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sábado, 17 de maio de 2014

Passos Coelho, por uma vez, sem exemplo, falou verdade

"Demos conta do recado", afirmou, com ar triunfante, Passos Coelho, embora na fotografia aqui ao lado não pareça lá muito entusiamado. Desta vez, no entanto e para variar, há que reconhecer que falou verdade.
Se o objectivo da política do seu governo era, como tantas vezes proclamou, o "empobrecimento" do país, não restam dúvidas de que o objectivo foi plenamente atingido, com os níveis de satisfação das necessidades da população portuguesa a conhecer recuos contabilizados, não em anos, mas em décadas. Porventura o "êxito" alçancado terá até ultrapassado as suas expectitivas mais optimistas. O país está, de facto, muito mais pobre do que o que seria imaginável há três anos. Passos Coelho tem pois toda a razão para se gabar e para proclamar que deu conta do recado. Olá se deu! Os muitos milhares de portugueses que ele, com a sua política, lançou no desemprego e na pobreza que o digam.

Um novo lema, a mesma política

Pelo que já se conhece, através do DEO, a política deste execrando governo continuará a pautar-se pela austeridade. Se houvesse necessidade de confirmação,  aí estão as palavras da eminência parda que dá pelo nome bem apropriado de Moedas que garante que o fim do programa de assistência financeira a Portugal "não significa o fim do ímpeto reformista", ímpeto que até agora não se traduziu noutra coisa que não fosse em aumento dos impostos, sem paralelo no passado; em cortes perfeitamente arbitrários nas pensões e nos salários dos funcionários públicos e, last, but not least, na desvalorização sistemática e por todos os meios, legais e ilegais, do factor trabalho.
O tal "ímpeto reformista" decorreu até agora sob o signo do "empobrecimento", mas a expressão deve ter, entretanto, perdido o encanto de que gozava nos corredores governamentais e um novo lema foi descoberto, mais apropriado para levar ao engano os incautos. É com isso que este governo está a contar quando agora fala em "Caminho para o Crescimento".
Depois de tanta mentira, só alguém muito distraído, se deixará cair no logro. Distraídos, no entanto e pelo que se tem visto até agora, é algo que em Portugal não falta.
Hélas!