Não sei se houve algum órgão de comunicação social que não tenha aproveitado a apresentação dos cálculos finais do programa eleitoral do PS na quarta-feira para vir proclamar que António Costa prometia a criação de 207 mil novos empregos. Se um ou outro órgão de comunicação não alinhou pelo mesmo diapasão e foi capaz de fazer uma leitura correcta do que foi dito na ocasião, é caso para festejar, porque estaremos, em tal hipótese, a falar de uma avis rara. De facto, lamentavelmente, a generalidade dos media ou sofre de grave iliteracia, ou, o que é pior, distorce os factos movida por má fé.
A distorção entre o que foi afirmado, na referida apresentação e o que veio a ser noticiado é de tal forma flagrante que António Costa se viu obrigado a prestar novos esclarecimentos, afirmando para o efeito: "Eu não prometo 207 mil postos de trabalho, eu comprometo-me com um conjunto de medidas de política que tendo por prioridade a criação de emprego têm um estudo técnico a suportá-lo que estima um conjunto de resultados, na dívida, no crescimento, na redução do défice e também no emprego".
Será que a iliteracia é tão grande ou a má fé tão evidente que não dá para se conseguir distinguir uma estimativa em função de certos dados e uma promessa de resultado?
