaradas portugueses, o Bloco de Esquerda, os gregos radicais cresceram porque souberam ser mais do que profissionais do protesto, souberam mostrar-se candidatos a governantes."

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Dupond e Dupont

"Sem sombra de divergência" é a fórmula encontrada pelo Diário de Noticias para classificar o debate entre Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, fórmula que é completada pelo título, não menos feliz, do Público, para quem, " Bloco e PCP trocam elogios e convergem nas críticas ao PS".
Alinhando no mesmo tom, diria eu que, em vez de um debate entre os dirigentes de dois partidos, assistimos a um diálogo em tudo semelhante aos dos celebrados Dupond et Dupont da banda desenhada.
E nada mais teria a acrescentar, se se não desse o caso de os dois intervenientes se mostrarem mais empenhados nas críticas ao PS do que em condenar com toda a veemência a política deste governo que envergonha o país e que tantos sacrifícios impôs aos portugueses ao longo desta legislatura.
Quatro longos anos de grande sofrimento infligido aos portugueses por uma equipa que, na sua ascensão ao poder, contou com a colaboração dos dois partidos da "esquerda da esquerda", não foram ainda, pelos vistos, suficientes para o PCP e o Bloco conseguirem identificar os partidos da direita, agora juntos na PáF, como o "inimigo principal". Pela amostra, dir-se-ia que, para PCP e Bloco, são necessários mais 4 anos para chegarem a uma conclusão a tal respeito.
Dito isto, torna-se evidente para quem anseia por ver a direita derrotada (custe o que custar) nas urnas, no próximo dia 4 de Outubro, que o voto em qualquer dois concorrentes (CDU e Bloco de Esquerda) é um desperdício. E hoje, mais do que nunca, sabendo-se que à esquerda do PS há pelo menos uma força política que não alinha na tese do "quanto pior, melhor" tese que tem sido, e continua a ser, a seguida pelo PCP e o Bloco. Pelos vistos e infelizmente.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Apesar de tudo, um bom sinal

Provavelmente a proposta apresentada pelo BE ao PS e ao PC no sentido de iniciarem conversações tendentes á "aprovação das bases programáticas de um governo de esquerda" não passará de mais uma iniciativa votada ao insucesso, tendo em conta que o PCP não parece disposto a dialogar com PS, pois o excluiu de uma série de encontros por ele proposta, encontros com vista à "afirmação de um Portugal desenvolvido e soberano”, seja lá isto o que for.
Em todo o caso, a iniciativa do BE parece demonstrar que pelo menos este partido não está disposto a refugiar-se numa retórica ultrapassada que, infelizmente, o PCP continua a cultivar,  a sonhar, por certo, com os "ontens" que não cantaram. Com o proveito que, ao longo destes dois últimos anos, tem estado bem à vista.
Mesmo assim, a iniciativa do BE tem que ser vista como um passo  em frente na direcção da união das esquerdas e, só por isso, já é de saudar. Como é de saudar a resposta pronta do PS em anuir à iniciativa. O que não estou a ver muito bem é como é que o agora tão requisitado PS, à direita e à esquerda, consegue desdobrar-se por forma a dar resposta a tanto convite, nem que respostas vai poder dar, no final.
Até por esse motivo me parece que houve da parte da direcção do PS uma grande dose de precipitação, para não dizer mais, ao responder lesta e positivamente ao repto lançado, tarde  e a más horas, pelo presidente da República, tendente à obtenção de um "compromisso de salvação nacional" com os partidos do governo, pois tal compromisso mais não é que a forma encontrada para Cavaco salvar a face e para, ao mesmo tempo, escamotear as responsabilidades do  actual governo, por ele patrocinado, na situação de desastre a que conduziu o país.
O país precisa, sem dúvida, de uma alternativa a esta governação, mas não se compreende muito bem como é que essa alternativa pode passar por qualquer dos partidos responsáveis pelo desastre. Se é para o desastre continuar, que continue com os mesmos responsáveis: Cavaco, PSD e CDS, a troika cá do sítio.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A "fé" de Rosas tem razões que a razão desconhece.

Não o supunha tão "crente".
Aprendi em miúdo que "a fé move montanhas", mas, apesar do decorrer dos anos, nunca me foi dado assistir a tal fenómeno.
Será  que a "fé" de Rosas vai ter força suficiente para derrubar o governo de Passos, Gaspar, Portas & Cª e conseguir o "milagre" dum "governo de esquerda, queira ou não quer o PS". 
Estou ansioso por ver o milagre acontecer. Sinceramente.
(reeditada)

domingo, 11 de novembro de 2012

Namoros, convenção e ciúmes

"De súbito, toda a gente quer o PS", da direita à esquerda, escreve Leonel Moura, em excelente crónica, onde explica porquê:
"O PS tornou-se no centro da vida política nacional. É o partido da classe média, da iniciativa, da modernização e o único capaz de empreender reformas significativas na sociedade portuguesa. Muitos dos grandes saltos qualitativos das últimas décadas, na saúde, no ensino, na Administração Pública, na ciência, na tecnologia, na energia, devem-se ao PS. É o partido identificado com a mudança e com a inovação. O único que tem gente e capacidade para elaborar visões estratégicas e não se fica pela simples gestão de receitas criadas por outros."
Leonel Moura não só tem razão no que escreve, como parece que adivinhava o que se iria passar, este fim de semana.
De facto, durante a Convenção do Bloco de Esquerda que hoje terminou, várias foram as vozes a propor ao PS uma espécie de "casamento" para a formação dum "governo de esquerda", mas condicionado à condição de o PS aceitar "rasgar o memorando", implicando, pois, a celebração duma espécie de "convenção antenupcial" com cláusulas que o PS dificilmente poderá aceitar, tendo em conta a versão proposta pela maioria saída do conclave bloquista.
Isto foi o bastante para logo aparecer (olha que peça!) o deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Carlos Abreu Amorim a fazer uma cena de ciúmes, denunciando "o jogo de sedução que o Bloco de Esquerda lhe [ao PS] está a fazer neste momento e que nos parece ser uma solução completamente enviesada, contrária ao caminho da liberdade, da democracia, do euro, da responsabilidade e da credibilidade, que é aquilo que Portugal precisa" e desafiando o PS para aceitar o "convite sério, patriótico que o Governo e a maioria lhe fizeram ".
Suponho que o PS já disse o suficiente sobre o que pensa da seriedade e do patriotismo do "convite do governo e da maioria", mas o deputado Amorim, pelos vistos, é, além do mais, duro de ouvido e não percebeu que a resposta ao convite foi uma recusa. Passemos, pois, adiante.
Requisitado à esquerda e à direita, está o PS, por isso mesmo, nas melhores condições para ser ele a decidir sobre o que é mais conveniente para o país, em termos de posicionamento político. Dar a mão a esta direita para fazer o que ela pretende parece impensável. Um entendimento à esquerda, se bem que desejável, passará certamente por uma negociação. Se o BE se mantiver irredutível na suas posições não me parece que se chegue ao "noivado" quanto mais ao "casamento".

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Bloco, ou nem por isso ?


Está visto que a liderança bicéfala proposta por Louçã  está longe de reunir consenso dentro do BE. Primeiro, foi a deputada Ana Drago a afirmar "que a possibilidade de uma liderança bicéfala tem apoiantes e adversários dentro do partido, recordando que há militantes que têm “outros modelos” de direcção".
Além de que, diz-se, a solução avançada por Louçã acaba por se traduzir numa menorização dos seus eventuais sucessores, sejam eles os apontados João Semedo e Catarina Martins, ou qualquer outra dupla, já que deixa a ideia de que, para Louçã,  só uma liderança a dois é capaz de desempenhar a tarefa de coordenação que ele executou até agora sozinho.
Não me cabe a mim pronunciar-me sobre as opções do BE relativamente à sua liderança, mas nada me impede de reconhecer que  as críticas, entretanto surgidas no seio do BE, não só fazem todo o sentido, como indiciam que o partido é cada vez menos um Bloco.
Suponho que daí não virá grande mal ao mundo. E, provavelmente, até muito pelo contrário.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Ensaio sobre a cegueira"


Se José Saramago fosse vivo, teria no comportamento revelado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda e nas atitudes que têm tomado, nos últimos tempos, uma rara oportunidade para escrever um segundo "Ensaio sobre a cegueira".
De facto, participar no derrube do Governo do PS, ao lado dos partidos da direita (PSD e CDS) (correndo o sério risco de estarem a abrir a porta a um Governo da direita) e passar a vida a atacar o PS, afirmando que este é igual ao PSD e ao CDS, mesmo sabendo que só o PS pode travar a fúria privatizadora e liberalizadora da direita que se propõe dar cabo do Serviço Nacional de Saúde, estrangular a Escola Pública e liberalizar os despedimentos, indo muito além das medidas acordadas com a "troyka", só pode ser levado à conta de cegueira.
Talvez a recente tomada posição de Passos Coelho sobre a realização de um novo referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez sirva para lhes abrir os olhos.
Dado o sectarismo que os dois têm manifestado (mais ainda o Bloco do que o PCP) leva-me a crer que nem isso é certo. E, sobretudo, temo que, mesmo que abram os olhos, seja já tarde.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma vitória de "coissísima" nenhuma

O “consenso” sobre a renegociação da dívida, é a “maior vitória política do Bloco até hoje”, segundo  Francisco Louçã.
Lê-se, mas não dá para acreditar. A vitória de que fala Louçã, não é grande, nem pequena, é uma vitória de "coisíssima" nenhuma, pois, em boa verdade, não há, sequer, algum consenso.
De facto, para se poder falar em consenso, mister seria que os vários partidos tivessem o  mesmo entendimento sobre o que é a "renegociação da dívida". E não me parece que seja o caso: se por "negociação da dívida" se compreender a necessidade de acordar com os credores as condições dos empréstimos, contemplando, designadamente, o alargamento do prazo e a descida das taxas de juro,  o consenso entre os partidos estava assegurado à partida, pois nenhum partido é tão masoquista que não almeje alcançar tais objectivos. Não tem sido esse, porém, o entendimento do Bloco (e do PCP) que sempre falaram em "reestruturação da dívida" concebida como recusa do pagamento, nos termos a que o Estado está vinculado, independentemente de qualquer negociação prévia com os credores.
Será que, ao falar  em consenso, o Bloco quer significar que abandonou a sua tese e alinha agora com os partidos que aceitaram a negociação da "ajuda" financeira externa ?
Não acredito, mas admitindo que é essa a leitura correcta das palavras de Louçã, então estaríamos de facto perante um consenso. Só que, em tal tal caso, o que Louçã teria para apresentar não era "a maior vitória política do Bloco" mas antes a derrota mais rotunda. Das suas teses, claro está.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Louçã versus Passos Coelho

Se Passos Coelho estava confiante em que iria repetir, com Francisco Louçã,  a conversa de café que manteve com Jerónimo de Sousa, para malhar em José Sócrates e no PS, como cedo tentou, cedo também viu Louçã indeferir-lhe a pretensão, ao declarar que o debate com José Sócrates já o tinha feito e que estava ali para debater com ele.
E, com não menor presteza, Louçã arrumou com Passos Coelho ao acusar o PSD de ser "o campeão dos Estados Gordos", trazendo à colação, designadamente, o caso do "Jornal da Madeira", propriedade do Governo Regional (liderado pelo PSD) "que já custou quase cinquenta milhões aos contribuintes" (como se lembra aqui) e que não passa de um pasquim gratuito que não faz outra coisa que não seja propaganda do regime, e ao devolver a acusação de extremismo, afirmando que encontra "no PSD um radicalismo extremista que nunca tinha visto na democracia portuguesa", citando, muito a propósito, a ideia avançada pelo PSD de obrigar os beneficiários de subsídio de desemprego a fazerem trabalho comunitário, como se o subsídio de desemprego  não proviesse dos descontos feitos pelos trabalhadores para a Segurança Social, para acorrer precisamente ao casos de desemprego . E com tanta mais razão, acrescento eu, quando é o próprio coordenador do programa do PSD quem garante que “Nós vamos ser muito mais radicais no nosso programa do que a troika, vamos ser muito mais radicais”.
Derrotado no penúltimo round (em que Louçã nem sequer deixou passou passar em claro mais uma infeliz referência de Passos Coelho ao programa Novas Oportunidades, dizendo-lhe que faz um "estigma social" quando afirma que o Novas Oportunidades são um embuste) veremos como é que  Passos Coelho se sai no último  e decisivo. Para já, teve um mau ensaio. Louçã, pelo contrário, esteve impecável, começando pelo facto de não ir na "conversa" do adversário.

domingo, 8 de maio de 2011

Megalomania

Para quem ouviu o discurso do furibundo Louçã, na Convenção do Bloco de Esquerda,  é difícil não concordar com Jerónimo de Sousa quando afirma que  “O BE não se liberta da mania das grandezas”.
O que é grave, porque, como se sabe a megalomania distorce a realidade, distorção que, no caso do Bloco é já um dado de facto.
Com efeito, como é que o Bloco se propõe formar um Governo de esquerda, quando todas as sondagens conhecidas lhe atribuem uma acentuada diminuição nas intenções de voto e quando o ódio a Sócrates (que só tem paralelo no PSD de Passos Coelho) tornam impossível qualquer aproximação ao PS ?  
(Reeditado)  

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Fazer o mal e a caramunha

De facto não conseguiu. Louçã, porém, não pode escamotear a responsabilidade que também lhe cabe no facto de Portugal de não ter outra alternativa, uma vez que também contribuiu, com a rejeição do PEC, para  que o país estivesse na actual situação.
Louçã esquece que, com a rejeição do PEC, as notações da dívida da República desceram em catadupa e os juros subiram num ápice, atingindo valores incomportáveis.
Louçã pode ter fraca memória, mas eu, por exemplo, não esqueço.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hipocrisia versus cobardia

Os termos da anunciada moção de censura do Bloco de Esquerda (BE) eram, de facto, difíceis de engolir para os partidos da direita. O Bloco tinha, aliás, consciência disso, como fez questão de afirmar. Não faz, por isso, nenhum sentido que o BE venha agora 'acusar o CDS de ser o primeiro a dizer ‘fique’ a Sócrates' ou a 'dizer que PSD voltou "a dar o braço ao PS' perante o anúncio das decisões por parte do CDS e do PSD no sentido de se absterem na votação da moção. Ou antes, faz todo o sentido, desde que encaremos as declarações do BE como um exemplo acabado de hipocrisia.
Não obstante os termos da moção não serem de fácil ingestão,  a verdade é que já se engoliram sapos por muito menos, pelo que não será despropositado concluir que nos partidos da direita, se bem que ansiosos por ter o poder, não abunda a coragem em assumi-lo, enquanto prevalecerem as dificuldades. Ultrapassadas que sejam estas, já se sabe que a direita tentará o derrube do Governo. Mas só então, de acordo com a estratégia anunciada pelo Prof. Marcelo.
Gente "corajosa" esta !

Acto falhado

As declarações do líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, segundo o qual a direita cairia no ridículo se viesse a apoiar a moção de censura que o Bloco de Esquerda se propôs apresentar na Assembleia da República com um mês de antecedência, tendo em conta os termos da moção, já o indiciavam. As decisões já tomadas pelo CDS, primeiro, e hoje também pelo PSD,  no sentido de se absterem na votação só vêm confirmar que a moção do BE foi um acto falhado ainda antes de ser um acto.
Falhado, digo eu, inútil e incompreensível. Louçã, manifestamente, não esteve, neste caso, num dos seus melhores dias.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

BOA-BAY-ELA


Se o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Marques da Silva Pureza, acha que a direita "cairá no ridículo" se apoiar a moção de censura  que o Bloco anunciou ir apresentar, então forçoso é considerar que, para o Bloco, a moção de censura não passa de uma brincadeira e que a República Portuguesa não difere duma qualquer " Real República"  da praxe coimbrã. Da "BOA-BAY-ELA", por exemplo.
(Imagem daqui)